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Conselhos para uma jovem cientista e blogueira

Auto-validação e a blogosfera científica.

Andrea · 76 semanas atrás
Osame,

Obrigada pelo retorno. Mas confesso que continuo perplexa. Se a ciência é “atirar a flecha da obscessão de alguém para pintar alvos ao redor depois” não estamos diante de um cientista como foram, por exemplo, Darwin, Pasteur, Mendel dentre outros que de fato fizeram a diferença na Ciência, mas sim diante de um técnico que resolve problemas como um mecanico de autos, ou um médico – eles seriam cientistas na sua visão não empírica?!

Abs.
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Andrea · 76 semanas atrás
Carlos,
Nenhum blog se diz ser um novo equipamento laboratorial e nem diz ter A solução pro aquecimento global, óbvio. Há alguns anos não existia blog, portanto, ele é, além de ferramenta útil e barata, uma ferramenta da moda – isto não é injustiça, é real. O fato de ser utilizado para a finalidade de DC não é ruim, é apenas mais uma de suas finalidades. O que tentei dizer com tudo isto foi que de um universo muito grande (DC) vejo vocês gastando energia na tentativa de institucionalização de blogs de DC (uma pequena parte do todo) quando podiam simplesmente não gastar energia com esta questão e podiam apenas divulgar ciência, tocando as postagens, pensando em meios de melhorar a qualidade dos conteúdos, dos leitores e tais. Penso que a seleção natural será o melhor caminho neste processo, sem que façam força, mas deixando as mutações ocorrerem e serem selecionadas pela internet toda, não só pela blogosfera.
Vamos conversando! Abs.
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2 respostas · ativo 76 semanas atrás
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osame 12p · 76 semanas atrás
Andrea, desculpe mas quando você lê as biografias desses cientistas, você percebe que basicamente eram pessoas obcecadas por certos problemas (evolução, microbiologia, genética). Não ficavam observando, observando, observando até fazer todo o procedimento metodologico que vc descreveu e só no final chegar nas conclusões. Esse formato (que é o formato com que são apresentados os resultados em papers, nada tem em comum com o verdadeiro procedimento heuristico da boa pesquisa que é: 1. ficar antenado com as grandes questões de seu campo de estudos (muita leitura aqui). 2. Discutir com os amigos na lanchonete da Universidade (ou laboratorio de pesquisa, tomar muito café etc).3. Ter uma idéia boa ou criativa (muita sorte aqui, junto com uma mente preparada com bastante bagagem de modo a poder fazer associações e combinações e transferencias de técnicas ou idéias de um campo para outro). (continua)
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osame 12p · 76 semanas atrás
4 Ter uma boa idéia de onde chegar (você têm um chute ou guess sobre o que a sua pesquisa vai dar – se der errado e os dados ou experimentos te surpreenderem, melhor ainda, pode ser coisa realmente nova!). 5. Pensar, pensar, conversar com seus colaboradores, a fim de que a coisa (que normalmente está uma bagunça na sua cabeça) fique um pouco mais clara. 6. Juntar os gráficos, figuras e outros resultados obtidos depois de usar estatística etc e formar um esqueleto do artigo cientifico. 7. Defender a sua idéia (por ela ser nova, não será facilmente aceita). Nao adianta voce ficar criticando detalhadamente suas ideias, deixe isso para os referees e a comunidade. Se vc não acredita na sua ideia, não espere que outros acreditem: sua idéia merece a melhor defesa intelectualmente honesta que voce puder elaborar (é nesse ponto que cientistas famosos acabam entrando em polemicas científicas); 8. Finalmente escrever o paper, com o formatinho metodologico asseptico Introdução, Material e Metodos, Resultados, Discussao e Conclusao que você descreveu (embora o paper seja uma grande mentira sobre o caminho real que voce traçou durante a pesquisa).
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1 resposta · ativo 76 semanas atrás
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osame 12p · 76 semanas atrás
A pesquisa real não é nem objetiva, nem sem paixões, nem lógica e racional, nem metodologica. Mas depois de tudo feito, voce precisa fazer uma reconstrução racional, mostrar que as conclusoes podem ser defendidas racional e objetivamente “a posteriori”. Foi isso o que eu chamei de pintar o alvo depois de atingido o objetivo.
Thenriques, eu chamei de padrão canônico um texto jornalistico que tenta ser imparcial e objetivo. Acho que o blog é mais relacionado com as colunas opinativas jornalisticas.
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osame kinouchi · 76 semanas atrás
Conectando com a discussão aqui: Carlos, Átila e eu, entre outros, ficamos primeiro fascinados pelos blogs, tinhamos uma intuição de seu potencial, mas justificar racionalmente, com evidencias estatisticas conclusivas, que blogs têm um ótimo índice custo/benefício em termos de Divulgação Científica é algo a ser feito a posteriori, depois que uma blogosfera científica floresça (ou não). Quando pudermos provar cientificamente nosso ponto (e até publicar sobre isso!) já será um estágio bem avançado do processo (o que chamamos em ciência de “asfaltar a estrada” ou “polir o armário” = pintar o alvo em volta). Por enquanto temos apenas desbravadores abrindo picadas… Bom, na verdade, não estamos sendo muito originais, pois estamos indo na cola do Science Blogs, do Nature blogs etc, ou seja, estamos também confiando no faro e bom senso dessa gente.

Um comentário sobre Mendel (da Wikipedia): Mendel’s experimental results have later been the object of considerable dispute.[5] Fisher analyzed the results of the F2 (second filial) ratio and found them to be implausibly close to the exact ratio of 3 to 1.[6] Only a few would accuse Mendel of scientific malpractice or call it a scientific fraud — reproduction of his experiments has demonstrated the validity of his hypothesis — however, the results have continued to be a mystery for many, though it is often cited as an example of confirmation bias. This might arise if he detected an approximate 3 to 1 ratio early in his experiments with a small sample size, and continued collecting more data until the results conformed more nearly to an exact ratio.

Ou seja, acho que ele poliu seus resultados em demasia (pintou o alvo circular demais!)

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