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Os erros de Marina

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A grande cagada da equipe de Eduardo Campos (que Marina pegou andando) foi apresentar um programa de governo detalhado, achando que isso seria um diferencial.

Os marqueteiros de Dilma e Aecio sabem que nao se deve fazer isso, para evitar criticas. Faltou marqueteiro para Marina.

Lembremos das aulas de estatística de que correlação não implica em causação. A afirmativa “Marina mudou a redação do programa por causa de Malafaia” não tem base: primeiro porque Malafaia é um inimigo de Marina desde 2010 e ela nunca iria se submeter a ele.  Ver aqui: https://www.youtube.com/watch?v=nxYaMFotGCs

Segundo porque a ideia de que havia uma outra redação mais moderada do projeto (e lembre-se que, nessa redação, havia mudanças também na questão das usinas nucleares, que nada tem a ver com Malafaia) é plausível.

Ou seja, infelizmente houve coincidencia temporal, nao causação, entre os twitters de Malafaia e a divulgação do  programa com redação final. Isso pegou muito mal, foi uma infeliz coincidencia que realmente iniciou a queda de Marina.

Mas considere o seguinte. Imagine que apenas a versão final tivesse sido divulgada, desde o início. Neste caso, nada disso teria acontecido, e o programa de governo seria o mais avançado (MUITO MAIS A ANÇADO) na questão LGBT. Afinal, o programa de Dilma é totalmente vago e nem cita a sigla LGBT, e mesmo Luciana Genro só divulgou seu programa sobre LGBT bem tarde na campanha.

Finalmente, imagine que Luciana Genro e Eduardo Jorge estivessem na posição de Marina, ou seja, com reais chances de ganhar, em vez de  nanincos.  Voce realmente acredita que o discurso deles sobre aborto, drogas e LGBT seria o mesmo? Sinceramente, eu acho bem dificil de acreditar… Seus marqueteiros nunca deixariam isso acontecer.

Por que é isso o que acontece (e seria ingenuidade pensar diferente): numa democracia como a nossa o que vale são os acertos e deslizes puntuais durante a campanha, exploradas a exaustão pela midia, pelos marqueteiros e pelas redes sociais. Não conta a biografia do candidato.

Engraçado que o debate eleitoral no Brasil está se afastando da polarização esquerda-direita para um carater mais tipo americano liberais-conservadores. Os temas polemicos discutidos (aborto, drogas, LGBT) não sao temas historicos da esquerda (o consumo da maconha está liberado em Cuba? Tem casamento gay na China?). Mesmo o ataque à religião de Marina (que diga-se de passagem, é muito mais avançada que a católica, já que permite controle de natalidade, camisinhas, pilulas, casamento dos pastores e divorcio) lembra o debate eleitoral americano.

Será que é isso mesmo? Estamos rumando para nos tornarmos cada vez mais parecidos com os EUA?

Acho que o cenario a medio prazo será tragico.  Notem quem o estado mais avançado economicamente (SP) tambem é o bastiao do conservadorismo politico e moral. E a regiao sul nao fica atrás.  Ou seja, quanto mais de classe B e C, mais se  dissemina o pensamento pequeno burgues, que é conservador.

Ora, isso significa que o PT vai ser vitima do seu proprio sucesso: quanto mais criar uma classe C (e os C+ vão se elevar para B-), maior o contingente pequeno burgues criado e maior o conservadorismo da sociedade brasileira. Acho que a Dilma passa de raspão neste segundo turno mas sinceramente penso que 2018 pode ser o final do ciclo petista (afinal, vão ser 16 anos acumulados de desgaste do governo).

De novo, proponho que a alternancia de poder se dê na centro esquerda (ou seja, PSB, REDE, e outros partidos que eram da base do PT), evitando a todo custo que se de o poder ao PSDB.  Mas do jeito que o PT desconstruiu Marina, essa alternancia na centro esquerda pode ter sido inviabilizada para 2018…

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