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O Buldogue de Darwin e meu cachorro Darwin

DSCF0972Hoje eu pretendia comentar e fazer um link para o interessante blog Darwin e Deus, do editor-chefe de ciências da Folha, Reinaldo José Lopes. Mas não é um dia muito feliz. Soube hoje de manhã que meu cachorro Darwin (o nome foi colocado por meu filho Leonardo, OK?) foi atropelado e morreu. Triste isso.

Reinaldo José Lopes, 34, jornalista de ciência nascido e criado em São Carlos (SP), hoje colabora com a Folha de sua cidade natal, depois de passar quase três anos como editor de “Ciência+Saúde” na capital paulista. É formado em jornalismo pela USP e mestre e doutor em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma universidade, com trabalhos sobre a obra de J.R.R. Tolkien. Sobre evolução, já escreveu o livro “Além de Darwin” (editora Globo) e tem planos de escrever vários outros. É católico, são-paulino, casado e pai de um menino.

Reinaldo fez um post sobre o trecho em que Tomas Huxley reconhece que, em termos filosóficos e políticos, tanto a Bíblia como a Biologia sugere um certo ceticismo em relação as ideias do Bom Selvagem. Numa citação mais extensa encontrada por Roberto Takata (que está se tornando um verdadeiro e respeitado intelectual na Internet, sendo citado por jornalistas etc), temos:

“It is the secret of the superiority of the best theological teachers to the majority of their opponents, that they substantially recognise these realities of things, however strange the forms in which they clothe their conceptions. The doctrines of predestination; of original sin; of the innate depravity of man and the evil fate of the greater part of the race; of the primacy of Satan in this world; of the essential vileness of matter; of a malevolent Demiurgus subordinate to a benevolent Almighty, who has only lately revealed himself, faulty as they are, appear to me to be vastly nearer the truth than the ‘liberal’ popular illusions that babies are all born good and that the example of a corrupt society is responsible for their failure to remain so; that it is given to everybody to reach the ethical ideal if he will only try; that all partial evil is universal good; and other optimistic figments, such as that which represents ‘Providence’ under the guise of a paternal philanthropist, and bids us believe that everything will come right (according to our notions) at last. I thought I had substantially said all this in my ‘Prologue’; but if a reader of Mr. Harrison’s acumen and carefulness has been unable to discover it, I may be forgiven for the repetition.”
http://aleph0.clarku.edu/huxley/UnColl/Rdetc/IREN.html

O texto despertou considerável polêmica, com os extremistas de plantão dizendo que cristãos e ateus não devem dialogar, serem amigos ou namorados, etc…  Como isso cansa!

Tentei dar uma resposta nos comentários da FOLHA sobre o que entendi da intenção do Reinaldo:

Valeu Takata, pelo citação mais extensa. O que entendi que o Reinaldo quis dizer é o seguinte: que, em termos políticos, a ênfase em nature contra nurture, presente na Bíblia e na tese do Gene Egoísta, faz com que seja possível cristãos e agnósticos (ou mesmo ateus como Allain de Botton) dialogarem visando colaborar em fins políticos comuns, Ou seja, ambos os grupos são mais céticos e realistas em relação ao melhoramento humano do que os adeptos do bom selvagem, e por isso podem entrar em acordo em relação a politicas especificas de melhoramento social. Um exemplo disso aconteceu no dialogo entre ateus marxistas e cristãos da Teologia da Libertação, em toda America Latina, que culminou inclusive com a criação do PT. Ou seja, um agnóstico como Edward Wilson (que é um cientista muito mais brilhante que Dawkins) pode perfeitamente dialogar com Marina Silva VISANDO O FIM COMUM DE DEFESA DA BIODIVERSIDADE, como fica claro no seu livro “A Criação”, escrito como um diálogo em relação aos evangélicos americanos. Dizer que tal diálogo é desnecessário ou improdutivo é afirmar que Ed Wilson está errado. Mas será que alguém aqui aqui tem cacife cientifico para criticar Ed Wilson?

Se alguém reclamar que a referência a Wilson é um argumento de autoridade, sim, eu concordo plenamente com isso. Cientistas reais, de verdade, dão muito valor à autoridade científica, ou seja, ao se analisar um paper, todo mundo leva em conta se o cara publicou na Nature ou se é um crank não filiado a nenhuma instituição de pesquisa. Esse patrimônio de autoridade e respeito (tipo, “hummm,  fulano é muito conhecido como experimentador cuidadoso, logo devo dar mais atenção aos resultados anômalos que ele está reportando do que Joãozinho estudante de Iniciação Científica”) é algo que os cientistas prezam muito e têm como objetivo em sua carreira.

A afirmação de que cientistas deveriam olhar apenas os experimentos e ideias, sem levar em conta seus autores e sua autoridade, é um mito Iluminista sem fundamento filosófico, histórico e sociológico algum. Ou seja, é bom para a Ciência que se leve em conta a autoridade científica das fontes, a fim de reduzir o ruído e aumentar a filtragem de ideias malucas. Proceder de outro modo é simplesmente a base da pseudo-ciência e dos teoristas de conspiração, que dão valor a pretensas “teorias”, “observações” e “experimentos” sem levar em conta a autoridade científica de seus autores…

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