Home // Ateísmo // Richard Dawkins aprovaria o filme “Inocência dos Muçulmanos”?

Richard Dawkins aprovaria o filme “Inocência dos Muçulmanos”?

Este post visa ser polêmico…

Esta palestra de Dawkins foi feita em 2002, no calor dos eventos de 11 de setembro de 2011. Fico pensando se ele mudou de opinião desde então sobre a questão do ateísmo militante agressivo. Me parece que ele propõe uma espécie de “cruzada” dos ateus contra todo tipo de religião. Não consigo enxergar como tal cruzada poderia ser bem sucedida usando-se apenas argumentos agressivos, chacota e desrespeito. Simplesmente não me parece que isso funciona, sociologicamente falando.

Os religiosos, quando querem ganhar aderentes, são extremamente simpáticos, usam a sedução, a música, os sentimentos de bem estar providenciados por uma cerimônia religiosa, etc. Mesmo os tais evangélicos de TV aprenderam que é improdutivo “chutar a Santa”, uma atitude que Dawkins recomendaria (“parem de ser tão respeitadores da Religião”, diz ele).

Acho que esse é o problema do Ateismo 1.0 de Dawkins, que não vejo como diferente do Hegelianismo de Esquerda do século XIX, que não conseguiu lá grandes coisas e que foi convincentemente criticado por Marx e Engels como erroneamente sendo uma crítica à superestrutura social e não à sua estrutura profunda.

O problema é: se os ateus seguirem as recomendações de Dawkins de não respeitarem as pessoas religiosas, então eles não ficam melhores do que os religiosos que não respeitam os ateus, e uma guerra secular-religiosa se inicia. Ou seja, por que haveriam de os religiosos respeitarem os ateus, se os ateus não respeitam os religiosos?

Se algum muçulmano fizesse um filme sobre Darwin (ou Dawkins!), colocando-o como tolo, mulherengo, bissexual, pedófilo e adepto da zoofilia, eu acho que os ateus se sentiriam ultrajados e ofendidos. Isso aconteceria não porque as ateus acham que Darwin é seu profeta – embora alguns se comportem como se ele fosse – mas porque o tal filme iria sugerir que os ateus são aquelas coisas, vide a reação ultrajada dos ateus perante as declarações idiotas do Datena.

Se, dentre essa massa de ateus, existissem alguns extremistas raivosos (afinal, o Terrorismo foi inventado no século XIX por anarquistas ateus),  eu imagino que eles começariam a desfilar com charges ou queimar o Alcorão em frente de algumas embaixadas islâmicas, protestando contra o que eles diriam ser ateísmo-fobia (similar à islamofobia). Podiam até jogar uns coquetéis molotov nas embaixadas, por que não? Quem controla os moleques ateus que são bem raivosos no Facebook e no Twitter?

Não creio, porém, que chegassem ao ponto de matar diplomatas. Bom, não sabemos ainda se aquela ação foi planejada pela Al Quaeda, em vez de ser uma ação espontânea, pois armamento pesado foi usado. Então, esta ainda é a diferença entre nossa sociedade secular e o caldeirão efervescente do Islã atual, que acredita que suas terras estão sendo ocupadas pelos EUA por causa do petróleo e hegemonia política…

Mas certamente existe um conflito entre o secularismo, com sua ênfase na livre-expressão individual (especialmente a primeira emenda americana), e os conservadores religiosos. Entretanto, parece que existem precedentes judiciais em que a veiculação de obras são proibidas por motivos de “incitação ao ódio” ou “incitação ao racismo”. Por exemplo, o documentário “O Eterno Judeu” é proibido de ser comercializado na Alemanha, Itália, França e Áustria. E eu acho que documentários racistas não passam na TV dos EUA, embora possam ser veiculados no YOUTUBE (o Google retira apenas videos ofensivos a pessoas, que podem fazer um processo por calúnia e difamação, mas não a grupos étnicos ou religiosos).

Posted in Ateísmo, Política, Religião and tagged as , , , , ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *