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Pesquisa científica mostra o que todo mundo já sabia

Esta pesquisa me lembra uma outra onde psicólogos mostraram que meninos gostam de brincar de carrinho e meninas gostam de brincar de bonecas. O jornalista perguntou para a psicóloga que realizou o experimento: “Mas já não se sabia isso?” Ela respondeu: “Não, antes tinhamos apenas uma crença, agora sabemos…”

Da Folha Online
17/02/2009 – 08h26



EDUARDO GERAQUE
enviado especial da Folha de S.Paulo a Chicago

Os homens podem não dizer isso explicitamente, mas há ocasiões em que todos tendem a pensar nas mulheres como objetos –principalmente quando elas estão de biquíni e não mostram o rosto. É isso o que acaba de mostrar um experimento realizado nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago, na reunião anual da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência).

Talvez seja esse o efeito que explica sucesso que dançarinas mascaradas –como as personagens Tiazinha e Feiticeira– costumam ter na televisão brasileira. O experimento usou máquinas de ressonância magnética para mostrar que os circuitos cerebrais ativados nos homens durante a observação de um corpo feminino sensual desprovido de identidade são os mesmos que os permitem de reconhecer uma ferramenta, um objeto inanimado.

“Tecnicamente, podemos usar uma espécie de eufemismo neurológico e dizer que o homem não tem essa atitude de uma forma premeditada. É algo que ele não racionaliza”, afirma Susan Fiske, professora de Psicologia da Universidade de Princeton, uma das mentoras do experimento. Ela mostrou que o córtex pré-motor dos homens –uma das partes do cérebro mais envolvidas no reconhecimento– foi a área cerebral mais ativada nos voluntários que observavam fotografias de um colo feminino.

Essa parte do cérebro também é acionada quando é feita uma interpretação mecânica de uma imagem -em oposição a interpretações sociais.

Questionada pela Folha sobre o possível viés cultural que o estudo possa ter –só americanos participaram do experimento– Fiske disse não crer que o resultado mudaria se o experimento fosse feito em países, como o Brasil, onde mulheres de biquíni são comuns.

(…)

De acordo com a pesquisadora americana, os seus resultados apresentados agora têm algumas implicações práticas. “Um dos desdobramentos pode ser o fato de que um patrão, por exemplo, pode beneficiar certas companheiras de trabalho em detrimento dos demais funcionários da empresa, dependendo de como ele idealiza aquele corpo”, diz a psicóloga.

(continue a ler aqui)

Humanos não conseguem salvar duas baleias

Todo mundo já postou este vídeo, mas fica aqui para reverberação…

Do Carinho à Carícia

Do Reinaldo José Lopes, Blog Visões da Vida, Portal G1:

Eu costumo dar um sorrisinho cético toda vez que algum filósofo ou historiador afirma que Shakespeare (ou os trovadores medievais, ou Sócrates, ou os Beatles) “inventou” o amor romântico. De uma coisa podemos estar certos: emoções tão poderosas quanto essa têm raízes muito mais profundas. Talvez seja mais lógico pressupor que os seres humanos são “monógamos” (as aspas são necessárias) por natureza já faz algum tempo.
(…)
Já vimos algumas das bases comportamentais e sociais do que chamamos de amor; é hora de passar às bases bioquímicas do sentimento. Talvez você já tenha ouvido isso várias vezes antes, inclusive nesta coluna, mas é sempre bom repetir: a evolução é mão-de-vaca e adora improvisar e reciclar. Novos comportamentos e adaptações normalmente não são criados do zero, mas reutilizam elementos antigos (o termo técnico é “conservados”) da biologia de uma espécie. Como vimos, o elo emocional duradouro entre fêmea e macho é relativamente entre mamíferos. Pense, porém, em outro elo emocional poderosíssimo, que nós também chamamos de amor e que é muito mais comum nas espécies aparentadas à nossa. Ora, é o amor de mãe, claro.

E uma das chaves bioquímicas desse amor parece ser o hormônio oxitocina, liberado em grandes quantidades durante o parto e a amamentação em todos os tipos de mamíferos, inclusive nós. Ele parece controlar o apego instintivo da mãe pelo bebê, e vice-versa, interagindo com o chamado sistema dopaminérgico – a fração do cérebro que reage ao mensageiro químico dopamina. A dopamina é importante para a sensação de recompensa diante de algo prazeroso, estando envolvida em fenômenos como a euforia e o vício em drogas.

É aqui que entra a linha de pesquisa de Young, que estuda os arganazes, pequenos roedores silvestres do hemisfério Norte. O que acontece é que fêmeas de arganazes sob a ação da oxitocina (via uma injeção, por exemplo) criam um elo forte com o macho que estiver mais próximo delas – isso no chamado arganaz-da-pradaria (Microtus ochrogaster), espécie monógama do bicho. Young propõe que o circuito cerebral utilizado para forjar o elo entre mãe e filho foi modificado e cooptado para produzir o “amor” monogâmico entre os roedores.

E entre pessoas também. Afinal de contas, há uma potente liberação de oxitocina durante a estimulação da vagina e dos seios durante as relações sexuais na nossa espécie, o que ajudaria a fortalecer o elo emocional da mulher com seu parceiro. E a coisa também parece funcionar do lado do macho. Os arganazes monogâmicos parecem fortalecer a ligação com suas esposas por meio de um hormônio quimicamente semelhante à oxitocina, a chamada vasopressina, que também potencializa a agressividade contra possíveis rivais e o instinto paternal.Para continuar, clique aqui.

Há alguns anos atrás eu escrevi um artigo (unpublished) defendendo que a carícia sexual seria uma exadaptação do carinho mãe-filhote (e por que não pai-filhote). O argumento óbvio é que enquanto o cuidado (“care”) com os filhotes é evolucionariamente essencial para os mamíferos, o ato sexual em si não é nada carinhoso na maior parte das espécies. A carícia sexual é um bonus a mais, não é necessária para a reprodução.

Isso pode parecer trivial a menos que você lembre que uma leitura rasa Freudiana diria o contrário, que o carinho e as carícias materno-infantis são de origem sexual. Mas isso só acontece se você ampliar tanto o significado de sexual que a teoria se torna irrefutável.

Como esse bônus a mais surgiu? Me parece uma simples estratégia, não necessariamente incorporada geneticamente: se uma mulher oferecer sexo mais carinho ela irá liberar mais hormônios de ligação (oxitocina, vasopressina) no companheiro do que a mulher que oferece apenas sexo (ou apenas carinho). Imagino que o mesmo acontece ao contrário, as mulheres procuram homens carinhosos (evidência: faça uma estatística de palavras-chave nos sites de relacionamento).

É possível que esse comportamento estratégico das mulheres (aumentar a fidelidade do companheiro usando carinho) tenha tido um efeito colateral evolucionário. Os homens mais sensíveis à oxitocina teriam sido selecionados, ou seja, aumento de neotenia masculina.

Traduzindo: os homens ficaram mais acriançados, mais controláveis, o comportamento (patológico) da mulher que também é mãe do companheiro apareceu. Como elas dizem: Quando um homem cresce, apenas aumenta o tamanho dos brinquedos…

Quanto à “amarração para o amor” e as “poções do amor” neuroquímicas discutidas no artigo do Reinaldo (para prever a futura tecnologia basta examinar as promessas da magia), parece que já conhecemos isso faz tempo não? A poção chama-se “Carinho & Carícia”…

PS: Reinaldo recebeu a notícia de que iria ser pai pela primeira vez pelo celular,dentro do meu carro enquanto eu, Carlos Hotta e Átila o levávamos para a Rodoviária, no final do I EWCLiPo. Será isso o que tem motivado suas colunas sobre amor romântico, oxitocina e bebês? Reinaldo, a presença de um bebê configura um triângulo amoroso (esse bebê da foto parece estar olhando para o pai e dizendo “Agora ela é minha!”) . Se no futuro você se sentir meio por fora, com seu estoque de vasopressina em baixa, eu posso lhe recomendar muita paciência, paciência e paciência…

Self = pattern, genome = network?

Um ótimo artigo do Pinker no NYT, um pouco longo mas vale a pena ler.

De tudo o que Pinker fala, me parece que a personalidade humana é uma combinação não linear de traços psicológicos, e que cada traço é uma espécie de parâmetro de ordem emergindo da interação não linear entre genes (na verdade, deve haver alguns outros níveis entre estes). Ou seja, são propriedades coletivas de subredes genéticas. Achei especialmente interessante sua observação sobre o papel do acaso, um fator talvez mais importante que nature ou nurture.

Mas espere: e se a rede genética for como uma rede de Hopfield? Os genes estruturais podem estar ativos ou inativos (estado S_ j(t) ) e os genes reguladores afetariam os links J_ij, que também poderiam variar lentamente no tempo ou ser influênciados pelo estado total da rede.

Assim, mesmo com o modelo mais simplesinho, eu posso fazer uma estimativa de ordem de grandeza. Se eu tenho N genes estruturais, mesmo se eu manter os genes reguladores iguais, eu poderia ter até 2N fenótipos! Ok, Hebbianamente mais plausivel, 0.14 N fenótipos (padrões descorrelacionados), que seja.

Isso quer dizer que eu poderia ter 0.14 N fenótipos para o mesmo genoma! Ou seja, supondo N = 10.000 (e deixando os outros 13 mil ou mais para genes reguladores), o mesmo genoma poderia produzir 1400 fenótipos descorrelacionados!

Ou seja, eu poderia ter mais de mil clones todos eles diferentes entre si em grau apreciável. O efeito do meio (campo externo) e do acaso (temperatura) seria afetar que bacia de atração (fenótipo) seria atingida ao longo da processo de desenvolvimento ao longo da vida. Isso explica trivialmente porque gêmeos univitelinos não são idênticos, e porque nós mesmos mudamos ao longo da vida (pulamos de bacia de atração para bacia de atração devido a campos externos ou flutuações do acaso…

Um extrato do artigo do Pinker:

Think of a pair of identical twins you know. They are probably highly similar, but they are certainly not indistinguishable. They clearly have their own personalities, and in some cases one twin can be gay and the other straight, or one schizophrenic and the other not. But where could these differences have come from? Not from their genes, which are identical. And not from their parents or siblings or neighborhood or school either, which were also, in most cases, identical. Behavioral geneticists attribute this mysterious variation to the “nonshared” or “unique” environment, but that is just a fudge factor introduced to make the numbers add up to 100 percent.

No one knows what the nongenetic causes of individuality are. Perhaps people are shaped by modifications of genes that take place after conception, or by haphazard fluctuations in the chemical soup in the womb or the wiring up of the brain or the expression of the genes themselves. Even in the simplest organisms, genes are not turned on and off like clockwork but are subject to a lot of random noise, which is why genetically identical fruit flies bred in controlled laboratory conditions can end up with unpredictable differences in their anatomy. This genetic roulette must be even more significant in an organism as complex as a human, and it tells us that the two traditional shapers of a person, nature and nurture, must be augmented by a third one, brute chance.

EUA liberam estimulante cerebral eletromagnético contra depressão

Da Folha OnlineFrance Presse, em Washington

A agência americana de medicamentos e alimentos (FDA) autorizou a venda do primeiro estimulante cerebral eletromagnético para tratar de depressões graves, contra as quais as drogas conhecidas não são eficazes.

A autorização, concedida no dia 7 de outubro, só foi anunciada ontem (21), destacou o porta-voz da FDA Scott McFarland.

O sistema, chamado de NeuroStar TMS (Transcranial Magnetic Stimulation), constitui um procedimento que dura 40 minutos e pode ser ministrado pelo psiquiatra durante uma consulta.

O aparelho produz impulsos eletromagnéticos de forte intensidade que estimulam os neurônios em uma região do cérebro ligada à depressão.

Fabricado pela empresa americana Neuronetics, o tratamento é geralmente aplicado diariamente, durante quatro a seis semanas, e não exige qualquer cirurgia ou anestesia.

“O NeuroStar TMS mostrou efeitos terapêuticos estatisticamente e clinicamente significativos”, destacou Phil Janicak, professor de psiquiatria da Universidade Rush de Chicago (Illinois), principal autor do estudo realizado para obter a aprovação da FDA.

Metade dos pacientes atualmente tratados no mundo com antidepressivos não apresenta progressos, segundo John Greden, professor de psiquiatria e diretor do centro de depressão da Universidade de Michigan (norte).

Interfaces Cérebro-Máquina


Esse negócio está avançando mais rápido do que eu pensava. Realmente transmitir os sinais por rádio é uma boa idéia. A questão é, imagino, a manutenção da prótese (deve haver fenômenos de rejeição). 

Fico imaginando se em vez de fazer a comunicação “neurônio do cortex motor” para “neurônio motor” (pulando o nervo danificado) não se poderia usar um neurônio motor pouco usado (um ligado à minha bochecha) para, via prótese, estimular uma via abaixo de uma lesão na coluna cervical. Ou seja, nada de eletrodo invasivo no cortex motor, mas sim em um neurônio motor do sistema periférico não afetado pela lesão. Me parece mais fácil de fazer os implantes, a manutenção, e se der algum pepino, pelo menos não é no cortex… E, é claro, o que seria treinado seriam os neurônios do cortex motor responsáveis pela ativação daquele neurônio periférico. 

Qua, 15 Out, 03h10 do YAHOO

PARIS (AFP) – Um único neurônio é tudo de que se precisa para restabelecer o movimento voluntário de músculos paralisados, informaram nesta quarta-feira médicos norte-americanos.

Em experiências que apontam para novos tratamentos para paralisias provocadas por ferimentos na coluna vertebral ou acidentes vasculares, macacos aprenderam em poucos minutos a dominar o poder de um único neurônio para ativar músculos imobilizados por drogas.

Há cerca de 100 bilhões de neurônios no cérebro humano, e o estudo sugere uma surpreendente flexibilidade no tipo de tarefas que podem desempenhar.

“Quase todos os neurônios que testamos podem ser utilizados pra controlar esse tipo de estímulo”, declarou o autor e pesquisador da Universidade de Washington, Chet Moritz, em uma audioconferência com jornalistas.

Se um macaco pode fazer isso, um humano pode fazê-lo ainda melhor, indicou.

Os testes clínicos ainda levarão vários anos para comprovar isso, acrescentou Moritz.

Ferimentos na coluna vertebral provocam diferentes tipos de limitações motoras a centenas de milhares de pessoas por ano em todo o mundo, fazendo que os gestos mais simples -abrir uma porta, coçar-se, ou beber um copo de água- fiquem muito difíceis, até impossíveis.

Primeiro os cientistas conectaram eletrodos em neurônios individuais dentro do córtex motor do cérebro de um macaco e registraram a atividade elétrica.

Esses sinais foram enviados em tempo real para um computador, e de lá, por meio de um estimulador, para outro conjunto de eletrodos conectados diretamente a músculos do punho do macaco, que foram bloqueados de maneira artificial ao longo do canal neural normal.

Já que é necessário pouco poder de processamento, o computador tem o tamanho de um telefone celular e pode ser fixado ao corpo do animal.

Versões futuras serão sem fio e pequenas o bastante para que possam ser implantadas diretamente no corpo, indicou o pesquisador.

O macaco aprendeu um jogo de videogame simples, acertando alvos em uma tela com um aparelho controle remoto que manejou com uma só mão.

“Mas quando foi paralisado, a única maneira que tinha de mover seu punho era mudar a atividade de um neurônio individual em seu cérebro”, explicou Moritz.

Em média, o macaco leva 10 minutos para “treinar” o novo neurônio o suficiente para que possa voltar a jogar.

“O cérebro pode aprender muito rápido a controlar novas células e a utilizá-las para gerar movimentos”, disse o co-autor, Eberhard Fetz.

Este é também o primeiro estudo que prova que um neurônio pode controlar um músculo e possivelmente todo um grupo de músculos.

Eletrodos conectados a um lugar particular da coluna vertebral abaixo de um ferimento podem ativar 10 ou 15 músculos que já estão preparados para segurar uma xícara de café ou caminhar, disseram os pesquisadores.

E se um acidente vascular danificou o córtex motor, os pacientes poderão redirecionar outros neurônios que habitualmente não controlam músculos.

No entanto, restam vários obstáculos a serem superados antes que essas novas técnicas possam ser testadas em humanos, indicou.

Para evitar infecções, o sistema deve poder ser completamente implantado, para que os fios não passem através da pele. E os eletrodos deverão ser mais estáveis para que possam registrar a atividade de neurônios ao longo de anos, e não só semanas.

Um press release da Nature pode ser encontrado aqui.

Noosfera mais social e menos sexual

História da Blogosfera, Blogs Coportativos & PR 2.0

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A Noosfera (esta página da Wiki precisa ser melhorada), cuja base física aparentemente será a WWW e cujo lado discursivo, “consciente”, é a Blogosfera, parece rumar para um aspecto mais social e menos sexual: ou seja, é como se um sistema cortical estivesse emergindo, depois de uma fase com predomínio de um sistema límbico.

Do Portal G1: Há dez anos, afirma Tancer, o conteúdo pornográfico era responsável por 20% das buscas feitas na rede. Atualmente, esse número está em 10%. Na liderança das buscas estão as redes sociais, como Orkut, Facebook e MySpace, entre outros. Redes sociais são as páginas mais procuradas na rede, diz pesquisador. Busca por conteúdo adulto caiu de 20% para 10% em dez anos.

As redes sociais estão, atualmente, entre os sites mais procurados da internet, tirando da liderança dos sites de pornografia e indicando uma mudança no comportamento dos internautas. Quem afirma é pesquisador Bill Tancer, que analisou informações sobre hábitos de navegação de 10 milhões de usuários. Tancer, autor do livro ‘Click’, afirma que é possível entender as pessoas avaliando o conteúdo que elas buscam e navegam na rede. “A rede dá uma visão atualizada de como a sociedade e as pessoas estão mudando”, afirma o pesquisador. 

Em suas pesquisas, ele encontrou dados curiosos, como o aumento da procura por antidepressivos durante o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos. Há também a descoberta de que alguns termos estranhos, como “sujeira no umbigo” e “ventilador de teto” sempre se mantêm entre os mais populares da rede. “Existem alguns padrões no uso da internet, e eles se repetem de forma específica e previsível”, diz o pesquisador. “Dietas, vestidos para baile de formatura, e viagens, por exemplo, são termos que ‘explodem’ em buscas quase sempre na mesma época.”

Vaca se orienta pelo campo magnético da Terra, diz estudo

Logo alguém irá fazer um modelo de Ising para isso…
Foto: cálculos (biliares?) encontrados em vacas (bovis bezoar). Qual a relação entre cálculos e Cálculo? Veja aqui.

da Associated Press

Fazendeiros e pessoas atentas do interior sabem que a maioria do gado, quando pasta, volta-se para a mesma direção. Muitos se perguntam o que determina esse alinhamento. Agora, um estudo publicado no periódico “Proceedings of the National Academy of Sciences” parece responder, pelo menos em parte, a essa questão. Para pesquisadores alemães e tchecos, o campo magnético da Terra é um dos principais fatores determinantes.
Morry Gash/AP
Vacas, que normalmente ficam na direção norte-sul, pastam em Wisconsin, nos EUA
De acordo com os cientistas, que analisaram fotos de satélite de milhares de bovinos ao redor do mundo e também fizeram estudos de campo, parece que o gado sabe como encontrar o norte e o sul.
A maior parte dos animais observados que pastava ou descansava tendia a alinhar os seus corpos em uma direção norte-sul, afirmou o estudo, conduzido por Hynek Burda e Sabine Begall, da Faculdade de Biologia na Universidade de Duisburg-Essen, na Alemanha.
A constatação se mantém verdadeira independentemente do continente em que o rebanho se localize, segundo eles. “O campo magnético da Terra tem de ser considerado como um fator”, declararam.
O tema desafia os cientistas a descobrir por que e como estes animais alinham o corpo ao campo magnético, disse Begall.
“Naturalmente, a questão levanta se os seres humanos também apresentam um comportamento espontâneo”, afirmou. O estudo levou Tina Hinchley, que cuida com o marido de uma fazenda leiteira no Estado de Wisconsin, EUA, a ter um novo olhar para uma foto aérea tomada de sua fazenda há alguns anos atrás. “As vacas estavam espalhadas por todos os lados do pasto e cerca de dois terços estavam na direção norte-sul”, disse Hinchley.
Essa proporção é próxima da verificada pelos investigadores ao olhar para 8.510 bovinos em 308 pastagens. No estudo, entre 60% e 70% dos bovinos ficaram virados para a direção norte-sul, o que Begall chamou de “desvio altamente significativo de distribuição aleatória”.
Meteorologia
A equipe de pesquisa observou que, quando há ventania, o gado tende a enfrentar o vento, e também tende a procurar o sol em dias frios. Mas os cientistas disseram que foram capazes de descontar os efeitos meteorológicos no estudo, analisando pistas como a posição do sol baseada em sombras.
“Esta é uma descoberta surpreendente”, disse Kenneth J. Lohmann, do Departamento de Biologia da Universidade da Carolina do Norte. Lohmann, que não fez parte do estudo, advertiu, porém, que a pesquisa “é inteiramente baseada em correlações”.
“Para demonstrar conclusivamente que os bovinos têm um senso magnético, algum tipo de manipulação experimental será eventualmente necessária”, disse.

Pikachu na Ciência

Enquanto eu estava dando uma olhada na Nature Neuroscience, meu filho Leonardo me mostrou a foto anexa, que ele encontrou fazendo buscas no Google. Ele aprendeu a fazer isso nos últimos dois meses, e acho que isso corresponde a um rito de passagem como quando o filho aprendia a ler antigamente!.

Nature Neuroscience Reviews

Unraveling the ribbon synapse pp857 – 859

Jakob S Satz and Kevin P Campbelldoi:10.1038/nn0808-857

A new study identifies pikachurin, a previously-unknown dystroglycan-binding protein that is critical for the apposition of photoreceptor and bipolar cell dendrites at the ribbon synapse. This work could explain some of the visual defects seen in several muscular dystrophies.

Full Text PDF See also: Article by Sato et al.

LASCON 2008 – Escola Latino Americana de Neurociência Computacional


Não pude participar na primeira semana devido a um problema de coluna, mas espero participar a partir de amanhã.

Do boletim do DFM:

De 13 de julho a 01 de agosto, acontece a “II Escola Latino-Americana de Neurociência Computacional LASCON 2008 , sob organização do Prof. Antonio Carlos Roque da Silva , o evento tem como objetivo treinar estudantes e jovens pesquisadores latino-americanos na arte de modelar matematicamente e simular computacionalmente neurônios e circuitos neurais. A escola será possível graças ao apoio financeiro da IBRO ( International Brain Research Organization ), do CNPq e da FAPESP, além do apoio logístico do DFM e da FFCLRP. Para maiores detalhes, favor consultar a página da escola em
http://neuron.ffclrp.usp.br/page.php?4

Ver também: Computational Neuroscience (Wikipedia)

Itinerância caótica com outro nome

Ler e mandar para Juliana Dias. Verificar as referências, especialmente a do New Journal of Physics. Ver também:

Neuroscience: States of mind: Nature 425, 912-913 doi : 10.1038/425912a
Learning in cognitive systems with autonomous dynamics
Authors: Claudius Gros, Gregor Kaczor
(Submitted on 8 Apr 2008)

Neural networks with transient state dynamics

Claudius Gros 2007 New J. Phys. 9 109 doi: 10.1088/1367-2630/9/4/109 Help

PDF (670 KB) HTML References
Claudius Gros1
Institute of Theoretical Physics, J.W. Goethe University Frankfurt, 60438 Frankfurt, Germany
1 http://itp.uni-frankfurt.de/˜gros

Abstract. We investigate dynamical systems characterized by a time series of distinct semi-stable activity patterns, as they are observed in cortical neural activity patterns. We propose and discuss a general mechanism allowing for an adiabatic continuation between attractor networks and a specific adjoined transient-state network, which is strictly dissipative. Dynamical systems with transient states retain functionality when their working point is autoregulated—avoiding prolonged periods of stasis or drifting into a regime of rapid fluctuations. We show, within a continuous-time neural network model, that a single local updating rule for online learning allows simultaneously (i) for information storage via unsupervised Hebbian-type learning, (ii) for adaptive regulation of the working point and (iii) for the suppression of runaway synaptic growth. Simulation results are presented; the spontaneous breaking of time-reversal symmetry and link symmetry are discussed.

O livre arbítrio da Blogosfera

Experimento consegue “prever” decisão cerebral

da Folha de S.Paulo

As decisões atribuídas ao livre-arbítrio humano podem ser formadas inconscientemente vários segundos antes de o cérebro tomar consciência delas. Essa é a conclusão defendida por um estudo publicado no domingo (13) pela revista “Nature Neuroscience”. O trabalho se baseou em um experimento no qual voluntários tiveram seus cérebros monitorados por ressonância magnética.
No teste, elaborado por cientistas do Instituto Max Planck para Cognição Humana e Ciências Cerebrais, de Leipzig (Alemanha), pessoas tinham de decidir livremente por apertar um de dois botões em um controle. Ao mesmo tempo ficavam olhando uma seqüência de letras projetada numa tela, que não deveria influir na decisão. Os voluntários tinham apenas de dizer que letra estavam observando quando finalmente decidiam qual botão apertar.
Comparando o momento em que as pessoas se diziam conscientes de suas decisões com padrões de atividade cerebral registrados no aparelho de ressonância magnética, os cientistas tiraram sua conclusão.
“Descobrimos que o resultado de uma decisão pode ser codificado como atividade cerebral nos córtices pré-frontal e parietal [regiões na superfície do cérebro] até dez segundos antes de entrarem na consciência”, escrevem os autores do estudo, liderado por John-Dylan Haynes.
“A impressão de que podemos escolher livremente entre duas possíveis linhas de ação é essencial para nossa vida mental. Contudo, é possível que essa experiência subjetiva de liberdade não seja mais do que uma ilusão e nossas ações sejam iniciadas por processos mentais inconscientes bem antes de tomarmos consciência de nossa intenção de agir.”

Existe uma analogia (que desenvolverei num próximo post) entre redes de blogs e redes de neurônios. Em particular, cada blog tem um “campo receptivo”, ou seja, responde somente a certos tipos de estímulos, e os posts seriam equivalentes a spikes que poderiam induzir o disparo de outros spikes (posts) em blogs conectados (com sinapses ou links efetivos cuja mudança provavelmente obdecem a alguma regra Hebbiana ou correlacional.

Quando um estímulo inesperado aparece (por exemplo, um terremoto), a blogosfera reage com uma onda coletiva de posts. Assim, a atividade é posterior ao estímulo. Porém, no caso de atividade interna, muitas vezes a atividade precede o pico da onda.

Se supormos que a “atenção” ou “consciência” da blogosfera corresponda a esta onda atingir o pico (ou uma meia altura talvez), então a atividade “inconsciente” precede a atividade “consciente” (ou seja, quando a atenção da blogosfera está voltada para o tal tópico ou tag) por vários dias. Isso não lembra essas experiências relatadas acima?

Ilusão do amor

Copyright A.Kitaoka 2004 (May 22)

24/03/2008 – 10h56 – Da Folha Online
Amor “desativa” capacidade de criticar a pessoa amada
da Efe, em Barcelona
As últimas investigações sobre o funcionamento do cérebro revelaram que as pessoas apaixonadas perdem a capacidade de criticar seus parceiros, ou seja, se tornam incapazes de ver seus defeitos.
Pelo menos isto é o que ocorre nos casos de amor romântico ou maternal, nos quais se detectou que, diante de determinados sentimentos, as mesmas regiões do cérebro são ativadas, segundo explica a neurobióloga Mara Dierssen, pesquisadora do Centro de Regulação Genômica de Barcelona.
O mais curioso do caso, no entanto, é que, paralelamente a esta estimulação que se produz nas mesmas regiões cerebrais, em ambos os tipos de amor também se “desativa” a zona do cérebro encarregada do julgamento social e da avaliação das pessoas. Suprime-se, portanto, a capacidade de criticar os seres queridos.
“Quando nos apaixonamos perdemos a capacidade de criticar nosso parceiro, por isso se pode dizer que, de certa maneira, o amor é cego”, afirma Dierssen, que recentemente participou em Barcelona de um ciclo sobre “Amor, ciência e sexo”.
Os estudos que há vários anos são realizados em humanos e ratos para conhecer o complexo funcionamento do cérebro estão apresentando dados tão inovadores como surpreendentes no sempre estimulante terreno do amor.
Esses avanços estão ajudando, por exemplo, a responder a perguntas tão básicas, quanto também enigmáticas e sugestivas, como o que acontece em nosso interior quando nos apaixonamos, o que acontece no cérebro ou por que sentimos –ou não– desejo sexual.

Cérebros culinários

OK, OK, o paper da culinária foi rejeitado, tentarei agora submetê-lo ao Physical Review E. Mas destaco abaixo esta notícia para os engraçadinhos que acham que culinária é um assunto de importância científica inferior (será isso um ranço sexista?)

Do blog Visões da Vida dr \reinaldo José Lopes, no G1:

Vida de macaco, pode acreditar, não é brincadeira. Ao pensar nos símios, a gente logo imagina os bichos descascando tranqüilamente uma banana e mastigando a guloseima. Acontece que, sem plantações gerenciadas por humanos por perto, os bichos são obrigados a deglutir coisas como esta ao lado.
Sim, ISSO aí em cima é uma BANANA. Ou ao menos uma banana em sua versão ancestral, antes que a invenção da agricultura a transformasse no acompanhamento perfeito para a farinha láctea. As outras frutas que os primatas precisam encarar na natureza não são muito melhores. Eis aqui as palavras do bioantropólogo americano Richard Wrangham, que não me deixa mentir. “As frutas típicas da dieta dos chimpanzés são muito desagradáveis, muito fibrosas, bastante amargas. O efeito geral delas é que você não vai querer comer mais de duas ou três antes de sair correndo para tomar um copão d’água e dizer: ‘Esse não foi um experimento agradável. Espero não ficar doente’. Contêm pouco açúcar, e algumas fazem seu estômago revirar”, declarou ele à revista “Scientific American”. O malfadado teste levou Wrangham, que trabalha na Universidade Harvard, a uma conclusão inescapável: nossa espécie precisou inventar a culinária para chegar aonde está hoje.
Para ser mais exato, argumenta o bioantropólogo, só o uso do fogo para tornar os alimentos palatáveis teria sido capaz de proporcionar aos nossos ancestrais remotos a comida de alta qualidade que alimentaria seus cérebros sedentos de energia. Cozinhar, segundo essa perspectiva inovadora, estaria longe de ser a cereja do bolo (com o perdão do trocadilho) da nossa humanidade. Pelo contrário: primeiro teríamos virado chefs para só depois darmos um salto de capacidade mental. Wrangham ainda não conseguiu provar sua hipótese, e algumas peças do quebra-cabeça traçado por ele não se encaixam (mais sobre isso daqui a alguns parágrafos). Mas a idéia de uma humanidade eminentemente culinária tem diversos pontos intrigantes a seu favor, como veremos a seguir.
Miolos famintos
Como já tive a ocasião de mencionar algumas vezes nesta coluna, nossos cérebros são órgãos sequiosos de energia. Uma comparação entre massas iguais de tecido cerebral e tecido muscular revela um consumo 22 vezes maior de energia no cérebro. O mais lógico é que essa mesma densidade de energia requerida pelo cérebro esteja presente na densidade de energia da comida que o alimenta.E aí começam os problemas. Quando a nossa massa encefálica não era muito maior que a de um chimpanzé (situação que perdurou até cerca de 2 milhões de anos atrás), não era tão limitante assim usar uma dieta relativamente pouco nutritiva. Há 1,7 milhão de anos, contudo, surge o ancestral humano conhecido como Homo erectus – uma criatura cujo cérebro tinha quase o triplo do tamanho do cérebro de um chimpanzé, e cujos dentes sofreram uma redução considerável se comparados aos dos hominídeos mais antigos. Algum fator importante permitiu que o cérebro do Homo erectus crescesse e seus dentes encolhessem. A pergunta é: qual?
Existe uma correlação bem conhecida entre o tamanho proporcional do cérebro de primatas e as dimensões de seus intestinos. Como o organismo nunca dispõe de recursos ilimitados, parece haver uma “escolha” (obviamente inconsciente) entre investimentos de energia. Ora, intestinos volumosos são, em geral, uma necessidade quando é preciso digerir alimentos relativamente pobres em proteínas. Quanto a isso, os dados recolhidos por Wrangham não mentem: até os mais vegetarianos entre os caçadores-coletores de hoje têm uma dieta com, no máximo, 10% de fibra não-digerível. Já os chimpanzés têm de enfrentar 32% de fibra não-digerível no seu cardápio, o qual se compõe basicamente de frutos (60%), folhas e uma pequena quantidade de carne crua.
Se um Homo erectus tivesse de alimentar seu cérebro descomunal (ao menos para padrões chimpanzescos) com a mesma dieta, teria de obter três quilos de comida por pessoa ao dia, além de gastar SEIS horas diárias mastigando tudo isso antes de engolir. Não é um estilo de vida muito viável, para dizer o mínimo.
A coisa muda radicalmente de figura se o dito hominídeo aprender a cozinhar, no entanto. Uma série de alimentos se tornam incrivelmente mais fáceis de mastigar (basta comparar uma mandioca crua com outra cozida para saber do que eu estou falando). E, mais importante, muito mais fácil de digerir. Tomemos como exemplo a proteína animal, explica Wrangham: no formato cru, ela tende a se organizar de forma rígida, com uma estrutura ordenada que atrapalha a ação dos sucos digestivos. Ao ser cozida, seu estado natural de desorganização desaparece. É como abrir uma brecha nos muros de um castelo: fica menos difícil invadi-lo.
Resumindo a ópera, Wrangham aposta que o domínio do fogo como instrumento de cozimento disponibilizou, de forma quase instantânea, uma quantidade vasta de nutrientes para os ancestrais do Homo erectus. A fartura recém-adquirida tirou os hominídeos da encruzilhada entre cérebros e intestinos: agora, sobrava energia e não era mais preciso investir tantas tripas em obtê-la. Cérebros maiores, portanto, tornaram-se viáveis e, quando mutações ligadas a essa característica deram as caras, foram selecionadas e passadas adiante. Cadê o fogo que estava aqui?
Apesar da série impressionante de “encaixes” biológicos por trás da idéia, o que ainda não está claro é se o uso controlado do fogo é mesmo tão antigo quanto o Homo erectus. Os pesquisadores ainda batem cabeça em relação às evidências dessa tecnologia. Há quem veja indícios de fogueiras controladas no leste da África de 1,6 milhão de anos atrás – o que funcionaria relativamente bem para Wrangham.
Muita gente, no entanto, ainda contesta essa data. Por enquanto, a mais antiga data aceita para uma fogueira feita por mãos hominídeas vem do norte de Israel e corresponde a apenas 800 mil anos – uma época em que o Homo erectus talvez já estivesse desaparecendo da África e do Oriente Médio. Por mais saborosa que seja a hipótese de Wrangham, ainda falta o ingrediente final.
PS: Se a evidência mais antiga de fogueira é de 800.000 anos, dado que ela é fruto de uma amostragem sobre uma quantidade de eventos bastante rara (fogueiras fósseis potencialmente encontráveis pelos cientistas), então podemos concluir que certamente existem fogueiras mais antigas. quanto mais? Idéia: plote o número N(t) de fogueiras fósseis encontradas até hoje em função do tempo, considere a probabilidade p de uma fogueira fossilizar, faça uma extrapolação para o passado. Acho que não seria dificil dobrar a antiguidade das fogueiras…

ANTI-STDP e homeostase sináptica

A teoria do unlearning de atratores profundos (pensamentos obsessivos, sejam ameaçadores sejam prazeirosos – afinal ansiedade (ter medo) e ansiar (desejar) estão relacionados, pelo menos na amidala) poderia ser enunciada numa frase: durante o sonho é promovida uma homeostase entre atratores. Acho que isso deveria ser verificado também nos sistemas motores (atratores fortes = tremores) e sistemas corticais (atratores fortes = músicas recorrentes – catchy songs)…

Mais uma referência para o paper com Juliana. Notar que anti-STDP equivale ao mecanismo anti-hebbiano de unlearning de Crick-Mitchison. Notar também que Rumsey e Abott discutem a possibilidade de que anti-STDP seja um processo desencadeado durante o sono. É óbvio que Abott têm em mente os trabalhos de unlearning da década de 80 e 90. Acho que o que é novo na minha proposta é o envolvimento do sistema endocanabinoide na implementação biofísica do processo anti-STDP. O tempo dirá… Que pena que o meu paper de 2002 não foi aceito pela BBS. Ah, sim, a versão do Arxiv têm aquele misprint “receptores DB1” em vez de “receptores CB1”. Não tive tempo pra corrigir isso, o farei na nova versão…

Neurophysiol 91: 1941-1942, 2004; doi:10.1152/jn.01246.2003
0022-3077/04 $5.00

Editorial Focus

Rebuilding Dendritic Democracy. Focus on “Equalization of Synaptic Efficacy by Activity- and Timing-Dependent Synaptic Plasticity”

Hebbian learning has become a very influential paradigm, which states that learning in neural networks is achieved by modifying synaptic connections between neurons in proportion to their correlated activity (Gerstner and Kistler 2002Go). While this process is desirable to detect relevant inputs to be learned, it also represents a positive feedback mechanism that becomes discriminatory when different synapses do not have equal starting points to begin with. For example, activation of a “strong” synapse from neuron A onto neuron B will increase the activity of neuron B, resulting in an increase in the correlation between the two neurons and hence an increase in its own strength—and conversely, a further weakening of weak synapses. Starting points are unequal when applying Hebbian learning to synapses located on dendrites, as are most excitatory synapses in the CNS. Postsynaptic potentials are attenuated as they travel from the synapse toward the soma in a manner that depends on the cable structure and the membrane properties of dendrites. Thus distal synapses are weaker to start with, compared to more proximal synapses, in their ability to influence neuronal output via the axon. Facing such a situation, distal dendritic synapses might as well give up completely. Not only are they attenuated, but according to Hebbian learning their destiny is extinction.

Au contraire. In several cell types in which synaptic conductance has been measured directly as a function of the distance of the synapses from the soma, it was at least constant on average (Williams and Stuart 2002Go) or even increased with distance from the soma (Magee and Cook 2000Go; for review, see Häusser 2001Go). This distance-dependent scaling of the synaptic conductance appears to counterbalance the voltage attenuation, rendering excitatory postsynaptic potential (EPSP) amplitude at the soma insensitive to its dendritic origin, a situation that has been called “dendritic democracy” (Häusser 2001Go; but see London and Segev 2001Go). But how can a synapse possibly tell its distance from the soma to scale its conductance properly?

In this issue of the Journal of Neurophysiology (p. 2273–2280), Rumsey and Abbott provide an elegant demonstration of how synapses can solve this problem and rebuild dendritic democracy using an anti-Hebbian spike-timing-dependent plasticity (anti-STDP) rule. The key to their method relies on the important distinction between “synaptic strength” and “synaptic efficacy.” The first reflects the biophysical parameters of the synapse that are modified by the learning rule (e.g., postsynaptic conductance, presynaptic release probability), whereas the second measures the effect of the synapse on neuronal output. When a presynaptic spike precedes the postsynaptic spike, the synaptic strength is reduced according to the anti-STDP rule and vice versa. This makes the algorithm sensitive to the implicit synaptic efficacy: a proximal dendritic synapse that initially tends to increase the probability of the postsynaptic neuron to fire will be weakened because its presynaptic spike will tend to occur before the postsynaptic spikes, whereas a distal synapse will become stronger. When applied to dendritic neurons, anti-STDP therefore results in distance-dependent synaptic scaling, leading to equalization of synaptic efficacies (rather than equalization of somatic EPSP amplitudes).

While this is a simple and efficient solution to a potentially serious problem, Rumsey and Abbott point out that many questions remain. For example, how is anti-STDP implemented as a biophysical mechanism? How can anti-STDP coexist peacefully with (Hebbian) STDP mechanisms that strengthen correlated synaptic inputs and would therefore be expected to undo the work of anti-STDP? Probably a range of Hebbian and homeostatic mechanisms (Turrigiano and Nelson 2000Go) is operating in parallel, at different time scales, and synapses between different types of neurons may be governed by different STDP mechanisms. This may apply even to synapses at different dendritic locations on the same postsynaptic neuron because the long-term depression (LTD) part of the anti-STDP timing rule depends on retrograde signaling via the backpropagating action potential (bAP), which informs the dendritic synapses that the axon has fired (Stuart et al., 1997Go). However, backpropagation is decremental in most cell types (Stuart et al. 1997Go; Vetter et al. 2001Go; Waters et al. 2003Go), and the decreasing amplitude of the bAP is likely to influence the biophysical mechanisms underlying the timing rule (Sourdet and Debanne 1999Go). In fact, the amplitude and waveform of the bAP might be an alternative source of information from which synapses can read out their dendritic position. It will not be easy to validate experimentally that anti-STDP is responsible for distance-dependent synaptic scaling because it is difficult to measure synaptic efficacy and because the synaptic changes are probably happening slowly.

In the neocortex, synaptic connections between pairs of neurons are typically made by several individual synaptic contacts (Markram et al., 1997aGo). Because they share the same presynaptic axon, their activity is highly correlated, and it is their joint efficacy that would be equalized to that of other presynaptic axons in the model of Rumsey and Abbott. This kind of equalization is not observed experimentally, however, as the unitary somatic EPSP amplitude of synaptic connections between the same types of neurons varies over more than an order of magnitude (Markram et al., 1997aGo). This could be due to (Hebbian) STDP operating in parallel (Markram et al., 1997bGo), and of course due to different patterns of correlations between different presynaptic axons. Intriguingly, different synaptic contacts within a given connection between a pair of neurons, which share similar histories of pre- and postsynaptic activity, do show a normalization of synaptic strength (Koester et al., 2003Go). The work of Rumsey and Abbott should provide a stimulus for further experimental and theoretical research into STDP timing rules and location dependence of synaptic plasticity.

Arnd Roth and Michael London

Wolfson Institute for Biomedical Research and Department of Physiology, University College London, London WC1E 6BT, United Kingdom

Sono e homeostase sináptica

Blogando de Recife. Mais uma referência para meu trabalho com Juliana Dias:

Nature Reviews Neuroscience 9, 166-167 (March 2008) | doi:10.1038/nrn2348

Synaptic plasticity: Rise and shine (we are all morning people!)

Monica Hoyos Flight

Synaptic plasticityRise and shine (we are all morning people!)

The effects of sleep on learning and memory are well documented — many studies have shown a decline in the performance of memory tasks following sleep deprivation — yet the effects of sleep on synaptic plasticity are not well understood. The latest findings from Giulio Tononi’s group, published in Nature Neuroscience, suggest that sleep performs a homeostatic function by resetting synaptic potentiation.

First the authors investigated changes in the activity of signalling proteins involved in synaptic potentiation that occur during the early stages of sleep and wakefulness, using synaptoneurosomes (preparations containing enriched pinched-off, resealed presynaptic structures attached to resealed postsynaptic processes) from rat cortex and hippocampus. They found a correlation between the levels and activity of these long-term potentiation (LTP)/long-term depression (LTD)-associated molecules and the amount of sleep the animals had experienced in the preceding 6 hours. A 50% increase in the levels of GluR1, an alpha-amino-3-hydroxy-5-methyl-4-isoxazole propionic acid (AMPA)-receptor subunit that can be used as a molecular fingerprint of LTP, was observed in the cortical preparations from animals that had been awake for at least 4 hours during the 6-hour period (awake group) compared with those that had slept for at least 4 hours (sleep group). The levels of phosphorylated GluR1, which is associated with membrane incorporation, and of one of the kinases responsible (CAMKII) were also increased, further supporting the idea that glutamatergic synapses might be stronger after periods of wakefulness. In addition, in hippocampal preparations, increased levels of the NMDA (N-methyl-D-aspartate)-receptor subunit NR2A and of phosphorylated glycogen synthase kinase 3beta — proteins that have been shown to increase and decrease in concentration during hippocampal LTP and LTD, respectively — were also found in the awake group.

Next they examined electrophysiological correlates of LTP and LTD. Local field potentials (LFPs) have been shown to increase after LTP-inducing procedures in vivo, and the authors showed that after 1 hour of wakefulness the slope of LFPs evoked by electrical stimulation increased significantly, whereas it decreased after 2 hours of sleep. These effects were exacerbated after longer periods of wakefulness or sleep. Similarly, the amplitude of cortical evoked responses increased after wakefulness and decreased after sleep. These effects are not dependent on the time of day, as experiments with rats that had undergone enforced wakefulness yielded similar results.

Interestingly, it was easier to induce LTP in rats shortly after a period of sleep than after several hours of wakefulness, suggesting that prolonged wakefulness might saturate neuronal circuits and that sleep performs a restorative function by correcting the imbalance that occurs during wake time.

This study shows that both molecular and electrophysiological indicators of synaptic efficacy in the cortex and hippocampus change as a function of wake and sleep history. Whereas wakefulness favours synaptic potentiation, sleep appears to favour net synaptic depression. Although the effects await examination at the level of the synapse, these findings indicate that sleep has a homeostatic influence that is important for resetting neuronal excitability and facilitating plasticity in our waking hours.

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References and links

ORIGINAL RESEARCH PAPER
  1. Vyazovskiy, V. V. et al. Molecular and electrophysiological evidence for net synaptic potentiation in wake and depression in sleep. Nature Neurosci. 11, 200–208 (2008)

Patterns

Do NYT:

February 13, 2008, 9:25 pm
By Oliver Sacks

As a child, I was fascinated by patterns, starting with the patterns in our house — the square colored floor tiles we had on the porch, the tessellation of small pentagonal and hexagonal ones in the kitchen; the herringbone pattern on the curtains in my room, and the pattern on my father’s check suit. When I was taken to the synagogue for services, I was more interested in the mosaics of tiny tiles on the floor than in the religious liturgy. And I was fascinated by a pair of antique Chinese cabinets we had in our drawing room, for embossed on their lacquered surfaces were patterns of wonderful intricacy, patterns on different scales, patterns nested within patterns, all surrounded by clusters of tendrils and leaves.
These geometric and scrolling motifs seemed somehow familiar to me, though it did not dawn on my until years later that this was because I had seen them not only in my environment but in my own head, that these patterns resonated with my own inner experience of the intricate tilings and swirls of migraine.
Much later still, when I first saw photographs of the Alhambra, with its intricate geometric mosaics, I started to wonder whether what I had taken to be a personal experience and resonance might in fact be part of a larger whole, whether certain basic forms of geometric art, going back for tens of thousands of years, might also reflect the external expression of universal experiences. Migraine-like patterns, so to speak, are seen not only in Islamic art, but in classical and medieval motifs, in Zapotec architecture, in the bark paintings of Aboriginal artists in Australia, in Acoma pottery, in Swazi basketry — in virtually every culture. There seems to have been, throughout human history, a need to externalize, to make art from, these internal experiences, from the decorative motifs of prehistoric cave paintings to the psychedelic art of the 1960s. Do the arabesques in our own minds, built into our own brain organization, provide us with our first intimations of geometry, of formal beauty?
Whether or not this is the case, there is an increasing feeling among neuroscientists that self-organizing activity in vast populations of visual neurons is a prerequisite of visual perception — that this is how seeing begins. Spontaneous self-organization is not restricted to living systems — one may see it equally in the formation of snow crystals, in the roilings and eddies of turbulent water, in certain oscillating chemical reactions. Here, too, self-organization can produce geometries and patterns in space and time, very similar to what one may see in a migraine aura. In this sense, the geometrical hallucinations of migraine allow us to experience in ourselves not only a universal of neural functioning, but a universal of nature itself.
Leia o artigo aqui.

Andróides sonham com ovelhas elétricas?

Para referência, da Wikipédia: Freud suggested that bad dreams let the brain learn to gain control over emotions resulting from distressing experiences.[14]
Saiu a edição final de Blade Runner. Ainda não vi como ficou a sequência do sonho de Dekard.

Juliana Dias e eu estamos reescrevendo o paper sobre sonhos, a hipótese Crick-Mitchison e os endocannabinóides. Iremos submeter algo disso para o encontro
BICS: 2008 BRAIN INSPIRED COGNITIVE SYSTEMS
Universidade Federal do Maranhão
June 24-27, 2008 • São Luís • Brazil

Por enquanto, achei um índice daquela edição especial sobre sonhos da Revista Mente e Cérebro. Nela tem um artigo de divulgação sobre minha abordagem que propõe itinerância caótica entre atratores profundos como sendo o equivalente dinâmico da narrativa onírica. Você pode comprar a edição aqui.

Sexo não está no cérebro, mas no nariz, sugere pesquisa nos EUA

Folha online: da France Presse, em Paris

A enorme diferença entre o comportamento sexual de machos e fêmeas poderia ser explicada, pelo menos entre os animais, por um pequeno órgão localizado no nariz, e não por diferenças de gênero definidas pelo cérebro.
É o que afirmam pesquisadores nos Estados Unidos, que se confessam bastante surpresos com a descoberta e suas conseqüentes implicações na compreensão da sexualidade.
A pesquisa foi coordenada por Catherine Dulac, professora de biologia celular e molecular da Universidade de Harvard e pesquisadora do Instituto Médico Howard Hughes. Durante o estudo, publicado pela revista científica inglesa “Nature”, a equipe manipulou geneticamente um grupo de camundongos fêmeas, retirando do DNA dos roedores o gene TRPC2, provocando um curto-circuito no chamado órgão vomeronasal.
Esse pequeno órgão no nariz apresenta um grande número de células receptoras de feromônios –odores primitivos responsáveis pelas reações dos vertebrados a situações que envolvem agressividade e sexo.
Para surpresa dos cientistas, as fêmeas de camundongo manipuladas geneticamente apresentaram comportamento sexual bastante atípico. Elas cheiravam e corriam atrás de outras fêmeas, balançavam os “quadris”, empurravam e montavam nos machos, emitindo ruídos semelhantes aos usados por camundongos machos para demonstrar interesse sexual.
Mas o comportamento não foi totalmente igual ao dos machos: as fêmeas geneticamente modificadas se relacionaram sexualmente com os machos da maneira habitual. Além disso, ao contrário do que fazem os camundongos, elas não atacaram outros machos.
Porém, quando nasceram suas ninhadas, as ratinhas voltaram a se comportarem como machos, displicentes com os bebês e “sedentas” por mais sexo.
Normalmente, as fêmeas de camundongo passam 80% do tempo no ninho cuidando de seus recém-nascidos e expulsando qualquer macho que se aproxime. Não foi o que aconteceu com as fêmeas manipuladas no estudo, que apenas dois dias depois do parto já começaram a sair do ninho e a deixar seus filhotes sozinhos, além de demonstrar receptividade aos machos que se aproximavam.
“Esses resultados são surpreendentes”, disse Dulac. “Ninguém jamais imaginou que uma simples mutação genética como essa pudesse induzir fêmeas a se comportarem como machos.”
Mais provas
Para verificar se houve algum outro fator nos animais geneticamente manipulados que pudesse ter induzido às drásticas mudanças comportamentais, os cientistas removeram cirurgicamente os órgãos vomeronasais dos focinhos de fêmeas normais –e as mudanças observadas foram as mesmas.
As descobertas são importantes, pois corroboram os argumentos daqueles que, por décadas a fio, buscam fatores latentes na estrutura cerebral para explicar por que o comportamento sexual de machos e fêmeas é tão diferente.
A resposta parece ser: não há diferença –pelo menos, não nos camundongos. A estrutura cerebral aparenta ser a mesma.
“De modo geral, o resultado sugere que o cérebro feminino possui um circuito de comportamento masculino perfeitamente funcional”, afirmou Dulac, “reprimido” por sinais do órgão vomeronasal.

Mulheres que deixam religião têm mais risco de alcoolismo, diz pesquisa


01/01/2008 – 14h34

da BBC Brasil, via Folha Online:

Mulheres que abandonam suas atividades religiosas têm três vezes mais chances de sofrer de ansiedade, depressão e alcoolismo, segundo um estudo conduzido por pesquisadores norte-americanos.

Os especialistas, da Universidade de Temple, na Filadélfia, analisaram 718 adultos e concluíram que entre as mulheres que haviam deixado de freqüentar a igreja, 21% apresentaram sintomas de ansiedade, depressão e problemas relacionados ao excesso de bebidas alcoólicas.

O mesmo, no entanto, não foi observado entre os homens. O trabalho, publicado na revista especializada “Social Psychiatry and Psychiatric Epidemiology”, apontou que os homens que deixaram de praticar sua fé tinham menos chances de sofrer de depressão do que os que compareciam à igreja regularmente.

Para a coordenadora do estudo, Joanna Maselko, as mulheres sofrem mais ao se afastarem da religião porque também têm mais chances de perder amigos e se afastar da “rede social da igreja”.

“As mulheres são normalmente mais integradas às redes sociais de suas comunidades religiosas. Quando deixam de ir à igreja, perdem o acesso a esta rede e todos seus benefícios potenciais”, observa Maselko.

Já os homens, afirma Maselko, “não parecem ser tão integrados à comunidade religiosa, portanto não sofrem com as possíveis conseqüências se abandonam a igreja”.

Para a coordenadora do trabalho, é possível “ter um melhor entendimento da relação entre saúde e espiritualidade quando conhece a história religiosa de uma pessoa”.

Mais algumas pesquisas para as minhas turmas de Estatística:

Tequila diminui risco de câncer, dizem cientistas mexicanos

Medicamento para epiléptico ajuda no tratamento contra alcoolismo