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E Se? Usando Ficção Científica e Fantasia para ensinar Física

The New York Times

E se?

Livro ensina física por meio do absurdo

KENNETH CHANG
DO “NEW YORK TIMES”

Cinco anos atrás, quando estava dando uma palestra sobre física a estudantes do Ensino Médio no Massachusetts Institute of Technology, Randall Munroe percebeu que a plateia não estava muito interessada.

Ele estava tentando explicar o que são energia potencial e potência -conceitos que não são complexos, mas difíceis de entender.

Assim, no meio da palestra de três horas, Munroe, mais conhecido por ser o criador da HQ on-line xkcd, resolveu apelar para “Star Wars”.

“Pensei na cena de ‘O Império Contra-ataca’ em que Yoda tira a asa-X do pântano”, comentou.

“A ideia me ocorreu quando eu estava dando a aula.”

No lugar de definições abstratas (um objeto erguido ganha energia potencial porque vai se acelerar quando cair; a potência é o índice de mudança na energia), Munroe fez uma pergunta: quanta energia da Força seria Yoda capaz de produzir?

“Fiz uma versão aproximada do cálculo ali mesmo, na sala de aula, procurando as dimensões da nave na internet e medindo as coisas na cena no projetor, diante dos alunos”, contou. “Todos começaram a prestar atenção.”

Para a maioria das pessoas, a física não é interessante por si só. “As ferramentas só são divertidas quando a coisa com a qual você as utiliza é interessante.”

Os alunos começaram a fazer outras perguntas. “E o final de ‘O Senhor dos Anéis’, quando o olho de Sauron explode, quanta energia há nisso?”

A experiência inspirou Munroe a começar a pedir perguntas semelhantes dos leitores do xkcd.

Ele reuniu esse trabalho, incluindo uma versão dos cálculos que fez sobre Yoda e outros materiais novos, no livro “E se?”, lançado em setembro e que desde então está na lista dos livros de não ficção mais vendidos.

Como afirma sua capa, “E se?” é repleto de “respostas científicas sérias a perguntas hipotéticas absurdas”.

“O livro exercita a imaginação do leitor, e o humor espirituoso de Munroe é encantador”, comentou William Sanford Nye, mais conhecido como “Billy Nye, the Science Guy”. “Ele cria cenários que, por falta de um termo melhor, precisamos descrever como absurdos, mas que são muito instrutivos.”

O que aconteceria se você tentasse rebater uma bola de beisebol lançada a 90% da velocidade da luz? “A resposta é ‘muitas coisas’, e todas acontecem muito rapidamente. Não termina bem para o batedor (nem para o lançador).”

Se todo o mundo mirasse a Lua ao mesmo tempo com um ponteiro de laser, a Lua mudaria de cor? “Não se usássemos ponteiros de laser normais.”

Por quanto tempo um submarino nuclear poderia permanecer em órbita? “O submarino ficaria ótimo, mas seus tripulantes teriam problemas.”

As explicações são acompanhadas pelos mesmos desenhos e o mesmo humor nerd que garantiram a popularidade do xkcd. (O que significa xkcd? “É simplesmente uma palavra para a qual não existe pronúncia fonética”, explica o site do seriado on-line.)

Na época em que era estudante de física na Universidade Christopher Newport, na Virginia, Munroe começou a trabalhar como técnico independente em um projeto de robótica no Centro Langley de Pesquisas, da Nasa, e continuou depois de se formar.

Foi nessa época que ele começou a scanear seus desenhos rabiscados e colocá-los na web.

O contrato com a Nasa terminou em 2006, por decisão mútua das duas partes.

Munroe tornou-se cartunista em tempo integral e se mudou para a região de Boston porque, explicou, queria viver numa cidade maior, com mais coisas de geek para fazer. Em 2012 ele incluiu a parte de “E se?” no site.

Hoje ele recebe milhares de perguntas por semana. Muitas são evidentemente de estudantes à procura de ajuda com sua lição de casa. Outras podem ser respondidas com uma só palavra: “Não”.

“Uma das perguntas que recebi foi: ‘Existe algum equipamento comercial de mergulho que permita a sobrevivência debaixo de lava incandescente?'”, Munroe contou. “Não. Não existe.”

Munroe também gostava de fazer perguntas quando era criança. Na introdução do livro, ele conta que se perguntava se havia mais coisas duras ou moles no mundo. Essa conversa causou impressão tão forte à sua mãe que ela a anotou e guardou.

“Dizem que não existem perguntas estúpidas”, escreve Munroe, 30. “Isso não é verdade, obviamente. Acho que minha pergunta sobre as coisas duras e moles foi bastante estúpida. Mas tentar responder uma pergunta estúpida de modo completo pode levar você a alguns lugares muito interessantes.”

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

Linguagens esfriam enquanto expandem…

 

 Languages cool as they expand: Allometric scaling and the decreasing need for new words

 

Alexander M. PetersenJoel N. TenenbaumShlomo HavlinH. Eugene StanleyMatjaz Perc
(Submitted on 11 Dec 2012)

We analyze the occurrence frequencies of over 15 million words recorded in millions of books published during the past two centuries in seven different languages. For all languages and chronological subsets of the data we confirm that two scaling regimes characterize the word frequency distributions, with only the more common words obeying the classic Zipf law. Using corpora of unprecedented size, we test the allometric scaling relation between the corpus size and the vocabulary size of growing languages to demonstrate a decreasing marginal need for new words, a feature that is likely related to the underlying correlations between words. We calculate the annual growth fluctuations of word use which has a decreasing trend as the corpus size increases, indicating a slowdown in linguistic evolution following language expansion. This “cooling pattern” forms the basis of a third statistical regularity, which unlike the Zipf and the Heaps law, is dynamical in nature.

Comments: 9 two-column pages, 7 figures; accepted for publication in Scientific Reports
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech); Computation and Language (cs.CL); Applications (stat.AP)
Journal reference: Sci. Rep. 2 (2012) 943
DOI: 10.1038/srep00943
Cite as: arXiv:1212.2616 [physics.soc-ph]
(or arXiv:1212.2616v1 [physics.soc-ph] for this version)

Submission history

Amit Goswami realmente existe!

Em minha palestra Ciência e Religião: Quatro Perspectivas, dada no IEA-RP, chamei de pseudocientífica toda crença que  afirma que possui evidências científicas a seu favor quando esse não é exatamente o caso. O melhor que uma opinião filosófica, ideológica ou religiosa deve afirmar é que ela é “compatível com” e não “derivada do” conhecimento científico. Essa também é a posição de Freeman Dyson.

Durante a palestra, fiz uma crítica a Amit Goswami que se revelou mais tarde bastante errada, e devo aqui registrar um “erramos” ou mea culpa.  Pelo fato de que Goswami não tem uma página na Wikipedia inglesa (mas apenas na Portuguesa) e devido a ter feito uma busca na Web of Science que não revelou nenhum artigo de física desse autor, fiz a inferência apressada de que talvez Amit Goswami fosse um pseudônimo de uma personagem menor (assim como Acharya S. é o pseudônimo de Dorothy M. Murdock, a propagadora da teoria da conspiração do Cristo Mítico).

Creio que os editores da Wikipedia foram demasiado rigorosos com Goswami. Afinal, embora ele seja um físico não notável, com índice de Hirsch igual a sete, ele pelo menos tem um PhD e é autor de um livro-texto sério de Física Quântica.  Sua migração para a New Age, seguindo os passos de Fritjof Capra, longe de ser um demérito, pode refletir grande inteligência social e financeira (ironia aqui!).  Assim, se deletaram Goswami da Wikipedia, deveriam deletar Acharya S. também, por coerência!

Wikipedia:Articles for deletion/Amit Goswami

From Wikipedia, the free encyclopedia
The following discussion is an archived debate of the proposed deletion of the article below. Please do not modify it. Subsequent comments should be made on the appropriate discussion page (such as the article’s talk page or in a deletion review). No further edits should be made to this page.

The result was delete. Guillaume2303’s research indicates that the early “keep” opinions likely apply to another, more notable person of the same name, which means that they are not taken into consideration here. The “keep” opinions by Jleibowitz101 and 159.245.32.2 are also not taken into account as they are not based on our inclusion rules and practices.  Sandstein  06:25, 11 April 2012 (UTC)

Amit Goswami

Amit Goswami (edit|talk|history|links|watch|logs) – (View log)
(Find sources: “Amit Goswami” – news · books · scholar · JSTOR · free images)

I’m just not convinced this article really demonstrates notability. He played a small role in a couple films, he wrote books outside his field for very minor publishers, and… er, that’s about it. I’m just not buying it, and the lack of good WP:RS – this has major primary sourcing issues – is another mark against it. Perhaps something can be salvaged, but I’m not convinced the case has been made. ETA: Guillaume2303’s point (below) that there are multiple people of this name, and this article appears to be on the much less notable one is rather significant. 86.** IP (talk) 21:07, 3 April 2012 (UTC) Read more [+]

Historiadores da Ciência rejeitam a tese de conflito entre Ciência e Religião

Mais material para o meu livro sobre Ateísmo 3.0

Conflict thesis

From Wikipedia, the free encyclopedia
For a socio-historical theory with a similar name, see Conflict theory.

Conflict: Galileo before the Holy Office, byJoseph-Nicolas Robert-Fleury, a 19th century depiction of the Galileo Affair, religion suppressing heliocentric science.

The conflict thesis is the proposition that there is an intrinsic intellectual conflict between religion and science and that the relationship between religion and science inevitably leads to public hostility. The thesis, refined beyond its most simplistic original forms, remains generally popular. However, historians of science no longer support it.[1][2][3][4]

Contents

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Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

O melhor livro de divulgação científica que encontrei em quarenta anos de leituras

Depois escrevo minha resenha…

A REALIDADE OCULTA – Universos paralelos e as leis profundas do cosmo
Brian Greene
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Meio século atrás, os cientistas encaravam com ironia a possibilidade de existirem outros universos além deste que habitamos. Tal hipótese não passava de um delírio digno de Alice no País das Maravilhas – e que, de todo modo, jamais poderia ser comprovada experimentalmente. Os desafios propostos pela Teoria da Relatividade e pela física quântica para o entendimento de nosso próprio universo já eram suficientemente complexos para ocupar gerações e gerações de pesquisadores. Entretanto, diversos estudos independentes entre si, conduzidos por cientistas respeitados em suas áreas de atuação – teoria das cordas, eletrodinâmica quântica, teoria da informação -, começaram a convergir para o mesmo ponto: a existência de universos paralelos – o multiverso – não só é provável como passou a ser a explicação mais plausível para diversos enigmas cosmológicos.
Em A realidade oculta, Brian Greene – um dos maiores especialistas mundiais em cosmologia e física de partículas – expõe o fantástico desenvolvimento da física do multiverso ao longo das últimas décadas. O autor de O universo elegante passa em revista as diferentes teorias sobre os universos paralelos a partir dos fundamentos da relatividade e da mecânica quântica. Por meio de uma linguagem acessível e valendo-se de numerosas figuras explicativas, Greene orienta o leitor pelos labirintos da realidade mais profunda da matéria e do pensamento.

“Se extraterrestres aparecessem amanhã e pedissem para conhecer as capacidades da mente humana, não poderíamos fazer nada melhor que lhes oferecer um exemplar deste livro.” – Timothy Ferris, New York Times Book Review

Vida Longa e Próspera ao CLFC

Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil entrega o Prêmio Argos de Literatura Fantástica

Postado em 28 de setembro de 2012 por Clinton Davisson

Flávio Medeiros Jr – Melhor conto e Gerson Lodi-Ribeiro, Melhor Romance e prêmio especial pelo conjunto da obra, foram os grandes vencedores na noite!

Por jornalismo CLFC

O retorno do Prêmio Argos de Literatura Fantástica foi considerado um dos pontos altos do VI Fantasticon – Simpósio de Literatura Fantástica. A cerimônia aconteceu no domingo, dia 23, às 13h, no auditório da Biblioteca Viriato Corrêa, em Vila Mariana, SP. O prêmio Argos 2012 é feito por votação direta dos sócios do Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil e visa eleger os melhores romances e contos do gênero fantástico (ficção científica, fantasia e terror) publicados em língua portuguesa no ano de 2011.

O escritor Gerson Lodi-Ribeiro foi o vencedor da principal categoria, Melhor Romance, com o livro A Guardiã da Memória.  Gerson também recebeu um prêmio especial pelo conjunto da obra e pelas contribuições à ficção científica nacional, dentre as quais, a própria criação do Argos no final do século passado.

Os outros indicados na categoria Romance, ou História Longa, foram: Eduardo Spohr com Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida; Flávio Carneiro com A Ilha; Luiz Bras com Sonho, Sombras e Super-heróis e Simone Saueressig com B9.

O médico mineiro, Flávio Medeiros Jr, levou o prêmio de melhor história curta com o conto O Pendão da Esperança, publicado na coletânea Space Opera. Os outros concorrentes eram: Alliah com Morgana Memphis Contra a Irmandade Gravibranâmica; Cirilo S. Lemos com O Auto do Extermínio; Clinton Davisson Fialho com A Esfera Dourada e Marcelo Jacinto Ribeiro  com Seu Momento de Glória. Os livros premiados foram publicados pela editora Draco.

A festa foi feita com muito humor e suspense com clara alusão ao prêmio Oscar norte-americano, com direito a um pequeno teatro de cosplayers que terminou com a entrada triunfal do presidente do CLFC, Clinton Davisson, que foi o apresentador da cerimônia. De acordo com a tradutora Mary Farrah, que coordenou a apresentação teatral, o grupo de atores é composto por membros de diversos fãs clubes de Star Wars. “Combinamos com a diretoria do CLFC que essa apresentação se daria gratuitamente, em troca apenas de uma doação do Clube para a instituição Casa da Sopa de Nova Iguaçu. Graças aos sócios, algumas crianças carentes terão um cardápio mais diversificado durante, pelo menos, mais três meses”, falou.

O grande vencedor da noite, Gerson Lodi-Ribeiro, elogiou a festa e se disse emocionado tanto com as premiações que recebeu, quanto com as ações de caráter social que o CLFC vem adotando na nova gestão. “Ficção científica engajada, que serve não apenas para inspirar o futuro com que muitos de nós sonhamos, mas para cuidar e ajudar a consertar o presente. De arrepiar os pelos!”, afirmou.

O prêmio chegou a ser considerado o mais importante do gênero na virada do século quando teve quatro edições, 1999, 2000, 2001 e 2003. Segundo o presidente do Clube dos Leitores de Ficção Científica do Brasil – CLFC, Clinton Davisson, o retorno do Argos faz parte de um plano de metas que visa a retomada definitiva do Clube fundado em 1985 e que chegou a ser reconhecido pela Science Fiction and Fantasy Writers of America – SFWA como entidade representativa no Brasil. “Com o advento da internet, muitas das funções do CLFC foram perdendo a razão de ser. Quando assumi, em outubro do ano passado, a proposta era repensar a utilidade do Clube. Partimos primeiro para retomar tudo o que ele fazia antes, só que adaptado à nova realidade do século XXI; como o Somnium, o antigo fanzine em papel, que foi  adaptado ao formato pdf para ser distribuído on-line; a criação da Biblioteca Nacional de Ficção Científica que estava prevista no estatuto; a volta do site oficial e, agora, o retorno do Prêmio Argos de Literatura Fantástica. Além disso, estamos criando coisas novas, como parceria com editoras para conseguir descontos para os sócios, sorteio de ingressos de cinema e, principalmente, ações sociais voltadas ao incentivo à leitura para crianças, cursos para jovens escritores e a formação de novos leitores”, explica Clinton.

Crepúsculo, o fenômeno

Juliana e Mariana odeio a saga Crepúsculo.

25 de maio, dia do Orgulho Nerd

Enquanto o Álvaro do Pai Nerd não reclamar do Copyright (espero que ele seja nerd o suficiente para defender o Copyleft!), vou aqui fazendo cut and paste de seus posts mais interessantes…

TERÇA-FEIRA, 25 DE MAIO DE 2010

Guerra nas Estrelas e o Orgulho Nerd

25 de maio de 1977 começava a saga de Guerra nas Estrelas.

Cartaz da Estréia de Guerra nas Estrelas



Em 1977 a ficção científica estava dominada por filmes cabeça, ainda no rastro de 2001, Uma Odisseia no Espaço e aparentemente nada de novo ameaçava surgir nas telas do cinema. Um diretor desconhecido do grande público, George Lucas ousou inovar. Ele já havia feito o elogiado THX 1138, que quase ninguém vira, um distopia aos moldes de 1984. Essa experiência fez com que ele pensasse de outra forma: a maioria as pessoas não querem ir ao cinema para terem dores de cabeça ao serem confrontadas com visões funestas de futuro. Elas querem principalmente se divertir. 

THX 1138 – Excelente distopia

Entretanto não era uma simples diversão que ele buscou em Guerra nas Estrelas. Seu projeto foi longamente construído, até se transformar na saga de seis episódios que conhecemos hoje. Sua preensão era ser, como ele confessou em uma entrevista incluída na série The Power of the Mith, um forjador de uma nova mitologia. 

Fã da psicologia Junguiana e do trabalho de Joseph Campbell, Lucas buscou em mitos que vão desde mitos gregos e romanos, passando pela a saga arturiana, histgórias de samurais, batalhas da segunda guerra mundial e temperou com a ascensão e queda de vários impérios, começando pelo romano. E convidou Campbell para ser seu consultor. Aliás, Campbell é o entrevistado em The Power of The Mith, e o programa foi feito no rancho Skywalker

 I am your father

Guerra nas estrelas segue passo a passo a construção do Mito do Herói, descrito em por Campbell em O Herói de Mil FacesLuke é o herói típico, que tem um destino maior que ele mesmo, que às vezes o aceita às vezes nega. Obi-wan representa o velho ancião (o “mestre palpiteiro”); aForça, o eterno devir, ou Yn Yang, o Tao, “o bafo do Dragão”; Darth Vader, o Sombra – a outra face do Herói que ele tem que derrotar para superar o grande mal (o Imperador ou o lado negro da Força). Lea é o Ânima, o lado feminino do herói, Hans Solo o companheiro “ladrão” do herói que pode “fazer o trabalho sujo”, que o herói, por ter que ser perfeito, não pode fazer (roubar, ter contatos com o submundo, seduzir, enganar, etc..) e Chewbacca, o instinto animal. 


Quem foi ao cinema estranhou que a saga começava pelo episódio IV. Consta que a ideia foi de Campbell, para que houvesse um forte impacto quando Luke descobrisse que seu pai era Darth Vader. Quando um jornal da época (acho que foi a Folha de São Paulo) fez uma matéria sobre a pré estreia do filme, o colunista quase deu o maior spolier da História. Conhecedor da psicologia junguiana, o articulista fez uma analise detalhada sob este aspecto do filme e disse (segundo me lembro) algo como “não será surpresa quando se descobrir quem é Darth Vader”. Um detalhe: Darth Vader significa “pai negro”. Fico pensado hoje se algum nerd da época descobriu isso. Se existisse a internet… 


O fato de não ser uma ficção científica “cabeça” rendeu algumas críticas à saga, como sendo feita de filmes “rasos”, “apenas diversão”. Se for apenas diversão, que seja! Fazer algo divertido é que buscava Shakespeare ao escrever suas peças. Ser divertido não significa que o filme é vazio de conteúdo. Eu pergunto: um filme que mexe com um inconsciente coletivo pode ser um filme “raso”? 

Jornada nas Estrela – Indo aonde nenhum homem jamais esteve 
Outro motivo de orgulho nerd


Raso, largo ou profundo, George Lucas conseguiu seu intento. Com o suporte de Campbell até O Retorno do Jedai (Campbell morreu pouco antes do término das filmagens), Lucas conseguiu construir um Universo próprio e pos no ar uma nova mitologia, colocando-se ao lado de Homero, Hesíodo, Virgílio e Camões. Sua atitude contribui para que se consolidasse também outras mitologias, como Star Trek (que já tinha uma legião de fãs, mas nenhum filme no cinema) e O Senhor dos Anéis

 
O Senhor dos Anéis 



Nada mais justo que considerar 25 de maio o dia do orgulho nerd! 

Postado por Alvaro às 00:00 

Os melhores contos brasileiros de FC na opiniào do Roberto Causo

Copiando descaradamente do Pai NERD

Via Lista de sócios do Clube de Leitores de Ficção Científica.

Estou vendendo alguns livros de FC aqui.

SEXTA-FEIRA, 2 DE JULHO DE 2010

Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica – Fronteiras

Título: Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica – Fronteiras
Autor: Roberto de Souza Causo (org)
Editora: Devir – coleção Pulsar
186 páginas
Sinopse:  Nesta nova antologia, Roberto Causo traz contos de diversas épocas onde predomina a invasão de fronteiras entre gêneros ou entre o mainstream e a ficção científica.

A partir do prefácio, Roberto Causo se posiciona claramente em relação às suas motivações. Segundo ele, na antologia anterior (link) houve uma quase unanimidade da crítica em apontar o conto O Imortal de Machado de Assis como espúrio, como se a Ficção Científica não fosse digna do mestre (isso mesmo para críticos oriundos dofandom). O livro soa então como uma resposta a estas críticas .

Polêmica à parte, a seleção dos textos atinge plenamente o objetivo de mostrar trabalhos que realmente são limítrofes. Para situar o leitor  no tempo e no espaço, Causo coloca uma pequena introdução sobre o autor, sua época e o texto em questão.

Começa com o excelente A Nova Califórnia, de Lima Barreto, que com um humor caústico, critica ambição humana. Um alquimista, Flamel, chega à cidade de Tubiacanga com uma fórmula capaz de transformar ossos humanos em ouro. A partir deste fato, ocorre uma rápida transformação na pacata cidade. Causo o classifica como limítrofe com o horror, porém eu o considero mais para humor negro. Quando eu o li pela primeira vez (há bastante tempo),  tive  a impressão de que Flamel era um falso alquimista, que, ao tentar dar um golpe na cidade,  perdeu o controle da situação.  

A seguir temos A Vingança de Mendelejeff, de Berilo Neves, um conto catastrofista tendo como cenário o Rio de Janeiro, onde não falta nem a figura do cientista louco.  O uso de terminologia científica em desuso (como azoto no lugar de nitrogênio), mesmo para época em que foi escrito (1929), revela ou o autor estava mais preocupado com o enredo do que com o rigor, ou que usava uma terminologia de fácil assimilação pelo leitor da época. De qualquer forma, um bom conto.

Delírio, de Afonso Schmidt, coloca pacientes de uma clínica em estado terminal tendo contato “com o outro lado da vida”. Lembra muito escritos espíritas, como o livro Nosso Lar. Mas sem cair em pieguices ou no moralismo fácil.

André Carneiro, em O Homem que Hipnotizava, coloca um personagem que se autohipnotiza para colorir sua realidade, numa versão pós-moderna do “jogo do contente”.  Como o personagem não era nenhuma Poliana, a coisa não deu tão certo.

Domingos Carvalho da Silva, nos traz em Sociedade Secreta, um grupo de velhos que se torna a única voz discordante de um sistema que torna todos felizes, dando a seus cidadãos tudo que querem, menos a liberdade. O grupo se reúne num esgoto e tem como companhia ratos, criaturas que o sistema supõe exterminados.

Jerônimo Monteiro comparece com o conto Um Braço na Quarta Dimensão. Neste conto, um homem simples desaparece sem motivos. André Carneiro aparece “numa ponta”, ao ser citado por um dos personagens como capaz de pesquisar o problema.

Numero transcendental, de Rubens Teixeira Scavone, traz um tema bastante freqüente em sua literatura: avistamento de Ovnis (ou UFOs). Um fugitivo de um hospital psiquiátrico encontra com seres estranhos (serão parte de sua alucinação, ou serão reais?).

Em Seminários dos Ratos, Lygia Fagundes Teles Faz uma metáfora regada por um humor corrosivo da ação da burocracia tecnocrata dos tempos da ditadura de 64. Uma reunião em Brasília tenta dar uma solução para praga de ratos que assola o país. Mas as pessoas discutem detalhes frívolos sem perceber que o problema está cada vez mais próximo.

Contato com seres extraterrestres também é o tema de O Visitante. Neste conto de Marien Calixte, uma mulher recebe a visita de um ser extremamente belo. A narrativa é levemente erótica e bastante poética.

Jorge Luiz Calife comparece com o conto Uma Semana na Vida de Fernando Alonso Filho. Um homem vivendo em condições muito adversas no planta Venus sonha em voltar à Terra. A chuva interminável e angustiante lembra o conto A Grande Chuvade Ray Bradbury (presente no Homem Ilustrado), embora Calife concentre-se mais na psicologia do personagem principal que na opressão do clima.

Em Mestre de Armas, de Bráulio Tavares, um candidato Mestre-de-armas treina um grupo de seres humanos e humanóides para poderem lutar contra uma raça inimiga. Bráulio Tavares ironiza os discursos militares motivadores, que mascaram estupidez da guerra.

Dono de um estilo único, Ivan Carlos Regina, em O Fruto Maduro da Civilização, nos traz uma imagem distópica do futuro, nos fazendo questionar se o que fazemos realmente é progresso.

Uma boa mistura de Ficção Científica, Policial e Horror é encontrada no conto Engaiolado, Cid Fernandes. Num angustiante caso de abdução, onde um homem simples é perseguido por um objeto que ele mesmo chama de “demo”.

Fechando o livro, o conto Controlador de Leonardo Nahoum, um ser super poderosos tornar-se apenas um guardião de um planeta e usa seus poderes apenas para fornecer o que os “clientes contataram”. Mas será que ele ficar apenas nisso?

Causo fez na realidade uma demonstração de sua tese, proposta no prefácio: há mais coisas em comum entre os vários gêneros e a Ficção Científica do que normalmente se supõe.

Quod erat demonstratum.

Nerd Shop
Os Melhores Contos Brasileiros de Ficção Científica – Fronteiras. Roberto de Souza Causo (org). Devir.

Postado por Alvaro às 22:43 

Audio-livros de divulgação científica: uma nova idéia

Alguém conhece algum áudio-livro de divulgação científica em português? Fica caro fazer um audiolivro? Como se faz, que equipamento é necessário? Áudio-livros são mais baratos que livros? Alguém toparia fazer um áudio-livro do Beijo de Juliana? (depois de uma boa editoração, suponho).

Morre Saramago

Da Wikipedia:

José de Sousa Saramago (Azinhaga, Golegã, 16 de Novembro de 1922Lanzarote, 18 de Junho de 2010) foi um escritor, argumentista, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago é considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa.[1]
PS: Interessante que Saramago só começa a publicar romances em 1977, com 55 anos (fora um romance de juventude em 1947). Ou seja, se eu quiser publicar livros, tenho ainda sete anos de prazo…

Vencendo a Timidez e o Medo de Falar em Público

Veja o vídeo aqui.

Na 10a Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, de 10 a 20/6/2010, ocorrerá o lançamento do livro

Vencendo a Timidez e o Medo de Falar em Público,

indicado para todos que têm dificuldade em apresentar seminários.

De autoria de José Carlos Cintra, professor titular da USP, o livro tem 62 páginas, ilustrações coloridas e um Dvd encartado. Para visualizara capa e obter outras informações sobre a obra, utilizar o link

http://www.eesc.usp.br/sgs/pessoal/Site%20SGS%20Vencendo%20a%20Timidez%202010.pdf

Para entrar em contato, enviar mensagem para [email protected]

José Carlos A. Cintra

CoC-ECivil EESC-USP

Viagem à Lua no século II


Olá pessoal;

Hoje um amigo meu me mostrou um exemplar da Revista Mundo Estranho de
fevereiro de 2003. Na seção Túnel do Tempo, no Artigo Ficção Científica, A
Arte da Profecia, há um pequeno trecho que reproduzo aqui:

*PIONEIRO GREGO
Luciano de Samósata
(120-180 EC)*
*Em plena Grécia do século II,
esse escritor satírico concebeu
um enredo maluco em que
o herói e seus companheiros vão
à Lua de navio, impulsionados
por um enorme gêiser. Lá, eles
participam de uma guerra
espacial em que os impérios
da Lua e do Sol lutam pelo direito
de colonizar Vênus. O texto era
uma paródia de poemas épicos
como a Odisséia de Homero,
mas suas brincadeiras fantásticas
anteciparam a ficção científica
em 1700 anos.*

Para mim isto é novidade e assim compartilho aqui com todos.

Encontrei o livro no seguinte link:
http://www.gutenber g.org/files/ 10430/10430- h/10430-h. htm

Grande abraço

Marcelo L. Bighetti


Luciano de Samósata

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Luciano de Samósata

Luciano de Samósata (gr. Λουκιανὸς Σαμοσατεύς) nasceu c. 125 em Samósata, na província romana da Síria, e morreu pouco depois de 181, talvez em AlexandriaEgito. De certo, pouca coisa se sabe a respeito de sua vida, mas o apogeu de sua atividade literária transcorreu entre 161 e 180, durante o reinado de Marco Aurélio.

De origem possivelmente semita, Luciano escreveu em grego e se tornou conhecido notadamente pelos diálogos satíricos. Satirizou e criticou acidamente os costumes e a sociedade da época e exerceu, a partir da Renascença significativa influência em escritores ocidentais do porte deErasmoRabelaisQuevedoSwiftVoltaire e Machado de Assis.

A ele foram atribuídas mais de 80 obras, conhecidas em conjunto por corpus lucianeum (“coleção luciânica”), dentre as quais pelo menos uma dezena é apócrifa. As mais conhecidas são Uma história verdadeira (ou Uma história verídica), O amigo da mentiraDiálogo dos mortosLeilão de vidasO burro LúcioHermotimo e A passagem de Peregrino.

Em Uma história verdadeira, Luciano relata uma fantástica viagem à Lua, menciona a existência de vida extraterrestre e antecipa diversos outros temas popularizados durante o século XX pela ficção científica. Em A passagem de Peregrino legou-nos uma rara abordagem do Cristianismo segundo o ponto de vista de um não-cristão.

Vendendo livros na Estante Virtual

Listando acervo de Osame Kinouchi

Fisiologia Animal – Mecanismos e Adapt… Eckert
2000
Biologia
Guanabara
R$ 200,00

Hibridação de Ácidos Nucléicos Francisco J. S. Lara Org
1995
Biologia
Sociedade Brasilei…
R$ 9,90

Fundamentos Práticos de Taxonomia Zool… Nelson Papavero
1994
Biologia
Unesp
R$ 34,90

Série Monografias no 3 – Árvores Evolu… Sociedade Brasileira de Gen…
1996
Biologia
Sociedade Brasilei…
R$ 19,90

Série Monografias Nº 6 Hemoglobina Fet… Sociedade Brasileira de Gen…
1998
Biologia
Sbg
R$ 15,00

Cultivo de Camarões de Água Doce Wagner C. Valenti
1985
Biologia
Nobel
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» Estante Ciência Política – 7 livros

Estado, Capitalismo e Democracia na Am… Atilio A. Boron
1994
Ciência Política
Paz e Terra
R$ 14,00

O Problema Alimentar no Brasil Cláudio Moura Castro e Mar…
1985
Ciência Política
Unicamp
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O Terror – Col. Filosofia Política Sér… Denis L. Rosenfield – Org. …
2002
Ciência Política
Jorge Zahar
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Renascimento da Suástica no Brasil Erich Erdstein / Barbara Bean
1977
Ciência Política
Círculo do Livro
R$ 5,00

Tecnologia e Sociedade Henrique Rattner
1980
Ciência Política
Brasiliense
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Trotsky Ontem e Hoje Osvaldo Coggiola
1990
Ciência Política
Oficina de Livros
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1968 o Ano Que Não Terminou a Aventura… Zuenir Ventura
1988
Ciência Política
Nova Fronteira
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» Estante Ciências Exatas – 1 livro

As Ilusões da Vida – a Estranha Ciênci… Jay Ingram
2005
Ciências Exatas
Ediouro
R$ 24,90

» Estante Comunicação – 3 livros

Propaganda – Teoria Técnica Prática – … Armando Santanna
1998
Comunicação
Pioneira
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Supermentes do Big Bang a era Digital Clemente Nobrega
2001
Comunicação
Negócio
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Marketing Idêia Vírus Seth Godin
2001
Comunicação
Campus
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» Estante Contabilidade – 3 livros

Contabiliade de Custos Cad. Exercicío Eliseu Martins
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Contabilidade
Atlas
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Contabilidade de Custos Livro Texto Eliseu Martins
1993
Contabilidade
Atlas
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16ªed. Contabilidade Geral Hilário Franco
1975
Contabilidade
Atlas
R$ 4,90

» Estante Crítica Literária – 1 livro

Os Ovários de Mme. Bovary David P. Barash, Nanelle R….
2006
Crítica Literária
Relume Dumará
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» Estante Culinária – 1 livro

Ducasse de a a Z Alain Ducasse
2005
Culinária
Ediouro
R$ 19,90

» Estante Direito – 1 livro

Tutela dos Direitos da Personalidade e… Carlos Alberto Bittar / Car…
1993
Direito
Revista dos Tribun…
R$ 4,90

» Estante Economia – 6 livros

Princípios de Economia Política e Trib… David Ricardo
1982
Economia
Abril Cultural
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Devo, Não Nego Janes Rocha
2008
Economia
Saraiva e Valor Ec…
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Galbraith – Col. os Economistas John K. Galbraith
1985
Economia
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A Economia ao Alcance de Quase Todos John K. Galbraith / Nicole …
1992
Economia
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Labini – Oligopólio e Progresso Técnico Paolo Sylos Labini
1986
Economia
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Análise de Regressão uma Introdução À … Rodolfo Hoffmann e Sônia Vi…
1977
Economia
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» Estante Engenharia – 1 livro

Introduction to Radar Systems Merrill I. Skolnik
1962
Engenharia
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R$ 19,00

Listando resultados de 31 a 60

Tradutora de ‘Ubik’ e ‘Os Três Estigmas de Palmer Eldritch’ fala sobre o desafio de interpretar Philip K. Dick

19/04/2010

by editoraaleph

Por Eliana Gagliotti e Luciana Fracchetta

A tradutora Ludimila Hashimoto

Muitas vezes, procurar saber quem é o tradutor de um livro é tarefa que passa despercebida pelo leitor. Porém, vale lembrar que ele é peça fundamental para interpretação fiel de uma obra em língua estrangeira. Quando uma tradução não é trabalhada de forma bastante cuidadosa, pode comprometer o bom entendimento da leitura – além de fazer o autor, se ele já estiver morto, claro, se revirar no caixão.

Ludimila Hashimoto, tradutora e intérprete pela Associação Alumni, é responsável pelas traduções de “Ubik” e “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch”, clássicos do renomado autor norte-americano de ficção científica Philip K. Dick, publicados pela Aleph. Para ela, o maior desafio em adaptar as obras do autor para língua portuguesa foi manter fiel o estado emocional dos personagens de “Ubik” e trabalhar com os neologismos de “Os Três Estigmas de Palmer Eldritch”.

Durante o processo de tradução dos dois livros, Ludimila preocupou-se em manter o máximo de equivalência nos textos, optando por estruturas e vocabulários informais que não destoassem dos originais. Além disso, buscou outras fontes como teses de doutorado e textos de ficção que tivessem relações com os temas.

Confira a entrevista exclusiva da tradutora para o blog da Aleph:

Você já tinha lido algum livro do Philip K. Dick antes de realizar a tradução do “Ubik”? Tinha interesse pelo gênero ficção científica ou pelo autor?

Tinha lido “O Homem do Castelo Alto”, traduzido pelo Fábio Fernandes, e percebido que Dick poderia ser meu autor de cabeceira, mas acabou se tornando meu autor de mesa de trabalho. Pelo fato do Dick ser um autor clássico, que influenciou grandes autores, diretores e roteiristas de cinema e manifestações da cultura contemporânea, eu passei a ter um interesse particular pela obra dele antes de traduzir dois de seus livros.

Eu também já tinha sido atraída pela ficção científica, o que começou com meu fascínio pela ciência do conhecimento e pelo tema da exploração espacial, mas também – e neste caso a obra do Dick condiz perfeitamente com as minhas expectativas – da extrapolação dos parâmetros convencionais da realidade.

Meus contatos mais diretos com a literatura de gênero se deram quando traduzi o segundo volume de “Sandman”, “O Livro dos Sonhos” editado por Neil Gaiman e Ed Kramer (Conrad, 2001), e “Futuro Proibido”, organizado por Robert Anton Wilson e Rudy Rucker ( Conrad, 2003). Antes de traduzir Dick, minha curiosidade em relação à FC, à fantasia e ao slipstream me levou a escrever alguns textos que se enquadrariam em algum lugar entre esses gêneros literários.

Traduzir Dick é, portanto, um desafio e uma homenagem.

Como você pode definir o estilo do Dick? Quais foram as escolhas que você tomou durante a tradução para que esse estilo fosse mantido?

O que mais me impressiona no estilo do Dick é o caráter contemporâneo da linguagem, ou seja, o quanto ela permanece atual por meio do tom coloquial dos diálogos e das descrições claras e diretas. Soma-se a isso o fato de que o autor é, segundo sua própria definição, um filósofo que faz ficção. O efeito é um contraste entre a simplicidade eficaz da forma e a profundidade do conteúdo – é o leitor percorrer labirintos que, por mais tortuosos que sejam, são desvendados por um homem do seu tempo.

Decidi pelo uso de estruturas e vocabulário informais que não soassem anacrônicos nos diálogos, e o máximo de equivalência no texto como um todo. Quando a opção por manter uma rima, por exemplo, representava a perda do impacto da frase, optei por manter a força da mensagem, por se tratar de um clássico da ficção científica já muito analisado e debatido.

Quais as dificuldades encontradas na tradução dos livros “Ubik” e “Os três estigmas de Palmer Eldritch”? Comparando os dois, qual foi o mais difícil?

Em “Ubik”, a complexidade maior se concentrou no cuidado para manter a fidelidade nas passagens em que o estado emocional das personagens é fundamental, na descrição completa de trajes multiculturais, que demandou pesquisa, e na adequação da linguagem típica de comerciais na epígrafe de cada capítulo sem perder a referência religiosa. E, de maneira geral, o humor, por vezes sutil, o uso de trocadilhos e termos cunhados pelo autor também são casos que exigem decisões críticas.

“Os Três Estigmas de Palmer Eldritch”, por um lado, foi mais difícil devido à ocorrência maior de neologismos. Fiz pesquisas com o intuito de identificar os termos que permanecem enigmáticos para os leitores cujo idioma nativo é o inglês, para obter um tipo de reação análoga no leitor do texto resultante. Por outro lado, o que facilitou o trabalho com esse livro foi o fato de já ter tido a experiência de traduzir outro do mesmo autor, cuja voz já estava mais bem internalizada, principalmente considerando que são dois livros com temas mais próximos entre si, se comparados a outros textos do Dick.

Quais são as fontes que você utilizou para auxiliar na tradução?

Além das mais comuns, como os dicionários online, incluindo o PKDictionary, consultei ensaios sobre o autor – como a tese de doutorado de Adriana Amaral – textos de não ficção que tivessem relação com os temas subjacentes às obras – como o Bardo Thodol – para ser coerente com as referências, e, no caso de “Ubik” houve um diálogo com Lúcio Manfredi, estudioso da obra do Dick. Também costumo sempre criar glossários com o vocabulário recorrente de cada autor.

Qual a relação que você estabeleceu com o Philip K. Dick após a tradução de seus textos?

Descobri que além de ter lido alguns autores influenciados por ele, autores que o influenciaram também me eram muito caros, como Carl Gustav Jung e Jorge Luis Borges, o que estreitou meus laços com o pensamento kdickiano. Esses tecidos de escritores e ideias que vão se configurando de modo nada aleatório são importantes na formação do tradutor. A minha relação com ele agora é parecida com a de quem leu um clássico e não consegue mais interpretar boa parte da realidade sem a influência da visão que lhe foi apresentada de forma tão eficaz e extasiante, uma relação íntima.

Tem alguma observação ou informação você que gostaria de passar aos leitores?

Queria fazer um comentário otimista sobre a qualidade das traduções no Brasil nos últimos tempos. O cuidado que os editores têm tido com a tradução e a revisão dos textos reflete o olhar crítico dos leitores. O efeito é a formação de mais leitores que enxergam a tradução de um romance não como uma obra em que falta algo, nem que prescinde do original, mas que transforma impossibilidades iniciais em soluções capazes de intensificar o potencial do texto fonte. E isso sou eu concordando com Umberto Eco.

FC do B

Recebemos este aviso do Concurso FC do B:

Disponibilizamos para leitura no site da BOOKESS, a coletânea de contos selecionados na primeira edição do concurso literário FC do B.
http://www.bookess.com/read/3349-fc-do-b-panorama-20062007/
Leiam ! Divulguem ! Comentem !
Concurso Literário FC DO B – Ficção Científica Brasileira”Ajudando a escrever a História da FC Brasileira” Site : www.fcdob.com

O Ponto da Virada

Estou lendo “O Ponto da Virada”, de Malcolm Gladwell, um exemplo de divulgação científica em formato auto-ajuda que talvez seja o formato viável para o atual público brasileiro.
A tese central do livro é que muitos comportamentos coletivos são do tipo epidêmico (eu diria, são avalanches em meios excitáveis – porque a sociedade humana é um meio excitável). Ele estuda vários casos de modas, propagação de comportamentos etc, todos com ingredientes característicos de uma epidemia ou comportamento contagiante:
1. Uma variação lenta em um parâmetro (por exemplo, número de formadores de opinião que adotam uma posição) de forma a nuclear a epidemia;
2. Uma fase de decolagem ou crescimento exponencial por contágio social (o ponto de virada ou turning point;
3. Uma saturação devido ao fato de que as pessoas adquirem imunidade a uma mensagem se ela for repetida muitas vezes.
O item 3 me fez refletir: talvez eu devesse falar menos de Marina Silva ou da gripe suína, deixar tais posts para o momento mais certo e necessário, a fim de evitar a saturação (imunidade) nos meus leitores…
Em todo caso, recomendo o livro aos ativistas do Movimento Marina Silva e ao pessoal que vai fazer o marketing de sua campanha: o efeito Obama foi um típico caso de contágio social mediado pelos jovens via SMS, redes sociais, blogs e Twitter. Dado que Marina não tem dinheiro ou tempo de TV para a campanha, o que lhe resta é esta estratégia (muito eficiente, por sinal) de propaganda boca-a-boca (twitter-a-twitter, melhor dizendo).
Da editora:

Neste livro, você verá que, ao contrário do que estamos habituados a pensar, nossa maneira de ser e agir não é algo orientado unicamente por nossos genes. Sofremos uma influência extrema do meio em que vivemos e da personalidade e do comportamento das pessoas que nos cercam.

Em grande parte, é graças a isso, segundo Malcolm Gladwell, que se propagam os fenômenos que ele chama de epidemias sociais. O Ponto da Virada, explica o autor, é justamente o momento em que pequenas mudanças entram em ebulição, fazendo com que a trajetória de uma tendência ou de um comportamento dê uma guinada e se alastre. Ou se acabe.

Desempenhando um papel essencial nessas epidemias estão três tipos interessantes: os Experts − indivíduos que atuam como “bancos de dados”, fornecendo a mensagem −, os Comunicadores − ou “cola social”, aqueles que espalham a informação − e os Vendedores − pessoas capazes de nos convencer quando não acreditamos no que estamos ouvindo.

Gladwell nos apresenta ainda a outros dois elementos fundamentais nesse processo. Um deles é o Fator de Fixação − aquilo que evita que a mensagem entre por um ouvido e saia pelo outro, garantindo a assimilação de uma mudança ou inovação. O segundo é o Poder do Contexto − as fortes influências que o tempo e o ambiente exercem sobre nós.

O objetivo de toda essa reflexão, afirma o autor, é, em suma, responder a duas perguntas: “Por que alguns comportamentos, produtos e idéias deflagram epidemias e outros não? E o que podemos fazer intencionalmente para desencadear e controlar as nossas próprias epidemias positivas?”

Gladwell responde às duas questões dizendo basicamente o seguinte: o mundo, por mais que queiramos, não corresponde àquilo que a nossa intuição nos diz. As pessoas que têm sucesso na criação de uma epidemia social testam sua forma de ver as coisas e a adaptam para que a inovação possa ser assimilada e disseminada.

“Quando procuramos fazer com que uma idéia, uma atitude ou um produto alcance o Ponto da Virada, estamos tentando mudar o nosso público em algum aspecto, pequeno porém crítico: pretendemos contaminá-lo, arrebatá-lo com nossa epidemia, fazer com que passe da hostilidade para a aceitação”, conclui ele.

Pareto, ateísmo científico e ética da ciência

Do livro O Beijo de Juliana:
Antes porém, uma citação (para desespero do Jean!). Mas espero que ele goste dessa, pois o overlap entre o Jean e o Pareto é muito grande:
No começo do século XIX a “força vital” explicava um número infinito de fatos biológicos. Os sociólogos contemporâneos explicam e demonstram uma infinidade de coisas pela intervenção da idéia de “progresso”. Os “direitos naturais” tiveram e continuam a ter grande importância na explicação dos fatos sociais. Para muitos que aprenderam como papagaios as teorias socialistas, o “capitalismo” explica tudo e é a causa de todos os males que se encontram na sociedade humana.

Outros falam da “terra livre”, que ninguém nunca viu; e contam-nos que todos os males da sociedade nasceram no dia em que “o homem foi separado dos meios de produção”. Em que momento? É isso que não se sabe; talvez no dia em que Pandora abriu sua caixa, ou, talvez, nos tempos em que os animais falavam.
Pareto, Manual de Economia Política, II.13 (1906).
Eu sei que tanto o Jean como o Richard concordam com o trecho acima. Agora vou mostrar que também o Noam (sim, o Noam!) e eu também aceitamos e defendemos inteiramente este ponto, e que este é nosso real ponto de concordância. Para entender onde é que todos concordamos basta continuar a leitura de Pareto:
Observamos que na vida social esse segundo gênero de ações (as ações não-lógicas) é bastante amplo e de grande importância. O que se chama de moral e costume depende inteiramente dele. Consta que até o momento nenhum povo teve uma moral científica ou experimental. As tentativas dos filósofos modernos para levar a moral a essa forma não lograram êxito; mas ainda que tivessem sido conclusivas, continuaria verdadeiro que elas dizem respeito a um número muito restrito de indivíduos e que a maior parte dos homens, quase todos, ignoram-na completamente.

Da mesma forma, assinala-se, de tempos em tempos, o caráter anticientífico, antiexperimental de tal ou qual costume; e isso pode ser a ocasião de bom número de produções literárias [em especial, posts em blogs científicos], mas não pode ter a menor influência sobre esses costumes, que só se transformam por razões inteiramente outras (II.18).

Os homens, e provavelmente também os animais que vivem em sociedade, têm certos sentimentos que, em certas circunstâncias, servem de norma às suas ações. Esses sentimentos do homem foram divididos em diversas classes, entre as quais devemos considerar aquelas chamadas: religião, moral, direito, costume. Não se pode, mesmo ainda hoje, marcar com precisão os limites dessas diferentes classes, e houve tempos em que todas as classes eram confundidas e formavam um conjunto mais ou menos homogêneo. Elas não possuem nenhuma realidade objetiva precisa e não são senão um produto de nosso espírito; torna-se, por isso, coisa vã pesquisar, por exemplo, o que é objetivamente a moral ou a justiça.

Entretanto, em todos os tempos, os homens raciocinaram como se a moral e a justiça tivessem existências próprias, atuando sob a influência dessa tendência, muito forte entre eles, que os faz atribuir um caráter objetivo aos fatos subjetivos, e dessa necessidade imperiosa que os faz recobrir de verniz lógico as relações de seus sentimentos. A maioria das disputas teológicas tem essa origem, assim como a idéia verdadeiramente monstruosa de uma religião científica.
ESTE PONTO TODOS NÓS ACEITAMOS! Na verdade, já o fizemos durante nosso debate sobre o Acaso e a Necessidade de Monod.
Mas talvez isto não tenha ficado claro para o Jean e o Richard. Tanto eu como o Noam acreditamos sinceramente que não se podem fundamentar atitudes morais a partir de fatos objetivos, e nisso estamos em pleno acordo com vocês. Assim, ao contrário do que acredita o Jean, eu não estou tentando criar uma religião científica quando discuto a emergência de cooperação via teoria de jogos Darwiniana ou que a diversidade cultural e de sistemas econômicos seja interessante porque faz parte de um algoritmo genético de busca num espaço de organizações sociais.
Se vocês pensaram isso, então não entenderam NADA do que estou tentando dizer. Deixe-me falar de novo, com todas as letras:
POSTURAS ÉTICAS E MORAIS NÃO PODEM SER DEDUZIDAS A PARTIR DA CIÊNCIA.
Tudo bem, estamos de acordo nisso? As atitudes morais não podem ser fundamentadas de maneira absoluta, não podem ter fundamentos seguros, e possivelmente qualquer tentativa de criar um sistema moral a partir da Lógica (como a tentativa de Spinoza) deverá estar sujeito ao Teorema de Gödel, ou seja, tais sistemas ou serão inconsistentes ou serão incompletos.
Os fundamentalistas não conseguem aceitar a falta de fundamentos. Eles acham que suas crenças e atitudes morais precisam ter fundamentos de granito. E ficam extremamente perturbados quando se mostra que não é possível encontrar fundamentos firmes (Hilbert era um fundamentalista na Matemática). É por isso que, geralmente, os fundamentalistas (quer sejam religiosos, ateístas, políticos ou científicos), quando percebem essa falta de fundamentos, tendem a se tornar apóstatas militantes (“eu era comunista, mas agora vi a Luz!”, dizem todos os ex-comunistas, “eu era pró-Ciência, mas agora vejo que os cientistas só fazem ciência irônica”, snif, snif, como confessou Horgam em o Fim da Ciência, após perceber a sobreposição entre ciência, religião e arte).
Em relação às atitudes morais, o fundamentalista e o niilista constituem os dois lados da mesma moeda, e freqüentemente um se converte no outro, como observei acima: ambos acreditam que, se não é possível fundamentar nossas crenças de forma absoluta, então as atitudes morais seriam totalmente relativas, arbitrárias, irrelevantes, uma ilusão e pura perda de tempo, quando não uma fumaça ideológica para encobrir interesses escusos. Acredito que as tendências niilistas de alguns de nós se devem a essa atitude fundamentalmente fundamentalista, desculpem o pleonasmo.
Mas, felizmente, não precisamos ser fundamentalistas. De novo, devemos afirmar: valores não podem ser fundamentados de forma absoluta. Valores como direitos humanos, justiça, liberdade, igualdade, democracia, direitos das mulheres, crianças, idosos, animais etc. não podem ser fundamentados em termos absolutos, ou seja, não se pode demonstrar sua validade racionalmente, não se pode “forçar as pessoas” a aceitá-los como se aceita o teorema de Pitágoras.
A única maneira que existe de forçar uma conclusão sem usar a força (mas lembremos que a não-violência e a tolerância também são valores não fundamentados!) é através da lógica e de demonstrações matemáticas, ou seja, usando a Razão (com R maiúsculo…). E não podemos fazer isso em relação a valores. Ponto final.
Neste caso, o que sobra? O cálculo de vantagens para o indivíduo? Ou seja, cada indivíduo deve fazer apenas o que lhe traz vantagens (pragmatismo individualista ou oportunismo)? Por exemplo, se um cientista, após alguns cálculos cuidadosos, concluir que lhe trará vantagens se ele falsificar dados ou roubar idéias dos outros, ele deverá fazê-lo pois essa seria a atitude mais racional a tomar? Puro cálculo de teoria de jogos? Se sim, porque não o fazemos todos? Apenas por temer as conseqüências? (ou seja, ainda levando em conta cálculos sobre vantagens e desvantagens?)
Se não fazemos isso, se tais atitudes não são aceitáveis para nós, então qual é afinal a diferença entre essa moral científica (“Não falsificarás seus resultados, não plagiarás as idéias do teu próximo, etc…”) e a moral que diz “Não usarás o teu conhecimento para fortalecer o forte que explora o fraco”? Eu acho que este é o ponto que o Noam gostaria de enfatizar. Admitir e valorizar algum tipo de comportamento moral (por exemplo, a honestidade intelectual e científica) e criticar outras atitudes por serem “apenas comportamentos morais culturalmente relativos que carecem de fundamento” é o cúmulo da hipocrisia…
Bom, então, se não queremos ser fundamentalistas nem oportunistas (notem, eu disse queremos, não disse devemos), quais são as opções que sobraram? Uma opção é eleger certos valores como axiomas, ou seja, pontos de partida não fundamentados. Não se pode, nem na matemática nem em atitudes morais, convencer ninguém que tais axiomas estão corretos ou deveriam ser aceitos universalmente: axiomas não se prestam a isso! Portanto, ao escolher axiomas morais (“valores”), podemos esquecer a questão de fundamentos e passar a derivar deles redes de teoremas, e brincar com elas, e mostrar que são bonitas ou interessantes, e usá-las em nossas vidas, e deitar sobre tais redes – para descansar, fazer amor, libertar os oprimidos ou brincar com crianças, o que seja.
Essa é a conclusão de Rubem Alves, e embora eu seja um discípulo renegado de Rubem Alves, neste ponto concordo inteiramente com ele! Bom, mas se os valores (exemplo, “igualdade entre as pessoas versus direitos de casta ou de classe”), direitos das pessoas (e dos animais, e de outras máquinas vivas) à vida e à liberdade etc., não podem ser fundamentados mas são escolhas livres (no mesmo sentido que as regras do xadrez ou os axiomas da geometria Euclidiana são escolhas livres, embora o que decorra daí em diante já não o seja), o que podemos fazer a partir desse ponto? Como seria possível a convivência humana, se valores fundamentais não podem ser objeto de diálogo e convencimento universal? Cairemos na barbárie, na guerra total de valores, ou no oportunismo pragmático (só tenho valores quando me interessam e me trazem vantagens…)?
Sim, isso é uma possibilidade. Foi isso o que reconheceram os nazistas, e também o anarquista Feyrabend (por sinal, ex-nazista [inspirado por Nietszche e que desejou na juventude pertencer às] SS, leiam sua biografia “Matando o tempo”): que sistemas de valores são incomensuráveis (não se pode fazer com que um sistema de valores suplante outro como a ciência de Einstein suplantou a de Newton), que não existem na “Realidade Objetiva” os Direitos Universais do Homem (desculpem, da Humanidade), tais direitos são sólidos como fumaça, que basicamente um sistema de valores vence devido ao uso da força bruta e da propaganda, não existem nem podem existir raciocínios universais para determinar o valor dos valores!
Então, estamos condenados às guerras religiosas e culturais, guerras de memes e de ideologias? Que vença, sempre, o mais forte? Sim, e não. Pois existe uma classe de sistemas de valores que, entre os seus axiomas incluem os seguintes:
Não pela força, nem pela violência, mas pelo meu Espírito, diz Yavhé (Judaismo).
Ouviste o que foi dito: “Amarás teu próximo e odiarás teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos Céus, porque ele faz nascer o seu Sol igualmente sobre os maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes? E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de mais? (Cristianismo).
Eu posso discordar de todas as suas opiniões, mas defenderei até o fim o seu direito de dizê-las (Democracia Liberal).
Assim, se um dos valores fundamentais for a não-violência, o respeito à integridade das pessoas, etc. então não precisaremos cair na ditadura do mais forte, e um verdadeiro algoritmo genético de memes e organizações sociais pode se iniciar. Diga-se que judeus, cristãos, iluministas, democratas, socialistas e anarquistas romperam diversas vezes esse axioma, por uma infinidade de razões, em particular porque sempre existem os realistas pragmáticos (zelotes, jesuítas da Inquisição, jacobinos, Maquiavéis de plantão, falcões e tecnocratas militares, bolcheviques e anarco-terroristas) que defendem, no interior dessas comunidades, que tais valores de respeito aos adversários são utópicos, não realistas e que o melhor é adotar posições de força realistas e pragmáticas que trazem vantagens a curto prazo (70 anos, por exemplo, no caso da URSS…).
Porém, se não é possível usar a Razão, e um dos valores axiomáticos adotados autolimita o uso da violência, como poderemos disseminar ou pelo menos defender os valores que valorizamos? (Se não estamos dispostos a defendê-los, então é porque não são realmente valores para nós). Bom, a resposta inicial de Rubem Alves (antes dele começar a namorar Nietzsche e achar que uma solução poderia ser a força…) era: pela sedução! Assim como na Matemática, podemos levar outras pessoas a apreciarem nossos valores axiomáticos mostrando como nossas redes de memes podem ser bonitas, interessantes, úteis em certas circunstâncias, libertadoras. A beleza é fundamental.
Assim, existe certa parcela da Humanidade que, na hora de defender seus memes, renuncia à propaganda enganosa, à violência ou mesmo à Razão (pois tentar disseminar valores usando a Razão consiste naquela monstruosidade da religião científica descrita por Pareto!). Vivas então à não-violência e à sedução! O valor da não-violência permite que a guerra entre os valores (que precisa ser feita, pois os valores dos fortes não são idênticos aos valores dos fracos) não implique em eliminação arbitrária ou intimidação dos oponentes, que é o mínimo a ser admitido para a
convivência social.
Poderíamos dizer, num tom reconhecidamente machista (que as feministas não me leiam!), que os fundamentalistas querem fazer sexo usando as ameaças do inferno, os iluministas radicais querem provar usando a Razão que a mulher deve fazer sexo com eles, os comunistas fazem sexo usando o estupro (vulgo ditadura do proletariado) enquanto que os capitalistas compram esse sexo com suas “vantagens econômicas de consumo”, prostituindo a consciência de todos – inclusive a dos cientistas “moralmente neutros”.
Mas talvez uma alternativa mais satisfatória seria o estabelecer da utopia pelo aprendizado da sedução (que Freud explique essa minha analogia entre sexo e utopia…. risos).
Physics is like sex: sure, it may give some practical results, but that’s not why we do it. – Richard Feynman.
A ciência é meio indispensável para que sonhos sejam realizados. Sem a ciência não se pode plantar nem cuidar do jardim. Mas há algo que a ciência não pode fazer: ela não é capaz de fazer os homens desejarem plantar jardins – Rubem Alves.
O cientista não estuda a Natureza porque ela é útil, ele a estuda porque ela é bela e ele se delicia com ela. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena estudá-lo. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena viver – Henry Poincaré.