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Ayn Rand: Razão, Egoísmo, Capitalismo

Half-length monochrome portrait photo of Ayn Rand, seated, holding a cigarette

I am not primarily an advocate of capitalism, but of egoism; and I am not primarily an advocate of egoism, but of reason. If one recognizes the supremacy of reason and applies it consistently, all the rest follows.

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    Ayn Rand

Alguns amigos meus acreditam que se possa criar uma Ética a partir da Biologia (ou melhor, dos sentimentos empáticos de um mamífero hipersocial). Outros acham que a base seria a Razão, não as emoções.  Os Objetivistas, uma espécie de seita filosófica hiperracionalista (tenho quase certeza que sua guru Ayn Rand sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide), acham que a primeira opção é simplesmente dar um verniz biológico à ética judaico-cristã e seus derivados seculares (onde se prioriza a cooperação em vez da competição).

Muitos amigos ateus têm me reportado que a doutrina de Rand tem se espalhado em sua comunidade via Facebook (muita gente pedindo para que “Curtir” páginas de Rand.). Muitois não percebem que Rand, via seu discípulo Alan Greenspan, foi a grande influência ideológica que nos levou à nova Grande Depressão mundial e, possivelmente, a uma nova extrema-direita anarquista estilo Tea Party. Ou seja, no ideário de Rand, temos a sequência Razão -> Egoísmo -> Capitalismo Selvagem -> Caos Social. Ou talvez a egocentrismo de Rand esteja antes desta sequência…

This article is from TOS Vol. 3, No. 3. The full contents of the issue are listed here.

The Mystical Ethics of the New Atheists

Alan Germani

In the wake of the religiously motivated atrocities of 9/11, Sam Harris, Daniel Dennett, Richard Dawkins, and Christopher Hitchens have penned best-selling books in which they condemn religious belief as destructive to human life and as lacking any basis in reality.* On the premise that religious belief as such leads to atrocities, the “New Atheists,” as these four have come to be known, criticize religion as invalid, mind-thwarting, self-perpetuating, and deadly. As Sam Harris puts it: “Because each new generation of children is taught that religious propositions need not be justified in the way that others must, civilization is still besieged by the armies of the preposterous. We are, even now, killing ourselves over ancient literature. Who would have thought something so tragically absurd could be possible?”1 Read more [+]

Eli Vieira e o Niilismo

Por que não sou niilista – uma resposta a André Díspore Cancian

Postado por Eli Vieira on sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o-gritoRecentemente comentei uma entrevista do André Díspore Cancian, criador do site Ateus.net, em que ele expressava o niilismo. Desenvolverei um pouco mais aqui.

Se o niilismo (do latim nihil, nada) é meramente notar o fato de que não há um sentido para a vida, ao menos não um que seja propriedade fundamental da nossa existência ou do universo, então eu também sou niilista. Ou seja, é muito útil o niilismo como ceticismo voltado para a ética.

Porém há mais para o niilismo de alguns: não apenas notam este fato sobre a ausência de sentido na natureza que nos gerou, como também descartam de antemão, dogmaticamente, qualquer tentativa de construção de sentido como uma mera ingenuidade. E nesta segunda acepção eu não sou, em hipótese alguma, um niilista.

Há duas razões para eu não ser um niilista:

1) Vejo uma inconsistência interna, que é técnica, no niilismo:

É uma posição circular, pois parte de uma questão de fato, que é a falta de “sentido” na vida, para voltar a outra questão de fato, que é nossa necessidade de “sentido” na vida apesar de o tal sentido não existir.

A inconsistência aqui é ignorar um enorme campo, a ética, que é o campo das questões de direito.

“Sentido” é algo que pode ser construído pelo indivíduo e pela cultura, como sempre foi, porém sem o autoengano de atribuir sentido ao mundo natural que nos gerou mas ver o tal sentido como vemos uma obra de arte.

Ninguém espera que a beleza das obras de Rodin seja uma propriedade fundamental da natureza. Da mesma forma, não se deve esperar que sentido seja uma propriedade fundamental da vida.

Filósofos como Paul Kurtz e A. C. Grayling estão estre os que explicitam e valorizam a construção do sentido da vida da mesma forma que se valoriza a construção de valor estético em obras de arte.

Como niilista, o André Cancian acha que a decisão ética diária que tomamos por continuar a viver é fruto apenas de instintos moldados pela seleção natural, e que a razão deve apenas não se demorar em tentar conversar com estes instintos, pois se tentar, ou seja, se focarmos nossa consciência no fato do absurdo da natureza (tal como denunciado por Camus e Nietzsche) cessaríamos nossa vontade de viver voluntariamente.

É um erro pensar assim, porque um indivíduo pode, como Bertrand Russell e Stephen Hawking relatam para si mesmos, construir um sentido para sua própria vida, consciente de que esta vida é finita e insignificante no contexto cósmico. É uma alegação comum que era esta a posição defendida por Nietzsche – que valores seriam construídos após a derrocada dos valores tradicionais. Mas não sou grande fã da obra de Nietzsche como filosofia, sou da posição de Russell de que Nietzsche é mais literatura que filosofia.

A posição do niilista ignora também os tratados de pensadores como David Hume sobre a fragilidade da razão frente a paixões. A razão é escrava das paixões – é um instrumento preciso, como uma lâmina de diamante, porém frágil frente à força das paixões.

A razão e a âncora empírica são as mestras do conhecimento e da metafísica. Por outro lado, as paixões, ou seja, as emoções, incluída aqui a emoção empática, são as mestras das questões de direito, como indicam pesquisas científicas como as do neurocientista Jorge Moll.

A posição niilista é inconsistente ao limitar a legitimidade do pensamento ao escrutínio racional e/ou científico. Na verdade, razão e ciência são para epistemologia e metafísica (não respectivamente, mas de forma intercambiável). Ética existe não apenas como objeto de estudo destas outras faculdades, mas como todo um alicerce sustentador das nossas mentes: o alicerce das questões de direito -
- “devo fazer isso?”
- “isso é bom?”
- “isso é ruim?”

São questões com que nos deparamos todos os dias, a respeito das quais as respostas epistemológicas e metafísicas (referentes a questões de fato) são neutras.

Na entrevista no blog Amálgama, André Cancian faz questão de citar que as emoções (ou paixões), que ele chama de “instintos”, tiveram origem através da seleção natural.
Esta prioridade inusitada na resposta do Cancian é exemplo da circularidade do niilismo: nada teria sentido porque as emoções vieram de um processo natural de sobrevivência diferencial entre replicadores que variam casualmente.

Frente ao fato de também a razão ter vindo do mesmíssimo processo, como Daniel Dennett argumenta brilhantemente em suas obras, por acaso isso torna a razão desimportante ou então faz dela um instrumento que só gera respostas falsas?

Esta pergunta retórica serve para exemplificar que nenhuma resposta a ela faz sentido ao menos que se separe, como fez Kant, as questões de fato das questões de direito.
É algo que niilistas como o André Cancian insistem em não fazer.

Na UnB, tive aulas com um filósofo admirável chamado Paulo Abrantes. Quando entrava na questão metafilosófica de explicar o que é filosofia ou não, ele, como a maioria dos filósofos, dava respostas provisórias e incertas. Uma dessas respostas me marcou bastante: filosofia é a arte de explicitar. Todo trabalho de tomar uma ideia cheia de conceitos tácitos, dissecá-la e explicitá-la melhor, seria um trabalho filosófico.

Quando certas formas de niilismo ignoram a importantíssima explicitação kantiana da separação entre questões de fato e questões de direito, estão voltando a um estado não filosófico de aferrar-se a posições nebulosas e tácitas.

Concluindo a primeira razão pela qual eu não sou niilista, posso então dizer que é porque o niilismo parece-me antifilosófico.

2) Não sou niilista, também, por ser humanista. Em outras palavras, o vácuo que o niilista gosta de lembrar é preenchido em mim pelo humanismo.

Aqui vou ser breve: por mais que eu tente explicar, racionalmente, razões pelas quais sou humanista, todas estas tentativas são meras sombras frente a sentimentos reais que me abatem.

O fato de existir o regime teocrático no Irã, e o fato de dezenas ou centenas de pessoas estarem na fila do apedrejamento, entre elas uma mulher chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani, é algo que açula “meus instintos mais primitivos”, parafraseando uma frase famosa no Congresso alguns anos atrás.

Sinto de verdade que é simplesmente errado enterrar uma mulher até o ombro e atirar pedras contra a cabeça dela até que ela morra.

Sinto que também é errado achar que “respeitar a cultura” do Irã é mais importante que preservar a vida desta mulher e de outros que estão na posição dela.

Porque culturas não são indivíduos como Sakineh, portanto culturas não contam com nem um pingo da minha empatia. Mas aqui são de novo minhas capacidades racionais tentando explicar minhas emoções.

Tendo isto em mente, convido qualquer niilista a pensar, agora, o que acha de dizer a esta mulher, quando ela estiver enterrada até os ombros, que nada do que ela está sentindo tem importância porque as emoções dela são instintos que vieram da evolução pela seleção natural.

Estou apelando para a emoção numa argumentação contra o niilismo? Claro. Eu construí o sentido da minha vida, aliás estou sempre construindo, com a noção de que minhas emoções – e as dos outros – são importantes sim, mesmo tendo elas nascido do absurdo da natureza. Na verdade, este batismo de sangue as valoriza.

Mas falar das emoções, que são a base da ética, à luz de seu batismo de sangue é assunto para outro texto. Quem sabe usar o personagem Dexter Morgan como mote para falar disso? Não decidi ainda se será bom ou ruim.

Gentileza gera Gentileza

Parece que ser gentil realmente dá certo!

Dear Osame,
Thank you for your explanation, my understanding about your paper improves much with your help. Your warm heart impresses me!
Be happy and healthy.
Z.

Dear Z.,

The model studied is a general one, that is, an excitable media with probabilistic couplings. The level where we can apply such model depends on the interest of the researcher: the elements could be persons in a epidemiological model (so, our model would be a probabilistic SIRS model), a neuronal network model (with excitatory couplings), a model of a glomerulus in the olfactory bulb (the particular application that we made in the paper), a mean field model of a dendritic arbor (see reference bellow) or even as a model of sensor networks of bacteria (to model bacterial chemotaxis).

The particular level which you desire to apply the model will constrain and set the acceptable parameter ranges. If you are interested to model excitatory networks of neurons, you are right that one shoud use n=3 or n=4, so that the refractory period is similar to the spike width.

As you can see in Eq. (3), the refractory time governed by n affects the results only quantitatively, not qualitatively. We have studied all the cases from n=3 (that is, if spike = 1ms, then refractory period = 1ms) up to n = 10, but reported only the n=10 case because indeed we was interested in large refractory periods in the glomerulus (the particular application wich we made at the final part of the paper).

As stated in the pag. 349 of the paper, we have also studied the case with assymetrical p_ij and no difference is found. The reference to synchronization phenomena in the glomerulus is made as evidence of the presence of gap junctions in that system (More strong evidence is by now avaiable by the recent direct observation of such electrical synapses). If we apply external inputs to the system, synchronization appears, as can be seen in Fig.2c and 2d.

This sinchronization under inputs is what is observed in the experimental papers. Only the spontaneous activity is in the form of avalanches, as found in experiments by Plenz. Our couplings are fast in the sense that there is no delay times at the couplings, when a site is excited, the neighbours could be excited at the following time step, without delay.

I hope that these observations coul be useful for your interests.

Presently we are working with dendritic computation, with a similar model in a tree structure, see here and here. In this model the refractory period is small and the couplings vary from the symmetric case to the full assymetric case.

Best regards,

Osame

Dear Osame,
I’m sorry I did not express myself clearly. My question is not about simulation, but about the physical meaning about your cellular automata
model. It seems not so reasonable.

First, in your model, there is a very long refractory period for each cell, but in real neurons, the refractory period is usually very short. So
I wonder what makes you do such an adventurous hypothesis.

Second, in your paper, you mentioned many times about the electrical synapse. The electrical synapses have two properties, it is fast and symmetrical. But I cannot figure out what ingredient in your model represents the property of “fast”. As to the property of symmetrical, you assume that p_ij=p_ji; but I don’t know whether the network can still perform so well without such symmetrical property. Have you done such a simulation on your computer? How the result?

What’s more, still about the electrical synapse, you refer some articles about the electrical synapses and the synchronization of the network in your paper. But I’m afraid I still cannot figure out what’s the relationship between the contents of the papers you mentioned and the content of your own paper. It seems that there is nothing about synchronization of the network in your paper.

Best wishes,
Z.

Dear Z.,
I am not sure about what is your question. The model is simply a generalized Greenberg-Hastings cellular automata in a random network where the conections p_ij are draw from a simple uniform distribution in [0,pmax]. Notice however that the mean field calculation assumes that p_ij = p (homogeneous network) and that this approximation seems to describe the behavior very well.

If you are having any difficulty to reproduce the results, I can send you more details about the exact procedure for the simulations.

Cheers,

Osame

—–Menssagem Original—–
De: “Z. B.”
Enviado 08/12/2011 07:20:43

Assunto: A question about your paper

Dear Prof. Kinouchi,

I’m a Chinese student, recently I’m reading your paper “Optimal dynamical range of excitable networks at criticality”  published in Nature Physics. However, I’m really puzzled by the model you proposed: where does it come from, how do you think out? Could you explain about it for me?

Thanks!

Besh wishes,

Z.

Papai Noel Quântico

If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales.

Chegando o Natal começa aquela ladainha sobre Jesus e Papai Noel, meus amigos cristãos reclamando que o capitalismo coloca Papai Noel na frente de Jesus e alguns dos meus amigos ateus hateando que tanto Papai Noel como Jesus são personagens igualmente míticos. Ah sim, também tenho amigos que não falam nem de Jesus nem de Papai Noel para seus filhos pequenos e os presentes de Natal são dados ou em homenagem ao Deus-Sol Apolo Invictus – no solstício de verão que cairá no dia 22 de Dezembro às 5:30 h neste ano, ou no dia de Reis, 6 de janeiro, não sei exatamente por quê.

Meus filhos não receberam educação religiosa mas acho que sabem pelo menos quem é Davi (ou pelo menos, como Davi venceu o gigante Golias, de modo que eles, sendo baixinhos, também não deveriam ter medo dos grandões). E, claro, foram educados acreditando em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Lembro-me de um jantar maravilhoso na época de Natal onde Leonardo, Raphael e eu discutíamos sobre como é possível Papai Noel entrar na nossa casa, dado que ela não tinha chaminé. Aventei a hipótese de teletransporte, acho que falei também sobre a possibilidade de um Papai Noel quântico que pudesse, numa superposição de estados, estar em todas as casas das crianças ao mesmo tempo.

Algumas pessoas me criticaram por encher as cabeças dos meus filhos de mitos, fantasias e ficção científica. Bom, minha desculpa é que eu sigo o preceito de Einstein acima, afinal quero que meus filhos sejam inteligentes e criativos.

Isso parece ter dado certo: Mariana (18)  sempre foi a melhor aluna da classe e cursou todo o ensino médio sem pagar nada, pois ganhou uma bolsa num vestibulinho em que ficou em primeiro lugar entre 100 candidatos. Juliana (15) acaba de ler Sartre (depois de passar por Spinoza e Aristóteles). Dado que ela tem apenas 15 anos, acho que é um feito (eu mesmo li muito poucos desses autores). Mariana e Juliana acabam de passar na primeira fase da FUVEST, o que me parece promissor, dado que Mariana namorou e vagabundeou o ano todo – segundo suas próprias palavras, e Juliana está ainda no segundo ano e não fez cursinho.

Leonardo (10) ganhou recentemente uma medalha de prata em uma Olimpíada de Matemática. Já Raphael (8) saiu-me com essa quando tinha seis anos de idade: “Papai, confesse, Bicho Papão não existe!” “Sim, meu filho, Bicho Papão é uma história que as mães usam para fazer as crianças ir pra cama mais cedo…” “Hummm… sim, porque eu nunca vi um Bicho Papão! Agora, fale a verdade mesmo: você me mandou trancar a porta do carro por causa do Ladrão, mas Ladrão também não existe! Eu também nunca vi um!”

Sim, Raphael é meio empirista e positivista lógico: na época ele ainda acreditava em Coelho da Páscoa dado que havia amplas evidências observacionais – ovos de Páscoa, rastros do Coelho pela casa, evidências televisivas etc. Preciso ensinar para esse menino que Popper destruiu tanto o Empirismo quanto o Positivismo.

Assim, sigo o mestre Einstein e sugiro fortemente que eduquem seus filhos usando contos de fadas (a série sobre tecnofadas Artemis Fowl é um bom começo, muito melhor que Harry Potter). Se você discorda de mim, eu fico com apenas três hipótese: ou você não tem filhos, ou se acha mais esperto que Einstein ou tem os alelos AA ou AG no gene OXTR para o receptor de Oxitocina… provavelmente os três!