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Nerds e esportes: uma pesquisa estatística

Nerds são classicamente descritos como incapazes de praticar esportes. Isso é verdade? Você poderia se manifestar?

1) Você se considera nerd?

2) Você se considera sedentário?

3) Você pratica algum esporte? Qual?

4) Você tem alguma religião?

5) Em quem você votou na eleição  de 2010?

Outra discussão é a questão da onipresença do futebol no Brasil e no mundo. Me defino como Afutebolista, ou seja, alguém que não acredita que o futebol seja benéfico para a Humanidade, sendo contra a idolatria do futebol, que é uma verdadeira religião secular. Proponho as seguintes teses:

1) O espaço dado na mídia para o futebol é exagerado e alienante. Outros esportes são prejudicados por pouca cobertura, fora a questão de que tal espaço de mídia poderia ser usado para se discutir ciência e cultura.

2) O Futebol é uma religião secular, com seus extases dominicais, seus ídolos, seu fanatismo, o incentivo a superstições (amuletos, simpatias para ganhar a partida), sua violência intrínseca que gera dezenas de mortes por ano no Brasil e provocou até mesmo uma Guerra entre Honduras e El Salvador. Ou seja, na America Latina, nunca tivemos uma guerra de cunho religioso (a menos que se conte Canudos) mas tivemos uma guerra de cunho futebolístico.

3) A FIFA tem mais países membros do que a ONU. Tem mais seguidores que a Igreja Católica. É  machista pois não admite juízas nos jogos principais. É mais rica que a Igreja Católica e faz muito menos ação social que a mesma. Está envolvida em casos de corrupção bem maiores que o Banco do Vaticano.

4) O dinheiro gasto por pessoas pobres para ir no estadio pode ultrapassar o dízimo de seu salario.

5) Existe uma grande discriminação quando te perguntam qual o seu time e você diz que não gosta de futebol. Te olham mais estranho do que se você fosse ateu, afinal existem mais ateus no Brasil do que afutebolistas.

6) Se uma pessoa declarar-se afutéia, ou seja, que detesta o futebol, ela será discriminada e ficaria em ultimo lugar numa eleição para presidente, atrás dos ateus (afinal, já tivemos vários presidentes ateus, mas nenhum que detestasse o futebol).

7) O futebol envolve um desperdício enorme de recursos (haja visto a atual copado mundo no Brasil). A Africa do Sul reconhece hoje que a Copa não trouxe nada de permanente para o país, apenas o enriquecimento de empresas e políticos corruptos.

8) Não existe separação entre Estado e Futebol. Por que o dinheiro do meu imposto deve ser gasto nessa religião secular se eu acho que o futebol é pernicioso para a sociedade? Que haja um estado verdadeiramente laico, separação total entre Estado e Estádios, Governo Laico e Futebol.

9) As crianças são educadas desde cedo, vestindo camisa, etc, sem lhe serem dadas a opção de escolha do time. Nesse sentido, pais que forçam goela abaixo o futebol para os filhos são análogos a estupradores mentais pedófilos.

10) Quanto maior o QI, menos a pessoa gosta de futebol (ver os nerds). Logo, o futebol emburrece, e deveria ser substituído pelo xadrez como esporte nacional.

UPDATE: Para quem não entendeu, o texto é uma paródia…

O Bonobo e o Ateu

Concordo com de Wall, mas o perigo no século XXI não é o comunismo mas sim o neofacismo.
27/04/2013 – 03h00

‘Religião não é fonte da moral, mas eliminá-la é temerário’, diz primatólogo

REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Para alguém que tem se especializado em demonstrar que o ser humano e os demais primatas têm um lado pacífico e bondoso por natureza, Frans de Waal conseguiu comprar briga com muita gente diferente.

Autor de “The Bonobo and the Atheist” (“O Bonobo e o Ateu”), que acaba de sair nos Estados Unidos, o primatólogo holandês-americano provavelmente não agradará muitos religiosos ao argumentar que ninguém precisa de Deus para ser bom.

Seu modelo de virtude? O bonobo (Pan paniscus), um primo-irmão dos chimpanzés conhecido pela capacidade de empatia com membros de sua espécie e de outras, pela sociedade tolerante, sem “guerras”, e pelo uso do sexo para resolver conflitos.

Com base nos estudos com grandes macacos e outros mamíferos sociais, como cetáceos e elefantes, De Waal diz que a moralidade não surgiu por meio de argumentos racionais nem graças a leis ditadas por Deus, mas deriva de emoções que compartilhamos com essas espécies.

Bonobos e chimpanzés sabem que é seu dever cuidar de um amigo doente, retribuir um favor ou pedir desculpas.

Por outro lado, o livro é uma crítica aos Novos Ateus, grupo capitaneado pelo britânico Richard Dawkins que tem dado novo impulso ao conflito entre ateísmo e religião desde a última década.

“Eu não consigo entender por que um ateu deveria agir de modo messiânico como eles”, diz De Waal, ateu e ex-católico. “O inimigo não é a religião, é o dogmatismo.”

*download

Folha – Quem está mais bravo com o sr. depois da publicação do livro?
Frans de Waal – Bem, no caso dos ateus, recebi muitas mensagens de gente que me apoia. É claro que, em certo sentido, estou do lado deles, tanto por também ser ateu quanto por acreditar que a fonte da moralidade não é a religião. O que eu digo no livro é que os Novos Ateus estavam gritando alto demais e que precisam se acalmar um pouco, porque a estratégia deles não é a melhor.

Em seu livro, o sr. faz uma referência ao romance “O Senhor das Moscas”, de William Golding, história na qual garotos perdidos numa ilha reinventam vários aspectos da sociedade, inclusive a religião. Mas a religião que eles criam é brutal, com sacrifícios humanos. O sr. acha que a religião nasceu brutal e foi ficando mais humanizada?
Acho que não. Quando olhamos para as sociedades tradicionais de pequena escala, que foram a regra na pré-história, vemos que esse tipo de coisa não está presente entre elas.
É claro que elas tinham crenças sobre o mundo sobrenatural e podiam sacrificar um ou outro animal aos deuses, mas, no geral, eram relativamente benignas.
É só quando as sociedades aumentam de escala que elas começam a se tornar mais agressivas e dogmáticas.

Quando se enfatiza o lado pacífico e ético das sociedades de primatas não humanos e do próprio homem, não há um perigo de fechar os olhos para a faceta violenta dela?
Concordo que, nos meus livros mais recentes, essa ênfase existe. Por outro lado, meu primeiro livro, “Chimpanzee Politics” [“Política Chimpanzé”, sem tradução no Brasil], era totalmente focado na violência, na manipulação maquiavélica e em outros aspectos pouco agradáveis da sociedade primata. Mas a questão é que surgiu uma ênfase exagerada nesses aspectos negativos, e as pessoas não estavam ouvindo o outro lado da história.

O sr. acha que encontrar um chimpanzé ou bonobo cara a cara pela primeira vez pode funcionar como uma experiência religiosa ou espiritual?
Eu não chamaria de experiência religiosa (risos), mas é uma experiência que muda a sua percepção da vida.
No livro, conto como a chegada dos primeiros grandes macacos vivos à Europa no final do século 19 despertou reações fortes, em vários casos deixando o público revoltado porque havia essa ideia confortável da separação entre seres humanos e animais. Por outro lado, gente como Darwin viu aquela experiência como algo positivo.

E o sr. sente que essa aversão aos grandes macacos diminuiu hoje?
Sim, e isso é muito interessante. Eu costumo dar palestras em reuniões de sociedades zoológicas de grandes cidades aqui nos Estados Unidos. Tenho certeza de que muitas pessoas ali são religiosas. E esse público é fascinado pelos paralelos e pelas semelhanças entre seres humanos e grandes macacos ou outros animais.
Isso não significa que queiram saber mais sobre a teoria da evolução, mas elas acolhem a conexão entre pessoas e animais.

Na sua nova obra, o sr. defende a ideia de que não se pode simplesmente eliminar a religião da vida humana sem colocar outra coisa no lugar dela. Que outra coisa seria essa?
É preciso reconhecer que os seres humanos têm forte tendência a acreditar em entidades sobrenaturais e a seguir líderes. E o que nós vimos, em especial no caso do comunismo, no qual houve um esforço para eliminar a religião, é que essa tendência acaba sendo preenchida por outro tipo de fé, que se torna tão dogmática quanto a fé religiosa.
Então, o temor que eu tenho é que, se a religião for eliminada, ela seja substituída por algo muito pior. Acho preferível que as religiões sejam adaptadas à sociedade moderna.

Outro argumento do livro é que o menos importante nas religiões é a base factual delas. O mais relevante seria o papel social e emocional dos rituais. Para quem é religioso e se importa com a verdade do que acredita, não é uma visão que pode soar como condescendente ou desonesta?
Pode ser que, para quem é religioso, essa visão trivialize suas crenças. Mas, como biólogo, quando vejo alguma coisa que parece existir em quase todos os grupos de uma espécie, a minha pergunta é: para que serve? Que benefício as pessoas obtêm com isso? Não tenho a intenção de insultar ninguém com esse enfoque.

The Bonobo and the Atheist
editora W.W. Norton & Company
preço R$ 29,35 (e-book na Amazon.com), 313 págs.

The São Paulo Advanced School of Astrobiology

 

 

Research Articles

Claudia A.S. Lage, Gabriel Z.L. Dalmaso, Lia C.R.S. Teixeira, Amanda G. Bendia, Ivan G. Paulino-Lima, Douglas Galante,Eduardo Janot-Pacheco, Ximena C. Abrevaya, Armando Azúa-Bustos, Vivian H. Pelizzari and Alexandre S. Rosado

Editorial

Altruísmo Egoísta ou Egoísmo Altruísta?

O altruísmo egoísta

14/08/12 – 09:15
POR RAFAEL GARCIA

Chimpanzés contemplam sua existência no refúgio de macacos Chimp Haven, na Louisiana (Foto: Mike Souza/CC)

UM DOS GRANDES ENIGMAS no estudo da evolução humana é a tendência que temos de nos indignar com abuso de poder. Por que consideramos correto ajudar os indefesos que sofrem assédio e extorsão por parte dos mais fortes? Por que às vezes alternamos nosso instinto egoísta de sobrevivência por essa índole altruísta? Essa discussão, que ainda está longe de ter consenso entre biólogos e antropólogos, acaba de ganhar uma teoria matemática mostrando como o altruísmo pode surgir de puro egoísmo. Read more [+]

Cientistas dizem que aves e até polvos têm alguma consciência

23/07/2012 – 05h10

Na onda dos manifestos assinados por cientistas defendendo posições sobre temas polêmicos, como o aquecimento global e a evolução, o tema da consciência animal é a bola da vez.

A mensagem dos pesquisadores é clara: dado o peso das evidências atuais, não dá mais para dizer que mamíferos, aves e até polvos não tenham alguma consciência.

Foi o que um grupo de neurocientistas afirmou no Manifesto Cambridge sobre a Consciência em Animais Não Humanos, lançado neste mês em uma conferência sobre as bases neurais da consciência na prestigiosa Universidade de Cambridge (Reino Unido).

SEMELHANÇA

Philip Low, neurocientista da Universidade Stanford e do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) e proponente do manifesto, disse à Folha que “nas últimas duas décadas, houve um grande progresso na neurobiologia, graças às novas tecnologias que permitem testar velhas hipóteses”.

Rodrigo Damati/Editoria de Arte

Um conjunto de evidências convergentes indica que animais não humanos, como mamíferos, aves e polvos, possuem as bases anatômicas, químicas e fisiológicas dos estados conscientes, juntamente com a capacidade de exibir comportamentos intencionais e emocionais.

A ausência de um neocórtex (área cerebral mais recente e desenvolvida em humanos) não parece impedir um organismo de experimentar estados afetivos.

O peso da evidência, portanto, indica que os seres humanos não são únicos no que diz respeito à posse das bases neurológicas que geram consciência.

“Enquanto cientistas, nós sentimos que tínhamos um dever profissional e moral de relatar essas observações para o público”, disse Low.

O manifesto foi assinado por 25 pesquisadores de peso, como Irene Pepperberg, da Universidade Harvard, que estudou as avançadas capacidades cognitivas (como o reconhecimento de cores e palavras) do famoso papagaio Alex.

Mateus Paranhos da Costa, pesquisador do comportamento e bem-estar animal da Unesp de Jaboticabal, achou a declaração bem fundamentada.

“Ela tem um componente político importante: um grupo de pesquisadores oficializa sua posição frente à sociedade, assumindo diante dela o que a ciência já tem evidenciado há algum tempo”, diz ele.

ESPELHO DA MENTE

A capacidade de alguns animais de se reconhecerem no espelho foi mencionada no manifesto.

Parece trivial se reconhecer ao escovar os dentes todas as manhãs, mas muitos bichos têm reações agressivas quando colocados cara a cara com seu reflexo.

No teste do espelho, um animal que nunca viu um objeto desses na vida é anestesiado até dormir. Os pesquisadores pintam, então, uma marca no rosto do animal e esperam que ele acorde e ache o espelho colocado em seu recinto. Se ele tentar brigar com o “intruso” ou tocar a mancha no espelho, fracassou no teste. Contudo, se tocar a marca nele mesmo, é um forte indício de que tenha noção de si próprio.

Já passaram no teste chimpanzés, bonobos, gorilas, orangotangos, golfinhos-nariz-de-garrafa, orcas, elefantes e pegas-europeias (parentes do corvo). Crianças só passam no teste após 18 meses de vida.

Marlene Zuk, especialista em seleção sexual e comunicação animal da Universidade de Minnesota, afirma que é preciso ter cuidado com a atribuição da experiência humana a outros animais.

“Temos a tendência de fazer um ranking dos animais com base em quão semelhantes a nós eles são. Entendemos muito pouco sobre como funciona a consciência. Os animais podem apresentar um comportamento complexo sem ter sistema nervoso complexo.”

LACUNAS

Devido ao foco da conferência nas bases neurais da consciência, estudos relevantes para o bem-estar animal faltaram no manifesto.

A palavra “dor” não foi mencionada. Pesquisas já mostraram a existência da capacidade de sentir dor em peixes e invertebrados, excluídos da lista. A capacidade de sofrer com a morte de um parente também já foi descrita em chimpanzés, gorilas, elefantes, leões-marinhos, lobos, lhamas, pegas e gansos.

“Se vivemos em uma sociedade que considera dados científicos ao pensar suas atitudes morais em relação aos animais, então o manifesto poderá iniciar mudanças”, ressalta Philip Low.

Para Paranhos da Costa, ao se gerar e divulgar evidências de que os animais de criação (como o gado) “não diferem dos demais quanto a capacidades de sentir, aprender, formar laços sociais”, transformações sociais ocorrerão.

O Meme do Meme do Meme

Quando eu li o Gene Egoísta de Richard Dawkins na década de 80, eu não imaginava que um dia o Meme estaria na Globo…

Sobre cientistas atuantes e cientistas divulgadores de ciência

Barrow e Dawkins

Artigos publicados de John D. Barrow

Artigos publicados de Richard Dawkins

Tentando interpretar melhor a fala de John D. Barrow:
When Selfish Gene author Richard Dawkins challenged physicist John Barrow on his formulation of the constants of nature at last summer’s Templeton-Cambridge Journalism Fellowship lectures, Barrow laughed and said, “You have a problem with these ideas, Richard, because you’re not really a scientist. You’re a biologist.”
Talvez Barrow quisesse dizer que Dawkins já não era um cientista ativo, não estava mais publicando com regularidade em revistas com peer review. Ou seja, Dawkins seria atualmente mais um divulgador de ciência, um escritor, não um cientista profissional. Ora, em termos de publicação científica, acho que Barrow tem razão, como pode ser comprovado pelos gráficos acima da Web of Science.
Fiquei sabendo que Dawkins perdeu recentemente a cátedra de Oxford em “Public Understanding of Science”. Algém sabe por que?
Em termos de publicação científica, temos:
Dawkins:
Número de papers: N = 20 (por favor, se eu estiver errado, corrijam! Mas cuidado, existem outros R. Dawkins no ISI Web of Science que não são o Richard Dawkins)
Índice de Hirsch: h = 15
Comparando com John D. Barrow:
N = 324
h = 52
Bom, minha conclusão é que Barrow tem credenciais para falar sobre o que é ciência e ser cientista. Alguém discorda?

Re: Outrageous personal attack on RD by physicist John Barrow

Postby Richard Dawkins » Mon Jul 28, 2008 6:40 pm

Actually, I think we should take Barrow’s remark as nothing more than good-natured banter — of the kind people indulge in when they play up to an alleged rivalry between Oxford and Cambridge. I wouldn’t get too worked up about it. I didn’t at the time.Richard Dawkins
PS: Na Wikipedia, constam 30 artigos de Dawkins, mas ainda não tive tempo de verificar se todos estão na ISI Web of Science. Não acredito que os números vão mudar muito. Em particular, o h e o K são muito robustos…
Postado por Osame Kinouchi às Segunda-feira, Outubro 05, 2009 

5 comentários:

Charles Morphy disse…
Caro Osame,
Não discuto a qualidade científica de John Barrow!
Mas não acho que o fato dele ter X trabalhos publicados e Y citações faz a afirmação dele “… você não é um cientista. Você é um biólogo” correta!
Se ele realmente pensa isso, acredito que sua concepção de ciência é tacanha e míope.
Abraço
2:23 PM, Outubro 05, 2009
Charles disse…
Quando digo a “sua”, falo a do Barrow, não a “sua” (Osame”…
Abraço
2:25 PM, Outubro 05, 2009
Osame Kinouchi disse…
Charles, você leu o comentario de Dawkins sobre isso?Se Dawkins não ligou, e disse que foi apenas uma piada e não uma observação séria, porque os biólogos deveriam ligar? Por que você deveria ligar?
4:43 PM, Outubro 05, 2009
Charles Morphy disse…
Osame,
Você tem razão.
7:12 PM, Outubro 05, 2009

Vida microbiana em Marte

  • Imagem da Nasa gerada por computador mostra parte de Marte

    Imagem da Nasa gerada por computador mostra parte de Marte

Vastas regiões nas profundidades do subsolo de Marte são suscetíveis para abrigar uma vida microbiana, anunciaram cientistas australianos que compararam as condições de vida no Planeta Vermelho com as da vida na Terra.

Apesar de apenas 1% do volume total da Terra (do núcleo à alta atmosfera) abrigar alguma forma de organismo vivo, a proporção alcançaria em tese 3% do volume de Marte, em especial nas regiões subterrâneas, segundo Charley Lineweaver, da Universidade Nacional da Austrália.

“O que estamos tentando fazer é, simplesmente, pegar todas as informações de que dispomos, uní-las e perguntar: ‘este conjunto é coerente com a vida em Marte?'”, destacou o astrobiólogo Lineweaver.

“A resposta é sim. Vastas regiões de Marte são compatíveis com a vida terrestre na comparação das temperaturas e da pressão terrestre com as que se encontra no planeta Marte”, completou.

A escassa pressão e as temperaturas de 60 graus centígrados abaixo de zero não permitiriam, por exemplo, a formação de água líquida na superfície de Marte, mas nas profundidades do subsolo, porém, existem condições para a existência de vida microbiana.

A presença de água em Marte, na forma de argila hidratada, foi constatada por sondas americanas lançadas desde a década de 1970, mas nenhum rastro de vida orgânica presente foi detectado até hoje.

A Nasa lançou recentemente o robô explorador Curiosity, o mais sofisticado e mais pesado já enviado a outro planeta, para investigar precisamente se a vida já existiu em Marte.

O robô deve pousar em Marte em meados de 2012 ao pé de uma montanha de 5.000 metros de altura na região marciana de Gale.

Você é um homem ou um rato?

Ratos libertam companheiros em uma demonstração de empatia

REINALDO JOSÉ LOPES EDITOR DE “CIÊNCIA E SAÚDE”

Parece uma versão (menos sombria) do livro “A Revolução dos Bichos”, mas aconteceu de verdade, na Universidade de Chicago: ratos que aprenderam a libertar seus companheiros da prisão. Ou, ao menos, de gaiolinhas de acrílico onde tinham sido colocados, num experimento do Departamento de Psicologia, coordenado pela pesquisadora israelense Inbal Ben-Ami Bartal. A pesquisa foi descrita na revista “Science” desta semana. O espírito libertador dos ratinhos surpreende porque, para os cientistas, ele pressupõe uma forma de empatia –a capacidade de se colocar na posição de outro indivíduo e tentar ajudá-lo.

Os cientistas usaram cerca de 30 bichos no experimento. Cada par de “participantes” era colocado no mesmo recinto durante duas semanas. Depois, um dos bichos era colocado na gaiolinha, enquanto o outro podia interagir com a “cela”. Após cerca de uma semana, quase todos os bichos aprendiam que dava para abrir a portinhola e permitir que o parceiro escapasse. Ao que tudo indica, eles não fuçavam na gaiola por pura curiosidade, já que jaulas vazias ou com brinquedos dentro não despertavam o mesmo interesse nos bichos. O mais surpreendente veio quando a comparação entre uma gaiola com o companheiro e outra com uma barra de chocolate.

Nesse segundo caso, os roedores não só abriam ambas as gaiolas com igual rapidez como também comiam só parte da guloseima, deixando o resto para o ratinho recém-libertado. Os pesquisadores também verificaram que o rato prisioneiro “pedia socorro”, usando chamados ultrassônicos de alerta que são típicos da comunicação da espécie.

Astrobiologia perto de casa

24/11/2011 – 14h37

Estudo identifica astros com mais chances de abrigar vida extraterrestre

DA BBC BRASIL

A lua de Saturno Titã e o exoplaneta Gliese 581g estão entre os corpos celestes mais propensos à existência de vida extraterrestre, diz um artigo científico publicado por pesquisadores americanos.

O estudo da Universidade de Washington criou um ranking que ordena os planetas e satélites de acordo com a semelhança com a Terra e as condições para abrigar outras formas de vida.

Veja galeria de fotos

JPL/ STSI/Nasa
O exoplaneta Gliese 581g (em primeiro plano) foi considerado o mais parecido com a Terra; veja galeria de fotos
O exoplaneta Gliese 581g (em primeiro plano) foi considerado o mais parecido com a Terra; veja galeria de fotos

Segundo os resultados publicados na revista acadêmica “Astrobiology”, a maior semelhança com a Terra foi demonstrada por Gliese 581g, um exoplaneta –ou seja, localizado fora do Sistema Solar–, cuja existência muitos astrônomos duvidam.

Em seguida, no mesmo critério, vem o Gliese 581d, que é parte do mesmo sistema. O sistema Gliese 581 é formado por quatro –e possivelmente cinco– planetas orbitando a mesma estrela anã a mais de 20 anos-luz da Terra, na constelação de Libra.

CONDIÇÕES FAVORÁVEIS

Um dos autores do estudo, Dirk Schulze-Makuch explica que os rankings foram elaborados com base em dois indicadores.

O ESI (sigla em inglês de Índice de Similaridade com a Terra) ordenou os astros conforme a sua similaridade com o nosso planeta, levando em conta fatores como o tamanho, a densidade e a distância de sua estrela-mãe.

Já o PHI (sigla de Índice de Habitabilidade Planetária) analisou fatores como a existência de uma superfície rochosa ou congelada, de uma atmosfera ou de um campo magnético.

Também foi avaliada a energia à disposição de organismos, seja através da luz de uma estrela-mãe ou de um processo chamado de aceleração de maré, no qual um planeta ou lua é aquecido internamente ao interagir gravitacionalmente com um satélite.

Por fim, o PHI leva em consideração a química dos planetas, como a presença ou ausência de elementos orgânicos, e se solventes líquidos estão disponíveis para reações químicas.

HABITÁVEIS

No critério de habitabilidade, a lua Titã, que orbita ao redor de Saturno, ficou em primeiro lugar, seguida da lua Europa, que orbita Júpiter.

Os cientistas acreditam que Europa contenha um oceano aquático subterrâneo aquecido por aceleração de maré.

O estudo contribuirá para iniciativas que, nos últimos tempos, têm reforçado a busca por vida extraterrestre.

Desde que foi lançado em órbita em 2009, o telescópio espacial Kepler, da Nasa (agência espacial americana), já encontrou mais de mil planetas com potencial para abrigar formas de vida.

No futuro, os cientistas creem que os telescópios sejam capazes de identificar os chamados “bioindicadores” –indicadores da vida, como presença de clorofila, pigmento presente nas plantas– na luz emitida por planetas distantes.

Por que os rodeios estão fadados à extinção?

Estudo: humanidade está mais inteligente e menos violenta

Tese é defendida pelo renomado psicólogo canadense Steven Pinker, em artigo publicado na edição desta quarta-feira na revista ‘Nature’

Eu sempre disse isso para os meus amigos, que a percepção jornalística e de senso comum está errada, que era necessário sempre uma análise histórico-estatística e mesmo sociobiológica. Afinal somos os primatas mais sociáveis do planeta – não acredito que haja colônias de primatas com mais de 500 indivíduos, e certamente somos bem menos violentos que chimpanzés e gorilas, para não falar dos outros machos-mamíferos que adoram matar os filhotes (de outro macho) das fêmeas.

Além disso, já não praticamos sacrifícios religiosos de crianças, canibalismo, tortura (no nível “civilizado” romano, assistam a série ROMA!), e mesmo os duelos com espadas ou armas, a tal defesa da honra, desapareceu (o que era impensável para os homens do século XVIII).

Do mesmo modo, a guerra era vista como algo heróico e necessário para a preservação e evolução da espécie (a visão de Darwinismo Social de Nietszche e das SS, que consideravam o Cristianismo como uma religião de anarquistas, feministas e “mulherzinhas”). Hoje, as guerras tem uma péssima reputação e certamente não são vistas como algo heróico ou desejável, no máximo são tidas como um mal necessário em certas circunstâncias (por exemplo, para enfrentar e destruir os SS-Nietszchenianos). Que profunda mudança cultural em menos de 100 anos!

Finalmente, a próxima fronteira são os direitos dos animais, e isto está avançando numa velocidade fantástica (e no futuro, os dos robôs, afinal todos somos robôs – orgânicos ou não). Esses dias, eu querendo levar meus filhos Leonardo (10) e Raphael (8) para uma atividade diferente, propus irmos ao Rodeio de Jaboticabal. Eles me olharam de forma estranha e questionadora,  dizendo “Mas claro que não! Ele torturam os bois!” Eu me senti anacrônico…

Ou seja, educar e civilizar faz diferença sim, os memes são mais fortes que os genes (afinal, existem memes egoístas incompatíveis com os genes, de modo que a Memética fundamenta cientificamente a autonomia relativa da Cultura). O software cultural é limitado pelo hardware cerebral, mas no final das contas, quem define o que realmente um computador faz é o software, não é o hardware. Novos softwares culturais vão reconfigurar o cérebro humano, nem que seja o Facebook nos deixando mais sociáveis

Disse isso aos meus amigos especialmente no Beijo de Juliana, mas me chamaram de Pollyanna e Cândido de Voltaire… Santo de casa não faz milagre mesmo. Mas talvez o Pinker, publicando na Nature, seja suficiente para  o que eu sempre propus, uma “statistical evidence-based opinions“.

Comportamento

Combatentes líbios: mesmo com guerras, humanidade está mais pacífica, diz o psicólogo Steven PinkerCombatentes líbios: mesmo com guerras, humanidade está mais pacífica, diz o psicólogo Steven Pinker (Zohra Bensemra / Reuters)

“Apesar de atualmente nos sentirmos constantemente rodeados pela violência, em séculos anteriores a situação era muito pior.” — Steven Pinker, psicólogo canadense

“A afirmação popular de que o século XX é ‘o mais sangrento da história’ é uma mera ilusão que dificilmente pode ser apoiada em dados históricos.”

A sensação de que nunca houve tanta violência como nos tempos modernos é ilusória e dificilmente resistiria à pesquisa histórica. Segundo um estudo publicado nesta quarta-feira na revista Nature, nunca houve, proporcionalmente, tão poucos assassinatos e tão pouca violência, de um modo geral. O defensor da tese é o renomado psicólogo canadense Steven Pinker. De acordo com ele, em termos históricos, as pessoas estão cada vez mais inteligentes, e em consequência disso, menos violentas. Read more [+]

É possível um ecumenismo entre ateus e religiosos?

Bom, parece que Edward Wilson acredita que sim:

A CRIAÇÃO – Como salvar a vida na Terra

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A Criação é um apelo para que deixemos o embate entre religião e ciência de lado para podermos salvar a vida no planeta, que nunca esteve tão ameaçada. Valendo-se de suas experiências como um dos biólogos mais destacados no cenário mundial, Edward O. Wilson prevê que, até o final do século, pelo menos a metade das espécies de plantas e animais da Terra poderá ter desaparecido, ou estará a caminho da extinção precoce.
Escrito em forma de carta a um pastor evangélico, A Criação demonstra que a ciência e a religião não precisam ser, necessariamente, antagonistas em guerra. Ao fornecer explicações a respeito dos motivos ambientais e espirituais para nos alarmarmos com a poluição, o aquecimento global e o rápido declínio da diversidade biológica do planeta, Wilson sugere que, se ciência e religião usarem de seu poder para forjar uma aliança fundamentada no respeito mútuo, relevando as diferenças metafísicas básicas e buscando alcançar objetivos práticos, alguns dos mais graves problemas do século XXI poderão ser resolvidos rapidamente.

“E. O. Wilson, talvez o maior biólogo da nossa geração, traz uma vida inteira de trabalho e de reflexão para esta obra. […] É um de seus livros mais perturbadores, mais comoventes e mais importantes.” – Oliver Sacks

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Enquanto isso, o Papa atual, mesmo sendo um conservador de direita e tradicionalista, abre a possibilidade de um diálogo com os Protestantes e os Islamicos. Ao mesmo tempo, Richard Dawkins ataca o astrônomo real Martin Rees por ele ter aceitado o prêmio Templeton (que é dado à personalidade mundial que mais contribuiu para o diálogo Ciência-Religião em cada ano.

 

FOLHA ONLINE         23/09/2011  09h36

Na Alemanha, Bento 16 defende diálogo com muçulmanos e protestantes

DA FRANCE PRESSE

O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira um melhor diálogo entre a cristandade e o Islã, no segundo dia de visita a seu país natal, onde também tem a intenção de enviar sinais de aproximação aos protestantes em favor do ecumenismo.

“Acho que uma colaboração fecunda entre cristãos e muçulmanos é possível”, afirmou o Papa ao receber, em Berlim, representantes do Islã na Alemanha. “Reconhecemos a necessidade (…) de progredir no diálogo e estima recíprocas”.

Na Alemanha, vivem entre 3,8 e 4,3 milhões de muçulmanos, que representam entre 4,6% e 5,2% de sua população.

Depois, Bento 16 partiu de Berlim para Erfurt, onde Martin Lutero estudou direito e teologia a partir de 1501, e foi ordenado sacerdote em 1507, depois de ter entrado na ordem dos monges agostinianos. Durante esses anos fundamentais, Lutero, que ainda era católico, refletiu sobre o que seria o começo da Reforma protestante.

O papa prestou homenagem a Lutero, ao enfatizar a paixão profunda pelas questões de Deus do promotor da Reforma Protestante, em um gesto simbólico em relação aos protestantes na cidade Erfurt (leste), onde surgiu este movimento.

“O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, que era a paixão profunda e a força de suavida e seu total itinerario. (…) O pensamento de Lutero, sua espiritualidade inteira, estavam completamente centrados em Cristo”, declarou o Papa.

Depois de visitar a catedral desta pintoresca cidade medieval, Bento se reunirá a portas fechadas com 20 delegados da Igreja protestante alemã, e em seguida participará num serviço ecumênico no convento dos Agostinianos, ao lado de autoridades como a chanceler Angela Merkel, filha de um pastor protestante, e do presidente alemão, Christian Wulff, de religião católica.

Vacas e humanos magnéticos

Acho que já está na hora de se fazer hipóteses sobre o papel desses detetores magnéticos na retina. Quem arrisca? Coloque sua hipótese na janela de comentários… Darei alguns palpites lá também.

Humanos podem ter sexto sentido

Um estudo aponta que a habilidade de sentir campos magnéticos, característica das aves migratórias, pode estar presente, em menor grau, também nos humanos

RCSB Protein Data Bank

Proteína do tipo criptocromo

Proteínas sensíveis ao campo magnético, com estrutura similar à que aparece nesta ilustração, são encontradas na retina humana

São Paulo – Prever o futuro ou falar com os mortos ainda são habilidades que estão longe de ser comprovadas pela ciência. Mas um estudo recente mostra que possuímos elementos que poderiam permitir o desenvolvimento de um sexto sentido: a habilidade de perceber campos magnéticos.

Uma nova pesquisa da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos, mostra que uma proteína da retina humana pode funcionar como sensor magnético. Se você pensou em X-Men, Magneto e a habilidade de dobrar metais com a mente, esqueça. A descoberta, longe de lembrar elementos da ficção, está relacionada a seres vivos bastante reais.

É sabido que pássaros migratórios e tartarugas, por exemplo, possuem a habilidade de sentir o campo magnético da Terra para se guiar em suas grandes viagens. A mosca Drosophila também possui sensor similar. Estudos anteriores já haviam mostrado que uma proteína do tipo conhecido como criptocromo, presentes nessa espécie, funciona como sensor magnético quando em contato com a luz.

O que o grupo de pesquisadores americanos liderados por Steven Reppert descobriu foi que uma proteína da retina humana pode produzir a mesma capacidade de sentir o campo magnético quando implantada nas moscas. O trabalho, publicada nesta semana na revista Nature Communications, reabre a possibilidade de exploração dessa capacidade sensorial nos humanos. Read more [+]

Homem precisa se enganar, diz biólogo. Mas para enganar sua mulher, o desafio é bem maior!

Acho que não cheguei a reproduzir o texto de Ricardo Mioto sobre Robert Trivers neste blog. Virei fã do Trivers por que ele me parece o Richard Feynman da Biologia. Dado que sempre é bom uma reverberação tipo “bela adormecida”, aqui vai:

Homem precisa se enganar, diz biólogo

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Platão, Kant e… Trivers?

Se essa lista parece estranha, Steven Pinker, talvez o mais importante psicólogo contemporâneo, discorda.

O biólogo Robert Trivers, diz, é um dos grandes pensadores da história do Ocidente -provavelmente o único deles que é defensor da maconha, apaixonado pela Jamaica e entusiasta do grupo de radicais negros Panteras Negras (ainda que branco).

Adriano Vizoni/Folhapress
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP

A empolgação com o cientista se deve ao fato de que Trivers, quase sozinho, revolucionou a psicologia, ao propor, nos anos 1970, elos entre o comportamento humano e a teoria da evolução.

Trivers correlacionou, por exemplo, as diferenças entre o comportamento sexual masculino e o feminino ao fato de que homens investem menos em cada filho do que as mulheres (veja abaixo).

Seu tema de interesse atual é o autoengano. Ele defende que os humanos evoluíram para acreditar em mentiras que os façam se sentir melhor e que justifiquem suas atitudes.

O sujeito que, contra todas as evidências, acha que vai se recuperar de uma doença fatal, ou a mulher que se recusa a enxergar que o marido claramente a trai estão, então, apenas sendo humanos. Read more [+]

IV Escola Latino Americana de Neurociência Computacional (LASCoN 2012)

IV Latin American School on Computational Neuroscience – LASCON 2012

University of São Paulo, Ribeirão Preto, SP, Brazil

January 15 – February 10 2012

The fourth edition of the Latin American School on Computational Neuroscience – LASCON IV will be held at the University of Sao Paulo at Ribeirao Preto, Sao Paulo State, Brazil. The school will last for four weeks and will cover topics as: biophysically detailed single neuron models;  simplified neuron models; neural network models; synaptic plasticity and memory models; system-level brain models; information theory and spike train analysis; and computational cognitive neuroscience. These models will be illustrated with the use of programs like NEURON, neuroConstruct, XPP-AUTO, NEST and Matlab. The faculty is composed of an international team of world-renowned researchers in the field of computational neuroscience.

Students should be fluent in English (written/spoken) and have a solid background in life and/or hard sciences (some experience in computer programming is also desirable). Applications should be made electronically using the application form in this website. Applicants are also requested to submit a detailed CV (in English) and to provide two letters of recommendation. The number of students is limited to 28 so that student selection will be competitive and based on the information provided. Costs for accommodation and meals will be covered by the school organization. There is no registration fee for the school. The school will not give travel support for students, who are encouraged to apply for this to both national and international funding agencies.

At the end of the school students will present preliminary results of simulation projects developed during the school. These projects will be made in groups of two students, and the decisions on the project themes will be made during interviews of students and the school organizer and lecturers in the middle of the second week of school. Student groups will work on the chosen projects during the rest of the school, in parallel with the other activities, and make a first presentation of the progress achieved at a poster session in the beginning of the final week of school. Then, based on suggestions and comments made by lecturers and other students during the poster session, student groups will resume their work and present their final results orally on the last day of school.

Before arriving at LASCON, students are encouraged to study the material under the “Resources for Students” link in the LASCON webpage. It contains basic stuff that students will need to know to follow the classes.

Application Deadline: September 10, 2011

Organizing Committee

Organizer

Antonio Roque
(University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, SP, Brazil)

Local Organizers

Denise Arruda
Diogo Vieira
Julian Tejada
Lucas Figueira
Rafael Arantes
(University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, SP, Brazil)

Scientific Committee

Antonio Roque
(University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, SP, Brazil)

Arnd Roth
(University College, London, UK)

Osame Kinouchi
(University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, SP, Brazil)

Reynaldo Pinto
(University of Sao Paulo, Sao Carlos, SP, Brazil)

Rodrigo Oliveira
(Champalimaud Neuroscience Programme, Lisbon, Portugal)

Rodrigo Publio
(University of Sao Paulo, Ribeirao Preto, SP, Brazil)

Volker Steuber
(University of Hertfordshire, Hatfield, UK)

 

Do Veganismo Utópico ao Veganismo Científico – F. Engels

  • Regisnaldo Morais Moreira Corrigindo-me: Mônica, vc já “viu” a cara do Moby? Ele é Vegan. Tem um físico de uma samambaia com hepatite. 

    sexta às 18:44 · 
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    Mônica Guimarães Campiteli hummm… imagino que isso seja pq ele não como a “proteína animaaaaal!!!!”, né? 

    sexta às 18:44 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira é 

    sexta às 18:45 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira sim 

    sexta às 18:45 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira e acho que não come ninguem, tbem! 

    sexta às 18:45 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira Mas, admito que é vc que tem razão. Não eu. E, tbem, tenho que admitir que não consigo deixar de comer carne. 

    sexta às 18:46 ·  ·  1 pessoa
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    Mônica Guimarães Campiteli Sabe a Alícia Silverstone? Sabe a Natalie Portman? Sabe o vocal do Red Hot? Sabe o Joaquim Phoenix? Eles não têm cara de samambaia… e tem mais um monte de outros gostosos por aí!
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_vegans
    Acho que a proteína animal não é assim tão importante neste quesito!!
    Talvez comer alguém, seja!!! 

    sexta às 18:49 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira Sim. Comer alguém é sempre mto importante! 

    sexta às 19:21 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira À tempo: não vou procurar fotos de gostosões vegans, Monica. Isso é mais estranho do que não comer carne! 

    sexta às 19:22 · 
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    Rogério Gomes E planta não tem direito a vida também não???kkk 

    sábado às 00:12 · 
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    Mônica Guimarães Campiteli Afffff……. 

    sábado às 00:14 · 
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    Rogério Gomes Ue mas é verdade… só porque não chora e grita não quer dizer não sofra também…. 

    sábado às 00:15 · 
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    Mônica Guimarães Campiteli 

    Afff, Rogério, eu vou responder essa só pq vc é Biomédico, tá?!!! 

    Tudo bem que eu sei que há indícios de condução nervosa em plantas, mas pq cargas d’água, a evolução iria caminhar no sentido de causar qquer coisa que se assemelhe a sofrimen…Ver mais

    sábado às 00:27 · 
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    Rogério Gomes Eu também só estou te enchendo o saco… mas planta também tem vida? 

    sábado às 00:29 · 
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    Mônica Guimarães Campiteli Tem, sim… mas eu não tenho problema com isso, não. Eu comeria carne humana sem problemas!!! rsrsrs 

    sábado às 00:42 · 
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    Daniel Gerardi Essa é a minha prima… 

    sábado às 10:17 · 
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    Rogério Gomes Churrasco de carne humana…hum… delicia..kkk 

    sábado às 13:24 · 
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    Luis Perles Não sabia que a Natalie Portman era vegan também. Essas duas são bem gostosas… 

    sábado às 14:34 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira Resuma esse problema sobre consumir tudo o que é vivo (e não entrar nesse impasse sobre plantas): não coma o que para vc tem cara. Ou seja, empatia de mamífero. 

    sábado às 14:39 ·  ·  1 pessoa
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    Luis Perles Pena que os seres humanos não botam ovo, seria tão mais fácil ser pró-gemada ou pró-omelete que ser pró-aborto. E mais útil também 😉 

    sábado às 14:39 ·  ·  3 pessoas
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    Regisnaldo Morais Moreira hahahaha! 

    sábado às 14:40 · 
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    Rogério Gomes O povo vai vai me criticar aqui com certeza… mas eu acho que esse lance todo de ser vegetariano, vegan, carnívoro, canibal…. é tudo um luxo daqueles que tem a possibilidade de ter um prato de comida todo dia…. quem já tem fome mesmo ta nem ai de onde ta vindo a comida…. 

    sábado às 15:03 ·  ·  1 pessoa
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    Mônica Guimarães Campiteli Sim, Rogério Gomes, certamente. Mas a questão é justamente essa! Eu tenho a opção! 

    Ontem às 00:02 · 
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    Mônica Guimarães CampiteliLuis Perles… Ridículoooooooooo!!!!!!!!!!! rsrsrsrsrsrsrrs 

    Ontem às 00:02 ·  ·  2 pessoas
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    Luis Perles ahhh, pelo menos sou coerente, rsrsrsrs 

    Ontem às 01:42 ·  ·  1 pessoa
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    Rogério Gomes 

    Seu amigo chato onívoro volto kkkk… Concordo que devemos que reduzir o sofrimento no animal durante o abate, da mesma forma existem regulamentações para uso de animais na pesquisa. Eu acho Veganismo uma filosofia bonita mas utópica, voc…Ver mais
    há 16 horas · 
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    Rogério Gomes Mas discussão sobre o assunto é boa quem sabe mude alguns hábitos… 

    há 16 horas · 
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    Mônica Guimarães Campiteli 

    Eu não acho utópica de jeito nenhum. Nem uma filosofia bonita. Apenas ética. Para mim, algumas coisas são por princípio. Não importa o quanto a ciência avançaria com cobaias humanas, não se vai inocular câncer numa pessoa saudável para estudar uma nova droga anticancer. Não importa qtas vidas serão salvas por isso. Não se faz por princípio! Não interessam os fins! No caso dos animais, (deveria ser) a mesma coisa.
    Há muitas coisas que utilizam componentes de origem animal no nosso dia-a-dia? Sim, mas elas não são insubstituíveis. São apenas mais custosas. Do meu lado, eu prefiro pagar mais caro por produtos que não contêm componentes de origem animal e não testam em animais. É o que posso fazer. Se sou a única no mundo fazendo isso, não me faz muita diferença. Eu nunca roubei o supermercado só pq os meus amigos roubavam!
    há 15 horas · 
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    Mônica Guimarães Campiteli 

    Pode me chamar de iludida, mas eu realmente acredito que as coisas estão mudando neste sentido… Hoje em dia se encontram muitos produtos organicos, veganos etc nos supermercados. Há diversos projetos de lei sendo discutidos frequentemente abordando o tema – uso de peles de animais no vestuário, uso de testes em animais na indústria de cosméticos e até na ciência. Isso em nível mundial. Acredito que um dia nós vamos ser capazes de estender nossa ética a outras espécies…
    Espero!
    há 15 horas · 
  • Osame Kinouchi Veganismo Científico vs Veganismo Utópico: no Veganismo cietifico se analiza as condições economicas objetivas para a viabilização do Veganismo. POr exemplo, é mais fácil eliminar o consumo de Tatu, Macados e Tartarugas no Brasil do que agroindustrias de carne. Feito isso, deve-se atacar a suinocultura, pois os suinos sao fontes de viroses mortais (gripe suina) e o porco é, segundo estudos recentes, mas inteligente que o cachorro (e ninguem come cachorro no Brasil). Finalmente, o combate contra a suinocultura contaria com o apoio das diversas religioes para as quais comer porco é um taboo, por exemplo, o Momonismo(?), o Adventismo e o Judaismo (e os caras sao inflouentes na sociedade). O motivo dessas religioes serem contra consumo de porco é que a carne suina é a unica carne animal com sabor da carne humana, e numa dada epoca, o judaismo lutou contra as praticas de antropofagia. Ou seja, os Vegans precisam se aliar com outras correntes de pensamento a fim de conseguir uma vitória comum. E, como não dá para tirar o carater onivoro do ser humano (a mesnos que se use eugenia genetica), podeira-se começar a comer os camaroes gigantes desenvolvidos na Australia, que contem 10X mais carne que os camarões normais e produzem menos alergia nas pessoas.. Ou seja, virariamos comedores de camarões (eu tenho um livro com 1.000 receitas com camarão), de modo que nos tornariamos tão sábios quanto as Baleias… há 6 minutos · 

A sobrevivência das espécies vira-latas sortudas

Suponha que o número total de espécies seja razoavelmente constante de uns 100 milhões de anos para cá, ou seja, que em número de espécies a biosfera esteja em um estado estácionário. Isso significa que, em média, uma espécie-mãe dá lugar a apenas uma espécie filha. Note que isso ocorrem em média, ou seja, um monte de ramos da “árvore da vida” foram podados (extintos) e muitas espécies atuais são descendentes de umas poucas espécies presentes.

Ou seja, a árvore da vida seria similar a um processo de ramificação crítico (ver figura). Acho que ainda falta um estudo mais matemático das consequências para o processo evolucionário do fato da árvore da vida ser crítica e fractal.

Ora, sabemos que em um processo assim, o papel das flutuações aleatórias se torna decisivo. Ou seja, em um processo crítico, haverá um monte de gargalos onde pequenos eventos podem determinar todo o futuro da árvore. Todo um ramo cheio de espécies poderia ter sido varrido do mapa se uma seca, inundação, peste ou asteróide (os “eventos extremais”) dizimasse uma população. As espécies sobreviventes não seriam as mais aptas mas as mais sortudas. A menos, é claro, que se defina espécie mais apta como aquela mais robusta frente a variações do ambiente (e não mais apta no sentido de adaptada a um dado ambiente).

Nesse sentido, uma espécie menos especializada a dado ambiente, mais generalista, embora pode perder na competição com espécies mais especialistas num dado ambiente, seria mais robusta por estar espalhada em uma área geográfica maior, ter uma variada fonte de alimentos, etc.

Assim, parece que uma pressão forte para seleção natural promove a especialização e portanto o aumento de vulnerabilidade de uma espécie para a extinção. A seleção natural, assim como a seleção artificial, produz variedades menos robustas (no sentido que um poodle é menos robusto que um vira-lata).

Chamando as espécies generalistas de “vira-latas”, em comparação com espécies e raças “puras” (especialistas), parece óbvio que o processo evolucionário é dominado pelos vira-latas. Ou melhor, dos vira-latas sortudos que não são atropelados pelos eventos extremais.

Asteroid Impact Early Warning System Unveiled

Astronomer reveals plans for a network of telescopes that could give up to three weeks’ warning of a city-destroying impact.

At about 3am on 8 October last year, an asteroid the size of a small house smashed into the Earth’s atmosphere over an isolated part of Indonesia. The asteroid disintegrated in the atmosphere causing a 50 kiloton explosion, about four times the size of the atomic bomb used to destroy Hiroshima. The blast was picked up by several infrasound stations used by the Comprehensive Nuclear-Test-Ban Treaty Organization to monitor nuclear tests. Read more [+]

Dedos promíscuos

04/11/2010 – 08h03
Homem de Neandertal tinha vida sexual bastante agitada

DA FRANCE PRESSE

O homem de Neandertal talvez seja lembrado apenas como aquele nosso ancestral de aparência carrancuda e sempre munido de um tacape, mas em um importante aspecto de sua vida social esses homens das cavernas podem causar inveja a seus descendentes modernos: a grande intensidade de suas atividades sexuais.

É o que afirma um estudo publicado pelo Proceedings of the British Royal Society B, que sugere que o comprimento do dedo pode indicar promiscuidade entre hominídeos, como a antiga família dos humanos é conhecida.

Fim dos Neandertais na Ásia e na Europa pode estar ligado ao clima
Neandertal e Homo sapiens conviveram e deixaram descendentes
Espécie “primitiva” revela quem somos

Pesquisadores liderados por Emma Nelson, da Universidade de Liverpool, noroeste da Inglaterra, observaram fósseis de dedos de quatro espécies de hominídeos.

Esses fósseis compreendem o Ardipithecus ramidus, um hominídeo que viveu cerca de 4,4 milhões de anos atrás; o Australopithecus afarensis, entre 3 milhões e 4 milhões de anos, os Neandertais, que desapareceram há cerca de 28 mil anos; e um fóssil de um Homo sapiens, como os humanos modernos são anatomicamente conhecidos, de cerca de 90 mil anos de idade.

A teoria de Emma Nelson é baseada na razão entre o comprimento do dedo indicador se comparado com o dedo anelar.

Pesquisas anteriores realizadas por seu grupo concluíram que a exposição no útero a hormônios sexuais como andrógenos, nos quais se inclui a testosterona, afeta o comprimento dos dedos –e comportamentos sociais futuros.

Altos índices de andrógenos no útero aumentam o comprimento do dedo anelar em relação ao segundo dedo, que assim diminui a proporção.

Eles também estão relacionados com competitividade e promiscuidade, de acordo com a pesquisa. Então como ocorreu com os primatas?

DESPUDORADO OU EXCLUSIVOS

Uma baixa proporção dos dedos apresentada pelo Ardipithecus ramidus indicou que ele era mais despudorado, enquanto uma alta proporção nos dedos do Australopithecus afarensis demonstrava a preferência por exclusividade.

Enquanto isso, as proporções baixas dos Neandertais e dos primeiros humanos “sugerem que os dois grupos podem ter sido mais promíscuos que a maioria das populações humanas”, afirmam os autores.

Os cientistas admitem que sua abordagem é nova, e são necessárias mais evidências para lançar luz sobre o comportamento social dos seres humanos antigos.

“Apesar das proporções dos dedos fornecerem algumas sugestões muito excitantes sobre o comportamento dos hominídeos, aceitamos que a evidência é limitada e para confirmar essas descobertas realmente precisamos de mais fósseis”, disse Nelson.

As conclusões do estudo acrescentaram um novo elemento no debate sobre a linhagem humana. Mais espécies promíscuas de hominídeos teriam uma vantagem sobre as monogâmicas, em termos de número e tamanho do grupo genético.

“A harmonia entre o casal, em um sentido amplo, é universal entre humanos, mas não se sabe quando a transição de um sistema promíscuo para um estável ocorreu”, conclui o estudo.

From Wikipedia, the free encyclopedia
Simon LeVay
Fields NeuroscienceNeurobiology,Human Sexuality
Institutions Harvard Medical School
Salk Institute
University of California, San Diego
Stanford University
Alma mater University of Cambridge (B.A.)
University of Göttingen (Ph.D.)

Simon Levay at the 2010 Texas Book Festival.

Simon LeVay (born 28 August 1943 in Oxford, England) is a BritishAmerican neuroscientist known for his studies about brain structures and sexual orientation.

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A Regulamentação do Aborto e o Voto Religioso (II) update

Carlos Hotta do Brontossauros em Meu Jardim e Karl do Ecce Medicus postaram recentemente sobre a questão do aborto, certamente motivados pela campanha terrorista da direita religiosa Serrista sobre o assunto.

Os dois posts são bastante informativos e despertaram comentários interessantes que mostram que não existe consenso entre os leitores sobre essa questão, nem mesmo sobre a posição de que o abortamento é uma questão de saúde pública. Acho que isso reflete a realidade de que a questão não é “apenas” de saúde pública mas possuí forte conteúdo ideológico. Infelizmente, tanto Hotta como Karl repetiram apenas argumentos tradicionais sobre o tema e não trouxeram contribuições exatamente novas.

Continuo aqui alinhavando pensamentos soltos, não muito ponderados, sobre a possibilidade de uma terceira via, ou seja, do reconhecimento de que a tese do aborto livre (ou tese da escolha livre da gestante), que não é equivalente à tese da descriminalização, talvez precise de um update para o século XXI e que a identificação dessa tese como uma tese liberal ou de esquerda ou feminista (de qual dos feminismos atuais?) talvez esteja datada. Vejamos se consigo defender esse ponto (não que eu acredite firmemente nele mas parece um ótimo exercício de reflexão).

Bom, minha primeira observação é que nenhuma boa causa deveria se basear em falácias estatísticas (uma amiga minha observou que mesmo uma causa “má” também não deveria usar falácias…rs). E, como sou professor de Estatística, fico realmente chateado quando meus amigos, que defendem causas nobres, apelam para esse tipo de subterfúgio de perna curta. Uma causa nobre não precisa disso, ela é defensável por si mesma, com bons argumentos. Então, acho que nessa questão do aborto precisamos corrigir algumas estatísticas falsas.

Eu fiquei realmente intrigado com a informação que achei na revista Época de que seriam realizados 1 milhão de abortos por ano. Essa cifra é usada tanto pelo pessoal pró-choice (usando o argumento de que o que não tem remédio remediado está, ou seja, que o abortamento é um fato que não mudará com leis) quanto do pessoal do contra (que argumentam que 1 milhão é um genocídio, comparado com as 300 mulheres que morrem por ano de complicações do aborto).

Eu, que até acredito em 50 milhões de casos de gripe suína por ano (se não houver vacina), estranho esse número enorme. Vejamos: supondo um número de 50 milhões de mulheres férteis no Brasil (o que talvez seja um número superestimado), a conclusão é que nos últimos 25 anos houve 25 milhões de abortos, ou seja, aproximadamente metade das mulheres já abortou  intencionalmente neste período (sim, eu sei, esta conta é bem aproximada, mas dá a ordem de grandeza).

Além disso, sabe-se que o número de nascimentos anuais no Brasil é de 2,8 milhões e o número de óbitos é de 1 milhão. Logo, fica meio difícil de acreditar que uma em cada quatro gravidez é intencionalmente interrompida, e que o número de abortos é igual ao número de gente que morre no Brasil por ano. Alguma coisa está errada neste número.

Imagino que talvez esse número de 1 milhão se refira a abortos totais, espontâneos ou não. E, é claro, os abortos espontâneos seriam a maioria (isso explicaria o número citado de 500 mil abortos legais no Brasil e 500 mil ilegais, que ainda acho exagerado).

Com efeito, achei no site do Bule Voador resultados mais exatos de uma pesquisa da UnB que projetam um valor de 5,3 milhões de mulheres que teriam abortado pelo menos uma vez intencionalmente.  Sabe-se também que o número de curetagens em hospitais é de 220 mil por ano (incluindo os abortos espontêneos, suponho). Assim, sugiro que o número real de abortos intencionais esteja por volta de 100 mil por ano. Desses, apenas 36% são realizados por mulheres solteiras e 19% por mulheres que nunca tiveram filhos, segundo a pesquisa da UnB.

Esse número dez vezes menor pode ser uma boa notícia para o pessoal pró-choice, desde que deixem de usar a falácia naturalista (confundir o que é com o que deve ser). Afinal, com este número menor, a taxa de mortalidade em função de complicações de aborto se eleva para 300/100.000 = 3 casos por mil = 0,3% (ou seja, igual a gripe suína em grávidas), de modo que o argumento de que é um caso de saúde pública se fortalece. (Update: este número bate com o dado na Wikipedia – 330 mortes por 100 mil abortos induzidos em países que criminalizam o aborto, 260 mortes por 100 mil nascimentos vivos.)

Bom, deixando a questão das falácias estatísticas e lógicas (que são usadas por ambos os lados do debate), eu gostaria de colocar uma questão diretamente relacionada com os últimos avanços técnico-científicos. Trata-se da gestação planejada genomicamente, um tema polêmico que acho que está diretamente relacionado com a possibilidade de aborto livre.

A questão se refere aos exames genômicos em fetos, que são uma continuação natural dos exames pré-natais. A questão é o que fazer com um feto que possua defeitos genéticos ou mesmo apenas predisposições genéticas para certas doenças. Mais genericamente, o que se coloca é a possibilidade concreta de uma eugenia de mercado (ou seja, não patrocinada pelo estado mas pela livre escolha dos “pais consumidores”).

Ou seja, em um cenário de livre escolha mais exames genômicos baratos (o preço atual é de cerca de 500 dólares), como fica a situação de pais que gostariam de eliminar fetos que possuem “defeitos” (segundo seus próprios critérios)? O problema é que, entre esses critérios, pode aparecer motivos fúteis como eliminar fetos por causa de seu sexo (algo muito comum em culturas orientais), de deficiência mental, visual ou auditiva, sua predisposição  a doenças psiquiátricas, hipertensão, diabetes e obesidade, ou mesmo cor da pele e dos cabelos. Se confirmada a tese de uma componente genética na homossexualidade, será que poderíamos condenar uma mãe por abortar um(a) filho(a) potencialmente homossexual? Em que base? Por ser uma escolha preconceituosa? Mas a escolha não deveria ser  livre e de responsabilidade inteira da mãe?

É claro que, por enquanto, isto é apenas um experimento de pensamento, típico da filosofia ética e da ficção científica à lá Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley (sim, eu sou escritor de FC). Mas… dizem que os futurólogos racionais previram apenas os automóveis modernos e as autoestradas, mas apenas os escritores de FC previram os engarrafamentos…

PS: Que uma bandeira liberal ou feminista da década de 70 seja hoje considerada machista não seria novidade. Naquela época, o discurso liberal definia o casamento como uma instituição burguesa falida e que uma mulher feminista não deveria casar. Hoje, pelo contrário, o casamento civil, e inclusive o religioso, é uma bandeira dos homosexuais. O mundo dá voltas, não?

Update: Maria Guimarães do Ciência e Idéias faz também suas considerações, inclusive com um post sobre o Aborto Seletivo na Índia que não entendi direito se é um argumento contra ou a favor da escolha livre. Em todo caso, exemplifica, junto com o aborto seletivo na China (onde temos 130 homens para cada 100 mulheres!) minha idéia de que, em uma sociedade machista, a escolha do aborto não é livre mas influenciada pelas conveniências dos machos.

Me lembrei de duas outras bandeiras liberais da década de 70 que hoje já não é assumida pelas feministas: a pornografia e a prostituição. Encontro hoje feministas que acham que a pornografia de sexo explícito atual é machista e degrada as mulheres, e que a prostituição (tanto o turismo sexual quanto o comércio internacional de mulheres) são explorações machistas, mesmo que as mulheres envolvidas estejam nessas atividades consensualmente. Acho que o que se critica é em que medida essas escolhas são realmente livres? Acho que a pergunta filosófica mais profunda é: existe escolha livre ou nossas escolhas são determinadas pelas circunstâncias sociais a que estamos submetidos.

Acho que existe apenas um método concreto de escolha puramente livre: escolha obedecer ao um resultado aleatório, jogue uma moeda ou dado e aja de acordo!

A genética e a gênese do liberalismo

É senso comum de que se uma pessoa é liberal ou conservadora em termos de costumes sociais, isso se deve à sua educação e cultura e não sua biologia. Eu argumentei anteriormente que as mulheres tendem a ser mais conservadoras do que os homens por motivos de psicologia evolucionária. Uma amiga me disse que o gênero, o papel social de mulher ou homem, também é determinado socialmente, e não tem nada a ver com a biologia.

OK, HAAAN. Bom, este é o senso comum de pessoas supostamente progressistas infelizmente presas nas ideologias das décadas de 1930-1970 (Behaviorismo político de esquerda).  Mas continua sendo apenas senso comum… uma opinião baseada no pensamento desejante (“seria tão bom se as coisas fossem assim, portanto é assim!”) em vez de ser baseada em sólidas evidências.

Carlos Orsi comenta abaixo uma pesquisa recente com relação a um receptor de dopamina e a correlação de uma mutação com o liberalismo (eu desconfio que tenho essa mutação). Obviamente não temos determinismo genético, não existe gene do PSDBismo (espero!).  É apenas um fator, via uma relação indireta com o sistema dopaminérgico de recompensa, em que talvez a pessoa sinta mais prazer do que receio frente a novas experiências.

Para entender o conceito de multicausalidade, onde nenhum fator é determinante, um exemplo útil é o Perceptron, uma rede neural artificial simples. O Perceptron tem uma saida sigma = sinal(h), onde h é a média ponderada dos fatores S_i (i=1,…,N), ou seja, h = \Sum_i J_i S_i, onde S_i são pesos positivos ou negativos (eu ainda aprendo a incluir o Latex aqui no WordPress).

Trocando em miudos, seja a pergunta: “Devo assistir a Norah Jones no dia 14 em São Paulo” e seja o vetor de fatores S_i composto por S_1 = “Minha opinião”, S_2 = “Opinião da minha filha Juliana que quer ir comigo”, S_3 = “Grana sobrando”, S_4 = “Possibilidade de meus primos me hospedarem em Sampa”, S_5 = “Obrigações na USP”, S_6 = “Possibilidade de visitar o Nestor Caticha” etc., a decisão final do meu Perceptron dependerá dos pesos W_i que eu dou para cada um dos fatores. Se os pesos W_i forem mais ou menos equilibrados, nenhum fator será determinante, nenhum fator será nem necessário nem suficiente.

Agora, suponha que eu tenha o tal gene mutante do sistema dopaminérgico de modo que eu tenha grande recompensa em ouvir a Norah Jones (na verdade, acho que minha motivação pricipal é visitar o IFUSP, mas vá lá!). Então o tal gene me predispõe a essa experiência, mas não significa que ele é determinante. Influência genética sem determinismo genético. É simples assim!

Notem que na pesquisa comentada abaixo,  liberalismo aparece com a conjunção de dois fatores, o gene DRD4-7R e o fato de ter muitos amigos na juventude. Nenhum fator é suficiente.

Então, suponha que minha amiga liberal esteja errada, o que ela perde com isso? Bom, ela é a mesma amiga que acha que as pessoas não deveriam ter filhos em um mundo superpovoado (uma espécie de castração ideológica, digamos assim). Logo, se ela for portadora do gene correlacionado com liberalismo, isso significa que, na próxima geração, menos pessoas terão esse gene. Como ela é crente no determinismo cultural, ela diz que o fato de não ter filhos a libera para produzir filhas meméticas (em vez de genéticas), ou seja, por sua militância cultural ela produzirá pessoas mais liberais. Sim, desde que ela esteja certa em sua ideologia do determinismo cultural. Mas e se não estiver?

Eu desconfio que este é um dos fatores de sucesso dos conservadores americanos. Eles tanto fazem proselitismo memético forte (vulgo educação familiar infantil) bem como tem filhos genéticos herdeiros de seu genoma sem o DRD4-7R.

É por isso que os fundamentalistas religiosos ainda vão dominar o mundo, e o Tea Party dominar os EUA. O mandamento “Crescei e multiplicai-vos” é a essência da definição de fitness tanto na biologia quanto na memética. Quem viver (ou os descendentes de quem está vivendo) verá!

por Carlos Orsi28.outubro.2010 08:55:33

Seus genes têm algo a dizer sobre suas preferências políticas? Uma série de estudos realizada ao longo dos últimos cinco anos — a partir do clássico Are Political Orientations Genetically Transmited?, que analisou pares de gêmeos — sugere que sim.

Os autores do mais recente, publicado no Journal of Politics da Universidade de Cambridge, acreditam ter identificado, pela primeira vez, uma interação específica, entre gene e ambiente, que leva as pessoas a serem mais liberais.

(“Liberal”, aqui, é usado no contexto do espectro de opiniões sociais que vai de liberal a conservador — digamos, de totalmente a  favor de que casais gays possam se casar até mesmo na igreja a totalmente contra qualquer sugestão de reconhecimento de uniões civis homossexuais — e não no sentido mais estrito de liberalismo econômico). Read more [+]