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Ganhei um kit de cervejas Colorado do Ciência Brasil

Marcelo Hermes Lima, do Ciência Brasil, se diz a Voz da Direita (ele não é, dado que votou no social-democrata Serra e a verdadeira voz da Direita pode ser vista aqui).

O Prof. Hermes, químico biólogo e bioquímico respeitado, apostou com este pobre físico estatístico um kit de cervejas Colorado de como Dilma não ganharia de Serra por mais de 8% dos votos válidos.

Bom, com 93,34% dos votos apurados, temos que Dilma tem 55,49% e Serra tem 44,51%. Isso dá uma diferença de 11%, de modo que ganhei com folga. Na verdade, a diferença deverá ser maior, dado que os estados com a apuração mais demorada são os do Norte-Nordeste, onde Dilma ganha com larga margem. Ou seja, ganhei o kit, a ser pago no próximo EWCLiPo, conforme o combinado.

Assim, de novo aviso aos meus amigos biólogos e químicos para ponderarem bastante antes de apostar com um físico estatístico. Ultimamente só tenho perdido minhas apostas para outros físico estatísticos (Nelson Alves me venceu por que eu previ que Lula ia ter gripe suína até o final de 2009 – e quem teve foi a Dilma, não o Lula, e também me venceu pois eu previ que Marina ia ficar empatada com Serra no primeiro turno).

Fica um assunto a ponderar. Como foi que meu caro amigo cientista MHL pode errar tanto em suas análises estatísticas? Ele afirmava, ainda ontem, que os dois candidatos estavam rigorosamente empatados.

Bom, é o que eu ando dizendo para meus amigos cientistas quando discutem política. Tentem usar suas capacidades intelectuais e frieza analítica também em política, façam suas afirmações políticas como se estivessem debatendo com seus revisores de um paper. Nisso vocês podem contribuir com algo novo, diferenciado. Nossas paixões políticas não deve nublar nosso cérebro. Senão, qual a diferença entre nós e o Tiririca (que por sinal, votou em Dilma e acertou na previsão da eleição…)

Update: Recebi isto do Marcelo:

te pago duas caixas…. tudo muito deprê

quando/onde será o proximo Ewclipo ?

Bom, perdemos a época do pedido de financiamento para o CNPq, logo acho que o III EWCLiPo deverá ser realizado em meados de 2011, em São Paulo. Átila Iamarino do SBBr aceitou ser o organizador, com livre escolha de tema e lista de convidados. Sugiro entretanto que uma das sessões poderia ser dedicada ao tema Blogs Científicos e Política, onde a politização  da blogosfera científica, e seu possível impacto como formador de opinião  na última campanha possa ser avaliado. Imagino que o MHL gostaria de participar desta sessão.

 

Como você vê Dilma e Serra?

Foto sugerida por Renato Vicente:

Já vai tarde

Em 20 anos acompanhando campanhas eleitorais para presidente — 21 para ser mais exato, porque minha campanha de estreia foi a primeira pós-democratização, em 1989–, nunca fiquei tão chateado como ao longo da que agora se encerra.

Naquela eleição, havia Collor, e dele sabíamos que se podia esperar tudo o que acabou fazendo, na campanha e na Presidência.

Mas, agora, fazia tempo que não via tanta grosseria, tanta maledicência, tanta acusação sem sentido e tanto desrespeito.
Sobretudo desrespeito pela inteligência das pessoas, grande parte delas atacada por um forte surto justamente de falta de inteligência.

De modo que já vai tarde esse embate eleitoral em que as ideias foram deixadas de lado para se voltar ao tempo das trevas, em que crenças, moralismos e medos obscurantistas falaram mais alto do que a discussão verdadeira do que é melhor para o país.

Foi péssima esta campanha, o tom beligerante contaminou o dia a dia de tal forma que nos últimos tempos eu simplesmente me recusei a participar de qualquer conversa que envolvesse preferência por este ou aquele candidato.

Exemplo: sou um afortunado, tenho mais de 900 amigos na rede virtual de relacionamento Facebook. Pois nas últimas duas semanas dei um chega pra lá em pelo menos uns 20 desses parceiros virtuais. Avisei antes que iria dar um “hide” (esconder, no linguajar da rede social) os que insistissem nas grosserias e ofensas a um ou outro candidato –aqui a democracia imperou, pois houve deselegância e falta de classe nos dois lados, equilibradamente.

Mas o aviso não adiantou, as barbaridades continuaram e muita gente foi pro limbo virtual; logo mais as resgato, porque eleição passa, amigos são (ou devem ser) para sempre…

O problema é que esse tipo de clima ruim, muito ruim não se restringiu ao mundo da internet, antes fosse. Há relatos de brigas, desentendimentos e gente de relacionamento antigo que parou de se falar. Eu vi isso de corpo presente em pelo menos duas ocasiões (uma festa e uma reunião social que deveria ser amena) em que o tempo fechou, e pessoas cultas, educadas e instruídas quase foram às vias de fato simplesmente porque um gosta de vermelho e outro de azul.

Não é simples assim? Não? Ah, sim, claro, é muito mais que vermelho e azul. Mas a preferência política das pessoas, do meu ponto de vista, deve ser respeitada de maneira tranquila e equilibrada assim como respeita-se que uns gostem de vermelho, outros de azul, de roxo ou de branco. Ponto final.

Diverge-se? Dialoga-se, argumenta-se e cada um defende seu ponto de vista ci-vi-li-za-da-men-te, ok?

O que quero dizer é que a desinteligência tem imperado, seja nas peças propagandísticas que nos tentam nos convencer a acreditar em cretinices, seja na vida real, na qual o bom senso cedeu o lugar à prepotência e o diálogo sucumbiu ao palavrório dos que se arvoram de donos da verdade.

Espero sinceramente que a derrota de uns e a vitória de outros não gerem ressentimentos tais que levem este estado de espírito deletério para além destas eleições, que poderiam ter sido uma grande festa democrática, num país que segue satisfatoriamente seu caminho, mas não foram.

Luiz CaversanLuiz Caversan, 55 anos, é jornalista, produtor cultural e consultor na área de comunicação corporativa. Foi repórter especial, diretor da sucursal do Rio da Folha, editor dos cadernos Cotidiano, Ilustrada e Dinheiro, entre outros. Escreve aos sábados para a Folha.com.

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Anne-Wil

O voto dos físicos

Tactical Voting in Plurality Elections

Authors: Nuno A. M. Araújo, José S. Andrade Jr, Hans J. Herrmann
(Submitted on 16 Sep 2010)

Abstract: How often will elections end in landslides? What is the probability for a head-to-head race? Analyzing ballot results from several large countries rather anomalous and yet unexplained distributions have been observed. We identify tactical voting as the driving ingredient for the anomalies and introduce a model to study its effect on plurality elections, characterized by the relative strength of the feedback from polls and the pairwise interaction between individuals in the society. With this model it becomes possible to explain the polarization of votes between two candidates, understand the small margin of victories frequently observed for different elections, and analyze the polls’ impact in American, Canadian, and Brazilian ballots. Moreover, the model reproduces, quantitatively, the distribution of votes obtained in the Brazilian mayor elections with two, three, and four candidates.

Comments: 7 pages, 4 figures
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph); Data Analysis, Statistics and Probability (physics.data-an)
Journal reference: PLoS One 5, e12446, 2010
DOI: 10.1371/journal.pone.0012446
Cite as: arXiv:1009.3099v1 [physics.soc-ph]

Statistics of opinion domains of the majority-vote model on a square lattice

Authors: Lucas R. Peres, Jose F. Fontanari
(Submitted on 22 Aug 2010)

Abstract: The existence of juxtaposed regions of distinct cultures in spite of the fact that people’s beliefs have a tendency to become more similar to each other’s as the individuals interact repeatedly is a puzzling phenomenon in the social sciences. Here we study an extreme version of the frequency-dependent bias model of social influence in which an individual adopts the opinion shared by the majority of the members of its extended neighborhood, which includes the individual itself. This is a variant of the majority-vote model in which the individual retains its opinion in case there is a tie among the neighbors’ opinions. We assume that the individuals are fixed in the sites of a square lattice of linear size $L$ and that they interact with their nearest neighbors only.
Within a mean-field framework, we derive the equations of motion for the density of individuals adopting a particular opinion in the single-site and pair approximations. Although the single-site approximation predicts a single opinion domain that takes over the entire lattice, the pair approximation yields a qualitatively correct picture with the coexistence of different opinion domains and a strong dependence on the initial conditions. Extensive Monte Carlo simulations indicate the existence of a rich distribution of opinion domains or clusters, the number of which grows with $L^2$ whereas the size of the largest cluster grows with $\ln L^2$. The analysis of the sizes of the opinion domains shows that they obey a power-law distribution for not too large sizes but that they are exponentially distributed in the limit of very large clusters. In addition, similarly to other well-known social influence model — Axelrod’s model — we found that these opinion domains are unstable to the effect of a thermal-like noise.

Subjects: Computational Physics (physics.comp-ph); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:1008.3697v1 [physics.comp-ph]

Stephen Hawking apresenta Mestres da Ficção Científica

Masters of Science Fiction

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Masters of Science Fiction
Masters of Science Fiction intertitle.png
Masters of Science Fiction intertitle
Genre Science fiction anthology
Presented by Stephen Hawking
Country of origin United States
Language(s) English
No. of seasons 1
No. of episodes 6
Production
Executive producer(s) John W. Hyde
Brad Mendelsohn
Andrew Deane
Keith Addis
Running time approx. 41 minutes
Broadcast
Original channel ABC
Original airing August 4, 2007 – August 25, 2007
Chronology
Related shows Masters of Horror
External links
Official website

Masters of Science Fiction is an American television anthology series by the same creators as Masters of Horror. The show debuted on ABC on August 4, 2007 at 10PM for a run of four episodes.[1] It was originally scheduled to run in six parts, but two episodes were removed from the schedule for undisclosed reasons.[2]

The show follows a similar format as Masters of Horror, with each hour long episode taking the form of a separate short film adaptation of a story by a respected member of the science fiction community, hence the Masters in the title.[2]

In December 2007, the show was picked up by Space in Canada. This then allowed the North American premiere of the missing two episodes. A Region 1 DVD of all six episodes was released on August 5, 2008.

The show is hosted off-screen by physicist Stephen Hawking.[1]

[edit] Episodes

Title Original story author Director Original U.S. air-date Original Canadian air-date
A Clean Escape John Kessel Mark Rydell August 4, 2007 November 11, 2007
The Awakening Howard Fast Michael Petroni August 11, 2007 November 25, 2007
Jerry Was a Man Robert A. Heinlein Michael Tolkin August 18, 2007 November 18, 2007
The Discarded Harlan Ellison Jonathan Frakes August 25, 2007 December 16, 2007
Little Brother Walter Mosley Darnell Martin Not scheduled December 2, 2007
Watchbird Robert Sheckley Harold Becker Not scheduled December 9, 2007

[edit] References

  1. ^ a b Richmond, Ray (August 3, 2007). “”Masters of Science Fiction” too artistic for ABC”. Reuters. http://www.reuters.com/article/reviewsNews/idUSN0242298520070803?rpc=92. Retrieved 2007-08-04. 
  2. ^ a b “ABC SLATES ‘LAUGHS’ FOR TUESDAYS, CONFIRMS ‘MASTERS’ INSTALLMENTS”. Futon Critic. http://www.thefutoncritic.com/news.aspx?id=7412. Retrieved 2007-08-04. 

[edit] External links

Vivemos na pós Utopia?

Nosso mundo pós-Utópico

Eu não se vocês já perceberam mas eu faço um esforço enorme neste blog para propor idéias não convencionais. Ou seja, este não é um blog de divulgação e repetição de argumentos tradicionais (sobre política, sobre aborto, sobre religião etc) ou de conhecimento científicos bem estabelecidos. Não é um blog de divulgação científica (DV) mas um blog de especulação científica (EC). A divulgação científica pretende ser educativa, a especulação científica quer ser provocativa.

O título desde post, portanto, não se refere a uma visão tradicional (1989-2009) de que vivemos em um mundo onde já não existem mais utopias políticas, onde o bom gerenciamento da sociedade de consumo seria o único propósito social, o mundo sem ideologias do qual se lamentava Cazuza, o fim da História de Fukuyama. Esta visão está totalmente ultrapassada, e se você ainda acredita nisso, então eu sinto muito comunicar-lhe que você também está ultrapassado.

Primeiro, vamos derrubar o principal mito político anti-utópico, vamos fazer um Mythbuster ideológico, OK? Esse mito ou lenda urbana do romantismo político é que o “progresso social” não existe. A idéia de progresso seria uma ilusão da Modernidade e vivemos em um mundo pós-moderno.

HAAAN… OK, essa idéia foi moda no final do século passado, na verdade a Pós-modernidade é um modismo fin-de-siecle XX. Acabou. Esqueça isso. Foi apenas uma grande bobagem, e uma defesa erudita de uma bobagem não a torna menos boba. Não confunda águas franco-linguisticamente barrentas com águas profundas. O rei está nú. Vivemos em um mundo pós-pós-moderno, o mundo Neomoderno (farei um post sobre o que seria o Neomodernismo).

Fundamentalismo religioso, Romantismo New Age, Crítica Pós-moderna? Reações à onipresença da Modernidade, mas cheias de ideais utópicos que incorporam as conquistas da própria Modernidade, por exemplo, a idéia de que todas as pessoas nascem com os mesmos direitos, sem castas sociais.

É claro que, para definir progresso, temos que definir um objetivo ou pelo menos uma direção, um horizonte. Ora, o horizonte utópico ocidental é o horizonte judaico-cristão: o desejo de uma sociedade com mais igualdade, mais liberdade e mais fraternidade. Sim, a Revolução Francesa não podia ocorrer em sociedades orientais de castas como a Índia Brahmanista, tão admirada por Nietszche e modelo para os nacional socialistas. Nietszche odiava a democracia liberal por ela ser, na sua visão, apenas um judeo-cristianismo laico cujos outros filhotes seriam o socialismo, o anarquismo e o feminismo. Coisa de plebeus…

Sim, essa direção, esse horizonte utópico, é uma escolha livre, não fundamentada, não absoluta, não justificável racionalmente. É uma opção filosófica, uma escolha existencial, não é dedutível de teorias científicas, não pode ser demonstrada a partir de outros axiomas sociais: é, ela mesma, uma escolha axiomática. Se você quiser ser Nietszcheniano, Aristocrático, Anti-democrático ou Nazista, você é totalmente livre para sê-lo, e isso também será uma escolha axiomática, nem mais nem menos compatível com os fatos científicos, a biologia, a psicologia humana etc. O Darwinismo Social não é mais compatível com a biologia apenas por carregar o nome de Darwinismo… Cá entre nós, é apenas, uma pseudociência.

Uma vez definida a direção utópica (mais igualdade, mais liberdade, mais fraternidade), que não é exatamente Moderna mas sim foi definida pelo Judaismo primitivo, pelo Cristianismo primitivo e pelo Budismo Mahayana, é fácil verificar que progredimos muito nessa direção. Para ver isso eu proponho um experimento. Leia o livro A Utopia (1518), de Thomas More (coleção Folha, 14,90, nas bancas!). Eu acabei de lê-lo anteontem. A Utopia faz uma crítica social da Inglaterra e Europa do século XVI e propõe uma República Platônica ideal, em ambos os sentidos. Ora, hoje, a palavra utópico é usada como sinônimo de “impossível de se alcançar”. Mas… surpresa! Se compararmos a sociedade utópica de More com a nossa, veremos que, em diferentes aspectos, nós a alcançamos e ultrapassamos, e muito. Vejamos:

Igualdade: Embora More proponha uma sociedade comunista, onde a propriedade é social, na Utopia as pessoas não são realmente iguais (ou seja, não possuem os mesmos direitos). O príncipe de Utopia não é escolhido por sufrágio universal mas indiretamente, por um senado de 1200 magistrados (todos homens, por sinal). O cargo é vitalício. Os religiosos de Utopia, se cometem crimes, não são levados à justiça comum. As mulheres são seres de segunda classe, apenas elas fazem o trabalho doméstico e não escolhem seus maridos. As crianças, adolescentes e jovens servem as refeições aos adultos e comem por último, em pé e em silêncio. Existem escravos em abundância, para fazer o trabalho sujo.

Liberdade: Em Utopia, o adultério é punido com a mais dura escravidão e, se houver reincidência, punido com a morte. A escravidão perpétua e os trabalhos forçados também são usados como penas. O sexo antes do matrimônio recebe um censura severa, o casamento é posteriormente interdito aos infratores e os pais que não controlaram os jovens ficam desonrados. O divórcio é quase impossível. É crime sair de sua provincial sem autorização. Para viajar, é preciso ter uma carta do príncipe, uma licença que fixa o dia de regresso. O Estado não é laico e ateus e agnósticos são fortemente discriminados. Aos suícidas é negada a sepultura e seus corpos são jogados em pântanos. Os homossexuais nem são citados, provavelmente por que seriam eliminados se se tornassem públicos.

Fraternidade: A ilha de Utopia entra frequentemente em Guerra para defender os direitos comerciais de seus aliados. Nisso empregam os Zapoletas, povo bárbaro, como mercenarios, e pouco estão precupados com as baixas entre eles, pois consideram que o genocídio desse povo seria um bem para a humanidade. Vencendo a Guerra, os gastos devem ser pagos pelos vencidos em pesados impostos e concessão de territórios conquistados. Os soldados inimigos são escravizados. Qualquer criminoso tem sua orelha esquerda decepada para servir de estigma social. As pessoas com deficiências são impedidas de se casar. Os homens castigam fisicamente suas mulheres, e ambos castigam fisicamente suas crianças e escravos.

A coisa impressionante é que na Inglaterra do século XVI a desigualdade social era maior que em Utopia, a liberdade ainda menor, as penas criminais mais duras (a pena de morte aplicada a ladrões que roubavam por fome), a guerra ainda mais desumana. Ou seja, a nossa sociedade atual não apenas é muito mais igualitária, livre e fraterna do que a sociedade feudal e mercantil do século XVI, ela é em muitos aspectos muito mais utópica que a mais utópica sociedade imaginada naquela época. Nós somos uma sociedade pós Utopia.

Acho que o grande erro da visão pessimista, antiprogressista e reacionária do neoconservadorismo pós-moderno é confundir flutuações com tendências. Se para cada dois passos em direção ao horizonte utópico eu dou um passo para trás, não podemos ficar impressionados com o passo para trás e esquecer a média. Para averiguar o progresso social, faça médias geracionais, ou seja, médias de 30 anos ou mais. Compare 2010 com 1980, 1950, 1920, 1890, 1860, 1830, 1800 até a aurora da civilização na Mesopotâmia em 4000 AEC.,… em termos de IDH mundial, direitos humanos, violência (per capita), destruição ambiental (per capita), número de mortes em guerras (per capita), taxa de mortalidade infantil. Se você quer uma medida de educação e cultura, meça o número de livros (per capita) e a porcentagem da população mundial alfabetizada. Use medidas estatísticas, taxas per capita em vez de valores absolutos. É simples assim.

Ou seja, no horizonte definito pelo desejo de mais liberdade, igualdade e fraternidade, a humanidade vem “progredindo socialmente” há milênios, realizando um random walk (Levy flight?) com bias positivo no espaço das organizações sociais. O Paraíso não está na época do Bom Selvagem (que nunca existiu – o bom selvagem foi o responsável pela extinção da megafauna americana) ou na Era de Ouro grega. O Paraíso está na Terra Prometida, na Utopia, na Gaia Pensante, na Federação de Planetas Unidos, na Biosfera Galática, no futuro.

Na pior das hipóteses, a civilização humana pode fracassar no caminho de erigir ou contribuir para a GWW (Galactic Wide Web). Mas basta que uma entre as várias civilizações tecnológicas planetárias consiga esverdear a Galáxia, no dizer de Freeman Dyson, para que a Vida se espalhe, permaneça e talvez crie outros Universos antes deste chegar ao fim. A Civilização Galática Utópica é, em termos puramente estatísticos, inevitável.

Otimizando fazendas de vento

Isso aqui parece bem interessante e pode revolucionar

Order-of-magnitude enhancement of wind farm power density via counter-rotating vertical-axis wind turbine arrays

John O. Dabiri
(Submitted on 18 Oct 2010)
Modern wind farms require significant land resources to separate each wind turbine from the adjacent turbine wakes. These aerodynamic constraints limit the amount of power that can be extracted from a given wind farm footprint. We conducted full-scale field tests of vertical-axis wind turbines in counter-rotating configurations under natural wind conditions. Whereas wind farms consisting of propeller-style turbines produce 2 to 3 watts of power per square meter of land area, these field tests indicate that power densities approaching 100 W m^-2 can be achieved by arranging vertical-axis wind turbines in layouts that enable them to extract energy from adjacent wakes. In addition, we calculated that the global wind resource available to 10-m tall turbines based on the present approach is approximately 225 trillion watts (TW), which significantly exceeds the global wind resource available to 80-m tall, propeller-style wind turbines, approximately 75 TW. This improvement is due to the closer spacing that can be achieved between the smaller, vertical-axis wind turbines. The results suggest an alternative approach to wind farming, in which many, smaller vertical-axis wind turbines are implemented instead of fewer, large propeller-style turbines.
Comments: Manuscript subject to press embargo
Subjects: Fluid Dynamics (physics.flu-dyn)
Cite as: arXiv:1010.3656v1 [physics.flu-dyn]

Sobre a politização dos blogs de ciência (update)

Marina Silva declarou recentemente que esta campanha presidencial infelizmente a afastou de muitas pessoas queridas e amigos (que estão no PT). Acho que posso dizer a mesma coisa, complementando que também tenho amigos PSDBistas. Postular uma terceira via é difícil, você entra no fogo cruzado dos seus amigos e isso não é nada bom.

Eu espero que, passado o 31 de outubro, as coisas se acalmem, se ajeitem, as feridas cicatrizem, o bom humor entre os blogueiros de ciência retorne, de modo que possamos nos dedicar a aquilo que nos une (o amor à ciência) e não o que nos divide (política, religião e futebol).

Os principais blogueiros de ciência, com efeito, fizeram campanha, declaram publicamente seu voto, e mesmo aqueles que não o fizeram, todo mundo sabia sua opção política. Entre os blogueiros que declararam publicamente seu voto, eu li os seguintes posts (se alguém conhecer outros posts, por favor coloquem nos comentários):

Marina Silva: Maria Guimarães do Ciência e Idéias, Claudia Chow do Ecodesenvolvimento e Vitor Pamplona do VP, além do SEMCIÊNCIA, claro.

Dilma Roussef: Carlos Hotta do Brontossauros em Meu Jardim, Roberto Takata do N.A.Q., Luis Bento do Discutindo Ecologia, Charles Morphy do Um Longo Argumento , o saudoso Dedalus do Atlas e a Sarah Oliveira do Forma, Tempo e Espaço.

José Serra: Marcelo Hermes Lima do Ciência Brasil

Voto Nulo: Igor do 42.

Não sei se alguém questionou se essa politização que ocorreu nos blogs científicos é boa ou desejável, ou se deveríamos separar as “duas vocações”, como diria Max Weber. Por outro lado, meus amigos de humanidades, que sempre criticam o Positivismo ou Cientismo ligado a uma posição de neutralidade científica, devem estar felizes: os blogueiros de ciência demonstraram que não são neutros, e que um blog pretensamente neutro pode ser apenas uma maneira de fazer propaganda subliminar e insidiosa de um dado candidato (como a Folha fez, ao contrário do Estadão, que de certa forma jogou limpo declarando seu voto em Serra).

Acho que essa politização é inevitável por dois motivos: primeiro, os blogs de ciência, em geral, são opinativos – somos colunistas e não apenas blogs noticiosos; segundo, os blogs de ciência pretendem discutir as implicações ou reflexos sociais, culturais, estéticas, religiosas e políticas das novas descobertas científicas, as visões de mundo científicas (note a pluralidade delas!), o que se convencionou chamar de Cultura Científica.

Acho que esta eleição foi bastante pedagógica para os blogueiros de ciência: o fato de percebermos que, mesmo cientistas, tinhamos posições ideológicas totalmente diversas mostra a fraqueza do Cientismo (a ideologia de que a Ciência é um caminho privilegiado para resolver os problemas humanos). Se assim fosse, teriamos um consenso científico sobre qual o melhor candidato, partido ou projeto de governo.

Reconhecer o fato de que nem as ideologias, nem as filosofias, e nem as religiões (enquanto sistemas de valores e filosofias de vida – e não de crenças pseudocientíficas) se subordinam à Ciência é educativo. Reflete um amadurecimento dos jovens blogueiros. Algo que tem que ser aprendido a duras penas, a cada geração de entusiastas da Ciência…

PS: Eu tenho uma tese (ainda a ser demonstrada estatisticamente) de que existe uma correlação (não perfeita) entre conservadorismo político (medo  ou ansiedade frente a mudanças sociais)  e conservadorismo científico (medo e ansiedade frente a mudanças de paradigmas científicos).  Acho que uma pesquisa interessante seria perguntar aos Prêmios Nobel, Wolf, Boltzmann, etc como eles se classificariam no espectro conservador-liberal. Eu aposto um kit de cervejas Colorado que a maioria é liberal.

Profecia Probabilística e Complexo de Cassandra

Para registro de minha carreira de profeta probabilístico: prevejo que haverá uma crise no sistema de saúde do Brasil em 2011 quando as pessoas internadas por gripe suína começarem a ter complicações devido à superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC).

Ministério da Saúde libera verba para combate ao H1N1

Rio de Janeiro – O Ministério da Saúde liberou nesta segunda-feira cerca de 60 milhões de reais para o combate ao vírus H1N1. A informação consta no Diário Oficial da União (DOU) e o montante será dividido entre 14 estados e o Distrito Federal. O Rio de Janeiro receberá cerca de nove milhões de reais, para compartilhar entre os seus 92 municípios. A capital será a cidade que receberá mais verbas: aproximadamente 3,5 milhões.

O objetivo do Ministério é evitar novos surtos da doença no próximo ano. O Influenza H1N1 é o vírus da gripe suína, que, em 2009, ocasionou uma epidemia em todo o mundo.

Anvisa obriga uso de álcool gel para combater superbactéria

Brasília – Resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União obriga o uso de álcool gel em todos os serviços de saúde do País para garantir a higienização antisséptica das mãos dos profissionais da área. As instituições terão um prazo de 60 dias para se adequar à medida, que tem entre seusobjetivos conter o avanço dos casos de contaminação pela superbactéria Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC).

O que não me destrói, me faz mais forte

The Wall Street Journal:

Friedrich Nietzsche was right—sort of.  The German philosopher’s oft-quoted adage, “What does not destroy me, makes me stronger,” was put to the test as part of a national study of the effects of adverse life events on mental health by researchers at the University at Buffalo-the State University of New York and the University of California, Irvine. The study, published in the latest issue of the Journal of Personality and Social Psychology, found that people who had experienced a few adverse events in their lives reported better mental health and well being than people with a history of frequent adversity and people with no history of misfortune.

Read the whole story: The Wall Street Journal