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Gripe Suína: Picos epidêmicos no BlogPulse

É possivel ser reinfectado pela Gripe Suína?

(Se quiser ler, clique na figura para aumentá-la)
Nos modelos epidêmicos tipo SIRS é comum assumir que o estado R equivale a um estado refratário absoluto. Mas é possível que o mesmo seja relativo, e que a reinfecção possa ocorrer nesse período. Verificar se isso têm consequências para o modelo da Ariadne…

Três chilenos são infectados duas vezes pela gripe suína

O vírus da gripe suína infectou duas vezes o mesmo paciente, como comprovou o Centro Clínico da Universidade Católica do Chile, onde foram registrados três casos com estas características.

Uma adolescente de 14 anos, uma mulher de 62 e um homem de 38 que já haviam contraído a doença novamente foram contaminados, de acordo com os especialistas Carlos Pérez, Marcela Flores e Jaime Labarca.

Nos três episódios, os doentes receberam tratamento com antiviral, após o contágio pela primeira vez e se recuperaram por completo, mas posteriormente voltaram a contrair o vírus, o que foi comprovado com os exames de PCR (Reação em Cadeia pela Polimerase), uma técnica avançada de biologia molecular.

No caso da adolescente, ela contraiu a doença 20 dias depois de receber alta, já a mulher adulta sentiu os sintomas passados 14 dias e o homem 18 dias mais tarde.

Os casos foram notificados ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, que decidiu incluí-los na primeira edição de 2010 da revista especializada “Emerging Infectius Diseases”.

Em declarações ao jornal “La Nación”, o médico Carlos Pérez, um pelos responsáveis pela pesquisa, disse que os casos de uma nova contaminação por gripe, em qualquer de suas variantes, não são frequentes, por isso que este episódio servirá para os médicos não descartarem uma recaída em pessoas infectadas pelo vírus H1N1.

Esta situação serve de alerta ainda sobre a importância das pessoas que já contraíram a doença serem vacinadas, porque não têm garantida sua imunidade, acrescentou.

Segundo Pérez, estes foram os primeiros casos de recontágio de gripe notificados no mundo e até agora não se sabe a causa dos doentes terem contraído duas vezes a doença.

Mais um paper sobre gripe suína


Ariadne, é melhor correr com nosso paper senão ficaremos para trás. Seria interessante publicar antes da segunda onda de gripe suína…

RJ e PR têm mais 13 mortes por gripe suína

…de Saúde do Paraná e Rio anunciaram mais 13 mortes causadas pela gripe suína. Delas, 10 são do Paraná, o segundo Estado em número de mortes…estaduais e do Ministério da Saúde mostram um total de 966 mortes por gripe suína.

Igor do 42, você tem certeza que não quer abaixar o rei? É mais honroso…

Seasonal transmission potential and activity peaks of the new influenza A(H1N1): a Monte Carlo likelihood analysis based on human mobility

Duygu Balcan, Hao Hu, Bruno Goncalves, Paolo Bajardi, Chiara Poletto, Jose J Ramasco, Daniela Paolotti, Nicola Perra, Michele Tizzoni, Wouter Van den Broeck, Vittoria Colizza, Alessandro Vespignani
(Submitted on 14 Sep 2009)

On 11 June the World Health Organization officially raised the phase of pandemic alert (with regard to the new H1N1 influenza strain) to level 6. We use a global structured metapopulation model integrating mobility and transportation data worldwide in order to estimate the transmission potential and the relevant model parameters we used the data on the chronology of the 2009 novel influenza A(H1N1). The method is based on the maximum likelihood analysis of the arrival time distribution generated by the model in 12 countries seeded by Mexico by using 1M computationally simulated epidemics. An extended chronology including 93 countries worldwide seeded before 18 June was used to ascertain the seasonality effects. We found the best estimate R0 = 1.75 (95% CI 1.64 to 1.88) for the basic reproductive number. Correlation analysis allows the selection of the most probable seasonal behavior based on the observed pattern, leading to the identification of plausible scenarios for the future unfolding of the pandemic and the estimate of pandemic activity peaks in the different hemispheres. We provide estimates for the number of hospitalizations and the attack rate for the next wave as well as an extensive sensitivity analysis on the disease parameter values. We also studied the effect of systematic therapeutic use of antiviral drugs on the epidemic timeline. The analysis shows the potential for an early epidemic peak occurring in October/November in the Northern hemisphere, likely before large-scale vaccination campaigns could be carried out. We suggest that the planning of additional mitigation policies such as systematic antiviral treatments might be the key to delay the activity peak inorder to restore the effectiveness of the vaccination programs.

Comments: Paper: 29 Pages, 3 Figures and 5 Tables. Supplementary Information: 29 Pages, 5 Figures and 7 Tables. Print version: this http URL
Subjects: Populations and Evolution (q-bio.PE); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech); Physics and Society (physics.soc-ph)
Journal reference: BMC Medicine 2009, 7:45
DOI: 10.1186/1741-7015-7-45
Cite as: arXiv:0909.2417v1 [q-bio.PE]

Vacina da Gripe Suína: o Brasil vai vacinar 70% da população?


10/09/09 – 15h01 – Atualizado em 10/09/09 – 15h47

Vacinação antigripe nos EUA deveria iniciar por crianças este mês, diz estudo

Eficácia depende do ‘timing’ da campanha de imunização.
Cobertura populacional ideal seria de 70%.

Se 70% da população americana for vacinada contra o vírus H1N1, começando pelas crianças em idade escolar, será possível mitigar o impacto da nova gripe no inverno, baixando sua taxa de infecção para 15%, nível compatível com uma temporada leve de gripe comum. Um grupo multidisciplinar da Universidade de Washington, em Seattle (EUA), fez o primeiro cálculo de transmissibilidade do vírus no ambiente escolar e concluiu que, no melhor cenário de combate, as crianças deveriam receber a vacina primeiro, seguidas dos adultos e dos profissionais de áreas expostas à doença, como saúde, e de serviços essenciais (mais uma vez saúde, mas também polícia e transporte, por exemplo). 

 

Um “detalhe”: o início da campanha de imunização não poderia passar deste mês. “Embora o distanciamento social e o uso de antivirais possam ser parcialmente eficazes para tornar a disseminação (da gripe suína) mais lenta, a vacinação continua o meio mais efetivo de controle da influenza pandêmica”, diz o artigo que resume a pesquisa, publicado nesta quinta-feira (10) pela revista “Science”. Contrariando o que foi feito no Brasil, por exemplo, os cientistas avaliam que fechar escolas e outros espaços de aglomeração pública é o expediente com a menor relação custo/benefício na luta contra a nova gripe. A estratégia com a melhor relação custo/benefício, insistem os especialistas, é vacinar. O problema é quantas pessoas, qual é a prioridade e, acima de tudo, quando.

 

A alta transmissibilidade do novo vírus foi mais uma vez atestada: a taxa é de 1 para 1,3 a 1,7. Ou seja, cada gripado infecta quase outros dois. Essa taxa equivale à infecção de 25% a 39% da população mundial por gripe suína em um período de 1 ano.

 

As crianças se destacaram neste quesito: os estudantes doentes infectam colegas a uma taxa de 1 para 2,4. Ainda assim, de 30% a 40% das transmissões do influenza ocorrem em domicílios. Depois vêm as escolas, com cerca de 20%. Os demais espaços mais importantes de infecção são locais de trabalho e a “comunidade em geral”, diz o texto.

 

Os pesquisadores usaram um modelo de computador para simular os efeitos da vacinação nos EUA. Diferentes combinações de cenários alimentaram o sistema. Por exemplo: pré-vacinação (antes da retomada da multiplicação de casos, prevista nos EUA para breve) cobrindo 30%, 50% e 70% da população; vacinação universal, mas por etapas, com ou sem 30 dias de atraso em relação à retomada; vacinação em etapas, priorizando crianças, com ou sem atraso.

 

O estudo estima que atualmente mais de 20 laboratórios farmacêuticos estão na corrida para a produção do imunizante ( o Instituto Butantan, em São Paulo, é um deles ). Nos Estados Unidos, a vacinação pode começar em setembro e cobrir, por mês, 20% da população americana, isso por “muitos meses”. Mas o início da campanha de imunização pode ser adiado para outubro, admitem os pesquisadores – e só esse adiamento já traria prejuízos de saúde pública. Mesmo uma vacinação universal, mas com 30 dias de atraso em relação à repique de casos, tem pode de fogo reduzido. O trabalho parte do pressuposto de que serão necessárias duas doses, com um intervalo entre a 1ª e a 2ª dose de no mínimo três semanas. Outra premissa é que a disseminação limitada do H1N1 nos EUA na primavera e verão resultou “em uma imunidade em nível populacional muito limitada no outono”.

 

Acompanhe a cobertura completa sobre a nova gripe

Gripe Suína: Suspender aulas ou não, eis a questão

Suspensão de aulas pode frear gripe H1N1, diz OMS

Fechamento das escolas pode reduzir procura de serviços de saúde em até 50% no auge da pandemia


GENEBRA – O fechamento de escolas no início de um surto da gripe H1N1 em uma comunidade pode frear em grande parte a disseminação do vírus entre estudantes e suas famílias, além de dar tempo para o armazenamento de remédios, afirmou a OMS (Organização Mundial da Saúde) nesta sexta-feira, 11.


As salas de aula tiveram seu papel na rápida transmissão da gripe H1N1 em Nova York e outras localidades. À medida que as instituições de ensino recebem seus alunos de volta às aulas no hemisfério norte, muitas estão analisando como reduzir os riscos de infecção.

Não há uma medida que por si só impeça totalmente a disseminação da gripe, mas certas ações podem brecá-la, afirmou o órgão da ONU a seus 193 países-membros.

A melhor solução é “fechar as escolas no início do surto, de preferência antes que um por cento da população adoeça”, disse a OMS. “Em condições ideais, o fechamento das escolas pode reduzir a procura de serviços de saúde em estimados 30 a 50 por cento no auge da pandemia”.

Reduzir o número de pessoas com necessidade de cuidados médicos é especialmente importante ao se combater as gripes, porque os hospitais e outras instituições de saúde correm o risco de ficar sobrecarregadas.

O vírus H1N1 já matou quase três mil pessoas após surgir em abril na América do Norte e no momento é o principal vírus de gripe circulando nos dois hemisférios, de acordo com a OMS.

“Se as escolas demorarem para fechar durante um surto em uma comunidade, a redução da transmissão provavelmente será muito limitada”,disse a organização.

Estudantes, professores e funcionários devem providenciar um espaço para isolar qualquer pessoa que adoeça no recinto, acrescentou. Quando as escolas estiverem fechadas, medidas devem ser tomadas para limitar reuniões sociais de estudantes, disse a OMS, explicando: “Se os estudantes se reunirem em outro local que não a escola, vão continuar a espalhar o vírus, e as vantagens de se fechar as escolas serão reduzidas, senão anuladas”.

Gripe aviária e suína na mesma pessoa: perigo à vista!


Essa notícia não parece bom sinal. Para quem entende, sabe o que eu digo…

02/09/09 – 15h18 – Atualizado em 02/09/09 – 15h18

Paciente egípcio tem vírus da nova gripe e da gripe aviária

Caso é acompanhado de perto para checar possibilidade de dupla infecção.
Convivência viral pode facilitar mutações do H1N1.

Luis Fernando CorreiaEspecial para o G1

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O Egito relatou um caso de paciente com vírus da gripe humana e aviária. O paciente é um homem de 28 anos de idade, vindo da Arábia Saudita após a peregrinação anual à cidade sagrada de Meca.

O homem foi atendido na cidade portuária de Safaga, na costa do Mar Vermelho, com um quadro gripal. Durante o atendimento, foram identificadas duas formas do vírus influenza, um do tipo aviário, provavelmente o H5N1, e outro humano, o vírus pandêmico A (H1N1) de 2009.

O paciente foi internado e permanece no Hospital Central de Safaga. Segundo o diretor-geral de Medicina Preventiva, Mohamed Rifai, esse é o terceiro caso em dois dias. Os outros seriam um turista italiano e um outro peregrino de 30 anos de idade que também está internado no mesmo hospital na cidade portuária.

A situação foi descrita em relatório postado no site da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas. A situação aponta para duas possibilidades:

A primeira: como o Egito reportou vários casos de influenza aviária humana em 2009, o paciente pode ser apenas um portador de anticorpos para esse vírus. Já a infecção pelo H1N1 teria ocorrido durante a viagem à Arábia Saudita.

A segunda possibilidade: as duas cepas de vírus influenza, a humana e a aviária, poderiam infectar uma mesma pessoa. Essa dupla infecção facilitaria o surgimento de uma forma mais letal do vírus da gripe.

Os centros de monitoramento de infecções virais estão em alerta máximo desde o início da pandemia justamente para identificar as mutações do vírus da gripe.

Gripe suína: uma aposta científica

Uma das características do discurso científico (embora não apenas dele) é a capacidade de mudar suas crenças e estratégias a partir de dados novos.
Como eu já esclareci antes, uma das maneiras de verificar a força das crenças de uma pessoa é mexer no bolso dela, ou seja fazer apostas científicas. Em uma aposta, as pessoas param para refletir mais racionalmente, em vez de emitir frases de efeito ou sofismas. Assim, eu gostaria de propor uma nova aposta científica, de novo enfatizando que seu o bjetivo é didático e que não envolve insensibilidade frente a assuntos tão sério como a morte de pessoas.
O ministro Temporão agarra-se agora ao fato de que “o indicador mais adequado é o número de óbitos por cem mil habitantes”. Concordo inteiramente, eu ensinei isso segunda feira passada para minhas (meus) alunas (os) de Estatística para Pedago.
Sim, a taxa por cem mil habitantes no Brasil é a sétima no mundo. Mas tem duas pequenas semi-verdades nas colocações do ministro:
  1. A epidemia ainda não atingiu seu pico no Braisl (a despeito da perda de interesse da imprensa), de modo que a taxa vai aumentar. Já nos outros países com taxas maiores o pico da epidemia já passou.
  2. O número de óbitos está subestimado, porque os exames confirmatórios estão atrasados em até 30 dias.

Portanto, enfatizando aqui o caráter didático-científico, aposto um kit de cervejas Colorado (R$ 37,00) que dentro de um mês o ministro vai ter que digerir suas palavras, e o Brasil terá a maior taxa por cem mil habitantes do mundo. Alguém topa?

O Brasil tem UTIs suficientes para a próxima onda de gripe suína?

Enviado por Átila Iamarino, do Rainha Vermelha. Um paper curtinho que o Ministro Temporão poderia ler:

Are we prepared?

We developed a model simulating the potential impact of influenza H1N1 pandemic on the volume of acute respiratory failure requiring mechanical ventilation (ARF-MV) and the accompanying mortality rate in the US. We calculate that 46 million people will contract the infection, resulting in 2.7 million hospitalizations, 331,587 episodes of ARF-MV and nearly 200,000 deaths, suggesting that the US may require the ability to provide MV at a volume approximately 33% over the current annual use.

Obama e a gripe suína

Hélio Schwartsman me enviou este REPORT TO THE PRESIDENT ON U.S. PREPARATIONS FOR 2009-H1N1 INFLUENZA, que disponibilizo aqui. Acho que seria interessante que jornalistas e blogueiros dessem uma olhada.
A MODEL SCENARIO: A POSSIBILITY, NOT A PREDICTION (página 16).
One plausible scenario is that there will be resurgence in transmission of 2009-H1N1 this fall that is comparable to that seen in spring-summer 2009 but with higher rates of transmission due to the resumption of school and the cooler, drier weather. Following a relatively steady or declining burden of cases in August, the number of new cases will begin to rise exponentially in the first week of September, growing 10-fold about every 10 to12 days.
Hypothetically, the peak incidence of infection nationally will occur around October 15, with minor variations across the country such that peak incidence almost everywhere will occur during the month of October. At this peak, perhaps 1 to 2 percent of the population will become infected each day.
Predicting demand on the health care system during this peak is fraught with uncertainties, but the following numbers from one possible scenario are illustrative. During the peak, 1 or 2 out of every 2,000 Americans might be hospitalized.
Cases requiring mechanical ventilation or intensive care could reach 10 to 25 per 100,000 population, requiring 50 to 100 percent or more of the total ICU capacity available in the United States and placing great stress on a system that normally operates at 80 percent of capacity. Because adult ICUs are not prepared to care for pediatric patients, there could be a particular shortage of facilities for sick children.
In particular locations, the stress on the health care system could grow even more acute, as large outbreaks occur in prisons, schools, and isolated communities with limited health care access, such as Native American reservations. As awareness of the pandemic spreads, pressure on emergency departments could mount, with long lines and a need for triage of mild cases and non-influenza cases.
Alongside these health-related burdens, substantial absenteeism from work and school could occur, as sick children stay home, schools with large outbreaks close, and parents are forced to stay home either because of their own illness or to take care of sick children. Key members of the social infrastructure, such as police officers and firefighters, are increasingly home ill. Exposure of healthcare workers to sick patients is continual and antiviral supplies prove inadequate for ongoing prophylaxis of these workers. Retail pharmacies run out of antiviral supplies in late September or earlier, and states face the demand to replenish these supplies from state stockpiles and state Strategic National Stockpile allocations; however, many states lack the ability to move antiviral drugs into the retail supply chain and focus on delivery to hospitals.
Hospitals face competing pressures to dispense antiviral drugs for prophylaxis of their workers, to provide them to patients appearing in the emergency room, or to save them for the sickest admitted patients. Debates intensify about the value of antiviral use for long-term prophylaxis or early treatment for mild infection in high-risk groups such as pregnant women and immunocompromised patients, treatment of severely ill patients, and prophylaxis of essential healthcare workers.
In this model scenario, around October 15, as the epidemic peaks, a major supply of 2009-H1N1 influenza vaccine becomes available. Immunization starts within days, with considerable geographical variation in the rate at which administration occurs. Immunization of priority groups is completed by early or mid-November, resulting in immunity in vaccinated adults by mid-late November, as the epidemic wanes in most populations. Children require two doses and do not acquire immunity until December, when new infections will have become rare.
By the end of 2009, 60 to 120 million Americans would have experienced symptomatic infection with 2009-H1N1; nearly 1 to 2 million would have been hospitalized, with about 150,000-300,000 cared for in ICUs; and somewhere between 30,000 and 90,000 people would have died, the majority of them under 50 years of age.
We emphasize that this is a plausible scenario, not a prediction. By way of comparison, it is less severe by a factor of three (in terms of expected deaths per capita) than the “reasonable worst case” planning assumptions, publicized by the UK government, for the H1N1 resurgence in that country.
Notes:
1 The United States has 20 ICU beds/100,000 population. The number of ICU beds available for pediatric patients is especially limited.
2 The United States has 211 hospital beds/100,000 population.

A gripe passou?

Sim, passou dos 500 óbitos. Passaremos os EUA dentro de dois ou três dias. nos tornando campeões mundias da gripe suína. Atingiremos 1000 óbitos no início de setembro, segundo Roberto Takata.

Com os novos dados, o novo modelo fica:

número de mortos anunciados = 0,00009*(dias desde 28 de junho)^3,882

R^2 = 0,9925

(Ainda tem um ajuste melhor do que o modelo exponencial – mesmo um que despreze os primeiros 20 dias desde a primeira morte no país.)

Pelo novo modelo, passamos de 500 mortes amanhã. A barreira dos 1.000 é ultrapassada dia 02/set (não mais 01/set).

Para daqui a 7 dias (28/ago) são previstas 767 mortes; daqui a duas semanas (04/set): 1.170; daqui a 30 dias (20/set): 2.656. Para o dia 07/set: 1.383.

O erro médio está na casa dos 14% para mais ou para menos.

[]s,

Roberto Takata

Wishful Thinking na gripe suína

Se você quiser entender o conceito de wishful thinking (pensamento desejante), basta examinar as declarações do Ministério da Saúde durante a epidemia de gripe.
Primeiro, quando a transmissão sustentada já se concretizava há pelo menos uma semana ou duas, o MS falava que isso ainda não estava ocorrendo, dizendo que todos os casos confirmados tinham vínculo epidemiológico (viagem para o exterior em países com epidemia declarada ou contato com pessoas que haviam viajado para o exterior). Essa afirmativa era problemática por duas razões: a) o número de casos suspeitos já era maior que o de casos confirmados, e portanto nada podia se afirmar sobre tais casos; b) os casos sem vínculo epidemiológico (e que portanto eram evidência da transmissão sustentada) eram colocados na caixinha dos “casos sob investigação de vínculo epidemiológico”.
O reconhecimento tardio da transmissão sustentada não preveniu o pânico mas apenas cobrou sua quota de mortes desnecessárias: várias pessoas não foram devidamente atendidas ou receberam Tamiflu porque não apresentavam vínculo epidemiológico, e um pré-requisito para se suspeitar de gripe suína era a existência de tal vínculo.
Agora, parece que o novo wishful thinking é dizer que o pico da epidemia já passou, baseado numa suposta influência da temperatura na dinâmica da epidemia. Isso pode ser refutado por quatro fatos:
  1. Em muitas cidades a epidemia nem começou ainda (por exemplo, Ribeirão Preto tem apenas 60 casos e duas mortes).
  2. O efeito da temperatura e clima é apenas modulador, mas não controla a dinâmica do pulso epidêmico. Esses fatores podem afetar a taxa de infecção, mas não de maneira drástica. Exemplo: no modelo SIRS (clique e brinque à vontade aqui), o número final de infectados é bastante robusto frente a variações na taxa de infecção. O que muda é o formato do pico epidêmico e a localização temporal do pico.
  3. Uma possível diminuição na taxa de infecção produz um atraso no pico epidêmico, não um adiantamento. Ou seja, se realmente o clima diminuir a taxa de infecção, isso implica que o pico da epidemia ocorrerá mais tarde, e não mais cedo, e portanto estariamos ainda na fase ascendente da epidemia, não em seu final.
  4. Um forçamento externo como o clima apenas desloca a fase e modula a frequência da oscilação no modelo SIRS, mas não é responsável pelas oscilações em si. Uma análise detalhada deste fenômeno num modelo SIRS com automata celulares poderá ser encontrada em um paper com minha aluna Ariadne, espero que até o final do ano.
É interessante que a frase “torcer pelo melhor, se preparar para o pior” nos lembra que o simples ato de “torcer” contamina de irracionalidade nossas espectativas. Se alguém torce pelo Corinthians, ele acaba acreditando que o mesmo será campeão, mesmo contra todas as probabilidades e evidências em contrário…

ORIGEM DOS TERMOS “INFLUENZA” E “GRIPE”

Imagem do The New England Journal of Medicine.
Morens, D., Taubenberger, J., & Fauci, A. (2009). The Persistent Legacy of the 1918 Influenza Virus New England Journal of Medicine, 361 (3), 225-229 DOI: 10.1056/NEJMp0904819

Para a introdução do artigo com Ariadne:

ORIGEM DOS TERMOS “INFLUENZA” E “GRIPE”

ORIGEM DOS TERMOS “INFLUENZA” E “GRIPE” / ORIGIN OF THE TERMS “INFLUENZA” AND “GRIPPE”
[ETIMOLOGIA MÉDICA / MEDICAL ETYMOLOGY]
O termo “influenza” origina-se da língua italiana, a qual recebeu a palavra do latim medieval “influentia”.
O vocábulo “influenza”, no sentido de doença, teria sido utilizado pela primeira vez por Gagliarde (provavelmente um médico italiano), em 1733, significando “influência”, desastres do céu.
Nessa época prevaleciam as doutrinas que associavam os distúrbios físicos aos fenômenos astrológicos. As pessoas acreditavam que todos os fatos terrestres eram governados pelos céus, ou seja, a enfermidade “influenza” teria surgido pela “influência” das estrelas.
A palavra “gripe” provém do francês “grippe” e equivale ao termo “influenza”. O vocábulo francês “grippe” era empregado no início do século 14 com o sentido de “gancho” ou “garra”. Na primeira metade do século 17, o termo “grippe” era utilizado com o sentido de “capricho, desejo repentino”.
A partir do século 18 “grippe” passou a denominar “o catarro epidêmico”, em uma extensão do sentido de “capricho”, provavelmente pelo fato da doença ser adquirida de modo repentino, como um desejo caprichoso do destino.
REFERÊNCIA:
Haubrich WS (1997) Medical Meanings: a Glossary of Word Origins. Philadefphia, Pennsylvania, American College of Physicians.

O Sol é um meio excitável?

Idéia (mais uma…) gerada pela gripe suína:

Curioso como os ciclos de manchas solares lembram as oscilações coletivas em meios excitáveis (por exemplo epidemias). Será que o automato de Greemberg-Hastings poderia ser usado para modelar a superfície do Sol?

Porque o trend search do Blogpulse difere do Technorati?


Não tenho a menor idéia. Mas o Blogpulse diz que está havendo um amento de posts sobre gripe, enquanto que no Technorati (ver na barra lateral) o número de posts está decaindo.

Vemos também que o primeiro pico era exógeno mas o atual parece ser endógeno, na classificação de Crane e Sornette.

Projeções sobre a gripe suína


Estou repetindo aqui o gráfico postado em 30 de junho. Alguns amigos me criticaram na época dizendo que não era possível fazer uma extrapolação exponencial a partir dos dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Vejamos se acertei (minha taxa de acerto está bem melhor do que o do Jucelino da Luz!)

O dia 1 do gráfico corresponde ao dia 7 de maio. Hoje, portanto, corresponderia ao dia 81 do gráfico. O comportamento exponencial, que eu creio ser justificável por estarmos no início da epidemia e pelo fato de que os números do governo na época refletiam de perto os números de casos reais, prevê para hoje cerca de 60 mil casos.

Agora vejamos as notícias:


27/07/09 – 08h40 – Atualizado em 27/07/09 – 08h40


RS tem 101 pacientes com nova gripe na UTI, diz secretário

Osmar Terra confirmou mais cinco mortes, no domingo.
Ele disse estado vive ‘epidemia aberta’ da doença.



O secretário da Saúde do Rio Grande do Sul, Osmar Terra, confirmou, no domingo (26), mais cinco mortes em decorrência da nova gripe. Com isso, subiu para 16 o total de óbitos no estado.


Em entrevista coletiva, Terra disse que o estado vive uma “epidemia aberta” da doença. “Estamos estimando hoje, no Rio Grande do Sul, em torno de dez mil casos que já tiveram ou estão tendo a gripe.”


O número de óbitos sugere que a situação é similar no estado de São Paulo, ou seja, acho que podemos fazer uma estimativa de 10 mil casos também para este estado. Uma estimativa de mais 10 mil casos para o resto do Brasil não seria desproporcional. Assim, acho que 30 mil é uma estimativa do número acumulado de casos, de modo que a projeção de 60 mil casos “erra” por um fator dois.

Errar por um fator 2 não é pecado em física e muito menos em epidemiologia (errar por um fator 10, seria sim!). E lembrando ainda a possibilidade de um grande número de casos leves que não chegariam a ser notados, acho que a projeção está dentro da barra de erros.

A boa notícia é que se 60 mil for o número verdadeiro, então a taxa de letalidade seria de 55/60000 = 0,09%, ou seja, apenas o dobro da gripe sazonal (que é menor que 0,05% e não 0,5% como divulgado na mídia).

Mas é claro que estou cometendo um pecado estatístico aqui, pois o número de 55 óbitos ainda é pequeno para fazer comparações, os óbitos provavelmente têm um atraso de uma semana em relação ao número de infecções (ou seja, as pessoas morrem em média sete dias depois de contrairem a gripe), e o número de mortes confirmadas também apresenta um atraso em relação ao número de mortes reais (pois é necessário algum tempo para proceder a confirmação).

A má notícia é que com uma taxa de 2% de hospitalizações e 30% de contaminação da população (como estimado no Reino Unido – e olha que lá eles estão em pleno verão), teríamos a necessidade de 0,02 x 0,3 x 200000000 = 1,2 milhão de leitos durante a temporada de gripe.

PS: Outra evidência a favor desse cenário é que o número de óbitos no Reino Unido (31) é menor que o do Brasil. No Reino Unido o número oficial de casos é de 11159, mas a estimativa é de 100 mil casos novos apenas na semana passada. Por outro lado, talvez devessemos levar em conta que o Tamiflu pode ser obtido lá sem passar por consulta médica.

Fenômenos coletivos na blogosfera

Fig. 1.

Search queries as a proxy for collective human attention. (A) The volume of searches for the word “tsunami” in the aftermath of the catastrophic Asian tsunami. The sudden peak and relatively rapid relaxation illustrates the typical signature of an “exogenous” burst of activity. (B) The volume of search queries for “Harry Potter movie.” The significant growth preceding the release of the film and symmetric relaxation is characteristic of an “endogenous” burst of activity.

Pois é, faz tempo que eu dizia que essas respostas coletivas do BlogPulse como fenômenos interessantes a serem estudados (ver por exemplo aqui). Mas faltam alunos, tempo e ferramental teórico. Crane e Sornette publicaram primeiro (no PNAS!).

Robust dynamic classes revealed by measuring the response function of a social system

  1. Riley Crane* and
  2. Didier Sornette

Bibliografia para modelinho de gripe suína


Bibliografia para o modelo de gripe suína da Ariadne.

Recovering the time-dependent transmission rate from epidemiological data

Authors: Mark Pollicott, Hao Wang, Howie Weiss
(Submitted on 21 Jul 2009)

Abstract: The transmissibility of many infectious diseases varies significantly in time, but has been thought impossible to measure directly. We devise a mathematical algorithm to recover the time-dependent transmission rate from epidemiological data. We apply our algorithm to historic UK measles data and observe that for most cities the main spectral peak of the transmission rate has a two-year period. All previous models assumed that the transmission rate has one-year period. Our construction also illustrates the danger of overfitting an epidemic transmission model with a variable transmission rate function.

Probabilistic discrete-time Markov chain approach to disease spreading in complex networks

(Submitted on 7 Jul 2009)

Abstract: We present a new analytical formalism to study the spreading of diseases in complex networks. Our proposal differs from current studies based on mean-field approximations and focuses on the infection probability of individual nodes. We particularize on the Susceptible-Infected-Susceptible model. Within the new formalism, we construct the whole phase diagram of the system and recover well-known findings concerning the epidemic threshold. We compare the approach with intensive Monte Carlo (MC) simulations. Moreover, a new scaling law characterizing the dependence of the epidemic threshold with the frequency of contacts between neighbors is revealed. We illustrate the approach studying the disease spreading in the world-wide air transportation network.

Comments: 4 pages, 3 figures
Subjects: Computational Physics (physics.comp-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:0907.1313v1 [physics.comp-ph]

WKB theory of epidemic fade-out in stochastic populations

Authors: Baruch Meerson, Pavel V. Sasorov
(Submitted on 30 Jun 2009)

Abstract: Stochastic effects may cause fade-out of an infectious disease in a population immediately after an epidemic outbreak. We develop WKB theory to determine the most probable path of the system toward epidemic fade-out, and to evaluate the fade-out probability. The most probable path is an instanton-like orbit in the phase space of the underlying Hamiltonian flow.

Comments: 4 pages, 4 figures
Subjects: Populations and Evolution (q-bio.PE); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech)
Cite as: arXiv:0906.5550v1 [q-bio.PE]

Pode um porta-voz do Ministério da Saúde ser realista?

Eu espero que minha cobertura completa (mesopotâmica e heróica, como diria José Simão) sobre a gripe suína seja bem entendida. É claro que não sou ingênuo a ponto de pensar que as estranhas diretrizes do Ministério da Saúde sobre a gripe sejam fruto de incompetência. O Ministério da Saúde é competente e seus porta-vozes e equipe de comunicação são mais ainda.
Ou seja, o Ministério possui objetivos claros, não necessariamente nesta ordem:
1. Minimizar danos à saúde da população.
2. Minimizar danos econômicos.
3. Minimizar desgaste político.
Estes três objetivos são parcialmente antagônicos (existe um problema de “frustração na função custo”, no jargão da física estatística). Otimizar essa função custo implica em uma solução de compromisso.
Então me parece que a estratégia adotada é a seguinte: “O que não tem remédio, remediado está”. Ou seja, o nível de transparência das informações deve corresponder ao mínimo necessário para perseguir os três objetivos.
Informações em demasia poderiam produzir ansiedade na mídia, com danos econômicos e políticos, sem que isso contribuisse de forma positiva para o atendimento médico (este sim precisa estar bem informado, e não a população em geral).
Acho que isso explica por que o Ministério da Saúde mudou de idéia e renunciou à recomendação de manter boletins diários de informação, item que constava de seu plano preparação para pandemia de influenza de 2006. Este plano deveria ser lido por todo jornalista que está cobrindo a atual epidemia…

7.4. Fase Pandemica

Objetivos

A. Garantir informação diárias, atualizada, à sociedade sobre o desenrolar da crise.
B. Orientar população sobre a doença e evitar procura desnecessária ao atendimento médico.
C. Evitar repercussões maiores em regiões do Brasil não afetadas pelo agravo.

Ações
1. Pautar a mídia nacional para que intensifique as informações sobre os sinais e sintomas da doença para evitar superlotação em unidades de saúde.
2. Comunicado diário à imprensa pelo porta-voz.
3. Produzir e distribuir informativos educativos para grupos específicos, como empresas, escolas, comunidades de brasileiros no exterior, profissionais de saúde e viajantes.
4. Gerar informações que tranqüilizem os moradores de regiões não afetadas pela doença com o objetivo de se evitar migrações e evitar a migração para estas áreas.

En la ciudad procuran transmitir optimismo

Daniel Gallo
LA NACION

Transmitir tranquilidad es el objetivo central del gobierno porteño. Por eso, Mauricio Macri se puso ayer al frente de la difusión de los últimos dos partes sanitarios sobre el paso de la epidemia de la gripe A por la Capital. Definió que fue superado el pico de los contagios y pidió que la gente vuelva a sus trabajos con normalidad.

“El pico pasó hace unos días. Invitamos a retomar la actividad normal, a cuidar nuestros empleos”, dijo Macri.

Las autoridades porteñas se apoyan en la disminución de las consultas en los hospitales. Pero los especialistas que conocen bien lo que sucede epidemiológicamente en la ciudad son menos optimistas que el jefe del gobierno.

En conversaciones reservadas, los principales expertos sobre esta gripe indican que la baja en los casos se dio, fundamentalmente, entre los menores. Consideran que la suspensión de las clases es el motivo para esta meseta de contagios en los últimos días. Pero no quieren que la población baje la guardia.

Todavía hay más de 1500 internados en la ciudad y unos 200 en condición crítica.


Sonhos criativos: civilizações galáticas e gripe suína



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Há poucos dias, postei sobre uma recente pesquisa envolvendo criatividade e sonhos. Fiz um comentário meio cético, dizendo que se houver relação entre sonhos e solução de problemas, isso provavelmente seria uma exadaptação biológica, mas não a função primordial dos mesmos.
Poucos dias depois, meu inconsciente me prega uma peça, fornecendo um exemplo de sonho criativo (no sentido de produzir associações entre assuntos diversos). No sonho, eu percebi que a fórmula de Drake para probabilidade de existir civilizações tecnológicas na Galáxia envolve o mesmo tipo de raciocínio usado no cáculo da taxa de mortalidade da gripe (suína) pelo Ministério da Saúde do Brasil.
Explico: no Plano Brasileiro de Prepapração para uma Pandemia de Influenza (3a versão – abril 2006), existe um modelo estático para estimar o número de óbitos de uma temporada de gripe. Ele pode ser resumido pela fórmula (ver esquema na figura):
Número de Óbitos = Po x Pag x Pc x Pat x N, onde
  • Po = probabilidade de óbito
  • Pag = Probabilidade de agravamento
  • Pc = Probabilidade de complicação
  • Pat = Probabilidade de ataque
  • N = Número de indivíduos da população.
Eu tinha visto essa figura em dias anteriores e ela reapareceu durante o sonho. Daí eu percebi que o tipo de raciocínio é idêntico ao usado na fórmula de Drake, a saber:
N = R* x fp x ne x fl x fi x fc x L

Onde:

  • N é o número de civilizações extraterrestres em nossa galáxia com as quais poderíamos ter chances de estabelecer comunicação.
  • R* é a taxa de formação de estrelas em nossa galáxia
  • fp é a fração de tais estrelas que possuem planetas em órbita
  • ne é o número médio de planetas que potencialmente permitem o desenvolvimento de vida por estrela que tem planetas
  • fl é a fração dos planetas com potencial para vida que realmente desenvolvem vida
  • fi é a fração dos planetas que desenvolvem vida que desenvolvem vida inteligente
  • fc é a fração dos planetas que desenvolvem vida inteligente e que têm o desejo e os meios necessários para estabelecer comunicação
  • L é o tempo esperado de vida de tal civilização
Ou seja, a fórmula de Drake é um modelo estático como o do Ministério da Saúde. Mas é possível usar modelos melhores, dinâmicos, por exemplo o modelo SIR (susceptible-infected-recovered).
Daí, durante o sonho, eu percebi que o ferramental teórico da epidemiologia poderia ser um quadro adequado para se pensar o paradoxo de Fermi. Afinal, a expansão de uma civilização na galáxia pode ser pensada como um processo de infecção de uma população de planetas “suscetíveis”, ou seja, capazes de abrigar vida. O tempo de duração de uma civilização planetária capaz de produzir outras colônias corresponde ao tempo de infecção. O planeta entra no estado “recuperado” quando sua civilização morre ou se torna indiferente à criação de novas colônias. Acho que vocês já entenderam (sim, somos os vírus do Universo!).
Sendo assim, o modelo SIR poderia fornecer uma nova resposta (mais uma?) para a pergunta de porque estamos sós (pelo menos em nossa vizinhança). No modelo SIR, dependendo da taxa de infecção e da duração do estágio de infecção, a onda epidêmica atinge apenas uma fração dos sítios totais (curva verde acima). Além disso, em um dado momento, existe apenas uma fração pequena de sítios ativos (civilizações vivas, curva vermelha).
Assim, teríamos uma sucessão de ondas epidêmicas (colonizações galáticas) que de forma nenhuma atingem a maioria dos planetas num dado momento. É possível ainda que estejamos vivendo em uma era inter-epidêmica, entre duas grandes ondas civilizatórias: isso explicaria o “grande silêncio”.
Tudo isso eu percebi e comentei com alguém durante o sonho. Logo, devo reconhecer que algumas vezes os sonhos geram novas associações, sim.
O ponto chave do modelo é que a duração de uma civilização tecnológica em um dado planeta (ou melhor, uma civilização fértil capaz de produzir colônias) tem que ser finita. É sabido que, devido ao aquecimento do Sol, nossa biosfera deverá morrer em 500.000 anos, isso fornece um limite superior. Mas afinal, ninguém fica para semente, não é mesmo?
PS: OK, OK, seria melhor usar um modelo SIR na rede, mas tudo bem: o modelo SIR tradicional, onde distâncias espaciais não importam, corresponderia ao caso otimista de civilizações com WARP.
Do plano do Ministério da Saúde:
a) Modelo estático para geração de estimativas globais:

Para gerar estimativas globais foi construído um modelo estático que representa o fluxo de indivíduos ao longo de cinco categorias, como ilustrado na figura abaixo. Este modelo segue a mesma estrutura geral dos modelos proposto para a Holanda (Genugten, 2002).

Dependendo da virulência do patógeno, uma fração maior ou menor desta população de gripados virá a evoluir para quadros mais complicados, por exemplo: bronquite aguda, pneumonia, sinusite, otite, ou exacerbação de condições crônicas. Sem tratamento adequado,
uma fração destes “casos complicados” deve evoluir para um quadro grave e uma fração destes casos deverá ir a óbito.

MS do Brasil minimiza gripe, MS do Uruguai e da Bélgica levam a sério

Temporão minimiza gripe suína e diz que gripe comum é problema mais sério

CAROLINA FARIAS

da Folha Online

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, minimizou a situação da transmissão da gripe suína –gripe A (H1N1)– no Brasil. “Tem muita gente que pensa ‘é uma doença com nome diferente’ e então pensa que é diferente. Ela tem um nome diferente porque é um novo vírus, mas o comportamento dessa doença, na vida real, nos mostra que agora é muito parecida com a gripe comum”, disse Temporão, após vistoriar uma central de regulação do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), em São Paulo, no início da tarde desta segunda-feira.

“Em 2006 morreram no Brasil, de complicações causadas pela gripe comum, 70 mil pessoas. A gripe comum é um problema muito mais sério de saúde pública do ponto de vista de mortes do que essa nova gripe que começou agora. Mas, como é uma doença nova, tudo pode acontecer, nós estamos trabalhando com todos os cenários possíveis, mas a situação é de tranquilidade”, disse o ministro.

08/07/2009 – 18h18

Uruguai registra sétima morte causada por gripe suína

colaboração para a Folha Online

O Ministério da Saúde do Uruguai confirmou nesta quarta-feira a sétima morte no país por conta da gripe suína –como é chamada a gripe A (H1N1). Trata-se de um homem de 53 anos do departamento de Florida, a aproximadamente 100 quilômetros da capital, Montevidéu.
Até o momento, as sete vítimas contabilizadas são pessoas de entre 53 e 60 anos que apresentavam outras complicações além da gripe.
O Centro de Tratamento Intensivo (CTI) de dois hospitais públicos de Montevidéu está lotado com pessoas suspeitas de ter a doença.
O Ministério da Saúde modificou nesta terça-feira o protocolo de assistência às pessoas com a doença. Elas receberão remédios diante do primeiro indício do vírus, e não após a confirmação de que foram infectadas pelo vírus da gripe suína.

07/07/2009 – 11h01

Gripe suína pode atingir um terço da população da Bélgica

colaboração para a Folha Online

A gripe suína –como é chamada a gripe A (H1N1)– pode infectar três milhões de cidadãos da Bélgica, quase um terço da população, nos próximos meses, segundo informa nesta terça-feira a imprensa do país.
A Câmara de Comércio do país —usando como base as previsões do responsável pelo comitê de gripe belga, Marc Van Ranst, esses números representariam um custo de 1,3 milhões de euros (R$ 3,5 milhões).
O custo que a enfermidade causaria às empresas corresponde às baixas de funcionários infectados por pelo menos uma semana, e excluem os casos graves que requerem uma hospitalização mais prolongada, segundo o diário econômico “L’Echo”.
A organização empresarial da Bélgica lançará uma campanha informativa para aconselhar medidas preventivas aos funcionários, como não ir trabalhar se estiver com algum sintoma da gripe suína.
Mesmo assim, as autoridades federais belgas prepararam um plano de crise por causa da expansão da pandemia. Cada prefeitura, por exemplo, terá um centro de chamadas e um ponto de informação para atender a possíveis contágios, segundo o jornal “Gazet van Antwerpen”.