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Brasileiros = japoneses?

Foto: Meu filho Raphael Osame Kinouchi, loirinho descendente de japoneses…

Estava lendo os comentários internacionais de uma TED Talk quando me deparei com isso:

Nick Bikkal. Engraçado que tudo o que está assinalado em vermelho me parece extremamente familiar…

Eu sou um estrangeiro vivendo há 20 anos no Japão. Tenho 2 crianças no sistema escolar. No jardim de infância eu estava muito bem impressionado com os professores daqui. Eles passavam horas preparando as aulas do dia seguinte. Os professores realmente se importavam com seus alunos. Mais tarde, eu me tornei um pouco menos impressionado. Minha filha foi um dos poucos estudantes que ajudaram a obter que uma professora fosse expulsa porque ela mandava mensagens de texto enquanto dava aulas.

Crianças nessa idade começam a ir para os Juku, cursinhos. Eles são BIG BUSINESS aqui. Suspiro! Nos níveis HS JHS as crianças continuam indo aos  Jukus, para que possam passar por um teste para que eles possam entrar em uma escola melhor na próxima nível

 O objetivo é chegar a uma das universidades renomadas. O objetivo das universidades é produzir um servidor público ou um empregado de uma empresa de nome como a Sony ou Panasonic, etc. Lá você acaba trabalhando muitas horas extras … nem sempre pagas.

O sistema é muito politizado. Não há moral, educação espiritual. (O “Senso comum”  japonês é algo que deve ser entendido aqui). Japoneses, como as pessoas têm visto especialmente nos esportes internacionais são muito nacionalistas. Eles não se preocupam tanto com os eventos. O que é importante é que se uma equipe representa seu país, eles devem ganhar. Suspiro.

Educação baseada em livro, regurgitando o que é dito pelo professor, memorização, etc, todos fazem parte da dieta de escolaridade. Conhecimento prático, pouco. O objetivo é o de ser um membro funcional da sociedade produtora de consumo. Depois de algumas gerações estudando Inglês, a língua internacional, relativamente poucos conseguiram domina-lo, e muito menos estão confiantes com o idioma. Ensinar é uma indústria de US $ 20 bilhões. É negócio. Eu quero vender meu livro e meu sistema de ensino a você.

É um país muito pacífico, que precisa de um novo paradigma. Eu gostaria que eles pudessem virar na direção do sistema finlandês. Tão popular aqui que o governo finlandês tem / tinha (?) Uma página de seu sistema de ensino em japonês. Qualquer que seja. É um trabalho em andamento, eu digo. 🙂

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

O Buldogue de Darwin e meu cachorro Darwin

DSCF0972Hoje eu pretendia comentar e fazer um link para o interessante blog Darwin e Deus, do editor-chefe de ciências da Folha, Reinaldo José Lopes. Mas não é um dia muito feliz. Soube hoje de manhã que meu cachorro Darwin (o nome foi colocado por meu filho Leonardo, OK?) foi atropelado e morreu. Triste isso.

Reinaldo José Lopes, 34, jornalista de ciência nascido e criado em São Carlos (SP), hoje colabora com a Folha de sua cidade natal, depois de passar quase três anos como editor de “Ciência+Saúde” na capital paulista. É formado em jornalismo pela USP e mestre e doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma universidade, com trabalhos sobre a obra de J.R.R. Tolkien. Sobre evolução, já escreveu o livro “Além de Darwin” (editora Globo) e tem planos de escrever vários outros. É católico, são-paulino, casado e pai de um menino.

Reinaldo fez um post sobre o trecho em que Tomas Huxley reconhece que, em termos filosóficos e políticos, tanto a Bíblia como a Biologia sugere um certo ceticismo em relação as ideias do Bom Selvagem. Numa citação mais extensa encontrada por Roberto Takata (que está se tornando um verdadeiro e respeitado intelectual na Internet, sendo citado por jornalistas etc), temos:

“It is the secret of the superiority of the best theological teachers to the majority of their opponents, that they substantially recognise these realities of things, however strange the forms in which they clothe their conceptions. The doctrines of predestination; of original sin; of the innate depravity of man and the evil fate of the greater part of the race; of the primacy of Satan in this world; of the essential vileness of matter; of a malevolent Demiurgus subordinate to a benevolent Almighty, who has only lately revealed himself, faulty as they are, appear to me to be vastly nearer the truth than the ‘liberal’ popular illusions that babies are all born good and that the example of a corrupt society is responsible for their failure to remain so; that it is given to everybody to reach the ethical ideal if he will only try; that all partial evil is universal good; and other optimistic figments, such as that which represents ‘Providence’ under the guise of a paternal philanthropist, and bids us believe that everything will come right (according to our notions) at last. I thought I had substantially said all this in my ‘Prologue’; but if a reader of Mr. Harrison’s acumen and carefulness has been unable to discover it, I may be forgiven for the repetition.”
http://aleph0.clarku.edu/huxley/UnColl/Rdetc/IREN.html

O texto despertou considerável polêmica, com os extremistas de plantão dizendo que cristãos e ateus não devem dialogar, serem amigos ou namorados, etc…  Como isso cansa!

Tentei dar uma resposta nos comentários da FOLHA sobre o que entendi da intenção do Reinaldo: Read more [+]

Ayn Rand: Razão, Egoísmo, Capitalismo

Half-length monochrome portrait photo of Ayn Rand, seated, holding a cigarette

I am not primarily an advocate of capitalism, but of egoism; and I am not primarily an advocate of egoism, but of reason. If one recognizes the supremacy of reason and applies it consistently, all the rest follows.

[127]

    Ayn Rand

Alguns amigos meus acreditam que se possa criar uma Ética a partir da Biologia (ou melhor, dos sentimentos empáticos de um mamífero hipersocial). Outros acham que a base seria a Razão, não as emoções.  Os Objetivistas, uma espécie de seita filosófica hiperracionalista (tenho quase certeza que sua guru Ayn Rand sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide), acham que a primeira opção é simplesmente dar um verniz biológico à ética judaico-cristã e seus derivados seculares (onde se prioriza a cooperação em vez da competição).

Muitos amigos ateus têm me reportado que a doutrina de Rand tem se espalhado em sua comunidade via Facebook (muita gente pedindo para que “Curtir” páginas de Rand.). Muitois não percebem que Rand, via seu discípulo Alan Greenspan, foi a grande influência ideológica que nos levou à nova Grande Depressão mundial e, possivelmente, a uma nova extrema-direita anarquista estilo Tea Party. Ou seja, no ideário de Rand, temos a sequência Razão -> Egoísmo -> Capitalismo Selvagem -> Caos Social. Ou talvez a egocentrismo de Rand esteja antes desta sequência…

This article is from TOS Vol. 3, No. 3. The full contents of the issue are listed here.

The Mystical Ethics of the New Atheists

Alan Germani

In the wake of the religiously motivated atrocities of 9/11, Sam Harris, Daniel Dennett, Richard Dawkins, and Christopher Hitchens have penned best-selling books in which they condemn religious belief as destructive to human life and as lacking any basis in reality.* On the premise that religious belief as such leads to atrocities, the “New Atheists,” as these four have come to be known, criticize religion as invalid, mind-thwarting, self-perpetuating, and deadly. As Sam Harris puts it: “Because each new generation of children is taught that religious propositions need not be justified in the way that others must, civilization is still besieged by the armies of the preposterous. We are, even now, killing ourselves over ancient literature. Who would have thought something so tragically absurd could be possible?”1 Read more [+]

Eli Vieira e o Niilismo

Por que não sou niilista – uma resposta a André Díspore Cancian

Postado por Eli Vieira on sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o-gritoRecentemente comentei uma entrevista do André Díspore Cancian, criador do site Ateus.net, em que ele expressava o niilismo. Desenvolverei um pouco mais aqui.

Se o niilismo (do latim nihil, nada) é meramente notar o fato de que não há um sentido para a vida, ao menos não um que seja propriedade fundamental da nossa existência ou do universo, então eu também sou niilista. Ou seja, é muito útil o niilismo como ceticismo voltado para a ética.

Porém há mais para o niilismo de alguns: não apenas notam este fato sobre a ausência de sentido na natureza que nos gerou, como também descartam de antemão, dogmaticamente, qualquer tentativa de construção de sentido como uma mera ingenuidade. E nesta segunda acepção eu não sou, em hipótese alguma, um niilista.

Há duas razões para eu não ser um niilista:

1) Vejo uma inconsistência interna, que é técnica, no niilismo:

É uma posição circular, pois parte de uma questão de fato, que é a falta de “sentido” na vida, para voltar a outra questão de fato, que é nossa necessidade de “sentido” na vida apesar de o tal sentido não existir.

A inconsistência aqui é ignorar um enorme campo, a ética, que é o campo das questões de direito.

“Sentido” é algo que pode ser construído pelo indivíduo e pela cultura, como sempre foi, porém sem o autoengano de atribuir sentido ao mundo natural que nos gerou mas ver o tal sentido como vemos uma obra de arte.

Ninguém espera que a beleza das obras de Rodin seja uma propriedade fundamental da natureza. Da mesma forma, não se deve esperar que sentido seja uma propriedade fundamental da vida.

Filósofos como Paul Kurtz e A. C. Grayling estão estre os que explicitam e valorizam a construção do sentido da vida da mesma forma que se valoriza a construção de valor estético em obras de arte.

Como niilista, o André Cancian acha que a decisão ética diária que tomamos por continuar a viver é fruto apenas de instintos moldados pela seleção natural, e que a razão deve apenas não se demorar em tentar conversar com estes instintos, pois se tentar, ou seja, se focarmos nossa consciência no fato do absurdo da natureza (tal como denunciado por Camus e Nietzsche) cessaríamos nossa vontade de viver voluntariamente.

É um erro pensar assim, porque um indivíduo pode, como Bertrand Russell e Stephen Hawking relatam para si mesmos, construir um sentido para sua própria vida, consciente de que esta vida é finita e insignificante no contexto cósmico. É uma alegação comum que era esta a posição defendida por Nietzsche – que valores seriam construídos após a derrocada dos valores tradicionais. Mas não sou grande fã da obra de Nietzsche como filosofia, sou da posição de Russell de que Nietzsche é mais literatura que filosofia.

A posição do niilista ignora também os tratados de pensadores como David Hume sobre a fragilidade da razão frente a paixões. A razão é escrava das paixões – é um instrumento preciso, como uma lâmina de diamante, porém frágil frente à força das paixões.

A razão e a âncora empírica são as mestras do conhecimento e da metafísica. Por outro lado, as paixões, ou seja, as emoções, incluída aqui a emoção empática, são as mestras das questões de direito, como indicam pesquisas científicas como as do neurocientista Jorge Moll.

A posição niilista é inconsistente ao limitar a legitimidade do pensamento ao escrutínio racional e/ou científico. Na verdade, razão e ciência são para epistemologia e metafísica (não respectivamente, mas de forma intercambiável). Ética existe não apenas como objeto de estudo destas outras faculdades, mas como todo um alicerce sustentador das nossas mentes: o alicerce das questões de direito –
– “devo fazer isso?”
– “isso é bom?”
– “isso é ruim?”

São questões com que nos deparamos todos os dias, a respeito das quais as respostas epistemológicas e metafísicas (referentes a questões de fato) são neutras.

Na entrevista no blog Amálgama, André Cancian faz questão de citar que as emoções (ou paixões), que ele chama de “instintos”, tiveram origem através da seleção natural.
Esta prioridade inusitada na resposta do Cancian é exemplo da circularidade do niilismo: nada teria sentido porque as emoções vieram de um processo natural de sobrevivência diferencial entre replicadores que variam casualmente.

Frente ao fato de também a razão ter vindo do mesmíssimo processo, como Daniel Dennett argumenta brilhantemente em suas obras, por acaso isso torna a razão desimportante ou então faz dela um instrumento que só gera respostas falsas?

Esta pergunta retórica serve para exemplificar que nenhuma resposta a ela faz sentido ao menos que se separe, como fez Kant, as questões de fato das questões de direito.
É algo que niilistas como o André Cancian insistem em não fazer.

Na UnB, tive aulas com um filósofo admirável chamado Paulo Abrantes. Quando entrava na questão metafilosófica de explicar o que é filosofia ou não, ele, como a maioria dos filósofos, dava respostas provisórias e incertas. Uma dessas respostas me marcou bastante: filosofia é a arte de explicitar. Todo trabalho de tomar uma ideia cheia de conceitos tácitos, dissecá-la e explicitá-la melhor, seria um trabalho filosófico.

Quando certas formas de niilismo ignoram a importantíssima explicitação kantiana da separação entre questões de fato e questões de direito, estão voltando a um estado não filosófico de aferrar-se a posições nebulosas e tácitas.

Concluindo a primeira razão pela qual eu não sou niilista, posso então dizer que é porque o niilismo parece-me antifilosófico.

2) Não sou niilista, também, por ser humanista. Em outras palavras, o vácuo que o niilista gosta de lembrar é preenchido em mim pelo humanismo.

Aqui vou ser breve: por mais que eu tente explicar, racionalmente, razões pelas quais sou humanista, todas estas tentativas são meras sombras frente a sentimentos reais que me abatem.

O fato de existir o regime teocrático no Irã, e o fato de dezenas ou centenas de pessoas estarem na fila do apedrejamento, entre elas uma mulher chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani, é algo que açula “meus instintos mais primitivos”, parafraseando uma frase famosa no Congresso alguns anos atrás.

Sinto de verdade que é simplesmente errado enterrar uma mulher até o ombro e atirar pedras contra a cabeça dela até que ela morra.

Sinto que também é errado achar que “respeitar a cultura” do Irã é mais importante que preservar a vida desta mulher e de outros que estão na posição dela.

Porque culturas não são indivíduos como Sakineh, portanto culturas não contam com nem um pingo da minha empatia. Mas aqui são de novo minhas capacidades racionais tentando explicar minhas emoções.

Tendo isto em mente, convido qualquer niilista a pensar, agora, o que acha de dizer a esta mulher, quando ela estiver enterrada até os ombros, que nada do que ela está sentindo tem importância porque as emoções dela são instintos que vieram da evolução pela seleção natural.

Estou apelando para a emoção numa argumentação contra o niilismo? Claro. Eu construí o sentido da minha vida, aliás estou sempre construindo, com a noção de que minhas emoções – e as dos outros – são importantes sim, mesmo tendo elas nascido do absurdo da natureza. Na verdade, este batismo de sangue as valoriza.

Mas falar das emoções, que são a base da ética, à luz de seu batismo de sangue é assunto para outro texto. Quem sabe usar o personagem Dexter Morgan como mote para falar disso? Não decidi ainda se será bom ou ruim.

Metáforas Cognitivas no Discurso Jornalístico

A nova versão do artigo Metáforas Científicas no Discurso Jornalístico já está no prelo da Revista Brasileira de Ensino de Física. Espero que esteja publicado antes do final do ano.

Você pode fazer um exercício para entender como as metáforas linguísticas (“a máquina econômica” etc.) revelam a presença de metáforas cognitivas (“a Economia é um tipo de máquina”). Para tanto, basta examinar um texto jornalístico ao acaso e grifar, com aquelas canetas coloridas, as metáforas linguísticas presentes.

Restringindo às metáforas científicas (ou seja, não dando atenção às onipresentes metáforas futebolísticas, esportivas ou guerreiras), eu sugiro usar as cores violeta para metáforas matemáticas, azul para metáforas físicas, verde para metáforas biológicas, amarelo para metáforas sociológicas e vermelho para outras metáforas coloquiais, não científicas.. Você vai ficar espantado ao verificar como o texto escolhido, se for relativamente grande, ficará pintado em diversas cores metafóricas.

Isso se dá porque as pessoas tanto pensam metaforicamente como se expressam usando metáforas, e estas são facilmente compreensíveis pelos leitores ou receptores. Em um nível mais profundo, Lakoff e Johnson afirmam que o próprio pensamento humano, a própria cognição, se baseia em metáforas fundamentais.

Como um exemplo, reproduzo aqui um trecho da entrevista de Armínio Fraga na Folha de São Paulo, publicado hoje: Read more [+]

O Iluminismo, o socialismo complexo e a pós-modernidade

Achei este texto por puro acaso. O autor se define como conservador. Acredito que a defesa do Iluminismo não deveria ser monopólio da direita, dado que Marx, Engels e Kropotkin também eram iluministas (mas não seus seguidores do século XX).

Bom, pelo menos lendo o texto já não me sinto tão sozinho: o autor, um historiador, tece considerações muito similares às minhas, e eu não me considero um conservador mas sim um físico anarquista à la Alan Sokal. Para ter acesso ao meu texto (panfletário) de 1995, ver Socialismo real, socialismo imaginário e socialismo complexo. Também neste post aqui respondo a um pós-modernista que me acusou de reacionário (apenas porque não sou um papagaio da Escola de Frankfurt mas pertenço à Terceira Cultura). Pois é, lembrando o mote deste blog … “E toda banda larga será inútil se a mente for estreita”

O Iluminismo e a pós-modernidade

Minha foto

, Historiador, professor, liberal, vegetariano e palmeirense.

Virou lugar comum após meados do século XX, devido aos estudos de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Adorno e Marcuse, membros/colaboradores da decantada e superestimada Escola de Frankfurt e, mais tarde, de acordo com os arautos da desconstrução, Foucault, Deleuze, Derrida e Barthes, julgar que o pensamento iluminista foi o grande responsável pelas desilusões da humanidade, depois que a Belle Époque se tornou poeira ao vento com a Primeira Guerra Mundial, com o nazi-fascismo e o socialismo na ex-URSS, com ocrack de 1929 e com a Segunda Guerra Mundial.

Não é necessário demonstrar os inúmeros equívocos, imprecisões e anacronismos cometidos à exaustão pelos pensadores citados no parágrafo anterior. Quem quer ter mais conhecimento sobre o assunto, poderá ler Os dentes falsos de George Washington, de Robert Darnton,O modernismo reacionário, de Jeffrey Herf, ou As razões do Iluminismoe Mal estar na modernidade, ambos do filósofo brasileiro Sérgio Paulo Rouanet. A leitura desses excelentes livros não deixa a menor dúvida de que os críticos do Iluminismo jamais estudaram um texto sequer, de Voltaire, Montesquieu, Condorcet, Diderot, ou mesmo de Rousseau, o menos iluminista de todos os iluministas, e o que mais serve de parâmetro aos neohippies de boutique do século XXI. Read more [+]

A matemática do extremismo

Talvez este modelo possa ser usado para entender o conflito secularismo-religião. Dado que a Europa está fortemente secularizada, corremos o risco de que a próxima guerra (cultural, quente ou fria) seja entre secularismo e islamismo, e não  entre cristianismo e islamismo.

Mathematics of Opinion Formation Reveals How Moderation Trumps Extremism

Historians know that the best way to replace an extremist view is with an equally extreme opposing view. Now mathematicians have discovered how to make moderation spread instead

THE PHYSICS ARXIV BLOG

Thursday, September 20, 2012

History is littered with examples of new ideologies that have swept through populations, dramatically changing the way people think.

More often than not, the process begins when a community’s way of thinking is dominated by a dogma that is an important part of the group’s institutions and common practices. Then a new way of thinking comes along, often backed by a small group unwavering advocates.

This challenges the status quo and steadily wins over the population, eventually replacing the old ideas and the dominant new ideology.

But there is something curious about this phenomenon, say Steve Strogatz at Cornell University in Ithaca and a few pals. In many cases, the new ideology is as extreme as the old. “Why is it that moderate positions so rarely prevail?” they ask.

Today, they provide an answer of sorts using a simplified model of the way ideas spread through a population.

Their model consists of a society of people who can hold the extreme opinion, A, or the opposing view, B.  Some people, the moderates, hold neither A or B (they are called ABs). People can change their view but some fraction of the population will never change. These are the zealots.

Strogatz and co introduce rules for how people change their opinion. The model progresses in discrete steps of time. At each time step,  they chose a speaker and a listener from the population at random. If the speaker is an A or B and talks to somebody with the opposing view, the listener becomes a moderate, holding neither view.

However if an A or B talks to a moderate, then the listener is converted to that point of view (either A or B). In all other cases, there is no change.

Strogatz and co then explore various scenarios to see how the views spread, given different fractions of the starting population and other assumptions..

For example, they look at the case where the starting population consists of people who hold view B and zealots holding A. This is equivalent to B being the reigning view and A being the new dogma.

This scenario depends crucially on the fraction of A zealots. Below some threshold, the reigning view, B, prevails. But when the fraction of zealots rises above the threshold, A quickly spreads though the population and takes over, leaving few Bs and almost no moderates.

So an interesting question is how to increase the fraction of moderates. Strogatz and co look at various scenarios, such as making moderates less likely to convert by introducing a stubborness factor.

It’s easy to imagine that making the moderates more stubborn, increases their number. But in fact, exactly the opposite occurs. Increasing the moderates’ stubborness makes them more vulnerable to being taken over by zealots.

The reason is subtle. Making moderates more stubborn certainly reduces their conversion rate to the new view but crucially, it also reduces the flow of moderates to the old opinion. In this way, the undecided population is steadily depleted, eventually causing it to collapse.

Strogatz and co study seven different scenarios, looking for ways to increase the population of moderates. But the moderates are wiped out in all these scenarios.

Except one. Strogatz and co point out that their model suggests that the ability to convert others to your view plays an important role. So they create a scenario in which the moderates have the ability to evangelise.

In this scenario, the population of moderates can be maintained. However, the moderates  can also disappear if the level of evangelism dies down.

Strogatz and co go on to show that an even better approach is to create a background level of evangelism, which tends to convert people to moderation without having to converse with moderates. This is equivalent to some kind of environmental factor such as a TV advertising campaign promoting moderation. And in this case, moderation prevails.

Strogatz and co are quick to point out that this is a simplified model . “By itself, this final assessment should be regarded with caution,” they say.

But it does suggest some interesting avenues for future research. And with extremist views playing an ever more important role in global stability, perhaps the time is right to examine these ideas in more detail.

Ref: arxiv.org/abs/1209.3546: Encouraging Moderation: Clues From A Simple Model Of Ideological Conflict

Ainda tentando entender as manifestações muçulmanas contra o Ocidente

18/09/2012 – 03h00

Um só Deus, muitas vozes

Durante a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio em Doha (2001), o então ministro da Saúde José Serra foi abordado por uma jornalista árabe que queria uma entrevista sobre a chamada “guerra das patentes”, um dos eixos em torno do qual girava a reunião.

Serra olhou para a moça e disparou: “Você é árabe e está vestida desse jeito?”

A jornalista vestia uma T-shirt branca discreta e jeans idem. Suponho que Serra deve ter pensando que mulher árabe usa obrigatoriamente o véu islâmico, talvez a burca.

Conto esse episódio, obviamente micro, apenas para pontuar o fato de que “o público e a mídia ocidentais tendem a ser no geral ignorantes a respeito do Islã e da natureza dos movimentos islamitas”, como diz Joost Hiltermann, sub-diretor do Programa para o Oriente Médio e o Norte da África do International Crisis Group, dedicado à prevenção de conflitos.

Completa o especialista: “O movimento islamita é muito diverso, com muitas diferentes ideologias, metas e métodos”.

Essa diferenciação é essencial se se quiser entender melhor as manifestações dos últimos dias a pretexto de um filme que ofende o Profeta Maomé. A violência empregada nelas dá a sensação de um levante dos muçulmanos contra o Ocidente ou mais precisamente os Estados Unidos.

Impressão falsa. Foi, essencialmente, uma agitação salafista (o movimento ultra-ortodoxo que pretende viver o Islã como nos tempos do Profeta; “salaf” em árabe quer dizer exatamente “predecessor” ou “ancestral”). Read more [+]

Richard Dawkins aprovaria o filme “Inocência dos Muçulmanos”?

Este post visa ser polêmico…

Esta palestra de Dawkins foi feita em 2002, no calor dos eventos de 11 de setembro de 2011. Fico pensando se ele mudou de opinião desde então sobre a questão do ateísmo militante agressivo. Me parece que ele propõe uma espécie de “cruzada” dos ateus contra todo tipo de religião. Não consigo enxergar como tal cruzada poderia ser bem sucedida usando-se apenas argumentos agressivos, chacota e desrespeito. Simplesmente não me parece que isso funciona, sociologicamente falando.

Os religiosos, quando querem ganhar aderentes, são extremamente simpáticos, usam a sedução, a música, os sentimentos de bem estar providenciados por uma cerimônia religiosa, etc. Mesmo os tais evangélicos de TV aprenderam que é improdutivo “chutar a Santa”, uma atitude que Dawkins recomendaria (“parem de ser tão respeitadores da Religião”, diz ele).

Acho que esse é o problema do Ateismo 1.0 de Dawkins, que não vejo como diferente do Hegelianismo de Esquerda do século XIX, que não conseguiu lá grandes coisas e que foi convincentemente criticado por Marx e Engels como erroneamente sendo uma crítica à superestrutura social e não à sua estrutura profunda.

O problema é: se os ateus seguirem as recomendações de Dawkins de não respeitarem as pessoas religiosas, então eles não ficam melhores do que os religiosos que não respeitam os ateus, e uma guerra secular-religiosa se inicia. Ou seja, por que haveriam de os religiosos respeitarem os ateus, se os ateus não respeitam os religiosos?

Se algum muçulmano fizesse um filme sobre Darwin (ou Dawkins!), colocando-o como tolo, mulherengo, bissexual, pedófilo e adepto da zoofilia, eu acho que os ateus se sentiriam ultrajados e ofendidos. Isso aconteceria não porque as ateus acham que Darwin é seu profeta – embora alguns se comportem como se ele fosse – mas porque o tal filme iria sugerir que os ateus são aquelas coisas, vide a reação ultrajada dos ateus perante as declarações idiotas do Datena.

Se, dentre essa massa de ateus, existissem alguns extremistas raivosos (afinal, o Terrorismo foi inventado no século XIX por anarquistas ateus),  eu imagino que eles começariam a desfilar com charges ou queimar o Alcorão em frente de algumas embaixadas islâmicas, protestando contra o que eles diriam ser ateísmo-fobia (similar à islamofobia). Podiam até jogar uns coquetéis molotov nas embaixadas, por que não? Quem controla os moleques ateus que são bem raivosos no Facebook e no Twitter?

Não creio, porém, que chegassem ao ponto de matar diplomatas. Bom, não sabemos ainda se aquela ação foi planejada pela Al Quaeda, em vez de ser uma ação espontânea, pois armamento pesado foi usado. Então, esta ainda é a diferença entre nossa sociedade secular e o caldeirão efervescente do Islã atual, que acredita que suas terras estão sendo ocupadas pelos EUA por causa do petróleo e hegemonia política…

Mas certamente existe um conflito entre o secularismo, com sua ênfase na livre-expressão individual (especialmente a primeira emenda americana), e os conservadores religiosos. Entretanto, parece que existem precedentes judiciais em que a veiculação de obras são proibidas por motivos de “incitação ao ódio” ou “incitação ao racismo”. Por exemplo, o documentário “O Eterno Judeu” é proibido de ser comercializado na Alemanha, Itália, França e Áustria. E eu acho que documentários racistas não passam na TV dos EUA, embora possam ser veiculados no YOUTUBE (o Google retira apenas videos ofensivos a pessoas, que podem fazer um processo por calúnia e difamação, mas não a grupos étnicos ou religiosos).

Islamismo com Twitter (I)

Me pareceu uma análise realista e intrigante:

Tecnologia da desinformação

Por Redação Link

Protestos contra vídeo sobre Maomé revelam que a fé do Oriente e os valores do Ocidente estão em conflito em uma praça pública global

Nathan Gardels, do Global Viewpoint*


“Esta praça pública global é o novo espaço de poder onde imagens competem e ideias são contestadas”. FOTO: Khalil Hamra/AP

Os fatos dos últimos dias no Oriente Médio são apenas um alerta para futuros distúrbios à medida que a democratização da mídia no Ocidente se depara com o despertar político no mundo árabe.

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• Siga o ‘Link’ no Twitter, no Facebook, no Google+ no Tumblr e no Instagram

Os hoje marginalizados jovens do Facebook podem ter iniciado a Primavera Árabe, que desencadeou – alguns diriam “libertou” – vozes contrárias ao Ocidente e que durante muito tempo foram caladas por autocratas brutais. Mas agora é a vez do YouTube agitar a região. O trailer de um filme chamado A Inocência dos Muçulmanos colocou a região em chamas à medida que o filme se propaga na internet.

Bem-vindo ao nosso novo mundo, onde ninguém pode ser controlado – nem o Ocidente controla sua mídia social, tampouco os dirigentes árabes têm controle dos seus cidadãos libertados. Uma combinação inflamável. Read more [+]

Probabilidade de ocorrer um evento maior que o “11 de setembro” ultrapassa os 95%

Statisticians Calculate Probability Of Another 9/11 Attack

According to the statistics, there is a 50 per cent chance of another catastrophic terrorist attack within the next ten years

3 comments

THE PHYSICS ARXIV BLOG

Wednesday, September 5, 2012

Earthquakes are seemingly random events that are hard to predict with any reasonable accuracy. And yet geologists make very specific long term forecasts that can help to dramatically reduce the number of fatalities.

For example, the death toll from earthquakes in the developed world, in places such as Japan and New Zealand, would have been vastly greater were it not for strict building regulations enforced on the back of well-founded predictions that big earthquakes were likely in future.

The problem with earthquakes is that they follow a power law distribution–small earthquakes are common and large earthquakes very rare but the difference in their power is many orders of magnitude.

Humans have a hard time dealing intuitively with these kinds of statistics. But in the last few decades statisticians have learnt how to handle them, provided that they have a reasonable body of statistical evidence to go on.

That’s made it possible to make predictions about all kinds of phenomena governed by power laws, everything from earthquakes, forest fires and avalanches to epidemics, the volume of email and even the spread of rumours.

So it shouldn’t come as much of a surprise that Aaron Clauset at the Santa Fe Institute in New Mexico and Ryan Woodard at ETH, the Swiss Federal Institute of Technology, in Zurich have used this approach to study the likelihood of terrorist attacks.  Read more [+]

Quanto pior, melhor… ou a eleição de Obama

Estava pensando aqui sobre para quem vou torcer (dado que não posso influenciar)  nas eleições dos EUA. Bom, por default, eu deveria torcer pelo Obama, dado que me parece que sou um “liberal” no sentido americano, e não um “conservative”. Por outro lado, acho que sempre temos que pensar no que é melhor para o mundo e não no que é melhor para os EUA ou o Brasil.

Romney e Obama estão, no presente momento, empatados em termos estatísticos. Então, acho que dá para simular dois cenários:

Democratas ganham: dado que a crise econômica continua e não tem fim a vista, isso implicará em mais quatro anos de desgaste para os Democratas. Afinal de contas, os democratas não poderão dizer que Obama herdou uma situação irresponsável de seu antecessor. Os movimentos sociais tipo Ocupar Wall Street ficaram enfraquecidos num governo Democrata. Afinal de contas, se os ricos são (melhor) defendidos pelos republicanos, protestar contra os 1% ou 0.1% ricos não tem muito sentido se os mesmos não estão com o poder (politico). No final de um novo governo Obama, certamente os republicanos irão ganhar, iniciando talvez um longo período conservador. Ou não, pois o cenário abaixo (republicanos ganham) poderia ocorrer, apenas com um delay de quatro anos.

Republicanos ganham: Se os republicanos ganharem, o fosso entre ricos e pobres irá aumentar, os gastos sociais irão diminuir, o ataque a ciência vindo dos criacionista e céticos do clima terá suporte, etc. Ou seja, neste cenário, a situação social/econômica/cultural dos EUA irá piorar sensivelmente. O gap economico entre EUA e China irá diminuir, caminharemos para um mundo bipolar, talvez uma nova guerra fria (contra os “comunistas” chineses). Possivelmente vai haver um período de protestos similar o maio de 1968 (possivelmente por volta de 2018, se o tal ciclo de violência social de 50 anos – um ciclo de Lotka-Volterra ou uma onda num sistema excitável?), apenas para ser reprimido por uma nova reação conservadora.

Bom, para os adeptos do “quanto pior, melhor”, visando uma revolução social, imagino que seja melhor torcer para o Romney, pois assim os republicanos pegam o repique (o segundo fosso do W) da crise econômica em seu auge…

Will the US Really Experience a Violent Upheaval in 2020? Read more [+]

Ateísmo Cristão 2.0

Com a ideia de transformar meus posts sobre ateísmo e religião em um livro, dou continuidade à série.

Talvez se o Ateísmo Cristão incorporasse as idéias do Allain de Botton sobre Religião para Ateus, ele poderia ganhar mais força e capacidade de sedução memética… Na verdade, se pensarmos bem, a Teologia da Libertação não incorporou direito essas ideias de Alain de Botton e talvez isto explique a sua decadência.

Christian atheism

From Wikipedia, the free encyclopediaChristian atheism is an ideology in which the belief in the God of Christianity is rejected or absent but the moral teachings of Jesus are followed. Read more [+]

Homenagem a Kim Jong II

HOPE

Reprodução mostra cartaz original e versão com máscara de Guy Fawkes adaptada para o "Occupy"

No que o Neo-ateísmo difere do Hegelianismo de Esquerda?

Na sua opinião, em que o Neo-ateísmo difere dos Jovens Hegelianos? Na minha, a principal diferença é que os neo-ateus, em sua maioria, não são de esquerda. Se você percebe outras diferenças, comente!

Young Hegelians

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Related topics
Right Hegelians
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Marx’s theory of alienation
The Secret of Hegel
v · d · e

The Young Hegelians, or Left Hegelians, were a group of Prussian intellectuals who in the decade or so after the death of Hegel in 1831, wrote and responded to his ambiguous legacy. The Young Hegelians drew on his idea that the purpose and promise of history was the total negation of everything conducive to restriction of freedom and irrationality to mount radical critiques of first religion and then the Prussian political system. They ignored anti-utopian aspects of his thought that suggested the world has already essentially reached perfection.

Contents

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[edit]Left and Right Hegelianism Read more [+]

Estado minimo e eficiência econômica e Blade Runner

Eu aposto que se fizessem modelos de econofísica com Estado Minimo (neoliberalismo) competindo com Estados Médio (capitalismo de estado) e Estado Maximo (comunismo estatal), e botasse os caras para competir, venceria o Estado Médio.

Por que, afinal de contas, o Caminho do Meio (chinês?) está vencendo…

Falta apenas democratizar a China. A menos, é claro, que a Democracia Politica não seja economicamente eficiente. Se o critério maior for a eficiência econômica para se determinar a estrutura econômico-social (uma tese do Marxismo Vulgar), em vez do bem estar e liberdade humana ou da Biosfera, então a Democracia será superada pelo Estado Chinês (que, pelo que entendo, funciona bem no longo prazo…).

O fanatismo de Ayn Rand e do conservadorismo cristão

100,000 ‘Atlas Shrugged’ DVDs Recalled for Perfectly Hilarious Reason

In what appears to be a legitimate press release on the blog of the official Atlas Shrugged Part I website, the producers of the film have announced that they will “replace more than 100,000 title sheets appearing on the Atlas Shrugged Part 1 DVD and Blu-ray versions.” Sounds like a pain in the ass. Why? Did child porn pics somehow show up on them? No! But the ultimate Randian curse word — “self-sacrifice” — did, and that’s worse.

We still aren’t 100% sure that they’re not screwing with us, but this is the horrible error that must not stay on the title sheet:

The 1957 novel, Atlas Shrugged, is known in philosophical and political circles for presenting a cogent argument advocating a society driven by rational self-interest. On the back of the film’s retail DVD and Blu-ray however, the movie’s synopsis contradictorily states “AYN RAND’s timeless novel of courage and self-sacrifice comes to life…

Self-sacrifice is for idiots, duh! Ayn Rand used to mock poor beggars for being so poor. “Self-interest” is more like it. The good news is that Randroids who’ve already purchased this sacrilege consumer product can fix it themselves, just like Dagny Taggart would:

Atlas Productions has setup a web page for consumers of the DVD to request a replacement title sheet free of charge: http://www.AtlasShruggedMovie.com/title-sheet. The new title sheet will more accurately read “AYN RAND’s timeless novel of rational self-interest comes to life…”

Phew.

Has anyone seen Atlas Shrugged Part I? I rented it the other night and loved it. The trains go ZOOM!

RELATED STORIES

Does this mean that conservative Christians will finally realize Ayn Rand is not for them? I seem to recall self-sacrifice being a pretty important part of Christianity. My magic 8 ball says “outlook not so good.”

promoted by mightyJew
No, no, no. Jesus’ self-sacrifice is a pretty important part of conservative Christianity.ETA: for clarity

Edited by Haikukitty at 11/11/11 2:54 PM
promoted by MissNormaDesmond
My understanding (raised Catholic, so probably not totally accurate) is that you can be saved on faith alone. By accepting Jesus as your savior you’re set, even if you routinely pee on the homeless.

promoted by MissNormaDesmond
Don’t know what to tell you. I grew up in a CC family hearing about how great Ayn Rand and Objectivism were but always thought it was kind of silly because…well, no human can truly be objective or rational, duh. But a few years ago, I started doing some research into the philosophy and found that it in no way supports the christian viewpoint. Just to paraphrase some of the thing Ayn said:You cannot give rights to a lump of protoplasm.
To force the actual to sacrifice for the potential is vicious.
Faith is the denial of Reason.
Religion teaches us that God is not man, spirit is not flesh, heaven is not earth, that A is not A. It teaches us nothing and calls it knowing.

So I sent these quotes to my father asking how CC’s could embrace this lady (who cheated on her husband) as their patron saint. I’m still waiting on a reply.

“Não vamos deixar dormir aqueles que não nos deixam sonhar”

Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento por uma Nova Política

Detalhes do evento

Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento por uma Nova Política

Horário: 19 novembro 2011 de 10:00 a 18:00
Local: Sala Crisantempo 
Rua: Rua Fidalga, 521 – Vila Madalena
Cidade: São Paulo 
Tipo de evento: lançamentocoletivopaulistamovimento,novapolítica
Organizado por: Thulio Pompeu
Última atividade: 1 hora atrás

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Descrição do evento

No dia 13 de setembro lançamos em Brasília a idéia da construção de um Movimento por uma Nova Política que reuna nossos melhores esforços para debater, intervir e contribuir para a transformação das regras, instituições e ações políticas da sociedade brasileira e global. O movimento quer zelar pela prática e pela conjugação, de modo cada vez mais generalizado e permanente, de dois ideais: a democracia, que mostra sinais claros da captura pela supremacia da vida financeira, e a inadiável sustentabilidade. O esgotamento do modelo político representativo e fragmentado nos chama a estabelecer novas relações de poder na sociedade, baseadas numa visão integral e horizontal de democracia direta, na ética e na cidadania.

Ao sair do Partido Verde, há quatro meses, Marina Silva falou que era hora de sermos sonháticos e não pragmáticos. Naquele momento, os movimentos de democratização no Egito e em muitos países do oriente médio estavam apenas começando. As manifestações no mundo todo pedindo uma Nova Democracia e uma Nova Política estão cada dia mais fortes, expressando sentimentos que foram muito bem sintetizados por dois jovens – um americano do movimento Ocupe Wall Strett, que escreveu em um cartaz “Não vamos deixar dormir aqueles que não nos deixam sonhar”, e um Chileno que escreveu em um grande faixa, “Nossos sonhos não cabem nas suas urnas”.

No Brasil, temos tido uma boa melhoria no campo econômico e social nos últimos anos, mas o processo político não tem melhorado. As alianças partidárias, formadas a partir das conveniências da governabilidade e da distribuição fisiológica de parcelas do poder, simplesmente desconsideram os compromissos programáticos e os princípios éticos.

Apesar da melhoria na situação econômica, começam a aparecer movimentos que, mesmo embrionários, mantém uma constância de atuação em torno de várias causas, como a luta contra a corrupção, em defesa das Florestas, da democracia real, do passe livre, da democratização ao acesso a Internet etc. Mas é preciso que esse processo tome corpo, gere novas formas de organização em rede e busque o compartilhamento na formulação de propósitos e no processo de decisão política.

Dessa forma, gostaríamos de convidar a todos para o Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento pela Nova Política. A idéia é criarmos um espaço para agregar todos que sonham com uma outra forma de fazer política.

No próximo dia 19 de novembro, às 10:00 horas, organizaremos nosso Movimento em São Paulo, com a presença de Marina Silva, Movimentos da Sociedade Civil, Parlamentares e cidadãos do Estado Inteiro.

Sua presença é fundamental, queremos ir longe, e para tanto precisamos fazer isso juntos.