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Horóscopos, Homeopatia e Educação: uma refutação `a hipótese do deficit de educação científica

Durante o mestrado no Instituto de Física de São Carlos (USP), nos idos de 1988, eu fiz uma estatística entre colegas mestrandos e doutorandos em física sobre temas de Pseudociência, de Atlantida e Astrologia até Chupacabras e Homeopatia (a pesquisa tinha uns 30 itens). Mais da metade da amostra acreditava nessas coisas e uma pesquisa auxiliar demonstrou que os estudantes de ensino médio eram (muito!) mais céticos que os universitários.

Acho que essa minha pesquisa-piloto refuta a tese de que a falta de ciências no ensino médio é a origem das crenças paracientíficas e pseudocientíficas (afinal, a amostra era constituida por 25 alunos de pós-graduação de física da USP).

Minha tese a partir dessa pesquisa é que quanto mais culta uma pessoa, mais ela tem condições de laborar uma defesa de suas crenças pseudocientíficas (apelando, por exemplo, a Jung, Campbell, etc.) Afinal, analfabetos não conseguem entender o filme “Quem somos Nós”, ou o livro “O Ponto de Mutação”, mas apenas universitários.

Quem quiser replicar esse estudo (e defender uma tese), entre em contato comigo, acho que consigo bolsa do CNPq no meu Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria.

21/09/2010 – 08h19
Universitários acreditam que ET fez pirâmides, analfabetismo científico nos EUA preocupa

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Após ouvir cerca de 10 mil alunos de graduação nos EUA, pesquisadores descobriram que só 35% discordavam da ideia de que ETs teriam visitado civilizações antigas da Terra e ajudado a construir monumentos como as pirâmides do Egito.

Sempre existirão horóscopos, dizem cientistas

Poucos se manifestaram contra outras teses sem base, como o suposto status de ciência da astrologia (não confundir com a astronomia) e a ideia de que existem números da sorte -22% e 40%, respectivamente.

Além disso, mais de 40% disseram que antibióticos matam tanto vírus quanto bactérias –na verdade, só as bactérias são vulneráveis a esse tipo de medicamento.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o autor do estudo americano, o astrônomo Chris Impey, os números refletem um problema do país: os alunos de ensino médio não precisam fazer cursos de ciência. A maioria estuda biologia, mas menos de metade tem aulas de química e só um quarto estuda física.

“O ensino médio americano é forte em história, conhecimentos gerais, esportes, computação, mas bastante fraco mesmo em ciências”, diz Renato Sabbatini, biomédico e educador da Unicamp.

“Mas as perguntas que fizeram são hiperelementares, um adolescente minimamente informado que assista televisão saberia responder.”

Preocupante, diz Impey, é que o pior desempenho foi justamente o dos alunos de cursos na área da educação.

Não há números parecidos que indiquem qual a realidade brasileira. Embora aulas de ciência sejam obrigatórias no ensino médio por aqui, a baixa qualidade do ensino não garante muita coisa.

Conspirando contra a compreensão científica no país, diz Sabbatini, há o fato de que cerca de 70% dos brasileiros só conseguem ler textos curtos e tirar informações esparsas deles. “Têm letramento insuficiente. É impossível serem bem informados sobre a ciência moderna.”

Tal analfabetismo, diz Impey, não deixa de ser um problema político: “Esses conhecimentos são importantes para avaliar posições políticas sobre mudança climática ou células-tronco.”

PS: Parece que pelo gráfico também fica refutada minha tese de que as mulheres seriam mais crédulas que os homens, por serem menos autistas…

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