Home // Posts tagged "politics"

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

Ayn Rand: Razão, Egoísmo, Capitalismo

Half-length monochrome portrait photo of Ayn Rand, seated, holding a cigarette

I am not primarily an advocate of capitalism, but of egoism; and I am not primarily an advocate of egoism, but of reason. If one recognizes the supremacy of reason and applies it consistently, all the rest follows.

[127]

    Ayn Rand

Alguns amigos meus acreditam que se possa criar uma Ética a partir da Biologia (ou melhor, dos sentimentos empáticos de um mamífero hipersocial). Outros acham que a base seria a Razão, não as emoções.  Os Objetivistas, uma espécie de seita filosófica hiperracionalista (tenho quase certeza que sua guru Ayn Rand sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide), acham que a primeira opção é simplesmente dar um verniz biológico à ética judaico-cristã e seus derivados seculares (onde se prioriza a cooperação em vez da competição).

Muitos amigos ateus têm me reportado que a doutrina de Rand tem se espalhado em sua comunidade via Facebook (muita gente pedindo para que “Curtir” páginas de Rand.). Muitois não percebem que Rand, via seu discípulo Alan Greenspan, foi a grande influência ideológica que nos levou à nova Grande Depressão mundial e, possivelmente, a uma nova extrema-direita anarquista estilo Tea Party. Ou seja, no ideário de Rand, temos a sequência Razão -> Egoísmo -> Capitalismo Selvagem -> Caos Social. Ou talvez a egocentrismo de Rand esteja antes desta sequência…

This article is from TOS Vol. 3, No. 3. The full contents of the issue are listed here.

The Mystical Ethics of the New Atheists

Alan Germani

In the wake of the religiously motivated atrocities of 9/11, Sam Harris, Daniel Dennett, Richard Dawkins, and Christopher Hitchens have penned best-selling books in which they condemn religious belief as destructive to human life and as lacking any basis in reality.* On the premise that religious belief as such leads to atrocities, the “New Atheists,” as these four have come to be known, criticize religion as invalid, mind-thwarting, self-perpetuating, and deadly. As Sam Harris puts it: “Because each new generation of children is taught that religious propositions need not be justified in the way that others must, civilization is still besieged by the armies of the preposterous. We are, even now, killing ourselves over ancient literature. Who would have thought something so tragically absurd could be possible?”1 Read more [+]

Historiadores da Ciência rejeitam a tese de conflito entre Ciência e Religião

Mais material para o meu livro sobre Ateísmo 3.0

Conflict thesis

From Wikipedia, the free encyclopedia
For a socio-historical theory with a similar name, see Conflict theory.

Conflict: Galileo before the Holy Office, byJoseph-Nicolas Robert-Fleury, a 19th century depiction of the Galileo Affair, religion suppressing heliocentric science.

The conflict thesis is the proposition that there is an intrinsic intellectual conflict between religion and science and that the relationship between religion and science inevitably leads to public hostility. The thesis, refined beyond its most simplistic original forms, remains generally popular. However, historians of science no longer support it.[1][2][3][4]

Contents

Read more [+]

Metáforas Cognitivas no Discurso Jornalístico

A nova versão do artigo Metáforas Científicas no Discurso Jornalístico já está no prelo da Revista Brasileira de Ensino de Física. Espero que esteja publicado antes do final do ano.

Você pode fazer um exercício para entender como as metáforas linguísticas (“a máquina econômica” etc.) revelam a presença de metáforas cognitivas (“a Economia é um tipo de máquina”). Para tanto, basta examinar um texto jornalístico ao acaso e grifar, com aquelas canetas coloridas, as metáforas linguísticas presentes.

Restringindo às metáforas científicas (ou seja, não dando atenção às onipresentes metáforas futebolísticas, esportivas ou guerreiras), eu sugiro usar as cores violeta para metáforas matemáticas, azul para metáforas físicas, verde para metáforas biológicas, amarelo para metáforas sociológicas e vermelho para outras metáforas coloquiais, não científicas.. Você vai ficar espantado ao verificar como o texto escolhido, se for relativamente grande, ficará pintado em diversas cores metafóricas.

Isso se dá porque as pessoas tanto pensam metaforicamente como se expressam usando metáforas, e estas são facilmente compreensíveis pelos leitores ou receptores. Em um nível mais profundo, Lakoff e Johnson afirmam que o próprio pensamento humano, a própria cognição, se baseia em metáforas fundamentais.

Como um exemplo, reproduzo aqui um trecho da entrevista de Armínio Fraga na Folha de São Paulo, publicado hoje: Read more [+]

Richard Dawkins aprovaria o filme “Inocência dos Muçulmanos”?

Este post visa ser polêmico…

Esta palestra de Dawkins foi feita em 2002, no calor dos eventos de 11 de setembro de 2011. Fico pensando se ele mudou de opinião desde então sobre a questão do ateísmo militante agressivo. Me parece que ele propõe uma espécie de “cruzada” dos ateus contra todo tipo de religião. Não consigo enxergar como tal cruzada poderia ser bem sucedida usando-se apenas argumentos agressivos, chacota e desrespeito. Simplesmente não me parece que isso funciona, sociologicamente falando.

Os religiosos, quando querem ganhar aderentes, são extremamente simpáticos, usam a sedução, a música, os sentimentos de bem estar providenciados por uma cerimônia religiosa, etc. Mesmo os tais evangélicos de TV aprenderam que é improdutivo “chutar a Santa”, uma atitude que Dawkins recomendaria (“parem de ser tão respeitadores da Religião”, diz ele).

Acho que esse é o problema do Ateismo 1.0 de Dawkins, que não vejo como diferente do Hegelianismo de Esquerda do século XIX, que não conseguiu lá grandes coisas e que foi convincentemente criticado por Marx e Engels como erroneamente sendo uma crítica à superestrutura social e não à sua estrutura profunda.

O problema é: se os ateus seguirem as recomendações de Dawkins de não respeitarem as pessoas religiosas, então eles não ficam melhores do que os religiosos que não respeitam os ateus, e uma guerra secular-religiosa se inicia. Ou seja, por que haveriam de os religiosos respeitarem os ateus, se os ateus não respeitam os religiosos?

Se algum muçulmano fizesse um filme sobre Darwin (ou Dawkins!), colocando-o como tolo, mulherengo, bissexual, pedófilo e adepto da zoofilia, eu acho que os ateus se sentiriam ultrajados e ofendidos. Isso aconteceria não porque as ateus acham que Darwin é seu profeta – embora alguns se comportem como se ele fosse – mas porque o tal filme iria sugerir que os ateus são aquelas coisas, vide a reação ultrajada dos ateus perante as declarações idiotas do Datena.

Se, dentre essa massa de ateus, existissem alguns extremistas raivosos (afinal, o Terrorismo foi inventado no século XIX por anarquistas ateus),  eu imagino que eles começariam a desfilar com charges ou queimar o Alcorão em frente de algumas embaixadas islâmicas, protestando contra o que eles diriam ser ateísmo-fobia (similar à islamofobia). Podiam até jogar uns coquetéis molotov nas embaixadas, por que não? Quem controla os moleques ateus que são bem raivosos no Facebook e no Twitter?

Não creio, porém, que chegassem ao ponto de matar diplomatas. Bom, não sabemos ainda se aquela ação foi planejada pela Al Quaeda, em vez de ser uma ação espontânea, pois armamento pesado foi usado. Então, esta ainda é a diferença entre nossa sociedade secular e o caldeirão efervescente do Islã atual, que acredita que suas terras estão sendo ocupadas pelos EUA por causa do petróleo e hegemonia política…

Mas certamente existe um conflito entre o secularismo, com sua ênfase na livre-expressão individual (especialmente a primeira emenda americana), e os conservadores religiosos. Entretanto, parece que existem precedentes judiciais em que a veiculação de obras são proibidas por motivos de “incitação ao ódio” ou “incitação ao racismo”. Por exemplo, o documentário “O Eterno Judeu” é proibido de ser comercializado na Alemanha, Itália, França e Áustria. E eu acho que documentários racistas não passam na TV dos EUA, embora possam ser veiculados no YOUTUBE (o Google retira apenas videos ofensivos a pessoas, que podem fazer um processo por calúnia e difamação, mas não a grupos étnicos ou religiosos).

Para que servem os ateus?

 

Coelhos = religiosos, raposas = ateus?

Estou achando que preciso correr para escrever o meu livro intitulado “Deus e Acaso”, baseado em postagens deste blog. Alguns dos temas do livro já estão sendo discutidos em papers recentes, parece que existe um interesse cada vez maior sobre o assunto. Ver por exemplo o artigo abaixo, que foi um target article em um número inteiro dedicado a discussões desse tipo na revista Religion, Brain & Behavior.

What are atheists for? Hypotheses on the functions of non-belief in the evolution of religion

DOI: 10.1080/2153599X.2012.667948

Dominic Johnsona*
pages 48-70

Version of record first published: 27 Apr 2012

Abstract

An explosion of recent research suggests that religious beliefs and behaviors are universal, arise from deep-seated cognitive mechanisms, and were favored by natural selection over human evolutionary history. However, if a propensity towards religious beliefs is a fundamental characteristic of human brains (as both by-product theorists and adaptationists agree), and/or an important ingredient of Darwinian fitness (as adaptationists argue), then how do we explain the existence and prevalence of atheists – even among ancient and traditional societies? The null hypothesis is that – like other psychological traits – due to natural variation among individuals in genetics, physiology, and cognition, there will always be a range of strengths of religious beliefs. Atheists may therefore simply represent one end of a natural distribution of belief. However, an evolutionary approach to religion raises some more interesting adaptivehypotheses for atheism, which I explore here. Key among them are: (1) frequency dependence may mean that atheism as a “strategy” is selected for (along with selection for the “strategy” of belief), as long as atheists do not become too numerous; (2) ecological variation may mean that atheism outperforms belief in certain settings or at certain times, maintaining a mix in the overall population; (3) the presence of atheists may reinforce or temper religious beliefs and behaviors in the face of skepticism, boosting religious commitment, credibility, or practicality in the group as a whole; and (4) the presence of atheists may catalyze the functional advantages of religion, analogous to the way that loners or non-participants can enhance the evolution of cooperation. Just as evolutionary theorists ask what religious beliefs are “for” in terms of functional benefits for Darwinian fitness, an evolutionary approach suggests we should also at least consider what atheists might be for.

Probabilidade de ocorrer um evento maior que o “11 de setembro” ultrapassa os 95%

Statisticians Calculate Probability Of Another 9/11 Attack

According to the statistics, there is a 50 per cent chance of another catastrophic terrorist attack within the next ten years

3 comments

THE PHYSICS ARXIV BLOG

Wednesday, September 5, 2012

Earthquakes are seemingly random events that are hard to predict with any reasonable accuracy. And yet geologists make very specific long term forecasts that can help to dramatically reduce the number of fatalities.

For example, the death toll from earthquakes in the developed world, in places such as Japan and New Zealand, would have been vastly greater were it not for strict building regulations enforced on the back of well-founded predictions that big earthquakes were likely in future.

The problem with earthquakes is that they follow a power law distribution–small earthquakes are common and large earthquakes very rare but the difference in their power is many orders of magnitude.

Humans have a hard time dealing intuitively with these kinds of statistics. But in the last few decades statisticians have learnt how to handle them, provided that they have a reasonable body of statistical evidence to go on.

That’s made it possible to make predictions about all kinds of phenomena governed by power laws, everything from earthquakes, forest fires and avalanches to epidemics, the volume of email and even the spread of rumours.

So it shouldn’t come as much of a surprise that Aaron Clauset at the Santa Fe Institute in New Mexico and Ryan Woodard at ETH, the Swiss Federal Institute of Technology, in Zurich have used this approach to study the likelihood of terrorist attacks.  Read more [+]

Quanto pior, melhor… ou a eleição de Obama

Estava pensando aqui sobre para quem vou torcer (dado que não posso influenciar)  nas eleições dos EUA. Bom, por default, eu deveria torcer pelo Obama, dado que me parece que sou um “liberal” no sentido americano, e não um “conservative”. Por outro lado, acho que sempre temos que pensar no que é melhor para o mundo e não no que é melhor para os EUA ou o Brasil.

Romney e Obama estão, no presente momento, empatados em termos estatísticos. Então, acho que dá para simular dois cenários:

Democratas ganham: dado que a crise econômica continua e não tem fim a vista, isso implicará em mais quatro anos de desgaste para os Democratas. Afinal de contas, os democratas não poderão dizer que Obama herdou uma situação irresponsável de seu antecessor. Os movimentos sociais tipo Ocupar Wall Street ficaram enfraquecidos num governo Democrata. Afinal de contas, se os ricos são (melhor) defendidos pelos republicanos, protestar contra os 1% ou 0.1% ricos não tem muito sentido se os mesmos não estão com o poder (politico). No final de um novo governo Obama, certamente os republicanos irão ganhar, iniciando talvez um longo período conservador. Ou não, pois o cenário abaixo (republicanos ganham) poderia ocorrer, apenas com um delay de quatro anos.

Republicanos ganham: Se os republicanos ganharem, o fosso entre ricos e pobres irá aumentar, os gastos sociais irão diminuir, o ataque a ciência vindo dos criacionista e céticos do clima terá suporte, etc. Ou seja, neste cenário, a situação social/econômica/cultural dos EUA irá piorar sensivelmente. O gap economico entre EUA e China irá diminuir, caminharemos para um mundo bipolar, talvez uma nova guerra fria (contra os “comunistas” chineses). Possivelmente vai haver um período de protestos similar o maio de 1968 (possivelmente por volta de 2018, se o tal ciclo de violência social de 50 anos – um ciclo de Lotka-Volterra ou uma onda num sistema excitável?), apenas para ser reprimido por uma nova reação conservadora.

Bom, para os adeptos do “quanto pior, melhor”, visando uma revolução social, imagino que seja melhor torcer para o Romney, pois assim os republicanos pegam o repique (o segundo fosso do W) da crise econômica em seu auge…

Will the US Really Experience a Violent Upheaval in 2020? Read more [+]

Alain de Botton: Ateísmo 2.0

Via FACEBOOK do Mauro Copelli:

Charge do dia

Serra prega aos evangélicos

Dilma virou pentecostal católica?

Bispo de Guarulhos recomenda a católicos que não votem em Dilma

PUBLICIDADE

 

FÁBIO ZAMBELI
DE BRASÍLIA

Alheio à recomendação da Igreja Católica de manter neutralidade na campanha eleitoral, o bispo de Guarulhos, d. Luiz Gonzaga Bergonzini, prega boicote à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República por considerar o PT favorável à descriminalização do aborto.

Em artigo intitulado “Dai a César o que é de César e a Deus o que é Deus”, publicado no site oficial da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), d. Bergonzini evoca deliberações dos congressos nacionais petistas de 2007 e 2010 e o 3º Plano Nacional dos Direitos Humanos para classificar o partido como “contrário aos valores da família”.

“Recomendamos a todos verdadeiros católicos a que não deem seu voto à senhora Dilma Rousseff e demais candidatos que aprovam tais liberações, independentemente do partido a quem pertençam”, diz o bispo no texto, datado de 1º de julho.

Embora admita no artigo que a Igreja Católica “não se posiciona nem faz campanha”, d. Bergonzini, 78 anos, diz que sua posição é lastreada na missão de “zelar para o que o que é Deus não seja manipulado e usurpado por César”.

“Quando acontece essa usurpação ou manipulação é dever da Igreja intervir convidando a não votar em partido ou candidato que torne perigosa a liberdade religiosa e de consciência ou desrespeito á vida humana e aos valores da família”, afirma o religioso no documento.

Na carta, o bispo cita a punição imposta pelo PT aos deputados federais Luiz Bassuma (BA) e Henrique Afonso (AC), que condenaram publicamente o apoio petista à legalização do aborto e migraram para o PV.

Segundo maior colégio eleitoral paulista, com 788.832 votantes, Guarulhos é hoje o principal reduto petista no Estado –a cidade é governada pelo partido desde 2001.

Dilma, que se diz recém-convertida à Renovação Carismática Católica, modificou seu discurso sobre o aborto nos últimos três anos. Em outubro de 2007, durante sabatina promovida pela Folha, ela se mostrou favorável à descriminalização.

“Acho que tem de haver a descrminalização do aborto. No Brasil, é um absurdo que não haja, até porque nós sabemos em que condições as mulheres recorrem ao aborto”, disse à ocasião.

Em suas últimas manifestações públicas sobre o tema, a petista mudou de postura. “Eu sou a favor de manter a legislação”, afirmou no Programa “Roda Viva”, da TV Cultura, veiculado no último 28 de junho.

Dilma não defenderá o direito das minorias, deixará isso para o Congresso

sábado, 10 de julho de 2010

0:03 \ Eleições 2010

Em busca do voto evangélico

Promessas – Dilma: hoje, segundo as pesquisas, ela perde de José Serra entre os evangélicos

Para ser o coordenador da campanha de Dilma Rousseff junto aos evangélicos, o pastor Manoel Ferreira, presidente do Conselho Nacional de Pastores do Brasil, fez exigências que devem causar algum rebuliço entre os militantes históricos do PT. Da conversa que teve há duas semanas com Dilma, Ferreira saiu com uma promessa: se vencer a eleição, ela não tomará iniciativas que afetem temas caros aos evangélicos, como legalização do aborto, regulamentação da prostituição, retirada de símbolos religiosos de locais públicos e a união estável entre homossexuais. Dilma aceitou a proposta do pastor para que esses temas só sejam discutidos no Congresso por iniciativa dos próprios parlamentares, nunca do Executivo. Satisfeito, o pastor prometeu abrir caminho para Dilma transitar com desenvoltura entre os 25% de eleitores evangélicos.

Marina Silva e o casamento gay

08/06/2010

Parece que o que nossa sociedade tem restrição ou abomina a sinceridade.


O que Marina Silva fez é o que qualquer um de nós faria quando questionados sobre determinado assunto: opinar. E opinar baseado nos valores dela. E se ela negasse a sua posição pessoal enquanto evangélica, ela não seria digna de meu voto. Eu sou obeso, tenho 125kg. E por sê-lo fui muito discriminado por católicos, evangélicos, espiritualistas e por muitos gays. Você consegue ver na face o preconceito. Hoje, eu não preciso de uma lei ou de uma político me defendendo, para que tenham respeito por mim. Eu me respeito e externo isso no meu cotidiano.


Marina crê em Adão e Eva, e eu não. Ela entende o casamento como sacramento religioso e hétero. E eu como uma união de almas, que independe de religião, estado, credo, idade ou sexo. Ela é evangélica. E eu não tenho religião. Marina crê em Deus; os ateus, não; e eu na Vida, pois percebo que há algo mais além que um homem barbudo…, e que a razão e o materialismo são incompetentes para me explicar.


No que se refere aos bens, entendo que deva ser ampliado. Ou seja, um exemplo: você não é gay e é solteiro. Mas sua família não gosta de você, nunca lhe ajudou e sempre lhe explorou. Então, você bate as botas e seu patrimônio de 20 anos vai para a mão de pessoas que sempre lhe desrespeitaram. É justo que você possa determinar para onde vai seu patrimônio, como por exemplo, ir para um orfanato ou um lar espírita ou uma clínica evangélica para drogados; e não para os abutres que sempre lhe detestaram.


Se o direito ao patrimônio está garantido, o fato de querer o casamento gay numa igreja é outro detalhe. No Brasil, por exemplo, há três opções para realizar esse sonho: Igreja Contemporânea, Igreja da Comunidade Metropolitana (ICM) e Comunidade Cristã Nova Esperança. Ou seja, se alguém acha que para casar tem quer ter a bênção de uma igreja, elas estão aí.


E nisso eu pergunto:

Será que é melhor mesmo negar o voto a Marina Silva que foi sincera nas suas verdades? Ou será melhor dar o voto a DR por causa da Bolsa Família e que dará continuidade de alguma forma a: Sarney, Collor, Renan, Jader & Cia.? Ou a JS que vem com todo aquele povo que NÓS tiramos há oito anos atrás? Será que se estivéssemos no lugar de Marina e fôssemos questionados sobre pontos que discordamos ou não aceitamos (enquanto pessoas), teríamos a mesma coragem? Quem garante alguma coisa? Podemos garantir que amanhã teremos o mesmo discurso?


Se algum termo usado por ela foi inadequado, faça-se uma carta esclarecendo. Marque uma audiência. Faça um abaixo-assinado incluindo os gays e seus pais, mães, irmãs, irmãos, parentes, amigos… É assim, pela organização, que conquista-se o respeito. Agora, malhar o pau, criticar, crucificar é muito fácil. E a vida mostra que os que mais acusam, são os piores, quando assumem o poder de alguma forma. Alguém tem algum exemplo? Pesquisem no Google. Será que vocês acham que Marina não será retaliada no meio evangélico por defender a garantia dos bens aos gays e por dizer que não usará o governo para fazer proselitismo religioso?


Não sou evangélico e não sou do PV. Sou Brasileiro. Sou +1 que votará em Marina Silva para presidente.

Física Estatística de eleições

Multimode Control Attacks on Elections

(Submitted on 11 Jul 2010)

In 1992, Bartholdi, Tovey, and Trick opened the study of control attacks on elections—attempts to improve the election outcome by such actions as adding/deleting candidates or voters. That work has led to many results on how algorithms can be used to find attacks on elections and how complexity-theoretic hardness results can be used as shields against attacks. However, all the work in this line has assumed that the attacker employs just a single type of attack. In this paper, we model and study the case in which the attacker launches a multipronged (i.e., multimode) attack. We do so to more realistically capture the richness of real-life settings. For example, an attacker might simultaneously try to suppress some voters, attract new voters into the election, and introduce a spoiler candidate. Our model provides a unified framework for such varied attacks, and by constructing polynomial-time multiprong attack algorithms we prove that for various election systems even such concerted, flexible attacks can be perfectly planned in deterministic polynomial time.

Comments: 41 pages, 2 tables
Subjects: Computer Science and Game Theory (cs.GT); Computational Complexity (cs.CC); Data Structures and Algorithms (cs.DS); Multiagent Systems (cs.MA)
ACM classes: I.2.11; F.2.2; F.1.3
Report number: URCS TR-2010-960
Cite as: arXiv:1007.1800v1 [cs.GT]

Local ePolitics Reputation Case Study

(Submitted on 11 Feb 2010)

More and more people rely on Web information and with the advance of Web 2.0 technologies they can increasingly easily participate to the creation of this information. Country-level politicians could not ignore this trend and have started to use the Web to promote them or to demote their opponents. This paper presents how candidates to a French mayor local election and with less budget have engineered their Web campaign and online reputation. After presenting the settings of the local election, the Web tools used by the different candidates and the local journalists are detailed. These tools are evaluated from a security point of view and the legal issues that they have created are underlined.

Comments: Published in the Proceedings of the IADIS 2009 e-Society International Conference
Subjects: Computers and Society (cs.CY)
Cite as: arXiv:1002.2297v1 [cs.CY]

Quem é melhor? Michel Temer, Indio da Costa ou Guilherme Leal?

Da Folha: Vice de Serra liga o PT à ‘guerrilha’ e ao ‘narcotráfico’

Sobre o palanque montado na Cinelândia, no Rio, Dilma dissera que o vice dela, o pemedebê Michel Temer, “não caiu do céu”. Uma estocada no ‘demo’.
É Índio, no twitter: “Candidata do PT diz que eu caí do céu na chapa do Serra. Para uma atéia, deve ser duro ter um adversário que cai do céu…”
Em resposta à observação de uma internauta que o “seguia”, Índio cutucou: “É o que nos diferencia: tenho quatro eleições e ela um padrinho…”.
Noutra nota, Índio escreveu que respeita “todas as crenças e opções”. E voltou a escalar sobre Dilma: “Ela lá é que dissimula sobre religião”.
Mais adiante, acrescentou: “O correto é assumir o que você é. Ela nem consegue olhar nos olhos do eleitor. Esfinge do pau oco”.
Procurada, Dilma mandou dizer, por meio da assessoria, que não responderia às provocações de Índio. 
Em sabatina realizada pela Folha em 2007, Dilma dissera que não estava convencida da existência de Deus:
“Eu me equilibro nessa questão. Será que há? Será que não há?” Agora, em campanha, ela se diz “católica” sempre que inquirida sobre o tema.

Guilherme Leal, o vice que satisfaz

Afinidade da candidata com ele é tanta que quando usa o pronome ‘nós’ significa, sempre, Marina e Guilherme

18 de julho de 2010 | 0h 00

Roldão Arruda – O Estado de S.Paulo

Nenhum candidato a presidente parece mais satisfeito com seu vice do que a senadora Marina Silva. A afinidade com o empresário Guilherme Peirão Leal é tanta que, quando recorre ao pronome “nós”, ela não está se referindo à junção com seu partido, o PV, nem abusando do plural majestático. O “nós” da senadora significa Marina e Guilherme. Assim como “nossa estratégia” e “nosso projeto” são sempre referências aos dois.

A satisfação é compreensível. Em primeiro lugar porque foi ela quem elegeu o vice, sem aceitar interferências do PV nem barganhar nada com partidos aliados. Na reta final, quando a lista de possíveis candidatos ficou reduzida aos nomes de Leal e Roberto Klabin, empresário dos mais poderosos no setor de papel e celulose e presidente da Fundação SOS Mata Atlântica, foi ela quem definiu o jogo a favor do primeiro.

Outra razão para o contentamento de Marina está no figurino do escolhido. Leal é discreto e muito rico, veste-se com estudada elegância, não contabiliza escândalos políticos e financeiros no passado, apoia causas ambientais com entusiasmo e ainda possui estofo intelectual para debates e conversas inteligentes sobre os rumos do Brasil. Na opinião do economista, escritor e velho amigo Eduardo Gianetti da Fonseca, ainda podem ser acrescentadas às suas qualidades “o gosto pela interlocução e a abertura para novas ideias”.

No meio empresarial ele também é admirado como self made man. Sua fortuna cresceu escorada no trabalho e na sagacidade para os negócios, sem grandes heranças nem injeções de dinheiro público.

De cabeça. A senadora e o vice se conhecem há 12 anos. Ele foi um dos principais incentivadores de sua candidatura à Presidência e, após aceitar o convite para o posto de vice, deixou de lado todas as outras atividades para se filiar ao PV e mergulhar na campanha. Além da experiência como administrador e empresário, contribui com dinheiro do próprio bolso, põe um helicóptero à disposição para a senadora se deslocar, discute o programa e está sempre disposto para acompanhá-la em eventos públicos. Na opinião de um executivo que já trabalhou ao lado de Leal, essa disposição para mergulhar de cabeça nas causas que escolhe é a principal característica do empresário.

A sua principal missão, no entanto, é abrir caminho na elite do empresariado, onde persistem desconfianças por causa da intransigência de Marina nas causas ambientais. Leal assegura a seus pares que se trata de candidata confiável, sem gosto pelo aventureirismo ? especialmente na área econômica.

Visto por esse ângulo, seu papel lembra o dos empresários Ivo Rosset (Valisère) e Lawrence Pih (Moinho Pacífico) na jornada de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. Mas a semelhança só vai até aí. O papel de Leal é mais importante e cresce a cada dia. Na verdade não existe ninguém mais influente na campanha do que ele. Sozinho tem mais força do que toda a cúpula do PV.

Foi Leal quem indicou o empresário e amigo Álvaro de Souza, ex-presidente do Citibank, para dirigir a área financeira da campanha. No grupo de intelectuais, economistas e simpatizantes que preparam o programa de governo de Marina, a maior parte foi convidada por ele. O advogado Eduardo Matias, que cuidou das diretrizes de relações internacionais, é seu amigo. Giannetti, na área de economia, também. A lista vai longe.

Sem tempo nem voto. O “defeito” na escolha de Leal para o cargo é ele não ter vindo de nenhum partido aliado ? ou seja, não agrega votos nem tempo na TV no horário de propaganda gratuita.

O peemedebista Michel Temer não é, do ponto de vista da afinidade política, o vice dos sonhos da ex-ministra Dilma Rousseff, do PT. Mas foi recebido com festa por levar com ele quase um terço dos 10min36s que a candidata terá em cada bloco de 25 minutos de propaganda gratuita. O deputado fluminense Índio da Costa, do DEM, que só foi aceito como segundo de Serra após o fracasso de todas tentativas para uma chapa tucana puro-sangue, agrega 2m17s a cada bloco de 7m16 do ex-governador.

Já Marina, que não tem aliança com nenhum partido, terá apenas o 1m12seg do PV para fazer propaganda. Ela tenta converter essa enorme desvantagem em vantagem e diz que, desobrigada de barganhas, pôde escolher um vice comprometido com suas propostas.

Leal nasceu em 1950, no Boqueirão, bairro da classe média de Santos, litoral paulista. Era o mais novo de uma família de quatro irmãos. Cresceu acompanhando na Vila Belmiro o time que fascinou o mundo nos anos 60, com os garotos de ouro da época, Pelé, Pepe, Coutinho, mais Gilmar, Zito e outros cujos nomes ele ainda desfia de cor. Vem de lá também sua paixão pelo futebol ? a única das duas diversões que os mais próximos conseguem citar quando falam dele.

A outra diversão reconhecida pelo próprio é o refúgio que vem construindo desde 2005 em Uruçuca, no litoral sul da Bahia, ao lado de Ilhéus ? uma área paradisíaca com quase 80 hectares, coberta por coqueirais, riachos, mangues e uma faixa de Mata Atlântica que ele vem tentando recuperar.

Filho de um funcionário público da alfândega do porto de Santos, Leal cursou o ensino médio no Colégio Rio Branco, em São Paulo, e formou-se em administração de empresas pela USP. Como universitário, estudava à noite e trabalhava de dia. Em 1979, já casado e com dois filhos, juntou as economias, vendeu um terreno e tornou-se sócio de uma pequena empresa de cosméticos, a Natura, localizada na rua Oscar Freire, em São Paulo.

O momento era péssimo para negócios. A década de 80, conhecida como década perdida, foi marcada por planos econômicos fracassados, inflação descontrolada e incertezas políticas. Mas foi no meio desse vendaval que Leal e Luiz Seabra, seu sócio até hoje, impulsionaram a Natura. Para dar uma ideia do que foi isso, ele conta que iniciaram a década com faturamento anual de US$ 5 milhões e fecharam com US$ 170 milhões.

Enfarte. Do ponto de vista pessoal, isso teve um preço alto: Leal sofreu um enfarte aos 37 anos. O susto levou-o a alterar o ritmo de vida. Ele reconhece que foi depois disso que passou a dar mais atenção às reuniões de pais na escola dos filhos e a se interessar por causa sociais. Como parte dessa revisão, apostou na mudança de rumos da Natura.

A empresa embicou para uma trilha ecológica e fez do uso de matérias-primas oriundas de fontes renováveis a sua principal diferença no mercado. E mais uma vez deu certo. O negócio encorpou, espalhou-se pela América Latina e, em 2006, Leal passou a ser listado pela revista americana Forbes no ranking das mil maiores fortunas do planeta. Na edição deste ano, a revista avaliou sua fortuna em US$ 2,1 bilhão e qualificou a Natura como a versão brasileira da Avon, por causa da vendas de porta em porta.

O valor mencionado pela Forbes difere do que Leal apresentou dias atrás ao Tribunal Superior Eleitoral, ao registrar a chapa do PV. Ele declarou R$ 1,1 bilhão ? uma quantia, diga-se de passagem, 7 mil vezes superior às posses de Marina, que declarou modestíssimos R$ 149 mil.

Os números são diferentes, diz Leal, porque os critérios são diferentes. “O que apresentei é o mesmo que consta na declaração de Imposto de Renda, de acordo com os critérios legais. O da Forbes é uma estimativa de mercado do valor das ações que tenho. Não é exato.”

Admiração. Não foi, é claro, a fortuna de Leal que encantou Marina. Ela o admira pela participação em projetos sociais e ambientais levados adiante por grupos organizados no chamado terceiro setor.

Em 2008, após desentender-se com o governo Lula e o petismo e deixar o Ministério do Meio Ambiente, Marina foi convidada por Leal para participar dos encontros de um grupo de grandes empresários envolvidos com responsabilidade social, denominado Brasil Com S (de sustentabilidade). Nasceram ali a candidatura dela e a decisão de alguns empresários de se envolverem com política. O caso mais evidente é o de Leal. Mas vale citar ainda Ricardo Young, dono da rede de idiomas Yázigi e candidato ao Senado pelo PV de São Paulo.

“O Leal não é um recém-chegado”, diz o amigo e empresário Oded Grajew, uma das referências no Brasil quando se trata de responsabilidade social e ética no meio empresarial. “Ele atua na área social e ambiental desde os anos 80.”

Leal já tentou se aproximar de um projeto político em outra ocasião. Em 2003, primeiro ano do governo Lula, aceitou um convite para sentar-se à mesa do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Saiu, desencantado, em 2005, ano do escândalo do mensalão.

Casado pela segunda vez e construindo uma nova casa nos Jardins, Leal tem cinco filhos ? dois com a primeira mulher e três que a segunda trouxe de um casamento anterior. Seu primeiro dissabor na carreira política apareceu dias atrás, com a denúncia de que estaria violando a legislação ambiental na propriedade da Bahia. Justo na Bahia, reclamou para os amigos, onde realiza o projeto dos sonhos, ou, segundo expressão dele, “onde tudo é do bem”. Estranhou o fato de a denúncia aparecer agora, cinco anos depois de iniciado o projeto, e em plena campanha, mas não se assustou. Na sexta-feira, o Ibama, que vistoriou o lugar, disse não ter achado nenhuma irregularidade.

Leal ainda tem dificuldade com o assédio da imprensa e não figura, certamente, na lista dos dez políticos mais simpáticos da campanha. Detesta falar da vida particular: prefere discorrer sobre projetos para o Brasil. Proclama a urgência de uma reforma fiscal e tributária e da melhoria da qualidade do ensino. Acha que o País vive um excelente momento na economia, mas pode se perder por falta de cérebros do ponto de vista intelectual e tecnológico.

Se isso ocorrer, adverte, será a terceira grande janela da história que se abre para o Brasil e se fecha por falta de estrutura interna. As outras duas teriam ocorrido nas décadas de 50 e70. Indagado sobre livros que tem lido, lembrou dois autores: o amigo Giannetti, de quem lê tudo, e o filósofo francês Edgard Morin ? especialmente seus textos sobre educação. 

Nilson Oliveira
18 DE JULHO DE 2010 | 8H 40DENUNCIAR ESTE COMENTÁRIO

Em um evento em 2008 no qual participei na sede da Natura, em Cajamar/SP, envolvendo ONGs ligadas à educação, acabei testemunhando uma cena que pode ajudar a mostrar quem é Guilherme Leal. Ao entrar no W.C. coletivo acabei flagrando-o limpando e enxugando a pia que acabara de usar. Como não havia ninguém mais por perto para quem o empresário poderia estar “vendendo”uma atitude de responsabilidade, deduzi que a aquela ação era resultante de elevado altruísmo, um exemplo de humildade e de genuíno respeito ao próximo. Acho que a candidatura Marina Silva-Guilherme Leal à Presidência eleva a um nível inigualável a qualidade do debate político no Brasil.

O que significa ser uma “pessoa de bem pagadora de impostos”?

Achei isso na Comunidade do Orkut da Marina:

O cidadão de bem, personagem do filme “A indústria do medo”, é trabalhador, tem uma família saudável e feliz.

Seus filhos estudam nos melhores colégios tradicionais onde recebem uma formação religiosa da moral e dos bons costumes.
Todo domingo, no conforto de seu lar, ele e sua família assistem ao Fantástico.
O cidadão de bem é a favor da pena de morte, nunca abandona suas convicções de direita, chama pobre de vagabundo, acha que homosexualismo é doença e avança sinal vermelho porque é muito ocupado e tempo é dinheiro.
Ele guarda sua arma ao alcance das mãos para defender sua família feliz do bandido que entrará de madrugada e com toda sua bravura o matará antes que o bandido exploda sua casa.
Ele também acha aborto uma coisa muito ruim (até sua filha ficar adolescente, é claro).
Assina a Veja, seu filho a Playboy, sua filha a Capricho e sua esposa a Caras. Usam 2 carros e reclamam do trânsito. Ficou com medo do Lula se eleger em 1989. Lê Veja, Época e IstoÉ e se considera elite intelectual por causa disso. Pensa que todo esquerdista é comunista. Pensa que sabe o que é comunismo. Acompanha as análises político-econômicas de Arnaldo Jabor, repetindo seus dizeres no dia seguinte, no serviço. Considera Jô Soares a nata da cultura nacional. 
O cidadão de bem é fã do futebol e, enquanto assiste aos jogos e toma cerveja, sua alegre esposa cozinha a janta.
O cidadão de bem é feliz e o será até que um bandido roube sua arma.

PV tem mais candidatos que o PMDB

PV tem maior número de candidatos em 2010; PMDB é segundo
Levantamento do iG feito nos registros de candidaturas do TSE mostra que o partido de Marina Silva contará com 1232 candidatos
Adriano Ceolin e Severino Motta, iG Brasília | 14/07/2010 16:24
Foto: Agência Estado
Marina Silva discursa em lançamento de comitê suprapartidário de campanha, em Belo Horizonte, Minas Gerais
O PV é o partido político com maior número de candidatos no País nas eleições deste ano. São 1232 postulantes a cargos de presidente, vice-presidente, governador, vice-governador, senador, 1º e 2º suplentes de senador, deputado federal e estadual. Os dados estão registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e foram computados pela reportagem do iG.
Depois do PV, o segundo partido com maior número de candidatos é o PMDB. Atualmente dono das maiores bancadas na Câmara e no Senado, a legenda contará com 1199. A conta inclui o deputado federal Michel Temer (SP), candidato a vice na chapa da presidenciável Dilma Rousseff (PT). Em terceiro lugar, aparece o PT com 1199 concorrentes.
Em relação a 2006, o crescimento do número de candidatos verdes foi de 20%. Há quatro anos, 993 filiados ao PV disputaram a eleição. Apenas três concorreram a governos estaduais _este ano são 10. No entanto, apenas 47 candidatos verdes conseguiram se eleger. Entre eles, apenas deputados federais (13) e estaduais (28). Em votos de legenda, o PV conquistou 2,2 milhões de votos.
A candidatura da senadora Marina Silva (PV) à Presidência da República é o principal motivo para o aumento do número de candidatos verdes em 2010. Ela não fez coligações e tem como vice Guilherme Leal, empresário que se filiou ao partido no ano passado da senadora.
“Estamos buscando um crescimento. Mas esse número, de certo modo, nos surpreende”, afirma Alfredo Sirkis. “É importante ter uma quantidade expressiva de candidatos, já que não fizemos coligações para lançar a Marina presidente”, completou.
Para o filósofo Roberto Romano, da Universidade de Campinas, o crescimento do PV já vinha sendo observador. “Atraiu muita gente porque esse partido herdou as bandeiras do antigo PMDB, do PSDB e até os insatisfeitos do PT”, disse.
Ranking de candidatos
1 PV 
1232
2 PMDB 
1199
3 PT 1126
4 PDT 1041
5 PSB 1022
6 PSDB 1014
7 PTB 915
8 PSOL 885
9 PTC 830
10 PP 818
11 PCdoB 809
12 DEM 775
13 PSL 749
14 PPS 746
15 PR 694
16 PMN 637
17 PRP 589
18 PTN 585
19 PSC 582
20 PRTB 581
21 PTdoB 573
22 PRB 542
23 PHS 526
24 PSDC 368
25 PSTU 235
26 PCB 150
27 PCO 41

Marina, a verdadeira herdeira de Lula

Este comercial é considerado um dos melhores em nossas campanhas políticas. Note como são usadas as referências religiosas a Deus e ao Cristo Redentor.
Weber tem um livrinho muito bom onde ele discorre sobre duas vocações: ciência e política. Ele mostra que são duas vocações ortogonais (ou deveriam ser). Afinal, não é possível usar o método científico para decidir em que candidato votar. Na avaliação de um candidato, um partido, uma ideologia política, você usa o senso comum, as informações de seus amigos, a emoção. O objetivo da Ciência Política é estudar a variedade do fenômeno político e não determinar qual ideologia política é a mais correta.
Entretanto, a ciência pode nos ajudar a avaliar as propostas políticas, no sentido de verificar que os meios propostos realmente servem aos fins defendidos. Mas quem define quais os fins desejáveis? Ora, tudo depende de seus valores fundamentais, que podem ter origem em uma cultura secular ou religiosa. Mas é preciso ficar claro que tais valores são escolhas existenciais, sem fundamento científico: nada na Natureza ou na Ciência determina que é melhor ter uma sociedade democrática do que aristocrática, ou de que a compaixão seja melhor que a crueldade, como bem demonstrou Nietzsche. Para ele, uma sociedade aristocrática que implemente o Darwinismo Social é preferível à democracia.
Nietszche não é contra o Cristianismo por ser uma religião (afinal, seu Zaratustra é um profeta religioso). Nietszche elogia o Cristianismo da Renascença, o cristianismo dos Borgia, onde o espírito aristocrático floresce, e também defende a elite religiosa judaica que rejeitou Jesus. Nietszche é contra um certo judaísmo e cristianismo (não todos) apenas na medida em que eles formaram historicamente a base religiosa de valores democráticos (ou mesmo anarquistas) posteriormente secularizados. Para Nietszche, justamente os argumentos apresentados no comercial acima é que são o melhor motivo para não se votar na esquerda.

Eu sou +1