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O Papa e a corrupção

Piloto de Podcast

Ainda não temos nome. Ainda não temos formato. Nem assunto temos. Mas no último domingo, Antônio Carlos Roque, Luciano Bachmann, George Cardoso e eu fizemos um piloto, regado a muita comida e vinhos na casa do Roque.
Conversamos das 11h às 21h, Ufa! Mas só gravamos duas horas e meia. Vou colocar alguns pedaços para degustação. Se alguém tiver ideia para o nome do Podcast, deixe no comentário por favor!

Engels e a Complexidade

Nova versão do paper, possivelmente a ser publicado na Revista da Tulha – USP

A precursor of the sciences of complexity in the XIX century

The sciences of complexity present some recurrent themes: the emergence of qualitatively new behaviors in dissipative systems out of equilibrium, the aparent tendency of complex system to lie at the border of phase transitions and bifurcation points, a historical dynamics which present punctuated equilibrium, a tentative of complementing Darwinian evolution with certain ideas of progress (understood as increase of computational power) etc. Such themes, indeed, belong to a long scientific and philosophical tradiction and, curiously, appear already in the work of Frederick Engels at the 70’s of the XIX century. So, the apparent novelity of the sciences of complexity seems to be not situated in its fundamental ideas, but in the use of mathematical and computational models for illustrate, test and develop such ideas. Since politicians as the candidate Al Gore recently declared that the sciences of complexity have influenced strongly their worldview, perhaps it could be interesting to know better the ideas and the ideology related to the notion of complex adaptive systems.

Comments: 29 pages, no figures, in Portuguese
Subjects: Popular Physics (physics.pop-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:physics/0110041 [physics.pop-ph]
(or arXiv:physics/0110041v2 [physics.pop-ph] for this version)

Uma entrevista sobre divulgação científica

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    Entrevista concedida à Juliana Oliveira, do curso de Licenciatura em Química da FFCLRP – USP
  1. Quando começou seu interesse por ciências?

Como muitos de minha geração, creio que foi com o pouso da Apolo XI na Lua em 1969. Eu tinha apenas seis anos, mas ainda me lembro das imagens na TV. No ano seguinte, apareceu o cometa Benett, muito visível nos céus brasileiros, despertando meu interesse por astronomia. Acho que minha primeira mesada, com dez anos de idade, foi gasta com um livro de Astronomia (e outro de OVNIs…). Na mesma época, meu pai começou a comprar a coleção Os Cientistas, que vinha com experimentos a serem feitos. Acho que com doze anos eu já tinha meu telescópio, e fazia observações sistemáticas de manchas solares, fases de Vênus, anéis de Saturno, posição de Marte no céu e observação dos satélites de Júpiter. Aos treze anos, eu e um colega tentávamos fazer experimentos controlados de telepatia, clarividência e telecinesia. Aprendi a traçar gráficos e séries temporais plotando a frequência de relatos de OVNIs em função do tempo. Nunca deu em nada (claro!), mas aprendemos a fazer estatísticas e testes de significância. Nessa época acho que minha biblioteca já contava com cerca de cinquenta volumes, a maior parte de pseudociências (minha geração foi muito influenciada pelo livro O Despertar dos Mágicos, de Powels e Bergier e pela revista Planeta). Aprendíamos alguma coisa de ciência nesses meios, pois não havia muitos livros de divulgação científica propriamente dita. Ou seja, tudo se definiu antes dos treze anos de idade.

  1. Como começou seu interesse por divulgação científica?

Como leitor, como eu disse, primeiro foram os livros de pseudociências (que de um jeito ou outro nos estimulava como mistérios a serem solucionados cientificamente) e alguns livros de Astronomia. Mais tarde comecei a ler livros de Carl Sagan e outros. Não havia revistas de divulgação científica nem documentários, filmes ou museus de ciência. A revista Planeta, editada na época pelo escritor Ignácio de Loyola Brandão, mesmo com todo o seu pendor New Age e alternativo, trazia reportagens e notícias sobre ciência e tecnologia.

  1. Como você definiria divulgação científica e qual seria a importância da mesma para a sociedade atual?

Existem dois tipos de divulgação científica: o primeiro onde quem é mais favorecido são a ciência e os cientistas (divulgando seu trabalho, justificando os gastos públicos com a ciência, despertando novas vocações científicas, promovendo a educação e a cultura científica etc.) e o segundo em que o objetivo é empoderar o público leigo em ciências, fornecendo-lhes novos conceitos (e metáforas) para poder entender sistemas complexos como a sociedade, a economia, a história, a política etc. Dou um exemplo: se você procurar pela palavra pêndulo em um site de notícias como a FOLHA, Estadão ou G1, cerca da metade das vezes a palavra estará sendo usada como metáfora, tipo O pêndulo político oscilou do PT para o PSDB. Essa metáfora do pêndulo é pobre, reflete um conhecimento básico de física Newtoniana dado no ensino médio. Traduz uma ideologia mecanicista de como encarar a sociedade: outras metáforas Newtonianas aplicadas à sociedade são: forças sociais, equilíbrio de forças, tensão social, ruptura social, revolução, equilíbrio de poder etc. É uma mecânica estática, uma ideologia pobre, que constrange e limita o pensamento e a capacidade de pensar a sociedade de quem a está usando. Mas imagine que a divulgação científica familiarize o público com os conceitos de Caos, fractais, bacias de atração, pontos de bifurcação, transições de fase, auto-organização etc, temas hoje estudados pela Econofísica e Sociofísica. Um novo vocabulário, mais rico e poderoso, poderia ser usado para se pensar temas sociais, em vez de se usar a metáfora pobre e limitante do pêndulo, que envolve oscilações com período bem definido, é um sistema dinâmico de baixa dimensão etc.). Acho que o papel da cultura científica deveria ser empoderar as pessoas, e não apenas defender os interesses da ciência (uma tarefa válida também, mas não única). Tenho um artigo publicado sobre isso:

Metáforas científicas no discurso jornalístico

Rev. Bras. Ensino Fís. vol.34 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2012

  1. O jornalista brasileiro está preparado para fazer divulgação científica?

Os que se especializaram em jornalismo científico tem boa preparação. Podem aprender algo com os blogueiros de ciência (e os blogueiros de ciência tem algo a aprender com os jornalistas, por exemplo não confrontar e afastar seus leitores especialmente em temas delicados como Evolução). Dou como exemplo de ótimo jornalista científico o da FOLHA Reinaldo José Lopes, responsável pelo blog Darwin e Deus.

  1. Por que muitos pesquisadores não se interessam por essa atividade?

Muitos pesquisadores não leem livros e revistas de divulgação científica, e nem mesmo romances de ficção científica. Reclamam de falta de tempo, mas me parece ser mais uma característica pessoal (não leem livros de Literatura também, não são leitores). Daí não surge a aspiração para contribuir com essa atividade. Além disso, é muito mais fácil escrever um paper do que um artigo ou livro de divulgação científica, pois os mesmos têm que ter estilo agradável, despertar o interesse do leitor, usar uma linguagem especial, acessível e sem jargões. Isso não é fácil para o pesquisador típico.

  1. Segundo as últimas pesquisas, o youtube é a quarta mídia mais acessada pelos brasileiros. Qual o potencial dessa mídia social como você explicaria o aparecimento de um grande número de vlogs que abordam ciência e tecnologia como principal temática?

Sim, parece que está é a grande onda do momento. Aqui no Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria estamos organizando, em nossa página, um portal que redirecione para todos os vlogs de ciência em português que pudermos encontrar. Já temos um portal parecido, o Anel de Blogs Científicos, para os blogs em português.

  1. Como a divulgação de ciência e tecnologia poderia contribuir para a educação formal?

É uma leitura (ou no caso dos vídeos) mais agradável e instigante que as aulas formais. Acho que ajuda na motivação dos alunos e no despertar de vocações científicas. No caso dos alunos que não se dedicarão à ciência, acho que ajuda muito na criação de um background mínimo de cultura científica (idealmente com aquele papel de empoderamento que citei). Acho também que os vídeos e em especial os livros (que se aprofundam mais) deveriam ser aproveitados pelo menos pelos professores de ensino fundamental e médio. A maior parte dos professores não conhece, por exemplo, as revistas Scientific American Brasil e Revista Mente e Cérebro, e nunca leu um livro de divulgação científica. Recomendo que, se o problema é falta de tempo, assistam os ótimos documentários de divulgação científica da BBC, NATGEO e NOVA, que podem ser encontrados no YOUTUBE, assim como os novos Vlogs de ciências tais como o Nerdologia.

Atentado em boate é o pior nos EUA desde o 11 de Setembro

Atentado em boate é o pior nos EUA desde o 11 de Setembro; veja lista

DE SÃO PAULO

O atentado na boate Pulse, em Orlando, foi o pior da ataque terrorista desde o 11 de setembro nos Estados Unidos. Saiba quais foram os maiores e mais recentes ataques a tiros no país.

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Porque a Direita fracassou e o que pode fazer para vencer

Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos novos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto. À esquerda, o senador Aécio Neves (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por Osame Kinouchi

A Direita fracassou nas eleições de 2014. E não foram por poucos votos. Os votos da Direita só alcançaram um número perto de 50% por causa dos votos de Marina, que em última hora recomendou votar em Aécio. Só tem um problema: Marina não é de direita.

Mas o PSDB também não é de Direita, vamos reconhecer. Sua proposta original, que está em seu nome, é a Social Democracia com Welfare State, não os livres mercados desregulados que nos trouxeram a crise mundial de 2008. E também não é um partido que defende uma moral conservadora, dado que seu ícone maior, Fernando Henrique Cardoso, defende a descriminalização do aborto e da maconha, e mesmo a integração acolhedora de filhos ilegítimos em favor da família brasileira.

Assim, se contabilizarmos os votos reais para a Direita, veremos que é uma parcela minoritária da sociedade, talvez 30% do eleitorado. O resto é constituído de liberais econômicos (que, se forem também liberais em moralidade, não são exatamente Direita) ou Marinistas. Com essa base social não dá para ganhar eleição majoritária, e isso explica o fracasso das quatro últimas eleições presidenciais.

Neste texto analisarei os símbolos e metáforas usados pela Direita e pelos Liberais e em que medida tais elementos de discurso são prejudiciais tanto à causa do Conservadorismo quanto à causa do Liberalismo. Esta análise é feita a partir da Teoria das Metáforas Cognitivas de Lakoff e Johnson, que sugere que existe ampla correlação entre as metáforas usadas por uma pessoa e sua ideologia política.

Símbolos e metáforas são poderosos meios de comunicação por veicularem ideias de forma inconsciente, formando associações, teias conceituais, paradigmas. Se uma pessoa ou político faz alusão à sociedade como um todo orgânico (“não há, ou não deveria haver, luta de classes nem interesses em conflito no Brasil” etc.), se ele diz que cada brasileiro émembro de uma grande família, de um grande corpo social, se usa símbolos da Pátria, teremos uma versão do Organicismo, onde cada pessoa é uma célula que deve viver para manter o equilíbrio da sociedade e os que questionam a sociedade atual seriam células cancerosas. Se, por outro lado, a pessoa se refere à sociedade como uma grande máquina (mecanismos de mercado, movimentos sociais, equilíbrio de forças políticas, pressão da opinião pública, temperatura das ruas etc.), isso reflete uma ideologia Mecanicista e seu repertório conceitual se restringe à Termodinâmica de Máquinas a Vapor do século XIX, nem mesmo chegando às metáforas mais modernas de sociedade como grande computador distribuído em nuvem, rede neural artificial ou sistema dinâmico com avalanches socio-históricas de todos os tamanhos e criticalidade auto-organizada (Self-organized Criticality ou SOC).

Voltemos ao que interessa: como mudar o discurso da Direita e dos Liberais (que chamarei de D&L), para angariar mais votos em 2018, ou antes, se a tese das Diretas Já! vingar? Como fazer para que as metáforas e símbolos usados pela D&L não a prejudiquem tanto a ponto de se perder sucessivamente as eleições? Lembremos que, se a eleição presidencial fosse hoje, estariam no segundo turno Marina e Lula, com certos candidatos do PSDB abaixo de Bolsonaro. Urge portanto repensar o discurso, os símbolos, as metáforas políticas, pois são estes os fatores decisivos para se angariar corações e mentes. Faço a seguir algumas sugestões e recomendações para os meus amigos Liberais e de Direita:

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Porque a Esquerda fracassou e o que pode fazer para vencer

Por Osame Kinouchi

Brasília- DF 13-04-2016 Presidenta Dilma durante cerimônia de Assinatura de renovação de contrato de arrendamento entre a Secretaria Especial de Portos e o Terminal de Contêineres de Paranaguá Palácio do Planalto Foto Lula Marques/Agência PT

 

 

Foto: Lula Marques

por Osame Kinouchi

Se o placar 367 x 137 não representa um retumbante fracasso das esquerdas capitaneadas pelo PT-PSOL-PCdoB então não é possível definir fracasso no dicionário. Assistindo cada voto da Câmera, em vez de apenas rir ou ridicularizar o baixo clero do “não”, comecei a analisar os votos em termos políticos, culturais e sociais. Apresento alguns pensamentos que creio que, senão academicamente perfeitos, são ao menos originais. Faço algumas recomendações também para que um eventual governo das esquerdas em 2018 ou antes (Diretas Já!) não seja um governo de minoria parlamentar (algo impossível na prática), mas que possa ter algum tipo de apoio mais amplo da sociedade.

Primeiro, noto como os memes do impeachment que ridicularizaram  os deputados que votaram por Deus, pela Bíblia, pela família, pela pátria, pela bandeira e pela netinha não atingem o alvo. O momento é para reflexão, não para risos tristes. Minha proposta é que tais temas seja repensados pela esquerda e possam ser  assumidos pela esquerda porque também a refletem. Como? E por que?

A Religião não pode ser  monopólio da Direita

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Podem os ateus tornarem os religiosos mais racionais?

Ao contrário de muitos de meus amigos ateus, tenho muitos amigos tanto ateus quanto religiosos. Isso significa que tenho acesso a uma experiência mais ampla em termos de troca de ideias e relações interpessoais. Recentemente, Nestor Caticha, Renato Vicente e colegas, em um trabalho de sociologia computacional baseado na teoria moral de Haidt, mostrou que a interação social diversificada evita que nos fechemos em um gueto cultural e facilita o surgimento de uma mente liberal (ao contrário de mentes conservadoras) que privilegia os valores de cuidado, justiça e liberdade mais do que valores de lealdade ao grupo, autoridade e pureza.

Meus amigos religiosos (como Reinaldo José Lopes), porém, são mais racionais que a média de sua população. Meus amigos ateus também, embora um ou outro as vezes cai num ateísmo militante que enfatiza a lealdade ao grupo (de ateus), autoridade (de Dawkins) e pureza (um ateu puro não deve apreciar objetos – musica, arte, arquitetura – de origem religiosa). Ou seja, alguns de meus amigos ateus são, mentalmente, conservadores na classificação de Haidt (por causa de seu isolamento social?), e não é a toa que muitos votam no PSDB e mesmo têm a posição ultraliberal em economia defendida pelo pastor Everaldo e Ayn Rand.

Dado que minha tarefa principal como cientista é a divulgação da ciência (e não do ateísmo, que é uma filosofia particular – uma outra é o neo-Deísmo),  visando que seja valorizada e apreciada pelo maior número de pessoas, tenho tentado pensar soluções racionais e realísticas para esse problema. Segundo alguns amigos meus, apenas ateus podem realmente aceitar e apreciar a ciência: religiosos que gostam e divulgam ciência, como Reinaldo Lopes (que considero o melhor blogueiro de ciências brasileiro em termos de adequação da linguagem para o público leigo), seriam ou esquizofrênicos ou portadores de dissonância cognitiva. Sim, não apenas Reinaldo, mas também os inúmeros cientistas religiosos espalhados pelo mundo: todos esquizofrênicos!

Ora, o problema da agenda ateísta para melhoria do mundo é que ela não é sensata, racional ou científica, e não se baseia em estudos sociológicos e demográficos sérios. Por exemplo, Richard Dawkins afirma que seu objetivo de vida é a destruição de todas as religiões (e nisso o Estado Islâmico é seu aliado ao destruir templos e estátuas budistas). Só que destruir todas as religiões é uma Utopia não realizável: os comunistas tinham mais recursos, energia e mesmo o monopólio estatal da violência (comparado com o ateísmo atual) para combater a religião, mas não conseguiram. Basta ver o exemplo da China comunista que, mesmo depois da  Revolução cultural Maoista, possui o maior contingente cristão do mundo atualmente. O processo de secularização do mundo moderno teve os seus vai-e-vens, avanços e reações, e não está claro se atualmente estamos em um período de secularização ou em um período de contra-reação religiosa estimulada pelo neo-ateísmo militante.

Além disso, em termos demográficos, os religiosos aumentam sua população (“crescei e multiplicai-vois”)  enquanto que os ateus na Europa desenvolvida e no Japão ficam trocando filhos por cachorro e gato: afinal, não é racional ter filhos, pois isso envolve risco no parto para a mãe e inúmeras despesas, perda de liberdade, perda de nível econômico etc. Mulheres estritamente racionais não tem filhos, ponto! Se tiverem, isso é devido a instintos gerados por genes egoístas não racionais e pressão social irracional.

Pior ainda, vai que o filho vira crente! Nos anos de adolescência rebelde isso geralmente acontece com os filhos de ateus (um exemplo seria o filho monge budista de Changeaux, autor do Neuronal Man), assim como os filhos de crentes viram ateus na adolescência: tudo facilmente explicado por uma psicodinâmica familiar que nada tem a ver com a Razão. Ou seja, demograficamente, os muçulmanos, os mórmons e o pessoal do Bible Belt entendem bem melhor sobre o que significa fitness biológico que os ateus com apenas zero, um ou dois filhos.

Mas vamos voltar ao assunto: como fazer com que uma porcentagem cada vez maior da sociedade brasileira aprecie e valorize a ciência (e não apenas a tecnologia)? A proposta de “se aumentarmos o número de ateus então o número de apreciadores de ciência crescerá” pode até estar correta (isto não é óbvio, pois existem inúmeros ateus adeptos das pseudociências e outros que tem ojeriza filosófica pela ciência, como Nietzsche), mas é sociologicamente inviável: precisamos divulgar a ciência aqui e agora (e essa divulgação científica inclusive pode até formar novos ateus, mas não o inverso), sem esperar por uma Utopia ateísta onde todas as religiões foram destruídas, Utopia que pode muito bem nunca acontecer.

Como fazer isso? Bom, eu tenho uma proposta concreta: os ateus divulgadores de ciência não devem tentar converter os crentes, uma atividade com minúsculo e demorado resultado, basta fazer a estatística de quantos neoateus da ATEA eram, anteriormente, crentes fervorosos… 0,001%?. E quantos bons ateus se tornaram religiosos depois da juventude? Na verdade muitos, por exemplo meu falecido pai, que me deu o “Por que não sou cristão? ” do Russell quando eu tinha 15 anos. E essa conversão ateu -> crente está cada vez mais facilitada pelas drogas enteogênicas tais como maconha e chá de Ayahuasca…

O que os ateus precisam entender é que existe um espectro de racionalidade entre os religiosos: dos mais fanáticos e intolerantes, passando pelos místicos, depois pelo crente comum sem formação filosófica (mas que pode ser muito racional no seu dia a dia), depois os religiosos que gostam de Ciência e até mesmo de Fiçcão Científica (caso do escritor Orson Scott Card, que morou aqui em Ribeirão Preto enquanto missionário mórmon) culminando com os cientistas religiosos.

Então, a tarefa realista para os ateus divulgadores de ciência é tentar converter, usando a própria divulgação cientifica, histórica e filosófica (por exemplo, a critica bíblica e a arqueologia, como bem faz Reinaldo Lopes)  um crente fanatizado em um crente moderado racional (no sentido de um agente racional em economia), e ajudar a fazer a transição de um crente moderado para um crente apreciador de ciência e cultura. Isso pode ser feito, é viável sociologicamente e deve ser feito.

Mas para isso, o ateu militante precisa ser ser mais cordial, ter um mínimo de urbanidade e renunciar à propaganda de ódio contra os religiosos que apenas leva o ateu ao ridículo, como fica claro nesta página da Desciclopédia. Idealmente, precisa fazer, senão uma certa amizade com os mesmos (a sociologia mostra que adquirimos ideias principalmente de nossos amigos e não de nossos adversários) pelo menos abrir um canal de comunicação que não fique entupido por emocionalismos,  frases de efeito e piadinhas meméticas. Afinal, é papel do ateu ser mais racional e civilizado do que os religiosos, não o contrário.

Nesse sentido, o blogueiro Reinaldo Lopes tem feito mais para trazer os cristãos para uma atitude mais racional, histórica e cientifica do que o resto da blogosfera atéia inteira. Considero isso um verdadeiro fracasso dessa blogosfera: ficar pregando para os já convertidos (ao ateísmo) e mandar a mensagem para a maioria religiosa da população que “se você soubesse mais ciência sua fé ficaria abalada”. Essa frase até pode ser verdadeira (ou pelo menos tal fé seria reformulada em outro patamar), mas é a ideia errada na divulgação cientifica, pois as pessoas não vão renunciar à sua fé por causa da ciência.

De novo, o motivo é puramente sociológico: o que os ateus militantes precisam entender é que a religião não é primordialmente um sistema de crenças cognitivas para as pessoas em geral. A comunidade religiosa é basicamente um espaço de desenvolvimento pessoal e interpessoal, de efeito terapêutico (por exemplo contra a anomia depressiva da falta de sentido existencial, falta de sentido enfatizada pelo ateísmo!) e de formação de redes sociais. Toda comunidade religiosa funciona como uma espécie de maçonaria light (por isso as pessoas se chamam de irmãos, a fim de criar uma base memética para o altruísmo sociobiológico de parentesco). Essas relações tipo maçônicas, onde um irmão compra na loja do outro porque tem ali uma faixa “Deus é fiel (em suas promessas de prosperidade)” são de fundo econômico, e a infra-estrutura  econômica explica a consciência religiosa superestrutural, como já diagnosticava com acerto tanto Marx como Dawkins, caso ele tomasse realmente a sério sua Memética em sociologia, em vez de perder tempo com a analogia fácil religião = vírus mental. Afinal, só as ideias dos outros são vírus mentais? E as nossas?

Estou já advinhando o comentário de alguns amigos ateus mais radicais: “Ah, mas esse religioso moderado que gosta e apoia a ciência nunca poderá se tornar um verdadeiro cientista (pois afinal, todos os verdadeiros cientistas são ateus, os que não são ateus não são verdadeiros cientistas mas sofrem de dissonância cognitiva)”. Bom, o que eu posso dizer é que é muito melhor se mover na direção correta rumo a uma maior racionalidade e menor fanatismo do que ficar dando murro em ponta de faca. Aparece aqui a valorização da pureza conservadora: ou a pessoa é 100% atéia ou ela não é um ser humano (parcialmente) racional. Tal tipo de purismo ou puritanismo, porém, cabe apenas aos fanáticos. E de fanáticos já estamos cheios, não?

PS: Acho que faltou aqui uma definição de fanático. Darei esta: um fanático é uma pessoa incapaz de rir de si mesma e usar este riso como forma de auto-crítica. O fanático se leva demasiadamente a sério e não sabe brincar com suas próprias contradições. Tenho muitos amigos religiosos, tanto católicos como evangélicos,  que apreciam muito as piadas sobre si mesmos (acho que a quantidade delas daria um livro). Por outro lado, não tenho visto ateus contando piadas sobre ateus, visando pelo menos uma leve autocrítica. Bom, se alguém conhecer um site de piadas sobre ateus feito por ateus, por favor me comunique aí nos comentários.

Exemplo de piada: O crente morreu e foi recebido por um anjo no Céu. O anjo lhe falou que iria apresentar os bairros celestes. O homem foi acompanhando o anjo, que primeiro lhe mostrou um bairro chique, tipo um Morumbi celeste. “Aqui moram os Presbiterianos”, disse o anjo, complementando: “A casa do Airton Sena é logo ali”. “Ah, sim, os Presbiterianos, reconheceu o homem”. Depois visitaram um bairro de classe média. “E aqui moram os Metodistas”, confirmou o anjo. “Ali do lado tem até um polo de EAD da UNIMEP”, informou o anjo.”Claro, os Metodistas”, disse o crente. Em seguida o anjo lhe apresentou uma espécie de BNH celeste, com casinhas humildes que se perdia de vista. “E aqui estão o pessoal das Assembleias de Deus”, comentou o anjo. “Claro, Assembleias de Deus”, observou o homem impressionado com a vastidão do lugar. Depois entraram em um grande galpão, que lembrava um clube, onde os crentes cantavam hinos fervorosamente. “E aqui moram os Batistas…” disse o anjo bem baixinho. “O quê?”, perguntou o homem. “Aqui moram os Batistas”, sussurrou o anjo, ainda mais baixo. “Sim, mas, seu anjo, por que o sr. está falando tão baixo assim?”, exclamou o crente. “Shiuuu”, fez o anjo. “Fale baixo, eles pensam que estão sozinhos!”.

OK, acho que apenas quem conhece as denominações protestantes, evangélicas e pentecostais – que são três coisas diferentes – entende a piada, mas ela é contada até pelos Batistas…

A Perturbadora Persistência do Determinismo Social

Apresentação1

 

Um texto de 2001 que não perdeu a atualidade. Preciso apenas dar um upgrade nas referências.

O dowload pode ser feito aqui.

O Beijo de Juliana e o Futebol

downloadO livro O Beijo de Juliana, modéstia a parte, tem um caráter presciente: o escândalo da FIFA já é discutido lá, há 13 anos atrás. Aqui vai um trecho:
Só que o mundo real é bem mais complicado que tudo isso que falei. O mundo é belo e feio ao mesmo tempo, o copo meio cheio e meio vazio, ou talvez nem um nem outro (afinal, o que é o belo sem que existam olhos para ver?).
Vocês adoram futebol e, graças ao nosso convívio, eu estou começando a gostar também, especialmente depois que descobri que esse jogo é um exemplo sui generis de sistema complexo. Mas será que não deveríamos fazer a Crítica do Futebol? Bom, embora eu não seja católico, vou compará-lo com a Igreja Católica, que vocês gostam tanto de atacar.
O futebol promove a libertação dos oprimidos ou pelo menos a cidadania racional? Interessante que a palavra fanático é usada nos três contextos da religião, da política e do esporte com a diferença de que, pelo menos aqui no Brasil, os militantes políticos e religiosos matam bem menos gente que os fanáticos por futebol. Ou vocês já viram algum torcedor do Palmeiras realmente ficar indignado quando um corintiano apanha e leva pedrada?
Será que, para o bem geral da sociedade, não deveríamos suprimir o futebol, por este ser uma religião violenta, irracional e obscurantista? (Mancha Verde, Gaviões da Fiel, Holligans neonazistas etc…) Quem rouba mais? A FIFA ou o Vaticano? Quem tem mais poder de mídia? A copa do mundo ou a missa do Galo? Quem promove mais o capitalismo mundial, produzindo o escapismo, a indiferença e a alienação das massas? Quem está mais entranhado e corrompido por interesses das grandes corporações multinacionais? Quem ganha mais grana? O papa ou Ronaldinho? Qual é a diferença psicológica entre o êxtase das massas produzido por um gol (ou o erro) de Marcelinho e um culto do Padre Marcelo? Não é à toa que as duas atividades se fazem aos domingos…
Qual a diferença entre aqueles que educam seus filhos numa religião e aqueles que religiosamente vestem suas crianças pequenas com o uniforme de seus times favoritos? Não deveriam as crianças poder escolher seu time livremente, após a adolescência, sem a influência de pais fanáticos? Cadê a liberdade de opinião das crianças?
Não seriam fenômenos análogos e igualmente machistas a exclusão das mulheres do sacerdócio no catolicismo e do papel de juízes de futebol? Porque os fãs (que é uma abreviação de “fanático”) de futebol não lutam para defender, perante essa cúpula machista e elitista da FIFA, o direito das mulheres ao uniforme preto e ao apito nos jogos do Mundial? Não será porque entre eles se encontram as forças mais reacionárias presentes na sociedade? Alguma vez a FIFA se pronunciou, por acaso, contra a fome e a miséria no mundo, como faz frequentemente a Igreja? Cadê o equivalente futebolístico de São Francisco, Madre Teresa, o cardeal Arns e Frei Betto? Cadê a esquerda futebolística? O Platini e o Sócrates?
Ah sim, mas poderíamos pensar de forma pragmática, seguindo os argumentos do Jean, que devemos assistir e praticar o futebol porque ele faz bem para a economia do país, gera empregos, aumenta nossa competitividade nos mercados globais etc. e tal. Os jogadores devem jogar unicamente para garantir o uisquinho das crianças (sim, a maior parte deles já está fazendo isso…) e nós devemos financiá-los porque, em um mundo globalizado, a supremacia futebolística é fonte de prestígio internacional e divisas para o país (somos o maior país produtor e exportador de craques, não somos?). Abaixo o futebol arte, viva o futebol aplicado e o futebol tecnológico.
Vocês fazem esse ato patriótico de prestigiar o futebol todo domingo, e ainda não haviam se dado conta disso! Estavam iludidos, pensando que o futebol, assim como a ciência, a arte e a literatura, poderia alegrar e embelezar a vida… Não perceberam que, ao apoiar o futebol, estão apoiando o sistema de dominação mais perfeito e corrupto já inventado pelo homem! O futebol e a mídia. O futebol e a política. Futebol e a indústria de consumo. Futebol e ética. Futebol e capitalismo. Futebol e nacionalismo guerreiro. Futebol e machismo.
Gostar de futebol implica em corresponsabilidade por todas as ações da FIFA, por todas as mortes provocadas por brigas de torcida, correto? Vocês adoram o futebol, portanto são seguidores incondicionais do João Havelange, certo? Já que não protestam, não criticam, são todos corresponsáveis em cada uma das atividades corruptas feitas em nome do futebol. É isso? Pensem. Pensem. Pensem! Uma nova sociedade só poderá surgir após a queda do futebol. O primeiro passo deve ser, precisa ser, a eliminação completa do futebol. A Humanidade só será livre quando se livrar do futebol. Como dizia Nietzsche: “O Futebol está morto, e fomos nós que o matamos”.
Esse é o drama de toda pessoa que faz análise crítica: ela sabe que a crítica é necessária para que as coisas melhorem (supondo que palavras tenham realmente algum poder de mudar o mundo). E sempre bate aquele medo de sua crítica não ser radical o suficiente, de não pegar o problema pela raiz. Assim, acaba-se criando uma competição sem fundo entre os críticos para ver quem é mais radical. Mas então o crítico percebe que o mesmo tipo de crítica radical pode ser feita à todas, todas as atividades humanas (“We are all in the gutter”, lembram?), sem exceção:
Amor romântico: invenção de Hollywood; o verdadeiro ópio do povo (especialmente das mulheres); ilusão a dois visando exploração sexual e econômica mútua; origem de todos os crimes passionais;
Música: Um dos principais produtos da indústria cultural; instrumento de guerra usado para elevar o moral dos soldados; essencial na propaganda e marketing; atinge o ápice da perfeição artística nos jingles obsessivos e na música popular “Boquinha da Garrafa”; droga psicotrópica baseada na excitação ressonante de ritmos cerebrais que liberam dopamina (ver também “ectasy”);
Artes plásticas: Atividade patrocinada pela Igreja durante a Idade Média e usada como instrumento de doutrinação; também financiada pela burguesia visando expressão de poder (ver “Michelangelo”) e por estados totalitários (ver “arte nazista” e “realismo socialista”); atualmente representa sinal de status para colecionadores ricos; investimento financeiro de médio risco, ver “mercado de arte”; artistas plásticos: responsáveis diretos pela poluição visual das grandes cidades; artes plásticas aplicadas: ver “propaganda e marketing”;
Cinema: Veículo de propaganda ideológica; pilar central da hegemonia cultural americana; muito usado como propaganda de guerra e incitação à violência; ópio da classe média (ver “DVDs”); principais filmes do século XX: Rambo, Os boinas verdes, Patricinhas de Beverly Hills;
Fotografia: Tecnologia militar importante (ver “fotografia aérea”, “satélites”); principal aplicação civil: pornografia (ver “Internet”); ver também “paparazzi”.
Literatura: Principal instrumento de reprodução ideológica das classes dominantes; mercadoria de massa da indústria cultural (ver “best-seller”); na sua forma dita culta, escapismo para intelectuais; principal meio de preservação de estereótipos e preconceitos historicamente ultrapassados (ver “Shakespeare”);
Jornalismo: Quarto poder que, ao contrário dos outros três, não é sujeito a eleições democráticas; principal instrumento das classes dominantes para controle da opinião pública; ver “propaganda de guerra” e “FOX”; veículo de marketing político; ver também “imprensa marrom”; perfeitamente representado no Jornal Nacional e nos tabloides;
Religião e espiritualidade: Fonte de todos os males; ópio do povo (ver também “Cannabis Sativa” e “LSD”); origem de todas as guerras santas, intolerâncias e inquisições; ideologia repressora da sexualidade humana e das mulheres; tecnologia de guerra usada para elevar o moral das tropas; principal fonte de justificação do status quo nas civilizações orientais;
Ciência: Fonte de todos os males (ver “Prometeu” e “Caixa de Pandora”); ideologia central do capitalismo e do comunismo estatal; causa principal da explosão populacional; principal fonte de desequilíbrio ecológico; atinge a perfeição no desenvolvimento de tecnologias de guerra: comida enlatada (ver “Napoleão”), penicilina (ver “II Guerra Mundial”), radar, aviões, satélites, laser, computadores e WWW (rede de origem militar usada basicamente para propaganda on-line e veiculação de pornografia infantil);
Matemática: Principal instrumento da Tecnocracia; linguagem hermética desenvolvida para a  autoexclusão intelectual das Humanidades; principais aplicações: armamento nuclear (ver “Pitágoras como precursor de E = mc2 e da Bomba Atômica”), contabilidade, matemática financeira e medidas racistas de QI;
Alfabeto: Instrumento de dominação social inventado por burocratas babilônicos; principal promotor da exclusão social (ver “analfabetismo”) e da extinção das tradições orais; tecnologia básica de propaganda; peça essencial de todas as tecnologias de dominação arroladas acima.
Fogo: Tecnologia de guerra inventada pelo Homo Sapiens; responsável pela extinção de milhares de espécies animais (ver “Culinária”); principais aplicações: lança-chamas, queimadas na floresta tropical; ver também “armas de fogo”;
Homo Sapiens: Espécie dominante do planeta Terra que explora e oprime todas as outras; inventor de todas as tecnologias de guerra descritas acima; principal responsável por todos os problemas humanos e ecológicos; câncer biológico que necessita urgentemente ser extirpado a fim de que Gaia sobreviva; ver também “Pecado original” e “Apocalipse”.
Este é o paradoxo principal: como fazer a crítica tão necessária sem se deixar afundar na pura amargura e na chatice insuportável e depressiva. Quem achar a solução me avise!
Abraços calorosos a todos,
Freeman
PS: Alguém precisa escrever com urgência os livros “Fazendo a Contracultura do Futebol”, o “Homem (no campo) Bidimensional” e “Ciência e Técnica do Futebol como Ideologia”.
OK, vocês acham que eu exagero nesse negócio de futura onda obscurantista… Tá certo vou maneirar com isso daqui para frente. Mas lembrem-se, eu participo de círculos de discussão que vocês não participam, leio aquilo que vocês não leem, e avalio um movimento social pela sua derivada temporal, capacidade de crescimento exponencial, potencial epidêmico, não pelo seu estado atual. Vocês se comportam como os meus aturdidos amigos da Teologia da Libertação quando eu os avisei em 1982 que o Movimento Carismático e os Evangélicos Pentecostais iriam varrê-los do mapa.
Mas se a tal onda vier, lembrem-se: “I told you, damned fools!”

The Good Fight Part 1: The Fine Art of Talking to People Who Are Wrong

"Alu finds a friend"Para ler com calma…

De VIOLENT METAPHORS

The good fight is that special argument where you know you’re right, and just can’t imagine how anyone could possibly disagree. But they do, even when the disagreement is about something fundamental and irreconcilable. Did we evolve? Is the climate changing? Are vaccines safe? Do I really have to pay my taxes? The answers matter, but so do the arguments. Let’s try to improve them. Read more [+]

O crescimento econômico visto por um físico

U.S. total energy 1650-present (logarithmic)Total U.S. Energy consumption in all forms since 1650. The vertical scale is logarithmic, so that an exponential curve resulting from a constant growth rate appears as a straight line. The red line corresponds to an annual growth rate of 2.9%. Source: EIA.

Exponential Economist Meets Finite Physicist

Some while back, I found myself sitting next to an accomplished economics professor at a dinner event. Shortly after pleasantries, I said to him, “economic growth cannot continue indefinitely,” just to see where things would go. It was a lively and informative conversation. I was somewhat alarmed by the disconnect between economic theory and physical constraints—not for the first time, but here it was up-close and personal. Though my memory is not keen enough to recount our conversation verbatim, I thought I would at least try to capture the key points and convey the essence of the tennis match—with some entertainment value thrown in.

Cast of characters: Physicist, played by me; Economist, played by an established economics professor from a prestigious institution. Scene: banquet dinner, played in four acts (courses).

Note: because I have a better retention of my own thoughts than those of my conversational companion, this recreation is lopsided to represent my own points/words. So while it may look like a physicist-dominated conversation, this is more an artifact of my own recall capabilities. I also should say that the other people at our table were not paying attention to our conversation, so I don’t know what makes me think this will be interesting to readers if it wasn’t even interesting enough to others at the table! But here goes…

Act One: Bread and Butter

Physicist: Hi, I’m Tom. I’m a physicist.

Economist: Hi Tom, I’m [ahem..cough]. I’m an economist.

Physicist: Hey, that’s great. I’ve been thinking a bit about growth and want to run an idea by you. I claim that economic growth cannot continue indefinitely.

Economist: [chokes on bread crumb] Did I hear you right? Did you say that growth can not continue forever?

Physicist: That’s right. I think physical limits assert themselves.

Economist: Well sure, nothing truly lasts forever. The sun, for instance, will not burn forever. On the billions-of-years timescale, things come to an end.

Physicist: Granted, but I’m talking about a more immediate timescale, here on Earth. Earth’s physical resources—particularly energy—are limited and may prohibit continued growth within centuries, or possibly much shorter depending on the choices we make. There are thermodynamic issues as well.

Economist: I don’t think energy will ever be a limiting factor to economic growth. Sure, conventional fossil fuels are finite. But we can substitute non-conventional resources like tar sands, oil shale, shale gas, etc. By the time these run out, we’ll likely have built up a renewable infrastructure of wind, solar, and geothermal energy—plus next-generation nuclear fission and potentially nuclear fusion. And there are likely energy technologies we cannot yet fathom in the farther future.

Physicist: Sure, those things could happen, and I hope they do at some non-trivial scale. But let’s look at the physical implications of the energy scale expanding into the future. So what’s a typical rate of annual energy growth over the last few centuries?

Economist: I would guess a few percent. Less than 5%, but at least 2%, I should think.

Physicist: Right, if you plot the U.S. energy consumption in all forms from 1650 until now, you see a phenomenally faithful exponential at about 3% per year over that whole span. The situation for the whole world is similar. So how long do you think we might be able to continue this trend?

Economist: Well, let’s see. A 3% growth rate means a doubling time of something like 23 years. So each century might see something like a 15–20× increase. I see where you’re going. A few more centuries like that would perhaps be absurd. But don’t forget that population was increasing during centuries past—the period on which you base your growth rate. Population will stop growing before more centuries roll by.

Physicist: True enough. So we would likely agree that energy growth will not continue indefinitely. But two points before we continue: First, I’ll just mention that energy growth has far outstripped population growth, so that per-capita energy use has surged dramatically over time—our energy lives today are far richer than those of our great-great-grandparents a century ago [economist nods]. So even if population stabilizes, we are accustomed to per-capita energy growth: total energy would have to continue growing to maintain such a trend [another nod].

Second, thermodynamic limits impose a cap to energy growth lest we cook ourselves. I’m not talking about global warming, CO2 build-up, etc. I’m talking about radiating the spent energy into space. I assume you’re happy to confine our conversation to Earth, foregoing the spectre of an exodus to space, colonizing planets, living the Star Trek life, etc.

Economist: More than happy to keep our discussion grounded to Earth.

Physicist: [sigh of relief: not a space cadet] Alright, the Earth has only one mechanism for releasing heat to space, and that’s via (infrared) radiation. We understand the phenomenon perfectly well, and can predict the surface temperature of the planet as a function of how much energy the human race produces. The upshot is that at a 2.3% growth rate (conveniently chosen to represent a 10× increase every century), we would reach boiling temperature in about 400 years. [Pained expression from economist.] And this statement is independent of technology. Even if we don’t have a name for the energy source yet, as long as it obeys thermodynamics, we cook ourselves with perpetual energy increase.

Economist: That’s a striking result. Could not technology pipe or beam the heat elsewhere, rather than relying on thermal radiation?

Physicist: Well, we could (and do, somewhat) beam non-thermal radiation into space, like light, lasers, radio waves, etc. But the problem is that these “sources” are forms of high-grade, low-entropy energy. Instead, we’re talking about getting rid of the waste heat from all the processes by which we use energy. This energy is thermal in nature. We might be able to scoop up some of this to do useful “work,” but at very low thermodynamic efficiency. If you want to use high-grade energy in the first place, having high-entropy waste heat is pretty inescapable.

Economist: [furrowed brow] Okay, but I still think our path can easily accommodate at least a steady energy profile. We’ll use it more efficiently and for new pursuits that continue to support growth.

Physicist: Before we tackle that, we’re too close to an astounding point for me to leave it unspoken. At that 2.3% growth rate, we would be using energy at a rate corresponding to the total solar input striking Earth in a little over 400 years. We would consume something comparable to the entire sun in 1400 years from now. By 2500 years, we would use energy at the rate of the entire Milky Way galaxy—100 billion stars! I think you can see the absurdity of continued energy growth. 2500 years is not that long, from a historical perspective. We know what we were doing 2500 years ago. I think I know what we’re not going to be doing 2500 years hence.

Economist: That’s really remarkable—I appreciate the detour. You said about 1400 years to reach parity with solar output?

Physicist: Right. And you can see the thermodynamic point in this scenario as well. If we tried to generate energy at a rate commensurate with that of the Sun in 1400 years, and did this on Earth, physics demands that the surface of the Earth must be hotter than the (much larger) surface of the Sun. Just like 100 W from a light bulb results in a much hotter surface than the same 100 W you and I generate via metabolism, spread out across a much larger surface area.

Economist: I see. That does make sense.

Act Two: Salad

Economist: So I’m as convinced as I need to be that growth in raw energy use is a limited proposition—that we must one day at the very least stabilize to a roughly constant yearly expenditure. At least I’m willing to accept that as a starting point for discussing the long term prospects for economic growth. But coming back to your first statement, I don’t see that this threatens the indefinite continuance of economic growth.

For one thing, we can keep energy use fixed and still do more with it in each passing year via efficiency improvements. Innovations bring new ideas to the market, spurring investment, market demand, etc. These are things that will not run dry. We have plenty of examples of fundamentally important resources in decline, only to be substituted or rendered obsolete by innovations in another direction.

Physicist: Yes, all these things happen, and will continue at some level. But I am not convinced that they represent limitless resources.

Economist: Do you think ingenuity has a limit—that the human mind itself is only so capable? That could be true, but we can’t credibly predict how close we might be to such a limit.

Physicist: That’s not really what I have in mind. Let’s take efficiency first. It is true that, over time, cars get better mileage, refrigerators use less energy, buildings are built more smartly to conserve energy, etc. The best examples tend to see factor-of-two improvements on a 35 year timeframe, translating to 2% per year. But many things are already as efficient as we can expect them to be. Electric motors are a good example, at 90% efficiency. It will always take 4184 Joules to heat a liter of water one degree Celsius. In the middle range, we have giant consumers of energy—like power plants—improving much more slowly, at 1% per year or less. And these middling things tend to be something like 30% efficient. How many more “doublings” are possible? If many of our devices were 0.01% efficient, I would be more enthusiastic about centuries of efficiency-based growth ahead of us. But we may only have one more doubling in us, taking less than a century to realize.

Economist: Okay, point taken. But there is more to efficiency than incremental improvement. There are also game-changers. Tele-conferencing instead of air travel. Laptop replaces desktop; iPhone replaces laptop, etc.—each far more energy frugal than the last. The internet is an example of an enabling innovation that changes the way we use energy.

Physicist: These are important examples, and I do expect some continuation along this line, but we still need to eat, and no activity can get away from energy use entirely. [semi-reluctant nod/bobble] Sure, there are lower-intensity activities, but nothing of economic value is completely free of energy.

Economist: Some things can get awfully close. Consider virtualization. Imagine that in the future, we could all own virtual mansions and have our every need satisfied: all by stimulative neurological trickery. We would stil need nutrition, but the energy required to experience a high-energy lifestyle would be relatively minor. This is an example of enabling technology that obviates the need to engage in energy-intensive activities. Want to spend the weekend in Paris? You can do it without getting out of your chair. [More like an IV-drip-equipped toilet than a chair, the physicist thinks.]

Physicist: I see. But this is still a finite expenditure of energy per person. Not only does it take energy to feed the person (today at a rate of 10 kilocalories of energy input per kilocalorie eaten, no less), but the virtual environment probably also requires a supercomputer—by today’s standards—for every virtual voyager. The supercomputer at UCSD consumes something like 5 MW of power. Granted, we can expect improvement on this end, but today’s supercomputer eats 50,000 times as much as a person does, so there is a big gulf to cross. I’ll take some convincing. Plus, not everyone will want to live this virtual existence.

Economist: Really? Who could refuse it? All your needs met and an extravagant lifestyle—what’s not to like? I hope I can live like that myself someday.

Physicist: Not me. I suspect many would prefer the smell of real flowers—complete with aphids and sneezing; the feel of real wind messing up their hair; even real rain, real bee-stings, and all the rest. You might be able to simulate all these things, but not everyone will want to live an artificial life. And as long as there are any holdouts, the plan of squeezing energy requirements to some arbitrarily low level fails. Not to mention meeting fixed bio-energy needs.

Act Three: Main Course

Physicist: But let’s leave the Matrix, and cut to the chase. Let’s imagine a world of steady population and steady energy use. I think we’ve both agreed on these physically-imposed parameters. If the flow of energy is fixed, but we posit continued economic growth, then GDP continues to grow while energy remains at a fixed scale. This means that energy—a physically-constrained resource, mind—must become arbitrarily cheap as GDP continues to grow and leave energy in the dust.

Economist: Yes, I think energy plays a diminishing role in the economy and becomes too cheap to worry about.

Physicist: Wow. Do you really believe that? A physically limited resource (read scarcity) that is fundamental to every economic activity becomes arbitrarily cheap? [turns attention to food on the plate, somewhat stunned]

Economist: [after pause to consider] Yes, I do believe that.

Physicist: Okay, so let’s be clear that we’re talking about the same thing. Energy today is roughly 10% of GDP. Let’s say we cap the physical amount available each year at some level, but allow GDP to keep growing. We need to ignore inflation as a nuisance in this case: if my 10 units of energy this year costs $10,000 out of my $100,000 income; then next year that same amount of energy costs $11,000 and I make $110,000—I want to ignore such an effect as “meaningless” inflation: the GDP “growth” in this sense is not real growth, but just a re-scaling of the value of money.

Economist: Agreed.

Physicist: Then in order to have real GDP growth on top of flat energy, the fractional cost of energy goes down relative to the GDP as a whole.

Economist: Correct.

Physicist: How far do you imagine this can go? Will energy get to 1% of GDP? 0.1%? Is there a limit?

Economist: There does not need to be. Energy may become of secondary importance in the economy of the future—like in the virtual world I illustrated.

Physicist: But if energy became arbitrarily cheap, someone could buy all of it, and suddenly the activities that comprise the economy would grind to a halt. Food would stop arriving at the plate without energy for purchase, so people would pay attention to this. Someone would be willing to pay more for it. Everyone would. There will be a floor to how low energy prices can go as a fraction of GDP.

Economist: That floor may be very low: much lower than the 5–10% we pay today.

Physicist: But is there a floor? How low are you willing to take it? 5%? 2%? 1%?

Economist: Let’s say 1%.

Physicist: So once our fixed annual energy costs 1% of GDP, the 99% remaining will find itself stuck. If it tries to grow, energy prices must grow in proportion and we have monetary inflation, but no real growth.

Economist: Well, I wouldn’t go that far. You can still have growth without increasing GDP.

Physicist: But it seems that you are now sold on the notion that the cost of energy would not naturally sink to arbitrarily low levels.

Economist: Yes, I have to retract that statement. If energy is indeed capped at a steady annual amount, then it is important enough to other economic activities that it would not be allowed to slip into economic obscurity.

Physicist: Even early economists like Adam Smith foresaw economic growth as a temporary phase lasting maybe a few hundred years, ultimately limited by land (which is where energy was obtained in that day). If humans are successful in the long term, it is clear that a steady-state economic theory will far outlive the transient growth-based economic frameworks of today. Forget Smith, Keynes, Friedman, and that lot. The economists who devise a functioning steady-state economic system stand to be remembered for a longer eternity than the growth dudes. [Economist stares into the distance as he contemplates this alluring thought.]

Act Four: Dessert

Economist: But I have to object to the statement that growth must stop once energy amount/price saturates. There will always be innovations that people are willing to purchase that do not require additional energy.

Physicist: Things will certainly change. By “steady-state,” I don’t mean static. Fads and fashions will always be part of what we do—we’re not about to stop being human. But I’m thinking more of a zero-sum game here. Fads come and go. Some fraction of GDP will always go toward the fad/innovation/gizmo of the day, but while one fad grows, another fades and withers. Innovation therefore will maintain a certain flow in the economy, but not necessarily growth.

Economist: Ah, but the key question is whether life 400 years from now is undeniably of higher quality than life today. Even if energy is fixed, and GDP is fixed once the cost of energy saturates at the lower bound, will quality of life continue to improve in objectively agreed-upon ways?

Physicist: I don’t know how objective such an assessment can be. Many today yearn for days past. Maybe this is borne of ignorance or romanticism over the past (1950′s often comes up). It may be really exciting to imagine living in Renaissance Europe, until a bucket of nightsoil hurled from a window splatters off the cobblestone and onto your breeches. In any case, what kind of universal, objective improvements might you imagine?

Economist: Well, for instance, look at this dessert, with its decorative syrup swirls on the plate. It is marvelous to behold.

Physicist: And tasty.

Economist: We value such desserts more than plain, unadorned varieties. In fact, we can imagine an equivalent dessert with equivalent ingredients, but the decorative syrup unceremoniously pooled off to one side. We value the decorated version more. And the chefs will continue to innovate. Imagine a preparation/presentation 400 years from now that would blow your mind—you never thought dessert could be made to look so amazing and taste so delectably good. People would line the streets to get hold of such a creation. No more energy, no more ingredients, yet of increased value to society. That’s a form of quality of life improvement, requiring no additional resources, and perhaps costing the same fraction of GDP, or income.

Physicist: I’m smiling because this reminds me of a related story. I was observing at Palomar Observatory with an amazing instrumentation guru named Keith who taught me much. Keith’s night lunch—prepared in the evening by the observatory kitchen and placed in a brown bag—was a tuna-fish sandwich in two parts: bread slices in a plastic baggie, and the tuna salad in a small plastic container (so the tuna would not make the bread soggy after hours in the bag). Keith plopped the tuna onto the bread in an inverted container-shaped lump, then put the other piece of bread on top without first spreading the tuna. It looked like a snake had just eaten a rat. Perplexed, I asked if he intended to spread the tuna before eating it. He looked at me quizzically (like Morpheus in the Matrix: “You think that’s air you’re breathing? Hmm.”), and said—memorably, “It all goes in the same place.”

My point is that the stunning presentation of desserts will not have universal value to society. It all goes in the same place, after all. [I’ll share a little-known secret. It’s hard to beat a Hostess Ding Dong for dessert. At 5% the cost of fancy desserts, it’s not clear how much value the fancy things add.]

After-Dinner Contemplations

The evening’s after-dinner keynote speech began, so we had to shelve the conversation. Reflecting on it, I kept thinking, “This should not have happened. A prominent economist should not have to walk back statements about the fundamental nature of growth when talking to a scientist with no formal economics training.” But as the evening progressed, the original space in which the economist roamed got painted smaller and smaller.

First, he had to acknowledge that energy may see physical limits. I don’t think that was part of his initial virtual mansion.

Next, the efficiency argument had to shift away from straight-up improvements to transformational technologies. Virtual reality played a prominent role in this line of argument.

Finally, even having accepted the limits to energy growth, he initially believed this would prove to be of little consequence to the greater economy. But he had to ultimately admit to a floor on energy price and therefore an end to traditional growth in GDP—against a backdrop fixed energy.

I got the sense that this economist’s view on growth met some serious challenges during the course of the meal. Maybe he was not putting forth the most coherent arguments that he could have made. But he was very sharp and by all measures seemed to be at the top of his game. I choose to interpret the episode as illuminating a blind spot in traditional economic thinking. There is too little acknowledgement of physical limits, and even the non-compliant nature of humans, who may make choices we might think to be irrational—just to remain independent and unencumbered.

I recently was motivated to read a real economics textbook: one written by people who understand and respect physical limitations. The book, called Ecological Economics, by Herman Daly and Joshua Farley, states in its Note to Instructors:

…we do not share the view of many of our economics colleagues that growth will solve the economic problem, that narrow self-interest is the only dependable human motive, that technology will always find a substitute for any depleted resource, that the market can efficiently allocate all types of goods, that free markets always lead to an equilibrium balancing supply and demand, or that the laws of thermodynamics are irrelevant to economics.

This is a book for me!

Epilogue

The conversation recreated here did challenge my own understanding as well. I spent the rest of the evening pondering the question: “Under a model in which GDP is fixed—under conditions of stable energy, stable population, steady-state economy: if we accumulate knowledge, improve the quality of life, and thus create an unambiguously more desirable world within which to live, doesn’t this constitute a form of economic growth?”

I had to concede that yes—it does. This often falls under the title of “development” rather than “growth.” I ran into the economist the next day and we continued the conversation, wrapping up loose ends that were cut short by the keynote speech. I related to him my still-forming position that yes, we can continue tweaking quality of life under a steady regime. I don’t think I ever would have explicitly thought otherwise, but I did not consider this to be a form of economic growth. One way to frame it is by asking if future people living in a steady-state economy—yet separated by 400 years—would always make the same, obvious trades? Would the future life be objectively better, even for the same energy, same GDP, same income, etc.? If the answer is yes, then the far-future person gets more for their money: more for their energy outlay. Can this continue indefinitely (thousands of years)? Perhaps. Will it be at the 2% per year level (factor of ten better every 100 years)? I doubt that.

So I can twist my head into thinking of quality of life development in an otherwise steady-state as being a form of indefinite growth. But it’s not your father’s growth. It’s not growing GDP, growing energy use, interest on bank accounts, loans, fractional reserve money, investment. It’s a whole different ballgame, folks. Of that, I am convinced. Big changes await us. An unrecognizable economy. The main lesson for me is that growth is not a “good quantum number,” as physicists will say: it’s not an invariant of our world. Cling to it at your own peril.

Note: This conversation is my contribution to a series at www.growthbusters.org honoring the 40th anniversary of the Limits to Growth study. You can explore the series here. Also see my previous reflection on the Limits to Growth work. You may also be interested in checking out and signing the Pledge to Think Small and consider organizing an Earth Day weekend house party screening of the GrowthBusters movie.

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Os erros de Marina

marina

A grande cagada da equipe de Eduardo Campos (que Marina pegou andando) foi apresentar um programa de governo detalhado, achando que isso seria um diferencial.

Os marqueteiros de Dilma e Aecio sabem que nao se deve fazer isso, para evitar criticas. Faltou marqueteiro para Marina.

Lembremos das aulas de estatística de que correlação não implica em causação. A afirmativa “Marina mudou a redação do programa por causa de Malafaia” não tem base: primeiro porque Malafaia é um inimigo de Marina desde 2010 e ela nunca iria se submeter a ele.  Ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nxYaMFotGCs

Segundo porque a ideia de que havia uma outra redação mais moderada do projeto (e lembre-se que, nessa redação, havia mudanças também na questão das usinas nucleares, que nada tem a ver com Malafaia) é plausível.

Ou seja, infelizmente houve coincidencia temporal, nao causação, entre os twitters de Malafaia e a divulgação do  programa com redação final. Isso pegou muito mal, foi uma infeliz coincidencia que realmente iniciou a queda de Marina.

Mas considere o seguinte. Imagine que apenas a versão final tivesse sido divulgada, desde o início. Neste caso, nada disso teria acontecido, e o programa de governo seria o mais avançado (MUITO MAIS A ANÇADO) na questão LGBT. Afinal, o programa de Dilma é totalmente vago e nem cita a sigla LGBT, e mesmo Luciana Genro só divulgou seu programa sobre LGBT bem tarde na campanha.

Finalmente, imagine que Luciana Genro e Eduardo Jorge estivessem na posição de Marina, ou seja, com reais chances de ganhar, em vez de  nanincos.  Voce realmente acredita que o discurso deles sobre aborto, drogas e LGBT seria o mesmo? Sinceramente, eu acho bem dificil de acreditar… Seus marqueteiros nunca deixariam isso acontecer.

Por que é isso o que acontece (e seria ingenuidade pensar diferente): numa democracia como a nossa o que vale são os acertos e deslizes puntuais durante a campanha, exploradas a exaustão pela midia, pelos marqueteiros e pelas redes sociais. Não conta a biografia do candidato.

Engraçado que o debate eleitoral no Brasil está se afastando da polarização esquerda-direita para um carater mais tipo americano liberais-conservadores. Os temas polemicos discutidos (aborto, drogas, LGBT) não sao temas historicos da esquerda (o consumo da maconha está liberado em Cuba? Tem casamento gay na China?). Mesmo o ataque à religião de Marina (que diga-se de passagem, é muito mais avançada que a católica, já que permite controle de natalidade, camisinhas, pilulas, casamento dos pastores e divorcio) lembra o debate eleitoral americano.

Será que é isso mesmo? Estamos rumando para nos tornarmos cada vez mais parecidos com os EUA?

Acho que o cenario a medio prazo será tragico.  Notem quem o estado mais avançado economicamente (SP) tambem é o bastiao do conservadorismo politico e moral. E a regiao sul nao fica atrás.  Ou seja, quanto mais de classe B e C, mais se  dissemina o pensamento pequeno burgues, que é conservador.

Ora, isso significa que o PT vai ser vitima do seu proprio sucesso: quanto mais criar uma classe C (e os C+ vão se elevar para B-), maior o contingente pequeno burgues criado e maior o conservadorismo da sociedade brasileira. Acho que a Dilma passa de raspão neste segundo turno mas sinceramente penso que 2018 pode ser o final do ciclo petista (afinal, vão ser 16 anos acumulados de desgaste do governo).

De novo, proponho que a alternancia de poder se dê na centro esquerda (ou seja, PSB, REDE, e outros partidos que eram da base do PT), evitando a todo custo que se de o poder ao PSDB.  Mas do jeito que o PT desconstruiu Marina, essa alternancia na centro esquerda pode ter sido inviabilizada para 2018…

Tarefa a fazer: elaborar um crackpot index para conspiracionistas

The Crackpot Index

John Baez

 

A simple method for rating potentially revolutionary contributions to physics:

  1. A -5 point starting credit. 
  2. 1 point for every statement that is widely agreed on to be false. 
  3. 2 points for every statement that is clearly vacuous. 
  4. 3 points for every statement that is logically inconsistent. 
  5. 5 points for each such statement that is adhered to despite careful correction. Read more [+]

Brasileiros = japoneses?

Foto: Meu filho Raphael Osame Kinouchi, loirinho descendente de japoneses…

Estava lendo os comentários internacionais de uma TED Talk quando me deparei com isso:

Nick Bikkal. Engraçado que tudo o que está assinalado em vermelho me parece extremamente familiar…

Eu sou um estrangeiro vivendo há 20 anos no Japão. Tenho 2 crianças no sistema escolar. No jardim de infância eu estava muito bem impressionado com os professores daqui. Eles passavam horas preparando as aulas do dia seguinte. Os professores realmente se importavam com seus alunos. Mais tarde, eu me tornei um pouco menos impressionado. Minha filha foi um dos poucos estudantes que ajudaram a obter que uma professora fosse expulsa porque ela mandava mensagens de texto enquanto dava aulas.

Crianças nessa idade começam a ir para os Juku, cursinhos. Eles são BIG BUSINESS aqui. Suspiro! Nos níveis HS JHS as crianças continuam indo aos  Jukus, para que possam passar por um teste para que eles possam entrar em uma escola melhor na próxima nível

 O objetivo é chegar a uma das universidades renomadas. O objetivo das universidades é produzir um servidor público ou um empregado de uma empresa de nome como a Sony ou Panasonic, etc. Lá você acaba trabalhando muitas horas extras … nem sempre pagas.

O sistema é muito politizado. Não há moral, educação espiritual. (O “Senso comum”  japonês é algo que deve ser entendido aqui). Japoneses, como as pessoas têm visto especialmente nos esportes internacionais são muito nacionalistas. Eles não se preocupam tanto com os eventos. O que é importante é que se uma equipe representa seu país, eles devem ganhar. Suspiro.

Educação baseada em livro, regurgitando o que é dito pelo professor, memorização, etc, todos fazem parte da dieta de escolaridade. Conhecimento prático, pouco. O objetivo é o de ser um membro funcional da sociedade produtora de consumo. Depois de algumas gerações estudando Inglês, a língua internacional, relativamente poucos conseguiram domina-lo, e muito menos estão confiantes com o idioma. Ensinar é uma indústria de US $ 20 bilhões. É negócio. Eu quero vender meu livro e meu sistema de ensino a você.

É um país muito pacífico, que precisa de um novo paradigma. Eu gostaria que eles pudessem virar na direção do sistema finlandês. Tão popular aqui que o governo finlandês tem / tinha (?) Uma página de seu sistema de ensino em japonês. Qualquer que seja. É um trabalho em andamento, eu digo. 🙂

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

O Buldogue de Darwin e meu cachorro Darwin

DSCF0972Hoje eu pretendia comentar e fazer um link para o interessante blog Darwin e Deus, do editor-chefe de ciências da Folha, Reinaldo José Lopes. Mas não é um dia muito feliz. Soube hoje de manhã que meu cachorro Darwin (o nome foi colocado por meu filho Leonardo, OK?) foi atropelado e morreu. Triste isso.

Reinaldo José Lopes, 34, jornalista de ciência nascido e criado em São Carlos (SP), hoje colabora com a Folha de sua cidade natal, depois de passar quase três anos como editor de “Ciência+Saúde” na capital paulista. É formado em jornalismo pela USP e mestre e doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma universidade, com trabalhos sobre a obra de J.R.R. Tolkien. Sobre evolução, já escreveu o livro “Além de Darwin” (editora Globo) e tem planos de escrever vários outros. É católico, são-paulino, casado e pai de um menino.

Reinaldo fez um post sobre o trecho em que Tomas Huxley reconhece que, em termos filosóficos e políticos, tanto a Bíblia como a Biologia sugere um certo ceticismo em relação as ideias do Bom Selvagem. Numa citação mais extensa encontrada por Roberto Takata (que está se tornando um verdadeiro e respeitado intelectual na Internet, sendo citado por jornalistas etc), temos:

“It is the secret of the superiority of the best theological teachers to the majority of their opponents, that they substantially recognise these realities of things, however strange the forms in which they clothe their conceptions. The doctrines of predestination; of original sin; of the innate depravity of man and the evil fate of the greater part of the race; of the primacy of Satan in this world; of the essential vileness of matter; of a malevolent Demiurgus subordinate to a benevolent Almighty, who has only lately revealed himself, faulty as they are, appear to me to be vastly nearer the truth than the ‘liberal’ popular illusions that babies are all born good and that the example of a corrupt society is responsible for their failure to remain so; that it is given to everybody to reach the ethical ideal if he will only try; that all partial evil is universal good; and other optimistic figments, such as that which represents ‘Providence’ under the guise of a paternal philanthropist, and bids us believe that everything will come right (according to our notions) at last. I thought I had substantially said all this in my ‘Prologue’; but if a reader of Mr. Harrison’s acumen and carefulness has been unable to discover it, I may be forgiven for the repetition.”
http://aleph0.clarku.edu/huxley/UnColl/Rdetc/IREN.html

O texto despertou considerável polêmica, com os extremistas de plantão dizendo que cristãos e ateus não devem dialogar, serem amigos ou namorados, etc…  Como isso cansa!

Tentei dar uma resposta nos comentários da FOLHA sobre o que entendi da intenção do Reinaldo: Read more [+]

Ayn Rand: Razão, Egoísmo, Capitalismo

Half-length monochrome portrait photo of Ayn Rand, seated, holding a cigarette

I am not primarily an advocate of capitalism, but of egoism; and I am not primarily an advocate of egoism, but of reason. If one recognizes the supremacy of reason and applies it consistently, all the rest follows.

[127]

    Ayn Rand

Alguns amigos meus acreditam que se possa criar uma Ética a partir da Biologia (ou melhor, dos sentimentos empáticos de um mamífero hipersocial). Outros acham que a base seria a Razão, não as emoções.  Os Objetivistas, uma espécie de seita filosófica hiperracionalista (tenho quase certeza que sua guru Ayn Rand sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide), acham que a primeira opção é simplesmente dar um verniz biológico à ética judaico-cristã e seus derivados seculares (onde se prioriza a cooperação em vez da competição).

Muitos amigos ateus têm me reportado que a doutrina de Rand tem se espalhado em sua comunidade via Facebook (muita gente pedindo para que “Curtir” páginas de Rand.). Muitois não percebem que Rand, via seu discípulo Alan Greenspan, foi a grande influência ideológica que nos levou à nova Grande Depressão mundial e, possivelmente, a uma nova extrema-direita anarquista estilo Tea Party. Ou seja, no ideário de Rand, temos a sequência Razão -> Egoísmo -> Capitalismo Selvagem -> Caos Social. Ou talvez a egocentrismo de Rand esteja antes desta sequência…

This article is from TOS Vol. 3, No. 3. The full contents of the issue are listed here.

The Mystical Ethics of the New Atheists

Alan Germani

In the wake of the religiously motivated atrocities of 9/11, Sam Harris, Daniel Dennett, Richard Dawkins, and Christopher Hitchens have penned best-selling books in which they condemn religious belief as destructive to human life and as lacking any basis in reality.* On the premise that religious belief as such leads to atrocities, the “New Atheists,” as these four have come to be known, criticize religion as invalid, mind-thwarting, self-perpetuating, and deadly. As Sam Harris puts it: “Because each new generation of children is taught that religious propositions need not be justified in the way that others must, civilization is still besieged by the armies of the preposterous. We are, even now, killing ourselves over ancient literature. Who would have thought something so tragically absurd could be possible?”1 Read more [+]

Eli Vieira e o Niilismo

Por que não sou niilista – uma resposta a André Díspore Cancian

Postado por Eli Vieira on sexta-feira, 20 de agosto de 2010

o-gritoRecentemente comentei uma entrevista do André Díspore Cancian, criador do site Ateus.net, em que ele expressava o niilismo. Desenvolverei um pouco mais aqui.

Se o niilismo (do latim nihil, nada) é meramente notar o fato de que não há um sentido para a vida, ao menos não um que seja propriedade fundamental da nossa existência ou do universo, então eu também sou niilista. Ou seja, é muito útil o niilismo como ceticismo voltado para a ética.

Porém há mais para o niilismo de alguns: não apenas notam este fato sobre a ausência de sentido na natureza que nos gerou, como também descartam de antemão, dogmaticamente, qualquer tentativa de construção de sentido como uma mera ingenuidade. E nesta segunda acepção eu não sou, em hipótese alguma, um niilista.

Há duas razões para eu não ser um niilista:

1) Vejo uma inconsistência interna, que é técnica, no niilismo:

É uma posição circular, pois parte de uma questão de fato, que é a falta de “sentido” na vida, para voltar a outra questão de fato, que é nossa necessidade de “sentido” na vida apesar de o tal sentido não existir.

A inconsistência aqui é ignorar um enorme campo, a ética, que é o campo das questões de direito.

“Sentido” é algo que pode ser construído pelo indivíduo e pela cultura, como sempre foi, porém sem o autoengano de atribuir sentido ao mundo natural que nos gerou mas ver o tal sentido como vemos uma obra de arte.

Ninguém espera que a beleza das obras de Rodin seja uma propriedade fundamental da natureza. Da mesma forma, não se deve esperar que sentido seja uma propriedade fundamental da vida.

Filósofos como Paul Kurtz e A. C. Grayling estão estre os que explicitam e valorizam a construção do sentido da vida da mesma forma que se valoriza a construção de valor estético em obras de arte.

Como niilista, o André Cancian acha que a decisão ética diária que tomamos por continuar a viver é fruto apenas de instintos moldados pela seleção natural, e que a razão deve apenas não se demorar em tentar conversar com estes instintos, pois se tentar, ou seja, se focarmos nossa consciência no fato do absurdo da natureza (tal como denunciado por Camus e Nietzsche) cessaríamos nossa vontade de viver voluntariamente.

É um erro pensar assim, porque um indivíduo pode, como Bertrand Russell e Stephen Hawking relatam para si mesmos, construir um sentido para sua própria vida, consciente de que esta vida é finita e insignificante no contexto cósmico. É uma alegação comum que era esta a posição defendida por Nietzsche – que valores seriam construídos após a derrocada dos valores tradicionais. Mas não sou grande fã da obra de Nietzsche como filosofia, sou da posição de Russell de que Nietzsche é mais literatura que filosofia.

A posição do niilista ignora também os tratados de pensadores como David Hume sobre a fragilidade da razão frente a paixões. A razão é escrava das paixões – é um instrumento preciso, como uma lâmina de diamante, porém frágil frente à força das paixões.

A razão e a âncora empírica são as mestras do conhecimento e da metafísica. Por outro lado, as paixões, ou seja, as emoções, incluída aqui a emoção empática, são as mestras das questões de direito, como indicam pesquisas científicas como as do neurocientista Jorge Moll.

A posição niilista é inconsistente ao limitar a legitimidade do pensamento ao escrutínio racional e/ou científico. Na verdade, razão e ciência são para epistemologia e metafísica (não respectivamente, mas de forma intercambiável). Ética existe não apenas como objeto de estudo destas outras faculdades, mas como todo um alicerce sustentador das nossas mentes: o alicerce das questões de direito –
– “devo fazer isso?”
– “isso é bom?”
– “isso é ruim?”

São questões com que nos deparamos todos os dias, a respeito das quais as respostas epistemológicas e metafísicas (referentes a questões de fato) são neutras.

Na entrevista no blog Amálgama, André Cancian faz questão de citar que as emoções (ou paixões), que ele chama de “instintos”, tiveram origem através da seleção natural.
Esta prioridade inusitada na resposta do Cancian é exemplo da circularidade do niilismo: nada teria sentido porque as emoções vieram de um processo natural de sobrevivência diferencial entre replicadores que variam casualmente.

Frente ao fato de também a razão ter vindo do mesmíssimo processo, como Daniel Dennett argumenta brilhantemente em suas obras, por acaso isso torna a razão desimportante ou então faz dela um instrumento que só gera respostas falsas?

Esta pergunta retórica serve para exemplificar que nenhuma resposta a ela faz sentido ao menos que se separe, como fez Kant, as questões de fato das questões de direito.
É algo que niilistas como o André Cancian insistem em não fazer.

Na UnB, tive aulas com um filósofo admirável chamado Paulo Abrantes. Quando entrava na questão metafilosófica de explicar o que é filosofia ou não, ele, como a maioria dos filósofos, dava respostas provisórias e incertas. Uma dessas respostas me marcou bastante: filosofia é a arte de explicitar. Todo trabalho de tomar uma ideia cheia de conceitos tácitos, dissecá-la e explicitá-la melhor, seria um trabalho filosófico.

Quando certas formas de niilismo ignoram a importantíssima explicitação kantiana da separação entre questões de fato e questões de direito, estão voltando a um estado não filosófico de aferrar-se a posições nebulosas e tácitas.

Concluindo a primeira razão pela qual eu não sou niilista, posso então dizer que é porque o niilismo parece-me antifilosófico.

2) Não sou niilista, também, por ser humanista. Em outras palavras, o vácuo que o niilista gosta de lembrar é preenchido em mim pelo humanismo.

Aqui vou ser breve: por mais que eu tente explicar, racionalmente, razões pelas quais sou humanista, todas estas tentativas são meras sombras frente a sentimentos reais que me abatem.

O fato de existir o regime teocrático no Irã, e o fato de dezenas ou centenas de pessoas estarem na fila do apedrejamento, entre elas uma mulher chamada Sakineh Mohammadi Ashtiani, é algo que açula “meus instintos mais primitivos”, parafraseando uma frase famosa no Congresso alguns anos atrás.

Sinto de verdade que é simplesmente errado enterrar uma mulher até o ombro e atirar pedras contra a cabeça dela até que ela morra.

Sinto que também é errado achar que “respeitar a cultura” do Irã é mais importante que preservar a vida desta mulher e de outros que estão na posição dela.

Porque culturas não são indivíduos como Sakineh, portanto culturas não contam com nem um pingo da minha empatia. Mas aqui são de novo minhas capacidades racionais tentando explicar minhas emoções.

Tendo isto em mente, convido qualquer niilista a pensar, agora, o que acha de dizer a esta mulher, quando ela estiver enterrada até os ombros, que nada do que ela está sentindo tem importância porque as emoções dela são instintos que vieram da evolução pela seleção natural.

Estou apelando para a emoção numa argumentação contra o niilismo? Claro. Eu construí o sentido da minha vida, aliás estou sempre construindo, com a noção de que minhas emoções – e as dos outros – são importantes sim, mesmo tendo elas nascido do absurdo da natureza. Na verdade, este batismo de sangue as valoriza.

Mas falar das emoções, que são a base da ética, à luz de seu batismo de sangue é assunto para outro texto. Quem sabe usar o personagem Dexter Morgan como mote para falar disso? Não decidi ainda se será bom ou ruim.

Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento