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O Iluminismo, o socialismo complexo e a pós-modernidade

Achei este texto por puro acaso. O autor se define como conservador. Acredito que a defesa do Iluminismo não deveria ser monopólio da direita, dado que Marx, Engels e Kropotkin também eram iluministas (mas não seus seguidores do século XX).

Bom, pelo menos lendo o texto já não me sinto tão sozinho: o autor, um historiador, tece considerações muito similares às minhas, e eu não me considero um conservador mas sim um físico anarquista à la Alan Sokal. Para ter acesso ao meu texto (panfletário) de 1995, ver Socialismo real, socialismo imaginário e socialismo complexo. Também neste post aqui respondo a um pós-modernista que me acusou de reacionário (apenas porque não sou um papagaio da Escola de Frankfurt mas pertenço à Terceira Cultura). Pois é, lembrando o mote deste blog … “E toda banda larga será inútil se a mente for estreita”

O Iluminismo e a pós-modernidade

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, Historiador, professor, liberal, vegetariano e palmeirense.

Virou lugar comum após meados do século XX, devido aos estudos de Max Horkheimer, Walter Benjamin, Adorno e Marcuse, membros/colaboradores da decantada e superestimada Escola de Frankfurt e, mais tarde, de acordo com os arautos da desconstrução, Foucault, Deleuze, Derrida e Barthes, julgar que o pensamento iluminista foi o grande responsável pelas desilusões da humanidade, depois que a Belle Époque se tornou poeira ao vento com a Primeira Guerra Mundial, com o nazi-fascismo e o socialismo na ex-URSS, com ocrack de 1929 e com a Segunda Guerra Mundial.

Não é necessário demonstrar os inúmeros equívocos, imprecisões e anacronismos cometidos à exaustão pelos pensadores citados no parágrafo anterior. Quem quer ter mais conhecimento sobre o assunto, poderá ler Os dentes falsos de George Washington, de Robert Darnton,O modernismo reacionário, de Jeffrey Herf, ou As razões do Iluminismoe Mal estar na modernidade, ambos do filósofo brasileiro Sérgio Paulo Rouanet. A leitura desses excelentes livros não deixa a menor dúvida de que os críticos do Iluminismo jamais estudaram um texto sequer, de Voltaire, Montesquieu, Condorcet, Diderot, ou mesmo de Rousseau, o menos iluminista de todos os iluministas, e o que mais serve de parâmetro aos neohippies de boutique do século XXI.

Frankfurtianos e desconstrucionistas nunca fizeram mais do que traçar parcos panoramas essencialistas a partir de seus devaneios esquerdopatas, revisionismo marxista com pitadas de Freud. Lixo!

A confusão primária entre a aposta no poder de questionamento, na investigação e na prudência da razão, típicas do Iluminismo, e a fé desmedida, cega e autoritária no Progresso e no cientificismo, característica do Positivismo, ou a indistinção entre a frugalidade iluminista e a idealização e o exotismo românticos, são apenas alguns dos erros mais crassos da crítica pós-moderna ao pensamento do século XVIII. Nunca é demais frisar que o imperialismo e a Belle Époque são crias do século XIX, jamais do XVIII.

Mas o que torna o Iluminismo tão atual nos dias de hoje? Ora, nada mais do que o narcisismo e o egoísmo (ridiculamente confundido com o individualismo, por tantos desavisados e intelectuais desonestos, desde a direita conservadora, até a esquerda dita “revolucionária”), fenômenos típicos da atual sociedade massificada. A defesa da estética “alternativa”, do relativismo, do performismo (que faz de qualquer descerebrado uma celebridade, exaltando o sucesso fácil e efêmero como qualidade), da falta de responsabilidade, do descompromisso, da imoralidade, do imediatismo, da descrença na autoridade (autoridade é totalmente diferente de autoritarismo), na democracia, na pesquisa e na ciência, são todas filhas dos manifestos libertários de Foucault, Deleuze e Derrida.

A idéia que faz a cabeça de tantos jovens hoje em dia, isto é, a noção de que uma pessoa é o centro de tudo e o resto que se dane, é uma contribuição macabra do pós-modernismo. É o próprio egoísmo de Narciso. Como tentar fazer quem age assim, entender valores como respeito ao próximo, à Natureza e aos animais? O Iluminismo pode ser uma ótima propedêutica.

Os iluministas jamais defenderam que o Homem controlasse a Natureza para explorá-la, numa relação de total dominação. Defendiam sim que a razão humana poderia ajudar a estabelecer uma postura mais harmônica do Homem com o meio natural, aproveitá-lo sem degradá-lo. Atual ou não? Quem nunca ouviu falar em “desenvolvimento sustentável”?

A razão iluminista é questionadora, procura colocar tudo em dúvida, refletir, pesquisar, examinar, para melhor nos capacitar a viver nesse planeta e poder apreciá-lo, para melhor nos adaptarmos ao que ele oferece de melhor, e também de pior.

O pensamento iluminista é o oposto extremo do descompromisso pós-moderno, pois não crê que exista algo de valor na preguiça e no “deixa assim porque não é comigo” (até parece que não!).

O Iluminismo sempre preservou intacta a diferença entre o certo e o errado, entre liberdade e libertinagem, entre conceito e opinião. Todas as grandes mentes que lutaram por um mundo melhor, também pensaram e agiram, invariavelmente, desse modo. Buda, Leonardo Da Vinci, Gandhi, Martin Luther King…, todos eles, antes e depois do Iluminismo, foram iluministas de algum modo.

Para encerrar, um pouco de otimismo: não é tão improvável que o mundo venha a nos legar outros grandes iluministas! Que assim seja!

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