Home // Posts tagged "Blogs"

Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

Relativismo Cultural, Nova Era e Nazismo

Olá Osame, desculpe só fui ler sua resposta hoje, pois havia perdido o endereço do seu blog:
Se me permite ainda estou curioso, pois dados os floreios paradoxais de sua resposta sobre tuas inclinações teóricas ainda estou confuso. Confesso que andei dando uma lida nos textos do blog e gostei de algumas colocações tuas (um exemplo pode ser visto aqui com tua inclinação para Gardner e Margullis), por isso insisto em entender esses conflitos que acredito ter o discurso aqui com um pertencimento ao chamado “movimento cético” (coisa cientificamente incabível, paródia ateísta de internet que nunca foi sequer manifestada por uma corrente filosofia ou episteme, natimorto como uma manifestação universalista do conhecimento, há muito tempo, tempos pré-históricos!!! – a saber, desde Hume e Locke e fatalizado por Kant e Nietzche): Read more [+]

Vida Longa e Próspera ao CLFC

Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil entrega o Prêmio Argos de Literatura Fantástica

Postado em 28 de setembro de 2012 por Clinton Davisson

Flávio Medeiros Jr – Melhor conto e Gerson Lodi-Ribeiro, Melhor Romance e prêmio especial pelo conjunto da obra, foram os grandes vencedores na noite!

Por jornalismo CLFC

O retorno do Prêmio Argos de Literatura Fantástica foi considerado um dos pontos altos do VI Fantasticon – Simpósio de Literatura Fantástica. A cerimônia aconteceu no domingo, dia 23, às 13h, no auditório da Biblioteca Viriato Corrêa, em Vila Mariana, SP. O prêmio Argos 2012 é feito por votação direta dos sócios do Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil e visa eleger os melhores romances e contos do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e terror) publicados em língua portuguesa no ano de 2011.

O escritor Gerson Lodi-Ribeiro foi o vencedor da principal categoria, Melhor Romance, com o livro A Guardiã da Memória.  Gerson também recebeu um prêmio especial pelo conjunto da obra e pelas contribuições à ficção científica nacional, dentre as quais, a própria criação do Argos no final do século passado.

Os outros indicados na categoria Romance, ou História Longa, foram: Eduardo Spohr com Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida; Flávio Carneiro com A Ilha; Luiz Bras com Sonho, Sombras e Super-heróis e Simone Saueressig com B9.

O médico mineiro, Flávio Medeiros Jr, levou o prêmio de melhor história curta com o conto O Pendão da Esperança, publicado na coletânea Space Opera. Os outros concorrentes eram: Alliah com Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica; Cirilo S. Lemos com O Auto do Extermínio; Clinton Davisson Fialho com A Esfera Dourada e Marcelo Jacinto Ribeiro  com Seu Momento de Glória. Os livros premiados foram publicados pela editora Draco.

A festa foi feita com muito humor e suspense com clara alusão ao prêmio Oscar norte-americano, com direito a um pequeno teatro de cosplayers que terminou com a entrada triunfal do presidente do CLFC, Clinton Davisson, que foi o apresentador da cerimônia. De acordo com a tradutora Mary Farrah, que coordenou a apresentação teatral, o grupo de atores é composto por membros de diversos fãs clubes de Star Wars. “Combinamos com a diretoria do CLFC que essa apresentação se daria gratuitamente, em troca apenas de uma doação do Clube para a instituição Casa da Sopa de Nova Iguaçu. Graças aos sócios, algumas crianças carentes terão um cardápio mais diversificado durante, pelo menos, mais três meses”, falou.

O grande vencedor da noite, Gerson Lodi-Ribeiro, elogiou a festa e se disse emocionado tanto com as premiações que recebeu, quanto com as ações de caráter social que o CLFC vem adotando na nova gestão. “Ficção científica engajada, que serve não apenas para inspirar o futuro com que muitos de nós sonhamos, mas para cuidar e ajudar a consertar o presente. De arrepiar os pelos!”, afirmou.

O prêmio chegou a ser considerado o mais importante do gênero na virada do século quando teve quatro edições, 1999, 2000, 2001 e 2003. Segundo o presidente do Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil – CLFC, Clinton Davisson, o retorno do Argos faz parte de um plano de metas que visa a retomada definitiva do Clube fundado em 1985 e que chegou a ser reconhecido pela Science Fiction and Fantasy Writers of America – SFWA como entidade representativa no Brasil. “Com o advento da internet, muitas das funções do CLFC foram perdendo a razão de ser. Quando assumi, em outubro do ano passado, a proposta era repensar a utilidade do Clube. Partimos primeiro para retomar tudo o que ele fazia antes, só que adaptado à nova realidade do século XXI; como o Somnium, o antigo fanzine em papel, que foi  adaptado ao formato pdf para ser distribuído on-line; a criação da Biblioteca Nacional de Ficção Científica que estava prevista no estatuto; a volta do site oficial e, agora, o retorno do Prêmio Argos de Literatura Fantástica. Além disso, estamos criando coisas novas, como parceria com editoras para conseguir descontos para os sócios, sorteio de ingressos de cinema e, principalmente, ações sociais voltadas ao incentivo à leitura para crianças, cursos para jovens escritores e a formação de novos leitores”, explica Clinton.

Islamismo com Twitter (I)

Me pareceu uma análise realista e intrigante:

Tecnologia da desinformação

Por Redação Link

Protestos contra vídeo sobre Maomé revelam que a fé do Oriente e os valores do Ocidente estão em conflito em uma praça pública global

Nathan Gardels, do Global Viewpoint*


“Esta praça pública global é o novo espaço de poder onde imagens competem e ideias são contestadas”. FOTO: Khalil Hamra/AP

Os fatos dos últimos dias no Oriente Médio são apenas um alerta para futuros distúrbios à medida que a democratização da mídia no Ocidente se depara com o despertar político no mundo árabe.

—-
• Siga o ‘Link’ no Twitter, no Facebook, no Google+ no Tumblr e no Instagram

Os hoje marginalizados jovens do Facebook podem ter iniciado a Primavera Árabe, que desencadeou – alguns diriam “libertou” – vozes contrárias ao Ocidente e que durante muito tempo foram caladas por autocratas brutais. Mas agora é a vez do YouTube agitar a região. O trailer de um filme chamado A Inocência dos Muçulmanos colocou a região em chamas à medida que o filme se propaga na internet.

Bem-vindo ao nosso novo mundo, onde ninguém pode ser controlado – nem o Ocidente controla sua mídia social, tampouco os dirigentes árabes têm controle dos seus cidadãos libertados. Uma combinação inflamável. Read more [+]

O (quase) primeiro post do SEMCIÊNCIA

Estou fazendo a importação do SEMCIÊCIA do Blogger para o WordPress (não sabia que era tão fácil). Topei com este primeiro post, de 19 de junho de 2006. Infelizmente existe um gap nos posts antigos (os posts de maio, mês de nascimento do blog, e os posts de junho a dezembro (mais de 200!) foram deletados porque… hummm, naquela época eu estava me preparando para um concurso de livre docência e algumas pessoas diziam que ter um blog não era algo sério e que poderia me prejudicar se eu emitisse opiniões politicamente incorretas (em relação à USP), por exemplo. Ou seja, este não é realmente o primeiro post, mas sim, o primeiro que sobreviveu…

Mas este post de junho sobrou eu algum lugar, em um cache que achei um ano depois, e foi recuperado. Estou reproduzindo o mesmo porque o acho ainda bem atual e, além disso, pelo fato de que finalmente irei ministrar pela segunda vez a disciplina a que ele se refere, para a turma de Licenciatura em Química da FFCLRP.

oOo

SEGUNDA-FEIRA, JUNHO 19, 2006

INFINITO

Coincidência de novo. Eu estava aqui procurando uma figura para fazer este post sobre o volume especial “As diferentes faces do infinito” quando recebi um e-mail da Ana Cláudia Ferrari me dizendo que, sim, eu havia ganho duas assinaturas de graça, da SciAm e da Viver Mente e Cérebro. Tão vendo? Quem disse que não ganho nada com este blog?

É claro que isso não vai afetar minha atitude quanto à revista, pois a compro desde o primeiro número. Afinal basta eles manterem a qualidade e ocuparem o nicho da SUPERINTERESSANTE (pois esta está querendo substituir a PLANETA, que por sua vez trocou o esoterismo pela ecologia) já está ótimo! Todo apoio a você, SciAm!

A Ana me perguntou se é verdade que meus alunos realmente lêem as revistas. Bom, alunos de Estatística I, respondam prá ela ai nos comentários. Em todo caso, conto aqui duas maneiras de usar a SciAm nas salas de aula que já testei.

Bom, primeiro eu sou responsável por uma disciplina optativa do Departamento de Química aqui na FFCLRP chamada Tópicos de Ciência Contemporânea, cuja ementa está meio ambiciosa, concordo:

Objetivos:

Introduzir e incentivar o estudante a ter contato com a literatura científica e de divulgação científica, traçando um panorama da ciência contemporânea que permita uma visão contextualizada e crítica de diferentes áreas do conhecimento tais como a Cosmologia, a Física, a Química e a Biologia. Read more [+]

Sobre a validação de blogs científicos

Quais são os critérios usados para selecionar os blogs do ABC?

Por Osame Kinouchi

Por definição, a blogosfera científica é uma comunidade, e o objetivo do portal não é “patrulhar” a mesma, mas sim dar um acesso aos leitores, de forma concentrada em listas de links, para blogs científicos, quer sejam populares quer sejam pouco conhecidos. Entretanto,  é claro que a questão da qualidade dos blogs permanece pois ser incluído no portal implica pelo menos um aval do Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria (LDCC-FFCLRP-USP).

Por outro lado, como poderíamos definir se um blog é científico, se não é possível definir ou demarcar (rigorosamente) o que é Ciência? Read more [+]

Neutrinos, Higgs e LHC no BLOGPULSE

Comparando o Google, Bing, Xfire e Ask

Comparação do ranqueamento dessas máquinas de Busca. Acho que o Google ainda está melhor… Read more [+]

A rede complexa dos sabores culinários

Pois é, a nova versão do paper do grupo do Barabasi, com uma maior discussão do nosso paper (comentarios na New Scientist, no ArXiv Blog e na Folha de São Paulo) sobre Gastronophysics, ficou bem melhor! Deverá ser publicado no Scientific Reports do grupo NATURE.

arXiv blog

Flavour Networks Shatter Food Pairing Hypothesis

Recipe networks give the lie to the idea that ingredients that share flavours taste better together

KFC 11/29/2011

  • 6 COMMENTS

Some years ago, while experimenting with salty foods and chocolate, the English chef Heston Blumenthal discovered that white chocolate and caviar taste rather good together. To find out why, he had the foods analyses and discovered that they had many flavour compounds in common.

He went on to hypothesise that foods sharing flavour ingredients ought to combine well, an idea that has become known as the food pairing hypothesis. There are many examples where the principle holds such as cheese and bacon; asparagus and butter; and in some modern restaurants chocolate and blue cheese, which apparently share 73 flavours.

But whether the rule is generally true has been hotly debated.

Today, we have an answer thanks to the work of Yong-Yeol Ahn at Harvard University and a few friends. These guys have analysed the network of links between the ingredients and flavours in some 56,000 recipes from three online recipe sites: epicurious.com, allrecipes.com and the Korean site menupan.com.

They grouped the recipes into geographical groups and then studied how the foods and their flavours are linked.

Their main conclusion is that North American and Western European cuisines tend towards recipes with ingredients that share flavours, while Southern European and East Asian recipes tend to avoid ingredients that share flavours.

In other words, the food pairing hypothesis holds in Western Europe and North America. But in Southern Europe and East Asia a converse principle of antipairing seems to be at work.

Ahn and co also found that the food pairing results are dominated by just a few ingredients in each region. In North America these are foods such as milk, butter, cocoa, vanilla, cream, and egg. In East Asia they are foods like beef, ginger, pork, cayenne, chicken, and onion. Take these out of the equation and the significance of the group’s main results disappears.

That backs another idea common in food science: the flavour principle. This is the notion that the difference between regional cuisines can be reduced to just a few ingredients. For example, paprika, onion and lard is a pretty good signature of Hungarian cuisine.

Ahn and co’s study suggest that dairy products, wheat and eggs define North American cuisine while East Asian food is dominated by plant derivatives such as soy sauce, sesame oil, rice and ginger.

Ahn and co conclude by discussing what their network approach can say about way recipes have evolved. They imagine a kind of fitness landscape in which ingredients survive according to their nutritional value, availability, flavour and so on. For example, good antibacterial properties may make some spices ‘fitter’ than others and so more successful in this landscape.

Others have also looked at food in this way but Ahn and co bring a bigger data set and the sharper insight it provides. They say their data contradicts some earlier results and that this suggests that better data is needed all round to get a clearer picture of the landscape in recipe evolution.

Given the number of ingredients we seem to eat, the total number of possible recipes is some 10^15 but the number humans actually prepare and eat is a mere 10^6. So an important question is whether there are any quantifiable principles behind our choice of ingredient combinations.

Another intriguing possibility is that this kind of evolutionary approach will reveal more not just about food, but also about the behaviour of the individuals that created it.

Food pairing seems to be one principle operating in some parts of the world. How far antipairing can take us has yet be seen, although customers to the Blumenthal’s restaurant, The Fat Duck, may be among the first to find out.

It’s still early days in the science of food networks. There are surely exciting discoveries ahead.

Ref: arxiv.org/abs/1111.6074: Flavor Network And The Principles Of Food Pairing

TRSF: Read the Best New Science Fiction inspired by today’s emerging technologies.

Comparando os dois experimentos do OPERA sobre neutrinos superluminais

OK, OK, sei que é feio o simples cut and paste (o SEMCIÊNCIA ganhou o prêmio Tartaruga no II EWCLiPo por causa disso) mas preciso registrar aqui o ótimo post do Matt Strassler sobre os experimentos do OPERA, para futuras referências.

Of Particular Significance

Conversations About Science with Theoretical Physicist Matt Strassler

Skip to content

OPERA: Comparing the Two Versions

Matt Strassler 11/19/11Ok, here’s the latest, as I currently understand it, on the OPERA experiment’s measurement that suggests (if it is correct in all respects) that neutrinos might be traveling faster than the speed of light, which in the standard version of Einstein’s theory of special relativity should be the ultimate speed limit that no particles can exceed.

Warning: For the moment not all numbers are double-checked, and there might, in places, be a number that’s off by as much as a factor of 10. But there should be no major errors. Also, I’m going to be restructuring the website a little bit and will add more cross-links between this article and the various OPERA articles and posts that I’ve put up. Apologies if there’s a bit of construction going on while you’re here. Read more [+]

Lula, o SUS e SiCKO

Para conhecer o sistema de saúde americano, assista SiCKO.

PS: Precisei certa vez, durante meses, de remédios que custavam R$ 600 a caixa, e o SUS me forneceu. Então acho que pelo menos essa parte dos remédios para a população funciona razoavelmente bem.

Cut and paste total, via o Facebook da Maria Guimarães (pois eu não conhecia este blog).

PURPLESOFA

 

 

 

 

It can always get worse.

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

by Nina Crintzs

Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

Estudos americanos

27/10/2011

Agência FAPESP – Transformações no Estado e na sociedade no contexto do regime militar brasileiro, ainda que sem essa intenção, permitiram que um grupo de médicos com o objetivo de implantar um sistema universal de assistência médica pública, nacional e descentralizada, viesse a alcançar sua meta por meio de graduais transformações, consolidadas formalmente pela Constituição de 1988.

Este é, em síntese, o conteúdo do trabalho apresentado no dia 25 de outubro na FAPESP Week, em Washington, por Tulia Faletti, professora da Universidade da Pensilvânia, intitulado “Assistência Médica Universal e Participação Comunitária no Brasil”. Read more [+]

Clube de Leitores de Ficção Científica convoca escritores

Postado por Toda Letra | Publicado em 24 de outubro de 2011

“Há um mercado grande lá fora ávido por consumir fantasia que tenha um diferencial que o folclore nacional pode dar”, afirma o jornalista e escritor Clinton Davisson.

Desde os tempos de José de Anchieta, no século XV, as lendas e mitologias do Brasil vêm despertando curiosidade e interesse. Seres como o curupira, o saci, o Boi-Tatá, o Capelobo, a cobra grande e muitos outros parecem ter inspirações das mais diversas.

Segundo os organizadores, embora o trabalho de Monteiro Lobato em sua série, O Sítio do Pica-pau Amarelo, tenha contribuído para preservar e divulgar essa mitologia brasileira, a exploração desses mitos por outros autores e gêneros, como o terror, ainda é tímida no Brasil, se compararmos ao grande volume de histórias que americanos, europeus e asiáticos fazem de suas próprias lendas e mitologias.

Assim, partindo do pressuposto de que a função de um Clube de Leitores é abrir espaço para inovações literárias e formar novos leitores, estão abertas as inscrições para a Coletânea Brasil Fantástico em parceria com a Editora Draco. A comissão organizadora será formada por Clinton Davisson, Daniel Borba, Hugo Vera e Romeu Martins.

Segundo o jornalista e escritor Clinton Davisson, a ideia surgiu porque ele está há três anos escrevendo um livro de terror baseado em mitologias brasileiras. “Acho que existe um campo muito grande e pouco explorado nessa área. Saci, curupira e a cuca sempre foram histórias para assustar, mas a popularização do Sítio do Pica-pau Amarelo, principalmente através da TV, transformou, criou uma visão infantil sobre essas criaturas. Não é culpa de Monteiro Lobato, que é, talvez, o maior escritor brasileiro de todos os tempos. Mas ele escolheu uma linha que fez sucesso. Existem outras que podem ser exploradas”, explica.

Davisson explica que normalmente um autor brasileiro de fantasia gosta de falar de mitologia nórdica e escreve livros que se passam na Inglaterra. “Não estou dizendo que o autor de fantasia brasileiro é obrigado a escrever sobre curupira, na arte não pode haver limites. Só estou dizendo que há um mercado grande lá fora ávido por consumir fantasia que tenha um diferencial que o folclore nacional pode dar. E é para esse mercado que estamos querendo apontar. Em 2013, nossa intenção é lançar essa coletânea em inglês por uma editora norte-americana. É um caminho longo até lá, mas estamos empenhados nisso”, encerra.

O concurso

Os interessados em se inscrever devem mandar seus contos para [email protected] com cópia de segurança para [email protected] A submissão deve ser mandada somente em versão eletrônica, formato rich textfile (.RTF).

Os participantes devem se inscrever com pseudônimo para manter a imparcialidade do julgamento.

O prazo máximo é 31 de março de 2012.

Limites das submissões entre 4.000 e 10.000 palavras.

Os contos terão que se passar no Brasil em qualquer época ou talvez em alguma colônia espacial habitada por brasileiros, ou mesmo em algum lugar que tenha uma referência mínima de nossa pátria amada (Portugal é bem aceitável); terá que conter algum elemento ou elementos da mitologia nacional e, claro, algum elemento de fantasia e/ou ficção científica e/ou terror. Mitologias que não são de origem nacional, mas tiveram repercussão notável no Brasil como A Loura do Banheiro, o Chupa-cabras ou a Cuca, serão consideradas.

Por que os cientistas blogam? (I)

Social Media For Scientists: Win-Win October 15, 2011

Posted by Dr. Bertalan Meskó in scienceWeb 2.0.
trackback

I gladly realized I was mentioned in the blog of the Scientific American in an article they wrote about how scientists use social media for facilitating communication, collaboration and research itself.

But even more importantly, a percentage of those online interactions will blossom into more. I know firsthand that this can occur – one of my collaborators on my PhD first met me through blogging. Others have shared similar stories. Bertalan Mesko ofScienceroll.com feels that “blogging and Twitter don’t just help me in my research but totally changed the way I interact with other researchers and collaborators.” Similarly, for John Fossella, who blogs at Genes to Brains to Mind to Me, social networking has expanded his scientific network. “Instead of getting feedback from the same handful of folks I regularly see in the lab, I’m getting comments and new ideas from folks who I used to work with 5, 10 and even 20 years ago, not to mention new folks who I’ve struck up online interactions with.”

Encontro de Divulgação Científica e Ficção Científica

Estava pensando em pedir um apoio ao MCT para um encontro entre divulgadores de ciência e escritores de ficção cientifica, tipo um DV&FC: simbioses e mutualismos na interface ciência-arte. Alguém estaria interessado em escrever e propor o pedido junto comigo? Acho que o melhor local seria aqui mesmo em Ribeirão, dado que logo teremos uma biblioteca de pesquisa em FC aqui.

FCdoB – Ficção Científica Brasileira

Por

editorial

em 25/11/2009Tags: 

FCdoB – Ficção Científica Brasileira

Uma experiência mal sucedida liberta uma criatura do futuro. Seria possível viajar para o Além e voltar de lá? Uma nanopraga pode transformar toda a humanidade? Qual seria o impacto sobre nossas vidas se o Sol repentinamente esfriasse? Transferência de memórias versus invasores FCdoBextraterrestres numa atmosfera surrealista. Seria a realidade apenas um sofisticado software? A engenharia cibernética determinará nosso destino? Como seria conviver com seres de outra dimensão? Sagas distópicas amazônicas, guerras genéticas em guetos radioativos, viajantes do tempo-espaço, traficantes de implantes, vermes telepatas gigantes, hecatombes nucleares, clonagem, simbiontes, criaturas bíblicas congeladas, alegorias sobre a extinção final e o paraíso virtual, quando a ciência das supercordas esbarra com o divino…

O FC do B oferece estas e outras inquietações na forma de 26 contos selecionados através de seu concurso literário. Uma amostra da melhor FC Brasileira da atualidade.

____________________________ Read more [+]

Por que os blogueiros de ciência não são chiques?

Enviado por uma amiga (chique, suave, firme e linda!!!), acho que para me dizer que eu devia ser mais discreto com relação a ela e que o SEMCIÊNCIA é muito cético pro gosto dela! ai…ai…

SER  CHIQUE  SEMPRE
GLÓRIA KALIL

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma  pessoa chique, não é o que essa pessoa tem,  mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio. Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É “desligar o radar” quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia. Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Mas  para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de  se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz! 

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas amor e fé nos tornam humanos!

Em que nível está a argumentação do seu blog?

From BoraZ:

Chineses e hispânicos compartilham igreja a contragosto em Nova York

janeiro 12th, 2011 at 8:53


» by O Bruxo in: Religião

Via G1

A Igreja Metodista Unida, no bairro de Sunset Park, no Brooklyn, é tudo, menos unida.
Dois pastores pregam do mesmo púlpito e moram na mesma residência paroquial, mas mal se falam e criticam abertamente a abordagem da fé um do outro. Na ala social da igreja, dois grupos espiam um ao outro, desconfiados – um termina a refeição de arroz com feijão, enquanto o outro prepara frango asiático.
Duas congregações bem diferentes dividem o mesmo prédio: um pequeno edifício com cerca de 30 pessoas que falam espanhol e rezam aqui há décadas e uma multidão novata de mais de mil imigrantes chineses que aumenta toda semana – a congregação metodista que mais cresce em Nova York.

Os latinos dizem se sentir oprimidos e sob ameaça, enquanto os chineses, que são os locadores, afirmam se sentir reprimidos e subestimados. Mediadores foram enviados, mas com pouco sucesso. Na temporada de final de ano, houve até duas árvores de Natal.

“Este pastor é muito grosso conosco”, disse o reverendo Zhaodeng Peng, que lidera a congregação chinesa com a esposa.

O reverendo Hector Laporta, líder da igreja latina, respondeu: “Ele realmente tem um problema com a raiva.”

Esse impasse reflete um cabo de guerra que ocorre há várias gerações em Nova York, onde grupos de imigrantes -alguns estabelecidos, outros recém-chegados- se acotovelam em calçadas lotadas e em moradias apertadas, disputando espaço, casa e emprego.

Agora, essa luta está chegando até os silenciosos santuários das igrejas, à medida que congregações com restrições financeiras -especialmente aquelas de denominações mais populares, como as metodistas- encontram solução no compartilhamento do espaço. No Queens, uma igreja metodista dividida entre congregações latino-americanas e caribenhas acaba de dar espaço a uma pequena congregação paquistanesa.

Como colegas de quarto de qualquer lugar do mundo, os grupos metodistas que dividem o espaço entram em conflito quanto a banheiros sujos, música alta e luzes acesas, disse o reverendo Kenny Yi, coordenador do distrito da congregação que tentou intermediar a disputa em Sunset Park.

A igreja, construída há mais de um século por imigrantes noruegueses, oferece muita oportunidade para tensões. Há a barreira do idioma: poucos chineses falam inglês, e menos ainda falam espanhol. O espaço é apertado e precisa de reparos, e cada grupo tem uma missão diferente.

Laporta, de 55 anos, vem de uma tradição religiosa de ação social. Ele participar de reuniões para o controle do aluguel e pede a reforma da imigração em seus sermos. Laporta diz que Peng ignora o problema dos imigrantes ilegais em sua congregação. Peng, de 48 anos, foca mais nos livros sagrados. “As pessoas precisam da palavra de Deus”, ele disse.
Peng argumenta que Laporta deixa seus membros com fome espiritual. “Se a congregação precisa aprender política, pode ler o jornal”, disse Peng. “É por isso que a congregação não cresce.”

No meio estão Yi e outros membros da metodista, que devem decidir se mantêm a situação atual, intranquila, ou levam a congregação latina para outro local e dão o prédio a Peng e sua esposa e co-pastora, a reverenda Qibi She.
“Estamos apelando para Deus, para ver em que direção Ele aponta as duas congregações”, disse Yi. “Descobriremos mais cedo ou mais tarde.”

Enquanto isso, altos membros da metodista vêm tentando interferir no processo. Em 2009, Yi trouxe um mediador de fora, Kenneth J. Guest, professor de antropologia da Baruch College que estuda a religião em Chinatown, Nova York.
Guest ajudou a intermediar um contrato que estabelecia regras básicas: a igreja dos latinos teria uso exclusivo do hall social aos domingos das 12h30 às 14h. A congregação chinesa usaria o local das 14h às 19h. Nenhum dos grupos interromperia os sermos do outro.

Não funcionou. Recentemente, Laporta pegou o contrato e apontou para cada compromisso que, segundo ele, os chineses tinham violado. Eram muitos. “Eles não seguem nenhuma regra”, disse Laporta, com a voz cheia de resignação.
Peng contou que a igreja atraía tantos novos chineses que muitas pessoas não sabiam das regras. A vizinhança do lado de fora, um dos bairros mais vibrantes da cidade, de alguma forma reflete a divisão da igreja. Uma rua abriga barraquinhas de taco, bodegas equatorianas e igrejas mexicanas -enquanto na parte de cima vemos mercados de peixe e lojas de remédios de ginseng formando Chinatown.

Nos últimos anos, as empresas chinesas têm se expandido, chegando até o local da igreja. A população chinesa da área cresceu de 24 mil, no ano 2000, para 31 mil em 2009, de acordo com dados do censo.

“Eles estão por toda parte”, disse Laporta, nascido no Peru. “O que acontece aqui é o mesmo que acontece lá fora.”  A congregação latina está no prédio há cerca de 30 anos, mas diminuiu bastante passou de 60 membros para pouco menos da metade. Há seis anos a congregação começou a alugar o local para o grupo chinês.

A igreja chinesa paga a Laporta cerca de US$ 50 mil em aluguel, mais do dobro do que a congregação hispânica tem conseguido arrecadar por sua própria conta. Peng disse que pagaria mais de bom grado, e ajudaria a consertar a igreja desgastada, se pudesse expandir para o porão.

“Eles têm um prédio enorme, mas poucas pessoas”, disse Peng. “Temos as pessoas, mas não o prédio.” Read more [+]

Retiro o que disse sobre o pai de Mayara

Num post anterior comentei que as opiniões racistas, classistas e xenofóbicas de Mayara poderiam estar refletindo as opiniões da família dela. Bom, retiro o que disse.

‘Se ela escreveu aquilo, vai ter que pagar’, diz pai de estudante acusada de racismo

“A gente acha que os tempos são modernos, mas ainda é como Roma. O pessoal mata e depois aplaude”, diz à Folha Antonino Petruso, pai da estudante Mayara Petruso, 21, investigada pelo Ministério Público Federal de São Paulo por suposto crime de racismo após mensagens anti-nordestinos postadas no Twitter.

No domingo, após Dilma Rousseff (PT) ser anunciada vencedora das eleições, Mayara publicou no Twitter um pedido: que matassem os nordestinos afogados.

Como vários usuários de redes sociais, a universitária responsabilizava o Nordeste pela vitória –que, na verdade, teria acontecido mesmo sem os votos da região.

Polícia de SP abre inquérito para investigar suposto crime de racismo

Dono do Supermercado do Papai, em Bragança Paulista (interior de São Paulo), onde mora, Antonino diz não ter um bom relacionamento com Mayara. Tampouco se dão bem, segundo Antonino, a estudante e as três irmãs dela.

A garota é fruto de um relacionamento extraconjugal dele.

Ele afirma que vai repensar se continua com os depósitos bancários mensais na conta da filha. A ajuda financeira, explicou, era voluntária, pois ela já é maior de idade.

“Tenho raiva de quem faz preconceito, seja amarelo, branco, azul, pobre, rico. Se ela realmente escreveu aquilo, vai ter que pagar.”

Comentários como Peer Review

Uma das coisas que nos debatemos na blogosfera científica é sobre como validar o conhecimento (ou as opiniões) expresso nos blogs científicos. Afinal, não basta se auto-intitular científico para que isso seja verdade, e blog, como papel, aceita tudo.

Vários mecanismos têm sido propostos: o aval de condomínios e portais como o Science Blogs Brasil, o Anel de Blogs Científicos e o HAAAN, o Research Blogging, os prêmios de popularidade (Top Blogs) e votados por pares (Prêmio ABC), a reputação obtida pelo blogueiro ao longo do tempo.

Entretanto, talvez tenhamos esquecido uma fonte de autoridade singular aos blogs: a janela de comentários. Basta que entendamos os comentários como indissociáveis dos posts, como um peer review (anônimo ou não). Isso é especialmente válido no caso dos blogs de ciência dado que a maior parte dos comentaristas são outros blogueiros de ciência ou pares.

Por exemplo, considere o post anterior. Ele foi amplamente criticado pelo Karl do Ecce Medicus (eu não sei se isso seria um review anônimo dado que Karl é um pseudônimo). Mas o importante é que, se eu falo besteira, sempre aparece alguém para contestar (revisar).

É claro que o autor do post tem direito à réplica, e isso pode dar lugar a uma replica do revisor (comentarista) e uma tréplica etc, até onde o nosso nível de teimosia trollística levar.

Eu me orgulho de que, desde a fundação do SEMCIÊNCIA em maio de 2006, eu nunca precisei bloquear nenhum comentário, apenas os spans. Parece que meus leitores são muito respeitosos.

Existe porém uma diferença no processo: no caso de peer review, como o parecer do revisor pode ser decisivo para a aceitação do paper, a tendência é você ser bastante cuidadoso e respeitoso na hora da réplica. OK, eu sei que às vezes ocorrem brigas homéricas nas revisões, eu sei que os revisores podem ser estúpidos e os autores podem ser irônicos, dizer “acredito que o revisor não entendeu (leu) o paper” e daí para cima.

Bom, a comparação com o peer review pode ser interessante para fornecer uma ética prática para os comentários e as réplicas. O comentarista, como revisor, deve tecer suas considerações com argumentação lógica e bem fundada, em vez de explosões emocionais. Por outro lado, a réplica deveria ser respeitosa também, evitando a ironia e o desprezo pelo leitor-parecerista.

Eu não sei se respeito sempre essas regras. Eu gosto de questionar incisivamente falhas de argumentação e falácias dos posts dos meus amigos blogueiros. Eles ficam chateados comigo por que pensam que é algo pessoal (claro que não é!) e esquecem que eu apenas estou agindo como parecerista e revisor, como se fosse numa revista científica.

Por outro lado, talvez eu devesse ser mais gentil com meus comentaristas em vez de ficar fazendo o parecer do parecer deles. Acho que isso é uma falha minha.

Promessa de final de ano: tratar os comentaristas como eu gostaria de ser tratado (a regra de ouro dos blogs!) e respeitosamente fazer a réplica como se eles fossem revisores das revistas onde publico (sim, eles são o equivalente a isso!).

PS: A resposta ao Karl deveria ser mais suave e gentil do que foi, mas acho que fiz isso por que a discussão é opinativa, não envolve fatos mais objetivos. Por outro lado, tive que dar o braço a torcer no puxão de orelha que a Baleia Literal me fêz, ao relembrar que a ficção imaginária, mesmo se recheada de chavões new age, tem dimensões educativas e filosóficas. Eu devia saber disso, afinal eu sempre achei burrice alguns amigos meus não gostarem de histórias bíblicas, de literatura de fantasia e de ficção científica por serem “ficções imaginárias sem correspondente na realidade”. Que pobreza mental!

O Tea Party Brasileiro

Do BLOG DO ROVAI (Update devido ao Karl: Renato Rovai é editor da revista Fórum outro mundo em debate.):

A estudante de Direito Mayara Petruso atendendo ao chamado da campanha tucana que transformou a campanha numa guerra entre gente limpinha e a massa fedida, principalmente a que reside no Nordeste e vive do Bolsa Família, escreveu as mensagens reproduzidas acima na noite de domingo, logo após o anúncio da vitória de Dilma Roussef.

A estudante é uma típica paulistana de classe média alta. Um tipo que não gosta de estudar, adora consumir e que considera nordestino um ser inferior. Nada mais comum em almoços de domingo nos ambientes dessa elite branca paulistana do que ouvir gente falando coisas semelhantes ao que escreveu Mayara Petruso na sua conta no tuiter. Na cabeça da menina, ela não deve ter falado nada demais. Afinal, é isso que deve ouvir desde criança entre familiares e amigos.

Fui ao orkut de Mayara para checar minhas desconfianças. E confirmei tudo que imaginava. Ela deve morar na região Oeste de São Paulo, onde vive este blogueiro há muito tempo e onde este preconceito é ainda mais latente do que em outras bandas da cidade. Digo isto porque uma de suas comunidades é a do “Parque Villa Lobos”. Se morasse na Mooca provavelmente nem se lembraria de tal parque. Se vivesse nos Jardins, citaria o do Ibirapuera.

Mas há outras comunidades que revelam mais profundamente a alma da “artista” que escreveu o post mais famoso do pós-campanha. Um post que levou o debate sobre a questão do preconceito ao Nordeste ao TT mundial no tuiter.

A elas: “Perfume Hugo Boss, Eu acho sexy homens de terno, Rede Globo, CQC, MTV, Magoar te dá Tesão? e FMU Oficial”.

Não vou comentar suas comunidades “Eu acho sexy homens de terno” e nem “Magoar te dá tesão?” por considerar tais opções muito particulares. Mas em relação ao fato da moça estudar na FMU, a Faculdade Metropolitanas Unidas, queria fazer algumas considerações. Nada contra a instituição ou aos que nela estudam, mas pela situação social da garota, ela deve ter estudado em escola particular a vida inteira e se fosse um pouco mais esforçada teria entrado numa faculdade onde a relação candidato/vaga é um pouco mais dura.

Ou seja, como boa parte dessa classe média alta paulistana, Mayara é arrogante, mas não se garante. Muita garota da periferia, sem as mesmas condições econômicas que ela deve ter conseguido vôos mais altos, deve já ter obtido mais conquistas do que a de poder consumir o que bem entende por conta da boa situação financeira da família.

Ontem, Mayara pediu desculpas pelo “erro”. Disse que afinal de contas “errar é humano” e que “era algo pra atingir outro foco” e que “não tem problema com essas pessoas”. Não desceu do salto alto nem pra se penitenciar. Preferiu fazer de conta que era uma coisa menor, ao invés de pedir perdão, afirmar que era um erro injustificável e que entendia toda a revolta que seu post produzira.

“MINHAS SINCERAS DESCULPAS AO POST COLOCADO NO AR, O QUE ERA ALGO PRA ATINGIR OUTRO FOCO, ACABOU SAINDO FORA DE CONTROLE. NÃO TENHO PROBLEMAS COM ESSAS PESSOAS, PELO CONTRARIO, ERRAR É HUMANO, DESCULPA MAIS UMA VEZ.”

Ela foi criada para isso. Para dispensar esse tipo de tratamento a nordestinos e pobres e por isso a dificuldade de ser mais humilde. É difícil para esse grupo social entender que preconceito é crime por ensejar um tipo de xenofobia que coloca quem o pratica no mesmo patamar de um tipo como Hitler. Ela odeia nordestinos. Ele odiava judeus. A diferença é que ela não pode afogar de fato aqueles que vivem na parte de cima do mapa. Já o alemão pôde fazer o que bem entendia com aqueles que julgava ser um estorvo na sociedade que governava.

Mas Mayara é o produto de um tipo de discurso. Ela não merece ser responsabilizada sozinha por isso. Talvez seja o caso de alguma entidade vinculada à cultura nordestina mover um processo contra a estudante. Menos pra tirar dinheiro ou coisa do gênero, mais para utilizar o caso como exemplo. E fazer com que ela atue em espaços vinculados à cultura da região para aprender a ter mais respeito com a história e com o povo dessa parte do Brasil.

Os verdadeiros culpados são outros. São aqueles que com seus discursos preconceituosos têm alimentado esse separatismo brasileiro. E em boa medida isso se dá pela nossa “linda e bela” mídia comercial e mesmo pela manifestação de um certo setor da política que sempre que pode busca justificar a vitória da aliança liderada pelo PT como produto do “dinheiro dado a essa gente ignara e preguiçosa que vive no Nordeste a partir do Bolsa Família”. Ou Bolsa 171, nas palavras de Mayara.

Mas esse comportamente também é produto de um tipo de preconceito velhaco que nunca foi combatido de forma educativa e que é alimentado diariamente nos ambientes familiares dessa elite branca. Cláudio Lembo sabia do que estava falando quando usou essa expressão. Ou começamos a discutir esse preconceito com seriedade, tentando combatê-lo com leis claras, educação e cultura ou corremos o risco de mesmo avançando em aspectos econômicos, retroceder do ponto de vista de outras conquistas democráticas.

Afinal, ainda há quem ache que pregar a morte daqueles que pensam diferente é apenas um problema de foco.

Atualizando: A Juliana Freitas me envia um vídeo feito por ela que demonstra como Mayara é muitos. É um vídeo triste, mas merece ser visto.