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Planetas extra-solares, Kepler 62 e o Paradoxo de Fermi local

Conforme aumentam o número de planetas extra-solares descobertos, também aumentamos vínculos sobre as previsões do modelo de percolação galática (Paradoxo de Fermi Local).
A previsão é que, se assumirmos que Biosferas Meméticas (Biosferas culturais ou Tecnosferas) são um resultado provável de Biosferas Genéticas, então devemos estar dentro de uma região com pucos planetas habitáveis. Pois se existirem planetas habitados (por seres inteligentes) por perto, com grande probabilidade eles são bem mais avançados do que nós, e já teriam nos colonizado.
Como isso ainda não ocorreu (a menos que se acredite nas teorias de conspiração dos ufólogos e nas teorias de Jesus ET, deuses astronautas etc.), segue que quanto mais os astronomos obtiverem dados, mais ficará evidente que nosso sistema solar é uma anomalia dentro de nossa vizinhança cósmica (1000 anos-luz?), ou seja, não podemos assumir o Princípio Copernicano em relação ao sistema solar: nosso sistema solar não é tipico em nossa vizinhança.  Bom, pelo menos, essa conclusão está batendo com os dados coletados até hoje…
Assim, é possível fazer a previsão de que uma maior análise dos planetas Kepler 62-e e Kepler 62-f revelará que eles não possuem uma atmosfera com oxigênio ou metano, sinais de um planeta com biosfera.

Persistence solves Fermi Paradox but challenges SETI projects

Osame Kinouchi (DFM-FFCLRP-Usp)
(Submitted on 8 Dec 2001)

Persistence phenomena in colonization processes could explain the negative results of SETI search preserving the possibility of a galactic civilization. However, persistence phenomena also indicates that search of technological civilizations in stars in the neighbourhood of Sun is a misdirected SETI strategy. This last conclusion is also suggested by a weaker form of the Fermi paradox. A simple model of a branching colonization which includes emergence, decay and branching of civilizations is proposed. The model could also be used in the context of ant nests diffusion.

03/05/2013 – 03h10

Possibilidade de vida não se resume a planetas similares à Terra, diz estudo

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Com as diferentes composições, massas e órbitas possíveis para os planetas fora do Sistema Solar, a vida talvez não esteja limitada a mundos similares à Terra em órbitas equivalentes à terrestre.

Editoria de arte/Folhapress

Essa é uma das conclusões apresentada por Sara Seager, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos EUA, em artigo de revisão publicado no periódico “Science“, com base na análise estatística dos cerca de 900 mundos já detectados ao redor de mais de 400 estrelas.

Seager destaca a possível existência de planetas cuja atmosfera seria tão densa a ponto de preservar água líquida na superfície mesmo a temperaturas bem mais baixas que a terrestre. Read more [+]

Metáforas Cognitivas no Discurso Jornalístico

A nova versão do artigo Metáforas Científicas no Discurso Jornalístico já está no prelo da Revista Brasileira de Ensino de Física. Espero que esteja publicado antes do final do ano.

Você pode fazer um exercício para entender como as metáforas linguísticas (“a máquina econômica” etc.) revelam a presença de metáforas cognitivas (“a Economia é um tipo de máquina”). Para tanto, basta examinar um texto jornalístico ao acaso e grifar, com aquelas canetas coloridas, as metáforas linguísticas presentes.

Restringindo às metáforas científicas (ou seja, não dando atenção às onipresentes metáforas futebolísticas, esportivas ou guerreiras), eu sugiro usar as cores violeta para metáforas matemáticas, azul para metáforas físicas, verde para metáforas biológicas, amarelo para metáforas sociológicas e vermelho para outras metáforas coloquiais, não científicas.. Você vai ficar espantado ao verificar como o texto escolhido, se for relativamente grande, ficará pintado em diversas cores metafóricas.

Isso se dá porque as pessoas tanto pensam metaforicamente como se expressam usando metáforas, e estas são facilmente compreensíveis pelos leitores ou receptores. Em um nível mais profundo, Lakoff e Johnson afirmam que o próprio pensamento humano, a própria cognição, se baseia em metáforas fundamentais.

Como um exemplo, reproduzo aqui um trecho da entrevista de Armínio Fraga na Folha de São Paulo, publicado hoje: Read more [+]

SOC e Câncer

A dar uma olhada…

Self-Organized Criticality: A Prophetic Path to Curing Cancer

J. C. Phillips
(Submitted on 28 Sep 2012)

While the concepts involved in Self-Organized Criticality have stimulated thousands of theoretical models, only recently have these models addressed problems of biological and clinical importance. Here we outline how SOC can be used to engineer hybrid viral proteins whose properties, extrapolated from those of known strains, may be sufficiently effective to cure cancer.

Subjects: Biomolecules (q-bio.BM)
Cite as: arXiv:1210.0048 [q-bio.BM]
(or arXiv:1210.0048v1 [q-bio.BM] for this version)

Novo artigo sobre automata celulares e Paradoxo de Fermi

Saiu um novo artigo sobre a hipótese de percolação para o Paradoxo de Fermi, onde simulações de automata celulares em três dimensões são usadas.  Dessa vez, a conclusão dos autores é a de que as simulações não suportam a hipótese.

Bom, acho que isso não é o fim da história. Eu já sabia que, para a hipótese dar certo, a difusão deveria ser critica (ou seja, formando um cluster crítico ou levemente supercrítico de planetas ocupados).

Ou seja, a hipótese precisa ser complementada com algum argumento de porque a difusão deveria ser crítica. Bom, como sistemas críticos são abundantes nos processos sociais e biológicos, eu acho que basta encontrar esse fator de criticalidade para justificar o modelo. Minha heurística seria: Read more [+]

Meu primeiro paper na Revista Brasileira de Ensino de Física

Scientific Metaphors in the journalistic discourse

(Submitted on 6 Jun 2010 (v1), last revised 23 Jun 2010 (this version, v3))

Scientific education and divulgation not only amplify people’s vocabulary and repertory of scientific concepts but, at the same time, promote the diffusion of certain conceptual and cognitive metaphors. Here we make some hypothesis about this process, proposing a classification in terms of visible, invisible, basic and derived metaphors. We focus our attention in contemporary and classical physics metaphors applied to psychological and socio-economical phenomena, and we study two exemplar cases through an exhaustive exam of the online content of large Brazilian journalistic portals. Finally, we present implications and suggestions from the cognitive metaphor theory for the scientific education and divulgation process.

Comments: In portuguese, 20 pages, 2 figures, new version submitted to RBEF
Subjects: History of Physics (physics.hist-ph); Physics Education (physics.ed-ph); Popular Physics (physics.pop-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:1006.1128v3 [physics.hist-ph]


Mensagem encaminhada ———-

From: “Fernanda Ostermann”
To: “Osame Kinouchi”
Date: Tue, 13 Jul 2010 11:17:15 -0300
Subject: [RBEF]
Prezado Osame,
É com prazer que comunicamos a aceitação do seu artigo “Metáforas científicas no discurso jornalístico” para publicação na RBEF. Seguem os dois pareceres. Essa aceitação é condicionada ao atendimento das solicitações de revisão dos avaliadores. Após nos ser enviada a versão revisada, daremos início ao processo de publicação.
Atenciosamente,
Profa. Dra. Fernanda Ostermann – Equipe Editorial
Prof. Dr. Cláudio José de Holanda Cavalcanti – Equipe Editorial
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Avaliador A:
Título/Title:
Metáforas científicas no discurso jornalístico
Parecer:
O trabalho é claro e relevante na medida em que traz um enfoque inovador sobre o uso de metáforas científicas ao abordá-las como parte da linguagem comum e da divulgação científica e ao propor uma forma diferente do que vem sendo proposto no uso das mesmas no ensino.
Entretanto, apresenta inconsistência em relação ao estudo de casos proposto. A coleta de dados em 3 jornais diferentes não é relevante para o estudo, já que o autor não teve como objetivo interpretar as diferenças encontradas. As conclusões não se referem aos dados, o que deixa claro que o estudo não traz resultados relevantes em relação à interpretação desses dados. Sendo assim, sugere-se:
(1) A exclusão da expressão “estudo de casos” do trabalho, já que esta expressão diz respeito a um tipo de pesquisa qualitativa que tem como objetivo o conhecimento de uma realidade por meio do aprofundamento interpretativo dos dados.
(2)a reformulação da seção 4 no sentido de deixar claro ao leitor que se trata de um levantamento exploratório de metáforas jornalísticas.
Outros aspectos de conteúdo que devem ser revistos:
p. 14
Os autores devem justificar, trazendo a literatura pertinente, a sentença “As mais variadas justificativas para a divulgação científica e a popularização da ciência têm sido apresentadas ao longo do tempo. Entre elas destacamos:”
p. 15
Os autores devem explicar/descrever o que caracteriza a “moderna divulgação científica” e o significado de “spin-off não intencional”
p. 16:
A proposta dos autores ficará mais clara se na sentença “Em relação à educação e divulgação científicas, o uso de metáforas científicas por jornalistas, colunistas, intelectuais etc. produzirá um resultadoambíguo” for retirado o início “Em relação à educação e divulgação científicas”.
p. 17:
Os autores devem justificar por que o exercício sugerido seria interessante, na sentença: “Se possível, a elaboração de um mapa conceitual que ligue as expressões metafóricas com as metáforas cognitivas básicas das quais foram derivadas, na forma de uma rede de metáforas com nodos e ligações, seria um exercício interessante”.
p. 18:
Os autores devem justificar por que o referido processo seria uma ‘deturpação de conceitos científicos’ na sentença: “Esse processo não precisa ser visto como uma deturpação de conceitos científicos”
Aspecto de redação que deve ser revisto:
p. 16:
Corrigir a concordância na sentença “Para a prevenção desses efeitos de interferência, propomos que a natureza e a ubiquidade das MCI, especialmente as derivadas de metáforas cognitivas básicas, seja (sejam) reconhecida(s) e enfrentada(s) ativamente”.
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Avaliador B:
Título/Title:
Metáforas científicas no discurso jornalístico
Parecer:
A proposta representa uma boa revisão da literatura pertinente ao tema, atualizada e clara. Sugiro somente que o(s) autor(es) avaliem o conceito de público leigo que na literatura atual de comunicação pública das ciências vem sendo questionado, uma vez que todos somos leigos, em alguma área, na sociedade da informação.
Este conceito reporta ao modelo de défict criticado no próprio manuscrito por ser centrado no conhecimento científico. Outra questão que pode melhorar o texto é a afirmação da inadequação das metáforas calcadas em modelos da física clássica. O texto é bastante interessante para deixar uma relação simplista entre a mecânica clássica e uma metáfora antiquada. Considero que os argumentos apresentados são mais ricos do que isso.
Recomendo a publicação com uma pequena revisão do texto principalmente nas regências verbais e pontuação.

Metáforas científicas

Scientific Metaphors in the journalistic discourse

Osame Kinouchi, Angélica A. Mandrá


(Submitted on 6 Jun 2010 (v1), last revised 8 Jun 2010 (this version, v2))

Scientific education and divulgation not only amplify people’s vocabulary and repertory of scientific concepts but, at the same time, promote the diffusion of certain conceptual and cognitive metaphors. Here we make some hypothesis about this process, proposing a classification in terms of visible, invisible, basic and derived metaphors. We focus our attention in contemporary and classical physics metaphors applied to psychological and socio-economical phenomena, and we study two exemplar cases through an exhaustive exam of the online content of large Brazilian journalistic portals. Finally, we present implications and suggestions from the cognitive metaphor theory for the scientific education and divulgation process.

Comments: In portuguese, 20 pages, 2 figures, corrections and bibliography added
Subjects: History of Physics (physics.hist-ph); Physics Education (physics.ed-ph); Popular Physics (physics.pop-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:1006.1128v2 [physics.hist-ph]

Índice de Hirsch para redes complexas




Hirsch index as a network centrality measure

Monica G. Campiteli, Adriano J. Holanda, Paulo R. C. Soles, Leonardo H. D. Soares, Osame Kinouchi
(Submitted on 26 May 2010)

We study the h Hirsch index as a local node centrality measure for complex networks in general. The h index is compared with the Degree centrality (a local measure), the Betweenness and Eigenvector centralities (two non-local measures) in the case of a biological network (Yeast interaction protein-protein network) and a linguistic network (Moby Thesaurus II) as test environments. In both networks, the Hirsch index has poor correlation with Betweenness centrality but correlates well with Eigenvector centrality, specially for the more important nodes that are relevant for ranking purposes, say in Search Machine Optimization. In the thesaurus network, the h index seems even to outperform the Eigenvector centrality measure as evaluated by simple linguistic criteria.

Comments: 7 pages, 4 figures
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph); Disordered Systems and Neural Networks (cond-mat.dis-nn); Quantitative Methods (q-bio.QM)
Cite as: arXiv:1005.4803v1 [physics.soc-ph]

PS: Estudamos a rede de proteinas desse fungo. Engraçado que o processo de colonização do Saccharomyces cerevisiae produz um padrão espacial com muitas regiões vazias, de todos os tamanhos (fractal?). Será que existe um modelo para isso? Tal tipo de processo era o que eu precisaria para implementar no meu modelo que tenta resolver o Paradoxo de Fermi, ver aqui.


Devemos avaliar estudantes e cientistas usando índices numéricos?



Pareto, ateísmo científico e ética da ciência

Do livro O Beijo de Juliana:
Antes porém, uma citação (para desespero do Jean!). Mas espero que ele goste dessa, pois o overlap entre o Jean e o Pareto é muito grande:
No começo do século XIX a “força vital” explicava um número infinito de fatos biológicos. Os sociólogos contemporâneos explicam e demonstram uma infinidade de coisas pela intervenção da idéia de “progresso”. Os “direitos naturais” tiveram e continuam a ter grande importância na explicação dos fatos sociais. Para muitos que aprenderam como papagaios as teorias socialistas, o “capitalismo” explica tudo e é a causa de todos os males que se encontram na sociedade humana.

Outros falam da “terra livre”, que ninguém nunca viu; e contam-nos que todos os males da sociedade nasceram no dia em que “o homem foi separado dos meios de produção”. Em que momento? É isso que não se sabe; talvez no dia em que Pandora abriu sua caixa, ou, talvez, nos tempos em que os animais falavam.
Pareto, Manual de Economia Política, II.13 (1906).
Eu sei que tanto o Jean como o Richard concordam com o trecho acima. Agora vou mostrar que também o Noam (sim, o Noam!) e eu também aceitamos e defendemos inteiramente este ponto, e que este é nosso real ponto de concordância. Para entender onde é que todos concordamos basta continuar a leitura de Pareto:
Observamos que na vida social esse segundo gênero de ações (as ações não-lógicas) é bastante amplo e de grande importância. O que se chama de moral e costume depende inteiramente dele. Consta que até o momento nenhum povo teve uma moral científica ou experimental. As tentativas dos filósofos modernos para levar a moral a essa forma não lograram êxito; mas ainda que tivessem sido conclusivas, continuaria verdadeiro que elas dizem respeito a um número muito restrito de indivíduos e que a maior parte dos homens, quase todos, ignoram-na completamente.

Da mesma forma, assinala-se, de tempos em tempos, o caráter anticientífico, antiexperimental de tal ou qual costume; e isso pode ser a ocasião de bom número de produções literárias [em especial, posts em blogs científicos], mas não pode ter a menor influência sobre esses costumes, que só se transformam por razões inteiramente outras (II.18).

Os homens, e provavelmente também os animais que vivem em sociedade, têm certos sentimentos que, em certas circunstâncias, servem de norma às suas ações. Esses sentimentos do homem foram divididos em diversas classes, entre as quais devemos considerar aquelas chamadas: religião, moral, direito, costume. Não se pode, mesmo ainda hoje, marcar com precisão os limites dessas diferentes classes, e houve tempos em que todas as classes eram confundidas e formavam um conjunto mais ou menos homogêneo. Elas não possuem nenhuma realidade objetiva precisa e não são senão um produto de nosso espírito; torna-se, por isso, coisa vã pesquisar, por exemplo, o que é objetivamente a moral ou a justiça.

Entretanto, em todos os tempos, os homens raciocinaram como se a moral e a justiça tivessem existências próprias, atuando sob a influência dessa tendência, muito forte entre eles, que os faz atribuir um caráter objetivo aos fatos subjetivos, e dessa necessidade imperiosa que os faz recobrir de verniz lógico as relações de seus sentimentos. A maioria das disputas teológicas tem essa origem, assim como a idéia verdadeiramente monstruosa de uma religião científica.
ESTE PONTO TODOS NÓS ACEITAMOS! Na verdade, já o fizemos durante nosso debate sobre o Acaso e a Necessidade de Monod.
Mas talvez isto não tenha ficado claro para o Jean e o Richard. Tanto eu como o Noam acreditamos sinceramente que não se podem fundamentar atitudes morais a partir de fatos objetivos, e nisso estamos em pleno acordo com vocês. Assim, ao contrário do que acredita o Jean, eu não estou tentando criar uma religião científica quando discuto a emergência de cooperação via teoria de jogos Darwiniana ou que a diversidade cultural e de sistemas econômicos seja interessante porque faz parte de um algoritmo genético de busca num espaço de organizações sociais.
Se vocês pensaram isso, então não entenderam NADA do que estou tentando dizer. Deixe-me falar de novo, com todas as letras:
POSTURAS ÉTICAS E MORAIS NÃO PODEM SER DEDUZIDAS A PARTIR DA CIÊNCIA.
Tudo bem, estamos de acordo nisso? As atitudes morais não podem ser fundamentadas de maneira absoluta, não podem ter fundamentos seguros, e possivelmente qualquer tentativa de criar um sistema moral a partir da Lógica (como a tentativa de Spinoza) deverá estar sujeito ao Teorema de Gödel, ou seja, tais sistemas ou serão inconsistentes ou serão incompletos.
Os fundamentalistas não conseguem aceitar a falta de fundamentos. Eles acham que suas crenças e atitudes morais precisam ter fundamentos de granito. E ficam extremamente perturbados quando se mostra que não é possível encontrar fundamentos firmes (Hilbert era um fundamentalista na Matemática). É por isso que, geralmente, os fundamentalistas (quer sejam religiosos, ateístas, políticos ou científicos), quando percebem essa falta de fundamentos, tendem a se tornar apóstatas militantes (“eu era comunista, mas agora vi a Luz!”, dizem todos os ex-comunistas, “eu era pró-Ciência, mas agora vejo que os cientistas só fazem ciência irônica”, snif, snif, como confessou Horgam em o Fim da Ciência, após perceber a sobreposição entre ciência, religião e arte).
Em relação às atitudes morais, o fundamentalista e o niilista constituem os dois lados da mesma moeda, e freqüentemente um se converte no outro, como observei acima: ambos acreditam que, se não é possível fundamentar nossas crenças de forma absoluta, então as atitudes morais seriam totalmente relativas, arbitrárias, irrelevantes, uma ilusão e pura perda de tempo, quando não uma fumaça ideológica para encobrir interesses escusos. Acredito que as tendências niilistas de alguns de nós se devem a essa atitude fundamentalmente fundamentalista, desculpem o pleonasmo.
Mas, felizmente, não precisamos ser fundamentalistas. De novo, devemos afirmar: valores não podem ser fundamentados de forma absoluta. Valores como direitos humanos, justiça, liberdade, igualdade, democracia, direitos das mulheres, crianças, idosos, animais etc. não podem ser fundamentados em termos absolutos, ou seja, não se pode demonstrar sua validade racionalmente, não se pode “forçar as pessoas” a aceitá-los como se aceita o teorema de Pitágoras.
A única maneira que existe de forçar uma conclusão sem usar a força (mas lembremos que a não-violência e a tolerância também são valores não fundamentados!) é através da lógica e de demonstrações matemáticas, ou seja, usando a Razão (com R maiúsculo…). E não podemos fazer isso em relação a valores. Ponto final.
Neste caso, o que sobra? O cálculo de vantagens para o indivíduo? Ou seja, cada indivíduo deve fazer apenas o que lhe traz vantagens (pragmatismo individualista ou oportunismo)? Por exemplo, se um cientista, após alguns cálculos cuidadosos, concluir que lhe trará vantagens se ele falsificar dados ou roubar idéias dos outros, ele deverá fazê-lo pois essa seria a atitude mais racional a tomar? Puro cálculo de teoria de jogos? Se sim, porque não o fazemos todos? Apenas por temer as conseqüências? (ou seja, ainda levando em conta cálculos sobre vantagens e desvantagens?)
Se não fazemos isso, se tais atitudes não são aceitáveis para nós, então qual é afinal a diferença entre essa moral científica (“Não falsificarás seus resultados, não plagiarás as idéias do teu próximo, etc…”) e a moral que diz “Não usarás o teu conhecimento para fortalecer o forte que explora o fraco”? Eu acho que este é o ponto que o Noam gostaria de enfatizar. Admitir e valorizar algum tipo de comportamento moral (por exemplo, a honestidade intelectual e científica) e criticar outras atitudes por serem “apenas comportamentos morais culturalmente relativos que carecem de fundamento” é o cúmulo da hipocrisia…
Bom, então, se não queremos ser fundamentalistas nem oportunistas (notem, eu disse queremos, não disse devemos), quais são as opções que sobraram? Uma opção é eleger certos valores como axiomas, ou seja, pontos de partida não fundamentados. Não se pode, nem na matemática nem em atitudes morais, convencer ninguém que tais axiomas estão corretos ou deveriam ser aceitos universalmente: axiomas não se prestam a isso! Portanto, ao escolher axiomas morais (“valores”), podemos esquecer a questão de fundamentos e passar a derivar deles redes de teoremas, e brincar com elas, e mostrar que são bonitas ou interessantes, e usá-las em nossas vidas, e deitar sobre tais redes – para descansar, fazer amor, libertar os oprimidos ou brincar com crianças, o que seja.
Essa é a conclusão de Rubem Alves, e embora eu seja um discípulo renegado de Rubem Alves, neste ponto concordo inteiramente com ele! Bom, mas se os valores (exemplo, “igualdade entre as pessoas versus direitos de casta ou de classe”), direitos das pessoas (e dos animais, e de outras máquinas vivas) à vida e à liberdade etc., não podem ser fundamentados mas são escolhas livres (no mesmo sentido que as regras do xadrez ou os axiomas da geometria Euclidiana são escolhas livres, embora o que decorra daí em diante já não o seja), o que podemos fazer a partir desse ponto? Como seria possível a convivência humana, se valores fundamentais não podem ser objeto de diálogo e convencimento universal? Cairemos na barbárie, na guerra total de valores, ou no oportunismo pragmático (só tenho valores quando me interessam e me trazem vantagens…)?
Sim, isso é uma possibilidade. Foi isso o que reconheceram os nazistas, e também o anarquista Feyrabend (por sinal, ex-nazista [inspirado por Nietszche e que desejou na juventude pertencer às] SS, leiam sua biografia “Matando o tempo”): que sistemas de valores são incomensuráveis (não se pode fazer com que um sistema de valores suplante outro como a ciência de Einstein suplantou a de Newton), que não existem na “Realidade Objetiva” os Direitos Universais do Homem (desculpem, da Humanidade), tais direitos são sólidos como fumaça, que basicamente um sistema de valores vence devido ao uso da força bruta e da propaganda, não existem nem podem existir raciocínios universais para determinar o valor dos valores!
Então, estamos condenados às guerras religiosas e culturais, guerras de memes e de ideologias? Que vença, sempre, o mais forte? Sim, e não. Pois existe uma classe de sistemas de valores que, entre os seus axiomas incluem os seguintes:
Não pela força, nem pela violência, mas pelo meu Espírito, diz Yavhé (Judaismo).
Ouviste o que foi dito: “Amarás teu próximo e odiarás teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos Céus, porque ele faz nascer o seu Sol igualmente sobre os maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes? E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de mais? (Cristianismo).
Eu posso discordar de todas as suas opiniões, mas defenderei até o fim o seu direito de dizê-las (Democracia Liberal).
Assim, se um dos valores fundamentais for a não-violência, o respeito à integridade das pessoas, etc. então não precisaremos cair na ditadura do mais forte, e um verdadeiro algoritmo genético de memes e organizações sociais pode se iniciar. Diga-se que judeus, cristãos, iluministas, democratas, socialistas e anarquistas romperam diversas vezes esse axioma, por uma infinidade de razões, em particular porque sempre existem os realistas pragmáticos (zelotes, jesuítas da Inquisição, jacobinos, Maquiavéis de plantão, falcões e tecnocratas militares, bolcheviques e anarco-terroristas) que defendem, no interior dessas comunidades, que tais valores de respeito aos adversários são utópicos, não realistas e que o melhor é adotar posições de força realistas e pragmáticas que trazem vantagens a curto prazo (70 anos, por exemplo, no caso da URSS…).
Porém, se não é possível usar a Razão, e um dos valores axiomáticos adotados autolimita o uso da violência, como poderemos disseminar ou pelo menos defender os valores que valorizamos? (Se não estamos dispostos a defendê-los, então é porque não são realmente valores para nós). Bom, a resposta inicial de Rubem Alves (antes dele começar a namorar Nietzsche e achar que uma solução poderia ser a força…) era: pela sedução! Assim como na Matemática, podemos levar outras pessoas a apreciarem nossos valores axiomáticos mostrando como nossas redes de memes podem ser bonitas, interessantes, úteis em certas circunstâncias, libertadoras. A beleza é fundamental.
Assim, existe certa parcela da Humanidade que, na hora de defender seus memes, renuncia à propaganda enganosa, à violência ou mesmo à Razão (pois tentar disseminar valores usando a Razão consiste naquela monstruosidade da religião científica descrita por Pareto!). Vivas então à não-violência e à sedução! O valor da não-violência permite que a guerra entre os valores (que precisa ser feita, pois os valores dos fortes não são idênticos aos valores dos fracos) não implique em eliminação arbitrária ou intimidação dos oponentes, que é o mínimo a ser admitido para a
convivência social.
Poderíamos dizer, num tom reconhecidamente machista (que as feministas não me leiam!), que os fundamentalistas querem fazer sexo usando as ameaças do inferno, os iluministas radicais querem provar usando a Razão que a mulher deve fazer sexo com eles, os comunistas fazem sexo usando o estupro (vulgo ditadura do proletariado) enquanto que os capitalistas compram esse sexo com suas “vantagens econômicas de consumo”, prostituindo a consciência de todos – inclusive a dos cientistas “moralmente neutros”.
Mas talvez uma alternativa mais satisfatória seria o estabelecer da utopia pelo aprendizado da sedução (que Freud explique essa minha analogia entre sexo e utopia…. risos).
Physics is like sex: sure, it may give some practical results, but that’s not why we do it. – Richard Feynman.
A ciência é meio indispensável para que sonhos sejam realizados. Sem a ciência não se pode plantar nem cuidar do jardim. Mas há algo que a ciência não pode fazer: ela não é capaz de fazer os homens desejarem plantar jardins – Rubem Alves.
O cientista não estuda a Natureza porque ela é útil, ele a estuda porque ela é bela e ele se delicia com ela. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena estudá-lo. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena viver – Henry Poincaré.

O índice de Hirsch individual poderia coibir práticas abusivas de autoria?

Em virtude do recente caso de aparente plágio em um paper envolvendo importantes pesquisadores da USP (inclusive sua reitora) as práticas abusivas de co-autoria em artigos científicos estão sendo discutidas em uma série de blogs, ver uma lista aqui no blog Ciência na Midia.
Quando Alexandre Souto Martinez propôs o uso de índice de Hirsch individual, o h_I, definido como sendo o índice de Hirsch do pesquisador dividido pelo número médio de co-autores no h-core (conjunto de seus h papers), uma das vantagens que foi enfatizada no paper era que o h_I poderia ser usado para desestimular a prática de co-autoria abusiva.
Ou seja, existem vários motivos para se ampliar a lista de co-autores de um paper:
1. Formar uma equipe (alguns dizem “quadrilha”) de colaboradores, de modo a que a sinergia do grupo produza mais papers do que individualmente;
2. Facilitar a publicação de um paper usando sua chancela como figurão da ciência;
3. Incluir (e justificar as bolsas de) estudantes de Iniciação Científica e Mestrado, etc.
4. Aumentar sua rede social de amigos colaboradores etc.
Etc…
Não existe, porém, nenhum fator que induza a uma diminuição da lista de co-autores.
Pelo que entendo, o h_I é o único índice bibliométrico que penaliza o tamanho da lista de co-autores. Infelizmente, não é muito fácil de calcular (a menos que a WoS e similares fizessem um script para calcula-los automaticamente). O site Harzing´s Publish or Perish calcula o nosso h_I (e outros 12 índices) para você, usando o Google Scholar.
Uma das críticas ao h_I é que um único paper de big science (por ter um número enorme de autores) pode detonar com o seu h_I. Isso pode ser remediado usando-se a mediana em vez da média do número de autores. De novo, seria bom ter um programinha para fazer isso de forma automática, de modo a ter no Lattes, por exemplo, não apenas o seu h mas também o seu h_I e outros índices.
Um gráfico de dispersão de h_i versus N (número de papers) poderia mostrar clusters de pesquisadores que, potencialemente, estão usando práticas de co-autoria abusiva. Seria interessante usar o h_I, portanto, como um detetor de comportamento ético na academia…
Artigo Premiado
Fruto de uma parceria entre a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e a Divisão Científica da Thomson Reuters, o Prêmio Thomson Reuters de Produtividade e Impacto Científico se destina ao pesquisador, vinculado a uma instituição brasileira, que seja o autor do trabalho mais relevante nos últimos cinco anos nas categorias Ciência Pura, Ciências Sociais, Artes e Humanidades e Melhor Trabalho de Bibliometria e Cienciometria, categoria que premiou o artigo de Pablo Batista e seus colaboradores.
Os vencedores do Prêmio Reuters, que também prestigia o bibliotecário que se destacar na divulgação do Portal de Periódicos e da base Web of Science, foram escolhidos a partir de uma análise bibliométrica dos artigos mais citados na base Thomson Reuters High Impact Papers.
Pablo Batista recebeu o prêmio, no valor de US$ 3.000,00, em solenidade realizada no dia 17 de setembro, no auditório do Edifício-Sede da CAPES, em Brasília.
PS: Preciso inventar o p_I, ou seja, valor de um prêmio dividido (exatamente) pelo número de co-autores…

Citações científicas: minhas Pérolas Perdidas e Belas Adormecidas

Spatial distribution of the internal field per link in the ground state of a 28×28 disorder configuration (XY spin glass) with open-periodic boundary conditions.

Read Journal Article

Todo cientista tem suas pérolas perdidas (artigos bons mas pouco citados) e Belas Adormecidas (Sleeping Beauties – artigos que, espera-se, um dia serão descobertos e altamente citados). Tem também os artigos que são muito recentes e que não tiveram oportunidade de serem citados ainda (espero!).
Todos os artigos abaixo, por um motivo ou outro, acabaram tendo zero citações na Web of Science (mas não no Google Scholar!).  Quem sentir curiosidade pelos títulos, dê uma olhada. São bons artigos, eu assino em baixo!
PS: Acho que apenas o artigo com s Silvia Kuva (Learning a Spin Glass) e o artigo com o Tamashiro e Salinas (Dynamical phase diagrams…) seriam considerados potenciais pérolas perdidas. NA verdade, acho que o Learning a Spin Glass é um potencial Sleeping Beauty. Os outros são muito novos. O artigo com o Caticha é um artigo completo de conferência, não um paper. Também é um candidato a pérola perdida…

 29. Title: Active Dendrites Enhance Neuronal Dynamic Range 
Author(s): Gollo LL, Kinouchi O, Copelli M
Source: PLOS COMPUTATIONAL BIOLOGY   Volume: 5   Issue: 6 Article Number: e1000402   Published: JUN 2009
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 30. Title: The non-equilibrium nature of culinary evolution 
Author(s): Kinouchi O, Diez-Garcia RW, Holanda AJ, et al.
Source: NEW JOURNAL OF PHYSICS   Volume: 10 Article Number: 073020   Published: JUL 10 2008
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       31. Title: Chaotic itinerancy, temporal segmentation and spatio-temporal combinatorial codes 
Author(s): Dias JR, Oliveira RF, Kinouchi O 
Source: PHYSICA D-NONLINEAR PHENOMENA   Volume: 237   Issue: 1   Pages: 1-5   Published: JAN 1 2008
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 32. Title: Hirsch’s index: a case study conducted at the Faculdade de Filosofia, Ciencias e letras de Ribeirao Preto, Universidade de Sao Paulo 
Author(s): Torro-Alves N, Herculano RD, Tercariol CAS, et al.
Source: BRAZILIAN JOURNAL OF MEDICAL AND BIOLOGICAL RESEARCH   Volume: 40   Issue: 11   Pages: 1529-1536   Published: NOV 2007
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 33. Title: Scaling law for the transient behavior of type-II neuron models 
Author(s): Roa MAD, Copelli M, Kinouchi O, et al.
Source: PHYSICAL REVIEW E   Volume: 75   Issue: 2 Article Number: 021911   Part: Part 1   Published: FEB 2007
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 34. Title: Learning a spin glass: Determining Hamiltonians from metastable states 
Author(s): Kuva SM, Kinouchi O, Caticha N
Conference Information: Vth Latin American Workshop on Non-Linear Phenomena/11th MEDYFINOL Conference on Statistical Physics of Dynamic and Complex Systems, SEP 28-OCT 03, 1997 CANELA, BRAZIL
Source: PHYSICA A   Volume: 257   Issue: 1-4   Pages: 28-35   Published: AUG 15 1998
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 35. Title: Dynamical phase diagrams of neutral networks with asymmetric couplings 
Author(s): Tamashiro MN, Kinouchi O, Salinas SR
Source: PHYSICAL REVIEW E   Volume: 55   Issue: 6   Pages: 7344-7353   Part: Part B   Published: JUN 1997
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 36. Title: DAMAGED PERCEPTRONS AND THE WISCONSIN TEST 
Author(s): KINOUCHI O, CATICHA N
Conference Information: World Congress on Neural Networks (WCNN 93, Portland), JUL 11-15, 1993 PORTLAND, OR
Source: WCNN’93 – PORTLAND, WORLD CONGRESS ON NEURAL NETWORKS, VOL III   Pages: 381-384   Published: 1993
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Marina Silva e a colonização galática


Bom, uma alternativa é uma expansão em forma de lei de potência: N(t) = c t^\theta. Talveza se possa demonstrar que tal expansão seria economicamente sustentável. Interessante que isso corresponderia a um processo de ramificação crítico, que criaria uma expansão fractal, de modo que haveria bolhas não colonizadas de todos os tamanhos dentro da galáxia. E a minha solução para o Paradoxo de Fermi (que estamos dentro de uma dessas bolhas, e portanto não adianta fazer pesquisa SETI nas estrelas vizinhas) seria compativel com esse vínculo de expansão economicamente sustentável… Quem sabe os ETs (e nós no futuro) têm a mesma opinião da Marina Silva?

The Sustainability Solution to the Fermi Paradox

Jacob D. Haqq-Misra, Seth D. Baum
(Submitted on 2 Jun 2009)

No present observations suggest a technologically advanced extraterrestrial intelligence (ETI) has spread through the galaxy. However, under commonplace assumptions about galactic civilization formation and expansion, this absence of observation is highly unlikely. This improbability is the heart of the Fermi Paradox. The Fermi Paradox leads some to conclude that humans have the only advanced civilization in this galaxy, either because civilization formation is very rare or because intelligent civilizations inevitably destroy themselves. In this paper, we argue that this conclusion is premature by introducing the “Sustainability Solution” to the Fermi Paradox, which questions the Paradox’s assumption of faster (e.g. exponential) civilization growth. Drawing on insights from the sustainability of human civilization on Earth, we propose that faster-growth may not be sustainable on the galactic scale. If this is the case, then there may exist ETI that have not expanded throughout the galaxy or have done so but collapsed. These possibilities have implications for both searches for ETI and for human civilization management.

Comments: 14 pages, PDF file
Subjects: Popular Physics (physics.pop-ph); Earth and Planetary Astrophysics (astro-ph.EP)
Journal reference: J.Br.Interplanet.Soc.62:47-51, 2009
Cite as: arXiv:0906.0568v1 [physics.pop-ph]

Persistence solves Fermi Paradox but challenges SETI projects

Osame Kinouchi (DFM-FFCLRP-Usp)
(Submitted on 8 Dec 2001)

Persistence phenomena in colonization processes could explain the negative results of SETI search preserving the possibility of a galactic civilization. However, persistence phenomena also indicates that search of technological civilizations in stars in the neighbourhood of Sun is a misdirected SETI strategy. This last conclusion is also suggested by a weaker form of the Fermi paradox. A simple model of a branching colonization which includes emergence, decay and branching of civilizations is proposed. The model could also be used in the context of ant nests diffusion.

Comments: 2 pages, no figures, v2 with corrected definition of branching ratio
Subjects: Disordered Systems and Neural Networks (cond-mat.dis-nn); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech)
Cite as: arXiv:cond-mat/0112137v1 [cond-mat.dis-nn]

Eu, biólogo? A vingança de Roberto Takata

Minha produção bibliográfica está ficando cada vez mais biológica. Depois do PloS Computational Biology Active dendrites enhance neuronal dynamic range, com Leonardo Gollo e Mauro Copelli, agora um BMC Bioinformatics. Já me chamaram de neurocientista e de estatístico, daqui a pouco vão acabar me chamando de “biólogo”… E eu vou ter que retirar todas as provocações que fiz ao Roberto Takata!
Um artigo feito em colaboração com minha ex-orientada de doutorado, Mônica Campiteli, e o grupo da Farmácia onde ela faz o pós-doutorado.

A reliable measure of similarity based on dependency for short time series: an application to gene expression networks.

Monica G Campiteli email, Frederico M Soriani email, Iran Malavazi email, Osame Kinouchi email, Carlos A B Pereira email and Gustavo H Goldman email

BMC Bioinformatics 2009, 10:270doi:10.1186/1471-2105-10-270

Published: 28 August 2009

Abstract (provisional)

Background

Microarray techniques have become an important tool to the investigation of genetic relationships and the assignment of different phenotypes. Since microarrays are still very expensive, most of the experiments are performed with small samples. This paper introduces a method to quantify dependency between data series composed of few sample points. The method is used to construct gene co-expression subnetworks of highly significant edges.

Results

The results shown here are for an adapted subset of a Saccharomyces cerevisiae gene expression data set with low temporal resolution and poor statistics. The method reveals common transcription factors with a high confidence level and allows the construction of subnetworks with high biological relevance that reveals characteristic features of the processes driving the organism adaptations to specific environmental conditions.

Conclusions

Our method allows a reliable and sophisticated analysis of microarray data even under severe constraints. The utilization of systems biology improves the biologists ability to elucidate the mechanisms underlying celular processes and to formulate new hypotheses.

The complete article is available as a provisional PDF. The fully formatted PDF and HTML versions are in production.

Foto: The single-celled fungus Saccharomyces cerevisiae, also known as brewer’s yeast. Image courtesy David Byres, Florida Community College at Jacksonville.


Brewer’s yeast itself is not pathogenic. Nevertheless, “yeast cells make a great ‘model organism’ for this research because they’re easily handled, thoroughly studied, and their genome has been completely mapped,” says Nickerson, the principal investigator of Yeast GAP. Furthermore, brewer’s yeast shares much of its DNA with infectious species of microscopic fungi and protozoans. “Also, the yeast’s genome is relatively simple, which makes the results easier to analyze,” she says.

Still, the challenge is formidable. The brewer’s yeast genome contains 6,312 genes, each of which produces one of the proteins that constitute the molecular machinery of the cell. To get a grip on this immense complexity, the researchers will send up 6,312 variants of the single-celled yeast. Each variant has a different gene “knocked out” and replaced with a unique “barcode” pattern of custom-made DNA. This barcode DNA does not encode a protein; it merely serves as a tag distinguishing that particular variant from all the others.

Apenas por associação de idéias… micróbios, espaço, virulência. A foto mostra que a dinâmica de colonização feita pelo fungo não é uniforme, mas produz buracos de ocupação bastante grandes. Lembra o meu modelo de colonização galáctica (as civilizações tecnológicas são os fungos do universo?), onde a presença desse tipo de buraco colonizatório explica o Paradoxo de Fermi: nós estariamos dentro de um deles, e portanto não adianta procurar civilizações ou mesmo planetas similares à Terra nas proximidades do sistema solar.

Autovalores e Autovetores de Matrix

Eu tenho uma teoria: (quase) todo blogueiro de ciência tem a tentação de mostrar mais seu lado B, e é por isso que muitos se escondem atrás de pseudônimos (None, Cretinas, Dedalus, etc). As excessões são, claro,  Carlos Hotta, Átila Iamarino e alguns outros que assinam seu nome completo, e que blogam de forma profissional e compenetrada. 
Neste blog eu também mostro meu lado B (ou seja, as idéias “criativas” demais para publicar, os artigos não publicados, os artigos impublicáveis etc). Meu lado sério você pode conhecer no curriculum Lattes. Temerariamente, assino estes posts com o nome do lado A.
Nessa linha B, acabei de fazer o dowload da palestra Autovalores e Autovetores de Matrix. Façam bom proveito…

Determinismo Social

Luciana, do SERPSICO, andou divulgando o meu artigo “A perigosa persistência do determinismo social” e algumas pessoas gostaram. Isso me obrigou a reler o artigo de 2001, para ver se ainda penso do mesmo jeito. Bom, minha conclusão é que:
  1. Eu escrevia melhor quando era mais jovem;
  2. Hoje sou mais centro do que quando mais jovem;
  3. Eu usava mais retórica quando mais jovem;
  4. O artigo não envelheceu;
  5. Estou ficando velho.
No artigo existe uma defesa apaixonada de Richard Dawkins, o que me permite a liberdade de criticá-lo hoje em dia, acho…
Idéia (que não tem nada a ver com o post) sugerida por aquela pesquisa de opinião dos EUA: se um PSDBista quiser detonar com a campanha da Dilma, basta fazer a pergunta capciosa do livro CONTATO sobre se ela acredita em Deus. Já Alckmin (da Opus Dei) e Marina da Silva (da Assembléia de Deus) escapam ilesos…

Sonhos como Terapia de Realidade Virtual para Ansiedade

Virtual Reality Therapy for Anxiety Disorders: Advances in Evaluation and Treatment

Auteur(s) : WIEDERHOLD Brenda K., WIEDERHOLD Mark D.
Date de parution: 09-2004
Langue : ANGLAIS
216p. 25.4×17.8 Broché
Etat : Disponible chez l’éditeur (délai de livraison : 15 jours)



Explores how the latest virtual reality interventions can be used to treat patients with anxiety disorders. Virtual reality therapy enables the patient to experience a realistic, yet carefully controlled exposure to an anxiety-provoking scenario, in the therapist’s own office.

Um tempo atrás escrevi isso no impublicávelmente longo artigo Dreams, endocannabinoids and itinerant dynamics in neural networks: reelaborating the Crick-Mitchison unlearning hypothesis:


In a nutshell, we propose that dream narrative function is akin to desensitization therapy [54], done in a simulated and virtual environment (the dream). It is part of a homeostatic control mechanism for fear, anxiety and obsession, related to excessive brain plasticity. Since dream narratives are simulations, they expose the subject to charged emotional experiences in a secure way. This point has also been emphasized by Revonsuo evolutionary dream theory [68], although we stress here emotional (un)learning instead of cognitive learning in virtual environments.

The “virtual exploratory behavior” hypothesis explains why the specific areas listed by Hobson and Mc- Carkey [28] [58] [29] [78] are the most activated during REM-sleep: brain areas related to walking function (motor cortex, basal ganglia, cerebellum, vestibular area [8]), visual areas in primates (but with inactivation of primary V1 area and frontal areas, forming a visual/limbic closed system [9]), olfactory bulb in other mammals [50]. Basically, they are related to exploratory behavior and are co-activated with emotional response in amygdala and spatial memory in hippocampus [8]. We also remember that, in the waking animal, theta waves are related to exploratory behavior and PGO waves are elicited in startling responses.

Emotional (un)learning in dreams is not a simple rehearsal (replay) of previous experience, but is done by new exploratory behavior in a virtual scenario whose features could be made of old or recently explored environments.

The simulated exploratory behavior is “new” in the sense that the outcomes experienced in the dream, although stereotyped, are not simple replays of recent or old experiences but reflect generalized fears posing new exercises and emotional training (in Nietzsche’s sense). For example, dreams of subjects with PTSD do not simply replay the primary experience: although representing threatening scenarios, they frequently refer to the present and contains distorted features [22] .

Perdendo o barco da gripe suína

Se demorar demais o nosso novo paper sobre gripe suína, acho que acabaremos perdendo o barco…

Do Physics ArXiv Blog:

How to predict pandemics


Posted: 07 May 2009 09:10 PM PDT

A new technique could dramatically improve our ability to determine whether a pandemic is likely at the beginning of an infectious outbreak

In the last couple of weeks, mathematical epidemiologists around the world have been racing to determine how swine flu will spread. 
The puzzle centres on a quantity known as the reproduction number (R0) which is a fundamental property of any infectious disease. It is defined as the expected number of new infections caused by a typical individual during the whole period of his or her infection, in a totally susceptible population.
R0 is important because epidemiologists can use it to determine the final size of an outbreak. But estimating R0 in the early stages of an outbreak, when it is most useful, is hugely difficult. 
Today, Bahman Davoudi from the British Columbia Centre for Disease Control in Canada and a few friends propose a way to estimate R0 far earlier in an outbreak than has been possible before. And that may have important implications for the way governments control the spread of new diseases in future.
The new method determines R0 using three quantities that can be measured early in an outbreak. The first is the infection rate probability which, for viral diseases, is related to the viral load of infectious individuals and can be calculated from their blood serum. 
The second is the removal rate probability: how quickly individuals are removed from the scenario through factors such as death, quarantine and other means to reduce social contact. This is also relatively straightforward to measure early on. 
The final factor is the rate at which new cases appear which again can be measured early in an outbreak.
What’s interesting about this method is that Davoudi and co then use this information to see how the disease spreads using our existing knowledge of social networks–for example, how often people meet and where. That’s what makes the approach so powerful.
They’ve tested the model in various simulations and say it gives them an accurate value for R0 right at the start of an outbreak. What’s more, it’s possible to calculate R0 in real time as the outbreak begins.
That could make this a hugely valuable tool for determining how common diseases spread such as less virulent forms of flu and also for planning a response to the next outbreak on the local, national and even the global scale.
Ref:arxiv.org/abs/0905.0728: Early Real-time Estimation of Infectious Disease Reproduction Number

Pérola recuperada

Verifiquei hoje que o artigo Statistical Mechanics of Online Learning of Drifting Concepts: A Variational Approach, de Renato Vicente, Osame Kinouchi and Nestor Caticha (1998) está com acesso liberado no site da Springer. Este artigo é uma das pérolas subestimadas dos bons tempos em que pesquisávamos redes neurais artificiais. Me orgulho do artigo, pela qualidade, pela revista onde foi publicado e por ser meu único paper em colaboração com Renato Vicente.
Abstract We review the application of statistical mechanics methods to the study of online learning of a drifting concept in the limit of large systems. The model where a feed-forward network learns from examples generated by a time dependent teacher of the same architecture is analyzed. The best possible generalization ability is determined exactly, through the use of a variational method. The constructive variational method also suggests a learning algorithm. It depends, however, on some unavailable quantities, such as the present performance of the student. The construction of estimators for these quantities permits the implementation of a very effective, highly adaptive algorithm. Several other algorithms are also studied for comparison with the optimal bound and the adaptive algorithm, for different types of time evolution of the rule.

Sonhos, memórias e simulações

Do Portal G1, tradução do NYT:

Cientistas estudam como as pessoas interpretam os sonhos

Maioria dos indivíduos dá valor a “mensagens” embutidas em sonhos.
Entretanto, as pessoas tendem a acreditar mais em sonhos positivos.

Imagine que, na noite passada, você teve dois sonhos. Em um, Deus aparece e ordena que você tire um ano para viajar pelo mundo. Em outro, Deus lhe diz para dedicar um ano trabalhando num abrigo de leprosos.

Qual desses sonhos você consideraria importante?

Agora, suponha que você tenha tido um pesadelo, no qual seu amigo o defende de seus inimigos, e outro sonho onde esse mesmo amigo age pelas suas costas e tenta seduzir sua alma-gêmea. Qual sonho você levaria a sério?
Continue a ler clicando no título.

Pérolas perdidas

Comentei com minha ex-orientada de doutorado Mônica que eu me achava muito narcisista, vide o SEMCIÊNCIA. Mas ela me deixou muito feliz ao comentar que “Não, é claro que não, você tem apenas um alter-ego narcisista que se manifesta no SEMCIÊNCIA”. Sim, alter-egos são interessantes (vide Fernando Pessoa), eles te permitem viver várias vidas ao mesmo tempo…

En passant, alguns posts do SEMCIÊNCIA andam meio misóginos (ou será chauvinistas, preciso procurar no dicionário). Mas se você perceber o tom irônico, é uma pseudomisoginia bem humorada (você percebe quando as pessoas estão se tornando fanáticas quando ccomeçam a clamar por seriedade e perdem o bom humor). Afinal, eu quase fui militante feminista na década de 80, caso minhas amigas deixassem homem participar. No final, pude apenas dar apoio moral…

Bom, voltando, como o objetivo explícito do blog é ser um diário sobre a (minha) vida científica, não posso parar no meio do caminho, não é mesmo? Então aqui começa uma série de posts sobre minhas pérolas preferidas, ou seja, meus artigos publicados que nunca receberam nenhuma citação (nem de mim mesmo!) mas que eu considero ótimos artigos, com idéias originais que deveriam ser continuadas (os artigos que não foram citados por serem péssimos não comentarei :D).

Verifiquei que tais papers em geral não foram citados porque:

  1. O artigo é sobre um tema tão esquisito (ou se você quiser ser benevolente, “original”) que ninguém até agora teve coragem que continuar a mesma linha de pesquisa;
  2. Mudei de área de trabalho logo após a publicação do paper, ou seja, saí daquela comunidade específica de pesquisadores (é preciso estar dentro do meio, participar das conferências etc., para ser citado);
  3. A área de pesquisa do paper estava saindo de moda: a pesquisa científica na minha área (ainda) é uma atividade artesanal como o garimpo. Quando alguem localiza um bom filão, o pessoal vem com tudo, depois chegam de trator, só sobra uma Serra Pelada no panorama das possibilidades teórico-computacionais. O que sobra ou são problemas muito complexos ou muito complicados (o que não é a mesma coisa) e as pessoas vão embora em busca de novas áreas de forrageamento mais recompensadoras.

No próximo post comentarei o primeiro artigo pérola perdida, o Dynamical phase diagrams of neural networks with asymmetric couplings publicado no Physical Review E. Agora preciso fazer comida para as crianças…