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O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 - 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal - Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” ["Política Chimpanzé", sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

Eli Vieira e o Niilismo

Por que não sou niilista – uma resposta a André Díspore Cancian

Postado por Eli Vieira on sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o-gritoRecentemente comentei uma entrevista do André Díspore Cancian, criador do site Ateus.net, em que ele expressava o niilismo. Desenvolverei um pouco mais aqui.

Se o niilismo (do latim nihil, nada) é meramente notar o fato de que não há um sentido para a vida, ao menos não um que seja propriedade fundamental da nossa existência ou do universo, então eu também sou niilista. Ou seja, é muito útil o niilismo como ceticismo voltado para a ética.

Porém há mais para o niilismo de alguns: não apenas notam este fato sobre a ausência de sentido na natureza que nos gerou, como também descartam de antemão, dogmaticamente, qualquer tentativa de construção de sentido como uma mera ingenuidade. E nesta segunda acepção eu não sou, em hipótese alguma, um niilista.

Há duas razões para eu não ser um niilista:

1) Vejo uma inconsistência interna, que é técnica, no niilismo:

É uma posição circular, pois parte de uma questão de fato, que é a falta de “sentido” na vida, para voltar a outra questão de fato, que é nossa necessidade de “sentido” na vida apesar de o tal sentido não existir.

A inconsistência aqui é ignorar um enorme campo, a ética, que é o campo das questões de direito.

“Sentido” é algo que pode ser construído pelo indivíduo e pela cultura, como sempre foi, porém sem o autoengano de atribuir sentido ao mundo natural que nos gerou mas ver o tal sentido como vemos uma obra de arte.

Ninguém espera que a beleza das obras de Rodin seja uma propriedade fundamental da natureza. Da mesma forma, não se deve esperar que sentido seja uma propriedade fundamental da vida.

Filósofos como Paul Kurtz e A. C. Grayling estão estre os que explicitam e valorizam a construção do sentido da vida da mesma forma que se valoriza a construção de valor estético em obras de arte.

Como niilista, o André Cancian acha que a decisão ética diária que tomamos por continuar a viver é fruto apenas de instintos moldados pela seleção natural, e que a razão deve apenas não se demorar em tentar conversar com estes instintos, pois se tentar, ou seja, se focarmos nossa consciência no fato do absurdo da natureza (tal como denunciado por Camus e Nietzsche) cessaríamos nossa vontade de viver voluntariamente.

É um erro pensar assim, porque um indivíduo pode, como Bertrand Russell e Stephen Hawking relatam para si mesmos, construir um sentido para sua própria vida, consciente de que esta vida é finita e insignificante no contexto cósmico. É uma alegação comum que era esta a posição defendida por Nietzsche – que valores seriam construídos após a derrocada dos valores tradicionais. Mas não sou grande fã da obra de Nietzsche como filosofia, sou da posição de Russell de que Nietzsche é mais literatura que filosofia.

A posição do niilista ignora também os tratados de pensadores como David Hume sobre a fragilidade da razão frente a paixões. A razão é escrava das paixões – é um instrumento preciso, como uma lâmina de diamante, porém frágil frente à força das paixões.

A razão e a âncora empírica são as mestras do conhecimento e da metafísica. Por outro lado, as paixões, ou seja, as emoções, incluída aqui a emoção empática, são as mestras das questões de direito, como indicam pesquisas científicas como as do neurocientista Jorge Moll.

A posição niilista é inconsistente ao limitar a legitimidade do pensamento ao escrutínio racional e/ou científico. Na verdade, razão e ciência são para epistemologia e metafísica (não respectivamente, mas de forma intercambiável). Ética existe não apenas como objeto de estudo destas outras faculdades, mas como todo um alicerce sustentador das nossas mentes: o alicerce das questões de direito -
- “devo fazer isso?”
- “isso é bom?”
- “isso é ruim?”

São questões com que nos deparamos todos os dias, a respeito das quais as respostas epistemológicas e metafísicas (referentes a questões de fato) são neutras.

Na entrevista no blog Amálgama, André Cancian faz questão de citar que as emoções (ou paixões), que ele chama de “instintos”, tiveram origem através da seleção natural.
Esta prioridade inusitada na resposta do Cancian é exemplo da circularidade do niilismo: nada teria sentido porque as emoções vieram de um processo natural de sobrevivência diferencial entre replicadores que variam casualmente.

Frente ao fato de também a razão ter vindo do mesmíssimo processo, como Daniel Dennett argumenta brilhantemente em suas obras, por acaso isso torna a razão desimportante ou então faz dela um instrumento que só gera respostas falsas?

Esta pergunta retórica serve para exemplificar que nenhuma resposta a ela faz sentido ao menos que se separe, como fez Kant, as questões de fato das questões de direito.
É algo que niilistas como o André Cancian insistem em não fazer.

Na UnB, tive aulas com um filósofo admirável chamado Paulo Abrantes. Quando entrava na questão metafilosófica de explicar o que é filosofia ou não, ele, como a maioria dos filósofos, dava respostas provisórias e incertas. Uma dessas respostas me marcou bastante: filosofia é a arte de explicitar. Todo trabalho de tomar uma ideia cheia de conceitos tácitos, dissecá-la e explicitá-la melhor, seria um trabalho filosófico.

Quando certas formas de niilismo ignoram a importantíssima explicitação kantiana da separação entre questões de fato e questões de direito, estão voltando a um estado não filosófico de aferrar-se a posições nebulosas e tácitas.

Concluindo a primeira razão pela qual eu não sou niilista, posso então dizer que é porque o niilismo parece-me antifilosófico.

2) Não sou niilista, também, por ser humanista. Em outras palavras, o vácuo que o niilista gosta de lembrar é preenchido em mim pelo humanismo.

Aqui vou ser breve: por mais que eu tente explicar, racionalmente, razões pelas quais sou humanista, todas estas tentativas são meras sombras frente a sentimentos reais que me abatem.

O fato de existir o regime teocrático no Irã, e o fato de dezenas ou centenas de pessoas estarem na fila do apedrejamento, entre elas uma mulher chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani, é algo que açula “meus instintos mais primitivos”, parafraseando uma frase famosa no Congresso alguns anos atrás.

Sinto de verdade que é simplesmente errado enterrar uma mulher até o ombro e atirar pedras contra a cabeça dela até que ela morra.

Sinto que também é errado achar que “respeitar a cultura” do Irã é mais importante que preservar a vida desta mulher e de outros que estão na posição dela.

Porque culturas não são indivíduos como Sakineh, portanto culturas não contam com nem um pingo da minha empatia. Mas aqui são de novo minhas capacidades racionais tentando explicar minhas emoções.

Tendo isto em mente, convido qualquer niilista a pensar, agora, o que acha de dizer a esta mulher, quando ela estiver enterrada até os ombros, que nada do que ela está sentindo tem importância porque as emoções dela são instintos que vieram da evolução pela seleção natural.

Estou apelando para a emoção numa argumentação contra o niilismo? Claro. Eu construí o sentido da minha vida, aliás estou sempre construindo, com a noção de que minhas emoções – e as dos outros – são importantes sim, mesmo tendo elas nascido do absurdo da natureza. Na verdade, este batismo de sangue as valoriza.

Mas falar das emoções, que são a base da ética, à luz de seu batismo de sangue é assunto para outro texto. Quem sabe usar o personagem Dexter Morgan como mote para falar disso? Não decidi ainda se será bom ou ruim.

Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

Ação e reação na manutenção de crenças

How facts backfire

Researchers discover a surprising threat to democracy: our brains

By Joe Keohane July 11, 2010

It’s one of the great assumptions underlying modern democracy that an informed citizenry is preferable to an uninformed one. “Whenever the people are well-informed, they can be trusted with their own government,” Thomas Jefferson wrote in 1789. This notion, carried down through the years, underlies everything from humble political pamphlets to presidential debates to the very notion of a free press. Mankind may be crooked timber, as Kant put it, uniquely susceptible to ignorance and misinformation, but it’s an article of faith that knowledge is the best remedy. If people are furnished with the facts, they will be clearer thinkers and better citizens. If they are ignorant, facts will enlighten them. If they are mistaken, facts will set them straight.

In the end, truth will out. Won’t it? Maybe not. Recently, a few political scientists have begun to discover a human tendency deeply discouraging to anyone with faith in the power of information. It’s this: Facts don’t necessarily have the power to change our minds. In fact, quite the opposite. In a series of studies in 2005 and 2006, researchers at the University of Michigan found that when misinformed people, particularly political partisans, were exposed to corrected facts in news stories, they rarely changed their minds. In fact, they often became even more strongly set in their beliefs. Facts, they found, were not curing misinformation. Like an underpowered antibiotic, facts could actually make misinformation even stronger. This bodes ill for a democracy, because most voters — the people making decisions about how the country runs — aren’t blank slates. They already have beliefs, and a set of facts lodged in their minds.

The problem is that sometimes the things they think they know are objectively, provably false. And in the presence of the correct information, such people react very, very differently than the merely uninformed. Instead of changing their minds to reflect the correct information, they can entrench themselves even deeper. “The general idea is that it’s absolutely threatening to admit you’re wrong,” says political scientist Brendan Nyhan, the lead researcher on the Michigan study. The phenomenon — known as “backfire” — is “a natural defense mechanism to avoid that cognitive dissonance.”

These findings open a long-running argument about the political ignorance of American citizens to broader questions about the interplay between the nature of human intelligence and our democratic ideals. Most of us like to believe that our opinions have been formed over time by careful, rational consideration of facts and ideas, and that the decisions based on those opinions, therefore, have the ring of soundness and intelligence. In reality, we often base our opinions on our beliefs, which can have an uneasy relationship with facts. And rather than facts driving beliefs, our beliefs can dictate the facts we chose to accept. They can cause us to twist facts so they fit better with our preconceived notions. Worst of all, they can lead us to uncritically accept bad information just because it reinforces our beliefs. This reinforcement makes us more confident we’re right, and even less likely to listen to any new information. And then we vote. Continua…

Sobre gênios e demônios criativos

Material para o workshop sobre criatividade. Se encaixa bem na teoria da mente bicameral de Julian Jaynes.

Para que servem os ateus?

 

Coelhos = religiosos, raposas = ateus?

Estou achando que preciso correr para escrever o meu livro intitulado “Deus e Acaso”, baseado em postagens deste blog. Alguns dos temas do livro já estão sendo discutidos em papers recentes, parece que existe um interesse cada vez maior sobre o assunto. Ver por exemplo o artigo abaixo, que foi um target article em um número inteiro dedicado a discussões desse tipo na revista Religion, Brain & Behavior.

What are atheists for? Hypotheses on the functions of non-belief in the evolution of religion

DOI: 10.1080/2153599X.2012.667948

Dominic Johnsona*
pages 48-70

Version of record first published: 27 Apr 2012

Abstract

An explosion of recent research suggests that religious beliefs and behaviors are universal, arise from deep-seated cognitive mechanisms, and were favored by natural selection over human evolutionary history. However, if a propensity towards religious beliefs is a fundamental characteristic of human brains (as both by-product theorists and adaptationists agree), and/or an important ingredient of Darwinian fitness (as adaptationists argue), then how do we explain the existence and prevalence of atheists – even among ancient and traditional societies? The null hypothesis is that – like other psychological traits – due to natural variation among individuals in genetics, physiology, and cognition, there will always be a range of strengths of religious beliefs. Atheists may therefore simply represent one end of a natural distribution of belief. However, an evolutionary approach to religion raises some more interesting adaptivehypotheses for atheism, which I explore here. Key among them are: (1) frequency dependence may mean that atheism as a “strategy” is selected for (along with selection for the “strategy” of belief), as long as atheists do not become too numerous; (2) ecological variation may mean that atheism outperforms belief in certain settings or at certain times, maintaining a mix in the overall population; (3) the presence of atheists may reinforce or temper religious beliefs and behaviors in the face of skepticism, boosting religious commitment, credibility, or practicality in the group as a whole; and (4) the presence of atheists may catalyze the functional advantages of religion, analogous to the way that loners or non-participants can enhance the evolution of cooperation. Just as evolutionary theorists ask what religious beliefs are “for” in terms of functional benefits for Darwinian fitness, an evolutionary approach suggests we should also at least consider what atheists might be for.

Altruísmo Egoísta ou Egoísmo Altruísta?

O altruísmo egoísta

14/08/12 – 09:15
POR RAFAEL GARCIA

Chimpanzés contemplam sua existência no refúgio de macacos Chimp Haven, na Louisiana (Foto: Mike Souza/CC)

UM DOS GRANDES ENIGMAS no estudo da evolução humana é a tendência que temos de nos indignar com abuso de poder. Por que consideramos correto ajudar os indefesos que sofrem assédio e extorsão por parte dos mais fortes? Por que às vezes alternamos nosso instinto egoísta de sobrevivência por essa índole altruísta? Essa discussão, que ainda está longe de ter consenso entre biólogos e antropólogos, acaba de ganhar uma teoria matemática mostrando como o altruísmo pode surgir de puro egoísmo. Read more [+]

Será que a teoria de Crick-Mitchison sobre sonhos está correta?

Pois é, que pena que não havia este experimento quando eu tentei publicar o paper no BBS em 2002…  Stickgold era um dos referees, os outros também não simpatizavam com a teoria de Crick-Mitchison, daí ficou por isso mesmo. Mas, a partir de 2009, Matthew P. Walker elaborou a hipótese de regulação emocional da amigdala , usando explicitamente a ideia de que durante a fase REM a reatividade frente a memorias emocionais seria “esquecida” em vez de reforçada, uma idéia claramente inspirada na Teoria de Aprendizagem Reversa de Crick-Mitchison.

Mas eu ainda acho que os canabinoides tem a ver com esse processo, e os autores do estudo abaixo não falaram isso. Em todo caso, vou mandar o link do paper para o pessoal de Berkeley…

 http://arxiv.org/abs/cond-mat/0208590

PS: Este paper foi resubmetido à Behavioral and Brain Sciences

26/11/2011 - 18h50

Sonho pode apagar memórias negativas

SABINE RIGHETTI
DE SÃO PAULO

Qual a receita para apagar uma memória dolorosa? O tempo, claro –incluindo o tempo gasto no sono e nos sonhos. É o que sugere uma pesquisa da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).

De acordo com os cientistas, os processos químicos cerebrais durante o sonho ajudam a filtrar as experiências emocionais negativas.

É na fase de sonhos do sono, conhecido como REM (sigla inglesa para “rapid eye movement”, ou movimento rápido do olho), que o cérebro trabalha as experiências emocionais. Essa fase equivale a 20% de uma noite.

O estudo dos EUA contou com 34 jovens saudáveis, divididos em dois grupos.

Metade viu 150 imagens “fortes” na parte da manhã e à noite -eles ficaram acordados entre as sessões. A outra metade dormiu uma noite entre as visualizações (veja infográfico acima).

Os pesquisadores observaram que aqueles que dormiram entre as visualizações relataram uma reação emocional melhor às imagens.

Além disso, exames de ressonância magnética dos participantes enquanto dormiam mostraram uma redução na atividade da amígdala (região cerebral que processa as emoções) no sono profundo.

REM

“Esse é o resultado mais interessante do trabalho. Não havia ainda uma relação comprovada entre sono REM e redução da atividade da amígdala”, analisa o neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

Os resultados sinalizam a importância do sonhar. “O estágio do sonho é uma espécie de terapia durante a noite”, explica Matthew Walker, principal autor do estudo que está na “Current Biology”.

O trabalho também indica porque as pessoas com estresse pós-traumático, como veteranos de guerra, sofrem com pesadelos.

A “terapia noturna” não funciona direito em pessoas traumatizadas, pois o sono REM costuma ser interrompido recorrentemente.

Ao dormir, a pessoa revive o trauma porque a emoção não foi devidamente arrancada da memória no sono.

Os pesquisadores também registraram a atividade do cérebro dos participantes enquanto eles dormiam, usando eletroencefalograma.

Durante o sono REM, a atividade cerebral diminui. Isso indica que a queda de estresse no cérebro ajuda a processar as reações emocionais às experiências do dia.

“Durante o sono REM há uma diminuição dos níveis de norepinefrina, um neurotransmissor associado ao estresse”, explica Walker.

Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley têm trabalhado há algum tempo ligando o sono ao aprendizado, à memória e à regulação do humor. Mas ainda não há um consenso científico sobre a função do sonho na saúde das pessoas.

Até a publicação de “A Interpretação dos Sonhos”, de Sigmund Freud, concluída no final do século 19, os sonhos eram vistos como premonições ou eram relacionados a problemas digestivos.

Freud lançou a ideia de que o sonho tinha uma ligação com o processamento inconsciente das emoções.

“Hoje, fazemos trabalhos que têm a ver diretamente com o que Freud estudou, mas de maneira mais aprofundada”, explica Ribeiro.

Dreams, endocannabinoids and itinerant dynamics in neural networks: re elaborating Crick-Mitchison unlearning hypothesis

Osame KinouchiRenato Rodrigues Kinouchi
(Submitted on 30 Aug 2002 (v1), last revised 12 Jul 2010 (this version, v3))

In this work we reevaluate and elaborate Crick-Mitchison’s proposal that REM-sleep corresponds to a self-organized process for unlearning attractors in neural networks. This reformulation is made at the face of recent findings concerning the intense activation of the amygdalar complex during REM-sleep, the role of endocannabinoids in synaptic weakening and neural network models with itinerant associative dynamics. We distinguish between a neurological REM-sleep function and a related evolutionary/behavioral dreaming function. At the neurological level, we propose that REM-sleep regulates excessive plasticity and weakens over stable brain activation patterns, specially in the amygdala, hippocampus and motor systems. At the behavioral level, we propose that dream narrative evolved as exploratory behavior made in a virtual environment promoting “emotional (un)learning”, that is, habituation of emotional responses, anxiety and fear. We make several experimental predictions at variance with those of Memory Consolidation Hipothesis. We also predict that the “replay” of cells ensembles is done at an increasing faster pace along REM-sleep.

Comments: 18 pages, 2 figures, Revised version (2010)
Subjects: Disordered Systems and Neural Networks (cond-mat.dis-nn); Chaotic Dynamics (nlin.CD); Popular Physics (physics.pop-ph); Quantitative Biology (q-bio); Neurons and Cognition (q-bio.NC)
Cite as: arXiv:cond-mat/0208590v3 [cond-mat.dis-nn]

Por que os rodeios estão fadados à extinção?

Estudo: humanidade está mais inteligente e menos violenta

Tese é defendida pelo renomado psicólogo canadense Steven Pinker, em artigo publicado na edição desta quarta-feira na revista ‘Nature’

Eu sempre disse isso para os meus amigos, que a percepção jornalística e de senso comum está errada, que era necessário sempre uma análise histórico-estatística e mesmo sociobiológica. Afinal somos os primatas mais sociáveis do planeta – não acredito que haja colônias de primatas com mais de 500 indivíduos, e certamente somos bem menos violentos que chimpanzés e gorilas, para não falar dos outros machos-mamíferos que adoram matar os filhotes (de outro macho) das fêmeas.

Além disso, já não praticamos sacrifícios religiosos de crianças, canibalismo, tortura (no nível “civilizado” romano, assistam a série ROMA!), e mesmo os duelos com espadas ou armas, a tal defesa da honra, desapareceu (o que era impensável para os homens do século XVIII).

Do mesmo modo, a guerra era vista como algo heróico e necessário para a preservação e evolução da espécie (a visão de Darwinismo Social de Nietszche e das SS, que consideravam o Cristianismo como uma religião de anarquistas, feministas e “mulherzinhas”). Hoje, as guerras tem uma péssima reputação e certamente não são vistas como algo heróico ou desejável, no máximo são tidas como um mal necessário em certas circunstâncias (por exemplo, para enfrentar e destruir os SS-Nietszchenianos). Que profunda mudança cultural em menos de 100 anos!

Finalmente, a próxima fronteira são os direitos dos animais, e isto está avançando numa velocidade fantástica (e no futuro, os dos robôs, afinal todos somos robôs – orgânicos ou não). Esses dias, eu querendo levar meus filhos Leonardo (10) e Raphael (8) para uma atividade diferente, propus irmos ao Rodeio de Jaboticabal. Eles me olharam de forma estranha e questionadora,  dizendo “Mas claro que não! Ele torturam os bois!” Eu me senti anacrônico…

Ou seja, educar e civilizar faz diferença sim, os memes são mais fortes que os genes (afinal, existem memes egoístas incompatíveis com os genes, de modo que a Memética fundamenta cientificamente a autonomia relativa da Cultura). O software cultural é limitado pelo hardware cerebral, mas no final das contas, quem define o que realmente um computador faz é o software, não é o hardware. Novos softwares culturais vão reconfigurar o cérebro humano, nem que seja o Facebook nos deixando mais sociáveis

Disse isso aos meus amigos especialmente no Beijo de Juliana, mas me chamaram de Pollyanna e Cândido de Voltaire… Santo de casa não faz milagre mesmo. Mas talvez o Pinker, publicando na Nature, seja suficiente para  o que eu sempre propus, uma “statistical evidence-based opinions“.

Comportamento

Combatentes líbios: mesmo com guerras, humanidade está mais pacífica, diz o psicólogo Steven PinkerCombatentes líbios: mesmo com guerras, humanidade está mais pacífica, diz o psicólogo Steven Pinker (Zohra Bensemra / Reuters)

“Apesar de atualmente nos sentirmos constantemente rodeados pela violência, em séculos anteriores a situação era muito pior.” — Steven Pinker, psicólogo canadense

“A afirmação popular de que o século XX é ‘o mais sangrento da história’ é uma mera ilusão que dificilmente pode ser apoiada em dados históricos.”

A sensação de que nunca houve tanta violência como nos tempos modernos é ilusória e dificilmente resistiria à pesquisa histórica. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature, nunca houve, proporcionalmente, tão poucos assassinatos e tão pouca violência, de um modo geral. O defensor da tese é o renomado psicólogo canadense Steven Pinker. De acordo com ele, em termos históricos, as pessoas estão cada vez mais inteligentes, e em consequência disso, menos violentas. Read more [+]

A hipótese Pollyanna pode ser derivada da psicologia evolucionária?

Eu não conhecia a hipótese Pollyanna, mas a pergunta acima é uma questão para meus amigos blogueiros…

Positive words carry less information than negative words

Authors: David Garcia, Antonios Garas, Frank Schweitzer
(Submitted on 18 Oct 2011)

Abstract: We show that the frequency of word use is not only determined by the word length [1] and the average information content [2], but also by its emotional content. We have analysed three established lexica of affective word usage in English, German, and Spanish, to verify that these lexica have a neutral, unbiased, emotional content. Taking into account the frequency of word usage, we find that words with a positive emotional content are more frequently used. This lends support to Pollyanna hypothesis [3] that there should be a positive bias in human expression. We also find that negative words contain more information than positive words, as the informativeness of a word increases uniformly with its valence decrease. Our findings support earlier conjectures about (i) the relation between word frequency and information content, and (ii) the impact of positive emotions on communication and social links.

Comments: 11 pages, 2 figures, 2 tables
Subjects: Computation and Language (cs.CL); Information Retrieval (cs.IR); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:1110.4123v1 [cs.CL]