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No que o Neo-ateísmo difere do Hegelianismo de Esquerda?

Na sua opinião, em que o Neo-ateísmo difere dos Jovens Hegelianos? Na minha, a principal diferença é que os neo-ateus, em sua maioria, não são de esquerda. Se você percebe outras diferenças, comente!

Young Hegelians

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The Young Hegelians, or Left Hegelians, were a group of Prussian intellectuals who in the decade or so after the death of Hegel in 1831, wrote and responded to his ambiguous legacy. The Young Hegelians drew on his idea that the purpose and promise of history was the total negation of everything conducive to restriction of freedom and irrationality to mount radical critiques of first religion and then the Prussian political system. They ignored anti-utopian aspects of his thought that suggested the world has already essentially reached perfection.

Contents

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[edit]Left and Right Hegelianism Read more [+]

Por que publicam sempre antes de mim?

Este é um livro que eu gostaria (ou melhor, poderia) ter escrito. Acho que este tipo de tema está na moda, ou talvez o problema das relações entre ciência e religião seja perene e sempre vai interessar às pessoas. Então, por que não escrevi?

Porque em vez de escrever eu fico pensando no que os meus coleguinhas vão pensar de mim. Sendo assim, em vez de escrever e publicar (e  ficar rico!  — ou pelo menos deixar os direitos autorais para os meu filhos), eu apenas fico chupando o dedo e perdendo oportunidades…

13/10/2011 – 16h00

Conciliador, suíço mostra lado bom das religiões aos ateus

da Livraria da Folha

O mercado editorial está balançado pela discussão entre acreditar ou não em uma força organizadora do universo. Enquanto o jornalista brasileiro Fábio Marton defende o ateísmo em“Ímpio” (Leya, 2011), o matemático britânico John C. Lennox mostra que o criador continua a ser uma possibilidade em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus” (Mundo Cristão, 2011).

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Autor defende o lado bom das doutrinas existemtes no globo
Autor defende o lado bom das doutrinas existentes no globo

No meio de campo, o escritor suíço Alain de Botton adota uma postura mais conciliatória. Em seu livro “Religião para Ateus”(Editora Intrínseca, 2011), o autor levanta a bandeira branca e diz “E daí se todas as crenças não passarem de conto de fadas? Vamos ver o que elas tem de bom a nos oferecer.”

Voltado para quem tem ou não fé, o volume mostra que é possível tirar lições muito valiosas das religiões e leva os leitores por um passeio pelo que de melhor elas ensinam às pessoas. A publicação traz também 95 imagens com reflexões sobre o papel das doutrinas religiosas no mundo contemporâneo.

O livro tem lançamento previsto para o dia 19 de outubro es está disponível, em pré-venda, na Livraria da Folha.

Ainda dentro do mesmo tema, saíram nos últimos meses “Porque Não Sou Cristão” (L&PM Pocket, 2011), reedição de obra ateísta clássica do filósofo galês Bertrand Russell, “Teologia e Física”(Edições Loyola, 2011), livro que propõe a reunião de fé e ciência do teólogo italiano Simone Morandini, e “O Ateísmo Cristão e Outras Ameaças à Igreja”(Mundo Cristão, 2011), uma ácida crítica do pastor presbiteriano brasileiro Augustus Nicodemus.

“Religião para Ateus”
Autor: Alain de Botton
Editora: Editora Intrínseca
Páginas: 272
Quanto: R$ 16,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

*

Para botar mais lenha na fogueira…

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Livro mistura religião, história e filosofia para reconciliar fé e razão
Volume mistura religião, história e filosofia para reconciliar fé e razão
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Ateu convicto revela apertos que passou nos tempos em que era crente
Ateu convicto revela apertos que passou quando era crente
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Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes
Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes

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Por que juntar as palavras Deus e Física dá dinheiro?

Já que desisti de ganhar o prêmio Nobel, vou ver se pelo menos ganho o Prêmio Templeton (que vale 3/2 do Nobel e é divulgado na mesma semana!). Na verdade, se vocês pensarem bem, acho que de todos os físicos brasileiros, eu sou o que mais entende de Teologia.

PS: Se você é físico brasileiro e entende mais de Teologia do que eu, por favor me escreva aí nos comentários, para escrevermos a quatro mãos aquele livro que vai ganhar o Prêmio Templeton!

29/09/2011 – 11h00

Matemático polemiza em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”

da Livraria da Folha

O matemático britânico John C. Lennox, da Universidade de Oxford, defende com argumentos sólidos a possibilidade de coexistência entre o conhecimento científico e a religião em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”. O objetivo do livro é fornecer um amparo fortemente embasado para os cientistas, ou qualquer leitor, que sintam necessidade de debater em favor de sua crença.

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Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes
Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes

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Ceticismo anti-científico

The Science of Why We Don’t Believe Science

How our brains fool us on climate, creationism, and the vaccine-autism link.

by Chris Mooney

Jonathon Rosen cartoon of man's brain contending with beliefs & truths

“A MAN WITH A CONVICTION is a hard man to change. Tell him you disagree and he turns away. Show him facts or figures and he questions your sources. Appeal to logic and he fails to see your point.” So wrote the celebrated Stanford University psychologist Leon Festinger [1] (PDF), in a passage that might have been referring to climate change denial—the persistent rejection, on the part of so many Americans today, of what we know about global warming and its human causes. But it was too early for that—this was the 1950s—and Festinger was actually describing a famous case study [2] in psychology.

Festinger and several of his colleagues had infiltrated the Seekers, a small Chicago-area cult whose members thought they were communicating with aliens—including one, “Sananda,” who they believed was the astral incarnation of Jesus Christ. The group was led by Dorothy Martin, a Dianetics devotee who transcribed the interstellar messages through automatic writing.

Through her, the aliens had given the precise date of an Earth-rending cataclysm: December 21, 1954. Some of Martin’s followers quit their jobs and sold their property, expecting to be rescued by a flying saucer when the continent split asunder and a new sea swallowed much of the United States. The disciples even went so far as to remove brassieres and rip zippers out of their trousers—the metal, they believed, would pose a danger on the spacecraft. Read more [+]

É possível um ecumenismo entre ateus e religiosos?

Bom, parece que Edward Wilson acredita que sim:

A CRIAÇÃO – Como salvar a vida na Terra

R$ 38,50 Comprar
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A Criação é um apelo para que deixemos o embate entre religião e ciência de lado para podermos salvar a vida no planeta, que nunca esteve tão ameaçada. Valendo-se de suas experiências como um dos biólogos mais destacados no cenário mundial, Edward O. Wilson prevê que, até o final do século, pelo menos a metade das espécies de plantas e animais da Terra poderá ter desaparecido, ou estará a caminho da extinção precoce.
Escrito em forma de carta a um pastor evangélico, A Criação demonstra que a ciência e a religião não precisam ser, necessariamente, antagonistas em guerra. Ao fornecer explicações a respeito dos motivos ambientais e espirituais para nos alarmarmos com a poluição, o aquecimento global e o rápido declínio da diversidade biológica do planeta, Wilson sugere que, se ciência e religião usarem de seu poder para forjar uma aliança fundamentada no respeito mútuo, relevando as diferenças metafísicas básicas e buscando alcançar objetivos práticos, alguns dos mais graves problemas do século XXI poderão ser resolvidos rapidamente.

“E. O. Wilson, talvez o maior biólogo da nossa geração, traz uma vida inteira de trabalho e de reflexão para esta obra. […] É um de seus livros mais perturbadores, mais comoventes e mais importantes.” – Oliver Sacks

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Enquanto isso, o Papa atual, mesmo sendo um conservador de direita e tradicionalista, abre a possibilidade de um diálogo com os Protestantes e os Islamicos. Ao mesmo tempo, Richard Dawkins ataca o astrônomo real Martin Rees por ele ter aceitado o prêmio Templeton (que é dado à personalidade mundial que mais contribuiu para o diálogo Ciência-Religião em cada ano.

 

FOLHA ONLINE         23/09/2011  09h36

Na Alemanha, Bento 16 defende diálogo com muçulmanos e protestantes

DA FRANCE PRESSE

O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira um melhor diálogo entre a cristandade e o Islã, no segundo dia de visita a seu país natal, onde também tem a intenção de enviar sinais de aproximação aos protestantes em favor do ecumenismo.

“Acho que uma colaboração fecunda entre cristãos e muçulmanos é possível”, afirmou o Papa ao receber, em Berlim, representantes do Islã na Alemanha. “Reconhecemos a necessidade (…) de progredir no diálogo e estima recíprocas”.

Na Alemanha, vivem entre 3,8 e 4,3 milhões de muçulmanos, que representam entre 4,6% e 5,2% de sua população.

Depois, Bento 16 partiu de Berlim para Erfurt, onde Martin Lutero estudou direito e teologia a partir de 1501, e foi ordenado sacerdote em 1507, depois de ter entrado na ordem dos monges agostinianos. Durante esses anos fundamentais, Lutero, que ainda era católico, refletiu sobre o que seria o começo da Reforma protestante.

O papa prestou homenagem a Lutero, ao enfatizar a paixão profunda pelas questões de Deus do promotor da Reforma Protestante, em um gesto simbólico em relação aos protestantes na cidade Erfurt (leste), onde surgiu este movimento.

“O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, que era a paixão profunda e a força de suavida e seu total itinerario. (…) O pensamento de Lutero, sua espiritualidade inteira, estavam completamente centrados em Cristo”, declarou o Papa.

Depois de visitar a catedral desta pintoresca cidade medieval, Bento se reunirá a portas fechadas com 20 delegados da Igreja protestante alemã, e em seguida participará num serviço ecumênico no convento dos Agostinianos, ao lado de autoridades como a chanceler Angela Merkel, filha de um pastor protestante, e do presidente alemão, Christian Wulff, de religião católica.

Neurose religiosa e misantropia ateísta

Remexendo nos meus emails, verifiquei que não tinha lido este comentário.

Deixo para meus leitores comentarem, porque fico apenas triste com este tipo de neurose ateísta, acho que isso apenas rebaixa o movimento de neoateismo.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem “Ateísmo Científico: um manifesto“:

Em palavras simples, ateu é pura e simplesmente oquê todo ser humano foi impedido de ser , pois nacemos descontaminados e livres até o momento em que o vírus da ilusão dele se apossa, um vírus psicológico transmitido espontãneamente dos pais aos filhos tão logo seja possível a interesse dos propagadores da ilusão!, em termos de comparação evidencial, compara-se ao vírus de computador, é um círculo vicioso constante passado através das gerações, técnica, indução psicológica, alienação, lavagem cerebral com efeitos danosos ao psicológico., Seja lá que nome queiram dar, foram utilizadas para se exercer domínio e poder sobre a ignorãncia por séculos e sem contestação! 
são formas de reforço a contaminação que provocam a aceitação do subconciente vindo posteriormente aflorar e dominar o psicológico humano!
É um transtorno psicológico que muitas vezes é incurável, se não me engano chama-se misantropia psicológica!
Importa dizer quê!os danos causados a intenção de uma democracia de fato são imensos., servem-se desta ignorãncia os que apóiam a manutençao deste mal divulgando aos desavisados que viver na ilusão e ter fé nela basta pois esta vida real de nada vale, o que vale é a ilusão de paraisos, infernos e deus-es que pregam existir além dela!
Acredito que Ateu nenhum se deva prestar a discutir com a ignorãncia! se é ignorante é doente e se é doente ministre-se a cura se possível ou esqueça, póde ser um caso perdido !
crença em deus é doença!, que provas mais necessitamos!
É assim que penso deva pensar um ateu convicto que de fato siga os ditames da razão e da ciência!

Lucabi Brasil

Bom, OK, não vou comentar. Basta dizer que os trechos em vermelho são evidências de uma mente perturbada, acho que isso se chama misantropia com traços paranóides, tipicos de pessoas que adotam teorias conspiratórias pseudocientíficas. DaWikipedia:

O misantropo

Wikcionário
Wikcionário possui o verbetemisantropo
  • É uma pessoa que tem aversão ao convívio social, prefere viver em isolamento.
  • Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida – tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social.
  • Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver.

[editar]Formas de misantropia mais comuns

Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.

A misantropia não implica necessariamente uma atitude bizarra em relação à humanidade. Um misantropo não vive afastado do mundo, apenas é reservado (introvertido/timido fundamentalmente) e, é precisamente por este fato que é habitual serem poucos os seus amigos ou pessoas que estabeleçam um vinculo afetivo. Olham para todas as pessoas com uma desconfiança, é frequente serem feitos “juízos de cálculo” de cada um que se aproxime, embora muitas vezes não o demonstrem.

São pessoas que não gostam de grande agitação ao seu redor, pois não se sentem bem diante de muita gente, preferindo ficar em casa a sair para locais de diversão (indisposição para ir a lugares com muita gente, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta). Podem ocorrer frequentes mudanças de humor: ora feliz, ora melancólico, o termômetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente (poucas são as pessoas que vêem este seu aspecto, normalmente as mais próximas). Normalmente são muito perfeccionistas no que gostam de fazer e no que se comprometem a fazer. É muito frequente destacarem-se nas áreas em que estão inseridos (as que eventualmente têm um à vontade), pois dedicam grande parte do seu tempo ao trabalho.

A misantropia costuma aparecer desde logo durante a infância em crianças tímidas, introvertidas e caladas que têm dificuldades em fazer amigos, nomeadamente na escola, preferindo muitas vezes ficarem sozinhas. Com o passar dos anos, tendem a ser bastante sarcásticos/irónicos nas observações que fazem (pode-se dizer que em parte a grande timidez é disfarçada por estas duas características)têm uma interpretação muito própria de tudo aquilo que vêem e de tudo aquilo que lhes é dito pelas outras pessoas, sendo bastante observadores e atentos ao que os rodeia embora, muitas vezes, não o pareça. Um fato notável é que são muito inteligentes, tendem a resolver desafios e enigmas com muita facilidade, já que vivem de um raciocínio puramente lógico embora não se deixam ser percebido. Também tendem a ser disléxicos, porém não em todos os casos.

Uma das explicações mais consistentes para esta aversão social deriva do fato de darem bastante relevância aos aspectos negativos que constatam nas pessoas ou simplesmente terem medo que estas os desiludam, daí as evitam. Têm uma forte sensibilidade ficando extremamente afetados com tudo o que os rodeia (mesmo que muitas vezes não estejam envolvidos diretamente) daí ser muito fácil, ao longo da vida, passarem por várias depressões.

Expressões evidentes de misantropia são comuns em sátira e comédia, embora a intensa seja geralmente rara. Expressões mais sutis são mais comuns, especialmente para mostrar as faltas/falhas na humanidade e sociedade.

É muito importante salientar que o misantropo tem dificuldades em assumir essas características tanto para si mesmo quanto para as pessoas mais próximas. Raros são os casos em que eles refletem acerca da possibilidade da misantropia ser integrante real das suas vidas, costumando negar a existência desta em todos os casos.

PS: Ok, eu não vou resistir. Refutando o comentário, sem comentar sobre o péssimo português, escrever ignorãncia com ~ é o cúmulo da ignorância… especialmente em dias de corretor ortográfico e Wikipedia. E escrever “dominar o psicológico humano” eu não vou em comentar, basta procurar o que significa psicológico no dicionário.

Eu apenas espero que este caro amigo ateu misantropo não seja daqueles tipos terroristas, embora o seu raciocínio é muito parecido com o do Califa Omar que (em uma falsa história) queimou a Biblioteca de Alexandria:

Se estes livros estão em concordância com Richard Dawkins, então não temos necessidade deles; e se eles se opõe a Dawkins, então devemos destruí-los”…

Quanto a minha defesa de ser um religioso no armário: Read more [+]

“As Religiões que o Mundo Esqueceu” relata sacrifícios humanos

Achei curioso  este paragrafo:

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

 

Ou seja, definindo religiosidade nesta dimensão ampla, a religiosidade seria o contrário do ceticismo filosófico e do cinismo filosófico, e não do ateísmo. Em particular, se você gasta uma parte de sua vida, de seu tempo e recursos, em prol de uma causa, por exemplo o ateísmo militante, então você é uma pessoa religiosa (no sentido de “religare”, unir pessoas em prol de uma causa comum).

Mas se você, em vez de ser um ateu que acredita realmente em alguma coisa (por exemplo, acredita na causa do ateísmo), se você é apenas “atoa”, ou um cristão nominal (alguém que vai na igreja apenas por convenções sociais, casamento, batizado, missa de sétimo dia etc) por exemplo, então você não é religioso.

Nesse sentido, dado que ateus militantes e religiosos militantes são ambos “religiosos = religarosos” neste sentido amplo, e dado que sua militância pode ter pontos em comum (por exemplo, combater o fundamentalismo de direita, construir uma sociedade econômica-ecologicamente sustentável no longo prazo, defender os direitos humanos e direitos dos animais etc), então claramente é possível haver uma colaboração ativa entre esses dois grupos. Já um ateu hedonista e atoa, sem consciência e ação política, que não luta por nada e não acredita em nada (nem no ateísmo), estará mais longe do ateu militante que o religioso militante, e estará mais próximo do religioso hedonista, sem consciência e ação política, o religioso atoa…

da Livraria da Folha

O que pensam os homens quando matam em nome de uma crença? Em Cartago, durante a antiguidade, por exemplo, cultuava-se uma divindade conhecida como Baal Moloch (Molekh ou Moleque). O culto do deus era feito por meio de uma grande estátua de bronze, cujo ventre oco servia de forno para sacrifício. Pais abandonavam os filhos dentro da barriga incandescente do ídolo com o intento de alcançar dádivas ou evitar desgraças.

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Com o contexto da época em que as religiões eram praticadas
Apresenta o contexto da época em que as religiões eram praticadas

Os gritos e mantras dos sacerdotes eram usados para abafar as súplicas das crianças. Contudo, é correto afirmar que a maioria dos relatos sobre os cruéis sacrifícios foram produzidos pelo povo romano, inimigo confesso dos cartagineses.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”, com textos organizados pelo arqueólogo Pedro Paulo Funari, dedica-se a alguns dos mais interessantes pensamentos míticos que deixaram de existir ou quase desapareceram.

Curiosidades históricas são pesquisadas, analisadas e escritas por especialistas, –com os principais ritos e crenças–, que convidam o leitor a entrar nos domínios de deuses tão diversos como El, Odin, Zeus e Huitzilopochtli.

O volume é um registros de dezenas de milhares de anos que retratam a fé. Abaixo, leia um trecho do exemplar.

Visite a estante dedicada à religião

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Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. Animais comunicam-se entre si, por meio de sons, e o podem fazer de maneira impressionante: a “linguagem” das baleias é um exemplo que causa admiração em quem já ouviu a “conversa”. Os pássaros também o fazem, com canções que podem encantar. O uso de artefatos, que já foi considerado apanágio do ser humano, tampouco se revelou único. Hoje sabemos que diversos tipos de macacos utilizam-se de objetos como ferramentas. Não há evidências, contudo, de que qualquer outro animal seja movido por preocupações religiosas, como o ser humano é desde os seus primórdios. Os mais antigos registros da humanidade, de dezenas de milhares de anos, retratam a religiosidade, esse sentimento íntimo dos primitivos seres humanos. Nas cavernas, encontramos pinturas que retratam cerimônias religiosas: são pessoas que participam de atividades xamânicas, são pajés, são imagens que procuram facilitar a caça, ou favorecer a fertilidade de plantas, animais e humanos. Gravuras às margens de rios retratam a crença na força sobrenatural das águas. O enterramento dos mortos marca, de forma clara e definitiva, a crença nos espíritos dos antepassados. A humanidade, nesse sentido, pode ser definida como aquela parte do reino animal que se caracteriza pela religiosidade.

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

As manifestações religiosas são, pois, tão múltiplas e variadas como é diverso o ser humano, em suas inúmeras culturas, do presente e do passado. A grande riqueza humana consiste, precisamente, nessa diversidade. Este livro dedica-se a algumas das mais interessantes e inspiradoras experiências religiosas da humanidade que deixaram de existir ou quase desapareceram.

As religiões que o mundo esqueceu constituem um tesouro: um manancial de práticas, sentimentos e interpretações do mundo. Algumas delas formam parte de nosso repertório cultural e penetraram, às vezes de forma profunda, mas despercebida, nas nossas próprias concepções e sentimentos. As religiões dos sumérios, egípcios, gregos e romanos são exemplos claros disso, mas outras religiosidades menos frequentadas, como o zoroastrismo e o gnosticismo, também entram nessa categoria. São maneiras particulares de encarar o divino, diversas entre si e das nossas, mas nelas reconhecemos muito do nosso próprio manancial cultural e religioso. Ressoam entre nós o Dilúvio sumério, a alma (ka) egípcia, o complexo de Édipo grego, o apego ritual romano, o dualismo entre bem e mal persa e os segredos religiosos do gnosticismo.

Outras muitas concepções e práticas destacam-se pela radical diferença. As percepções indígenas americanas sobressaem, nesse sentido, como interpretações do mundo em tudo originais. Outras tantas experiências religiosas apresentam-se como distantes e próximas a um só tempo. As práticas cristãs desaparecidas, como as arianistas e as albigenses, nos são compreensíveis, mas originais e únicas, assim como as religiões celta e viking. O que todas têm em comum é sua beleza e seu fascínio. Ao nos embalarmos no relato de cada uma delas, de forma quase onírica, é como se sonhássemos e nos transportássemos a outras épocas e outros sentimentos, tão próximos e tão distantes, que tanto nos podem tocar. Aquilo que nos caracteriza como humanos, nossa espiritualidade, encontra em cada capítulo uma satisfação e uma atração únicas.

Esta obra visa a introduzir o público geral nesse mundo fascinante e, por isso, cada capítulo apresenta um panorama geral, em linguagem clara e direta, sem jargões, de uma religião desaparecida (ou quase). São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas, ao sugerirem alguns títulos de aprofundamento sobre cada tema. Aceito o convite, o leitor encontrará não apenas um pouco da humanidade, em sua diversidade, mas também se deparará com facetas insuspeitadas de seus próprios sentimentos e emoções.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”
Organizador: Pedro Paulo Funari
Editora: Editora Contexto
Páginas: 224
Quanto: R$ 31,20 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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Ciência, Política, Religião e o Prêmio Templeton

Richard Dawkins declara que Martin Rees é um traidor da Ciência. Fico pensando sobre o que essa afirmativa deveria significar na prática. Isso significaria que Martin Rees deveria ser banido da Royal Society? Dado que é um traidor, deveria ter seus papers rejeitados pelos revisores das revistas científicas? Exatamente o que significa ser “um traidor da Ciencia” e que penalidades a comunidade científica deveria dar aos seus traidores? Ostracismo? Ignorá-los?

Martin Rees ignorou o comentário de Dawkins e não se deu ao trabalho de responder…risos.

Minha critica fundamental a Dawkins é que ele está se tornando o Inquisidor da Ciência: sua militância ideológica que viola o princípio da cordialidade acadêmica e científica tem tido resultados ambíguos: se fortaleceu o secularismo, por outro lado polarizou a sociedade, iniciou uma guerra cultural onde os ateus não tem condições objetivas de ganhar, criou antipatia pela Ciência e ajudou os Think Tank criacionistas a encherem os cofres de doações a fim de combater um inimigo visível e facilmente demonizável (afinal, na sociedade americana, ateu = comunista).

Imagino que ele, se vivesse na década de 50, não aceitaria a teoria do Big Bang proposta por Lemaitre pelo fato de que tal astronomo era um padre e a idéia do Big Bang era tida como inspirada no mito cristão. Ou seja, Dawkins sistematicamente usa a falácia da “agenda escondida”, ou seja, discutir o mérito de uma teoria científica ou de um argumento filosófico ou político a partir da rotulagem ideológica do emissor da opinião, e não pelo exame dos méritos da mesma. Ou seja, por exemplo, eu imagino que ele, em vez de discutir seriamente o argumento do filósofo analítico Alvon Platinga, ele apenas ignoraria o argumento dizendo que Platinga é cristão. Bom, isso é apenas uma ação espelhada dos fundamentalistas criacionistas que dizem que tudo o que Dawkins falar vem do Diabo e não vale a pena ser escutado…

 Platinga argumenta  que a origem evolucionária de nosso cérebro implica de que tal orgão produz muito mais auto-enganos e crenças erradas do que crenças verdadeiras – no sentido de Tarsky, suponho –  (e o renomado biólogo Robert Trivers, o verdadeiro criador do conceito de gene egoísta popularizado por Dawkins,  concordaria totalmente!) de modo que a idéia de que a ciência produzida por cérebros humanos pode atingir conhecimento confiável.

Engraçado que não é a primeira vez que um ateismo militante trouxe prejuizos à Ciencia. Fred Hoyle rejeitou a idéia do Ovo Cosmogônico do padre e astronomo Lemaitre, chamando-a sarcasticamente de Teoria do Big Bang…  Investiu em uma teoria que não tinha pé nem cabeça (Teoria do Estado Estacionário) que claramente não era viável pois postulava um universo eterno (a fim de evitar a tentação de se procurar um criador) que era incompatível com vários argumentos (Paradoxo de Olbers, Morte Térmica de um Universo Eterno etc) mesmo antes de se ter evidências positivas do Big Bang (radiação de fundo, proporção de Hidrogênio, Hélio e Lítio  primordiais, etc.). Um exemplo onde o ateismo, enquanto ideologia, infelizmente influenciou a dinâmica cientifica de forma negativa. Acho que é bem melhor a comunidade científica evitar posturas baseadas em ideologias militantes, quer religiosas quer seculares…

Do New York Times de hoje:

OXFORD, England —You walk out of a soft-falling rain into the living room of an Oxford don, with great walls of books, handsome art and, on the far side of the room, graceful windows onto a luxuriant garden.

Profiles in Science

Richard Dawkins

This is the second in an occasional series of articles and videos about leaders in science.

Related

Hazel Thompson for The New York Times

Richard Dawkins at the Oxford University Museum of Natural History

Does this man, arguably the world’s most influential evolutionary biologist [???? Eu pensei que era Robert Trivers!], spend most of his time here or in the field? Prof. Richard Dawkins smiles faintly. He did not find fame spending dusty days picking at shale in search of ancient trilobites. Nor has he traipsed the African bush charting the sex life of wildebeests.

He gets little charge from such exertions.

“My interest in biology was pretty much always on the philosophical side,” he says, listing the essential questions that drive him. “Why do we exist, why are we here, what is it all about?”

It is in no fashion to diminish Professor Dawkins, a youthful 70, to say that his greatest accomplishment has come as a profoundly original thinker, synthesizer and writer. His epiphanies follow on the heels of long sessions of reading and thought, and a bit of procrastination. He is an elegant stylist with a taste for metaphor. And he has a knack, a predisposition even, for assailing orthodoxy.

In his landmark 1976 book, “The Selfish Gene,” he looked at evolution through a novel lens: that of a gene. With this, he built on the work of fellow scientists and flipped the prevailing view of evolution and natural selection on its head.

He has written a string of best sellers, many detailing his view of evolution as progressing toward greater complexity. (His first children’s book, “The Magic of Reality,” appears this fall.) With an intellectual pugilist’s taste for the right cross, he rarely sidesteps debate, least of all with his fellow evolutionary biologists.

Although he is a political liberal, he has taken on more than a few leftists in his writings — particularly those who read his theory of genes as sanctioning rapacious and selfish behavior.

Of late he has taken up the cudgel for atheism, writing “The God Delusion,” an international best seller. When Martin Rees, Britain’s astronomer royal, recently accepted a prize from the John Templeton Foundation, which promotes a dialogue between science and religion, Professor Dawkins was unforgiving. Dr. Rees, he wrote, is a “compliant quisling,” a traitor to science. Dr. Rees declined to counterpunch.

Martin Rees

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

 

 

Martin John Rees
Astronomia, cosmologia e astrofísica
Martin Rees at Jodrell Bank in 2007.jpgNo Observatório Jodrell Bank, em 2007
 
 
Nacionalidade Reino Unido Britânica
 
Nascimento 23 de junho de 1942 (69 anos)
Local York Inglaterra
 
Actividade
Campo(s) Astronomia, cosmologia e astrofísica
Instituições Trinity College, Cambridge
Sussex University
Alma mater Trinity College, Cambridge
 
Orientador(es) Denis Sciama
Orientado(s) Roger Blandford
Jonathan McDowell
Conhecido(a) por Radiação cósmica de fundo
Quasars
Astrônomo Real Britânico
 
Prêmio(s) Prêmio Dannie Heineman de Astrofísica (1984), Medalha de Ouro da RAS (1987), Medalha Karl Schwarzschild (1989), Medalha Bruce (1993), Medalha Oskar Klein (2002), Albert Einstein World Award of Science (2003), Prêmio Michael Faraday (2004), Prêmio Crafoord (2005), Prêmio Templeton (2011)
Assinatura
 
 

Martin John Rees, o barão Rees de Ludlow (York, 23 de junho de 1942), é um cosmologista e astrofísico britânico.

Foi o presidente da Royal Society entre 2005 e 2010.[1]

Mestre (diretor eleito pelo corpo de Fellows e responsável pela administração do colégio) do Trinity College, Cambridge, desde 2004. Professor de cosmologia e astrofísica da Universidade de Cambridge e professor visitante da Universidade de Leicester e do Imperial College London. Foi promovido a Astrônomo Real Britânico em 1995 e foi designado para a Câmara dos Lordes em 2005 como membro independente (não pertence a nenhum partido).

[editar] Condecorações

[editar] Prêmios

[editar] Homenagens

[editar] Publicações

[editar] Língua portuguesa

[editar] Língua espanhola

[editar] Língua inglesa

  • Cosmic Coincidences: Dark Matter, Mankind, and Anthropic Cosmology (co-autor John Gribbin), 1989, Bantam, ISBN 0-553-34740-3
  • New Perspectives in Astrophysical Cosmology, 1995, ISBN 0-521-64544-1
  • Gravity’s Fatal Attraction: Black Holes in the Universe, 1995, ISBN 0-7167-6029-0
  • Before the Beginning – Our Universe and Others, 1997, ISBN 0-7382-0033-6
  • Just Six Numbers: The Deep Forces That Shape the Universe, 2000, ISBN 0-465-03673-2
  • Our Cosmic Habitat, 2001, ISBN 0-691-11477-3
  • The Illustrated Encyclopedia of the Universe com Ian Ridpath, 2001, Watson-Guptill, ISBN 0-823-02512-8
  • Our Final Hour: A Scientist’s Warning: How Terror, Error, and Environmental Disaster Threaten Humankind’s Future In This Century–On Earth and Beyond (UK title: Our Final Century: Will the Human Race Survive the Twenty-first Century?), 2003, ISBN 0-465-06862-6

Referências

  1. President’s Anniversary Address (em inglês). The Royal Society. Página visitada em 18 de abril de 2008.
  2. Martin Rees wins controversial £1m Templeton prize (em inglês). Página visitada em 11 de abril de 2011

[editar] Ligações externas

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Precedido por
Arnold Wolfendale
Astrônomo Real Britânico
1995atualidade
Sucedido por
Precedido por
Robert May
Presidentes da Royal Society
20052010
Sucedido por
Paul Nurse

 

 
 Astrônomos Reais
1675 John Flamsteed · 1720 Edmond Halley · 1742 James Bradley · 1762 Nathaniel Bliss · 1765 Nevil Maskelyne · 1811 John Pond · 1835 George Biddell Airy · 1881 William Christie · 1910 Frank Dyson · 1933 Harold Spencer Jones · 1956 Richard van der Riet Woolley · 1972 Martin Ryle · 1982 Francis Graham-Smith · 1991 Arnold Wolfendale · 1995 Martin Rees
 
 Medalha de Ouro da Royal Astronomical Society (1824 – 2011)
Medalha de Prata 1824 Karl Rümker, Jean-Louis Pons • 1827 William Samuel Stratford, Col. Mark Beaufoy A medalha de ouro de Asaph Hall, 1879.
Medalha de
Reconhecimento (1848)
George Biddell Airy, John Couch Adams, Friedrich Wilhelm August Argelander, George Bishop, George Everest, John Herschel, Peter Andreas Hansen, Karl Ludwig Hencke, John Russell Hind, Urbain Le Verrier, John William Lubbock, Maxmilian Weisse
Medalha de Ouro 1824 Charles Babbage, Johann Franz Encke 1826 John Herschel, James South, Wilhelm Struve 1827 Francis Baily 1828 Thomas Brisbane, James Dunlop, Caroline Herschel 1829 William Pearson, Friedrich Wilhelm Bessel, Heinrich Christian Schumacher 1830 William Richardson, Johann Franz Encke 1831 Henry Kater, Marie-Charles Damoiseau 1833 George Biddell Airy 1835 Manuel John Johnson 1836 John Herschel 1837 Otto August Rosenberger 1839 John Wrottesley 1840 Giovanni Plana 1841 Friedrich Wilhelm Bessel 1842 Peter Andreas Hansen 1843 Francis Baily 1845 Captain William Henry Smyth 1846 George Biddell Airy 1849 William Lassell 1850 Otto Wilhelm von Struve 1851 Annibale de Gasparis 1852 Christian August Friedrich Peters 1853 John Russell Hind 1854 Karl Rümker 1855 William Rutter Dawes 1856 Robert Grant 1857 Samuel Heinrich Schwabe 1858 Robert Main 1859 Richard Christopher Carrington 1860 Peter Andreas Hansen 1861 Hermann Mayer Salomon Goldschmidt 1862 Warren De La Rue 1863 Friedrich Wilhelm August Argelander 1865 George Phillips Bond 1866 John Couch Adams 1867 William Huggins, William Allen Miller 1868 Urbain Le Verrier 1869 Edward James Stone 1870 Charles-Eugène Delaunay 1872 Giovanni Schiaparelli 1874 Simon Newcomb 1875 Heinrich Louis d’Arrest 1876 Urbain Le Verrier 1878 Ercole Dembowski 1879 Asaph Hall 1881 Axel Möller 1882 David Gill 1883 Benjamin Apthorp Gould 1884 Andrew Ainslie Common 1885 William Huggins 1886 Edward Charles Pickering, Charles Pritchard 1887 George William Hill 1888 Arthur Auwers 1889 Maurice Loewy 1892 George Darwin 1893 Hermann Carl Vogel 1894 Sherburne Wesley Burnham 1895 Isaac Roberts 1896 Seth Carlo Chandler 1897 Edward Barnard 1898 William Frederick Denning 1899 Frank McClean 1900 Henri Poincaré 1901 Edward Charles Pickering 1902 Jacobus Kapteyn 1903 Hermann Struve 1904 George Ellery Hale 1905 Lewis Boss 1906 William Wallace Campbell 1907 Ernest William Brown 1908 David Gill 1909 Oskar Backlund 1910 Karl Friedrich Küstner 1911 Philip Herbert Cowell 1912 Arthur Robert Hinks 1913 Henri-Alexandre Deslandres 1914 Max Wolf 1915 Alfred Fowler 1916 John Dreyer 1917 Walter Sydney Adams 1918 John Evershed 1919 Guillaume Bigourdan 1921 Henry Norris Russell 1922 James Hopwood Jeans 1923 Albert Abraham Michelson 1924 Arthur Stanley Eddington 1925 Frank Dyson 1926 Albert Einstein 1927 Frank Schlesinger 1928 Ralph Allen Sampson 1929 Ejnar Hertzsprung 1930 John Stanley Plaskett 1931 Willem de Sitter 1932 Robert Grant Aitken 1933 Vesto Melvin Slipher 1934 Harlow Shapley 1935 Edward Arthur Milne 1936 Hisashi Kimura 1937 Harold Jeffreys 1938 William Hammond Wright 1939 Bernard Lyot 1940 Edwin Powell Hubble 1943 Harold Spencer Jones 1944 Otto Struve 1945 Bengt Edlén 1946 Jan Hendrik Oort 1947 Marcel Minnaert 1948 Bertil Lindblad 1949 Sydney Chapman 1950 Joel Stebbins 1951 Anton Pannekoek 1952 John Jackson 1953 Subrahmanyan Chandrasekhar 1954 Walter Baade 1955 Dirk Brouwer 1956 Thomas George Cowling 1957 Albrecht Unsöld 1958 André-Louis Danjon 1959 Raymond Arthur Lyttleton 1960 Viktor Ambartsumian 1961 Herman Zanstra 1962 Bengt Strömgren 1963 Harry Hemley Plaskett 1964 Martin Ryle, William Maurice Ewing 1965 Edward Bullard, Gerald Maurice Clemence 1966 Ira Sprague Bowen, Harold Clayton Urey 1967 Hannes Alfvén, Allan Rex Sandage 1968 Fred Hoyle, Walter Munk 1969 Albert Thomas Price, Martin Schwarzschild 1970 Horace Welcome Babcock 1971 Frank Press, Richard van der Riet Woolley 1972 Hal Thirlaway, Fritz Zwicky 1973 Francis Birch, Edwin Ernest Salpeter 1974 Ludwig Biermann, Keith Edward Bullen 1975 Jesse Leonard Greenstein, Ernst Öpik 1976 William McCrea, John Ashworth Ratcliffe 1977 D. R. Bates, John Gatenby Bolton 1978 Lyman Spitzer, James van Allen 1979 Leon Knopoff, Charles Gorrie Wynne 1980 Chaim Leib Pekeris, Maarten Schmidt 1981 J. F. Gilbert, Bernard Lovell 1982 Riccardo Giacconi, Harrie Massey 1983 Michael J. Seaton, Fred Whipple 1984 Stanley Keith Runcorn, Jakov Seldovich 1985 Thomas Gold, Stephen Hawking 1986 George E. Backus, Alexander Dalgarno 1987 Takeshi Nagata, Martin Rees 1988 Don Lorraine Anderson, Cornelis de Jager 1989 Raymond Hide, Ken Pounds 1990 James W. Dungey, Bernard Pagel 1991 Vitaly Ginzburg, Gerald Joseph Wasserburg 1992 Dan Peter McKenzie, Eugene Parker 1993 Peter Goldreich, Donald Lynden-Bell 1994 James Gunn, Thomas R. Kaiser 1995 John Houghton, Rashid Sunyaev 1996 K. Creer, Vera Rubin 1997 D. Farley, Donald Osterbrock 1998 Robert Ladislav Parker, James Peebles 1999 Kenneth Budden, Bohdan Paczyński 2000 Leon Lucy, Robert Hutchinson 2001 Hermann Bondi, Henry Rishbeth 2002 Leon Mestel, John Arthur Jacobs 2003 John Norris Bahcall, David Gubbins 2004 Jeremiah Paul Ostriker, Grenville Turner 2005 Margaret Burbidge, Geoffrey Burbidge, Carole Jordan 2006 Simon White, S. W. H. Cowley 2007 J. Leonard Culhane, Nigel Weiss 2008 Joseph Silk, Brian Kennett 2009 David Williams, Eric Priest 2010 Douglas Gough, John Woodhouse 2011 Richard Ellis, Eberhard Gruen
 
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v • e

Medalha Oskar Klein (1988 — 2010)

1988: Chen Ning Yang · 1989: Steven Weinberg · 1990: Hans Bethe · 1991: Alan Guth · 1992: John Archibald Wheeler · 1993: Tsung-Dao Lee · 1994: The Oskar Klein Centenary Symposium, 19 a 21 de setembro de 1994 · 1995: Nathan Seiberg · 1996: Alexander Polyakov · 1997: James Peebles · 1998: Edward Witten · 1999: Gerardus ‘t Hooft · 2000: David Gross · 2001: Andrei Linde · 2002: Martin Rees · 2003: Stephen Hawking · 2004: Pierre Ramond · 2005: Yoichiro Nambu · 2006: Viatcheslav Mukhanov · 2007: Gabriele Veneziano · 2008: Helen Quinn · 2009: Peter Higgs · 2010: Alexei Starobinsky
 
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v • e

Presidentes da Royal Society

Século XVII

1660–1662: Robert Moray • 1662–1677: William Brouncker • 1677–1680: Joseph Williamson • 1680–1682: Christopher Wren • 1682–1683: John Hoskins • 1683–1684: Cyril Wyche • 1684–1686: Samuel Pepys • 1686–1689: John Vaughan • 1689–1690: Thomas Herbert • 1690–1695: Robert Southwell • 1695–1698: Charles Montagu

Século XVIII

1698–1703: John Somers • 1703–1727: Isaac Newton • 1727–1741: Hans Sloane • 1741–1752: Martin Folkes • 1752–1764: George Parker • 1764–1768: James Douglas • 1768: James Burrow • 1768–1772: James West • 1772: James Burrow • 1772–1778: John Pringle

Século XIX

1778–1820: Joseph Banks • 1820: William Hyde Wollaston • 1820–1827: Humphry Davy • 1827–1830: Davies Gilbert • 1830–1838: Príncipe Augustus Frederick • 1838–1848: Joshua Alwyne Compton • 1848–1854: William Parsons • 1854–1858: John Wrottesley • 1858–1861: Benjamin Collins Brodie • 1861–1871: Edward Sabine • 1871–1873: George Biddell Airy • 1873–1878: Joseph Dalton Hooker • 1878–1883: William Spottiswoode • 1883–1885: Thomas Henry Huxley • 1885–1890: George Gabriel Stokes • 1890–1895: William Thomson • 1895–1900: Joseph Lister

Século XX

1900–1905: William Huggins • 1905–1908: John William Strutt • 1908–1913: Archibald Geikie • 1913–1915: William Crookes • 1915–1920: Joseph John Thomson • 1920–1925: Charles Scott Sherrington • 1925–1930: Ernest Rutherford • 1930–1935: Frederick Gowland Hopkins • 1935–1940: William Henry Bragg • 1940–1945: Henry Hallett Dale • 1945–1950: Robert Robinson • 1950–1955: Edgar Douglas Adrian • 1955–1960: Cyril Norman Hinshelwood • 1960–1965: Howard Walter Florey • 1965–1970: Patrick Maynard Stuart Blackett • 1970–1975: Alan Hodgkin • 1975–1980: Alexander Todd • 1980–1985: Andrew Huxley • 1985–1990: George Porter • 1990–1995: Michael Atiyah • 1995–2000: Aaron Klug

Século XXI

2000–2005: Robert May • 2005–2010: Martin Rees • 2010–2015: Paul Nurse

 
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v • e

Prêmio Templeton

1973: Madre Teresa de Calcutá · 1974: Roger Schütz · 1975: Sarvepalli Radhakrishnan · 1976: Leo-Jozef Suenens · 1977: Chiara Lubich · 1978: Thomas Torrance · 1979: Nikkyo Niwano · 1980: Ralph Wendell Burhoe · 1981: Cicely Saunders · 1982: Billy Graham · 1983: Alexander Soljenítsin · 1984: Michael Bourdeaux · 1985: Alister Hardy · 1986: James I. McCord · 1987: Stanley Jaki · 1988: Inamullah Khan · 1989: Carl Friedrich von Weizsäcker, James I. McCord · 1990: Baba Amte, Charles Birch · 1991: Immanuel Jakobovits · 1992: Kyung-Chik Han · 1993: Charles Colson · 1994: Michael Novak · 1995: Paul Davies · 1996: Bill Bright · 1997: Pandurang Shastri Athavale · 1998: Sigmund Sternberg · 1999: Ian Barbour · 2000: Freeman Dyson · 2001: Arthur Peacocke · 2002: John Polkinghorne · 2003: Holmes Rolston III · 2004: George F. R. Ellis · 2005: Charles Townes · 2006: John D. Barrow · 2007: Charles Taylor · 2008: Michał Heller · 2009: Bernard d’Espagnat · 2010: Francisco José Ayala · 2011: Martin Rees

Richard Dawkins

 

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

 

 

 

 

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Richard Dawkins
Etólogo e biólogo evolutivo
Richard Dawkins Cooper Union Shankbone.jpgNova Iorque, 2010
 
Dados gerais
Nome de nascimento Clinton Richard Dawkins
Nacionalidade Britânica
Residência Oxford, Inglaterra
 
Nascimento 26 de março de 1941 (70 anos)
Local Nairobi, Quênia
 
Actividade
Campo(s) Etólogo e biólogo evolutivo
Instituições Universidade de Berkeley
Universidade de Oxford
New College, Oxford
Alma mater Balliol College
Conhecido(a) por Publicação “O Gene Egoísta
Introduzir o conceito meme
Defensor do ateísmo e do racionalismo
Crítico da religião
 
Prêmio(s) Medalha de prata da Sociedade Zoológica de Londres (1989), Prêmio Michael Faraday (1990)
Prêmio Kistler (2001)
Assinatura
 
 

Clinton Richard Dawkins (Nairobi, 26 de março de 1941) é um eminente zoólogo, etólogo, evolucionista e popular escritor de divulgação científica britânico, natural do Quênia, além de ex-professor da Universidade de Oxford.

Dawkins é conhecido principalmente pela sua visão evolucionista centrada no gene, exposta em seu livro O Gene Egoísta, publicado em 1976. O livro também introduz o termo “meme“, o que ajudou na criação da memética. Em 1982, ele realizou uma grande contribuição à ciência da evolução com a teoria, apresentada em seu livro O Fenótipo Estendido, de que o efeito fenotípico não se limita ao corpo de um organismo, mas sim de que o efeito influencia no ambiente em que vive este organismo. Desde então escreveu outros livros sobre evolução e apareceu em vários programas de televisão e rádio para falar de temas como biologia evolutiva, criacionismo e religião.

Dawkins também é famoso por sua defesa e divulgação de correntes como o ateísmo, ceticismo e humanismo. Também é um entusiasta do movimento bright e, como comentador de ciência, religião e política, um dos maiores intelectuais conhecidos no mundo.[1] Esses assuntos são retratados em Deus, um delírio, livro de sua autoria que se tornou best-seller em várias partes do mundo. Através de diversos fatos científicos, Dawkins nos mostra sua ideia da inexistência de Deus. Em enquete realizada pela revista Prospect em 2005, sobre os maiores intelectuais da atualidade, Richard Dawkins ficou com a terceira posição, atrás somente de Umberto Eco e Noam Chomsky.

Por sua intransigente defesa à teoria de Darwin, recebeu o apelido de “rottweiler de Darwin” (Darwin’s rottweiler), em alusão ao apelido de Thomas H. Huxley, que era chamado de “buldogue de Darwin” (Darwin’s bulldog).

[editar] Biografia

Cquote1.svg O mundo e o universo são lugares extremamente belos, e quanto mais os compreendemos mais belos eles parecem. Cquote2.svg

Richard Dawkins

Dawkins em março de 2005, Bransgore.

Clinton Richard Dawkins nasceu em 26 de março de 1941 na capital do Quênia, Nairobi, onde seu pai, Clinton John Dawkins, era um fazendeiro que, por causa da Segunda Guerra Mundial, foi chamado para servir em Malawi ao lado Forças Aliadas, mudando-se então da Inglaterra para o Quênia. Apesar de seu pai ter sido convocado para servir na guerra, ele foi criado no leste da África até 1949, quando finalmente mudou-se com a família para a Inglaterra. De 1959 a 1962, Dawkins trabalhou como estagiário de zoologia no Balliol College, em Oxford, onde foi influenciado pelas ideias do biólogo dinamarquês Nikolaas Tinbergen. Tinbergen, autor de The Study of Instinct (1951), foi um dos primeiros biólogos a explorar a natureza do comportamento animal. Tal empenho fez surgir um novo ramo da ciência – a Etologia (Tinbergen acabou ganhando um prêmio Nobel em 1973 pelo seu estudo pioneiro do comportamento dos animais).

Dawkins formou-se em 1962 e partiu para o doutorado sob a direção de Tinbergen, quando então desenvolveu um bom relacionamento com seu tutor. Logo depois, Dawkins foi agraciado com o título de professor assistente de Zoologia na Universidade da Califórnia, em Berkeley (19671969). Voltou para Oxford como auxiliar de ensino em Zoologia, e, algum tempo depois, ganhou o título de membro do New College.

Em 1997 Dawkins ganhou o International Cosmos Prize e em 2001, o prêmio Kistler, no mesmo ano em que foi eleito membro da Royal Society. Em 2005 encabeçou a lista da revista Prospect, de orientação esquerdista, como o maior intelectual britânico, recebendo mais do que o dobro dos votos do vice-colocado.

Em 2005 a organização alemã Alfred Toepfer Stiftung concedeu-lhe o prêmio Shakespeare, em reconhecimento a sua “apresentação concisa e acessível do conhecimento científico”.

Além de sua carreira acadêmica, Richard Dawkins também é um intelectual polêmico, com colunas publicadas em jornais britânicos como o The Guardian. Suas opiniões estão geralmente voltadas para o papel da religião na sociedade, o qual Dawkins gostaria de ver diminuído.[1] Ele também é um divulgador da ciência e do pensamento científico, defendendo sempre que a escola (e a sociedade em geral) deveria dar mais atenção a esses aspectos.

[editar] Trabalho

Falando em Reykjavík, 2006.

Foi durante os estudos em Oxford que Dawkins desenvolveu as principais linhas de trabalho que norteiam seu ponto de vista científico. Ele é frequentemente citado pela expressão “máquina de sobrevivência”, uma combinação de outras duas expressões de Tinbergen, “máquina de comportamento” e “equipamento para sobrevivência”, que sempre lhe vinham à cabeça quando lecionava em Oxford.

Dawkins deparou-se com o conceito de genes como unidades de seleção, por influência de W. D. Hamilton. Tradicionalmente a seleção natural é vista como um processo que seleciona os indivíduos mais adaptados; a visão centrada nos genes vai mais profundamente e entende isso como uma seleção indireta dos genes que determinam esse fenótipo mais adaptado nesses indivíduos. Dessa forma, a competição pelos recursos ambientais na seleção natural não se daria apenas entre indivíduos, entre diferentes genes possuídos por esses diferentes organismos. Esta ideia foi divulgada por Dawkins no seu livro de divulgação científica, “O Gene Egoísta“, que obteve um grande impacto na comunidade científica, o qual acabou associando fortemente seu nome e essa visão.[1]

Fotografia de Richard Dawkins durante uma conferência em Reykjavík, Islândia, em 24 de junho de 2006.

Dawkins acrescentou mais uma ideia àquela da seleção natural focada nos genes, e esta ideia foi a de existem “memes“, uma metáfora para caracteres da herança cultural com os genes estão da herança biológica. Estes memes são, portanto, ideias e costumes que podem se comunicar, cooperar e competir entre si. Genes e memes, de mais a mais, poderiam agir juntos influenciando a sobrevivência e, conseqüentemente, os caminhos da evolução dos organismos. Dawkins supôs que tanto os genes quanto os memes seriam eficientes, já que, de acordo com sua hipótese, são replicadores – são passados adiante (seja entre corpos ou entre mentes), através de suas cópias (nem sempre fiéis, o que permitiria mutações). Um meme pode ser um trecho de uma música (que “gruda” nas mentes de quem a ouve), ou mesmo uma religião (que seria considerada um conjunto de memes associados, um memeplexo).

Dawkins na 34ª conferência anual dos American Atheists, em 2008.

O desenvolvimento do conceito de replicador por Dawkins incluía a ideia de que é insensato pensar na evolução das aves sem reconhecer que elas fazem ninhos, e que é igualmente insensato considerar a evolução dos castores sem reconhecer a vital importância da habilidade herdada por eles em construir barragens e abrigos eficientes. Os organismos possivelmente são organizados para terem corpos e comportamentos determinados largamente pela sua herança genética e, também, nos casos de organismos mais sofisticados, organizados para explorar ou construir objetos úteis para sua sobrevivência, habilidade esta decorrente da herança genética.

Em biologia, a herança genética de um indivíduo é chamada genótipo, enquanto a aparência física é chamada fenótipo. Dawkins estabeleceu um postulado que associava organismo e artefato (objeto útil produzido pelo organismo) ligado ao código genético do organismo, chamando essa associação de fenótipo estendido. Dawkins levou adiante seu conceito de fenótipo estendido para além da associação organismo-artefato e abrangeu também a família do organismo, o seu grupo social e todos os instrumentos e ambientes criados pelo indivíduo e grupo. Sua hipótese pretende explicar muitos fenômenos como uma manifestação física do código genético do indivíduo, que age através do fenótipo estendido.

Cquote1.svg Para não acreditar na evolução você deve ser ignorante, estúpido ou insano.[2] Cquote2.svg

Richard Dawkins

[editar] Publicações

[editar] Livros

[editar] Documentários

[editar] Prêmios

  • Zoological Society of London Silver Medal (1989)
  • Prêmio Michael Faraday (1990)
  • Kistler Prize (2001)
  • Kelvin Medal (2002)

Referências

  1. a b c Texto Barbara Axt; Super Interessante (Agosto de 2007). O aitolá dos ateus. Página visitada em 19 de março de 2011. ““Meu grande sonho é a completa destruição de todas as religiões do mundo” […] Dawkins é considerado um dos mais importantes intelectuais do mundo e um dos mais famosos divulgadores de assuntos científicos. […] O Gene Egoísta, de 1976 … revolucionou a área de biologia evolutiva
09/08/2010 – 15h31

Homem precisa se enganar, diz biólogo

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Platão, Kant e… Trivers?

Se essa lista parece estranha, Steven Pinker, talvez o mais importante psicólogo contemporâneo, discorda.

O biólogo Robert Trivers, diz, é um dos grandes pensadores da história do Ocidente -provavelmente o único deles que é defensor da maconha, apaixonado pela Jamaica e entusiasta do grupo de radicais negros Panteras Negras (ainda que branco).

Adriano Vizoni/Folhapress
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP

A empolgação com o cientista se deve ao fato de que Trivers, quase sozinho, revolucionou a psicologia, ao propor, nos anos 1970, elos entre o comportamento humano e a teoria da evolução.

Trivers correlacionou, por exemplo, as diferenças entre o comportamento sexual masculino e o feminino ao fato de que homens investem menos em cada filho do que as mulheres (veja abaixo).

Seu tema de interesse atual é o autoengano. Ele defende que os humanos evoluíram para acreditar em mentiras que os façam se sentir melhor e que justifiquem suas atitudes.

O sujeito que, contra todas as evidências, acha que vai se recuperar de uma doença fatal, ou a mulher que se recusa a enxergar que o marido claramente a trai estão, então, apenas sendo humanos.

Apesar da aclamação atual, Trivers, 67, demorou para engrenar como cientista. Quando ainda era aluno da Universidade Harvard, ele trilhou um caminho impressionantemente torto.

WITTGENSTEIN DEMAIS

Tudo dava errado: tentou ser matemático, mas desistiu. Resolveu ser historiador, graduou-se em Harvard, mas ficou desanimado com os livros de história americana. Muita ‘autoglorificação’.

Quis então ser advogado, mas não pôde entrar na escola de direito porque teve um colapso mental (ficava lendo Wittgenstein noite adentro e não dormia quase nada) e acabou tendo de ser internado para tomar antipsicóticos.

  Editoria de Arte/Folhapress  

Quando estava se recuperando, conseguiu um emprego para escrever e ilustrar livros de ciências que seriam usados em escolas por alunos de ensino médio.

Os livros venderam bem menos que o esperado- desagradaram aos mais conservadores, porque incluíam animais fazendo sexo e ignoravam o criacionismo.

O trabalho, porém, serviu para despertar o gosto de Trivers pela biologia, e ele conseguiu ser doutorando de Ernst Mayr (1904-2005), um dos principais teóricos evolutivos do século 20.

RENAS SIM, QUÍMICA NÃO

Mayr pediu que Trivers fizesse matérias na graduação. Ele preferiu usar o tempo para viajar e ver renas no Ártico.

Quando um comitê em Harvard percebeu a safadeza, quis que Trivers estudasse química orgânica. Ele disse que não havia motivo para preocupações: já estava até matriculado na disciplina.

Poucas horas depois de sair da reunião, vendeu o seu livro de química orgânica e queimou as peças de plástico que os alunos usavam para simular moléculas.

Apesar da rebeldia, os trabalhos publicados pelo garoto logo chamaram a atenção. Seu ponto central: atitudes humanas poderiam ser explicadas pelo sucesso reprodutivo que trazem.

Desavenças em Harvard (leia à direita) fizeram que, em 1978, Trivers saísse daquela universidade. Só voltaria quase 30 anos depois.

Nesse intervalo, exceto por alguns anos em Nova Jersey, Trivers alternou seus dias entre a Costa Oeste americana (era professor na Universidade da Califórnia em Santa Cruz) e sua grande paixão, a Jamaica.

Estudou os lagartos do país, mas isso era só um pretexto, conta. Ficou encantado mesmo com as mulheres jamaicanas -acabou se casando com duas delas (não ao mesmo tempo). Encontrou no país um paraíso: diz-se apaixonado pela cultura rastafári e por mulheres negras ou mestiças.

BLACK POWER

Nos anos 1980, na Califórnia, ele conheceu Huey Newton, líder dos Panteras Negras, grupo revolucionário americano que pregava que negros deveriam se armar para se defender.

Tornaram-se grandes amigos. Antes de ser assassinado, em 1989, Newton foi padrinho de uma das filhas de Trivers. Chegaram a escrever um trabalho científico sobre autoengano juntos -tema que interessava muito a Newton, diz Trivers. Esse se tornou, a partir dos anos 1990, o tópico favorito do biólogo.

Em paralelo, Trivers conduziu um estudo com crianças jamaicanas. Mapeou seus rostos em busca de imperceptíveis assimetrias e, depois, avaliou o quanto elas eram consideradas bonitas por outras crianças.

Viu que, em muitos casos, não é possível, a olho nu, dizer quem é mais simétrico, mas que o cérebro dos ‘jurados’ consegue fazer esse cálculo inconscientemente e apontar o mais simétrico como o mais bonito.

Enquanto não está pesquisando, uma das coisas que gosta de fazer na Jamaica é fumar maconha com conhecidos. É entusiasta do uso da erva e acha que não há motivo para não legalizá-la.

‘Fumo há décadas’, diz, enquanto dá uma pancadinha ‘carinhosa’ no interlocutor. Não consegue medir bem a força desses tapas, o que faz que, com o tempo, as pessoas ao seu redor fiquem condicionadas a fugir dos seus movimentos de mão.

Esteve pela primeira vez no Brasil no final de julho. Falou no encontro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e deu uma palestra na USP. Ao ser questionado se estava gostando do país, soltou: ‘Claro! Muitas mulheres bonitas!

 

Ciência, Religião e Alvin Plantinga

Blogger
Osame Kinouchi disse…

Pessoas,

Que discussao legal, posso fazer cut and paste pro meu blog ou tem copyright?

Marco, que tal usar o Perceptron para esclarecer as coisas aqui?

É obvio para quem conhece a questao do Perceptron (especialmente do Perceptron Binario) que existe apenas um unico perceptron aluno igual ao perceptron professor, mas infinitos perceptrons falsos (que diferem por 1 bit, dois bits etc) no limite termodinamico, claro!

Dado que mesmo a ideia de proximidade do professor atingivel por acumulo de seleção via exemplos nao é verdadeira no caso do perceprton binario, ou seja, dada a quebra de simetria de replicas e a presença de infinitas solucoes compativeis com um conjunto finito de exemplos, e que tais solucoes nao sao proximas mas sim espalhadas no espaco das regras… e chamando cada perceptron de uma crença ou teoria, teremos que nao ha convergencia para a teoria verdadeira (para exemplos com ruido, que nao permitem a transicao de fase para aprendizagem perfeita, OK?)

E lembremos que qualquer conjunto de exemplos (experimentos, fatos etc) necessariamente terá ruido no mundo natural.

Finalmente, dado que a aprendizagem do perceptron binario nao é factivel (é um problema NP completo) e dado que dificilmente um algoritmo genetico (evolucao dos perceptrons) poderia resolver um problema NP completo (na verdade, nao pode, nao é mesmo?) , m eparece que a teoria do perceptron binarico no cenario professor-aluno embasa de maneira matematica o argumento de Platininga?

Ou não?

Vc poderia traduzir o meu argumento para os leigos?

Osame

20 de setembro de 2011 18:09

Re: [Coletivo Ácido Cético] Novo comentário em Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV).

“Jorge A Quillfeldt – Depto. Biofísica, IB / UFRGS”
mostrar detalhes 18:18 (17 horas atrás)

Olá, Osame,

Sinta-se a vontade para repercutir o
debate como achar melhor. A idéia
é exatamente esta, e volta e meia a
gente também vai no teu blogue e
“chupa” um monte de material pre –
cioso.

Abração,

Jorge

Adicionando algum material ao debate, via WIKIPEDIA:

Evolutionary argument against naturalism

In Plantinga’s evolutionary argument against naturalism, he argues that the truth of evolution is an epistemic defeater for naturalism (i.e. if evolution is true, it undermines naturalism). His basic argument is that if evolution and naturalism are both true, human cognitive faculties evolved to produce beliefs that have survival value (maximizing one’s success at the four F’s: “feeding, fleeing, fighting, and reproducing”), not necessarily to produce beliefs that are true. Thus, since human cognitive faculties are tuned to survival rather than truth in the naturalism-cum-evolution model, there is reason to doubt the veracity of the products of those same faculties, including naturalism and evolution themselves. On the other hand, if God created man “in his image” by way of an evolutionary process (or any other means), then Plantinga argues our faculties would probably be reliable.

The argument does not assume any necessary correlation (or uncorrelation) between true beliefs and survival. Making the contrary assumption—that there is in fact a relatively strong correlation between truth and survival—if human belief-forming apparatus evolved giving a survival advantage, then it ought to yield truth since true beliefs confer a survival advantage. Plantinga counters that, while there may be overlap between true beliefs and beliefs that contribute to survival, the two kinds of beliefs are not the same, and he gives the following example with a man named Paul:

Perhaps Paul very much likes the idea of being eaten, but when he sees a tiger, always runs off looking for a better prospect, because he thinks it unlikely the tiger he sees will eat him. This will get his body parts in the right place so far as survival is concerned, without involving much by way of true belief… Or perhaps he thinks the tiger is a large, friendly, cuddly pussycat and wants to pet it; but he also believes that the best way to pet it is to run away from it… Clearly there are any number of belief-cum-desire systems that equally fit a given bit of behaviour.[34]

In a March 2010 article in the Chronicle of Higher Education, philosopher of science Michael Ruse claims that Plantinga is an “open enthusiast of intelligent design.”[40] In a letter to the editor, Plantinga has the following response:

Like any Christian (and indeed any theist), I believe that the world has been created by God, and hence “intelligently designed.” The hallmark of intelligent design, however, is the claim that this can be shown scientifically; I’m dubious about that. …As far as I can see, God certainly could have used Darwinian processes to create the living world and direct it as he wanted to go; hence evolution as such does not imply that there is no direction in the history of life. What does have that implication is not evolutionary theory itself, but unguided evolution, the idea that neither God nor any other person has taken a hand in guiding, directing or orchestrating the course of evolution. But the scientific theory of evolution, sensibly enough, says nothing one way or the other about divine guidance. It doesn’t say that evolution is divinely guided; it also doesn’t say that it isn’t. Like almost any theist, I reject unguided evolution; but the contemporary scientific theory of evolution just as such—apart from philosophical or theological add-ons—doesn’t say that evolution is unguided. Like science in general, it makes no pronouncements on the existence or activity of God.[41]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV)

Amanhã, terça, dia 30 de agosto de 2011, Alvin Plantinga apresentará seu famoso argumento teísta ao vivo em Porto Alegre. Quem quiser vir, será no auditório do Prédio 05 da PUCRS, às 14h, seguido de debate com três convidados, entre eles o admirável filósofo português Desidério Murcho (dêem uma espiada na sua bibliografia), frequentemente citado neste blogue.

Bem, já se passaram três meses desde que lançamos o “desafio Plantinga”, com o seu famoso argumento de que naturalismo (filosoficamente definido) e evolução (cientificamente embasada) são mutuamente contraditórios, logo a abordagem dos neoateus não se sustentaria. O original em inglês do texto debatido está aqui, mas leia também este aqui. Tivemos muita discussão aqui (Desafio I, II e III) e em várias listas nas quais participamos, e o debate chegou a propagar-se a outros blogs, se bem que não fomos nós os primeiros a comentar esse assunto.

O argumento de Plantinga tem repercutido na comunidade filosófica há um bom tempo, mesmo desde formulações anteriores apresentadas por ele, e muitos autores tentaram respondê-lo, com variado grau de sucesso. Esse debate, aliás, já rendeu vários simpósios e livros, como por exemplo, Science and Religion: Are They Compatible? (transcrição do debate entre Plantinga e Dennett) e Naturalism defeated? editado por James Beilby.

Prometemos aqui uma resposta que contemplasse a “provocação” feita, porém, sempre que começávamos a redigi-la, ficava grande ou dispersiva demais, fugindo ao ponto. Mas promessa é dívida! Aqui está – enfim – uma síntese de como se pode responder ao desafio sem cair em suas armadilhas. O texto foi escrito pelo colega do coletivo Carlos Miraglia, professor do Departamento de Filosofia da UFPel. Agrego um pequeno diagrama de por que vários dos argumentos apresentados, embora corretos factualmente e até logicamente consistentes (além de muito criativos), acabam caindo, assim mesmo, nas armadilhas categoriais que são o terreno escorregadio preferido de muitos filósofos. E vejam que não estamos falando de um metafísico delirante ou de um picareta despreparado qualquer, mas de um filósofo analítico muito respeitado na comunidade filosófica internacional.

Esse diagrama deve contemplar a maioria dos argumentos trazidos ao debate neste blogue, que ao enfocarem o tema no nível conceitual errado, não conseguiam atingir o coração do argumento: percebido isso, contudo, o construto de Plantinga desmorona como areia ao vento. É engenhoso e, pode-se até dizer, truculento, mas não é indestrutível. Esperamos que este debate, que a muitos irritou, tenha sido educativo e proveitoso: Mário Bunge define a filosofia como um conjunto de questões essencialmente… irritantes!

Se quiser ficar mais irritado ainda, decifre a imagem acima que selecionamos para ilustrar a matéria do Miraglia sobre os sapos metódicos. Boa leitura!

Sapos metódicos para Plantinga
Ou como identificar crenças verdadeiras seletivamente indispensáveis

Carlos A Miraglia, UFPel
28ago2011

Na década final do último milênio, o epistemólogo de renome, também conhecido como um expoente do pensamento cristão, Alvin Plantinga, apresentou um argumento supostamente decisivo contra as pretensões dos que vêem nas posturas naturalistas razões suficientes para a explicação da inteligência e a capacidade de conhecimento da espécie humana. O alvo principal do filósofo seria o pensamento materialista que dispensa qualquer explicação sobrenatural (especificamente, o Deus ocidental) para nossa atual condição biológica e cognitiva. Especialmente, que o modelo evolutivo lançado por Darwin daria conta da complexidade da vida e que a dimensão mental humana seria somente um efeito dessa complexidade.

Plantinga se opõe severamente a este positivismo científico. De fato, ele o julga estar contaminado de flagrante irracionalismo. Sua estratégia argumentativa foi mostrar que se assumir-mos a dinâmica seletiva estocástica do modelo darwinista, combinada com uma naturalismo sem restrições, não teremos motivos dignos para aceitar o nosso repertório de verdades sobre o mundo como minimamente seguro – mesmo as mais consagradas teorias, com amplo respaldo empírico. Em outras palavras, naturalismo, isto é, a idéia de que nossa capacidade de conhecimento está totalmente inscrita num mundo material, mais o processo da evolução por seleção natural, resultam num quadro cético. Seriam, portanto, visões epistemicamente incompatíveis, segundo ele. O ponto chave está na afirmação de que, da perspectiva evolutiva darwinista, é completamente irrelevante se as crenças promotoras de nossas ações ou escolhas são verdadeiras ou falsas. Importa apenas que elas garantam a sobrevivência e, conseqüentemente, maiores chances para a reprodução. Sendo assim, poderíamos estar num mundo onde todas nossas crenças sejam falsas.

O desafio de Plantinga provocou imediato desconforto e muitas críticas tentaram desarmar sua inconveniente conclusão. Desde as que apontam uma suposta contradição interna, pois se ele estiver certo quanto a origem insegura da verdade de nosso conhecimento pela evolução, então sua tese também é indecidível (recurso improcedente, pois ele não admite serem nossas crenças verdadeiras produtos da evolução), até aquelas que apelam para a reivindicação de todo o cabedal das evidências empíricas contemporâneas que corroboram a tese evolutiva e outras fatias da realidade pertinentes. Esquecem-se, contudo, que alegações dessa espécie, caem imediatamente na armadilha do filósofo americano. Pois se nosso aparato cognitivo, responsável pela aquisição das evidencias relevantes, é produto de um organismo que se guia apenas pela eficácia adaptativa, então, por mais intricadas e expressivas que elas sejam, não serão de fato confiáveis.

Também penso serem equivocadas as críticas que apelam a erros nas estimativas proba-bilísticas. A dificuldade está em que a argumentação foi legitimamente montada de forma que o cálculo pessimista seja um componente inevitável. Mesmo que a exatidão formal de Plantinga seja questionável, é certo que ocorre uma assimetria numérica inegável entre crenças verdadeiras e falsas. Para cada uma das primeiras que correspondam fatos, existe, para as últimas, uma infinidade de declarações não verdadeiras possíveis. Se for verdadeiro que a rosa é vermelha, será falso que ela tenha qualquer uma das graduações cromáticas (e respectivas proposições) de amarelo, azul, verde etc. O campo do falso é mais vasto do que o do verdadeiro, e qualquer procedimento de escolha arbitrária no conjunto de crenças possíveis terá muito mais chances de obter aquelas que são falsas. E mesmo as crenças que sabemos corresponder ao real (por exemplo, ser a lua um satélite da Terra), num puro jogo probabilístico aleatório, seriam verdades extremamente improváveis de serem obtidas. Efetivamente a questão central não é empírico-matemática, mas lógico-conceitual.

Levando isso em conta, pretendo mostrar que, apesar das sérias limitações impostas por Plantinga em sua argumentação, assumir a tese da indiferença da seleção natural com relação à verdade de nossas crenças não implica na impossibilidade de podermos identificá-las como conhecimento. (a menos que, de saída, incorporemos um tipo de ceticismo radical, mas isso comprometeria, desde já, a inteligibilidade de seu próprio argumento). O ponto epistêmico central é que, segundo ele, aceitando o modelo adaptativo por seleção, não teremos nenhum meio garantido para determinar a verdade de nossas crenças. Contudo, penso que mesmo sendo nosso comportamento guiado por crenças falsas é possível, por meios meramente seletivos, isolar a verdade da falsidade.

Plantinga ilustra sua justificação com uma situação extravagante, mas, logicamente veros-símil. A de um sapo que come moscas acreditando que vai virar um príncipe e, com efeito, garante sua subsistência. Gostaria de levar adiante sua brincadeira mais longe, e explorar outras conseqüências aceitáveis. Antes, contudo, algumas advertências serão necessárias.

Em primeiro lugar, as considerações de Plantinga estão imersas num respeitável e amplo programa epistemológico que não detalharemos aqui. De certo modo ele tenta reabilitar, com importantes modificações técnicas, a visão clássica de conhecimento chamada de fundacionalismo. Num resumo rápido, é a visão de que o conhecimento está estruturado em fatos enraizados em verdades necessárias, ou seja, verdades que condicionam tais fatos. Acredito que se assumirmos uma noção epistêmica no estilo fundacional, mesmo não sendo ortodoxa como a alternativa de Plantinga (o seu “indiciarismo”), podemos encontrar o ceticismo por ele sugerido se excluirmos a existência Deus (de fato, uma variação da famosa proposta de Descartes). Mas esta tese não precisa ser assumida no desafio tratado aqui. Qualquer tipo de fundacionalismo empírico já sabemos ser francamente problemático. Talvez ele não seja necessário para demarcarmos a verdade – em sua formulação ortodoxa, a “garantia de certezas infalíveis” (pretensão há muito abdicada por quem faz ciência). Neste último caso, Deus seria, sim, inevitável. Mas isto é outra história, aparecendo como o matiz teológico da solução de Plantinga. O que pretendo fazer é mostrar que o problema não precisa surgir, isto é, eficácia adaptativa mais improbabilidade do verdadeiro (o que admito) não implicam em ceticismo. Para evitar a prolixidade, seguindo o estilo de Plantinga, tomarei como referencia de discussão apenas o que esta exposto no seu pequeno texto popular encontrado na Web, Evolution vs. Naturalism why they are like oil and water. Finalmene duas pequenas recomendações técnicas: cabe salientar que o problema de Plantinga surge a partir da adoção de uma perspectiva realista. Ou seja, existe um mundo independente de nós capaz de ser representado por crenças, cuja a dinâmica biológica é regrada pela luta da sobrevivência. A dificuldade esta em não sabermos quais crenças são verdadeiras se nosso aparato cognitivo for exclusivamente fruto da evolução por seleção natural. Igualmente adotarei outra tese implícita (e também questionável) de que crenças são transmitidas sem alterações às próximas gerações. Começarei com um exemplo e passarei depois às explicações.

Se pensarmos um sapo a La Robinson Crusoé, como o sugerido no texto de Plantinga, é bastante fácil aceitar as suas conclusões. Existe uma infinidade de crenças que podem incentivar o ato de captura de moscas. E como há muito mais crenças falsas que verdadeiras a respeito da mosca e os reais benefícios que seu consumo vai gerar é, de fato, mais provável que se adotem crenças falsas.

Vamos, contudo, cogitar que o sapo não esteja sozinho e participe de uma comunidade de anfíbios. Uma conseqüência inevitável da suposição de que sapos possam ter crenças, é aceitar conjuntamente a possibilidade da variedade e disparidade das mesmas com respeito à qualquer matéria e, conseqüentemente, à captura de moscas. O sapo A espera tornar-se um príncipe, o sapo B acredita que vai encontrar o nirvana, o sapo C, que comer moscas é a ordem de um Jesus anfíbio e assim por diante. Existe, contudo, outra variante interessante de comportamento não-descartável: a dos sapos que não comem moscas, motivados por outras crenças (ou quem sabe as mesmas – imaginem sapos que não queiram as responsabilidades de um príncipe).

Posto isso, nada nos impede de imaginar um sapo “avatar” de Plantinga com um forte pendor empirista. Uma criatura criteriosa que reconhece e compara tais crenças. Plantinga deve admitir, para que seus resultados tenham algum sentido, que o sapo (e seus congêneres) reconheça e diferencie o que sabe sobre o fato (expresso mediante uma crença) de comer moscas e os “por quês” que a eles agrega (voltarei a isso mais tarde).

Então, o que um sapo metódico pode obter quando escrutina as crenças de sua comuni-dade? Muitas coisas. Depois de uma pesquisa de opinião pública entre os batráquios, poderia de imediato, constatar que são conflitantes quanto ao conteúdo e, conseqüentemente, também suas “verdades” seriam contraditórias. Se for muito sistemático, observará que independentemente das crenças sustentadas como motivação, alguns padrões são reconhecidos na comparação dos portadores de crenças. Por exemplo: ele perceberia (em crenças) que os sapos comedores de mais moscas são gordinhos e saudáveis em comparação aos que comem menos.

Alargando as possibilidades de nosso quadro, imaginemos, ainda, que a situação trófica, para sorte do investigador, passe a auxiliar a pesquisa e só existam moscas para alimentar os sapos. A partir daí, o nosso cenário ficará dramático. Como sugerimos previamente, a capacidade de ter crenças autoriza a geração de uma infinidade das mesmas, e alguns sapos poderão supor que, por uma ou várias crenças falsas (ignorando os sapos suicidas), devam evitar ingerir moscas. Digamos, por exemplo, que pensem tratar-se de “invasores de almas”, ou de algum maléfico artefato extraterrestre, etc. O final da história é previsível. Os sapos renitentes definharão e morrerão numa proporção muito maior dos que, por suas respectivas crenças falsas motivadoras, ingeriram proteína. A conclusão óbvia do sapo investigador é que, embora não possa estabelecer se as crenças que justifiquem as ações de seus pares sejam verdades plenamente confirmadas, uma crença metódica pode ser estabelecida: se quiser sobreviver é melhor comer moscas do que evitá-las. Dada esta importante descoberta o sapo metódico poderá dividi-la com seu grupo. Teremos, então, aqueles que a tomarão por verdadeira e manterão este hábito. Contudo, como vimos, existem os que não comem moscas, assumindo razões contrárias a verdade metódica. Eles morrerão com suas respectivas crenças, bem como aqueles que não as comem por tomarem por falsa a crença metódica. Não parece forçoso afirmar que Comer moscas vale a pena é não só é compatível com uma noção seletiva (adaptativa em termos darwinianos), como é determinante para o futuro do grupo, sendo um exemplo claro de uma verdade que será vantajosa para a sua sobrevivência quando adotada. Em outras palavras, os que a acatam têm mais chances de sobrevivência e reprodução dos que não o fazem.

Desse modo é possível adotar um exemplo de crença verdadeira para qual a seleção não poderá ser irrelevante. E como a tese de Plantinga só será legítima se atingir o status de universalidade para a independência entre verdade e evolução, no meu entender, um contra exemplo bastará para desautorizá-la. Nossas únicas condições para tanto são [1] a capacidade de que as percepções de criaturas sencientes possam também ser exibidas em crenças, mais [2] a suposição de um grupo que as compartilhe (e as confrontem), numa mesma linguagem. Quesitos bastante amigáveis com a idéia de filtragem seletiva.

A partir das últimas considerações, gostaria de chamar atenção ao que penso ser o cerne na constituição do argumento Plantinga, permitindo sua conclusão precipitada. A não-separação explicita (e inesperada) entre crenças de fato e crenças de justificação. Digo isso porque no texto de Plantinga ele explicitamente dá o mesmo status epistêmico a comer moscas alimenta e comer moscas transforma em príncipe. Para simplificar, chamarei as primeiras de crenças que e as últimas de crenças porque. Esta é uma distinção que remonta ao surgimento da filosofia ocidental quando Platão insiste que o conhecimento não é apenas a capacidade de ter crenças com suas verdades demarcadas, mas o vínculo com outras crenças das quais as primeiras sejam conclusões e as últimas razões. Existe, portanto, uma diferença entre a crença verdadeira de que como moscas e a crença que estabelece o porquê da primeira.

Poderia ser objetado, defendendo Plantinga, que as próprias crenças que (orientadoras do sapo metódico) também não teriam condições suficientes à determinação de suas verdades. Entretanto, se formos céticos quanto às capacidades perceptivas da elaboração de crenças do tipo que, não seria cabível avançar às crenças do tipo porque. Crenças que são o ponto de partida para a pergunta das crenças porque. Se o sapo desconhece o fato de que come moscas, não terá nem como começar a pensar acerca das motivações pertinentes. Pode até não saber o que come, e chamar de “parafuso”, por exemplo, aquilo que nomearíamos como moscas, mas no mínimo precisará afirmar algo como: para virar príncipe tenho que ingerir aquela coisa pequena e escura (zumbidora) que passa no meu campo visual distinguindo o ato de diferentes percepções. Arriscaria dizer que Crenças de percepção sistematicamente falsas não podem promover a sobrevivência por mera ineficácia adaptativa. O jogo seletivo só tem sentido se algum tipo de identidade perceptiva puder ser mantida, e no momento em que qualquer ser vivo adquirir a capacidade de ter crenças, a eficácia adaptativa exigirá a longo prazo a dominância de crenças de percepção verdadeiras.

Julgo que as crenças do tipo porque exibidas por Plantinga se distanciam do exemplo por mim sugerido apenas por uma diferença do grau da imediaticidade inferencial das crenças que assumidas. A prova da verdade (ou falsidade) da crença “comer moscas garantirá o paraíso após a morte” certamente exigira uma maior complexidade investigativa do sapo metódico para estabelecer sua verdade ou falsidade. Contudo “comer moscas transforma sapos em príncipes” será tranquilamente refutada. Ele dirá, meus vizinhos já comeram milhares e ainda continuam os mesmos e outros até morreram, desiludidos, como sapos. Aceitando estas considerações e levando em conta a luta pela vida, fica patente pensar em muitas crenças falsas que pereceriam com seus teimosos portadores. Exemplos: vale apenas pular em abismos, vulcões são seguros, tigres não comem carne e infinitas mais.

Devo reconhecer que, mesmo aceitando a constatação de verdades do tipo que como vantajosas seletivamente, resta ainda a qualificação das verdades porque em geral. Quesito importante por serem estas as que justamente estabelecem a dimensão teórica do conhecimento. No meu entender este passo pode ser estabelecido mediante um procedimento comparativo nos moldes das verdades que antes apresentado, certamente com uma complexidade muito maior (aliás, chamamos isso de Ciência). Contudo tal esclarecimento ultrapassa as intenções deste texto. Apenas pretendia alertar que é possível exibir casos cuja verdade pode não ser irrelevante na mecânica evolutiva, sendo, até mesmo, decisivos. E que o argumento de Plantinga só funcionaria se ele tivesse uma prova para as crenças que como irrelevantes em termos seletivos. Algo que ele não faz e julgo não ser cabível fazer.

“Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV)”

40 Comentários – Mostrar postagem original Recolher comentários

Blogger Marco Idiart disse…
Caros Carlos e JorgeApesar do texto do Carlos estar brilhante ainda tem uma ou duas coisas que ao meu ver ficam abertas.O Carlos menciona que o número de crenças incorretas extrapolariam em muito o número de crenças corretas, e de fato, apesar de Plantinga se atrapalhar com o cálculo das
probabilidades ainda assim ele estaria certo ao afirmar que a probabilidades de termos um conjunto de crenças verdadeiras ser ínfimo.

Mas se isto é verdade, isto não destrói o argumento do Sapo Metódico? Pois nem o nosso amigo anfíbio, nem gerações incontáveis deles seriam capaz de testar o googoplex de possibilidades à sua frente. Não tem como a cultura sapal separar o joio do trigo.

Então insisto no meu principal argumento, que introduzi no meu post: A correlação entre crenças. O cérebro é uma estrutura finita que não pode produzir um número infindável de crenças independentes. Elas são necessariamente dependentes. A seleção natural seleciona cérebro cuja “algebra” de crenças seja compatível com o mundo real.

A existência de correlações simplifica inclusive o trabalho do Sapo Metódico. Mas mais do que isto, ela já ajuda antes dos organismos terem capacidade de reflexão e de explicitação de suas crenças.

8 de setembro de 2011 00:49

Blogger Ricardo disse…
A cardinalidade do conjunto das crenças verdadeiras é a mesma que a do conjunto das crenças falsas. A razão disso está no fato de que para cada crença verdadeira p é possível obtermos uma crença falsa por meio da sua negação não-p e vice-versa.11 de setembro de 2011 09:49
Blogger Chico disse…
Eu não tenho certeza de que entendi claramente toda a argumentação do Carlos em seu texto. Minha interpretação foi que ele argumenta em favor de que a capacidade de observação (no exemplo, do ato e das consequências de comer moscas) de um indivíduo produz crenças verdadeiras com base empírica e que esse mecanismo de formulação de crenças verdadeiras é recompensado (e portanto também moldado) pela evolução.Pra mim faz sentido. Penso ainda que a correlação entre crenças destacada pelo Marco pode ser uma boa explicação. Se as crenças são correlacionadas, limita-se a explosão combinatória de crenças falsas porque só sobreviveriam os conjuntos consistentes; e as crenças consistentes são provavelmente decorrentes de pontos de ancoragem consistentes, que seriam os fatos reais, verdadeiros. Ainda, as hipóteses do Marco e do Carlos parecem reforçar-se mutuamente. Admitindo a correlação, uma crença verdadeira assegura a veracidade de outras.A falha que eu poderia supor na hipótese do Marco é a possibilidade da verificação de consistência dos conjuntos de crenças ser feita com base também em crenças (metacrenças), estas igualmente suspeitas.

12 de setembro de 2011 17:55

Blogger Marco Idiart disse…
ChicoA palavra que eu usei foi correlação e não consistência.
A correlação das crenças vem do cérebro do organismo. Ela não precisa ser comprovada.Em outras palavras, um cérebro finito não consegue gerar crenças que não sejam correlacionadas.

Dou um exemplo. Imagina que tem uma calculadora que eu quero que funcione normal, menos para a divisão de 34 por 299, que eu quero que seja 1000. Bom, vais ter que colocar um outro circuitinho só para satisfazer isto, pois o chip que tem lá não dá conta (pois implementa uma regra bem determinada) . Agora imagina que eu seleciono um número infinito destas operações todos eles dando resultados arbitrários. Eu então tenho que adicionar um número infinito de outros circuitinhos e minha calculadora passa a ser infinita.

Por isto digo que um cérebro finito, não consegue gerar um número arbitrario de crenças descorrelacionadas. A maioria delas é resultado da aplicação de uma regra.

Faz sentido?

12 de setembro de 2011 20:19

Blogger Chico disse…
Marco, acho que a correlação implica consistência em teu modelo, porque a representação de crenças no ‘circuito simplificado’ requer que elas sigam regras gerais (para fugir de enumerações dos casos particulares, como disseste). Isso deve tornar as crenças consistentes entre si, certo?Faz sentido para mim que as crenças sejam correlacionadas, mas é preciso ainda mostrar as vantagens evolutivas de elas serem verdadeiras. Creio que a consistência das crenças vira a probabilidade a nosso favor, mas receio que talvez não consiga ser claro ou correto nesse ponto. Mesmo assim, vou tentar levar adiante minha divagação a partir do modelo que propuseste, o qual acho que é bem relevante.Vamos supor um mapeamento entre fatos reais e crenças que induzem um comportamento vantajoso perante esses fatos. Cada item desse mapeamento de fato para crença vantajosa pode ser correto, se a crença for verdadeira, ou incorreto, se for falsa. Para cada crença verdadeira (que descreve bem o fato) deve haver um número muito maior (infinito?) de crenças que descrevem mal o fato (falsas) mas induzem comportamento vantajoso. Partindo dos fatos (verdades), a aleatoriedade (pelas múltiplas possibilidades) do mapeamento para crenças falsas (mesmo que vantajosas) dificilmente levaria a um conjunto consistente (representável no cérebro finito) e vantajoso de crenças. Dessa forma, o caminho mais provável (econômico e então recompensado pela evolução) dos fatos para um conjunto de crenças consistentes e vantajoso me parece ser a veracidade destas. Será que me fiz entender? Faz sentido?

12 de setembro de 2011 22:31

Blogger Marco Idiart disse…
Exatamente. Fostes mais claro que eu!!!12 de setembro de 2011 23:27
Blogger Ricardo disse…
Todos os argumentos até aqui formulados pressuõe que o número de crenças falsas é maior que o de crenças verdadeiras. Gente, isso não é verdadeiro, há exatamente o mesmo número de crenças verdadeiras e de crenças falsas, pois, repito, a negação de uma crença falsa gera um crença verdadeira e vice-versa. Diga-se de passagem, ao contrário do que supos Carlos, o argumento de Plantinga em momento algum pressupõe que haja mais crenças falsas do que crenças verdadeiras! O ponto de Plantinga é que, do pondo de vista da luta pela vida, uma crença falsa pode ser tão útil quanto uma verdadeira!Analisemos o caso da mecânica newtoniana, já que a maioria dos participantes do blog são cientístas: as equações do movimento de Newton não são verdadeiras, como mostrou Einstein, mas tendo em vista que para “baixas energias” os cálculos feitos com base em tais equações se aproximam muitíssimo dos valores obtidos com base nas suas contrapartidas relativísticas, ela é útil e, sem dúvida alguma, seletivamente vantajosa.Em suma,em linhas gerais, o argumento de Plantinga é correto. Mas tudo que ele prova é que, se o mundo é tal como os naturalistas dizem que ele é, então não há como saber se uma crença empírica é absolutamente verdadeira. O erro de Plantinga é imaginar que os naturalistas consideram a Teoria da evoluççao uma verdade absoluta. Ele não poderia estar mais longe da verdade! Desde sua primeira formulação, por Darwin e Wallace, a teoria evolutiva vem sofrendo importantes modificações e, sobretudo, após a descoberta do DNA, nínguém seria tolo a ponto de negar que a moderna teoria evolutiva se próxima mais da verdade do que a teoria de Darwin e, para acertar as contas com Plantinga, isso basta.

Ainda que a seleção natural seja incapaz de separar as crenças empíricas verdadeiras das crenças empíricas falsas, em certos contextos, ela é muito eficaz em separar o que está mais próximo do verdadeiro do que está mais distante. Por exemplo, se voce resolver contruir uma grande edificação, como uma ponte, um aqueduto ou uma pirâmide, é muito importante que seus cálculos de área e volume, para não falar em peso e resitência, estejam razoavelmete próximos dos valores que serão necessários para que sua contrução não acabe numa enorme pilha de destroços.

Não é por acaso que a ciência surge justamente no seio da civilização! Em certos contextos, não resta dúvida de que o conhecimento astrológico é mais útil que o astronômico, mas se você estiver tentando fabricar um calendário, prever um eclipse ou orientar-se durante uma longa viajem de navio, é melhor usar a astronomia. Já se o objetivo for conquistar uma adolescente saudável num barzinho fashion da Padre Chagas…

16 de setembro de 2011 02:18

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Resposta datilografada pelo Carlos:”Ricardo, certamente existem mais crenças falsas que verdadeiras se não engolirmos o infinito. Se for verdade que tenho um metro e setenta e quatro centímetros de altura, então será falso para todos os outros valores numéricos. As crenças que tenho 1.75, 1.76, etc. serão falsas. Plantinga não está apenas afirmando que a evolução pode acontecer sem a verdade. Está dizendo que é muito improvável que tenhamos a posse da verdade se guiados pela seleção. Você está enfatizando as propriedades sintáticas da negação (quando negamos o falso realmente temos o verdadeiro) e numa leitura conjuntista concordo que a cardinalidade do falso e o verdadeiro é a mesma. Mas o ponto de Plantinga é epistêmico e pode até acontecer que nesse aspecto só tenhamos proposições falsas para certos eventos. Sabemos o que não é, mas não sabemos o que é. Pense num OVNI. Não é avião, não é nuvem, não é helicóptero, etc, e talvez nunca venhamos a saber o que é. Do ponto de vista semântico, para cada falsidade corresponde uma verdade. Mas para cada verdade podemcorresponder infinitas falsidades. Ainda bem, senão seria muito chato fazer ciência.Meu argumento tenta mostrar que para a prova de Plantinga funcionar ele precisa aceitar a existência de verdades tipicamente seletivas postas nas crenças de percepção. A prova poderia funcionar se existissem apenas crenças teóricas. E se não tivermos verdades perceptivas não poderíamos nem ter crenças quaisquer (estamos montando a explicação). Ou seja, mesmo assumindo o quadro mais pessimista, o argumento não implica em ceticismo.”

16 de setembro de 2011 16:28

Blogger Ricardo disse…
Carlos, aparentemente vc crê que do fato de haver um único valor exato para a sua altura (1.74 m) e infinitos valores incorretos (1.75 m, 1.76 m …)é lícito inferir que o número de respostas corretas para a pergunta “Qual é a altura do Carlos?” é menor que o número de respostas incorretas, ou ainda, que há mais crenças falsas acerca da sua altura do que crenças verdadeiras. É fácil ver que a consequência não é boa, se observarmos que há uma infinidade de crenças verdadeiras acerca da sua altura, mesmo que haja uma única resposta exata para a questão “Qual é a altura do Carlos?”, a saber, a crença de que vc mede menos de 1.75, menos de 1.76 m e assim por diante. Caso vc insita na tese falsa de que só valor exato conta como uma resposta adequada ou como uma verdade acerca da sua altura, basta lembrar que toda medida pressupõe uma margem de erro e que dentro da margem de erro, por menor que ela seja, há sempre um número infinito de possibilidades! Não há saída muchaco, vc quis escapar da negação, afirmando que se tratava de um mero artifício lógico e acabou enredado nas malhas ainda mais finas da exclusão.Sei que vc não vai aceitar de imediato minha resposta e provavelmente irá inventar outra saída maluca para salvar sua tese, mas antes que vc volte a carga, deixe-me dizer que gostei muito do seu primeiro artigo que, infelizmente, foi mal recebido pelos blogeiros menos afeitos ao livre debate de idéias.16 de setembro de 2011 19:01

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Creio que gostou mais do primeiro porque não consegui fazê-lo entender o segundo. Acho que esta promovendo uma tremenda confusão. Se há um crime e o mordomo Luiz é o assassino, a crença que afirma isso será verdadeira. Todas crenças (com respeito a esta crime) referentes a cada um de todos os outros habitantes do planeta como o assassino serão falsas. Alguma dúvida sobre existir, neste sentido, mais falsidades que verdades?Suponha que queiramos saber qual é a cor do sutiã que nossa presidenta esta usando neste momento. Digamos que é azul. A crença que afirma isso será verdadeira. Ok, pode existir um número infinito de verdades sobre o sutiã da presidenta (tipo de tecido etc.) Mas a relativa á cor é somente uma e ponto. A crença de que é verde será falsa, amarela etc, (explico isso no texto). Faça uma enquete num grupo qualquer que eu garanto que serão enunciadas mais falsidades do que verdades. Se tua tese estiver correta teríamos a extravagante situaç ão otimista de que qualquer crença terá 50% de chance de estar certa. Mas eu não tenho 50% de chances de acertar se digo que teu signo e virgem.

Quanto á maluquice, deves saber que isso depende do lado de que se olha. Mas não é impossível que os livros de lógica que eu uso pra dar aula sejam furados.”

17 de setembro de 2011 10:00

Blogger Marco Idiart disse…
Acho que todos tem um pouco de razão. E o segredo talvez esteja na palavra “episteme” levantada pelo Carlos. E na minha insistência em dizer que grande importância de todo este debate reside na definição clara do que é uma “crença”.Considera as afirmações “O sutiã da Dilma é verde de bolinhas amarelas” e “O sutiã da Dilma NÃO é preto de triângulos laranjas”. Seriam as duas afirmativas equivalentes, se considerarmos o seu uso como uma crença?Tem outra forma de ver isto. Imagina que o Ricardo entra Carrefour e pergunta ao menino da entrada onde ficam as massas tailandesas. O menino então responde “acho que NÃO fica no começo da fila 34”.

Isso tudo tem um flavor de teoria de informação, não?

E se propusesse o seguinte: dentre todas as possíveis afirmativas lógicas ( que são em 50% verdadeiras e 50% falsas) existe um subconjunto que chamamos de crenças. Neste subconjunto o número de verdadeiros e falsos não é balanceado, simplesmente porque que uma crença envolve um risco maior ( ou em teoria de informação uma capacidade de informação maior).

17 de setembro de 2011 12:26

Blogger Ricardo disse…
Só prá registro, não usei o termo “maluquice” em sentido literal. Não crei que vc seja louco, o que aliás não é algo que dependa do observador! Só estou dizendo que você está errado e não há nada de mal nisso, aliás é a coisa mais normal do mundo, ao menos em ciência.Vejamos agora sua tréplica:1) Se Luiz foi assassinado, há uma única crença verdadeira acerca de quem matou Luiz e o número de crenças falsas é tão grande quanto o número de seres humanos vivos menos um.

Evidente que não! Volto a frisar, se eu negar todas as crenças falsas sobre quem matou Luiz, obterei o mesmo número de crenças verdadeiras.

2) Se eu fizer uma enquete num grupo qualquer serão enunciadas mais falsidades do que verdades.

Isso não prova nada! Aliás, se provasse poderia ser uma boa razão para acreditar na tese de Plantinga de que caso tivessemos evoluído conforme reza a cartilha darwiniana, seríamos incapazes de distinguir uma crença verdadeira de uma crença falsa. Em suma, a questão não é empírica e sim lógica!

3) Se minha tese estivisse correta teríamos a extravagante situação otimista de que qualquer crença terá 50% de chance de estar certa. Mas eu não tenho 50% de chances de acertar se digo que teu signo e virgem.

Francamente não sabia que vc lecionava lógica, mas a lógica não costuma se curvar às autoridades! O fato é que se desconsiderarmos qualquer informação sobre o mundo, as chances de uma proposição qualquer ser verdadeira é de exatamente 50%. Tome a proposição “O Sol se levantará amanhã”, qual é a probalidade de que isso seja verdadeiro? exatamente 50%. É claro que pressupondo nosso conhecimento de física e supondo que as leis físicas são independentes do tempo, as chances de que o mundo não acabe amanhã são maiores do que 50%. Mas isso, muchacho, você não pode supor, pois, não esqueçamos a razão de nossa disputa, o que Plantinga está defendendo é justamente que naturalismo + evolucinismo = ceticismo.

O mesmo vale para o seu exemplo sobre as chances de o meu signo ser virgem. Ou seja, a menos que vc pressuponha alguma verdade acerca do mundo, a chance é de exatamente 50%! É claro que a) se eu de fato existir, não se esqueça que eu disse que vc é louco, b) se eu for um ser humano e não uma máquina, 3) se eu não for um esquimó, já que no polo norte não há asccendente!, 4) se eu não for chinês, indiano ou um viajante do tempo!, etc… então as chances serão maiores que 50%, podendo até mesmo chegar a 100%, como no famoso caso do cavalo branco de Napoleão.

Um bom fim de semana!

17 de setembro de 2011 12:59

Blogger Marco Idiart disse…
Ricardo, não comentaste a minha proposta.Explicando melhor. Considere que uma “crença” é sempre baseada numa afirmação que nos ajuda a tomar decisões de vida, frente a uma infinidade de possibilidades. Assim dizer que “algo É” é diferente de dizer que algo “NÃO É”. Em teoria de informação diriamos que a expressão afirmativa seria mais informacional do que a negativa, justamente porque o objetivo dela é reduzir o tamanho da incerteza.A afirmação que o sutiã não é vermelho com losangos prata, pouco informa sobre o verdadeiro objeto de curiosidade, o sutiã da presidenta . Logo não tem status de crença, na minha opinião.

Ou seja, o conjunto de crenças tem de ser um conjunto de afirmações bastante informacionais sobre o mundo exterior. Por isto é um conjunto onde o risco de erro é maior.

17 de setembro de 2011 14:31

Blogger Ricardo disse…
Grande Marco, antes de mais nada deixe-me dizer que aprecio muito o teu trabalho de mediação no programa Fronteiras da Ciência!Quanto a tua proposta, não estou certo de tela compreendido integralmente. A princípio, sou favorável à idéia de que substituir o conceito de crença pelo de informação, que, ao contrário do primeiro, pode ser matematicamente definido. Mas não vejo como isso possa ajudar na elucidação e resolução do argumento de Plantinga.A idéia de que o mecanismo de seleção natural privilegia crenças mais informativas e que, por conta disso, termina por privilegiar as crencas verdadeiras, em detrimento das falsas, depende da tese, ao meu ver isustentável, de que as crenças verdadeiras são mais informativas que as falsas. Como vc pode ver, retornamos a minha disputa com o Carlos. De fato, se o Carlos tiver razão e as crenças verdadeiras forem menos prováveis que as falsas (pois há mais falsidades do que verdades), então as crenças verdadeiras serão mais informativas e, consequentente, a tua proposta de solução será viável.

Por fim, creio que a tua proposta de que as crenças afirmativas são mais informativas que as negativas não se sustenta, até porque a negação de uma negação é uma afirmação. Talvez o que tu estejas querendo dizer é que afirmar que um objeto cai sob um determinado predicado “a é P” é mais informativo do que afirmar que o mesmo objeto cai sob a negação deste mesmo predicado “a é não-P”. Isso já é mais compreensível, embora nem sempre seja verdadeiro (pense na diferença entre “a é azul” e “2 é par”). De qualquer modo, em lógica há uma grande difenrença entre negar uma sentença e negar um predicado.

Até mais!

17 de setembro de 2011 20:56

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Nao tenho nenhum problema em estar errado, fico até feliz quando reconheço. Mas insisto que a questao pertinente sobre as “quantidades” de verdades e falsidades é epistémica e nao lógica (vc continua nao distinguindo). Nao por acaso Plantinga se apresenta como um epistemólogo, com um problema de conhecimento e nao de lógica. Com todo o respeito, dê uma olhada no que Kant chama de juízos infinitos. (ou indefinidos). Ali ele explica porque (do ponto de vista epistémico) verdades obtidas por negaçao nao determinam tao bem o fato (ou o objeto, no jargao dele) como as de afirmaçao. A melhor traduçao formal para isto seria uma lógica modal onde aprendemos ser o possivel mais amplo que o real. Alguma dúvida sobre a “existencia” de mais mundos possíveis do que O mundo real? Também vejo que estas misturando bivalencia com probabilidades. Uma coi sa é dizer que qualquer proposiçao pode ser verdadeira ou falsa, outra é dizer que ela tem 50% de chances de ser verdadeira ou falsa.Concordo com o Marco. Precisamos qualificar melhor o que entendemos por crenças.”

18 de setembro de 2011 08:20

Blogger Ricardo disse…
Desde o início, vc vem insistindo na tese de que eu não entendi o teu artigo e minhas alegações não passam de uma amontoado de observações confusas.Para alguém que gosta de saber se está errado, vc não está se esforçando muito.Analisemos suas mais recentes alegações:1)A suposta confusão entre lógica e epistemologia;

“Crença”,”Verdadeiro” e “falso” são conceitos lógicos e não epistemológicos. Você tem razão,contudo, quando afirma que a tese de Plantinga é epistêmica, pois, o que ele está afirmando é que o conhecimento seria impossível se o mundo fosse tal qual o naturalismo evolucionista diz que ele é. O que eu venho questionando não é a tese do Plantinga e sim o seu argumento contra esta tese. O que eu estou a dizer é que no seu argumento há uma premissa falsa, a saber, a tese de que há mais falsidades que verdades. Vc não está dizendo que desconhecemos mais do que conhecemos. Se for isso, então é claro que vc tem razão. Nesse caso, contudo, seu argumento é uma petição de princípio.

2)Os juízos infinitos ou o recurso à autoridade de Kant;

Não é de bom tom substimar o adversário, nem recorrer à autoridade, ainda que respeitosamente. Carlos, Kant distingue claramente os juízos infinitos dos juízos negativos. Além do mais, a distinção entre juízos afirmativos, negativos e infinitos, é parte da famosa tábua do juízos, uma classificação que o próprio Kant considera com sendo de ordem lógica e não epistemológica. Com que direito vc recorre à Kant, se como vc mesmo declarou a questão da “quantidade” de verdades e falsidades é epistêmica e não lógica!

3)A humilde lição de lógica modal;

O possível é mais amplo que o real. Sem dúvida uma tese de respeito, mas não uma tese lógica! Primeiramente, vc deve saber que há sistemas modais, como o de David Lewis,em que não há distinção lógica ou ontológica entre possível e real. Em outras palavras, para Lewis, todos os mundos possíveis, incluindo o nosso, são reais. A contraparte disso na física é a versão forte da teoria do multiverso. Para Lewis, idealizador de um dos mais importantes sistemas de lógica modal, a distinção entre o possível e o real não é nem de ordem lógica, nem de ordem ontológica, mas sim de ordem epistemológica: entre o que é, para nós, possível de conhecer e o que está para além da nossa possibilidade de conhecer.

Além disso, há outras situações em que o real e o possível coincidem por questões ontológicas. Pense no seguinte mundo real: os números ímpares, um subconjunto infinito dos números naturais, e a propriedade sucessor. Esse, aliás, é um bom exemplo de um mundo em que o número de verdades é exatamente igual ao número de falsidades, sem a necessidade se se engolir o infinito atual!

4)A suposta confusão entre bivalência e probabilidade.

Não é confusão coisa nenhuma, é a própria definição de probabilidade que o exige. Quantos valores uma moeda pode assumir: dois (cara ou coroa) Qual a probabilidade de sair um ou outro? 1/2. Quantos valores uma sentença pode assumir: dois (verdadeiro ou falso) Qual a probabilidade se ser um ou outro? 1/2. É claro que o real determina o que é verdadeiro ou falso, mas em lógica não se pode supor que o real seja deste ou daquele jeito. Por exemplo, se o real for totalmente determinado, a chance de algo ocorrer será 0 ou 1.

Bem , vou ficando por aqui. Hsta la vista, muchachito!

18 de setembro de 2011 11:44

Blogger Chico disse…
Acho que o Ricardo está transformando algo simples numa tremenda confusão, talvez tentando ‘trolar’ o pessoal do deste blog ao insistir no “estou certo e vocês não admitem que estão errados”.Estamos falando das crenças que motivam comportamentos vantajosos abordadas por Plantinga no seu argumento. Então me parece óbvio que podem existir muito mais crenças falsas que verdadeiras no universo de crenças que de fato se manifestariam nas mentes das criaturas para fazê-las adotar comportamentos benéficos. Exemplificando, num universo de três sabos comedores de moscas, um come mosca para se nutrir, outro para virar príncipe e o outro porque o deus sapo manda. Há duas crenças falsas e uma verdadeira (a primeira). As negações destas não teriam utilidade comparável às suas versões afirmativas porque não carregam a mesma quantidade de informação (citando Marco). E não é concebível que o primeiro sapo, ao comer moscas, pense ‘como mosca, mas não é porque acho que me faz príncipe, e não é porque o deus sapo manda, e etc. (para mais negações de outras possíveis crenças afirmativas motivadoras da ingestão de moscas). Se assim, fosse, o sapo precisaria percorrer uma enorme lista de crenças pouco informativas para, por eliminação, decidir comer moscas por um motivo que poderia ser descrito por uma única crença afirmativa.18 de setembro de 2011 17:49

Blogger Marco Idiart disse…
Oi Chico
Estou também como tu insatisfeito cm o rumo da discussão. Os e-mails crescem na proporção inversa do esclarecimento dos fatos.
As duas visões são prefeitamente reconciliaveis. Por um lado é verdade que existe uma simetria entre falsos e verdadeiros (posição do Ricardo), por outro existe esta noção intuitiva que é mais fácil dizer besteira do que acertar (posição do Carlos). E acho que a solução é clara. Eu estou certo!!!!!E please, pessoal não precisamos de Kant. Senão sou forçado a usar o comentário do Renato Flores.
Bom findi.18 de setembro de 2011 18:41

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”RicardoCrença certamente não é um conceito lógico.

Para nao perdermos tempo e nao desviar do que mais importa, vamos admitir que todas tuas observaçoes sobre, lógica modal e probabilidades sao corretas.

Mas de onde tirastes a conclusão surpreedente de que para um argumento provar algo, a premissa (s) tem de ser verdadeira (s)? O conceito capital em lógica é validade e não verdade. Dois exemplos de argumentos clássicos. Matemática: prova de Euclides para impossibilidade de existir o maior número primo. Descartes: com a suposição (falsa) de que exista um gênio maligno absolutamente poderoso, usada para provar que, mesmo assim, sobra uma verdade inegável.

Olha só, vejo que foi criada uma distância intrasnponível em nossa discussão. E o mais paradoxal de tudo é fato de aceitar desde o início tua posição lógica como correta. E seja como for isso não atinge meu argumento. Na verdade, o favorece. Ele pode ter uma premissa falsa. Deixe eu ser mais claro. O que eu pretendia fazer era desenvolver a proposta de Platinga a partir do cenário mais pessimista possível (tipo gênio maligno) para mostrar que a conclusão cética não se segue (Concordo, deveria ser mais enfático). Coisas do tipo: suponha assim, então, terá assado. Assim, por maiores que sejam as dificuldades de escolhas entre um número grande crença s, o próprio processo só ganha inteligibilidade devido ao fato de existirem crenças de altíssima probabilidade de verdade, a saber, crenças de percepção. O sapo pode enganar-se sempre sobre o porque comer moscas, mas não pode enganar-se sempre que as come ou nao. De fato faltou eu explicar com mais clareza a idéia de probabilidade para as crenças de percepção, mas penso ser o processo seletivo fortemente compatível com esta tese – esperava sujestoes do blogue. Aceitando tua idéia de que mesmo de um ponto de vista epistêmico a quantidade de verdades é a mesma das de falsidade, isto facilitaria minha argumentação (quem pode mais, pode menos). A qualificação das crenças teóricas ficaria bem mais fácil. vc fortaleceria minha conclusão deixando Plantinga mais fraco. Quero mostrar que mesmo deixando ele o mais forte possível, ain da assim, nao vinga. Em suma, meu argumento pode estar errado, mas nao porque a tese probabilística seja falsa.

Com respeito a negação. E claro que muitas vezes verdades de negação podem ser úteis. Se descubro que o objeto misterioso ao meu lado não é um tigre faminto, ficarei mais aliviado. Mas não esqueça que a negação é um operador lógico (constante) sem conteúdo. Para afirmar que a negação de que x não é um tigre é verdadeira eu preciso saber o que é um tigre por comparaçao e para isto a lógica pode ser complementar mas nao determinante.

Concordo que a referencia a Kant trás mais sutilezas. Mas não a nada de apelo a autoridade nesse recurso. Eu penas recomendei a leitura, bastante relevante para a discussão e não disse “o fabuloso Kant prova que estas errado”.

É isso ai”

18 de setembro de 2011 22:42

Blogger Ricardo disse…
Carlos,Concordo contigo que nossa discussão está girando em torno de pontos que não são centrais no teu argumento contra Plantinga. O ponto central da tua argumentação é a distinção entre crenças teóricas e crenças de percepção.Sua estratégia cética à la Descartes é interessante e concordo que deva haver uma diferença entre a probabilidade maior de as crenças de percepção serem verdadeiras, já que as crenças teóricas se apoiam em última análise em crenças de percepção. Não creio, contudo, que tu tenhas conseguido justificar a contento a afirmação de que as crenças de percepção devem ter altíssima probabilidade, ou mesmo que devem ter probabilidade maior que 50%. Contra isso, creio que Plantinga alegaria que as crenças de percepção não são independentes das crenças teóricas e que, portanto, a baixa probabilidade das crenças teóricas acaba afetando a probabilidade das crenças de percepção.

Até mais!

19 de setembro de 2011 12:00

Blogger Ricardo disse…
Marco,O núcleo da estratégia de argumentativa de Plantinga é simples:P*) Do fato de uma crença ser verdadeira não se segue que ela seja adaptativamente vantajosa, ou ainda, a falsidade de uma crença é compatível com o fato de ela ser adaptativamente vantajosa;

Assumindo P*, ele então infere, corretamente:

C) A adaptabilidade não pode servir como critério de verdade.

Na minha opinião o argumento é bom mas não o suficiente para mostrar que o evolucionismo é incompatível com o naturalismo, a não ser que “naturalismo” seja confundido com “empirismo ingênuo”.

Em minha opinião, a força da argumentação de Plantinga deriva, justamente, do fato de o empirismo ingênuo ser extremamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos!

19 de setembro de 2011 12:45

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Bingo, Ricardo!Acertaste na mosca: “Em minha opinião, a força da argumentação de Plantinga deriva, justamente, do fato de o empirismo ingênuo ser extremamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos!”Espero que [email protected] tenham apreciado esse por vezes desconfortável, porém necessário “treinamento de guerrilha conceitual”. Quem entrou “tranquilo”, achando que estava tudo ressolvido, quebrou a cara. A sequência de discussões cada vez mais qualificadas prova que nossa estratégia é adequada.

Parabéns aos bravos interlocutores que ainda prosseguem no debate.

19 de setembro de 2011 12:51

Blogger Ricardo disse…
Grande Jorge,Acabo de receber os trabalhos que solicitei aos meus alunos do Curso de Especialização em Epistemologia Contemporânea que coordeno aqui na Federal de Alagoas e não poderia estar mais feliz.Minha disciplina tem o nome pomposo de “Verdade e Método” e tenho alunos de diferentes áreas (físicos, filósofos, historiadores, etc.). Após algumas aulas expositivas sobre temas centrais de Filosofia da Ciência, com foco no problema da demarcação, eu adotei a seguinte metodologia: em cada aula nós ouviamos um programa do Fronteiras da Ciência e depois debatíamos o tema. Após vários programas e muitas leituras de Carl Sagan, Asimov, Randi, etc., pedi a cada aluno que escolhesse sua pseudociência favorita e escrevesse um artigo questionando sua alegada cientificidade. Como disse, o resultado foi além das minhas expectativas e é claro que nada disso teria sido possível sem o trabalho pioneiro (na verdade a Sarg foi a pioneira) que vcs desenvolvem aí na UFRGS. Bravo!

19 de setembro de 2011 15:11

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Rabenschlag!!!!19 de setembro de 2011 15:13
Blogger Ricardo disse…
Em carne e osso. Imagino que vcs devem ter pensado horrores do “Ricardo”, mas depois que eu vi que vcs não tinham ligado o nome a pessoa, não pude resistir à tentação do anonimato, pelo menos até que alguém se desse conta!19 de setembro de 2011 15:23
Blogger Jorge Quillfeldt disse…
O anonimato foi uma sacanagem, pô! Mas já começava a desconfiar pelo tipo de argumentação. Faz bem pouco que fiquei sabendo que andavas pelas terras das Alagoas, parabéns!E por favor, fotocopie e envie estes trabalhos para nós. Queria muito botar os olhos neles!19 de setembro de 2011 15:26

Blogger Ricardo disse…
Em novembro estarei em POA durante uma semana, participando de um Congresso de Filosofia Analítica na Unisinos. Quando chegar mais perto, a gente pode combinar uma janta ou alguma outra coisa prá reunir o bando!Vcs aí do Fronteiras bem que podiam organizar um evento na Universidade sobre Naturalismo versus Evolucionismo. Nem que seja apenas prá se contrapor aos teólogos da PUC que trouxeram o Plantinga!19 de setembro de 2011 15:40

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Beleza, avisa mesmo. Dia 5/11 teremos um “Skeptics in the Pub” aqui em PoA também…19 de setembro de 2011 15:42
Blogger Jeferson Arenzon disse…
Link interessante para a discussão:http://evolucionismo.org/profiles/blogs/como-e-a-evolucao-seleciona-para-a-verdade19 de setembro de 2011 15:57

Blogger Ricardo disse…
Ainda não tenho a data exata do Congresso mas se eu estiver por aí, não vou perder o skeptics in the pub.Um abraço prá todos!19 de setembro de 2011 15:58

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Ricardo,Eu devia ter desconfiado que a pancadaria que rolou tinha malandrágem. Sorte que é um amigo pois eu ja tinha encomendado um revolver na fronteira.

Concordo, falta justificar a alta probabilidade das crenças de percepeçao. Algo nao trivial, embora ache intuitivo. Tem esta sujestao do Jaime que penso valer apena desdobrar. Ele permitiu soltar no blogue.

————-

Caro Miraglia
Agora sim tenho o texto certo. Nos textos que o Jorge me mandou constava apenas o primeiro texto (Maldito Plantinga). Concordo em linhas gerais com teu argumento. O ponto central é que para atribuir crenças a um organismo temos em primeiro lugar que determinar que tal organismo tem a capacidade de apreender os conteúdos relevantes, e isso só pode ser feito com base em um comportamento, por parte do organismo que mostre uma capacidade discriminativa com relação aos conceitos envolvidos. Mas a atribuição de tal capacidade discriminativa só se dará se na maioria dos casos o comportamento se mostrar “sensível” à presença ou ausência da propriedade em questão, e isso é equivalente a dizer que na maioria das vezes o organismo tem que ter as crenças perceptivas verdadeiras. Além disso atribuição de crenças propriamente ditas requer atribuição de um grau razoável de racionalidade, e racionalidade implica em uma relação de co mpatibilidade entre as crenças. Para que o sapo da história possa ter a crença que Plantinga quer atribuir a êle, êle tem que ter muitas outras crenças, tais crenças têm que ser compatíveis entre si, e elas têm que ser tais que seus conteúdos sejam minimamente motivados pelo ambiente no sentido especificado acima. Se o sapo da his tória apresentar tudo isso, será no mínimo improvável que êle sustente a crença em questão. Mas mesmo que esse seja o caso, ainda podemos traçar a distinção que tu traças entre crenças perceptivas e o que eu preferiria chamar de crenças teóricas. É possível ter comportamento adaptado na presença de crenças teóricas sistematicamente falsas, mas não é possível ter comportamento adaptado na presença de crenças perceptivas sistematicamente falsas.
Valeu Miraglia. Obrigado pelo texto.
Um abraço
Jaime

——–

Acho que nao esta completo mas é por ai.

Outro ponto é a passagem para a qualificaçao das verdades teóricas, coisas que obtemos pelo fazer da ciencia. Mas suspeito que sem querer Plantinga tem o argumento mais poderos contra o realismo científico. Melhor que van Fraassen.

Vou ver se poderei estar em Poa para um encontro. Nao levarei o revólver.”

19 de setembro de 2011 19:37

Blogger Marco Idiart disse…
Entre os Filósofos e Filósofos da ciência é extremamente difundida a idéia que o empirismo ingênuo é extramamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos.:-)19 de setembro de 2011 19:58

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
… disse o físico.”Und es ward licht!”19 de setembro de 2011 20:15

Blogger Marco Idiart disse…
Jorge, conheces alguém que defende o empirismo ingênuo?Eu conheço mais gente que defende o “preconceito ingênuo que as prequisadores das ciências exatas defendem o empirismo ingênuo” do que gente que defende o IE… quite extraordinary, mon ami… I should write a paper about it…19 de setembro de 2011 21:05

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Podias escrever mesmo, Marco,É óbvio que ninguém iria defender algo que o tachasse de “ingênuo”, né? Essa classificação é um epíteto atribuído por críticos que percebem a base superficial e simplista da concepção de alguém, nunca uma “escola de pensamento” de adesão voluntária… Pela mesma razão não existem partidos com a letra “R” de “Reacionário” na sigla…Mas o fato é que houve uma explosão de maus exemplos filosóficos feitos por ótimos cientistas & divulgadores, como Dawkins, algo que venho comentando aqui há anos. A autoridade científica e a fibra moral do divulgador & combatente de obscurantismos que é Dawkins, por exemplo, não livram a cara dele: é um pensador relapso e superficial, e, pior, estimula a copiá-lo, em seu estilo bravateiro – “macho atheist” – uma espécie de Schwartzenegger dos ateus… “I’ll be back”…

Alguns devem estar pensando, hmmm, essse Jorge vai acaber dando “munição” aos criacionistas, que adorarão citá-lo fora de contexto. “Munição, “guerra”, “combate”, as metáforas bélicas proliferam em detrimento da razão. Se eu realmente temesse dizer isso “só por que” poderia ser citado fora de contexto, tudo realmnente já estaria perdido.

Felizmente estamos longe disso. A razão ainda prevalece!

E ‘deus’ não existe !

19 de setembro de 2011 21:36

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Putz, a postagem saiu e comeu um parágrafo inteiro, cáspite!Dizia o seguinte:Aliás, pelo que tenho lido neste intenso debate aqui no blogue, tu não te enquadras na zona de risco do simplismo dawkiniano.

19 de setembro de 2011 21:46

Blogger Marco Idiart disse…
Obrigado pela consideração.Mas sobre o que antes disseste. Obviamente não me referia a alguém que se auto intitulasse “empirista ingênuo”. Mas a alguém que professasse que pode bootstrap teorias a partir de experimentos, sem nenhuma hipótese inicial.Conheces alguém que realmente faça ciência, que faça o seu paperzinho de cada dia, e que consiga pensar desta forma?

A meu ver o “empirista ingênuo” é o moto perpétuo da filosofia da ciência.

19 de setembro de 2011 22:48

Blogger Ricardo disse…
Carlos,Este Congresso da Unisinos é bem interessante, vc devia enviar um trabalho. Acho que ainda está no prazo.Quanto à janta ou qualquer outra desculpa prá nos reunirmos, faço questão da tua presença, muchacho!

20 de setembro de 2011 09:45

Blogger Ricardo disse…
Marco,Vc tem razão em reclamar do rótulo “empirista ingênuo”. De fato, há muita coisa boa que é tachada de ingênua. Tem gente que acha, por exemplo, que Aristóteles era um empirista ingênuo! A verdade é que ele não era nem empirista nem tampouco ingênuo.Quando eu digo que o Plantinga surfa no tsunami do empirismo ingênuo, eu estou me referindo a uma gama muito diversificada de posições filosóficas que tem insistem em confundir questões filosóficas com questões científicas. Um exemplo disso, na minha opinião, é tentar encontrar um critério causal para a verdade, como se a verdade fosse uma propriedade de alguma parte do cérebro.

20 de setembro de 2011 09:56

Blogger Osame Kinouchi disse…

Pessoas,

Que discussao legal, posso fazer cut and paste pro meu blog ou tem copyright?

Marco, que tal usar o Perceptron para esclarecer as coisas aqui?

É obvio para quem conhece a questao do Perceptron (especialmente do Perceptron Binario) que existe apenas um unico perceptron aluno igual ao perceptron professor, mas infinitos perceptrons falsos (que diferem por 1 bit, dois bits etc) no limite termodinamico, claro!

Dado que mesmo a ideia de proximidade do professor atingivel por acumulo de seleção via exemplos nao é verdadeira no caso do perceprton binario, ou seja, dada a quebra de simetria de replicas e a presença de infinitas solucoes compativeis com um conjunto finito de exemplos, e que tais solucoes nao sao proximas mas sim espalhadas no espaco das regras… e chamando cada perceptron de uma crença ou teoria, teremos que nao ha convergencia para a teoria verdadeira (para exemplos com ruido, que nao permitem a transicao de fase para aprendizagem perfeita, OK?)

E lembremos que qualquer conjunto de exemplos (experimentos, fatos etc) necessariamente terá ruido no mundo natural.

Finalmente, dado que a aprendizagem do perceptron binario nao é factivel (é um problema NP completo) e dado que dificilmente um algoritmo genetico (evolucao dos perceptrons) poderia resolver um problema NP completo (na verdade, nao pode, nao é mesmo?) , m eparece que a teoria do perceptron binarico no cenario professor-aluno embasa de maneira matematica o argumento de Platininga?

Ou não?

Vc poderia traduzir o meu argumento para os leigos?

Osame

20 de setembro de 2011 18:09

Religião é política? E a ciência é ateia?

Texto obtido no Facebook do Eli Vieira:

Religião é política? E a ciência é ateia?

por Erick Fishuk, segunda, 19 de setembro de 2011 às 14:08

Duas perguntas essenciais devem ser respondidas pelos movimentos ateus, céticos e laicos no desenrolar de suas lutas se eles quiserem ir para frente e adquirir consistência visual, teórica e combativa. A primeira é se as religiões instituídas são uma forma de fazer política, ou, mais ainda, se elas mesmas são uma espécie de braço espiritual dos Estados modernos para que estes façam valer seus discursos morais e cívicos. A segunda é se a ciência, tomada como instrumento de análise e transformação racional e padronizada da realidade, deve definitivamente se assumir como partidária do ateísmo e, portanto, combater as religiões de modo militante, em concomitância com sua atividade profissional e objetiva obrigatória.

 

Não pretendo aqui esgotar a questão, que deve ser resolvida por todos aqueles racionalistas e fiéis que batalham pela não interferência de interesses privados nas esferas coletivas. Ainda assim, desejo dar minha contribuição, mesmo parcial e incompleta. Penso que, de acordo com um conceito mais amplo sobre o que é fazer política, não só as religiões instituídas, ao menos no Brasil e em alguns países em que elas exercem grande influência, são agentes poderosos de interesse e atuam conforme regras de conciliação e acomodação bastante terrenas, como também o Estado ainda lhes reserva uma grande dívida no sentido de mobilizar apoio para seus projetos de unidade patriótica e lhes tributa inúmeros privilégios patrimoniais e fiscais como retribuição ao preenchimento de lacunas, por vários séculos, que o poder público não quis ou não pôde suprir. Da mesma forma, segundo um conceito particular de religião, não julgo ser a ciência totalmente competente para intervir em assuntos de fé, a não ser que estes passem a concernir e a intervir no mundo real e na própria prática científica.

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Por que os blogueiros de ciência não são chiques?

Enviado por uma amiga (chique, suave, firme e linda!!!), acho que para me dizer que eu devia ser mais discreto com relação a ela e que o SEMCIÊNCIA é muito cético pro gosto dela! ai…ai…

SER  CHIQUE  SEMPRE
GLÓRIA KALIL

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma  pessoa chique, não é o que essa pessoa tem,  mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio. Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É “desligar o radar” quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia. Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Mas  para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de  se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz! 

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas amor e fé nos tornam humanos!

Em que nível está a argumentação do seu blog?

From BoraZ:

Chineses e hispânicos compartilham igreja a contragosto em Nova York

janeiro 12th, 2011 at 8:53


» by O Bruxo in: Religião

Via G1

A Igreja Metodista Unida, no bairro de Sunset Park, no Brooklyn, é tudo, menos unida.
Dois pastores pregam do mesmo púlpito e moram na mesma residência paroquial, mas mal se falam e criticam abertamente a abordagem da fé um do outro. Na ala social da igreja, dois grupos espiam um ao outro, desconfiados – um termina a refeição de arroz com feijão, enquanto o outro prepara frango asiático.
Duas congregações bem diferentes dividem o mesmo prédio: um pequeno edifício com cerca de 30 pessoas que falam espanhol e rezam aqui há décadas e uma multidão novata de mais de mil imigrantes chineses que aumenta toda semana – a congregação metodista que mais cresce em Nova York.

Os latinos dizem se sentir oprimidos e sob ameaça, enquanto os chineses, que são os locadores, afirmam se sentir reprimidos e subestimados. Mediadores foram enviados, mas com pouco sucesso. Na temporada de final de ano, houve até duas árvores de Natal.

“Este pastor é muito grosso conosco”, disse o reverendo Zhaodeng Peng, que lidera a congregação chinesa com a esposa.

O reverendo Hector Laporta, líder da igreja latina, respondeu: “Ele realmente tem um problema com a raiva.”

Esse impasse reflete um cabo de guerra que ocorre há várias gerações em Nova York, onde grupos de imigrantes -alguns estabelecidos, outros recém-chegados- se acotovelam em calçadas lotadas e em moradias apertadas, disputando espaço, casa e emprego.

Agora, essa luta está chegando até os silenciosos santuários das igrejas, à medida que congregações com restrições financeiras -especialmente aquelas de denominações mais populares, como as metodistas- encontram solução no compartilhamento do espaço. No Queens, uma igreja metodista dividida entre congregações latino-americanas e caribenhas acaba de dar espaço a uma pequena congregação paquistanesa.

Como colegas de quarto de qualquer lugar do mundo, os grupos metodistas que dividem o espaço entram em conflito quanto a banheiros sujos, música alta e luzes acesas, disse o reverendo Kenny Yi, coordenador do distrito da congregação que tentou intermediar a disputa em Sunset Park.

A igreja, construída há mais de um século por imigrantes noruegueses, oferece muita oportunidade para tensões. Há a barreira do idioma: poucos chineses falam inglês, e menos ainda falam espanhol. O espaço é apertado e precisa de reparos, e cada grupo tem uma missão diferente.

Laporta, de 55 anos, vem de uma tradição religiosa de ação social. Ele participar de reuniões para o controle do aluguel e pede a reforma da imigração em seus sermos. Laporta diz que Peng ignora o problema dos imigrantes ilegais em sua congregação. Peng, de 48 anos, foca mais nos livros sagrados. “As pessoas precisam da palavra de Deus”, ele disse.
Peng argumenta que Laporta deixa seus membros com fome espiritual. “Se a congregação precisa aprender política, pode ler o jornal”, disse Peng. “É por isso que a congregação não cresce.”

No meio estão Yi e outros membros da metodista, que devem decidir se mantêm a situação atual, intranquila, ou levam a congregação latina para outro local e dão o prédio a Peng e sua esposa e co-pastora, a reverenda Qibi She.
“Estamos apelando para Deus, para ver em que direção Ele aponta as duas congregações”, disse Yi. “Descobriremos mais cedo ou mais tarde.”

Enquanto isso, altos membros da metodista vêm tentando interferir no processo. Em 2009, Yi trouxe um mediador de fora, Kenneth J. Guest, professor de antropologia da Baruch College que estuda a religião em Chinatown, Nova York.
Guest ajudou a intermediar um contrato que estabelecia regras básicas: a igreja dos latinos teria uso exclusivo do hall social aos domingos das 12h30 às 14h. A congregação chinesa usaria o local das 14h às 19h. Nenhum dos grupos interromperia os sermos do outro.

Não funcionou. Recentemente, Laporta pegou o contrato e apontou para cada compromisso que, segundo ele, os chineses tinham violado. Eram muitos. “Eles não seguem nenhuma regra”, disse Laporta, com a voz cheia de resignação.
Peng contou que a igreja atraía tantos novos chineses que muitas pessoas não sabiam das regras. A vizinhança do lado de fora, um dos bairros mais vibrantes da cidade, de alguma forma reflete a divisão da igreja. Uma rua abriga barraquinhas de taco, bodegas equatorianas e igrejas mexicanas -enquanto na parte de cima vemos mercados de peixe e lojas de remédios de ginseng formando Chinatown.

Nos últimos anos, as empresas chinesas têm se expandido, chegando até o local da igreja. A população chinesa da área cresceu de 24 mil, no ano 2000, para 31 mil em 2009, de acordo com dados do censo.

“Eles estão por toda parte”, disse Laporta, nascido no Peru. “O que acontece aqui é o mesmo que acontece lá fora.”  A congregação latina está no prédio há cerca de 30 anos, mas diminuiu bastante passou de 60 membros para pouco menos da metade. Há seis anos a congregação começou a alugar o local para o grupo chinês.

A igreja chinesa paga a Laporta cerca de US$ 50 mil em aluguel, mais do dobro do que a congregação hispânica tem conseguido arrecadar por sua própria conta. Peng disse que pagaria mais de bom grado, e ajudaria a consertar a igreja desgastada, se pudesse expandir para o porão.

“Eles têm um prédio enorme, mas poucas pessoas”, disse Peng. “Temos as pessoas, mas não o prédio.” Read more [+]

O efeito Placebo e o pensamento mágico foram selecionados pela evolução?

Lendo este paper reavivou aquela ideia de que o efeito Placebo tenha sido selecionado pela evolução humana via práticas de Xamanismo. POr efeito PLacebo se entende um processo de alívio sintomático e mesmo cura espontânea induzido pela crença (fé) do paciente de que está sendo tratado por uma terapia eficaz. A hipótese seria a seguinte:

1. Durante o Paleolítico não havia tratamento médico eficaz e padronizado (ervas, cirurgias etc.). Talvez nesse período (e certamente no Neolítico) surgiram os primeiros Xamãs e diversas práticas Xamânicas de cura como cantos curativos, ervas medicinais, uso de drogas alucinógenas e psicotrópicas, mediunidade etc.

2. As práticas Xamânicas de cura possuem todos os ingredientes para um efeito Placebo eficaz, ainda usados na medicina atua, por exemplo:

  • Distanciamento entre paciente e o Xamã (Médico) que possui uma aura de grande autoridade e conhecimento e se veste diferentemente dos seres humanos comuns. Isso reforça a crença do paciente de que o Xamã (Médico) tem poder eficaz de curá-lo (acima de sua verdadeira capacidade curativa).
  • Uso de diversos tratamentos onde o efeito Placebo sempre está presente: por exemplo, como as crianças associam pilulas brancas com remédios (que lhes fazem bem após o uso) e pilulas vermelhas ou coloridas com balas e docinhos (que não têm efeito medicinal), em geral as pílulas são brancas, de modo que a eficácia medicamentosa se una ao efeito Placebo no processo de alívio e cura. É por isso que não existem pílulas coloridas na Homeopatia, por que daí elas fariam bem menos efeito.

3. Então, dado que os tratamento eficazes mesmo sem crença (drogas medicinais e cirurgias) eram de uso restrito, apareceu evolucionariamente a cura baseada no Efeito Placebo: as pessoas mais suscetíveis à fé na autoridade do Xamã (e fé no mundo espiritual do qual o Xamã é o mediador) experimentariam alívio e cura por efeito Placebo. As pessoas incapazes de ter essa fé não experimentavam este tipo de cura e demoravam mais para se restabelecer.

4. Ou seja, a fé no processo de cura (mesmo na medicina científica) adiciona ao tratamento, qualquer que seja ele, pelo menos o alívio da ansiedade gerada pela doença. Como os hormônios de stress (Cortisol etc.) são prejudiciais ao processo de recuperação da saúde, as pessoas com predisposição genética para a fé e pensamento mágico foram selecionadas pela evolução. (Obs: Entretanto neste paper se revela que os placebos funcionam mesmo se os pacientes estão conscientes de que estão tomando substâncias inócuas).

No paper abaixo se revela uma possível ligação entre a suscetibilidade ao efeito Pacebo e certas variações em genes ligados ao transporte e síntese de Serotonina. A minha hipótese sobre seleção da suscetibilidade do efeito Placebo gera as seguintes previsões experimentalmente testáveis:

  1. As pessoas com a predisposição genética ao efeito Placebo são maioria mesmo na população tratada por medicina científica, dada que esta surgiu a pouco tempo na história da humanidade.
  2. As variações genéticas que predispõe ao efeito Placebo observadas pelos autores devem estar bem mais presentes em todas as sociedades onde o Xamanismo é o principal meio de cura (culturas indígenas etc.)
  3. Deverá existir uma correlação positiva entre susceptibilidade genética ao efeito placebo e religiosidade e uma correlação negativa entre resposta a efeito placebo e ceticismo/ateísmo. Neste blog já foi discutida a relação entre TDAH e ceticismo, mas agora temos uma hipótese complementar de que religiosos portaria os alelos longos do gene 5-HTTLPR ou a variação G do polimorfismo TPH2 G-703T, enquanto que céticos e ateus carregariam as versões curtas desses alelos. Se alguém fizer essa experiência, por favor, me cite, OK?
  4. Os alelos longos estarão mais presentes nas mulheres pelo fato de que, possivelmente, eram as mais tratadas (e suscetíveis) pelos Xamãs (especialmente nas complicações de parto). Isso explicaria a eficácia de certas práticas mais disseminadas entre as mulheres como simpatias (não existe receitas de simpatias na Playboy) e religiosidade/espiritualidade: possivelmente temos quatro mulheres para cada homem nas religiões, e quatro  homens para cada mulheres nos círculos céticos.

A Link between Serotonin-Related Gene Polymorphisms, Amygdala Activity, and Placebo-Induced Relief from Social Anxiety

  1. Tomas Furmark 1 ,
  2. Lieuwe Appel 2 ,
  3. Susanne Henningsson 3 ,
  4. Fredrik Åhs 1 ,
  5. Vanda Faria 1 ,
  6. Clas Linnman 1 ,
  7. Anna Pissiota 1 ,
  8. Örjan Frans 1 ,
  9. Massimo Bani 4 ,
  10. Paolo Bettica 4 ,
  11. Emilio Merlo Pich 4 ,
  12. Eva Jacobsson 5 ,
  13. Kurt Wahlstedt 5 ,
  14. Lars Oreland 6 ,
  15. Bengt Långström 2 , 7 ,
  16. Elias Eriksson 3 , and
  17. Mats Fredrikson 1

+Author Affiliations


  1. 1Department of Psychology, Uppsala University, SE-751 42 Uppsala, Sweden,

  2. 2Uppsala Imanet, GE Healthcare, SE-751 09 Uppsala, Sweden,

  3. 3Department of Pharmacology, Göteborg University, SE-405 30 Göteborg, Sweden,

  4. 4GlaxoSmithKline, Medicine Research Centre, 37135 Verona, Italy,

  5. 5Quintiles AB Phase I Services, SE-753 23 Uppsala, Sweden,

  6. 6Department of Neuroscience, Pharmacology, Uppsala University, SE-751 24 Uppsala, Sweden, and

  7. 7Department of Biochemistry and Organic Chemistry, Uppsala University, SE-751 23 Uppsala, Sweden

Abstract

Placebo may yield beneficial effects that are indistinguishable from those of active medication, but the factors underlying proneness to respond to placebo are widely unknown. Here, we used functional neuroimaging to examine neural correlates of anxiety reduction resulting from sustained placebo treatment under randomized double-blind conditions, in patients with social anxiety disorder. Brain activity was assessed during a stressful public speaking task by means of positron emission tomography before and after an 8 week treatment period. Patients were genotyped with respect to the serotonin transporter-linked polymorphic region (5-HTTLPR) and the G-703T polymorphism in the tryptophan hydroxylase-2 (TPH2) gene promoter. Results showed that placebo response was accompanied by reduced stress-related activity in the amygdala, a brain region crucial for emotional processing. However, attenuated amygdala activity was demonstrable only in subjects who were homozygous for the long allele of the 5-HTTLPR or the G variant of the TPH2 G-703T polymorphism, and not in carriers of short or T alleles. Moreover, the TPH2 polymorphism was a significant predictor of clinical placebo response, homozygosity for the G allele being associated with greater improvement in anxiety symptoms. Path analysis supported that the genetic effect on symptomatic improvement with placebo is mediated by its effect on amygdala activity. Hence, our study shows, for the first time, evidence of a link between genetically controlled serotonergic modulation of amygdala activity and placebo-induced anxiety relief.

Placebo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Este artigo se refere ao efeito placebo; para a banda de mesmo nome, veja Placebo (banda).

Placebo (do latim placere, significando “agradarei”) é como se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos dacrença do paciente de que está a ser tratado.

Muitos médicos também podem atribuir efeito placebo a medicamentos com princípios activos, mas que apresentam efeitos terapêuticos diferentes do esperado. Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode aliviar a dor de cabeça de quem acredite estar ingerindo um analgésico, sendo um exemplo clássico de que o que cura é não apenas o conteúdo do que ingerimos mas também a forma. Seguindo esta corrente de pensamento, o dicionário médico Hooper cita o placebo como “o nome dado a qualquer medicamento administrado mais para agradar do que beneficiar o paciente”.

O placebo pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea:

  • Aumento da frequência cardíaca e respiratória
  • Produção e liberação de adrenalina na circulação sanguínea
  • Contracção dos vasos sanguíneos

Essas respostas orgânicas são vantajosas para reacções de fugir ou lutar contra agressores externos. Mas também prejudicam a cicatrização e o fluxo de leucócitos, e são, portanto, prejudiciais para o processo de cura, sendo aqui o efeito placebo bastante útil.

O efeito placebo pode ainda ser usado para testar a validade de medicamentos ou técnicas verdadeiras. Consiste, por exemplo, no uso de cápsulas desprovidas de substâncias terapêuticas ou contendo produtos conhecidamente inertes e inócuos, que são administrados a grupos de cobaias humanas ou animais para comparar o efeito da sugestão no tratamento de doenças, evitando-se atribuir possíveis resultados terapêuticos a tratamentos sem valor. Na comparação com placebo estabelece-se a validade de um medicamento ao compará-lo com os processos de cura espontânea ou por sugestão. O princípio subjacente é o de que num ensaio com placebo, parte do sucesso da substância activa é devido não a esta mas sim ao efeito placebo da mesma.

Ligações externas

Por que estudar Teologia?

“É importante aprender a não se aborrecer com opiniões diferentes das suas, mas dispor-se a trabalhar para entender como elas surgiram. Se depois de entendê-las ainda lhe parecerem falsas, então poderá combatê-las com mais eficiência do que se você tivesse se mantido simplesmente chocado.” Bertrand Russell.

Na verdade, o melhor motivo é que, sem noções de Teologia, você não poderia verdadeiramente apreciar a Trilogia Matrix, Philip K. Dick ou Stanislaw Lem:

Autovalores e autovetores de Matrix

Palestra no DFM-FFCLRP

Quatro Leituras de Matrix.ppt

A Regulamentação do Aborto e o Voto Religioso (I)

Juliana M. Kinouchi é a favor da descriminalização do aborto. Nice, a mãe dela, criada na Igreja Batista, também é a favor. Juliana sabe que, se o aborto fosse livre em 1995, ela não teria nascido, pois minha bolsa de doutorado tinha se encerrado e a hipótese foi aventada. Juliana não se importa: “Não faz mal, eu não teria sentido nada! Continuo achando que a mulher deve ter o direito da livre-escolha”.

Para evitar maniqueismos, devemos lembrar que Edir Macedo, da Igreja Universal do reino de Deus, também é a favor da descriminalização (sua mãe fez um aborto). Eu, como petista histórico e ex-metodista, também era a favor,  até as eleições do dia 03. Mas acho que minha fé a favor da descriminalização do aborto está balançando… Acho que a estratégia deve ser outra, senão ficaremos reféns da direita (religiosa ou PSDEMôniaca). Explico.

Talvez a bandeira do aborto livre seja uma tese datada (do feminismo do século passado). Afinal, não é porque Carl Sagan defendia o aborto livre que todo blogueiro de ciência deveria defender, não é mesmo? Sagan também batia na Lynn Margulis (ele era o Netinho da Divulgação Científica?) e nem por isso precisamos concordar com ele em tudo. Correto?

Quem me chamou a atenção para isso foi, de novo, meu irmão Marcelo R. Kinouchi. Ele me disse que, se você pensar bem, não dá para entender porque a tese do aborto livre com apoio estatal é, necessariamente, um tese de esquerda. Historicamente, ela foi certa vez uma tese da extrema-direita (Hitler apoiava o aborto como forma de eugenia). E o aborto, especialmente se for dos fetos das mulheres pobres e negras, é uma tese da Revista Veja e de toda a classe média reacionária.

Por outro lado, a esquerda sempre se pautou pela defesa daqueles que não tem voz, que são indefesos, como os pobres, os indígenas, os idosos, os deficientes, as crianças e os animais. Por exemplo, eu tenho uma amiga blogueira (atéia radical) que é vegetariana e não come nem camarão. Oras, se você tem escrúpulos em matar um camarão, então deveria ter escrúpulos em matar um feto. Se não, então me explique por que não?

O argumento principal a favor do aborto livre é que no Brasil se pratica 1 milhão de abortos por ano, dos quais metade são clandestinos (eu gostaria de conhecer melhor essa estatística, alguém poderia me dar uns links? Não é óbvio como se consegue fazer 500 mil abortos legais no Brasil hoje). Pois bem, desses 600 mil abortos (vamos supor 100 mil a mais, OK?), cerca de 300 redundam em mortes (menos que a gripe suína em grávidas, por exemplo). Ou seja, a taxa de mortalidade é de 300/600.000 = 0,0005 = 0,05% ou 1 caso a cada 2 mil abortos. Isso nas piores condições das clínicas clandestinas!

Ora, politicamente, defender o aborto livre não faz o menor sentido. Eu sei que “toda vida é sagrada”, mas salvar 300 pessoas (o mesmo número de pessoas que morrem anualmente por quedas de raios no Brasil!) parece ser um benefício muito pequeno para o custo de se perder uma eleição para presidente e um projeto político nacional (que poderá salvar 300 mil pessoas de morte por fome e miséria, por exemplo). Se você usar o conceito (laico) do pragmatismo ético, é eticamente imperativo salvar 300 mil em vez de 300. Apenas se você for muito religioso e irracional, é que você defenderia que a vida dessas 300 mulheres é sagrada acima de tudo o mais.

Ou seja, a defesa do aborto livre é um vetor que aponta na direção contrária de todos os vetores defendidos pela esquerda laica! Se você pretende ser a voz dos que não tem voz, a defesa dos que são indefesos, então nada existe de mais sem voz, mais indefeso, do que um feto: ou seja, no caso do aborto livre, o feto está totalmente indefeso frente ao egoísmo da mãe, que pode fazer com ele o que ele quiser: abortá-lo mesmo por motivos fúteis (para não perder o namorado, a menina aceita fazer sexo sem camisinha, sabendo que poderá abortar no SUS depois), religiosos (“minha família é muito religiosa e não aceita que eu engravide antes do casamento, logo é melhor abortar secretamente”), estéticos (“vou abortar porque não quero ficar com celulite e estrias!”) ou financeiros (“uma gravidez não convém agora, estou disputando um cargo na minha empresa!”,  “meu bem, eu aborto se você me der R$ X, de modo que não precisará pagar pensão!”, “se eu não abortar, serei despedida do emprego”). É claro que não são essas as razões dos 1 milhão de abortos anuais, mas eu chuto que uns 30% pode ser um número razoável.

Ora, o argumento sobre o aborto livre é que, dado que o feto não pode viver sem a mãe, que ele faz parte do corpo dela (em termos científicos isso não é verdade, os genomas são diferentes e talvez, ecologicamente falando, são os genomas que deveriam ter direitos universais), o aborto deve ser decidido a partir do livre-arbítrio da mãe (mas a Neurociência já não demonstrou que o livre-arbítrio é uma ilusão?).

Será que os 1 milhão de abortos anuais brasileiros são frutos de livre escolha ou as mulheres são pressionadas pelos namorados (a fim de evitarem pagar pensão), pelos empregadores capitalistas (a fim de evitar pagar a licença maternidade),  pela família conservadora (que quer casar a filha com um bom partido e não com o menino pobrezinho que a engravidou). Em uma sociedade tão machista como a nossa, será que o aborto não é muito conveniente para os machos?

Ou seja, eu não estou combatendo a idéia do aborto livre mas apenas observando que a tese é bem mais problemática e não necessariamente feminista. Pode bem ser uma tese machista!

Melhor seria defender não o aborto livre mas o aborto regulamentado: definir em que condições a mulher pode escolher abortar (por exemplo, proibir o aborto por motivos fúteis ou pressão financeira de empregadores e namorados). Nesse sentido, o tal Estatuto do Nascituro (na mesma linha do Estatuto da Criança e Adolescente) parece estar mais alinhado com as idéias de esquerda (é claro que isso dependerá de seu conteúdo). Por exemplo, acho que ninguém seria contra a defender que, mesmo em caso de aborto livre, deve-se dar anestésico ao feto, ver aqui.

Ou seja, lanço o debate: É verdade que o aborto livre é uma tese feminista de esquerda ou é uma tese datada, ultrapassada, assumida pela esquerda apenas por inércia, defendida pelos liberais agnósticos apenas para se contrapor (sem pensar muito, ou seja, de forma irracional) aos conservadores religiosos? Em que sentido o aborto livre não é uma prática machista e eugenista de mercado? Deixem nos comentários seus argumentos e posições.

A fé entrou na campanha (trecho)

Como o debate sobre Deus e o aborto interfere no segundo turno das eleições – e pode inaugurar uma nova fase na política brasileira

IVAN MARTINS E LEONEL ROCHA. COM KÁTIA MELO, MARTHA MENDONÇA, NELITO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO BOMBIG E GUILHERME EVELIN

A religião não é um tema estranho às campanhas políticas no Brasil. A cada par de eleições, o assunto emerge da vida privada e chega aos debates eleitorais em favor de um ou outro candidato, contra ou a favor de determinado partido. Em 1985, o então senador Fernando Henrique Cardoso perdeu uma eleição para prefeito de São Paulo depois de um debate na televisão em que não respondeu com clareza quando lhe perguntaram se acreditava em Deus. Seu adversário, Jânio Quadros, reverteu a seu favor uma eleição que parecia perdida. Quatro anos depois, na campanha presidencial que opôs Fernando Collor de Mello a Lula no segundo turno, a ligação do PT com a Igreja Católica, somada a seu discurso de cores socialistas, fez com que as lideranças evangélicas passassem a recomendar o voto em Collor – que, como todos sabem, acabou vencendo a eleição.

RENDIÇÃO

Esses dois episódios bastariam para deixar escaldado qualquer candidato a um cargo majoritário no país. Diante de questões como a fé em Deus, a posição diante da legalização do aborto ou a eutanásia, ou o casamento gay, o candidato precisa se preparar não apenas para dizer o que pensa e o que fará em relação ao assunto se eleito – mas também para o efeito que suas palavras podem ter diante dos eleitores religiosos. Menosprezar esse efeito foi um dos erros cometidos pela campanha da candidata Dilma Rousseff, do PT. Read more [+]

Censura no SEMCIÊNCIA

Um jovem de 26 anos, expoente da direita religiosa Serrista e dono de um extenso currículo (maior que o do Serra!) acaba de me mandar uma notificação extrajudicial através de sua irmã advogada de 22 anos requerendo que seja retirado um comentário difamatório postado no SEMCIÊNCIA antigo (foi o que entendi, pois me parece que o próprio post não configura difamação (ver a seguir) mas apenas um comentário político sobre uma pessoa pública).

Eu não havia percebido a presença de tal comentário injurioso (no antigo SEMCIÊNCIA eu deixava os comentários livres, sem exigir aprovação). Concordo com o requerente que o comentário é indevido e assim retirei não apenas o comentário mas o post completo (a fim de ponderar com mais cuidado sobre o assunto). Agora preciso descobrir como se retira o post no cache do Google, se alguém tiver essa informação, que me envie, por favor.

A fim de evitar qualquer tipo de calúnia e difamação no entender do requerente (mas eu apenas divulguei o curriculum público que estava no site dele!), vou chama-lo de XXX. A seguir reproduzo o post censurado.

O tipo de evangélico que apóia José Serra…

O pessoal ainda não se tocou que existem evangélicos e evangélicos: Evangélicos adotaram o Criacionismo no século XIX para combater o Movimento Eugenista que se dizia ser científico e Darwiniano na época. Ou seja, naquela época, o Criacionismo era progressista e foi adotado para combater o Darwinismo Social (que, afinal, era pseudocientífico também!). Cem anos depois, o Criacionismo é apenas a ideologia da direita religiosa Serrista e da extrema direita do Tea Party (os “modernos fariseus”, como dizia um antigo hino metodista).

Não temos apenas Sarah Palin, Bush e Garotinho no campo evangélico. Martin Luther King era evangélico, Obama é evangélico, Bruce Olson é evangélico (esse cara é um gênio da linguística, um missionário tipo Dorothy Stang). Existem evangélicos do lado bom da Força e do lado Negro da Força. O mesmo vale para os ateus (do not forget Stalin , Mao and Pol Pot, please!).

Parodiando Luther King, “Eu tenho um sonho… Eu tenho um sonho de que um dia um ser humano será julgado pelo seu caráter, e não por sua religião ou falta de religião”.

Garotinho apóia Dilma, e agora “XXX” apóia Serra.

E ainda criticam Marina Silva, cuja trajetória está ligada à Teologia da Libertação… (UPDATE: Marina não recebeu apoio oficial de nenhum lider evangélico conservador. Por que será?)

Sem comentários…

De uma página de propaganda do Serra: Obrigado a exilar-se novamente, Serra foi para os Estados Unidos, onde obteve outro mestrado e o doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Cornell.
E foi, por dois anos, professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Ou melhor, um comentário: a informação de que Serra foi professor na Universidade de Princeton (divulgada em seu site oficial como governador, a menos que ele tenha deletado isso) é falsa: Serra foi pesquisador convidado do diretor (um pós-doc?),  o IEA não têm estudantes para que alguém seja “professor”. E fez o mestrado e o doutorado em Cornell em quatro  três?) anos não por ser um gênio, mas por serem cursos latu sensu sem defesa de tese por banca. E, até agora, não se encontrou a dissertação de mestrado de Serra na completíssima biblioteca de Cornell, não se sabe por que… E meus amigos da UNICAMP ficam melindrados e não querem falar sobre o processo de contratação (política) do Serra, nem sobre o fato de que ele, durante os seis anos que esteve lá, não publicou uma vírgula em alguma revista com peer review. Pergunta ingênua e sincera: Alguém conhece algum orientado do Serra?

Eu só não faço um comentário sobre o tamanho do currículo do XXX porque tenho medo de ser processado (acho que a irmã dele é advogada). Mas que um jovem de 26 anos tenha tal currículo só é possível para pessoas que têm XXX no próprio nome…

Update: Será que o pai ou a mãe desses jovens evangélicos não deveriam dar uns conselhos a fim de que seus filhos não sejam condenados pela Bíblia?

< Mateus 7:21-27 >
“Nem todo que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!

Exemplos de Evangélicos, Católicos e Ateus do lado bom da Força:

Bruce Olson:

As Olson’s work with the Barí grew, he helped them establish a written language, schools, community health centers, and even to work with the Colombian government to protect Barí lands. As Barí young people began to be fluent in both Barí and in Spanish, they studied to become doctors, lawyers, and other professionals, but brought their expertise back to the tribe, using it from within their culture.

A key distinctive of Olson’s missionary work is that rather than “Westernizing” or “Americanizing” the Barí, he made a concerted effort to become a part of the indigenous tribe. The changes that have come to the Barí have come from within their culture, honoring and respecting their culture, rather than replacing it with the culture of the Western world. This has resulted in criticism from some quarters, while many more missionaries have taken his work as an example to follow.

Olson’s autobiography Bruchko, about his experiences in South America, is required reading in many missionary training programs. He followed it up in 2006 with Bruchko and the Motilone Miracle, which continues the story of Olson’s work with the Barí.

Bruce Olson speaks at least 16 languages, including several tribal tongues.

Dorothy Stang:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931Anapu 12 de fevereiro de 2005) foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira.

Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.

Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e conseqüente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, à 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

  • Mataram irmã Dorothy (2009) – documentário do norte-americano Daniel Junge, narrado por Wagner Moura. Apresenta um retrato fiel do crime e das condições que o provocaram. [4]
  • Como exemplo de ateu do Bem, eu ia colocar aqui o Che Guevara, mas alguns ateus amigos meus  PSDBistas discordam dessa escolha. Pensei no Bertrand Russell, mas não sei se suas quatro ex-esposas concordariam com o diagnóstico. Acho que acreditaria mais em biografias escritas por ex-esposas, seria muito divertido se existisse isso, não?

    Russell conheceu, inicialmente, a Quaker americana Alys Pearsall Smith quando tinha 17 anos de idade. Apaixonou-se pela sua personalidade puritana e inteligente, ligada a vários activistas educacionais e religiosos, tendo casado com ela em Dezembro de 1894.

    O casamento acabou com a separação em 1911. Russell nunca tinha sido fiel; teve vários casos com, entre outras, Lady Ottoline Morrell (meia-irmã do sexto duque de Portland) e a actriz Lady Constance Malleson.

    Russell estudou Filosofia na Universidade de Cambridge, tendo iniciado os estudos em 1890. Tornou-se membro (fellow) do Trinity College em 1908. Pacifista, e recusando alistar-se durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu a cátedra do Trinity College e esteve preso durante seis meses. Nesse período, escreveu a Introdução à filosofia matemática. Em 1920, Russell viajou até à Rússia, tendo posteriormente sido professor de Filosofia em Pequim por um ano.

    Em 1921, após a perda do professorado, divorciou-se de Alys e casou com Dora Russell, nascida Dora Black. Os seus filhos foram John Conrad Russell (que sucedeu brevemente ao seu pai como o quarto duque Russell) e Lady Katherine Russell, agora Lady Katherine Tait). Russell financiou-se durante esse tempo com a escrita de livros populares explicando matérias de Física, Ética e Educação para os leigos. Conjuntamente com Dora, fundou a escola experimental de Beacon Hill em 1927.

    Após o fim do casamento com Dora e o adultério dela com um jornalista americano, em 1936, ele casou pela terceira vez com uma estudante universitária de Oxford chamada Patricia (“Peter”) Spence. Ela tinha sido a governante de suas crianças no verão de 1930. Russell e Peter tiveram um filho, Conrad.

    Na primavera de 1939, Russell foi viver nos EUA, em Santa Barbara, para ensinar na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Foi nomeado professor no City College de Nova Iorque pouco tempo depois, mas depois de controvérsia pública, a sua nomeação foi anulada por tribunal: as suas opiniões secularistas, como as encontradas em seu livro “Marriage and Morals“, tornaram-no “moralmente impróprio” para o ensino no college.

    Em 1952, Russell divorciou-se de Patricia e casou-se, pela quarta vez, com Edith (Finch). Eles conheciam-se desde 1925.

    Como sou fã do filme Contato, fica aqui então o exemplo de Jodie Foster:

    Foster is an atheist[60] and does not follow any “traditional religion.” She has discussed the god of the gaps.[61][62] Foster has “great respect for all religions” and spends “a lot of time studying divine texts, whether it’s Eastern religion or Western religion.”[34][63] She and her children celebrate both Christmas and Hannukah.[64] Some sources claim that Foster is a member of Mensa,[65][66] but Foster herself denied that she is a member in an interview on Italian TV network RAI.[67]

    Reflexões cientopolíticas (II)

    Meus amigos ateus precisam acordar para a realidade. Frente a inesperada (inesperada para quem?) importância que o dito voto religioso assumiu na presente eleição, sua única reação é a de fazer rantings (qual a tradução de ranting? resmungos?) sobre a mistura entre política e religião, como se isso não fosse novidade desde Moisés e o Faraó…

    Hélio Schwartsman, a quem muito prezo, tem renunciado a alguns conhecimentos básicos de sociologia em prol de surfar no modismo do neoateísmo (que é uma reação ao fundamentalismo, que por sua vez é uma reação à teologia liberal do século XIX).  Explico.

    Acho que desde Marx e a decadência dos Hegelianos de Esquerda (que eram os neoateus do século XIX) sabemos que a religião dominante (mas não as religiões marginais) é fruto ideologia econômica dominante, e não vice-versa. Ou seja, o neopentecostalismo da Teologia da Prosperidade, com sua ênfase no empreendedorismo dos fiés, é apenas fruto do neoliberalismo dominante da década de 1990 até a crise mundial.  É falso dizer que essas neoigrejas “exploram seus fiéis”, é mais acertado dizer que os fiés são sócios que pagam 10% de suas rendas, e que portanto o que interessa a essas neoigrejas é que a renda deles aumente, e é por isso que apóiam o Lula (Edir Macedo e a Renascer) e dão cursos do SEBRAE para seus fiéis.., etc.

    O problema do neoateísmo é que ele é muito pobre em seus argumentos quando comparado com o ateísmo clássico, esse sim intelectualmente respeitável e não panfletário. Se você quer defender uma boa causa (por exemplo, combater a péssima influência política da direita religiosa ou defender os direitos civis dos ateus), o ponto de partida é não usar argumentos falaciosos facilmente refutáveis. Exemplo: ficar falando que as religiões e os religiosos EM GERAL (ou seja, todos, incluindo Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa, Leonardo Boff, Frei Betto e Marina Silva!) SEMPRE levam à Inquisição (que foi um fenômeno social historicamente particular de uma religião em particular. Mais que isso, se o neoateu é cientificista (nem todos os ateus são, muitos são anticientíficos, como Nietszche), o argumento fica pior ainda porque a Ciência e a Tecnologia nela inspirada têm telhado de vidro. No mesmo exemplo, as bombas de Hiroshima e Nagasaki mataram mais pessoas (especialmente inocentes como crianças, mulheres, idosos) em um dia do que a Inquisição  matou em 300 anos de história (ou seja, cerca de 100 mil pessoas).

    Além do mais, não se deveria imputar aos católicos atuais (por exemplo, ao intelectual católico Reinaldo José Lopes, editor de ciências da Folha e colega do Hélio, e talvez o melhor blogueiro de ciências da blogosfera científica brasileira!) as faltas dos católicos ibéricos e italianos da Renascença e Alta Idade Média. Seria como imputar aos neoateus as faltas dos ateus Stalin e Mao Tse Tung, isso seria uma falácia grave.

    O pessoal realmente precisa acordar para a realidade histórica, em vez de ficar imaginando em sua torre de marfim de que vivemos na Era das Luzes da Ciência – nós não vivemos mais na era tecnocrática pelo menos desde a década de 60, com a Contracultura! E lembrar que a Era das Luzes não foi tão iluminada assim (lembram do Terror da Revolução Francesa?) e a Era das Trevas não foi tão tenebrosa assim (afinal, foi a Era das Catedrais, as quais prezamos e preservamos até hoje).

    Precisamos parar de wishful thinking: a Religião não vai desaparecer, vai apenas mudar de forma, se adaptar. O ateísmo não vai vencer, vai apenas sobreviver (como sempre o fez na história mundial), o número de ateus não está crescendo (em termos proporcionais), o futuro pertence a quem tiver mais filhos, ou seja, aos muçulmanos, aos  evangélicos e católicos conservadores que não fazem controle de natalidade. Isso se chama, em Biologia, fitness: ter o maior número de filhos férteis!

    Assim, Hélio comete uma grande falácia ao sugerir em sua coluna (e ele sabe que a está comentendo, pois avisa o leitor disso) que a correlação inversa entre PIB per capita e religiosidade implica que a religião produz pobreza ou impede a riqueza (que raio de manchete é essa, Hélio?).

    Oras, será que Hélio esqueceu do maior livros do século XX, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Weber? E esqueceu que Marx diria que Religião é um reflexo, um epifenômeno sem força causal, e que as verdadeiras forças são sócio-econômicas? Ou seja, para que sugerir uma falácia se sabemos de antemão que ela é falsa? Precisamos de uma argumentação neoatéia de melhor qualidade, não do panfletismo de Dawkins e Cia, que não sabe distinguir um protestante histórico de um evangélico, e muito menos um neopentecostal neoliberal como Edir Macedo (que é a favor do aborto!) e um pentecostal conservador, ou um pentecostal de esquerda como Marina de um católico de extrema direita como Alckmin.

    Pessoal, acordem! Desde a década de 80 os sociólogos da religião estão falando que o processo de secularização iniciado no século XIX cessou e se inverteu, que a revolução iraniana explicitou isso, que as utopias seculares morreram (tanto a Nova Cidade da Ciência liberal quanto o Socialismo Laico).

    Acordem! Usem o conhecimento acumulado sobre a Religião pela Antropologia, Sociologia, etc. Leiam Marx (melhor ainda, Engels!), Durkhein e Weber, não Dawkins! Leiam Peter Berger! Leiam um pouco de Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia da Libertação, antes de atacar a Teologia! Pelo amor de Deus!

    Aborto? Melhor nem falar…

    7:37 | qua , 6/10/2010

    Leandro Loyola

    Eleições 2010 Tags:

    O discurso de José Serra corria bem no encontro do PSDB, na tarde desta quarta-feira, em Brasília. Até Serra abordar a questão do aborto, para dizer que não era um candidato com “duas caras”. Serra se referia, obviamente, à sua concorrente Dilma Rousseff (PT). A impressão de que Dilma seria favorável à legalização total do aborto é apontada, pelo PT e por pesquisas, como uma das causas da sua perda de votos na reta final do primeiro turno.

    Mas, ao tocar no assunto, Serra errou. “Todo mundo sabe que eu sou a favor do aborto… Eu já falei isso”. A platéia congelou. Serra percebeu o ato falho e corrigiu: “Quer dizer… Todo mundo sabe que eu sou contra o aborto. Eu já falei isso. Eu não tenho duas caras”. A platéia respirou aliviada. Mas ficou claro quão espinhoso e escorregadio é o tema nesta campanha eleitoral.

    Berger’s influential sociological works include:

    More recently he has written mainly on the sociology of religion and capitalism:

    • The Homeless Mind: Modernization and Consciousness (1973) with Brigitte Berger and Hansfried Kellner. Random House, ISBN 0394484223
    • Pyramids of Sacrifice: Political Ethics and Social Change (1974)
    • The Heretical Imperative: Contemporary Possibilities of Religious Affirmation (1979)
    • The Other Side of God: A Polarity in World Religions (editor, 1981). ISBN 0-385-17424-1
    • The War Over the Family: Capturing the Middle Ground (1983) with Brigitte Berger
    • The Capitalist Spirit: Toward a Religious Ethic of Wealth Creation (editor, 1990)
    • A Far Glory: The Quest for Faith in an Age of Credulity (1992)
    • Redeeming Laughter: The Comic Dimension of Human Experience (1997), ISBN 3110155621
    • The Limits of Social Cohesion: Conflict and Mediation in Pluralist Societies: A Report of the Bertelsmann Foundation to the Club of Rome (1998)
    • The Desecularization of the World: Resurgent Religion and World Politics (editor, et al., 1999). Wm. B. Eerdmans Publishing, ISBN 0-8028-4691-2
    • Peter Berger and the Study of Religion (edited by Linda Woodhead et al., 2001; includes a Postscript by Berger)
    • Many Globalizations: Cultural Diversity in the Contemporary World (2002) with Samuel P. Huntington. Oxford University Press. ISBN 978-0195151466
    • Questions of Faith: A Skeptical Affirmation of Christianity (2003). Blackwell Publishing, ISBN 1-4051-0848-7
    • In Praise of Doubt: How to Have Convictions Without Becoming a Fanatic (2009) with Anton Zijderveld. HarperOne. ISBN 978-0061778162
    • “Four Faces of Global Culture” (The National Interest, Fall 1997).

    Roberto Takata não vai mais votar em Serra!

    Roberto Takata é muito coerente: coloca os princípios éticos acima dos partidarismos políticos. Um PSDBista histórico, tornou-se petista de última hora. Mas ainda não entendi por que ele vai votar na Dilma (apoiada pelo Edir Macedo, Bispa Sonia etc.), agora que Marina foi rejeitada pelos líderes evangélicos farisaicos (ver aqui).

    Acho que o que o fez mudar de opinião foi este ridículo vídeo terrorista do Serra, ver acima.

    Um jantar memorável (I)

    Acho que é importante registrar na minha memória (vulgo este blog, dado que meu hipocampo está danificado) os detalhes daquele jantar do dia 30 de julho de 2010. Eu havia comentado com o Sidarta, após meu seminário no IINN-ELS, que queria conhecer o seu bebê e dar um alô para a Natalia. Comentei também que tinha combinado com o Bruno e a Michelle, que estavam me hospedando, preparar um jantar com comida indiana (o Dahl, acho que uma das poucas comidas que faço bem). Ele falou que gostaria de ir e que poderia levar o Robert Trivers (que tinha assistido o seminário).

    Perguntei para a Michelle se eu podia fazer um jantar grande assim (eu estava pensando em convidar o Wilfredo Blanco, doutorando do Sidarta,  e sua esposa Débora – especialista em autismo da UFRN) e ela me disse que eu tinha toda liberdade, que a sua casa sempre estava cheia com o pessoal do IINN.

    Bom, na sexta eu reencontrei o Ricardo Mioto da Folha na SBPC (ele tinha assistido o meu seminário na quinta por acaso), quando fui levar a Juliana para ela fazer a comunicação oral do Metáforas Científicas no Discurso Jornalístico. Achei que o Mioto podia se interessar pelo artigo, ele me pediu uma cópia etc. Daí achei que seria adequado convidá-lo para o jantar, ele poderia fazer uma entrevista com o Trivers (acho que ele já estava fazendo). Comentei com ele sobre a página da Wikipedia do Trivers, que era muito estranha por que continha informações bastante pessoais e um certo tom mítico (o Trivers me disse que não têm a menor idéia de quem pode ter escrito essa página). Read more [+]