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Drogas Teogênicas e Neuroteologia

Um amigo meu neurocientista me disse que, quando ele não consome uma certa droga teogênica, sua crença e comunicação com os Orixás (memes auto-organizados que cohabitam seu cérebro, ver A Mente Bicameral de Jaynes)  fica enfraquecida.

Já um outro colega, autor de um capítulo de livro sobre Neuroteologia,  confessa que sofre de TDAH e que sua deficiência de Dopamina provavelmente é a causa básica de seu ateísmo: “Afinal, epilépticos, esquizofênicos e bipolares são predispostos à religiosidade, mas gente com TDAH e Sindrome de Asperger (“Geek Syndrome” ou autismo de alto QI)  são em geral ateus”.

Em uma conversa particular (ops, estou revelando a fonte!), Ricardo Mioto da Folha de São Paulo acaba por concordar com minha teoria de que a proporção 4/1 entre ateus/atéias pode ser explicada pela proporção 4/1 da razão de sexos entre autistas.

Assim como existe uma genética da propensão à religiosidade, existe uma genética de propensão ao ceticismo e ateísmo. Embora nossa química cerebral não determine as nossas crenças, ela determina nossa maior ou menor capacidade de ter crenças. Isso é explicado pela nova disciplina de Neuroteologia.

A Geek Syndrome explica, por exemplo, o fato de que existe uma proporção maior de ateus na Academia Nacional de Ciências americana do que entre a população (controle) de cientistas normais. Roberto Takata contra-argumentou que correlação não é causação, e que o verdadeiro fator é que os geeks são mais inteligentes e portanto concluem racionalmente que a religião é bobagem. Ricardo Mioto chamou essa teoria de “geek self-serving theory”…

A teoria do homem como pequeno autista (segundo Mioto), ou seja, que todo homem apresenta traços autistas tais como fascínio por máquinas em vez de gente (e é isso basicamente que nos difere das mulheres) é uma das explicações propostas para o menor número de mulheres entre os grandes matemáticos e jogadores de xadrez. É claro, porém, que existem outras pressões sociais: se mesmo Penny do TBBT está se tornando geek, podemos prever que no futuro as mulheres geeks serão selecionadas evolucionariamente e teremos uma ascenção da humanidade em um outro patamar, talvez um tipo de geek sexy com habilidades sociais. Por que não?

Ver Penny citando Star Wars aqui.

Bom, nas discussões que tivemos, regadas a muito vinho e com a presença de Robert Trivers, eu e Mioto chegamos à seguinte conclusão: para testar estas idéias basta aprofundar as pesquisas sobre opção sexual e opção religiosa, além de fazer uma pesquisa sobre o consumo de cannabis entre os autistas… Segundo nossa teoria, a cannabis (ou talvez, o canbidiol) poderiam constituir um novo tratamento para o autismo e a geek syndrome.

O efeito colateral desse tratamento, porém, seria uma diminuição da população de céticos e ateus mas… você prefere ser ateu ou namorar a Penny? Do ponto de vista do Gene Egoísta (que é uma idéia original de Trivers, não de Dawkins), é bem melhor namorar a Penny e ter uns filhinhos com ela…

PS: Por favor, não confundam as probabilidades condicionais. Eu não estou afirmando que, dado que você é ateu, você tem mais probabilidade de ser autista, mas sim de que, dado que você é autista, você terá maior probabilidade de ser ateu.

Ateísmo Científico: um Manifesto


Vou lançar um manifesto aqui e ver se o Kentaro Mori e o Roberto Takata assinam (embora Takata me disse recentemente que não é ateu – virou agnóstico?).

Ateísmo Científico: Um Manifesto
Existem diversos tipos de ateísmo, sendo os mais proeminentes o ateísmo filosófico, o ateísmo metodológico e o ateísmo ideológico. O ateísmo filosófico é simplesmente a posição filosófica que afirma, com variados graus de probabilidade (no sentido de crença Bayesiana), que o Deus (deuses) das religiões tradicionais e o Deus dos filósofos não existe. Dessa afirmação não decorre necessáriamente nenhuma consequência em termos de filosofia de vida ou ação política: é apenas uma postura filosófica.
Já o ateísmo metodológico é uma regra epistemológica que prescreve que, não importando a posição filosófica do pesquisador ou cientista, ele não deve apelar para hipóteses que envolvem a ação de Deus ou deuses para explicar fenômenos naturais. Este princípio metodológico é aceito e usado mesmo por cientistas religiosos e acadêmicos que não são ateus filosóficos.
O ateísmo ideológico afirma que a crença em Deus (ou pelo menos as instituições religiosas) são, basicamente, prejudiciais ao ser humano. Por ideologia entendemos uma filosofia que prescreve ações políticas. Desta posição decorre que crenças religiosas devem ser combatidas intelectualmente e politicamente. Uma afirmação menos geral, a de que certas crenças e instituições religiosas são perniciosas e devem ser combatidas, pode ser adotada tanto por ateus ou religiosos.
Neste manifesto, propomos um novo tipo de ateísmo, o Ateísmo Científico, definido por sete pontos:
I. O Ateísmo Científico é racional: usa apenas argumentos de natureza científica, ou seja, tenta evitar metodologicamente as falácias lógicas, falácias estatísticas e afirmações empiricamente refutadas. O uso de argumentos puramente retóricos e emocionais é minimizado.
II. O Ateísmo Científico é acadêmico: defende a liberdade de expressão e opinião, o rigor e a honestidade intelectual.
III. O Ateísmo Científico usa a metodologia científica: sempre tentará embasar com evidências científicas o diagnóstico de que um dado aspecto da religião é pernicioso. Por exemplo, a afirmativa de que a religião inspira intolerância e violência deverá ser embasada a posteriori em estudos sociais, históricos e estatísticos academicamente respeitáveis em vez de ser afirmada de forma a priori.
IV. O Ateísmo Científico é falseável: assume o falsificacionismo Popperiano em relação a si mesmo, ou seja, define a priori as condições empíricas ou teóricas que implicariam em sua refutação.
V. O Ateísmo Científico é academicamente cordial: mantem-se dentro dos padrões de cordialidade acadêmica vingente na comunidade científica, sem o uso de ofensas pessoais e falácias ad hominem.
VI. O Ateísmo Científico não é conspiratório: ou seja, não usa argumentos que envolvam raciocínios conspiratórios e teorias de conspiração, uma vez que tais argumentos são a priori irrefutáveis.
VII. O Ateísmo Científico baseia-se no naturalismo biológico não-reducionista: ou seja, deixa espaço para a subjetividade humana desde que ela seja minimamente formalizável em termos básicamente locais (dentro do cérebro) de processos físicos.
Lista de assinaturas:
1. Osame Kinouchi Filho – OsameKinouchi (Físico, Prof. Livre Docente do DFM-FFCLRP-USP)
2. André Luiz Alves Rabelo – (André, mande seu nick de twitter!)
3. E. Helena Neviani – Be_neviani (Química e Tuiteira de Ciências)
4. Juliana Motta Kinouchi – julianakinouchi (Colégio Metodista)
5. Mônica Guimarães Campiteli (Bióloga e Física, pós-doc IFSC-USP)
6. Rodrigo Rota (doutorando DQ-FFCLRP-USP)
7. Francisco Boni Neto – boni_bo
8. Pedro Almeida
9. Bruno Lobao Soares (Prof. Dr. – UFRN  e pesquisador colaborador do IINN-ELS)
10. Ariadne de Andrade Costa (física, mestranda DFM-FFCLRP-USP)
Observação: Estamos abertos para mais sugestões de items para a definição do Ateísmo Científico. Os mesmos princípios poderiam ser usados para definir o Ceticismo Científico, o Agnosticismo Científico e o Darwinismo Cosmológico, embora as posições filosóficas e ideológicas dessas diversas correntes sejam diferentes.
Update: Quando esta lista atingir 20 assinaturas, irei sortear o livro Em nome de Deus – O fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo – Karen Armstrong.
 
 
 
 

 

Mais uma evidência conectando inteligencia e autismo

Socioeconomic gradients in autism cases may not be self-selected

JULY 13, 2010
by EcoPhysioMichelle

Throughout my life, I’ve often been told (usually by way of consolation) that autistic children are born to intelligent families. One of my two younger brothers has severe autism. I was very young when he was diagnosed, and for a while he was treated as though he had a speech and language disorder. If I had to guess, I would say that he was diagnosed around the age of 5-6. The earliest warning sign was that he didn’t start talking at the stage in development where that usually happens. While my brother is still fond of social interaction, his main symptom to this day (he’s now 23) remains an inability to carry a conversation. He uses language in a very crude manner, only stringing together 2-3 words at a time. “Go potty.” “All done.” “Hungry.” I have lots offeelings on this subject (believe me), but that’s not the point of this post.

ResearchBlogging.org

The dogma that autism is a disease of high(er) intelligence and socioeconomic status has been around since the first diagnoses for autism came out when my grandparents were kids. This is in opposition to the norm, where the prevalence of developmental disabilities is most often inversely related to socioeconomic status because parents in poor communities have fewer resources for parenting education and health services. In recent years, the argument that the higher prevalence of autism cases in families of higher socioeconomic status is self-selected; that is, parents with more access to resources and information about autism are more likely to seek out proper diagnosis and treatment for their child(ren).

In Socioeconomic Inequality in the Prevalence of Autism Spectrum Disorder: Evidence from a U.S. Cross-Sectional Study, Durken and colleagues studied datasets for several states from the Autism and Developmental Disabilities Monitoring Network to see if there was a change in the prevalence of autism rates due to socioeconomic gradient between cases where the child had a prior diagnosis for an autism spectrum disorder and cases where there was no prior diagnosis.

We designed the present study to examine—among a large, diverse, population-based sample of 8-year-old children in the United States in which ASD case status was determined regardless of whether a child had a pre-existing ASD diagnosis—whether the prevalence of ASD is associated with SES and, if so, whether the association is consistent across subgroups defined by race/ethnicity, gender, phenotypic characteristics, diagnosis, and data sources.

The authors found strong evidence of a positively-correlated socioeconomic gradient in children with autism spectrum disorders. This gradient was weaker but remained a positive relationship in children without a prior diagnosis. This means that even in cases where the parents did not seek diagnosis for their child, there was still an increase in autism cases with increasing socioeconomic status, albeit a weaker one. This is evidence that, while the magnitude of the gradient may be self-selected, there is very likely still a positive relationship between socioeconomic status and prevalence of autism. The causes for this relationship remain to be explored, but one possibility could be the average reproductive age of highly educated females vs. less educated females and other hidden factors.


Durkin, M., Maenner, M., Meaney, F., Levy, S., DiGuiseppi, C., Nicholas, J., Kirby, R., Pinto-Martin, J., & Schieve, L. (2010). Socioeconomic Inequality in the Prevalence of Autism Spectrum Disorder: Evidence from a U.S. Cross-Sectional Study PLoS ONE, 5 (7) DOI:10.1371/journal.pone.0011551