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Era de ouro da Astrobiologia

Vivemos a era de ouro da Astrobiologia. Recomendo aos jovens físicos e biólogos a fazerem pós-graduação nessa área. Lembre-se: você deve escolher como tema de tese algo que será quente daqui a quatro ou cinco anos…

30/09/2010 – 10h40
Astrônomos acham planeta habitável “perto” da Terra

DA ASSOCIATED PRESS

Astrônomos americanos anunciaram ontem a descoberta de um planeta quase do tamanho da Terra que, segundo eles, teria grandes chances de ser habitável. A descoberta fica a 20 anos-luz daqui. Ou seja: em termos espaciais, ele é nosso vizinho.

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O planeta recém-descoberto fica na chamada “zona habitável” –local que reúne condições para que haja água em estado líquido– de uma estrela anã conhecida como Gliese 581. Embora os cientistas ainda não tenham encontrado indícios de que realmente exista água por lá, eles já demonstram entusiasmo.

AP

Astrônomos americanos anunciaram descoberta de planeta quase do tamanho da Terra que poderia ser habitável
“As chances de que exista vida neste planeta é de 100%”, afirma Steven Vogt, um dos autores do trabalho, publicado na revista científica “Astrophysical Journal”.

Os astrônomos determinaram que o planeta, batizado de Gliese 581g, tem uma massa de três a quatro vezes a da Terra e um período orbital de pouco menos de 37 dias.

Sua massa indica que provavelmente é um planeta rochoso e com gravidade suficiente para ter uma atmosfera, segundo Steven Vogt.

A gravidade superficial seria quase a mesma ou um pouco maior que a terrestre. Portanto, uma pessoa poderia facilmente caminhar em posição ereta pelo planeta, dizem os cientistas.

O Gliese 581g foi descoberto por cientistas que trabalhavam no Lick-Carnegie Exoplanet Survey, após 11 anos de pesquisa. Para vasculhar o espaço, eles usaram telescópios baseados aqui mesmo na Terra.

“O fato de termos conseguido detectar este planeta tão rapidamente e tão próximo nos mostra que planetas como este devem realmente ser comuns”, disse Vogt.

O planeta tem uma de suas faces sempre voltada para a sua estrela e sob influência de uma luz diária perpétua, enquanto a outra fica na escuridão eterna, porque está voltada para o lado oposto.

Consequentemente, as temperaturas decrescem do lado oposto à estrela e se elevam do lado iluminado. A área mais habitável do novo planeta seria a parte intermediária entre luz e escuridão.

40 bilhões de planetas habitáveis. Quantas civilizações?

por Carlos Orsi

Seção: ASTRONOMIA

Filosofando

meio ambiente

30.setembro.2010 09:13:44

A esta altura, você provavelmente já soube do anúncio feito ontem, a respeito da descoberta do mais habitável — ainda que apenas potencialmente — dos planetas extrassolares, Gliese 581g.
(Se quiser a história completa, com a descrição do planeta, pode ler aqui. Acrescento apenas que o fato de ser um planeta de alta gravidade, em órbita de uma anã vermelha e com a rotação travada por efeito de maré me faz pensar na versão de Krypton que aparecia nos gibis dos anos 70 — só espero que ele não venha a explodir!)
Mas o que mais me chamou a atenção foi a declaração de um dos descobridores do planeta, Steven Vogt, de que o achado abre a possibilidade de haver “de 10% a 20%” de estrelas com planetas habitáveis na Via Láctea.
O que remete diretamente à Fórmula de Drake.
Encurtando uma história longa: em 1961, Frank Drake, pioneiro no uso de radiotelescópios para a busca de sinais de vida inteligente fora da Terra, propôs uma fórmula para ajudar a estimar o número de civilizações com que poderíamos esperar estabelecer contato.
Existem diferentes versões da equação, mas vou usar uma mais simplificada. Ei-la:
N = N* fp ne fl fi fc fL
Todos os fatores do lado direito são multiplicados entre si.
A fórmula já foi muito criticada, pelo motivo de que boa parte dos fatores que entram nela são efetivamente desconhecidos pela ciência. Isto é, qualquer resultado que ela gere será fruto de uma série de chutes. Já foi dito, não sem razão, que a Fórmula de Drake é mais um espelho da psicologia de quem a utiliza do que uma fonte de informação sobre o Universo.
Mas, afinal, o que são esses fatores? Pela ordem:
“N” é o número de civilizações com que podemos esperar entrar em contato;
“N*” é o número de estrelas da Via Láctea;
“fp” é a fração desse total de estrelas que tem planetas;
“ne” é o número de planetas por estrela capaz de sustentar vida;
“fl” é a fração de “ne” onde a vida realmente evolui;
“fi” é a fração de “fl” onde surge vida inteligente;
“fc” é a fração de “fi” que desenvolve tecnologia para se comunicar com outros planetas;
“fL” é a fração da vida do planeta em que a civilização se mantém capaz de estabelecer comunicação com outros planetas.
Em outras versões, como esta, o termo N* é substituído por R*, a taxa de formação de estrelas na galáxia — isto é, quantas estrelas nascem a cada ano — e fL é trocado por L, que é o tempo, em anos, durante o qual uma civilização se comunica com o espaço.
A estimativa de Vogt, de que de 10% a 20% das estrelas da Via Láctea têm pelo menos um planeta capaz de sustentar vida — somada à estimativa atual de que a galáxia tem de 200 bilhões a 400 bilhões de estrelas — nos joga diretamente entre os termos “fp” e “ne”.
Supondo que haja 40 bilhões de estrelas com pelo menos um planeta habitável, só o que falta fazer é multiplicar 40.000.000.000 por nossas estimativas de em quantos desses planetas a vida realmente evolui; em quantos desses surge inteligência; que porcentagem das espécies inteligentes desenvolvem tecnologia de comunicação; e quanto tempo dura a fase, digamos, sociável de uma civilização avançada.
Dá para fazer isso automaticamente aqui. Eu joguei meus chutes favoritos lá — incluindo a suposição, que muitos considerarão pessimista, de que apenas 1% dos planetas com vida têm vida inteligente — e cheguei a 48 civilizações capazes de nos dar um alô.
Se você preferir supor que se um planeta pode ter vida ele necessariamente terá vida, e que se a vida surge, ela necessariamente desenvolverá inteligência, o total chega a espantosas 24.000 civilizações!
O que nos traz a um novo problema, o Paradoxo de Fermi. Mas isso é assunto para outro dia.

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