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Papai Noel Quântico

If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales.

Chegando o Natal começa aquela ladainha sobre Jesus e Papai Noel, meus amigos cristãos reclamando que o capitalismo coloca Papai Noel na frente de Jesus e alguns dos meus amigos ateus hateando que tanto Papai Noel como Jesus são personagens igualmente míticos. Ah sim, também tenho amigos que não falam nem de Jesus nem de Papai Noel para seus filhos pequenos e os presentes de Natal são dados ou em homenagem ao Deus-Sol Apolo Invictus – no solstício de verão que cairá no dia 22 de Dezembro às 5:30 h neste ano, ou no dia de Reis, 6 de janeiro, não sei exatamente por quê.

Meus filhos não receberam educação religiosa mas acho que sabem pelo menos quem é Davi (ou pelo menos, como Davi venceu o gigante Golias, de modo que eles, sendo baixinhos, também não deveriam ter medo dos grandões). E, claro, foram educados acreditando em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Lembro-me de um jantar maravilhoso na época de Natal onde Leonardo, Raphael e eu discutíamos sobre como é possível Papai Noel entrar na nossa casa, dado que ela não tinha chaminé. Aventei a hipótese de teletransporte, acho que falei também sobre a possibilidade de um Papai Noel quântico que pudesse, numa superposição de estados, estar em todas as casas das crianças ao mesmo tempo.

Algumas pessoas me criticaram por encher as cabeças dos meus filhos de mitos, fantasias e ficção científica. Bom, minha desculpa é que eu sigo o preceito de Einstein acima, afinal quero que meus filhos sejam inteligentes e criativos.

Isso parece ter dado certo: Mariana (18)  sempre foi a melhor aluna da classe e cursou todo o ensino médio sem pagar nada, pois ganhou uma bolsa num vestibulinho em que ficou em primeiro lugar entre 100 candidatos. Juliana (15) acaba de ler Sartre (depois de passar por Spinoza e Aristóteles). Dado que ela tem apenas 15 anos, acho que é um feito (eu mesmo li muito poucos desses autores). Mariana e Juliana acabam de passar na primeira fase da FUVEST, o que me parece promissor, dado que Mariana namorou e vagabundeou o ano todo – segundo suas próprias palavras, e Juliana está ainda no segundo ano e não fez cursinho.

Leonardo (10) ganhou recentemente uma medalha de prata em uma Olimpíada de Matemática. Já Raphael (8) saiu-me com essa quando tinha seis anos de idade: “Papai, confesse, Bicho Papão não existe!” “Sim, meu filho, Bicho Papão é uma história que as mães usam para fazer as crianças ir pra cama mais cedo…” “Hummm… sim, porque eu nunca vi um Bicho Papão! Agora, fale a verdade mesmo: você me mandou trancar a porta do carro por causa do Ladrão, mas Ladrão também não existe! Eu também nunca vi um!”

Sim, Raphael é meio empirista e positivista lógico: na época ele ainda acreditava em Coelho da Páscoa dado que havia amplas evidências observacionais – ovos de Páscoa, rastros do Coelho pela casa, evidências televisivas etc. Preciso ensinar para esse menino que Popper destruiu tanto o Empirismo quanto o Positivismo.

Assim, sigo o mestre Einstein e sugiro fortemente que eduquem seus filhos usando contos de fadas (a série sobre tecnofadas Artemis Fowl é um bom começo, muito melhor que Harry Potter). Se você discorda de mim, eu fico com apenas três hipótese: ou você não tem filhos, ou se acha mais esperto que Einstein ou tem os alelos AA ou AG no gene OXTR para o receptor de Oxitocina… provavelmente os três!

Einstein é culpado pelo massacre de Hiroshima e Nagasaki?

Ontem conversava com Juliana (a minha filha de 15 anos que lê Spinoza e Kant) sobre a ética da Ciência e Tecnologia. Rita havia observado que, se fosse cientista, gostaria de fazer algo aplicado (que não fosse a bomba atômica, claro!). Eu contei a piada sobre o “cientista maluco” que queria construir uma arma para dominar o mundo, mas não está preocupado com hipóteses a refutar, grupos de controle, implicações filosóficas de suas descobertas. Para quem não sabe, a piada termina dizendo que todo cientista maluco na verdade é um engenheiro!

Odeio a sigla C&T, gostaria que existisse o Ministério da Ciência e Cultura (MCC), e criassem o Ministério da Tecnologia e Inovação (MTI), a fim de que os cientistas “de verdade” não tivessem que mentir sobre as potenciais aplicações tecnológicas e sociais de suas pesquisas (que aplicações sociais ou práticas tem a Cosmologia, a Paleontologia, a Gravitação Quântica, a Matemática Pura, a Filosofia ou a Arte?), e os verdadeiros inventores, engenheiros e tecnólogos tivessem um apoio diferenciado: sim, podem ficar com todos os fundos setoriais, acho que ciência de verdade – o primeiro prêmio Nobel brasileiro, vai sair mais de boas idéias do que de máquinas caras.

Afinal, o que a Contracultura condena na Ciência não é principalmente o conhecimento filosófico-científico (embora Teodore Roszack o faça, dando munição aos fundamentalistas religiosos americanos) mas sim a subordinação do cientista aos interesses do complexo industrial-militar. É claro que a esquerda também tem essa visão pragmática-utilitarista da Ciência: Che Guevara escreveu que, em Cuba, só se deveria patrocinar pesquisa científica com aplicação social, imagino que este tipo de realismo socialista, aplicado à Arte e à Ciência, pode ter sido uma das razões do fato de Fidel ter enviado seu camarada para morrer na Bolívia.

Então, deixemos a cargo dos engenheiros (e dos engenheiros com pele de cientista) o agradecimento da sociedade sobre os benefícios sociais e de mercado do processo de inovação, pesquisa e desenvolvimento (um longo caminho para o qual o cientista normal não estã preparado) e, claro, também o  ônus de explicar para a sociedade porque são tão vendidos ao capital e aos militares, empregadinhos que fazem armas de destruição em massa (químicos = armas químicas, físicos = armas atômicas, biólogos = armas biológicas) e gadgets eletrônicos de obsolescência planejada. E mesmo os cientistas sociais aplicados tem que compartilhar a responsabilidade do uso de sua ciência para lindos fins como usar a Sociologia as redes sociais de comunidades vietnamitas ou iraquianas a fim de determinar que pessoas (os “hubs”) a CIA deve-se matar a fim de destruir tais redes.

Bom, com esse radicalismo vou acabar perdendo um monte de amigos e talvez até a namorada. Então, como Galileu, abjuro de minhas opiniões radicais. Afinal, o destino me pregou uma peça:

Na notícia abaixo, fala-se de um “olho eletrônico” que, a partir de exemplos, determina por si mesmo os sinais morfológicos e estatísticos de tumores da mama. Mesmo sem ler o paper, eu aposto que essa tecnologia se baseia em algoritmos de aprendizagem e generalização de redes neurais artificias. Como este é o tópico da minha dissertação de mestrado e tese de doutorado, e como Caticha e eu fomos os caras que determinaram o algoritmo ótimo de aprendizagem-generalização para perceptrons, então em parte sou culpado disso, pois ajudei a construir o conhecimento desta área.

Acho que tentaram também aplicar o algoritmo ótimo do Perceptron em softwares para celulares a fim de cancelar o eco, o Peter Riegler da Alemanha fez isso, não sei se deu certo ou gerou alguma patente para alguma empresa de celulares. Bom, se fosse aqui no Brasil, basicamente o que teria acontecido é que alguma empresa transnacional compraria a patente da USP, daria um troco para a mesma (e como eu teria talvez um terço disso, podia estar sem dívidas hoje ou ter um carrinho!) e teria mais um elemento de vantagem no mercado (evitando que surgisse uma empresa de celulares brasileira, por exemplo!).

Acho que 90% das patentes universitárias deve seguir esse caminho, mas não entendo exatamente como este uso do dinheiro público, da energia e tempo dos alunos e professores, dos equipamentos de pesquisa e laboratórios públicos etc, contribui efetivamente para o desenvolvimento social e tecnológico do Brasil… Mas tudo bem, já abjurei das minhas tendências anarco-científicas, COPYLEFT etc, CNPq e FAPESP, perdoem meus pecados!

OK, OK, então eu posso ser culpado de ter ajudado indiretamente ao desenvolvimento de novos testes mais eficazes de detecção de tumores por redes neurais artificiais. As mesma que, provavelmente, estão sendo implantadas em mísseis inteligentes, drones assassinos etc. Logo, sou parcialmente responsável por isso também… O Destino me pregou uma peça! Mas será mesmo?

Acho que tem algo profundamente errado neste tipo de raciocínio que culpa Pitágoras e Einstein pela Bomba atômica, dado que o teorema de Pitágoras é essencial para a Relatividade Restrita que gerou E=mc^2. A confusão neste tipo de raciocínio pseudo-esquerdista puritano é a falta de distinção entre condições necessárias e condições suficientes.

O conhecimento científico pode ser a condição necessária para a criação de tecnologias de dominação e morte. Mas condição necessária não é condição suficiente. Expliquei isso para a Juli: se o Raphinha depois dos 18 anos beber e atropelar uma criança inocente, será que eu sou culpado disso? Afinal, sem o  meu trabalho e meu espermatozóide (e o cuidado e o óvulo da mãe dele), ele não teria nascido, e assim, a morte da criança poderia ter sido evitada. Logo…

Logo nada, concorda? É um absurdo imputar a culpa do filho ao pai (assim como é absurdo imputar a culpa do pai ao filho), pelo menos se o filho é responsável legal. Condição necessária não é condição suficiente. Como bem frisou Freeman dyson, a bomba atômica poderia ter sido jogada na baia de Tóquio, longe da costa, sem vítimas, e o recado estaria dado tanto para os japoneses quanto para os russos. Mas políticos, militares, engenheiros e cientistas americanos tiveram a brilhante ideia de mandar o recado para a URSS testando a bomba em duas cidades não bombardeadas a fim de estudar seus efeito da bomba e da radiação nos prédios e nas pessoas. Por que duas cidades? É que tinham dois tipos de bomba, uma de urânio e outra de plutônio.

Então, é basicamente mentira que as bombas foram usadas para encurtar a guerra. como Dyson revela, a verdadeira causa da rendição japonesa foi a declaração de guerra da URSS ao Japão, no dia 03 de agôsto de 1945. Afinal, os japoneses estavam cientes das barbaridades que os russos estavam fazendo na Alemanha (estrupos em massa, divisão do país, implantação do comunismo na marra) e o Japão não estava nada a fim de desfrutar do mesmo cenário da Alemanha. Muito melhor era se render aos americanos capitalistas, a estrutura de classes e de poder econômico japonesa ficou praticamente intocada… As notícias sobre os efeitos das bombas chegaram confusas e tarde, os militares japoneses não tinham ideia do que realmente estava acontecendo, segundo Freeman Dyson.

Moral da história: a condição suficiente para a construção e uso de armas de destruição em massa é o dinheiro fácil para isso e os interesses nacionais durante uma guerra. A condição necessária, entre outras, é que haja gente com conhecimento prático (engenheiros e cientistas aplicados) para construí-las. Outras condições necessárias para a criação de armas de destruição em massa são o fogo, os cães e outros animais domésticos, a agricultura, o alfabeto e a matemática. Sim, condições necessárias, mas nunca suficientes…

Ou você acha que Einstein apertaria o botão de lançamento da Bomba para fazer experimentos com mulheres, velhos e crianças em Hiroshima e Nagasaki? O conservador direitista Edward Teller (pai da bomba de Hidrogênio) talvez, mas o esquerdista-pacifista Einstein, o cara considerado pelo FBI como muito mais perigoso para o American Way of Life que John Lennon? Logo, se Einstein nunca apertaria o botão, em sentido ele pode ser culpado pelo massacre/crime de guerra de Hiroshima e Nagasaki, que matou em dois dias 2,7 mais pessoas que a Inquisição matou em 300 anos? Você será culpado por tudo o que seus filhos e netos farão, ainda mais sabendo que apenas 10% do comportamento dos filhos é influenciável pela educação paterna, o resto vem da genética, das condições uterinas e da tribo de amigos na adolescência?

Assim, renuncio ao mérito de ter filhos tão inteligente quanto Mariana, Juliana, Leonardo e Raphael (o mérito é todo deles!), renuncio ao mérito de ter contribuído para o detetor de câncer por redes neurais, renuncio ao mérito de que redes neurais tenham sido aplicadas no mercado financeiro (gerando a atual crise) e as aplicações em mísseis e drones inteligentes também.  Se um dia houver uma SKYNET ou um Exterminador do Futuro, renuncio ao mérito também! Porque a única coisa que fiz foi estudar o profundo mistério da memória, do aprendizado e da generalização em animais e seres humanos usando a inútil Física Estatística puramente teórica: o Perceptron é apenas uma generalização do modelo de  Rescola-Wagner de psicologia animal. Estudo mistérios, não faço armas.

PS: Deixo para meus coleguinhas físicos aplicados e engenheiros trabalharem nas bombas atômicas do Irã (ainda por fazer) e de Israel (já feita). A direita ortodoxa judaica e os nazislâmicos do Irã (o Mein Kemp é o best-seller no Irã atual…) bem que podiam jogar essas bombas e se exterminarem. Um pequeno Armagedon, mas o mundo não ia sentir falta deles não! Da minha parte continuarei a usar a Teoria de Processos de Ramificação, que também foi usada por Fermi em Los Alamos para estudar reações em cadeia, para estudar modelos de epidemias e colonização da galáxia para solucionar o Paradoxo de Fermi. Afinal, o modelo é o mesmo, nós somos os vírus do Universo!

11/11/2011 - 10h40

‘Olho eletrônico’ analisa células e identifica agressividade de tumor

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Pesquisadores americanos e holandeses desenvolveram um programa de computador que identifica e interpreta eletronicamente a agressividade de tumores de mama. Read more [+]

Reescolha na FUVEST

PROCESSO DE REESCOLHA APÓS A 3ª CHAMADA PARA MATRÍCULA

Após a 3ª Chamada, os candidatos não matriculados, e que não tenham sido eliminados ou desclassificados do Concurso Vestibular, poderão manifestar interesse pelas vagas ainda não preenchidas, por meio de um novo processo de opção, denominado “Reescolha”.

Na Reescolha, o candidato poderá manifestar opção por, no máximo, 2 (dois) cursos de quaisquer carreiras (inclusive da própria carreira indicada no ato de inscrição ao Vestibular FUVEST 2012), em ordem de preferência, dentre os que possuam vaga ainda não preenchida, respeitadas as restrições de cada curso.

No caso de o candidato realizar a opção por 2 (dois) cursos, estes poderão ser de carreiras distintas. Read more [+]