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O Papa e a corrupção

Porque a Direita fracassou e o que pode fazer para vencer

Brasília - O presidente interino Michel Temer durante cerimônia de posse aos novos ministros de seu governo, no Palácio do Planalto. À esquerda, o senador Aécio Neves (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Por Osame Kinouchi

A Direita fracassou nas eleições de 2014. E não foram por poucos votos. Os votos da Direita só alcançaram um número perto de 50% por causa dos votos de Marina, que em última hora recomendou votar em Aécio. Só tem um problema: Marina não é de direita.

Mas o PSDB também não é de Direita, vamos reconhecer. Sua proposta original, que está em seu nome, é a Social Democracia com Welfare State, não os livres mercados desregulados que nos trouxeram a crise mundial de 2008. E também não é um partido que defende uma moral conservadora, dado que seu ícone maior, Fernando Henrique Cardoso, defende a descriminalização do aborto e da maconha, e mesmo a integração acolhedora de filhos ilegítimos em favor da família brasileira.

Assim, se contabilizarmos os votos reais para a Direita, veremos que é uma parcela minoritária da sociedade, talvez 30% do eleitorado. O resto é constituído de liberais econômicos (que, se forem também liberais em moralidade, não são exatamente Direita) ou Marinistas. Com essa base social não dá para ganhar eleição majoritária, e isso explica o fracasso das quatro últimas eleições presidenciais.

Neste texto analisarei os símbolos e metáforas usados pela Direita e pelos Liberais e em que medida tais elementos de discurso são prejudiciais tanto à causa do Conservadorismo quanto à causa do Liberalismo. Esta análise é feita a partir da Teoria das Metáforas Cognitivas de Lakoff e Johnson, que sugere que existe ampla correlação entre as metáforas usadas por uma pessoa e sua ideologia política.

Símbolos e metáforas são poderosos meios de comunicação por veicularem ideias de forma inconsciente, formando associações, teias conceituais, paradigmas. Se uma pessoa ou político faz alusão à sociedade como um todo orgânico (“não há, ou não deveria haver, luta de classes nem interesses em conflito no Brasil” etc.), se ele diz que cada brasileiro émembro de uma grande família, de um grande corpo social, se usa símbolos da Pátria, teremos uma versão do Organicismo, onde cada pessoa é uma célula que deve viver para manter o equilíbrio da sociedade e os que questionam a sociedade atual seriam células cancerosas. Se, por outro lado, a pessoa se refere à sociedade como uma grande máquina (mecanismos de mercado, movimentos sociais, equilíbrio de forças políticas, pressão da opinião pública, temperatura das ruas etc.), isso reflete uma ideologia Mecanicista e seu repertório conceitual se restringe à Termodinâmica de Máquinas a Vapor do século XIX, nem mesmo chegando às metáforas mais modernas de sociedade como grande computador distribuído em nuvem, rede neural artificial ou sistema dinâmico com avalanches socio-históricas de todos os tamanhos e criticalidade auto-organizada (Self-organized Criticality ou SOC).

Voltemos ao que interessa: como mudar o discurso da Direita e dos Liberais (que chamarei de D&L), para angariar mais votos em 2018, ou antes, se a tese das Diretas Já! vingar? Como fazer para que as metáforas e símbolos usados pela D&L não a prejudiquem tanto a ponto de se perder sucessivamente as eleições? Lembremos que, se a eleição presidencial fosse hoje, estariam no segundo turno Marina e Lula, com certos candidatos do PSDB abaixo de Bolsonaro. Urge portanto repensar o discurso, os símbolos, as metáforas políticas, pois são estes os fatores decisivos para se angariar corações e mentes. Faço a seguir algumas sugestões e recomendações para os meus amigos Liberais e de Direita:

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Porque a Esquerda fracassou e o que pode fazer para vencer

Por Osame Kinouchi

Brasília- DF 13-04-2016 Presidenta Dilma durante cerimônia de Assinatura de renovação de contrato de arrendamento entre a Secretaria Especial de Portos e o Terminal de Contêineres de Paranaguá Palácio do Planalto Foto Lula Marques/Agência PT

 

 

Foto: Lula Marques

por Osame Kinouchi

Se o placar 367 x 137 não representa um retumbante fracasso das esquerdas capitaneadas pelo PT-PSOL-PCdoB então não é possível definir fracasso no dicionário. Assistindo cada voto da Câmera, em vez de apenas rir ou ridicularizar o baixo clero do “não”, comecei a analisar os votos em termos políticos, culturais e sociais. Apresento alguns pensamentos que creio que, senão academicamente perfeitos, são ao menos originais. Faço algumas recomendações também para que um eventual governo das esquerdas em 2018 ou antes (Diretas Já!) não seja um governo de minoria parlamentar (algo impossível na prática), mas que possa ter algum tipo de apoio mais amplo da sociedade.

Primeiro, noto como os memes do impeachment que ridicularizaram  os deputados que votaram por Deus, pela Bíblia, pela família, pela pátria, pela bandeira e pela netinha não atingem o alvo. O momento é para reflexão, não para risos tristes. Minha proposta é que tais temas seja repensados pela esquerda e possam ser  assumidos pela esquerda porque também a refletem. Como? E por que?

A Religião não pode ser  monopólio da Direita

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O crescimento econômico visto por um físico

U.S. total energy 1650-present (logarithmic)Total U.S. Energy consumption in all forms since 1650. The vertical scale is logarithmic, so that an exponential curve resulting from a constant growth rate appears as a straight line. The red line corresponds to an annual growth rate of 2.9%. Source: EIA.

Exponential Economist Meets Finite Physicist

Some while back, I found myself sitting next to an accomplished economics professor at a dinner event. Shortly after pleasantries, I said to him, “economic growth cannot continue indefinitely,” just to see where things would go. It was a lively and informative conversation. I was somewhat alarmed by the disconnect between economic theory and physical constraints—not for the first time, but here it was up-close and personal. Though my memory is not keen enough to recount our conversation verbatim, I thought I would at least try to capture the key points and convey the essence of the tennis match—with some entertainment value thrown in.

Cast of characters: Physicist, played by me; Economist, played by an established economics professor from a prestigious institution. Scene: banquet dinner, played in four acts (courses).

Note: because I have a better retention of my own thoughts than those of my conversational companion, this recreation is lopsided to represent my own points/words. So while it may look like a physicist-dominated conversation, this is more an artifact of my own recall capabilities. I also should say that the other people at our table were not paying attention to our conversation, so I don’t know what makes me think this will be interesting to readers if it wasn’t even interesting enough to others at the table! But here goes…

Act One: Bread and Butter

Physicist: Hi, I’m Tom. I’m a physicist.

Economist: Hi Tom, I’m [ahem..cough]. I’m an economist.

Physicist: Hey, that’s great. I’ve been thinking a bit about growth and want to run an idea by you. I claim that economic growth cannot continue indefinitely.

Economist: [chokes on bread crumb] Did I hear you right? Did you say that growth can not continue forever?

Physicist: That’s right. I think physical limits assert themselves.

Economist: Well sure, nothing truly lasts forever. The sun, for instance, will not burn forever. On the billions-of-years timescale, things come to an end.

Physicist: Granted, but I’m talking about a more immediate timescale, here on Earth. Earth’s physical resources—particularly energy—are limited and may prohibit continued growth within centuries, or possibly much shorter depending on the choices we make. There are thermodynamic issues as well.

Economist: I don’t think energy will ever be a limiting factor to economic growth. Sure, conventional fossil fuels are finite. But we can substitute non-conventional resources like tar sands, oil shale, shale gas, etc. By the time these run out, we’ll likely have built up a renewable infrastructure of wind, solar, and geothermal energy—plus next-generation nuclear fission and potentially nuclear fusion. And there are likely energy technologies we cannot yet fathom in the farther future.

Physicist: Sure, those things could happen, and I hope they do at some non-trivial scale. But let’s look at the physical implications of the energy scale expanding into the future. So what’s a typical rate of annual energy growth over the last few centuries?

Economist: I would guess a few percent. Less than 5%, but at least 2%, I should think.

Physicist: Right, if you plot the U.S. energy consumption in all forms from 1650 until now, you see a phenomenally faithful exponential at about 3% per year over that whole span. The situation for the whole world is similar. So how long do you think we might be able to continue this trend?

Economist: Well, let’s see. A 3% growth rate means a doubling time of something like 23 years. So each century might see something like a 15–20× increase. I see where you’re going. A few more centuries like that would perhaps be absurd. But don’t forget that population was increasing during centuries past—the period on which you base your growth rate. Population will stop growing before more centuries roll by.

Physicist: True enough. So we would likely agree that energy growth will not continue indefinitely. But two points before we continue: First, I’ll just mention that energy growth has far outstripped population growth, so that per-capita energy use has surged dramatically over time—our energy lives today are far richer than those of our great-great-grandparents a century ago [economist nods]. So even if population stabilizes, we are accustomed to per-capita energy growth: total energy would have to continue growing to maintain such a trend [another nod].

Second, thermodynamic limits impose a cap to energy growth lest we cook ourselves. I’m not talking about global warming, CO2 build-up, etc. I’m talking about radiating the spent energy into space. I assume you’re happy to confine our conversation to Earth, foregoing the spectre of an exodus to space, colonizing planets, living the Star Trek life, etc.

Economist: More than happy to keep our discussion grounded to Earth.

Physicist: [sigh of relief: not a space cadet] Alright, the Earth has only one mechanism for releasing heat to space, and that’s via (infrared) radiation. We understand the phenomenon perfectly well, and can predict the surface temperature of the planet as a function of how much energy the human race produces. The upshot is that at a 2.3% growth rate (conveniently chosen to represent a 10× increase every century), we would reach boiling temperature in about 400 years. [Pained expression from economist.] And this statement is independent of technology. Even if we don’t have a name for the energy source yet, as long as it obeys thermodynamics, we cook ourselves with perpetual energy increase.

Economist: That’s a striking result. Could not technology pipe or beam the heat elsewhere, rather than relying on thermal radiation?

Physicist: Well, we could (and do, somewhat) beam non-thermal radiation into space, like light, lasers, radio waves, etc. But the problem is that these “sources” are forms of high-grade, low-entropy energy. Instead, we’re talking about getting rid of the waste heat from all the processes by which we use energy. This energy is thermal in nature. We might be able to scoop up some of this to do useful “work,” but at very low thermodynamic efficiency. If you want to use high-grade energy in the first place, having high-entropy waste heat is pretty inescapable.

Economist: [furrowed brow] Okay, but I still think our path can easily accommodate at least a steady energy profile. We’ll use it more efficiently and for new pursuits that continue to support growth.

Physicist: Before we tackle that, we’re too close to an astounding point for me to leave it unspoken. At that 2.3% growth rate, we would be using energy at a rate corresponding to the total solar input striking Earth in a little over 400 years. We would consume something comparable to the entire sun in 1400 years from now. By 2500 years, we would use energy at the rate of the entire Milky Way galaxy—100 billion stars! I think you can see the absurdity of continued energy growth. 2500 years is not that long, from a historical perspective. We know what we were doing 2500 years ago. I think I know what we’re not going to be doing 2500 years hence.

Economist: That’s really remarkable—I appreciate the detour. You said about 1400 years to reach parity with solar output?

Physicist: Right. And you can see the thermodynamic point in this scenario as well. If we tried to generate energy at a rate commensurate with that of the Sun in 1400 years, and did this on Earth, physics demands that the surface of the Earth must be hotter than the (much larger) surface of the Sun. Just like 100 W from a light bulb results in a much hotter surface than the same 100 W you and I generate via metabolism, spread out across a much larger surface area.

Economist: I see. That does make sense.

Act Two: Salad

Economist: So I’m as convinced as I need to be that growth in raw energy use is a limited proposition—that we must one day at the very least stabilize to a roughly constant yearly expenditure. At least I’m willing to accept that as a starting point for discussing the long term prospects for economic growth. But coming back to your first statement, I don’t see that this threatens the indefinite continuance of economic growth.

For one thing, we can keep energy use fixed and still do more with it in each passing year via efficiency improvements. Innovations bring new ideas to the market, spurring investment, market demand, etc. These are things that will not run dry. We have plenty of examples of fundamentally important resources in decline, only to be substituted or rendered obsolete by innovations in another direction.

Physicist: Yes, all these things happen, and will continue at some level. But I am not convinced that they represent limitless resources.

Economist: Do you think ingenuity has a limit—that the human mind itself is only so capable? That could be true, but we can’t credibly predict how close we might be to such a limit.

Physicist: That’s not really what I have in mind. Let’s take efficiency first. It is true that, over time, cars get better mileage, refrigerators use less energy, buildings are built more smartly to conserve energy, etc. The best examples tend to see factor-of-two improvements on a 35 year timeframe, translating to 2% per year. But many things are already as efficient as we can expect them to be. Electric motors are a good example, at 90% efficiency. It will always take 4184 Joules to heat a liter of water one degree Celsius. In the middle range, we have giant consumers of energy—like power plants—improving much more slowly, at 1% per year or less. And these middling things tend to be something like 30% efficient. How many more “doublings” are possible? If many of our devices were 0.01% efficient, I would be more enthusiastic about centuries of efficiency-based growth ahead of us. But we may only have one more doubling in us, taking less than a century to realize.

Economist: Okay, point taken. But there is more to efficiency than incremental improvement. There are also game-changers. Tele-conferencing instead of air travel. Laptop replaces desktop; iPhone replaces laptop, etc.—each far more energy frugal than the last. The internet is an example of an enabling innovation that changes the way we use energy.

Physicist: These are important examples, and I do expect some continuation along this line, but we still need to eat, and no activity can get away from energy use entirely. [semi-reluctant nod/bobble] Sure, there are lower-intensity activities, but nothing of economic value is completely free of energy.

Economist: Some things can get awfully close. Consider virtualization. Imagine that in the future, we could all own virtual mansions and have our every need satisfied: all by stimulative neurological trickery. We would stil need nutrition, but the energy required to experience a high-energy lifestyle would be relatively minor. This is an example of enabling technology that obviates the need to engage in energy-intensive activities. Want to spend the weekend in Paris? You can do it without getting out of your chair. [More like an IV-drip-equipped toilet than a chair, the physicist thinks.]

Physicist: I see. But this is still a finite expenditure of energy per person. Not only does it take energy to feed the person (today at a rate of 10 kilocalories of energy input per kilocalorie eaten, no less), but the virtual environment probably also requires a supercomputer—by today’s standards—for every virtual voyager. The supercomputer at UCSD consumes something like 5 MW of power. Granted, we can expect improvement on this end, but today’s supercomputer eats 50,000 times as much as a person does, so there is a big gulf to cross. I’ll take some convincing. Plus, not everyone will want to live this virtual existence.

Economist: Really? Who could refuse it? All your needs met and an extravagant lifestyle—what’s not to like? I hope I can live like that myself someday.

Physicist: Not me. I suspect many would prefer the smell of real flowers—complete with aphids and sneezing; the feel of real wind messing up their hair; even real rain, real bee-stings, and all the rest. You might be able to simulate all these things, but not everyone will want to live an artificial life. And as long as there are any holdouts, the plan of squeezing energy requirements to some arbitrarily low level fails. Not to mention meeting fixed bio-energy needs.

Act Three: Main Course

Physicist: But let’s leave the Matrix, and cut to the chase. Let’s imagine a world of steady population and steady energy use. I think we’ve both agreed on these physically-imposed parameters. If the flow of energy is fixed, but we posit continued economic growth, then GDP continues to grow while energy remains at a fixed scale. This means that energy—a physically-constrained resource, mind—must become arbitrarily cheap as GDP continues to grow and leave energy in the dust.

Economist: Yes, I think energy plays a diminishing role in the economy and becomes too cheap to worry about.

Physicist: Wow. Do you really believe that? A physically limited resource (read scarcity) that is fundamental to every economic activity becomes arbitrarily cheap? [turns attention to food on the plate, somewhat stunned]

Economist: [after pause to consider] Yes, I do believe that.

Physicist: Okay, so let’s be clear that we’re talking about the same thing. Energy today is roughly 10% of GDP. Let’s say we cap the physical amount available each year at some level, but allow GDP to keep growing. We need to ignore inflation as a nuisance in this case: if my 10 units of energy this year costs $10,000 out of my $100,000 income; then next year that same amount of energy costs $11,000 and I make $110,000—I want to ignore such an effect as “meaningless” inflation: the GDP “growth” in this sense is not real growth, but just a re-scaling of the value of money.

Economist: Agreed.

Physicist: Then in order to have real GDP growth on top of flat energy, the fractional cost of energy goes down relative to the GDP as a whole.

Economist: Correct.

Physicist: How far do you imagine this can go? Will energy get to 1% of GDP? 0.1%? Is there a limit?

Economist: There does not need to be. Energy may become of secondary importance in the economy of the future—like in the virtual world I illustrated.

Physicist: But if energy became arbitrarily cheap, someone could buy all of it, and suddenly the activities that comprise the economy would grind to a halt. Food would stop arriving at the plate without energy for purchase, so people would pay attention to this. Someone would be willing to pay more for it. Everyone would. There will be a floor to how low energy prices can go as a fraction of GDP.

Economist: That floor may be very low: much lower than the 5–10% we pay today.

Physicist: But is there a floor? How low are you willing to take it? 5%? 2%? 1%?

Economist: Let’s say 1%.

Physicist: So once our fixed annual energy costs 1% of GDP, the 99% remaining will find itself stuck. If it tries to grow, energy prices must grow in proportion and we have monetary inflation, but no real growth.

Economist: Well, I wouldn’t go that far. You can still have growth without increasing GDP.

Physicist: But it seems that you are now sold on the notion that the cost of energy would not naturally sink to arbitrarily low levels.

Economist: Yes, I have to retract that statement. If energy is indeed capped at a steady annual amount, then it is important enough to other economic activities that it would not be allowed to slip into economic obscurity.

Physicist: Even early economists like Adam Smith foresaw economic growth as a temporary phase lasting maybe a few hundred years, ultimately limited by land (which is where energy was obtained in that day). If humans are successful in the long term, it is clear that a steady-state economic theory will far outlive the transient growth-based economic frameworks of today. Forget Smith, Keynes, Friedman, and that lot. The economists who devise a functioning steady-state economic system stand to be remembered for a longer eternity than the growth dudes. [Economist stares into the distance as he contemplates this alluring thought.]

Act Four: Dessert

Economist: But I have to object to the statement that growth must stop once energy amount/price saturates. There will always be innovations that people are willing to purchase that do not require additional energy.

Physicist: Things will certainly change. By “steady-state,” I don’t mean static. Fads and fashions will always be part of what we do—we’re not about to stop being human. But I’m thinking more of a zero-sum game here. Fads come and go. Some fraction of GDP will always go toward the fad/innovation/gizmo of the day, but while one fad grows, another fades and withers. Innovation therefore will maintain a certain flow in the economy, but not necessarily growth.

Economist: Ah, but the key question is whether life 400 years from now is undeniably of higher quality than life today. Even if energy is fixed, and GDP is fixed once the cost of energy saturates at the lower bound, will quality of life continue to improve in objectively agreed-upon ways?

Physicist: I don’t know how objective such an assessment can be. Many today yearn for days past. Maybe this is borne of ignorance or romanticism over the past (1950′s often comes up). It may be really exciting to imagine living in Renaissance Europe, until a bucket of nightsoil hurled from a window splatters off the cobblestone and onto your breeches. In any case, what kind of universal, objective improvements might you imagine?

Economist: Well, for instance, look at this dessert, with its decorative syrup swirls on the plate. It is marvelous to behold.

Physicist: And tasty.

Economist: We value such desserts more than plain, unadorned varieties. In fact, we can imagine an equivalent dessert with equivalent ingredients, but the decorative syrup unceremoniously pooled off to one side. We value the decorated version more. And the chefs will continue to innovate. Imagine a preparation/presentation 400 years from now that would blow your mind—you never thought dessert could be made to look so amazing and taste so delectably good. People would line the streets to get hold of such a creation. No more energy, no more ingredients, yet of increased value to society. That’s a form of quality of life improvement, requiring no additional resources, and perhaps costing the same fraction of GDP, or income.

Physicist: I’m smiling because this reminds me of a related story. I was observing at Palomar Observatory with an amazing instrumentation guru named Keith who taught me much. Keith’s night lunch—prepared in the evening by the observatory kitchen and placed in a brown bag—was a tuna-fish sandwich in two parts: bread slices in a plastic baggie, and the tuna salad in a small plastic container (so the tuna would not make the bread soggy after hours in the bag). Keith plopped the tuna onto the bread in an inverted container-shaped lump, then put the other piece of bread on top without first spreading the tuna. It looked like a snake had just eaten a rat. Perplexed, I asked if he intended to spread the tuna before eating it. He looked at me quizzically (like Morpheus in the Matrix: “You think that’s air you’re breathing? Hmm.”), and said—memorably, “It all goes in the same place.”

My point is that the stunning presentation of desserts will not have universal value to society. It all goes in the same place, after all. [I’ll share a little-known secret. It’s hard to beat a Hostess Ding Dong for dessert. At 5% the cost of fancy desserts, it’s not clear how much value the fancy things add.]

After-Dinner Contemplations

The evening’s after-dinner keynote speech began, so we had to shelve the conversation. Reflecting on it, I kept thinking, “This should not have happened. A prominent economist should not have to walk back statements about the fundamental nature of growth when talking to a scientist with no formal economics training.” But as the evening progressed, the original space in which the economist roamed got painted smaller and smaller.

First, he had to acknowledge that energy may see physical limits. I don’t think that was part of his initial virtual mansion.

Next, the efficiency argument had to shift away from straight-up improvements to transformational technologies. Virtual reality played a prominent role in this line of argument.

Finally, even having accepted the limits to energy growth, he initially believed this would prove to be of little consequence to the greater economy. But he had to ultimately admit to a floor on energy price and therefore an end to traditional growth in GDP—against a backdrop fixed energy.

I got the sense that this economist’s view on growth met some serious challenges during the course of the meal. Maybe he was not putting forth the most coherent arguments that he could have made. But he was very sharp and by all measures seemed to be at the top of his game. I choose to interpret the episode as illuminating a blind spot in traditional economic thinking. There is too little acknowledgement of physical limits, and even the non-compliant nature of humans, who may make choices we might think to be irrational—just to remain independent and unencumbered.

I recently was motivated to read a real economics textbook: one written by people who understand and respect physical limitations. The book, called Ecological Economics, by Herman Daly and Joshua Farley, states in its Note to Instructors:

…we do not share the view of many of our economics colleagues that growth will solve the economic problem, that narrow self-interest is the only dependable human motive, that technology will always find a substitute for any depleted resource, that the market can efficiently allocate all types of goods, that free markets always lead to an equilibrium balancing supply and demand, or that the laws of thermodynamics are irrelevant to economics.

This is a book for me!

Epilogue

The conversation recreated here did challenge my own understanding as well. I spent the rest of the evening pondering the question: “Under a model in which GDP is fixed—under conditions of stable energy, stable population, steady-state economy: if we accumulate knowledge, improve the quality of life, and thus create an unambiguously more desirable world within which to live, doesn’t this constitute a form of economic growth?”

I had to concede that yes—it does. This often falls under the title of “development” rather than “growth.” I ran into the economist the next day and we continued the conversation, wrapping up loose ends that were cut short by the keynote speech. I related to him my still-forming position that yes, we can continue tweaking quality of life under a steady regime. I don’t think I ever would have explicitly thought otherwise, but I did not consider this to be a form of economic growth. One way to frame it is by asking if future people living in a steady-state economy—yet separated by 400 years—would always make the same, obvious trades? Would the future life be objectively better, even for the same energy, same GDP, same income, etc.? If the answer is yes, then the far-future person gets more for their money: more for their energy outlay. Can this continue indefinitely (thousands of years)? Perhaps. Will it be at the 2% per year level (factor of ten better every 100 years)? I doubt that.

So I can twist my head into thinking of quality of life development in an otherwise steady-state as being a form of indefinite growth. But it’s not your father’s growth. It’s not growing GDP, growing energy use, interest on bank accounts, loans, fractional reserve money, investment. It’s a whole different ballgame, folks. Of that, I am convinced. Big changes await us. An unrecognizable economy. The main lesson for me is that growth is not a “good quantum number,” as physicists will say: it’s not an invariant of our world. Cling to it at your own peril.

Note: This conversation is my contribution to a series at www.growthbusters.org honoring the 40th anniversary of the Limits to Growth study. You can explore the series here. Also see my previous reflection on the Limits to Growth work. You may also be interested in checking out and signing the Pledge to Think Small and consider organizing an Earth Day weekend house party screening of the GrowthBusters movie.

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Os erros de Marina

marina

A grande cagada da equipe de Eduardo Campos (que Marina pegou andando) foi apresentar um programa de governo detalhado, achando que isso seria um diferencial.

Os marqueteiros de Dilma e Aecio sabem que nao se deve fazer isso, para evitar criticas. Faltou marqueteiro para Marina.

Lembremos das aulas de estatística de que correlação não implica em causação. A afirmativa “Marina mudou a redação do programa por causa de Malafaia” não tem base: primeiro porque Malafaia é um inimigo de Marina desde 2010 e ela nunca iria se submeter a ele.  Ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nxYaMFotGCs

Segundo porque a ideia de que havia uma outra redação mais moderada do projeto (e lembre-se que, nessa redação, havia mudanças também na questão das usinas nucleares, que nada tem a ver com Malafaia) é plausível.

Ou seja, infelizmente houve coincidencia temporal, nao causação, entre os twitters de Malafaia e a divulgação do  programa com redação final. Isso pegou muito mal, foi uma infeliz coincidencia que realmente iniciou a queda de Marina.

Mas considere o seguinte. Imagine que apenas a versão final tivesse sido divulgada, desde o início. Neste caso, nada disso teria acontecido, e o programa de governo seria o mais avançado (MUITO MAIS A ANÇADO) na questão LGBT. Afinal, o programa de Dilma é totalmente vago e nem cita a sigla LGBT, e mesmo Luciana Genro só divulgou seu programa sobre LGBT bem tarde na campanha.

Finalmente, imagine que Luciana Genro e Eduardo Jorge estivessem na posição de Marina, ou seja, com reais chances de ganhar, em vez de  nanincos.  Voce realmente acredita que o discurso deles sobre aborto, drogas e LGBT seria o mesmo? Sinceramente, eu acho bem dificil de acreditar… Seus marqueteiros nunca deixariam isso acontecer.

Por que é isso o que acontece (e seria ingenuidade pensar diferente): numa democracia como a nossa o que vale são os acertos e deslizes puntuais durante a campanha, exploradas a exaustão pela midia, pelos marqueteiros e pelas redes sociais. Não conta a biografia do candidato.

Engraçado que o debate eleitoral no Brasil está se afastando da polarização esquerda-direita para um carater mais tipo americano liberais-conservadores. Os temas polemicos discutidos (aborto, drogas, LGBT) não sao temas historicos da esquerda (o consumo da maconha está liberado em Cuba? Tem casamento gay na China?). Mesmo o ataque à religião de Marina (que diga-se de passagem, é muito mais avançada que a católica, já que permite controle de natalidade, camisinhas, pilulas, casamento dos pastores e divorcio) lembra o debate eleitoral americano.

Será que é isso mesmo? Estamos rumando para nos tornarmos cada vez mais parecidos com os EUA?

Acho que o cenario a medio prazo será tragico.  Notem quem o estado mais avançado economicamente (SP) tambem é o bastiao do conservadorismo politico e moral. E a regiao sul nao fica atrás.  Ou seja, quanto mais de classe B e C, mais se  dissemina o pensamento pequeno burgues, que é conservador.

Ora, isso significa que o PT vai ser vitima do seu proprio sucesso: quanto mais criar uma classe C (e os C+ vão se elevar para B-), maior o contingente pequeno burgues criado e maior o conservadorismo da sociedade brasileira. Acho que a Dilma passa de raspão neste segundo turno mas sinceramente penso que 2018 pode ser o final do ciclo petista (afinal, vão ser 16 anos acumulados de desgaste do governo).

De novo, proponho que a alternancia de poder se dê na centro esquerda (ou seja, PSB, REDE, e outros partidos que eram da base do PT), evitando a todo custo que se de o poder ao PSDB.  Mas do jeito que o PT desconstruiu Marina, essa alternancia na centro esquerda pode ter sido inviabilizada para 2018…

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

O Buldogue de Darwin e meu cachorro Darwin

DSCF0972Hoje eu pretendia comentar e fazer um link para o interessante blog Darwin e Deus, do editor-chefe de ciências da Folha, Reinaldo José Lopes. Mas não é um dia muito feliz. Soube hoje de manhã que meu cachorro Darwin (o nome foi colocado por meu filho Leonardo, OK?) foi atropelado e morreu. Triste isso.

Reinaldo José Lopes, 34, jornalista de ciência nascido e criado em São Carlos (SP), hoje colabora com a Folha de sua cidade natal, depois de passar quase três anos como editor de “Ciência+Saúde” na capital paulista. É formado em jornalismo pela USP e mestre e doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma universidade, com trabalhos sobre a obra de J.R.R. Tolkien. Sobre evolução, já escreveu o livro “Além de Darwin” (editora Globo) e tem planos de escrever vários outros. É católico, são-paulino, casado e pai de um menino.

Reinaldo fez um post sobre o trecho em que Tomas Huxley reconhece que, em termos filosóficos e políticos, tanto a Bíblia como a Biologia sugere um certo ceticismo em relação as ideias do Bom Selvagem. Numa citação mais extensa encontrada por Roberto Takata (que está se tornando um verdadeiro e respeitado intelectual na Internet, sendo citado por jornalistas etc), temos:

“It is the secret of the superiority of the best theological teachers to the majority of their opponents, that they substantially recognise these realities of things, however strange the forms in which they clothe their conceptions. The doctrines of predestination; of original sin; of the innate depravity of man and the evil fate of the greater part of the race; of the primacy of Satan in this world; of the essential vileness of matter; of a malevolent Demiurgus subordinate to a benevolent Almighty, who has only lately revealed himself, faulty as they are, appear to me to be vastly nearer the truth than the ‘liberal’ popular illusions that babies are all born good and that the example of a corrupt society is responsible for their failure to remain so; that it is given to everybody to reach the ethical ideal if he will only try; that all partial evil is universal good; and other optimistic figments, such as that which represents ‘Providence’ under the guise of a paternal philanthropist, and bids us believe that everything will come right (according to our notions) at last. I thought I had substantially said all this in my ‘Prologue’; but if a reader of Mr. Harrison’s acumen and carefulness has been unable to discover it, I may be forgiven for the repetition.”
http://aleph0.clarku.edu/huxley/UnColl/Rdetc/IREN.html

O texto despertou considerável polêmica, com os extremistas de plantão dizendo que cristãos e ateus não devem dialogar, serem amigos ou namorados, etc…  Como isso cansa!

Tentei dar uma resposta nos comentários da FOLHA sobre o que entendi da intenção do Reinaldo: Read more [+]

Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

Alain de Botton: Ateísmo 2.0

Via FACEBOOK do Mauro Copelli:

“Não vamos deixar dormir aqueles que não nos deixam sonhar”

Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento por uma Nova Política

Detalhes do evento

Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento por uma Nova Política

Horário: 19 novembro 2011 de 10:00 a 18:00
Local: Sala Crisantempo 
Rua: Rua Fidalga, 521 – Vila Madalena
Cidade: São Paulo 
Tipo de evento: lançamentocoletivopaulistamovimento,novapolítica
Organizado por: Thulio Pompeu
Última atividade: 1 hora atrás

Exportar para Outlook ou iCal (.ics)

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Descrição do evento

No dia 13 de setembro lançamos em Brasília a idéia da construção de um Movimento por uma Nova Política que reuna nossos melhores esforços para debater, intervir e contribuir para a transformação das regras, instituições e ações políticas da sociedade brasileira e global. O movimento quer zelar pela prática e pela conjugação, de modo cada vez mais generalizado e permanente, de dois ideais: a democracia, que mostra sinais claros da captura pela supremacia da vida financeira, e a inadiável sustentabilidade. O esgotamento do modelo político representativo e fragmentado nos chama a estabelecer novas relações de poder na sociedade, baseadas numa visão integral e horizontal de democracia direta, na ética e na cidadania.

Ao sair do Partido Verde, há quatro meses, Marina Silva falou que era hora de sermos sonháticos e não pragmáticos. Naquele momento, os movimentos de democratização no Egito e em muitos países do oriente médio estavam apenas começando. As manifestações no mundo todo pedindo uma Nova Democracia e uma Nova Política estão cada dia mais fortes, expressando sentimentos que foram muito bem sintetizados por dois jovens – um americano do movimento Ocupe Wall Strett, que escreveu em um cartaz “Não vamos deixar dormir aqueles que não nos deixam sonhar”, e um Chileno que escreveu em um grande faixa, “Nossos sonhos não cabem nas suas urnas”.

No Brasil, temos tido uma boa melhoria no campo econômico e social nos últimos anos, mas o processo político não tem melhorado. As alianças partidárias, formadas a partir das conveniências da governabilidade e da distribuição fisiológica de parcelas do poder, simplesmente desconsideram os compromissos programáticos e os princípios éticos.

Apesar da melhoria na situação econômica, começam a aparecer movimentos que, mesmo embrionários, mantém uma constância de atuação em torno de várias causas, como a luta contra a corrupção, em defesa das Florestas, da democracia real, do passe livre, da democratização ao acesso a Internet etc. Mas é preciso que esse processo tome corpo, gere novas formas de organização em rede e busque o compartilhamento na formulação de propósitos e no processo de decisão política.

Dessa forma, gostaríamos de convidar a todos para o Lançamento do Coletivo Paulista do Movimento pela Nova Política. A idéia é criarmos um espaço para agregar todos que sonham com uma outra forma de fazer política.

No próximo dia 19 de novembro, às 10:00 horas, organizaremos nosso Movimento em São Paulo, com a presença de Marina Silva, Movimentos da Sociedade Civil, Parlamentares e cidadãos do Estado Inteiro.

Sua presença é fundamental, queremos ir longe, e para tanto precisamos fazer isso juntos.

É possível um ecumenismo entre ateus e religiosos?

Bom, parece que Edward Wilson acredita que sim:

A CRIAÇÃO – Como salvar a vida na Terra

R$ 38,50 Comprar
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A Criação é um apelo para que deixemos o embate entre religião e ciência de lado para podermos salvar a vida no planeta, que nunca esteve tão ameaçada. Valendo-se de suas experiências como um dos biólogos mais destacados no cenário mundial, Edward O. Wilson prevê que, até o final do século, pelo menos a metade das espécies de plantas e animais da Terra poderá ter desaparecido, ou estará a caminho da extinção precoce.
Escrito em forma de carta a um pastor evangélico, A Criação demonstra que a ciência e a religião não precisam ser, necessariamente, antagonistas em guerra. Ao fornecer explicações a respeito dos motivos ambientais e espirituais para nos alarmarmos com a poluição, o aquecimento global e o rápido declínio da diversidade biológica do planeta, Wilson sugere que, se ciência e religião usarem de seu poder para forjar uma aliança fundamentada no respeito mútuo, relevando as diferenças metafísicas básicas e buscando alcançar objetivos práticos, alguns dos mais graves problemas do século XXI poderão ser resolvidos rapidamente.

“E. O. Wilson, talvez o maior biólogo da nossa geração, traz uma vida inteira de trabalho e de reflexão para esta obra. […] É um de seus livros mais perturbadores, mais comoventes e mais importantes.” – Oliver Sacks

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Enquanto isso, o Papa atual, mesmo sendo um conservador de direita e tradicionalista, abre a possibilidade de um diálogo com os Protestantes e os Islamicos. Ao mesmo tempo, Richard Dawkins ataca o astrônomo real Martin Rees por ele ter aceitado o prêmio Templeton (que é dado à personalidade mundial que mais contribuiu para o diálogo Ciência-Religião em cada ano.

 

FOLHA ONLINE         23/09/2011  09h36

Na Alemanha, Bento 16 defende diálogo com muçulmanos e protestantes

DA FRANCE PRESSE

O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira um melhor diálogo entre a cristandade e o Islã, no segundo dia de visita a seu país natal, onde também tem a intenção de enviar sinais de aproximação aos protestantes em favor do ecumenismo.

“Acho que uma colaboração fecunda entre cristãos e muçulmanos é possível”, afirmou o Papa ao receber, em Berlim, representantes do Islã na Alemanha. “Reconhecemos a necessidade (…) de progredir no diálogo e estima recíprocas”.

Na Alemanha, vivem entre 3,8 e 4,3 milhões de muçulmanos, que representam entre 4,6% e 5,2% de sua população.

Depois, Bento 16 partiu de Berlim para Erfurt, onde Martin Lutero estudou direito e teologia a partir de 1501, e foi ordenado sacerdote em 1507, depois de ter entrado na ordem dos monges agostinianos. Durante esses anos fundamentais, Lutero, que ainda era católico, refletiu sobre o que seria o começo da Reforma protestante.

O papa prestou homenagem a Lutero, ao enfatizar a paixão profunda pelas questões de Deus do promotor da Reforma Protestante, em um gesto simbólico em relação aos protestantes na cidade Erfurt (leste), onde surgiu este movimento.

“O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, que era a paixão profunda e a força de suavida e seu total itinerario. (…) O pensamento de Lutero, sua espiritualidade inteira, estavam completamente centrados em Cristo”, declarou o Papa.

Depois de visitar a catedral desta pintoresca cidade medieval, Bento se reunirá a portas fechadas com 20 delegados da Igreja protestante alemã, e em seguida participará num serviço ecumênico no convento dos Agostinianos, ao lado de autoridades como a chanceler Angela Merkel, filha de um pastor protestante, e do presidente alemão, Christian Wulff, de religião católica.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu” relata sacrifícios humanos

Achei curioso  este paragrafo:

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

 

Ou seja, definindo religiosidade nesta dimensão ampla, a religiosidade seria o contrário do ceticismo filosófico e do cinismo filosófico, e não do ateísmo. Em particular, se você gasta uma parte de sua vida, de seu tempo e recursos, em prol de uma causa, por exemplo o ateísmo militante, então você é uma pessoa religiosa (no sentido de “religare”, unir pessoas em prol de uma causa comum).

Mas se você, em vez de ser um ateu que acredita realmente em alguma coisa (por exemplo, acredita na causa do ateísmo), se você é apenas “atoa”, ou um cristão nominal (alguém que vai na igreja apenas por convenções sociais, casamento, batizado, missa de sétimo dia etc) por exemplo, então você não é religioso.

Nesse sentido, dado que ateus militantes e religiosos militantes são ambos “religiosos = religarosos” neste sentido amplo, e dado que sua militância pode ter pontos em comum (por exemplo, combater o fundamentalismo de direita, construir uma sociedade econômica-ecologicamente sustentável no longo prazo, defender os direitos humanos e direitos dos animais etc), então claramente é possível haver uma colaboração ativa entre esses dois grupos. Já um ateu hedonista e atoa, sem consciência e ação política, que não luta por nada e não acredita em nada (nem no ateísmo), estará mais longe do ateu militante que o religioso militante, e estará mais próximo do religioso hedonista, sem consciência e ação política, o religioso atoa…

da Livraria da Folha

O que pensam os homens quando matam em nome de uma crença? Em Cartago, durante a antiguidade, por exemplo, cultuava-se uma divindade conhecida como Baal Moloch (Molekh ou Moleque). O culto do deus era feito por meio de uma grande estátua de bronze, cujo ventre oco servia de forno para sacrifício. Pais abandonavam os filhos dentro da barriga incandescente do ídolo com o intento de alcançar dádivas ou evitar desgraças.

Divulgação
Com o contexto da época em que as religiões eram praticadas
Apresenta o contexto da época em que as religiões eram praticadas

Os gritos e mantras dos sacerdotes eram usados para abafar as súplicas das crianças. Contudo, é correto afirmar que a maioria dos relatos sobre os cruéis sacrifícios foram produzidos pelo povo romano, inimigo confesso dos cartagineses.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”, com textos organizados pelo arqueólogo Pedro Paulo Funari, dedica-se a alguns dos mais interessantes pensamentos míticos que deixaram de existir ou quase desapareceram.

Curiosidades históricas são pesquisadas, analisadas e escritas por especialistas, –com os principais ritos e crenças–, que convidam o leitor a entrar nos domínios de deuses tão diversos como El, Odin, Zeus e Huitzilopochtli.

O volume é um registros de dezenas de milhares de anos que retratam a fé. Abaixo, leia um trecho do exemplar.

Visite a estante dedicada à religião

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Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. Animais comunicam-se entre si, por meio de sons, e o podem fazer de maneira impressionante: a “linguagem” das baleias é um exemplo que causa admiração em quem já ouviu a “conversa”. Os pássaros também o fazem, com canções que podem encantar. O uso de artefatos, que já foi considerado apanágio do ser humano, tampouco se revelou único. Hoje sabemos que diversos tipos de macacos utilizam-se de objetos como ferramentas. Não há evidências, contudo, de que qualquer outro animal seja movido por preocupações religiosas, como o ser humano é desde os seus primórdios. Os mais antigos registros da humanidade, de dezenas de milhares de anos, retratam a religiosidade, esse sentimento íntimo dos primitivos seres humanos. Nas cavernas, encontramos pinturas que retratam cerimônias religiosas: são pessoas que participam de atividades xamânicas, são pajés, são imagens que procuram facilitar a caça, ou favorecer a fertilidade de plantas, animais e humanos. Gravuras às margens de rios retratam a crença na força sobrenatural das águas. O enterramento dos mortos marca, de forma clara e definitiva, a crença nos espíritos dos antepassados. A humanidade, nesse sentido, pode ser definida como aquela parte do reino animal que se caracteriza pela religiosidade.

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

As manifestações religiosas são, pois, tão múltiplas e variadas como é diverso o ser humano, em suas inúmeras culturas, do presente e do passado. A grande riqueza humana consiste, precisamente, nessa diversidade. Este livro dedica-se a algumas das mais interessantes e inspiradoras experiências religiosas da humanidade que deixaram de existir ou quase desapareceram.

As religiões que o mundo esqueceu constituem um tesouro: um manancial de práticas, sentimentos e interpretações do mundo. Algumas delas formam parte de nosso repertório cultural e penetraram, às vezes de forma profunda, mas despercebida, nas nossas próprias concepções e sentimentos. As religiões dos sumérios, egípcios, gregos e romanos são exemplos claros disso, mas outras religiosidades menos frequentadas, como o zoroastrismo e o gnosticismo, também entram nessa categoria. São maneiras particulares de encarar o divino, diversas entre si e das nossas, mas nelas reconhecemos muito do nosso próprio manancial cultural e religioso. Ressoam entre nós o Dilúvio sumério, a alma (ka) egípcia, o complexo de Édipo grego, o apego ritual romano, o dualismo entre bem e mal persa e os segredos religiosos do gnosticismo.

Outras muitas concepções e práticas destacam-se pela radical diferença. As percepções indígenas americanas sobressaem, nesse sentido, como interpretações do mundo em tudo originais. Outras tantas experiências religiosas apresentam-se como distantes e próximas a um só tempo. As práticas cristãs desaparecidas, como as arianistas e as albigenses, nos são compreensíveis, mas originais e únicas, assim como as religiões celta e viking. O que todas têm em comum é sua beleza e seu fascínio. Ao nos embalarmos no relato de cada uma delas, de forma quase onírica, é como se sonhássemos e nos transportássemos a outras épocas e outros sentimentos, tão próximos e tão distantes, que tanto nos podem tocar. Aquilo que nos caracteriza como humanos, nossa espiritualidade, encontra em cada capítulo uma satisfação e uma atração únicas.

Esta obra visa a introduzir o público geral nesse mundo fascinante e, por isso, cada capítulo apresenta um panorama geral, em linguagem clara e direta, sem jargões, de uma religião desaparecida (ou quase). São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas, ao sugerirem alguns títulos de aprofundamento sobre cada tema. Aceito o convite, o leitor encontrará não apenas um pouco da humanidade, em sua diversidade, mas também se deparará com facetas insuspeitadas de seus próprios sentimentos e emoções.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”
Organizador: Pedro Paulo Funari
Editora: Editora Contexto
Páginas: 224
Quanto: R$ 31,20 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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Religião é política? E a ciência é ateia?

Texto obtido no Facebook do Eli Vieira:

Religião é política? E a ciência é ateia?

por Erick Fishuk, segunda, 19 de setembro de 2011 às 14:08

Duas perguntas essenciais devem ser respondidas pelos movimentos ateus, céticos e laicos no desenrolar de suas lutas se eles quiserem ir para frente e adquirir consistência visual, teórica e combativa. A primeira é se as religiões instituídas são uma forma de fazer política, ou, mais ainda, se elas mesmas são uma espécie de braço espiritual dos Estados modernos para que estes façam valer seus discursos morais e cívicos. A segunda é se a ciência, tomada como instrumento de análise e transformação racional e padronizada da realidade, deve definitivamente se assumir como partidária do ateísmo e, portanto, combater as religiões de modo militante, em concomitância com sua atividade profissional e objetiva obrigatória.

 

Não pretendo aqui esgotar a questão, que deve ser resolvida por todos aqueles racionalistas e fiéis que batalham pela não interferência de interesses privados nas esferas coletivas. Ainda assim, desejo dar minha contribuição, mesmo parcial e incompleta. Penso que, de acordo com um conceito mais amplo sobre o que é fazer política, não só as religiões instituídas, ao menos no Brasil e em alguns países em que elas exercem grande influência, são agentes poderosos de interesse e atuam conforme regras de conciliação e acomodação bastante terrenas, como também o Estado ainda lhes reserva uma grande dívida no sentido de mobilizar apoio para seus projetos de unidade patriótica e lhes tributa inúmeros privilégios patrimoniais e fiscais como retribuição ao preenchimento de lacunas, por vários séculos, que o poder público não quis ou não pôde suprir. Da mesma forma, segundo um conceito particular de religião, não julgo ser a ciência totalmente competente para intervir em assuntos de fé, a não ser que estes passem a concernir e a intervir no mundo real e na própria prática científica.

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Chineses e hispânicos compartilham igreja a contragosto em Nova York

janeiro 12th, 2011 at 8:53


» by O Bruxo in: Religião

Via G1

A Igreja Metodista Unida, no bairro de Sunset Park, no Brooklyn, é tudo, menos unida.
Dois pastores pregam do mesmo púlpito e moram na mesma residência paroquial, mas mal se falam e criticam abertamente a abordagem da fé um do outro. Na ala social da igreja, dois grupos espiam um ao outro, desconfiados – um termina a refeição de arroz com feijão, enquanto o outro prepara frango asiático.
Duas congregações bem diferentes dividem o mesmo prédio: um pequeno edifício com cerca de 30 pessoas que falam espanhol e rezam aqui há décadas e uma multidão novata de mais de mil imigrantes chineses que aumenta toda semana – a congregação metodista que mais cresce em Nova York.

Os latinos dizem se sentir oprimidos e sob ameaça, enquanto os chineses, que são os locadores, afirmam se sentir reprimidos e subestimados. Mediadores foram enviados, mas com pouco sucesso. Na temporada de final de ano, houve até duas árvores de Natal.

“Este pastor é muito grosso conosco”, disse o reverendo Zhaodeng Peng, que lidera a congregação chinesa com a esposa.

O reverendo Hector Laporta, líder da igreja latina, respondeu: “Ele realmente tem um problema com a raiva.”

Esse impasse reflete um cabo de guerra que ocorre há várias gerações em Nova York, onde grupos de imigrantes -alguns estabelecidos, outros recém-chegados- se acotovelam em calçadas lotadas e em moradias apertadas, disputando espaço, casa e emprego.

Agora, essa luta está chegando até os silenciosos santuários das igrejas, à medida que congregações com restrições financeiras -especialmente aquelas de denominações mais populares, como as metodistas- encontram solução no compartilhamento do espaço. No Queens, uma igreja metodista dividida entre congregações latino-americanas e caribenhas acaba de dar espaço a uma pequena congregação paquistanesa.

Como colegas de quarto de qualquer lugar do mundo, os grupos metodistas que dividem o espaço entram em conflito quanto a banheiros sujos, música alta e luzes acesas, disse o reverendo Kenny Yi, coordenador do distrito da congregação que tentou intermediar a disputa em Sunset Park.

A igreja, construída há mais de um século por imigrantes noruegueses, oferece muita oportunidade para tensões. Há a barreira do idioma: poucos chineses falam inglês, e menos ainda falam espanhol. O espaço é apertado e precisa de reparos, e cada grupo tem uma missão diferente.

Laporta, de 55 anos, vem de uma tradição religiosa de ação social. Ele participar de reuniões para o controle do aluguel e pede a reforma da imigração em seus sermos. Laporta diz que Peng ignora o problema dos imigrantes ilegais em sua congregação. Peng, de 48 anos, foca mais nos livros sagrados. “As pessoas precisam da palavra de Deus”, ele disse.
Peng argumenta que Laporta deixa seus membros com fome espiritual. “Se a congregação precisa aprender política, pode ler o jornal”, disse Peng. “É por isso que a congregação não cresce.”

No meio estão Yi e outros membros da metodista, que devem decidir se mantêm a situação atual, intranquila, ou levam a congregação latina para outro local e dão o prédio a Peng e sua esposa e co-pastora, a reverenda Qibi She.
“Estamos apelando para Deus, para ver em que direção Ele aponta as duas congregações”, disse Yi. “Descobriremos mais cedo ou mais tarde.”

Enquanto isso, altos membros da metodista vêm tentando interferir no processo. Em 2009, Yi trouxe um mediador de fora, Kenneth J. Guest, professor de antropologia da Baruch College que estuda a religião em Chinatown, Nova York.
Guest ajudou a intermediar um contrato que estabelecia regras básicas: a igreja dos latinos teria uso exclusivo do hall social aos domingos das 12h30 às 14h. A congregação chinesa usaria o local das 14h às 19h. Nenhum dos grupos interromperia os sermos do outro.

Não funcionou. Recentemente, Laporta pegou o contrato e apontou para cada compromisso que, segundo ele, os chineses tinham violado. Eram muitos. “Eles não seguem nenhuma regra”, disse Laporta, com a voz cheia de resignação.
Peng contou que a igreja atraía tantos novos chineses que muitas pessoas não sabiam das regras. A vizinhança do lado de fora, um dos bairros mais vibrantes da cidade, de alguma forma reflete a divisão da igreja. Uma rua abriga barraquinhas de taco, bodegas equatorianas e igrejas mexicanas -enquanto na parte de cima vemos mercados de peixe e lojas de remédios de ginseng formando Chinatown.

Nos últimos anos, as empresas chinesas têm se expandido, chegando até o local da igreja. A população chinesa da área cresceu de 24 mil, no ano 2000, para 31 mil em 2009, de acordo com dados do censo.

“Eles estão por toda parte”, disse Laporta, nascido no Peru. “O que acontece aqui é o mesmo que acontece lá fora.”  A congregação latina está no prédio há cerca de 30 anos, mas diminuiu bastante passou de 60 membros para pouco menos da metade. Há seis anos a congregação começou a alugar o local para o grupo chinês.

A igreja chinesa paga a Laporta cerca de US$ 50 mil em aluguel, mais do dobro do que a congregação hispânica tem conseguido arrecadar por sua própria conta. Peng disse que pagaria mais de bom grado, e ajudaria a consertar a igreja desgastada, se pudesse expandir para o porão.

“Eles têm um prédio enorme, mas poucas pessoas”, disse Peng. “Temos as pessoas, mas não o prédio.” Read more [+]

A eleição no Blogpulse

Acho que o Blog Pulse mostra o impacto de Marina na Web. Falta analisar a qualidade dos posts. Eu aposto que a maior parte dos posts citando Serra e Dilma são negativos.

Sobre a politização dos blogs de ciência (update)

Marina Silva declarou recentemente que esta campanha presidencial infelizmente a afastou de muitas pessoas queridas e amigos (que estão no PT). Acho que posso dizer a mesma coisa, complementando que também tenho amigos PSDBistas. Postular uma terceira via é difícil, você entra no fogo cruzado dos seus amigos e isso não é nada bom.

Eu espero que, passado o 31 de outubro, as coisas se acalmem, se ajeitem, as feridas cicatrizem, o bom humor entre os blogueiros de ciência retorne, de modo que possamos nos dedicar a aquilo que nos une (o amor à ciência) e não o que nos divide (política, religião e futebol).

Os principais blogueiros de ciência, com efeito, fizeram campanha, declaram publicamente seu voto, e mesmo aqueles que não o fizeram, todo mundo sabia sua opção política. Entre os blogueiros que declararam publicamente seu voto, eu li os seguintes posts (se alguém conhecer outros posts, por favor coloquem nos comentários):

Marina Silva: Maria Guimarães do Ciência e Idéias, Claudia Chow do Ecodesenvolvimento e Vitor Pamplona do VP, além do SEMCIÊNCIA, claro.

Dilma Roussef: Carlos Hotta do Brontossauros em Meu Jardim, Roberto Takata do N.A.Q., Luis Bento do Discutindo Ecologia, Charles Morphy do Um Longo Argumento , o saudoso Dedalus do Atlas e a Sarah Oliveira do Forma, Tempo e Espaço.

José Serra: Marcelo Hermes Lima do Ciência Brasil

Voto Nulo: Igor do 42.

Não sei se alguém questionou se essa politização que ocorreu nos blogs científicos é boa ou desejável, ou se deveríamos separar as “duas vocações”, como diria Max Weber. Por outro lado, meus amigos de humanidades, que sempre criticam o Positivismo ou Cientismo ligado a uma posição de neutralidade científica, devem estar felizes: os blogueiros de ciência demonstraram que não são neutros, e que um blog pretensamente neutro pode ser apenas uma maneira de fazer propaganda subliminar e insidiosa de um dado candidato (como a Folha fez, ao contrário do Estadão, que de certa forma jogou limpo declarando seu voto em Serra).

Acho que essa politização é inevitável por dois motivos: primeiro, os blogs de ciência, em geral, são opinativos – somos colunistas e não apenas blogs noticiosos; segundo, os blogs de ciência pretendem discutir as implicações ou reflexos sociais, culturais, estéticas, religiosas e políticas das novas descobertas científicas, as visões de mundo científicas (note a pluralidade delas!), o que se convencionou chamar de Cultura Científica.

Acho que esta eleição foi bastante pedagógica para os blogueiros de ciência: o fato de percebermos que, mesmo cientistas, tinhamos posições ideológicas totalmente diversas mostra a fraqueza do Cientismo (a ideologia de que a Ciência é um caminho privilegiado para resolver os problemas humanos). Se assim fosse, teriamos um consenso científico sobre qual o melhor candidato, partido ou projeto de governo.

Reconhecer o fato de que nem as ideologias, nem as filosofias, e nem as religiões (enquanto sistemas de valores e filosofias de vida – e não de crenças pseudocientíficas) se subordinam à Ciência é educativo. Reflete um amadurecimento dos jovens blogueiros. Algo que tem que ser aprendido a duras penas, a cada geração de entusiastas da Ciência…

PS: Eu tenho uma tese (ainda a ser demonstrada estatisticamente) de que existe uma correlação (não perfeita) entre conservadorismo político (medo  ou ansiedade frente a mudanças sociais)  e conservadorismo científico (medo e ansiedade frente a mudanças de paradigmas científicos).  Acho que uma pesquisa interessante seria perguntar aos Prêmios Nobel, Wolf, Boltzmann, etc como eles se classificariam no espectro conservador-liberal. Eu aposto um kit de cervejas Colorado que a maioria é liberal.

Marina ganhou nas principais capitais (fora São Paulo)

40% dos votos de Marina vieram das capitais

O bom desempenho da Marina nas capitais deve-se ao fato de que os dois perfis de eleitores que optaram pela verde estão geograficamente concentrados em regiões metrópole. Por um lado, a classe média jovem, mais escolarizada, urbana. Por outro, evangélicos de diversas denominações. Descontando o município de São Paulo e considerando apenas os votos em capitais, Marina Silva supera José Serra em votos.

Censura no SEMCIÊNCIA

Um jovem de 26 anos, expoente da direita religiosa Serrista e dono de um extenso currículo (maior que o do Serra!) acaba de me mandar uma notificação extrajudicial através de sua irmã advogada de 22 anos requerendo que seja retirado um comentário difamatório postado no SEMCIÊNCIA antigo (foi o que entendi, pois me parece que o próprio post não configura difamação (ver a seguir) mas apenas um comentário político sobre uma pessoa pública).

Eu não havia percebido a presença de tal comentário injurioso (no antigo SEMCIÊNCIA eu deixava os comentários livres, sem exigir aprovação). Concordo com o requerente que o comentário é indevido e assim retirei não apenas o comentário mas o post completo (a fim de ponderar com mais cuidado sobre o assunto). Agora preciso descobrir como se retira o post no cache do Google, se alguém tiver essa informação, que me envie, por favor.

A fim de evitar qualquer tipo de calúnia e difamação no entender do requerente (mas eu apenas divulguei o curriculum público que estava no site dele!), vou chama-lo de XXX. A seguir reproduzo o post censurado.

O tipo de evangélico que apóia José Serra…

O pessoal ainda não se tocou que existem evangélicos e evangélicos: Evangélicos adotaram o Criacionismo no século XIX para combater o Movimento Eugenista que se dizia ser científico e Darwiniano na época. Ou seja, naquela época, o Criacionismo era progressista e foi adotado para combater o Darwinismo Social (que, afinal, era pseudocientífico também!). Cem anos depois, o Criacionismo é apenas a ideologia da direita religiosa Serrista e da extrema direita do Tea Party (os “modernos fariseus”, como dizia um antigo hino metodista).

Não temos apenas Sarah Palin, Bush e Garotinho no campo evangélico. Martin Luther King era evangélico, Obama é evangélico, Bruce Olson é evangélico (esse cara é um gênio da linguística, um missionário tipo Dorothy Stang). Existem evangélicos do lado bom da Força e do lado Negro da Força. O mesmo vale para os ateus (do not forget Stalin , Mao and Pol Pot, please!).

Parodiando Luther King, “Eu tenho um sonho… Eu tenho um sonho de que um dia um ser humano será julgado pelo seu caráter, e não por sua religião ou falta de religião”.

Garotinho apóia Dilma, e agora “XXX” apóia Serra.

E ainda criticam Marina Silva, cuja trajetória está ligada à Teologia da Libertação… (UPDATE: Marina não recebeu apoio oficial de nenhum lider evangélico conservador. Por que será?)

Sem comentários…

De uma página de propaganda do Serra: Obrigado a exilar-se novamente, Serra foi para os Estados Unidos, onde obteve outro mestrado e o doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Cornell.
E foi, por dois anos, professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Ou melhor, um comentário: a informação de que Serra foi professor na Universidade de Princeton (divulgada em seu site oficial como governador, a menos que ele tenha deletado isso) é falsa: Serra foi pesquisador convidado do diretor (um pós-doc?),  o IEA não têm estudantes para que alguém seja “professor”. E fez o mestrado e o doutorado em Cornell em quatro  três?) anos não por ser um gênio, mas por serem cursos latu sensu sem defesa de tese por banca. E, até agora, não se encontrou a dissertação de mestrado de Serra na completíssima biblioteca de Cornell, não se sabe por que… E meus amigos da UNICAMP ficam melindrados e não querem falar sobre o processo de contratação (política) do Serra, nem sobre o fato de que ele, durante os seis anos que esteve lá, não publicou uma vírgula em alguma revista com peer review. Pergunta ingênua e sincera: Alguém conhece algum orientado do Serra?

Eu só não faço um comentário sobre o tamanho do currículo do XXX porque tenho medo de ser processado (acho que a irmã dele é advogada). Mas que um jovem de 26 anos tenha tal currículo só é possível para pessoas que têm XXX no próprio nome…

Update: Será que o pai ou a mãe desses jovens evangélicos não deveriam dar uns conselhos a fim de que seus filhos não sejam condenados pela Bíblia?

< Mateus 7:21-27 >
“Nem todo que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!

Exemplos de Evangélicos, Católicos e Ateus do lado bom da Força:

Bruce Olson:

As Olson’s work with the Barí grew, he helped them establish a written language, schools, community health centers, and even to work with the Colombian government to protect Barí lands. As Barí young people began to be fluent in both Barí and in Spanish, they studied to become doctors, lawyers, and other professionals, but brought their expertise back to the tribe, using it from within their culture.

A key distinctive of Olson’s missionary work is that rather than “Westernizing” or “Americanizing” the Barí, he made a concerted effort to become a part of the indigenous tribe. The changes that have come to the Barí have come from within their culture, honoring and respecting their culture, rather than replacing it with the culture of the Western world. This has resulted in criticism from some quarters, while many more missionaries have taken his work as an example to follow.

Olson’s autobiography Bruchko, about his experiences in South America, is required reading in many missionary training programs. He followed it up in 2006 with Bruchko and the Motilone Miracle, which continues the story of Olson’s work with the Barí.

Bruce Olson speaks at least 16 languages, including several tribal tongues.

Dorothy Stang:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931Anapu 12 de fevereiro de 2005) foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira.

Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.

Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e conseqüente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, à 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

  • Mataram irmã Dorothy (2009) – documentário do norte-americano Daniel Junge, narrado por Wagner Moura. Apresenta um retrato fiel do crime e das condições que o provocaram. [4]
  • Como exemplo de ateu do Bem, eu ia colocar aqui o Che Guevara, mas alguns ateus amigos meus  PSDBistas discordam dessa escolha. Pensei no Bertrand Russell, mas não sei se suas quatro ex-esposas concordariam com o diagnóstico. Acho que acreditaria mais em biografias escritas por ex-esposas, seria muito divertido se existisse isso, não?

    Russell conheceu, inicialmente, a Quaker americana Alys Pearsall Smith quando tinha 17 anos de idade. Apaixonou-se pela sua personalidade puritana e inteligente, ligada a vários activistas educacionais e religiosos, tendo casado com ela em Dezembro de 1894.

    O casamento acabou com a separação em 1911. Russell nunca tinha sido fiel; teve vários casos com, entre outras, Lady Ottoline Morrell (meia-irmã do sexto duque de Portland) e a actriz Lady Constance Malleson.

    Russell estudou Filosofia na Universidade de Cambridge, tendo iniciado os estudos em 1890. Tornou-se membro (fellow) do Trinity College em 1908. Pacifista, e recusando alistar-se durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu a cátedra do Trinity College e esteve preso durante seis meses. Nesse período, escreveu a Introdução à filosofia matemática. Em 1920, Russell viajou até à Rússia, tendo posteriormente sido professor de Filosofia em Pequim por um ano.

    Em 1921, após a perda do professorado, divorciou-se de Alys e casou com Dora Russell, nascida Dora Black. Os seus filhos foram John Conrad Russell (que sucedeu brevemente ao seu pai como o quarto duque Russell) e Lady Katherine Russell, agora Lady Katherine Tait). Russell financiou-se durante esse tempo com a escrita de livros populares explicando matérias de Física, Ética e Educação para os leigos. Conjuntamente com Dora, fundou a escola experimental de Beacon Hill em 1927.

    Após o fim do casamento com Dora e o adultério dela com um jornalista americano, em 1936, ele casou pela terceira vez com uma estudante universitária de Oxford chamada Patricia (“Peter”) Spence. Ela tinha sido a governante de suas crianças no verão de 1930. Russell e Peter tiveram um filho, Conrad.

    Na primavera de 1939, Russell foi viver nos EUA, em Santa Barbara, para ensinar na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Foi nomeado professor no City College de Nova Iorque pouco tempo depois, mas depois de controvérsia pública, a sua nomeação foi anulada por tribunal: as suas opiniões secularistas, como as encontradas em seu livro “Marriage and Morals“, tornaram-no “moralmente impróprio” para o ensino no college.

    Em 1952, Russell divorciou-se de Patricia e casou-se, pela quarta vez, com Edith (Finch). Eles conheciam-se desde 1925.

    Como sou fã do filme Contato, fica aqui então o exemplo de Jodie Foster:

    Foster is an atheist[60] and does not follow any “traditional religion.” She has discussed the god of the gaps.[61][62] Foster has “great respect for all religions” and spends “a lot of time studying divine texts, whether it’s Eastern religion or Western religion.”[34][63] She and her children celebrate both Christmas and Hannukah.[64] Some sources claim that Foster is a member of Mensa,[65][66] but Foster herself denied that she is a member in an interview on Italian TV network RAI.[67]

    Reflexões cientopolíticas (II)

    Meus amigos ateus precisam acordar para a realidade. Frente a inesperada (inesperada para quem?) importância que o dito voto religioso assumiu na presente eleição, sua única reação é a de fazer rantings (qual a tradução de ranting? resmungos?) sobre a mistura entre política e religião, como se isso não fosse novidade desde Moisés e o Faraó…

    Hélio Schwartsman, a quem muito prezo, tem renunciado a alguns conhecimentos básicos de sociologia em prol de surfar no modismo do neoateísmo (que é uma reação ao fundamentalismo, que por sua vez é uma reação à teologia liberal do século XIX).  Explico.

    Acho que desde Marx e a decadência dos Hegelianos de Esquerda (que eram os neoateus do século XIX) sabemos que a religião dominante (mas não as religiões marginais) é fruto ideologia econômica dominante, e não vice-versa. Ou seja, o neopentecostalismo da Teologia da Prosperidade, com sua ênfase no empreendedorismo dos fiés, é apenas fruto do neoliberalismo dominante da década de 1990 até a crise mundial.  É falso dizer que essas neoigrejas “exploram seus fiéis”, é mais acertado dizer que os fiés são sócios que pagam 10% de suas rendas, e que portanto o que interessa a essas neoigrejas é que a renda deles aumente, e é por isso que apóiam o Lula (Edir Macedo e a Renascer) e dão cursos do SEBRAE para seus fiéis.., etc.

    O problema do neoateísmo é que ele é muito pobre em seus argumentos quando comparado com o ateísmo clássico, esse sim intelectualmente respeitável e não panfletário. Se você quer defender uma boa causa (por exemplo, combater a péssima influência política da direita religiosa ou defender os direitos civis dos ateus), o ponto de partida é não usar argumentos falaciosos facilmente refutáveis. Exemplo: ficar falando que as religiões e os religiosos EM GERAL (ou seja, todos, incluindo Gandhi, Martin Luther King, Madre Teresa, Leonardo Boff, Frei Betto e Marina Silva!) SEMPRE levam à Inquisição (que foi um fenômeno social historicamente particular de uma religião em particular. Mais que isso, se o neoateu é cientificista (nem todos os ateus são, muitos são anticientíficos, como Nietszche), o argumento fica pior ainda porque a Ciência e a Tecnologia nela inspirada têm telhado de vidro. No mesmo exemplo, as bombas de Hiroshima e Nagasaki mataram mais pessoas (especialmente inocentes como crianças, mulheres, idosos) em um dia do que a Inquisição  matou em 300 anos de história (ou seja, cerca de 100 mil pessoas).

    Além do mais, não se deveria imputar aos católicos atuais (por exemplo, ao intelectual católico Reinaldo José Lopes, editor de ciências da Folha e colega do Hélio, e talvez o melhor blogueiro de ciências da blogosfera científica brasileira!) as faltas dos católicos ibéricos e italianos da Renascença e Alta Idade Média. Seria como imputar aos neoateus as faltas dos ateus Stalin e Mao Tse Tung, isso seria uma falácia grave.

    O pessoal realmente precisa acordar para a realidade histórica, em vez de ficar imaginando em sua torre de marfim de que vivemos na Era das Luzes da Ciência – nós não vivemos mais na era tecnocrática pelo menos desde a década de 60, com a Contracultura! E lembrar que a Era das Luzes não foi tão iluminada assim (lembram do Terror da Revolução Francesa?) e a Era das Trevas não foi tão tenebrosa assim (afinal, foi a Era das Catedrais, as quais prezamos e preservamos até hoje).

    Precisamos parar de wishful thinking: a Religião não vai desaparecer, vai apenas mudar de forma, se adaptar. O ateísmo não vai vencer, vai apenas sobreviver (como sempre o fez na história mundial), o número de ateus não está crescendo (em termos proporcionais), o futuro pertence a quem tiver mais filhos, ou seja, aos muçulmanos, aos  evangélicos e católicos conservadores que não fazem controle de natalidade. Isso se chama, em Biologia, fitness: ter o maior número de filhos férteis!

    Assim, Hélio comete uma grande falácia ao sugerir em sua coluna (e ele sabe que a está comentendo, pois avisa o leitor disso) que a correlação inversa entre PIB per capita e religiosidade implica que a religião produz pobreza ou impede a riqueza (que raio de manchete é essa, Hélio?).

    Oras, será que Hélio esqueceu do maior livros do século XX, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, de Weber? E esqueceu que Marx diria que Religião é um reflexo, um epifenômeno sem força causal, e que as verdadeiras forças são sócio-econômicas? Ou seja, para que sugerir uma falácia se sabemos de antemão que ela é falsa? Precisamos de uma argumentação neoatéia de melhor qualidade, não do panfletismo de Dawkins e Cia, que não sabe distinguir um protestante histórico de um evangélico, e muito menos um neopentecostal neoliberal como Edir Macedo (que é a favor do aborto!) e um pentecostal conservador, ou um pentecostal de esquerda como Marina de um católico de extrema direita como Alckmin.

    Pessoal, acordem! Desde a década de 80 os sociólogos da religião estão falando que o processo de secularização iniciado no século XIX cessou e se inverteu, que a revolução iraniana explicitou isso, que as utopias seculares morreram (tanto a Nova Cidade da Ciência liberal quanto o Socialismo Laico).

    Acordem! Usem o conhecimento acumulado sobre a Religião pela Antropologia, Sociologia, etc. Leiam Marx (melhor ainda, Engels!), Durkhein e Weber, não Dawkins! Leiam Peter Berger! Leiam um pouco de Teologia Liberal, Teologia Feminista e Teologia da Libertação, antes de atacar a Teologia! Pelo amor de Deus!

    Aborto? Melhor nem falar…

    7:37 | qua , 6/10/2010

    Leandro Loyola

    Eleições 2010 Tags:

    O discurso de José Serra corria bem no encontro do PSDB, na tarde desta quarta-feira, em Brasília. Até Serra abordar a questão do aborto, para dizer que não era um candidato com “duas caras”. Serra se referia, obviamente, à sua concorrente Dilma Rousseff (PT). A impressão de que Dilma seria favorável à legalização total do aborto é apontada, pelo PT e por pesquisas, como uma das causas da sua perda de votos na reta final do primeiro turno.

    Mas, ao tocar no assunto, Serra errou. “Todo mundo sabe que eu sou a favor do aborto… Eu já falei isso”. A platéia congelou. Serra percebeu o ato falho e corrigiu: “Quer dizer… Todo mundo sabe que eu sou contra o aborto. Eu já falei isso. Eu não tenho duas caras”. A platéia respirou aliviada. Mas ficou claro quão espinhoso e escorregadio é o tema nesta campanha eleitoral.

    Berger’s influential sociological works include:

    More recently he has written mainly on the sociology of religion and capitalism:

    • The Homeless Mind: Modernization and Consciousness (1973) with Brigitte Berger and Hansfried Kellner. Random House, ISBN 0394484223
    • Pyramids of Sacrifice: Political Ethics and Social Change (1974)
    • The Heretical Imperative: Contemporary Possibilities of Religious Affirmation (1979)
    • The Other Side of God: A Polarity in World Religions (editor, 1981). ISBN 0-385-17424-1
    • The War Over the Family: Capturing the Middle Ground (1983) with Brigitte Berger
    • The Capitalist Spirit: Toward a Religious Ethic of Wealth Creation (editor, 1990)
    • A Far Glory: The Quest for Faith in an Age of Credulity (1992)
    • Redeeming Laughter: The Comic Dimension of Human Experience (1997), ISBN 3110155621
    • The Limits of Social Cohesion: Conflict and Mediation in Pluralist Societies: A Report of the Bertelsmann Foundation to the Club of Rome (1998)
    • The Desecularization of the World: Resurgent Religion and World Politics (editor, et al., 1999). Wm. B. Eerdmans Publishing, ISBN 0-8028-4691-2
    • Peter Berger and the Study of Religion (edited by Linda Woodhead et al., 2001; includes a Postscript by Berger)
    • Many Globalizations: Cultural Diversity in the Contemporary World (2002) with Samuel P. Huntington. Oxford University Press. ISBN 978-0195151466
    • Questions of Faith: A Skeptical Affirmation of Christianity (2003). Blackwell Publishing, ISBN 1-4051-0848-7
    • In Praise of Doubt: How to Have Convictions Without Becoming a Fanatic (2009) with Anton Zijderveld. HarperOne. ISBN 978-0061778162
    • “Four Faces of Global Culture” (The National Interest, Fall 1997).

    Reflexões cientopolíticas (I)

    Meu irmão Marcelo, assim como eu, sempre foi petista. Ambos entramos no PT por causa da Teologia da Libertação, nos idos de 80 (OK, também foi por influência de meu amigo Sinézio que participa do Espiritismo da Libertação, se existe isso).

    Sinézio foi o primeiro cara a pichar muros contra a ditadura em Araraquara, nos final dos anos 70. Para Sinézio, era emocionante pichar o muro do cemitério e escapar da polícia, uma puta adrenalina! Eramos adolescentes na época.

    Faziamos experiências de Telepatia, Psicocinésia e Clarividência (foi assim que aprendi calcular desvio-padrão, teste do Qui-quadrado etc.) que nunca deram em nada, observações astronômicas e ufológicas (dos vários casos que investigamos, na grande onda de 1976-77, acho que apenas o caso do Pastor Ezequiel da Igreja Metodista não explicamos, embora eu desconfie que eram dois relâmpagos esféricos unusualmente grandes).

    Editavamos uma revista New Age, a “Novos Horizontes” (no mimeógrafo, claro!) e o boletim UFO-Report, para os cerca de 30 sócios do C.E.F.A-Sudeste. Sim, o plano de expansão do Centro de Estudos de Fenômenos Aéro-Espaciais, cuja sede era em Feira de Santana, foi proposta nossa. Os sócios (inclusive o vice-prefeito de Três Corações-MG) não sabiam que os coordenadores tinham 15 (Sinézio) e 14 anos (eu mesmo).

    Ah sim, Sinézio aprendeu a hipnotizar, a partir de alguns livros, e fizemos experiências com o primo dele, regressão a vidas passadas, viagens astrais etc (acho que Sinézio ainda tem estas experiências gravadas em fita cassete).

    Junto com Eliabe, o terceiro nerd da turma, escreviamos contos de Realismo Fantástico, a la Borges e Cortazar, e nos criticávamos mutuamente. Sinézio gostava de matar pardais com sua espingarda de chumbinho, mas parou com isso depois que acertou um beija-flor, tentou salvá-lo usando metiolate e o bichinho gritou muito e estrebuchou! Foi meio traumático. Imagino que foi nessa época que ele decidiu se tornar vegetariano.

    Talvez fossemos meio precoces (eu sabia de cor o nome de quase todas as principais estrelas e suas constelações, fazia observações sistemáticas das luas de Júpiter e de manchas solares – acho que determinei que o dia solar era por volta de 25 dias terrestres – OK, para mim foi novidade!). Até os 17 anos, eu tinha uma lista de 113 jogos de tabuleiro inventados por mim (talvez algum dia eu tente vender os melhores para a Grow e fique rico!). Sim, eu sei, tudo isso é sintoma de Síndrome de Asperger. Que fazer? Eu sou assim.

    Aos 16 penso que tinha lido umas seis vezes a Enciclopédia Abril (nove volumes, item por item, sequencialmente), cerca de sete vezes a Bíblia, de Gênesis ao Apocalipse, em ordem também, e acho que umas nove vezes a Enciclopédia Disney (fora de ordem). Não sei porque, eu gostava de ler dicionários (acho que li o Caldas Aulete inteiro do meu pai). Minha biblioteca tinha uns trinta livros sobre UFOS, dezenas de Parapsicologia e Fortianismo, colecionávamos a Revista Planeta (que era editada pelo Ignácio de Loyola Brandão!). Tudo começou com o livro O Despertar dos Mágicos de Pauwells e Bergier, aos 11 anos de idade, um livro New Age que fez a cabeça da minha geração e despertou inúmeras vocações científicas (ou seja, a New Age serve para alguma coisa, afinal!).
    Em seguida, foram os livros do Carl Sagan e outros de Divulgação Científica. A série Cosmos. Misturado com Erick Von Daniken, Peter Kolosimo, Charles Fort etc. E muita, muita ficção científica, tanto hard como soft. Deve ter sido uma formação parecida com a do fundador do Projeto HAAAN. Claro!

    E depois perguntam por que eu sou um cético hoje em dia? Não é óbvio? Eu cresci!

    Não sei se Sinézio votou na Marina Silva (eu espero que tenha votado) mas Marcelo, que está trabalhando no Instituto Chico Mendes em Brasília, se desfiliou do PT (ele participou do governo de Edinho Silva em Araraquara!) e vai se filiar no PV. Na década de 90 ele, como agrônomo, assessorou um acampamento do MST (acho que até morou com eles um tempo, meu pai de classe média ficou muito puto com isso), de modo que sua militância foi bem maior que a de muitos petistas de carteirinha. Fez o doutorado em sociologia rural (ou sobre áreas de conservação na Amazônia com conflitos sociais, não me lembro bem) e, ao contrário de mim, ainda frequenta a Igreja Metodista.

    Perguntei ao Marcelo sobre como ele vai votar, e ele respondeu que: “Eu vou esperar para ver se aparecem os programas de governo detalhados. Se não, voto nulo. Se sim, posso rever meu voto.”

    Ainda continuo com minha posição de voto nulo, ou melhor, “Vote 43 no segundo turno”. Acho que uma votação desta, não imediatista, fortaleceria o Movimento Marina Silva (MMS). Acho inclusive que não será fácil renovar o PV sem rachá-lo, de modo que acredito que o MMS deveria continuar atuando politicamente e através de ONGs e campanhas.

    O MMS é maior que o PV. Marcelo me contou que o numero total de filiados em todos os partidos políticos no Brasil é incrivelmente pequeno, cerca de 250 mil.  Quantos filiados tem o PV? O Movimento Marina Silva tem 35 mil filiados (ou talvez mais…).

    06/10/2010 – 07h02

    Estratégia de Marina passa por fazer Serra e Dilma debaterem propostas

    CLAUDIO ANGELO, da FOLHA

    DE BRASÍLIA

    Marina Silva, a noiva mais cobiçada da República, não pretende se deixar conquistar pela primeira cantada.

    A estratégia da verde para definir seu apoio no segundo turno envolve fazer Dilma e Serra passarem por uma espécie de “purgação pública”, expondo ao eleitor programas de governo e ideias –que, na avaliação de Marina, estiveram ausentes do debate até agora.

    Marina diz que, como os seus 20 milhões de votos não são dela, mas do eleitor, é ele quem terá de decidir qual é a melhor proposta.

    Ela desautorizou o núcleo de sua candidatura a negociar cargos com o PT e o PSDB num eventual novo governo, mas seu comitê prepara uma série de pontos para o “debate de ideias” que ela gostaria de ver explicitados pelos candidatos.

    Isso envolveria trocar apoio por modificações em propostas dilmistas e serristas que tornem as candidaturas mais palatáveis ao programa de governo verde.

    “A questão central não é um ponto específico, mas o conjunto”, afirma Tasso Azevedo, um dos coordenadores do programa de Marina.

    “Ela fala, por exemplo, em aumentar a renovabilidade da matriz energética. Isso é muito mais amplo do que construir X usinas eólicas.”

    Além da área de energia, há outros setores sensíveis sobre os quais Marina quer ouvir os ex-concorrentes.

    Um deles é transparência no governo. A senadora visava aplicar à gestão pública uma estratégia análoga à que criou quando ministra para monitorar a Amazônia: um sistema em tempo real com acompanhamento público pela internet.

    Isso se aplicaria à execução de contratos do governo, que hoje são uma caixa-preta. Ela também defende que o Siafi, o sistema informatizado de acompanhamento dos gastos públicos, seja totalmente aberto.

    “A ideia é provocar os dois [Dilma e Serra] a discutir propostas”, diz Azevedo.