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Ateísmo Científico: um Manifesto


Vou lançar um manifesto aqui e ver se o Kentaro Mori e o Roberto Takata assinam (embora Takata me disse recentemente que não é ateu – virou agnóstico?).

Ateísmo Científico: Um Manifesto
Existem diversos tipos de ateísmo, sendo os mais proeminentes o ateísmo filosófico, o ateísmo metodológico e o ateísmo ideológico. O ateísmo filosófico é simplesmente a posição filosófica que afirma, com variados graus de probabilidade (no sentido de crença Bayesiana), que o Deus (deuses) das religiões tradicionais e o Deus dos filósofos não existe. Dessa afirmação não decorre necessáriamente nenhuma consequência em termos de filosofia de vida ou ação política: é apenas uma postura filosófica.
Já o ateísmo metodológico é uma regra epistemológica que prescreve que, não importando a posição filosófica do pesquisador ou cientista, ele não deve apelar para hipóteses que envolvem a ação de Deus ou deuses para explicar fenômenos naturais. Este princípio metodológico é aceito e usado mesmo por cientistas religiosos e acadêmicos que não são ateus filosóficos.
O ateísmo ideológico afirma que a crença em Deus (ou pelo menos as instituições religiosas) são, basicamente, prejudiciais ao ser humano. Por ideologia entendemos uma filosofia que prescreve ações políticas. Desta posição decorre que crenças religiosas devem ser combatidas intelectualmente e politicamente. Uma afirmação menos geral, a de que certas crenças e instituições religiosas são perniciosas e devem ser combatidas, pode ser adotada tanto por ateus ou religiosos.
Neste manifesto, propomos um novo tipo de ateísmo, o Ateísmo Científico, definido por sete pontos:
I. O Ateísmo Científico é racional: usa apenas argumentos de natureza científica, ou seja, tenta evitar metodologicamente as falácias lógicas, falácias estatísticas e afirmações empiricamente refutadas. O uso de argumentos puramente retóricos e emocionais é minimizado.
II. O Ateísmo Científico é acadêmico: defende a liberdade de expressão e opinião, o rigor e a honestidade intelectual.
III. O Ateísmo Científico usa a metodologia científica: sempre tentará embasar com evidências científicas o diagnóstico de que um dado aspecto da religião é pernicioso. Por exemplo, a afirmativa de que a religião inspira intolerância e violência deverá ser embasada a posteriori em estudos sociais, históricos e estatísticos academicamente respeitáveis em vez de ser afirmada de forma a priori.
IV. O Ateísmo Científico é falseável: assume o falsificacionismo Popperiano em relação a si mesmo, ou seja, define a priori as condições empíricas ou teóricas que implicariam em sua refutação.
V. O Ateísmo Científico é academicamente cordial: mantem-se dentro dos padrões de cordialidade acadêmica vingente na comunidade científica, sem o uso de ofensas pessoais e falácias ad hominem.
VI. O Ateísmo Científico não é conspiratório: ou seja, não usa argumentos que envolvam raciocínios conspiratórios e teorias de conspiração, uma vez que tais argumentos são a priori irrefutáveis.
VII. O Ateísmo Científico baseia-se no naturalismo biológico não-reducionista: ou seja, deixa espaço para a subjetividade humana desde que ela seja minimamente formalizável em termos básicamente locais (dentro do cérebro) de processos físicos.
Lista de assinaturas:
1. Osame Kinouchi Filho – OsameKinouchi (Físico, Prof. Livre Docente do DFM-FFCLRP-USP)
2. André Luiz Alves Rabelo – (André, mande seu nick de twitter!)
3. E. Helena Neviani – Be_neviani (Química e Tuiteira de Ciências)
4. Juliana Motta Kinouchi – julianakinouchi (Colégio Metodista)
5. Mônica Guimarães Campiteli (Bióloga e Física, pós-doc IFSC-USP)
6. Rodrigo Rota (doutorando DQ-FFCLRP-USP)
7. Francisco Boni Neto – boni_bo
8. Pedro Almeida
9. Bruno Lobao Soares (Prof. Dr. – UFRN  e pesquisador colaborador do IINN-ELS)
10. Ariadne de Andrade Costa (física, mestranda DFM-FFCLRP-USP)
Observação: Estamos abertos para mais sugestões de items para a definição do Ateísmo Científico. Os mesmos princípios poderiam ser usados para definir o Ceticismo Científico, o Agnosticismo Científico e o Darwinismo Cosmológico, embora as posições filosóficas e ideológicas dessas diversas correntes sejam diferentes.
Update: Quando esta lista atingir 20 assinaturas, irei sortear o livro Em nome de Deus – O fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo – Karen Armstrong.
 
 
 
 

 

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9 Comments

  • O ateísmo científico baseia-se no naturalismo biológico não-reducionista, deixando espaço para a subjetividade humana desde que ela seja mínimamente formalizável em termos básicamente locais (dentro do cérebro) de processos físicos.

    fica aí minha contribuição

  • caros colegas,

    só fica dificil definir o ateismo como cientifico qnd temos um problema sério: será mesmo q é falseavel? temos um problema, pq isto depende diretamente da definicao de deus.

    pare e pense: o q serviria como evidencia para refutar o ateísmo cientifico? qual definicao implica a deus para q ele possa produzir esta evidencia?

    temos q pensar nestes aspectos. o igor roosevelt levanta certas questoes neste texto aqui – http://recantodasletras.uol.com.br/artigos/2236676 – andei discutindo com ele alguns pontos e acho q temos q pensar na proposta.

    eh uma discussa legitima e frutifera.
    abraço

  • ps. para assinar, como faz?

  • Eu participo, meu twitter é @ateueatoa.
    Só peço atenção ao seguinte:
    Tomarmos cuidado para que não corrobore os choramingos dos fundamentalistas e que não tenhamos compromisso de vida ou morte com uma ideologia, abandonando-a e respeitando mutuamente uma decisão dessa ordem, como até já parece estar contido na proposta.

    • Fabenrik Nao sei se entendi o seu comentário, por favor complemente de novo. Noto que o manifesto visa apenas uma nova definicao que contrasta com a definicao corrente em sites da internet. Ou seja, o principal objetivo é se distinguir de um ateismo muito ideologico, nao cientifico ou mesmo pseudocientifico, por exemplo, aquele mais panfletario, tipo hater, que usa argumentos retirados de teorias conspiratorias pseudocientificas tipo o The Crist Conspiracy de Acharya S (ver este site):

      http://truthbeknown.com/

      Ou seja, o ateismo cientifico usa mais a argumentacao racional do que a retorica emocional. Veja se voce realmente entendeu este ponto, se concorda com ele, antes de assinar.

  • Eu assino. Bruno Lobao Soares. UFRN;IINN-ELS

  • “Neste manifesto, propomos um novo tipo de ateísmo, o Ateísmo Científico, definido por sete pontos:
    I. O Ateísmo Científico é racional: usa apenas “argumentos de natureza científica.”

    Como se a história não fizesse parte da ciência ou até mesmo a matemática e filosofia.

    _______________________________________

    “ou seja, tenta evitar metodologicamente as falácias LÓGICAS, falácias estatísticas e afirmações empiricamente refutadas. O uso de argumentos puramente retóricos e emocionais é minimizado.

    Essa falácias lógicas entra tanto nas ciências exatas quanto humanas, por exemplo a matemática prova que 2+2 são 4, e a história mostra que Hitler, Mussolini e seus exércitos perderam a segunda guerra mundial, desejo saber como a ciência vai explicar isso….rs !

  • Quantos sinônimos para significar o que não tem significado algum!
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    Ateísmo é uma coisa só; é uma ilusão bordada na mente; são franjas de um véu espumante. Soprou acabou. Volta a visão clara…..
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    O ateísmo somente existe nas conjeturas cerebrais logo não existe, pois a matrix projeta-se refletindo somente algo no ilusório espaço tempo.
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    As religiões mundiais, enquanto isso, são ateístas na medida em que materializam a fé; e a fé materializada também não existe.

    Porém, seus princípios Maiores são de um Criador Absoluto e Imutável, existente no não-tempo, reinando infinitamente acima da matrix. Ele, o Criador, como Espírito, transita pelo espaço-tempo e na ilusão do tempo provoca a multiplicidade da criação, sob leis cósmicas fundamentais e leis transitórias sistêmicas.
    .
    Há quem ache que a matéria existe, A matéria nada é senão energia original-originante multiqualificada sob aquelas leis referidas. Em suma: matéria é energia condensada, como são os cérebros ateístas e não ateístas.

    Porém. uns cérebros enxergam através dos sentidos aclarados pela fé e estudos gnósticos inteligentes; outros não enxergam nada por que penetram nos labirintos complexos do intelecto, como Teseus modernos e não sabem sair com todos os seus malabarismos e refinamentos intelectuais. Até que sem Ariadne, a intuição pura da mente sensível, serão devorados pelo Minotauro = suas próprias criações concretas.
    .
    Saudações a todos ateístas e não ateístas.

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