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Sobre o ateísmo dos que possuem Transtorno de Déficit de Atenção (TDA)

O post passado era o número 100. Dado que comecei a postar no HAAAN no dia 15 de julho, isso dá 100/98 = 1,02 posts por dia,  o que eu acho que é uma boa marca, nem excessiva nem deficitária.

Em uma palestra na UNESP sobre a blogosfera científica, eu comentei que provavelmente o meu era o blog mais religioso do condomínio de blogs céticos HAAAN. Um colega, depois da palestra, me perguntou sobre o que eu quis dizer com aquilo, o que eu achava de religião, Dawkins, neoateísmo etc.

Na conversa eu comentei sobre a hipótese neuroteológica de Bruno Lobão de que pessoas com TDA, devido ao déficit de dopamina, seriam em geral menos predispostas à religiosidade. Bruno havia me dito de que jamais encontrara um portador de TDA religioso, ao contrário dos esquizofrênicos, depressivos, bipolares etc.

Bom, este colega me disse que possuí TDA e toma Ritalina mas nem por isso se considera arreligioso (ou seja, seria necessário realmente fazer um estudo estatístico amplo para verificar a hipótese). Por outro lado, a religiosidade do meu colega não é tradicional, ele faz Ioga e segue um guru indiano.

Bom, é claro que todas essas hipóteses neuroteológicas precisam ser testadas através de amostras estatísticas significantes. Mas esses estudos seriam muito fáceis de fazer: em qualquer hospital psiquiátrico bastaria, durante a entrevista, anotar a opção religiosa do paciente. Eu tenho certeza de que esse estudo daria resultados muito interessantes.

Em particular, estou interessado na tese de que os Aspies (síndrome de Asperger) são menos predispostos à religiosidade e na verdade predispostos ao ateísmo. Para saber o que é um Aspie, basta lembrar que o Sheldon do The Big Bang Theory é um Aspie. E, por outro lado, minha tese se complementa supondo que endocanabinóides poderiam mitigar os sintomas Aspie, e talvez sintomas de autismo em geral.

Outras hipóteses são as de que consumidores de cannabis são mais predispostos à religiosidade, e que talvez a descriminalização da cannabis e outras drogas enteogênicas possa ter, como efeito colateral, um “genocídio” do ateísmo. Alguém conhece algum consumidor de Santo Daime ateu? A conferir!

PS: Confira também esta cena, muito engraçada, onde Sheldon discute com sua mãe sobre evolução e criacionismo…    http://www.youtube.com/watch?v=OL5yplRHE9g

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6 Comments

  • Pera… Você está querendo dizer que todo ateu é doente mental?!?!?!?!?!?

  • Claro que não, Mário. Alguns amigos meus ateus dizem que toda pessoa religiosa tem problemas mentais (é delusional), mas o inverso não é verdade. Minha hipótese é que certos problemas psiquiátricos (autismo, síndrome de Asperger, TDA) predispõe as pessoas ao ateísmo (basicamente por não terem os mecanismos neuroquímicos associados a experiências religiosas, efeito placebo etc). Da mesma forma, certos problemas psiquiátricos (epilepsia do lobo temporal, transtorno bipolar e esquizofrenia) favorecem a probabilidade de uma pessoa ter experiências religiosas (incluo nisso a experimentação com LSD, maconha, Santo Daime etc).

    Ou seja, a probabilidade condicional de você ser ateu dado que está no espectro autista (por exemplo, um geek ou nerd tem autismo leve), ou seja, P(Ateu|Autista) é grande, mas a probabilidade de você ter autismo dado que é ateu P(Autista|Ateu) é pequena. Por favor, não confunda as probabilidades condicionais.

    Do mesmo modo, a probabilidade de você ser religioso dado que é epilético P(R|E) é alta, mas a probabilidade de você ter epilepsia dado que é religioso P(E|R) é baixo.

    Note que a Neuroteologia precisa explicar não apenas o fenômeno religioso, mas também o fenômeno da arreligiosidade, ou seja, existe uma simetria no problema (afinal, nossas crenças refletem nossas personalidades que refletem nossa neuroquímica e neurogenética). Na verdade, dado que, antropologicamente falando, a arreligiosidade é mais rara que a religosidade, ela é uma anomalia que precisa ser explicada cientificamente com mais urgência.

  • Duas antas

  • George C Cardoso

    2 de junho de 2019 at 11:28

    Ja conversamos sobre isso. Acho menos controverso, embora mais dificil obter os dados, estudar o efeito placebo como proxi para religiosidade. Menos controverso porque nem todas as pessoas aceitam discutir religiosidade. Claro q a mesma pesquisa pode incluir perguntas sobre religiosidade. Nem todas as pessoas religiosas em potencial sao religiosas.

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