As idéias de SOC ou SOqC (Self-organized quasi-criticality) estão percolando pela cultura popular, criando fortes metáforas cognitivas que nos ajudam a pensar sistemas complexos tais como a economia, os sistemas sociais, os sistemas ecológicos etc. Ela resolve, por exemplo, a velha questão sobre que fatores são importantes na história, se as grandes forças econômicas, os movimentos de classe ou a ação de indivíduos. Nesta concepção, a História é pensada como uma sucessão de avalanches de fatos históricos (algumas superpostas). Essas avalanches podem ser de qualquer tamanho e podem ser desencadeadas mesmo pela ação de indivíduos (Jesus, Marx ou Steve Jobs, correspondentes a um grão na pilha de areia) dentro de um contexto de acumulação de tensão social (as forças econômicas, de classe, culturais etc).
Essas novas ferramentas de pensamento foram desenvolvidas principalmente pelos físicos (e acho que eu ajudei com alguns papers, ver aqui, aqui e aqui). Me parece que será uma visão de mundo influente neste século…
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Book Description
Publication Date: December 22, 2011
Did the terrorist attacks on the United States in 2001, the massive power blackout of 2003, Hurricane Katrina in 2005, and the Gulf oil spill of 2010 ‘just happen’-or were these shattering events foreseeable? Do such calamities in fact follow a predictable pattern? Can we plan for the unforeseen by thinking about the unthinkable? Ted Lewis explains the pattern of catastrophes and their underlying cause. In a provocative tour of a volatile world, he guides the reader through mega-fires, fragile power grids, mismanaged telecommunication systems, global terrorist movements, migrating viruses, volatile markets and Internet storms. Modern societies want to avert catastrophes, but the drive to make things faster, cheaper, and more efficient leads to self-organized criticality-the condition of systems on the verge of disaster. This is a double-edged sword. Everything from biological evolution to political revolution is driven by some collapse, calamity or crisis. To avoid annihilation but allow for progress, we must change the ways in which we understand the patterns and manage systems. Bak’s Sand Pile explains how.
Em veias tenho teu nomeNão capturoÉs o meu bolso, minha rochaGuardo-te grãoAguardo-te garrafaCresces no sopro da águaCrias raízesTe firmas no arTens garras suspensas, extensasTens o meu nomeNão capturo
Eu tenho as veias em seu nome
Ele não captura
Você é o meu bolso, rock meu
Você manter grão
Aguardo você garrafa
Crescendo na bica de água
raízes bebê
Você empresas no ar
Você tem garras de suspensão, extensa
Você tem meu nome
Ele não captura
A minha versão, usando também as alternativas de tradução do GOOGLE:
Na borda do Caos
Eu tenho as veias em seu nome
Mas você não capta
Que também está no meu bolso, pedra minha
Preciosa.
Que você continue plantando grãos.
Espero que você seja frasco
Crescendo na bica de água
criando raízes de criança
Firmando-se nos ares
Você usa suas unhas, extensas
Ontem conversava com Juliana (a minha filha de 15 anos que lê Spinoza e Kant) sobre a ética da Ciência e Tecnologia. Rita havia observado que, se fosse cientista, gostaria de fazer algo aplicado (que não fosse a bomba atômica, claro!). Eu contei a piada sobre o “cientista maluco” que queria construir uma arma para dominar o mundo, mas não está preocupado com hipóteses a refutar, grupos de controle, implicações filosóficas de suas descobertas. Para quem não sabe, a piada termina dizendo que todo cientista maluco na verdade é um engenheiro!
Odeio a sigla C&T, gostaria que existisse o Ministério da Ciência e Cultura (MCC), e criassem o Ministério da Tecnologia e Inovação (MTI), a fim de que os cientistas “de verdade” não tivessem que mentir sobre as potenciais aplicações tecnológicas e sociais de suas pesquisas (que aplicações sociais ou práticas tem a Cosmologia, a Paleontologia, a Gravitação Quântica, a Matemática Pura, a Filosofia ou a Arte?), e os verdadeiros inventores, engenheiros e tecnólogos tivessem um apoio diferenciado: sim, podem ficar com todos os fundos setoriais, acho que ciência de verdade – o primeiro prêmio Nobel brasileiro, vai sair mais de boas idéias do que de máquinas caras.
Afinal, o que a Contracultura condena na Ciência não é principalmente o conhecimento filosófico-científico (embora Teodore Roszack o faça, dando munição aos fundamentalistas religiosos americanos) mas sim a subordinação do cientista aos interesses do complexo industrial-militar. É claro que a esquerda também tem essa visão pragmática-utilitarista da Ciência: Che Guevara escreveu que, em Cuba, só se deveria patrocinar pesquisa científica com aplicação social, imagino que este tipo de realismo socialista, aplicado à Arte e à Ciência, pode ter sido uma das razões do fato de Fidel ter enviado seu camarada para morrer na Bolívia.
Então, deixemos a cargo dos engenheiros (e dos engenheiros com pele de cientista) o agradecimento da sociedade sobre os benefícios sociais e de mercado do processo de inovação, pesquisa e desenvolvimento (um longo caminho para o qual o cientista normal não estã preparado) e, claro, também o ônus de explicar para a sociedade porque são tão vendidos ao capital e aos militares, empregadinhos que fazem armas de destruição em massa (químicos = armas químicas, físicos = armas atômicas, biólogos = armas biológicas) e gadgets eletrônicos de obsolescência planejada. E mesmo os cientistas sociais aplicados tem que compartilhar a responsabilidade do uso de sua ciência para lindos fins como usar a Sociologia as redes sociais de comunidades vietnamitas ou iraquianas a fim de determinar que pessoas (os “hubs”) a CIA deve-se matar a fim de destruir tais redes.
Bom, com esse radicalismo vou acabar perdendo um monte de amigos e talvez até a namorada. Então, como Galileu, abjuro de minhas opiniões radicais. Afinal, o destino me pregou uma peça:
Na notícia abaixo, fala-se de um “olho eletrônico” que, a partir de exemplos, determina por si mesmo os sinais morfológicos e estatísticos de tumores da mama. Mesmo sem ler o paper, eu aposto que essa tecnologia se baseia em algoritmos de aprendizagem e generalização de redes neurais artificias. Como este é o tópico da minha dissertação de mestrado e tese de doutorado, e como Caticha e eu fomos os caras que determinaram o algoritmo ótimo de aprendizagem-generalização para perceptrons, então em parte sou culpado disso, pois ajudei a construir o conhecimento desta área.
Acho que tentaram também aplicar o algoritmo ótimo do Perceptron em softwares para celulares a fim de cancelar o eco, o Peter Riegler da Alemanha fez isso, não sei se deu certo ou gerou alguma patente para alguma empresa de celulares. Bom, se fosse aqui no Brasil, basicamente o que teria acontecido é que alguma empresa transnacional compraria a patente da USP, daria um troco para a mesma (e como eu teria talvez um terço disso, podia estar sem dívidas hoje ou ter um carrinho!) e teria mais um elemento de vantagem no mercado (evitando que surgisse uma empresa de celulares brasileira, por exemplo!).
Acho que 90% das patentes universitárias deve seguir esse caminho, mas não entendo exatamente como este uso do dinheiro público, da energia e tempo dos alunos e professores, dos equipamentos de pesquisa e laboratórios públicos etc, contribui efetivamente para o desenvolvimento social e tecnológico do Brasil… Mas tudo bem, já abjurei das minhas tendências anarco-científicas, COPYLEFT etc, CNPq e FAPESP, perdoem meus pecados!
OK, OK, então eu posso ser culpado de ter ajudado indiretamente ao desenvolvimento de novos testes mais eficazes de detecção de tumores por redes neurais artificiais. As mesma que, provavelmente, estão sendo implantadas em mísseis inteligentes, drones assassinos etc. Logo, sou parcialmente responsável por isso também… O Destino me pregou uma peça! Mas será mesmo?
Acho que tem algo profundamente errado neste tipo de raciocínio que culpa Pitágoras e Einstein pela Bomba atômica, dado que o teorema de Pitágoras é essencial para a Relatividade Restrita que gerou E=mc^2. A confusão neste tipo de raciocínio pseudo-esquerdista puritano é a falta de distinção entre condições necessárias e condições suficientes.
O conhecimento científico pode ser a condição necessária para a criação de tecnologias de dominação e morte. Mas condição necessária não é condição suficiente. Expliquei isso para a Juli: se o Raphinha depois dos 18 anos beber e atropelar uma criança inocente, será que eu sou culpado disso? Afinal, sem o meu trabalho e meu espermatozóide (e o cuidado e o óvulo da mãe dele), ele não teria nascido, e assim, a morte da criança poderia ter sido evitada. Logo…
Logo nada, concorda? É um absurdo imputar a culpa do filho ao pai (assim como é absurdo imputar a culpa do pai ao filho), pelo menos se o filho é responsável legal. Condição necessária não é condição suficiente. Como bem frisou Freeman dyson, a bomba atômica poderia ter sido jogada na baia de Tóquio, longe da costa, sem vítimas, e o recado estaria dado tanto para os japoneses quanto para os russos. Mas políticos, militares, engenheiros e cientistas americanos tiveram a brilhante ideia de mandar o recado para a URSS testando a bomba em duas cidades não bombardeadas a fim de estudar seus efeito da bomba e da radiação nos prédios e nas pessoas. Por que duas cidades? É que tinham dois tipos de bomba, uma de urânio e outra de plutônio.
Então, é basicamente mentira que as bombas foram usadas para encurtar a guerra. como Dyson revela, a verdadeira causa da rendição japonesa foi a declaração de guerra da URSS ao Japão, no dia 03 de agôsto de 1945. Afinal, os japoneses estavam cientes das barbaridades que os russos estavam fazendo na Alemanha (estrupos em massa, divisão do país, implantação do comunismo na marra) e o Japão não estava nada a fim de desfrutar do mesmo cenário da Alemanha. Muito melhor era se render aos americanos capitalistas, a estrutura de classes e de poder econômico japonesa ficou praticamente intocada… As notícias sobre os efeitos das bombas chegaram confusas e tarde, os militares japoneses não tinham ideia do que realmente estava acontecendo, segundo Freeman Dyson.
Moral da história: a condição suficiente para a construção e uso de armas de destruição em massa é o dinheiro fácil para isso e os interesses nacionais durante uma guerra. A condição necessária, entre outras, é que haja gente com conhecimento prático (engenheiros e cientistas aplicados) para construí-las. Outras condições necessárias para a criação de armas de destruição em massa são o fogo, os cães e outros animais domésticos, a agricultura, o alfabeto e a matemática. Sim, condições necessárias, mas nunca suficientes…
Ou você acha que Einstein apertaria o botão de lançamento da Bomba para fazer experimentos com mulheres, velhos e crianças em Hiroshima e Nagasaki? O conservador direitista Edward Teller (pai da bomba de Hidrogênio) talvez, mas o esquerdista-pacifista Einstein, o cara considerado pelo FBI como muito mais perigoso para o American Way of Life que John Lennon? Logo, se Einstein nunca apertaria o botão, em sentido ele pode ser culpado pelo massacre/crime de guerra de Hiroshima e Nagasaki, que matou em dois dias 2,7 mais pessoas que a Inquisição matou em 300 anos? Você será culpado por tudo o que seus filhos e netos farão, ainda mais sabendo que apenas 10% do comportamento dos filhos é influenciável pela educação paterna, o resto vem da genética, das condições uterinas e da tribo de amigos na adolescência?
Assim, renuncio ao mérito de ter filhos tão inteligente quanto Mariana, Juliana, Leonardo e Raphael (o mérito é todo deles!), renuncio ao mérito de ter contribuído para o detetor de câncer por redes neurais, renuncio ao mérito de que redes neurais tenham sido aplicadas no mercado financeiro (gerando a atual crise) e as aplicações em mísseis e drones inteligentes também. Se um dia houver uma SKYNET ou um Exterminador do Futuro, renuncio ao mérito também! Porque a única coisa que fiz foi estudar o profundo mistério da memória, do aprendizado e da generalização em animais e seres humanos usando a inútil Física Estatística puramente teórica: o Perceptron é apenas uma generalização do modelo de Rescola-Wagner de psicologia animal. Estudo mistérios, não faço armas.
PS: Deixo para meus coleguinhas físicos aplicados e engenheiros trabalharem nas bombas atômicas do Irã (ainda por fazer) e de Israel (já feita). A direita ortodoxa judaica e os nazislâmicos do Irã (o Mein Kemp é o best-seller no Irã atual…) bem que podiam jogar essas bombas e se exterminarem. Um pequeno Armagedon, mas o mundo não ia sentir falta deles não! Da minha parte continuarei a usar a Teoria de Processos de Ramificação, que também foi usada por Fermi em Los Alamos para estudar reações em cadeia, para estudar modelos de epidemias e colonização da galáxia para solucionar o Paradoxo de Fermi. Afinal, o modelo é o mesmo, nós somos os vírus do Universo!
Pesquisadores americanos e holandeses desenvolveram um programa de computador que identifica e interpreta eletronicamente a agressividade de tumores de mama. Read more [+]
Que fobias você tem? Elas podem ser um sintoma de transtorno de ansiedade.
Liste nos comentários…
As minhas estão em negrito, e acho que estou bem nessa lista, embora não exista na lista o “saúvafobia = medo de fazer pic-nic de madrugada num canavial cheio de saúvas” e “tatufobia = medo de tatus” – apenas Rita vai entender a referência.
Lista de Fobias da WIKI (tem muita superposição e fobias esdrúxulas, precisam editar esta página).
Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.
Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.
Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.
Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.
A minha versão iterada no Google Tradutor com um acabamento pessoal para Rita Cristina:
As razões do sem amor
Eu te amo porque te amo.
Você não precisa ser amante,
mas precisa saber amar, porque
Eu te amo porque te amo.
O amor é um estado de graça
e amor não se gerencia.
O amor é dado livremente,
é semeado na ventania,
Cachoeira de luz em plena eclipse.
Meu amor, quebre seus dicionários,
e vários regulamentos.
Eu te amo mas eu não te amo
tanto, ou bastante, ou demais.
Porque amor não se calcula,
e quem calcula fica sem amar.
Porque o amor é como a raiz de (nós) dois,
forte e irracional, mas inteiro se elevado.
O Amor é um primo da morte,
É morrer nos braços um do outro,
Mas vai além desse morrer (ou matar)
Vai muito além de cada momento de amor.
Sabe, já faz tempo que queria te falar Das coisas que trago no peito, Saudade, já não sei se é a palavra certa para usar, Ainda lembro do teu jeito,
Não te trago ouro porque ele não entra no céu, E nenhuma riqueza deste mundo. Não, não te trago flores, porque elas secam e caem ao chão. Te trago os meus versos, simples, mas que fiz de coração.
You know, have long wanted to tell you Of the things that bring in the chest, Saudade, I do not know if it’s the right word to use, Still remember thy way,
I bring no gold because it does not enter into heaven, And no wealth of this world. No, do not bring flowers because they dry up and fall to the ground. I bring my verses, simple, but I did heart.
Você sabe, há muito tempo queria te dizer Das coisas que trazem no peito, Saudade, não sei se é a palavra certa para usar, Ainda me lembro o teu caminho,
Eu não trago nenhum ouro, porque ele não entra no céu, E nenhuma riqueza deste mundo. Não, não trazem flores porque elas secam e caem ao chão. Eu trago meus versos, simples, mas eu fiz de coração.
You know, have long wanted to tell you Of the things that bring in the chest, Saudade do not know if it’s the right word to use, I still remember your way,
I bring no gold, because it does not enter into heaven, And no wealth of this world. No, because they do not bring flowers wither and fall to the ground. I bring my verses, simple, but I did heart.
Você sabe, há muito tempo queria te dizer Das coisas que trazem no peito, Saudade não sei se é a palavra certa para usar, Ainda me lembro do seu jeito,
Eu não trago nenhum ouro, porque ele não entra no céu, E nenhuma riqueza deste mundo. Não, porque eles não trazem flores murcham e caem no chão. Eu trago meus versos, simples, mas eu fiz de coração.
You know, have long wanted to tell you Of the things that bring in the chest, Saudade do not know if it’s the right word to use, I still remember your way
I bring no gold, because it does not enter into heaven, And no wealth of this world. No, because they do not bring flowers wither and fall to the ground. I bring my verses, simple, but I did heart.
Você sabe, há algum tempo eu queria te dizer As coisas, muitas, que você fez nascer no meu peito, Saudade? Não sei… se é a palavra certa a sofrer. Eu me lembro apenas do seu gozo, caminho e jeito.
Não trago ouro, porque ouro não toca o seu coração, Ou mesmo (tenho certeza!) qualquer riqueza deste mundo, Coisas mortas que não florescem, não se erguem do chão. Trago à você, meus uni-versos, simples, pois estou mudo.
PS: OK, eu reconheço, a última versão é minha, porque a método de iteração do Google Tradutor não evita plágio…
Já que desisti de ganhar o prêmio Nobel, vou ver se pelo menos ganho o Prêmio Templeton (que vale 3/2 do Nobel e é divulgado na mesma semana!). Na verdade, se vocês pensarem bem, acho que de todos os físicos brasileiros, eu sou o que mais entende de Teologia.
PS: Se você é físico brasileiro e entende mais de Teologia do que eu, por favor me escreva aí nos comentários, para escrevermos a quatro mãos aquele livro que vai ganhar o Prêmio Templeton!
O matemático britânico John C. Lennox, da Universidade de Oxford, defende com argumentos sólidos a possibilidade de coexistência entre o conhecimento científico e a religião em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”. O objetivo do livro é fornecer um amparo fortemente embasado para os cientistas, ou qualquer leitor, que sintam necessidade de debater em favor de sua crença.
Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).
Ou seja, definindo religiosidade nesta dimensão ampla, a religiosidade seria o contrário do ceticismo filosófico e do cinismo filosófico, e não do ateísmo. Em particular, se você gasta uma parte de sua vida, de seu tempo e recursos, em prol de uma causa, por exemplo o ateísmo militante, então você é uma pessoa religiosa (no sentido de “religare”, unir pessoas em prol de uma causa comum).
Mas se você, em vez de ser um ateu que acredita realmente em alguma coisa (por exemplo, acredita na causa do ateísmo), se você é apenas “atoa”, ou um cristão nominal (alguém que vai na igreja apenas por convenções sociais, casamento, batizado, missa de sétimo dia etc) por exemplo, então você não é religioso.
Nesse sentido, dado que ateus militantes e religiosos militantes são ambos “religiosos = religarosos” neste sentido amplo, e dado que sua militância pode ter pontos em comum (por exemplo, combater o fundamentalismo de direita, construir uma sociedade econômica-ecologicamente sustentável no longo prazo, defender os direitos humanos e direitos dos animais etc), então claramente é possível haver uma colaboração ativa entre esses dois grupos. Já um ateu hedonista e atoa, sem consciência e ação política, que não luta por nada e não acredita em nada (nem no ateísmo), estará mais longe do ateu militante que o religioso militante, e estará mais próximo do religioso hedonista, sem consciência e ação política, o religioso atoa…
da Livraria da Folha
O que pensam os homens quando matam em nome de uma crença? Em Cartago, durante a antiguidade, por exemplo, cultuava-se uma divindade conhecida como Baal Moloch (Molekh ou Moleque). O culto do deus era feito por meio de uma grande estátua de bronze, cujo ventre oco servia de forno para sacrifício. Pais abandonavam os filhos dentro da barriga incandescente do ídolo com o intento de alcançar dádivas ou evitar desgraças.
Os gritos e mantras dos sacerdotes eram usados para abafar as súplicas das crianças. Contudo, é correto afirmar que a maioria dos relatos sobre os cruéis sacrifícios foram produzidos pelo povo romano, inimigo confesso dos cartagineses.
“As Religiões que o Mundo Esqueceu”, com textos organizados pelo arqueólogo Pedro Paulo Funari, dedica-se a alguns dos mais interessantes pensamentos míticos que deixaram de existir ou quase desapareceram.
Curiosidades históricas são pesquisadas, analisadas e escritas por especialistas, –com os principais ritos e crenças–, que convidam o leitor a entrar nos domínios de deuses tão diversos como El, Odin, Zeus e Huitzilopochtli.
O volume é um registros de dezenas de milhares de anos que retratam a fé. Abaixo, leia um trecho do exemplar.
Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. Animais comunicam-se entre si, por meio de sons, e o podem fazer de maneira impressionante: a “linguagem” das baleias é um exemplo que causa admiração em quem já ouviu a “conversa”. Os pássaros também o fazem, com canções que podem encantar. O uso de artefatos, que já foi considerado apanágio do ser humano, tampouco se revelou único. Hoje sabemos que diversos tipos de macacos utilizam-se de objetos como ferramentas. Não há evidências, contudo, de que qualquer outro animal seja movido por preocupações religiosas, como o ser humano é desde os seus primórdios. Os mais antigos registros da humanidade, de dezenas de milhares de anos, retratam a religiosidade, esse sentimento íntimo dos primitivos seres humanos. Nas cavernas, encontramos pinturas que retratam cerimônias religiosas: são pessoas que participam de atividades xamânicas, são pajés, são imagens que procuram facilitar a caça, ou favorecer a fertilidade de plantas, animais e humanos. Gravuras às margens de rios retratam a crença na força sobrenatural das águas. O enterramento dos mortos marca, de forma clara e definitiva, a crença nos espíritos dos antepassados. A humanidade, nesse sentido, pode ser definida como aquela parte do reino animal que se caracteriza pela religiosidade.
Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).
As manifestações religiosas são, pois, tão múltiplas e variadas como é diverso o ser humano, em suas inúmeras culturas, do presente e do passado. A grande riqueza humana consiste, precisamente, nessa diversidade. Este livro dedica-se a algumas das mais interessantes e inspiradoras experiências religiosas da humanidade que deixaram de existir ou quase desapareceram.
As religiões que o mundo esqueceu constituem um tesouro: um manancial de práticas, sentimentos e interpretações do mundo. Algumas delas formam parte de nosso repertório cultural e penetraram, às vezes de forma profunda, mas despercebida, nas nossas próprias concepções e sentimentos. As religiões dos sumérios, egípcios, gregos e romanos são exemplos claros disso, mas outras religiosidades menos frequentadas, como o zoroastrismo e o gnosticismo, também entram nessa categoria. São maneiras particulares de encarar o divino, diversas entre si e das nossas, mas nelas reconhecemos muito do nosso próprio manancial cultural e religioso. Ressoam entre nós o Dilúvio sumério, a alma (ka) egípcia, o complexo de Édipo grego, o apego ritual romano, o dualismo entre bem e mal persa e os segredos religiosos do gnosticismo.
Outras muitas concepções e práticas destacam-se pela radical diferença. As percepções indígenas americanas sobressaem, nesse sentido, como interpretações do mundo em tudo originais. Outras tantas experiências religiosas apresentam-se como distantes e próximas a um só tempo. As práticas cristãs desaparecidas, como as arianistas e as albigenses, nos são compreensíveis, mas originais e únicas, assim como as religiões celta e viking. O que todas têm em comum é sua beleza e seu fascínio. Ao nos embalarmos no relato de cada uma delas, de forma quase onírica, é como se sonhássemos e nos transportássemos a outras épocas e outros sentimentos, tão próximos e tão distantes, que tanto nos podem tocar. Aquilo que nos caracteriza como humanos, nossa espiritualidade, encontra em cada capítulo uma satisfação e uma atração únicas.
Esta obra visa a introduzir o público geral nesse mundo fascinante e, por isso, cada capítulo apresenta um panorama geral, em linguagem clara e direta, sem jargões, de uma religião desaparecida (ou quase). São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas, ao sugerirem alguns títulos de aprofundamento sobre cada tema. Aceito o convite, o leitor encontrará não apenas um pouco da humanidade, em sua diversidade, mas também se deparará com facetas insuspeitadas de seus próprios sentimentos e emoções.
“As Religiões que o Mundo Esqueceu” Organizador: Pedro Paulo Funari Editora: Editora Contexto Páginas: 224 Quanto: R$ 31,20 (preço promocional) Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
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