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Neurose religiosa e misantropia ateísta

Remexendo nos meus emails, verifiquei que não tinha lido este comentário.

Deixo para meus leitores comentarem, porque fico apenas triste com este tipo de neurose ateísta, acho que isso apenas rebaixa o movimento de neoateismo.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem “Ateísmo Científico: um manifesto“:

Em palavras simples, ateu é pura e simplesmente oquê todo ser humano foi impedido de ser , pois nacemos descontaminados e livres até o momento em que o vírus da ilusão dele se apossa, um vírus psicológico transmitido espontãneamente dos pais aos filhos tão logo seja possível a interesse dos propagadores da ilusão!, em termos de comparação evidencial, compara-se ao vírus de computador, é um círculo vicioso constante passado através das gerações, técnica, indução psicológica, alienação, lavagem cerebral com efeitos danosos ao psicológico., Seja lá que nome queiram dar, foram utilizadas para se exercer domínio e poder sobre a ignorãncia por séculos e sem contestação! 
são formas de reforço a contaminação que provocam a aceitação do subconciente vindo posteriormente aflorar e dominar o psicológico humano!
É um transtorno psicológico que muitas vezes é incurável, se não me engano chama-se misantropia psicológica!
Importa dizer quê!os danos causados a intenção de uma democracia de fato são imensos., servem-se desta ignorãncia os que apóiam a manutençao deste mal divulgando aos desavisados que viver na ilusão e ter fé nela basta pois esta vida real de nada vale, o que vale é a ilusão de paraisos, infernos e deus-es que pregam existir além dela!
Acredito que Ateu nenhum se deva prestar a discutir com a ignorãncia! se é ignorante é doente e se é doente ministre-se a cura se possível ou esqueça, póde ser um caso perdido !
crença em deus é doença!, que provas mais necessitamos!
É assim que penso deva pensar um ateu convicto que de fato siga os ditames da razão e da ciência!

Lucabi Brasil

Bom, OK, não vou comentar. Basta dizer que os trechos em vermelho são evidências de uma mente perturbada, acho que isso se chama misantropia com traços paranóides, tipicos de pessoas que adotam teorias conspiratórias pseudocientíficas. DaWikipedia:

O misantropo

Wikcionário
Wikcionário possui o verbetemisantropo
  • É uma pessoa que tem aversão ao convívio social, prefere viver em isolamento.
  • Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida – tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social.
  • Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver.

[editar]Formas de misantropia mais comuns

Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.

A misantropia não implica necessariamente uma atitude bizarra em relação à humanidade. Um misantropo não vive afastado do mundo, apenas é reservado (introvertido/timido fundamentalmente) e, é precisamente por este fato que é habitual serem poucos os seus amigos ou pessoas que estabeleçam um vinculo afetivo. Olham para todas as pessoas com uma desconfiança, é frequente serem feitos “juízos de cálculo” de cada um que se aproxime, embora muitas vezes não o demonstrem.

São pessoas que não gostam de grande agitação ao seu redor, pois não se sentem bem diante de muita gente, preferindo ficar em casa a sair para locais de diversão (indisposição para ir a lugares com muita gente, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta). Podem ocorrer frequentes mudanças de humor: ora feliz, ora melancólico, o termômetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente (poucas são as pessoas que vêem este seu aspecto, normalmente as mais próximas). Normalmente são muito perfeccionistas no que gostam de fazer e no que se comprometem a fazer. É muito frequente destacarem-se nas áreas em que estão inseridos (as que eventualmente têm um à vontade), pois dedicam grande parte do seu tempo ao trabalho.

A misantropia costuma aparecer desde logo durante a infância em crianças tímidas, introvertidas e caladas que têm dificuldades em fazer amigos, nomeadamente na escola, preferindo muitas vezes ficarem sozinhas. Com o passar dos anos, tendem a ser bastante sarcásticos/irónicos nas observações que fazem (pode-se dizer que em parte a grande timidez é disfarçada por estas duas características)têm uma interpretação muito própria de tudo aquilo que vêem e de tudo aquilo que lhes é dito pelas outras pessoas, sendo bastante observadores e atentos ao que os rodeia embora, muitas vezes, não o pareça. Um fato notável é que são muito inteligentes, tendem a resolver desafios e enigmas com muita facilidade, já que vivem de um raciocínio puramente lógico embora não se deixam ser percebido. Também tendem a ser disléxicos, porém não em todos os casos.

Uma das explicações mais consistentes para esta aversão social deriva do fato de darem bastante relevância aos aspectos negativos que constatam nas pessoas ou simplesmente terem medo que estas os desiludam, daí as evitam. Têm uma forte sensibilidade ficando extremamente afetados com tudo o que os rodeia (mesmo que muitas vezes não estejam envolvidos diretamente) daí ser muito fácil, ao longo da vida, passarem por várias depressões.

Expressões evidentes de misantropia são comuns em sátira e comédia, embora a intensa seja geralmente rara. Expressões mais sutis são mais comuns, especialmente para mostrar as faltas/falhas na humanidade e sociedade.

É muito importante salientar que o misantropo tem dificuldades em assumir essas características tanto para si mesmo quanto para as pessoas mais próximas. Raros são os casos em que eles refletem acerca da possibilidade da misantropia ser integrante real das suas vidas, costumando negar a existência desta em todos os casos.

PS: Ok, eu não vou resistir. Refutando o comentário, sem comentar sobre o péssimo português, escrever ignorãncia com ~ é o cúmulo da ignorância… especialmente em dias de corretor ortográfico e Wikipedia. E escrever “dominar o psicológico humano” eu não vou em comentar, basta procurar o que significa psicológico no dicionário.

Eu apenas espero que este caro amigo ateu misantropo não seja daqueles tipos terroristas, embora o seu raciocínio é muito parecido com o do Califa Omar que (em uma falsa história) queimou a Biblioteca de Alexandria:

Se estes livros estão em concordância com Richard Dawkins, então não temos necessidade deles; e se eles se opõe a Dawkins, então devemos destruí-los”…

Quanto a minha defesa de ser um religioso no armário:

Primeiro, eu sou fã do livro O Gene Egoísta e da Teoria de Memes, tenho um paper publicado sobre um modelo computacional de evolução memetica, ver aqui:

Segundo, todos os meus amigos religiosos dizem que sou ateu e todos os meus amigos ateus dizem que sou religioso. OK, tem uns que dizem que sou religioso enrustido e outros que sou ateu enrustido (Marco Idiart falou isso no meu Facebook). Eu to achando que sou BI… e todo mundo sabe que os Heteroreligiosos e os Homoateus discriminam os Bit-eologos (acredito que Espírito = Informação).

Terceiro, dado que eu propuz a teoria do Demiurgo em 1996 (umpublished, ARGH!!!!, thank you Nestor…) ou seja, uns 6 anos antes do Garner, acho que tenho o direito de não ser nem teista nem ateista… Existe a terceira via sim!

Agora, segundo a definição de Ateísmo Científico, a pessoa que escreveu o comentário acima (que eu chuto ser um nerd sem namorada com excesso de testosterona e traumatizado por uma relação dificil com uma familia religiosa, provavelmente um mineirinho – amigo comentarista, por favor vá fazer uma terapia!) não é um ateu científico.

Ver o Manifesto do Ateísmo Científico: http://semciencia.haaan.com/?p=19

En passant: Kentaro Mori e Roberto Takata não assinaram porque se declararam agnósticos e não ateus.

O comentarista viola os seguintes princípios do ateísmo cientifico:

I. O Ateísmo Científico é racional: usa apenas argumentos de natureza científica, ou seja, tenta evitar metodologicamente as falácias lógicas, falácias estatísticas e afirmações empiricamente refutadas. O uso de argumentos puramente retóricos e emocionais é minimizado.

II. O Ateísmo Científico é acadêmico: defende a liberdade de expressão e opinião, o rigor e a honestidade intelectual.

III. O Ateísmo Científico usa a metodologia científica: sempre tentará embasar com evidências científicas o diagnóstico de que um dado aspecto da religião é pernicioso. Por exemplo, a afirmativa de que a religião inspira intolerância e violência deverá ser embasada a posteriori em estudos sociais, históricos e estatísticos academicamente respeitáveis em vez de ser afirmada de forma a priori.

IV. O Ateísmo Científico é falseável: assume o falsificacionismo Popperiano em relação a si mesmo, ou seja, define a priori as condições empíricas ou teóricas que implicariam em sua refutação.

V. O Ateísmo Científico é academicamente cordial: mantem-se dentro dos padrões de cordialidade acadêmica vingente na comunidade científica, sem o uso de ofensas pessoais e falácias ad hominem.

VI. O Ateísmo Científico não é conspiratório: ou seja, não usa argumentos que envolvam raciocínios conspiratórios e teorias de conspiração, uma vez que tais argumentos são a priori irrefutáveis.

VII. O Ateísmo Científico baseia-se no naturalismo biológico não-reducionista: ou seja, deixa espaço para a subjetividade humana desde que ela seja minimamente formalizável em termos básicamente locais (dentro do cérebro) de processos físicos.

Ateísmo Científico: um Manifesto

Dado que ele não assina o Manifesto do Ateísmo Científico, e na verdade violou 6 das 7 premissas do Ateísmo Científico, ele não é um ateu científico por definição (do Manifesto, claro, se você tiver outra melhor, coloque nos comentários!): a menos que ele mostre cientificamente por que a minha definição está errada e porque a definição dele está correta, o que não é possível, claro!

Hummm, e se você leitor também não concorda com o Manifesto, escreva nos comentários exatamente por que nãop concorda, com argumentos racionais e sólidos de preferência em vez de panfletagem emocional e irracional, OK?

Por outro lado, você não precisa ser um ateu, pode ser um agnóstico ou um Demiurguista, basta concordar com a definição dada no Manifesto para assiná-lo e concorrer ao prêmio-livro que será sorteado quando tivermos 20 assinaturas no Manifesto…rs

PS: Sim, eu sei que violei o princípio V do Manifesto chamando o carinha de nerd sem namorada, mas, OK, a vida (e muito menos eu!) não é perfeita!

PS: Para não ser injusto com o autor do comentário, onde usei a comparação com a suposta e provavelmente apócrifa frase do Califa Omar, reproduzo o texto abaixo de onde tirei as referências.

Pessoal, se você tem a Wikipedia, você não pode dizer que foram os religiosos que destruíram a Biblioteca de Alexandria, isso é um mito (ou melhor, uma mentira mesmo!) iluminista: os livros foram destruídos acidentalmente pelos romanos, o Patriarca Theophilus destruiu o Serapeum (templo de Serapís) e o Museum (o templo das Musas) porque, segundo ele, eram propagadores de superstições religiosas e misticismo degenerado, algo que o nosso ateu comentarista, que odeia templos, concordaria plenamente:

Attack of Aurelian, 3rd century

The library seems to have been maintained and continued in existence until its contents were largely lost during the taking of the city by the Emperor Aurelian (270–275) [o patriarca Theophilus fechou os templos no ano 391, ou seja, mais de 100 anos depois!), who was suppressing a revolt by Queen Zenobia of Palmyra (ruled Egypt AD 269–274).[25] During the course of the fighting, the areas of the city in which the main library was located were damaged.[1] The smaller library located at the Serapeum survived, but part of its contents may have been taken to Constantinople to adorn the new capital in the course of the 4th century. However, Ammianus Marcellinus, writing around AD 378 seems to speak of the library in the Serapeum temple as a thing of the past, and he states that many of the Serapeum library’s volumes were burnt when Caesar sacked Alexandria. As he says in Book 22.16.12-13:

Besides this there are many lofty temples, and especially one to Serapis, which, although no words can adequately describe it, we may yet say, from its splendid halls supported by pillars, and its beautiful statues and other embellishments, is so superbly decorated, that next to the Capitol, of which the ever-venerable Rome boasts, the whole world has nothing worthier of admiration. In it were libraries of inestimable value; and the concurrent testimony of ancient records affirm that 70,000 volumes, which had been collected by the anxious care of the Ptolemies, were burnt in the Alexandrian war when the city was sacked in the time of Caesar the Dictator.

Pergunta: Se você sempre acreditou que foram os religiosos que queimaram a Biblioteca de Alexandria (algo que a WIKI portuguesa afirma mas que está historicamente errado! e daqui a pouco eu vou corrigir lá, ou pelo menos chamar a atenção para a discrepância entre a WIKI inglesa e a portuguesa), fica a pergunta de por que você admitiu tal crença falsa por tanto tempo: preconceito? falta de checar as fontes? falta de ler a Wikipedia inglesa? Desculpe, acho que tais atitudes não são nada científicas!

A versão anterior da WIKI portuguesa:

A Biblioteca de Alexandria (tanto a Mãe como a Filha) eram os maiores centros de conhecimento do planeta, na altura, albergando um saber sem igual. Vinham sábios de todo o mundo para Alexandria e debatiam os mais variados temas. Este clima de tolerância para com as outras culturas não voltaria a ser visto durante mais de 1500 anos. Em [[391 d.C.]], durante o reinado do imperador [[Teodósio]], a Biblioteca Filha foi completamente destruída, {{Carece de fontes|data=julho de 2010}} juntamente com um enorme templo a [[Serápis]], pelo bispo [[Teófilo I de Alexandria|Teófilo]] que mais tarde foi canonizado. Segundo o próprio, “Só não consegui arrancar as fundações porque estas eram demasiado pesadas”. Com a destruição deste grande centro de conhecimento a Humanidade passou de ter uma mentalidade de tolerância muito semelhante à actual, para regressar à Idade do Bronze (em termos de conhecimento e moralidade, claro), ficando mergulhada na Idade das Trevas durante os 1000 anos seguintes.

A minha versão:

Estima-se que a Biblioteca Filha tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000. A Biblioteca de Alexandria (tanto a Mãe como a Filha) eram os maiores centros de conhecimento do planeta, na altura, albergando um saber sem igual. Vinham sábios de todo o mundo para Alexandria e debatiam os mais variados temas. Em 391 d.C., durante o reinado do imperador Teodósio, a Biblioteca Filha foi completamente destruída, [carece de fontes] (atenção, a Wikipedia inglesa afirma que a destruição da biblioyeca principal ocorreu em 274 D.C.  pelo imperador Aureliano e que os livros da biblioteca menor foram transferidos para Constantinopla em meados do século IV) juntamente com um enorme templo a Serápis, pelo bispo Teófilo.

Arabic sources

In 642, Alexandria was captured by the Muslim army of Amr ibn al `Aas. There are five Arabic sources, all at least 500 years after the supposed events, which mention the fate of the library.

  • Abd’l Latif of Baghdad (1162–1231) states that the library of Alexandria was destroyed by Amr, by the order of the Caliph Omar.[32]
  • The story is also found in Al-Qifti (1172–1248), History of Learned Men, from whom Bar Hebraeus copied the story.[33]
  • The longest version of the story is in the Syriac Christian author Bar-Hebraeus (1226–1286), also known as Abu’l Faraj. He translated extracts from his history, the Chronicum Syriacum into Arabic, and added extra material from Arab sources. In this Historia Compendiosa Dynastiarum[34] he describes a certain “John Grammaticus” asking Amr for the “books in the royal library”. Amr writes to Omar for instructions, and Omar replies: “If those books are in agreement with the Quran, we have no need of them; and if these are opposed to the Quran, destroy them.”[35]
  • Al-Maqrizi (1364–1442) also mentions the story briefly, while speaking of the Serapeum.[36]
  • There is also a story in Ibn Khaldun (1332–1406) which tells that Omar made a similar order about Persian books.[37]

The story was still in circulation among Copts in Egypt in the 1920s.[38]

Edward Gibbon tells us that many people had credulously believed the story, but “the rational scepticism” of Fr. Eusèbe Renaudot (1713) did not.[39]

Alfred J. Butler himself, Victor Chauvin, Paul Casanova and Eugenio Griffini did not accept the story either.[25]

Bernard Lewis has argued that this version, though untrue, was reinforced in mediaeval times by Saladin, who decided to break up the Fatimid caliphate’scollection of heretical Isma’ili texts in Cairo following his restoration of Sunnism to Egypt, and will have judged that the story of the caliph Umar’s support of a library’s destruction would make his own actions seem more acceptable.[40] Kelly Trumble[41] and Roy MacLeod[42] reject the story as well.

Luciano Canfora included the account of Bar Hebraeus in his discussion of the destruction of the library without dismissing it.[43]

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2 Comments

  • Passei aqui para agradecer pelo seu comentário!
    Acho que encontrei aqui alguém que não comete erros, ou acha que não os comete!
    De qualquer forma , agradeço mesmo que não seja capaz de compreender o motivo!
    É norma, regra, lei, então se respeita e segue., Este quem é?
    Se não há liberdade, é imposição!
    Você defende a religião e a grande Ilusão., Não é Ateu!
    E concordo quando você mesmo afirma que não sabe se é religioso ou Ateu, é o que então?
    O meio termo?
    Cometo erros, não sou perfeito!
    Não o conheço o suficiente para formar uma ideia sobre!
    Quem conhece?
    Mas sei que deus não existe e não tenho duvidas!
    Me limito e finalizo por aqui!

    Saudações: Lucabi Brasil.

  • Lucabi, não sei se você percebeu, mas o meu comentário visa apenas distinguir o ateísmo racional do ateísmo emocional. E dado que simpatizo com as idéias de Gardner sobre civilizações criadoras de universos em um Multiverso, isso me parece, em relação ao nosso universo, ser uma terceira via entre o teísmo e o ateísmo tradicionais.
    Publiquei até o conto “Demiurgo” de FC sobre isso, que saiu aqui no FC do B de 2011: http://www.hugovera.com.br/?tag=fc-do-b

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