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Brasileiros = japoneses?

Foto: Meu filho Raphael Osame Kinouchi, loirinho descendente de japoneses…

Estava lendo os comentários internacionais de uma TED Talk quando me deparei com isso:

Nick Bikkal. Engraçado que tudo o que está assinalado em vermelho me parece extremamente familiar…

Eu sou um estrangeiro vivendo há 20 anos no Japão. Tenho 2 crianças no sistema escolar. No jardim de infância eu estava muito bem impressionado com os professores daqui. Eles passavam horas preparando as aulas do dia seguinte. Os professores realmente se importavam com seus alunos. Mais tarde, eu me tornei um pouco menos impressionado. Minha filha foi um dos poucos estudantes que ajudaram a obter que uma professora fosse expulsa porque ela mandava mensagens de texto enquanto dava aulas.

Crianças nessa idade começam a ir para os Juku, cursinhos. Eles são BIG BUSINESS aqui. Suspiro! Nos níveis HS JHS as crianças continuam indo aos  Jukus, para que possam passar por um teste para que eles possam entrar em uma escola melhor na próxima nível

 O objetivo é chegar a uma das universidades renomadas. O objetivo das universidades é produzir um servidor público ou um empregado de uma empresa de nome como a Sony ou Panasonic, etc. Lá você acaba trabalhando muitas horas extras … nem sempre pagas.

O sistema é muito politizado. Não há moral, educação espiritual. (O “Senso comum”  japonês é algo que deve ser entendido aqui). Japoneses, como as pessoas têm visto especialmente nos esportes internacionais são muito nacionalistas. Eles não se preocupam tanto com os eventos. O que é importante é que se uma equipe representa seu país, eles devem ganhar. Suspiro.

Educação baseada em livro, regurgitando o que é dito pelo professor, memorização, etc, todos fazem parte da dieta de escolaridade. Conhecimento prático, pouco. O objetivo é o de ser um membro funcional da sociedade produtora de consumo. Depois de algumas gerações estudando Inglês, a língua internacional, relativamente poucos conseguiram domina-lo, e muito menos estão confiantes com o idioma. Ensinar é uma indústria de US $ 20 bilhões. É negócio. Eu quero vender meu livro e meu sistema de ensino a você.

É um país muito pacífico, que precisa de um novo paradigma. Eu gostaria que eles pudessem virar na direção do sistema finlandês. Tão popular aqui que o governo finlandês tem / tinha (?) Uma página de seu sistema de ensino em japonês. Qualquer que seja. É um trabalho em andamento, eu digo. 🙂

Ayn Rand: Razão, Egoísmo, Capitalismo

Half-length monochrome portrait photo of Ayn Rand, seated, holding a cigarette

I am not primarily an advocate of capitalism, but of egoism; and I am not primarily an advocate of egoism, but of reason. If one recognizes the supremacy of reason and applies it consistently, all the rest follows.

[127]

    Ayn Rand

Alguns amigos meus acreditam que se possa criar uma Ética a partir da Biologia (ou melhor, dos sentimentos empáticos de um mamífero hipersocial). Outros acham que a base seria a Razão, não as emoções.  Os Objetivistas, uma espécie de seita filosófica hiperracionalista (tenho quase certeza que sua guru Ayn Rand sofria de Transtorno de Personalidade Esquizóide), acham que a primeira opção é simplesmente dar um verniz biológico à ética judaico-cristã e seus derivados seculares (onde se prioriza a cooperação em vez da competição).

Muitos amigos ateus têm me reportado que a doutrina de Rand tem se espalhado em sua comunidade via Facebook (muita gente pedindo para que “Curtir” páginas de Rand.). Muitois não percebem que Rand, via seu discípulo Alan Greenspan, foi a grande influência ideológica que nos levou à nova Grande Depressão mundial e, possivelmente, a uma nova extrema-direita anarquista estilo Tea Party. Ou seja, no ideário de Rand, temos a sequência Razão -> Egoísmo -> Capitalismo Selvagem -> Caos Social. Ou talvez a egocentrismo de Rand esteja antes desta sequência…

This article is from TOS Vol. 3, No. 3. The full contents of the issue are listed here.

The Mystical Ethics of the New Atheists

Alan Germani

In the wake of the religiously motivated atrocities of 9/11, Sam Harris, Daniel Dennett, Richard Dawkins, and Christopher Hitchens have penned best-selling books in which they condemn religious belief as destructive to human life and as lacking any basis in reality.* On the premise that religious belief as such leads to atrocities, the “New Atheists,” as these four have come to be known, criticize religion as invalid, mind-thwarting, self-perpetuating, and deadly. As Sam Harris puts it: “Because each new generation of children is taught that religious propositions need not be justified in the way that others must, civilization is still besieged by the armies of the preposterous. We are, even now, killing ourselves over ancient literature. Who would have thought something so tragically absurd could be possible?”1 Read more [+]

Cliodinâmica e Psicohistória

Trilogia da Fundação – Isaac Asimov

NATURE | NEWS FEATURE

Human cycles: History as science

Advocates of ‘cliodynamics’ say that they can use scientific methods to illuminate the past. But historians are not so sure.

SOURCE: REF. 1

Sometimes, history really does seem to repeat itself. After the US Civil War, for example, a wave of urban violence fuelled by ethnic and class resentment swept across the country, peaking in about 1870. Internal strife spiked again in around 1920, when race riots, workers’ strikes and a surge of anti-Communist feeling led many people to think that revolution was imminent. And in around 1970, unrest crested once more, with violent student demonstrations, political assassinations, riots and terrorism (see ‘Cycles of violence’).

To Peter Turchin, who studies population dynamics at the University of Connecticut in Storrs, the appearance of three peaks of political instability at roughly 50-year intervals is not a coincidence. For the past 15 years, Turchin has been taking the mathematical techniques that once allowed him to track predator–prey cycles in forest ecosystems, and applying them to human history. He has analysed historical records on economic activity, demographic trends and outbursts of violence in the United States, and has come to the conclusion that a new wave of internal strife is already on its way1. The peak should occur in about 2020, he says, and will probably be at least as high as the one in around 1970. “I hope it won’t be as bad as 1870,” he adds. Read more [+]

Estado minimo e eficiência econômica e Blade Runner

Eu aposto que se fizessem modelos de econofísica com Estado Minimo (neoliberalismo) competindo com Estados Médio (capitalismo de estado) e Estado Maximo (comunismo estatal), e botasse os caras para competir, venceria o Estado Médio.

Por que, afinal de contas, o Caminho do Meio (chinês?) está vencendo…

Falta apenas democratizar a China. A menos, é claro, que a Democracia Politica não seja economicamente eficiente. Se o critério maior for a eficiência econômica para se determinar a estrutura econômico-social (uma tese do Marxismo Vulgar), em vez do bem estar e liberdade humana ou da Biosfera, então a Democracia será superada pelo Estado Chinês (que, pelo que entendo, funciona bem no longo prazo…).

A Primavera Árabe, o Verão Londrino e o 2012 Mundial?

the physics arXiv blog


The Cause Of Riots And The Price of Food

Posted: 14 Aug 2011 09:10 PM PDT

If we don’t reverse the current trend in food prices, we’ve got until August 2013 before social unrest sweeps the planet, say complexity theorists

What causes riots? That’s not a question you would expect to have a simple answer.

But today, Marco Lagi and buddies at the New England Complex Systems Institute in Cambridge, say they’ve found a single factor that seems to trigger riots around the world.

This single factor is the price of food. Lagi and co say that when it rises above a certain threshold, social unrest sweeps the planet.

The evidence comes from two sources. The first is data gathered by the United Nations that plots the price of food against time, the so-called food price index of the Food and Agriculture Organisation of the UN. The second is the date of riots around the world, whatever their cause. Both these sources are plotted on the same graph above.

This clearly seems to show that when the food price index rises above a certain threshold, the result is trouble around the world.

This isn’t rocket science. It stands to reason that people become desperate when food is unobtainable. It’s often said that any society is three square meals from anarchy.

But what’s interesting about this analysis is that Lagi and co say that high food prices don’t necessarily trigger riots themselves, they simply create the conditions in which social unrest can flourish. “These observations are consistent with a hypothesis that high global food prices are a precipitating condition for social unrest,” say Lagi and co.

In other words, high food prices lead to a kind of tipping point when almost anything can trigger a riot, like a lighted match in a dry forest.

On 13 December last year, the group wrote to the US government pointing out that global food prices were about to cross the threshold they had identified. Four days later, Mohamed Bouazizi set himself on fire in Tunisia in protest at government policies, an event that triggered a wave of social unrest that continues to spread throughout the middle east today.

That leads to an obvious thought. If high food prices condition the world for social unrest, then reducing the prices should stabilise the planet.

But what can be done to reverse the increases. Lagi and co say that two main factors have driven the increase in the food price index. The first is traders speculating on the price of food, a problem that has been exacerbated in recent years by the deregulation of the commodities markets and the removal of trading limits for buyers and sellers.

The second is the conversion of corn into ethanol, a practice directly encouraged by subsidies.

Those are both factors that the western world and the US in particular could change.

Today, the food price index remains above the threshold but the long term trend is still below. But it is rising. Lagi and co say that if the trend continues, the index is likely to cross the threshold in August 2013.

If their model has the predictive power they suggest, when that happens, the world will become a tinderbox waiting for a match.

Ref: arxiv.org/abs/1108.2455: The Food Crises and Political Instability in North Africa and the Middle East

Neonazista da Noruega diz que Brasil é país disfuncional por causa da mestiçagem

OK, OK, sim, eu também tenho minhas Teorias da Conspiração preferidas. Aqui vão elas:

Táticas Fascistas do PSDB/DEM   Como é divertido, se não fosse triste, ver este vídeo terrorista depois das eleições… Embora eu saiba que alguns amigos (tipo A Voz da Direita) acreditam (ou quase-acreditam) piamente em tudo isso…rs  

Mas tudo bem, enquanto as pessoas comuns não derem ouvidos à Voz da Ultra Direita (Mídia sem Máscara, Olavo de Carvalho, Instituto Plínio de Oliveira etc.), ataques tipo o ocorrido na desenvolvida (e Darwiniana!) Noruega não acontecerão em nosso subdesenvolvido e mestiço país.

Será que a aceitação (perfeitamente legítima) do Darwinismo na Noruega está na verdade escondendo um crescimento da Ideologia do Darwinismo Social (tipo Danuza Leão e os comentaristas de VEJA, que dizem na revista: pobre é preguiçoso, só quer ter filho para ganhar a bolsa família, isso deve ser genético pois pobre = preto etc.).

Hummm… quando pequena, minha filha Juliana chorou muito porque um vizinho (de cinco anos de idade, como ela) disse que ela ia se tornar pobre quando crescesse porque afinal de contas, todo preto é pobre. Sim, Juliana é mais escurinha que a Mariana mas ambas tem igualmente 1/8 de ascendência negra.

Entretanto, enquanto os leitores de VEJA não lerem os livros de Nietszche vendidos a R$ 4,00 reais em qualquer banca de jornal (quem financia essa propaganda subliminar, afinal?), a democracia brasileira ainda estará segura.

Mas confesso que mais e mais amigos expressam visões a là Danuza Leão, Revista VEJA etc, e confessam admirar muito Nietszche (o filósofo, de alguma forma, valida e justifica suas crenças aristocráticas – não a justa aristocracia cultural e científica mas sim a aristocracia do “novo rico”, do ignorante snobe – e onde o “chandala” a ser esmagado é a criança que pede esmola, o MST ou outro bicho papão).

Se você pensar bem, a ideologia de VEJA se baseia basicamente no medo: no medo que os pobres causam na classe média, no medo que a liberdade (do outro) causa ao questionar nossas certezas e convicções. Nem Liberdade, Igualdade ou Fraternidade: o valor supremo dessas pessoas é a Segurança, a Ordem, o Progresso.

Acho que tais pessoas (os facistinhas de Twitter, por exemplo), assim como o terrorista da Noruega, acreditam realmente em tudo isso, talvez  de forma ingênua e sincera. Acreditam que realmente era mesmo melhor nos tempos da Ditadura. Estou cansado de ouvir isso de gente que prefere a ordem e segurança à liberdade – e consequente desordem à beira do Caos – da sociedade democrática.

Sim, pior que o hipócrita que não acredita no que prega, é o fanático que realmente acredita na patrulha ideológica do Partido da Imprensa Golpista e os neo-Macartistas. Mal sabem eles o tipo de veneno ideológico, o tipo de memes ultradireitistas altamente contagiosos e colonizadores de cérebros jovens que estão ingerindo e propagando…

E depois que acontecer o pior, vão dizer: “Mas não era bem isso que eu queria, não era bem isso que eu defendia…” (ora, todos os alemães que saudavam “Heil Hitler” disseram isso depois de 1945 (OK, menos o Heidegger, que nunca fez mea culpa por seu nazismo).

Pois é, parece que o 1922 de Mussolini se repetirá em 2022, e acho que mais como tragédia do que farsa. Ou 0 1933 do Etno-Socialismo Romântico Pós-Moderno e Vegetariano (sim, muito curioso, o terrorista Noruegues tinha uma fazenda de alimentos orgânicos e provavelmente era adorador de Odin e Thor, por baixo do seu verniz cristão esotérico de Cavaleiro Templário – afinal, ele se vangloria de seu nome pré-cristão no Manifesto 2083: A European Declaration of Independence).

Que pena! Com paradas gay e tudo o mais, estamos vivendo na bagunçada e liberal República de Weimar do Século XXI, e não sabemos o quanto (ainda) somos felizes… Mas quem viver, verá…

Aqui: Comentário de Arnaldo Jabor sobre o ataque neonazi na Noruega

Da Wikipedia:

Nazismo e romantismo

De acordo com Bertrand Russell, o nazismo provém de uma tradição diferente quer do capitalismo liberal quer do comunismo. E por isso, para entender os valores do nazismo, é necessário explorar esta ligação, sem trivializar o movimento tal como ele era no seu auge, nos anos 1930, e o descartar como pouco mais que racismo.

Muitos historiadores dizem que o elemento anti-semítico, que também existe nos movimentos-irmãos do nazismo, os fascismos de Itália e Espanha (mesmo que em formas e medidas diferentes), foi adaptado por Hitler para obter popularidade para o seu movimento. O preconceito anti-semita era muito comum no mundo ocidental. Por isso, diz-se que a aceitação das massas dependia do anti-semitismo e da exaltação do orgulho alemão, ferido com a derrota na Primeira Guerra Mundial.

Mas há quem diga (por exemplo o filólogo Victor Klemperer) que as origens e os valores do nazismo provém da tradição irracionalista do movimento romântico do início do século XIX.

O historiador e escritor Joachim Fest vai além, mostrando que o anti-semitismo é fruto não de doutrinas atuais, mas sim de tempos remotos. De fato, traços anti-semíticos são observados desde o Império Romano.

Apropriações filosóficas de Nietzsche pelo Nazismo

Se bem que a raça fosse um fator crucial na visão do mundo dos nazistas, as raízes ideológicas do nazismo iam um pouco mais fundo. Os nazistas procuraram legitimação em obras anteriores, particularmente numa leitura, por muitos considerada discutível, da tradição romântica do século XIX, em especial do pensamento de Friedrich Nietzsche sobre o desenvolvimento do homem em direcção ao Übermensch.

No seu livro de 1939, Alemanha:Jekyll & HydeSebastian Haffner chama ao Nazismo de “uma primeira (autónoma e nova) forma de Niilismo radical, que nega simultaneamente todos os valores, sejam eles valores capitalistas e burgueses ou sejam eles proletários”.

Tive uma longa discussão com um amigo sobre se os grupos de extrema direita estão crescendo, alimentados pela crise econômica recente. A discussão pode ser vista no Facebook, aqui.

Espero que o ato de terrorismo deste membro de grupos neonazistas na Noruega contra os social-democratas seja o suficiente para a mudança de opinião de muita gente. 

Eu sei que gostaríamos que o mundo estivesse rumando para uma ordem democrática, liberal, iluminista, o Fim da História de Fukuyama etc.

Mas desejar não basta! E esconder a cabeça num buraco de areia, ou numa torre de marfim acadêmica, também não? Aprendi com meu ex-orientador a não ceder ao Wishfull Thinking. E as pessoas que não enxergam esses sinais históricos concretos muitas vezes apenas estão praticando o Wishfull Thinking.

Espero que as 76 vítimas não tenham morrido em vão, que os 19% de votos que a Ultra Direita recebeu nas últimas eleições na Noruega (eles estão na coalização que governa o país, hoje!) recue para patamares menores nas próximas eleições… Eu “desejo” e “espero”, mas não acredito que isso vá ocorrer sem ações políticas firmes de contenção.

Como “disse” (OK, “poderia ter dito”) o terrorista da Noruega: “Acredito que a ação era urgente e necessária para evitar uma Brasilianização do meu país, essa mestiçagem destrutiva e descontrolada. Sou um mártir em defesa do meu pais. Segundo meu filósofo favorito, Nietszche, a compaixão é o pior dos sentimentos, veiculada pelo Budismo e pelo Judeo-Cristianismo, essas religiões de chandalas e mulherzinhas…”

23/07/2011 – 08h38

Perfil: suspeito de ataques na Noruega tem opiniões de direita

DA BBC BRASIL

O suspeito dos ataques de sexta-feira, Anders Behring Breivik, de 32 anos de idade, tem opiniões políticas de direita, segundo a polícia.

O chefe de polícia Sveinung Sponheim disse que mensagens suas publicadas na internet “sugerem que ele tem opiniões políticas voltadas para a direita, anti-islâmicas”.

Reprodução Facebook
Foto do suposto atirador em sua página no Facebook
Reprodução da foto do suposto atirador de ataque na Noruega em sua página no Facebook

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O Bolsa Família dos EUA

WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer

November 4, 2010, 2:47 PM ET

In U.S., 14% Rely on Food Stamps

By Sara Murray, naquele jornal comunista, o Wall Street Journal

Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.

Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.

O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.

Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.

Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.

Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.

Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

Metáforas físico-políticas

Uma das revoluções recentes na psicologia cognitiva é o reconhecimento de que pensamos metaforicamente, ou seja, que as expressões metafóricas que usamos refletem a presença de profundas metáforas cognitivas, metáforas usadas para mapear um domínio abstrato, difícil de ser pensado e conceitualizado, em um domínio concreto, já conhecido e familiar.

Dependendo da sua posição no espectro autista, você terá maior ou menor facilidade e apreciação pelo pensamento metafórico. Se você não entende e desconfia de metáforas, se você prefere pensar literalmente (se você acha que a Bíblia deve ser lida literalmente, por exemplo), isso pode ser um sinal de que você é um pequeno autista (“Todo homem é um pequeno autista”, me disse Ricardo Mioto!). Se você acha que consegue se expressar Cartesianamente apenas com idéias claras e distintas, não metafóricas, é um experimento interessante tentar fazê-lo. Nem Descartes conseguiu, por que idéias não são objetos físicos (não possuem massa ou emitem luz, por exemplo), não são claras ou escuras, nem distintas ou nebulosas. No presente texto, eu marquei em negrito os termos de natureza metáforica.

O espectro luminoso vai do vermelho ao violeta. O espectro político vai da extrema-esquerda à extrema-direita. Dado que tivemos quatro candidatos a presidente à esquerda de Dilma (alguns deles invísiveis talvez por serem infravermelhos!), chega-se à conclusão que o PT já não é vermelho mas sim amarelo. Dai temos o partido Verde (mistura de amarelo com azul), os tucanos azulados e o DEM violeta (violento?). A campanha de correntes de internet contra Dilma foi ultra-viole(n)ta: invisível (anônima) mas perigosa. Algumas pessoas dizem que existe condição periódica de contorno nesse espectro, logo a metáfora não é perfeita: não temos ondas de rádio nem raios X ou gama no espectro político.

O perigo de uma metáfora cognitiva como esta é que, assim como ela nos permite pensar sobre coisas abstratas (a política), ao mesmo tempo limita o nosso pensamento quando levamos a metáfora demasiadamente a sério. Por exemplo, os Verdes sentem que não são Centro, que não existem apenas Direita e Esquerda mas sim outras dimensões, e que o Ambientalismo se situa numa dessas dimensões ortogonais ao espectro político tradicional, que está à frente (de seu tempo?).

Se isso for verdade, deveríamos ter ambientalistas de esquerda e ambientalistas de direita. E, efetivamente, os temos, como ficou claro no apoios verdes à Dilma e Serra. Ou seja, o espectro político tradicional é apenas a projeção das posições políticas das pessoas sobre um dado eixo principal. Existem outros eixos, importantes para a política atual: o eixo de religiosidade (do militante religioso ao militante ateu, passando pelo centrão dos religiosos de domingo e o pessoal a toa). Existe a dimensão conservadorismo-inovação e a dimensão autoridade-liberdade, enfatizada pelos anarquistas de esquerda (do cristão Tolstói ao ateu Bakunin) e de direita (liberais e libertarians). Existem o feminino (Ying) e o masculino (Yang) enquanto conjunto de valores e comportamentos (não confundir com feminismo e machismo: existem homens femininos e mulheres masculinas). Existem um monte de eixos, de direções principais, de dimensões. O espaço das posições políticas é multidimensional, tais posições são vetores num espaço multidimensional (que duvido ser Euclidiano ou mesmo Afim, mas vá lá, tudo isso é apenas uma metáfora mesmo).

Ou seja, não podemos escapar das metáforas cognitivas, mas podemos usar uma metáfora pobre, unidimensional, ou uma metáfora rica, multidimensional. Talvez existam infinitas dimensões para caracterizar um ser humano, mas dizer isso não é muito útil. Precisamos fazer uma análise de componentes principais (PCA). Isso, de certa forma, já foi feito. Trata-se das dimensões morais de Haidt e outros. Falarei delas em outro post.

As metáforas não apenas permitem, configuram e, ao mesmo tempo, limitam nosso pensamento. Elas nos influenciam de outra forma. Elas nos afetam metaforicamente. Remetem a outras metáforas que por sua vez remetem a outras metáforas, trazendo associações subliminares. Usando a metáfora da rede (WWW), podemos dizer que o nosso pensamento, a nossa cultura, é organizada como uma rede de metáforas interligadas.

Por exemplo, eu tenho uma teoria sobre porque a Esquerda tem tanta dificuldade em conquistar e manter o poder nos países com eleições pluripardidárias. Não, não é apenas uma questão de incompetência de gerenciamento econômico ou força político-econômica da direita. Tem um lado simbólico, metafórico, que afeta o nosso psiquismo mais profundo, que nos influencia na hora em que vamos votar. Os nomes Esquerda e Direita são fruto de um acidente histórico (a disposição física das cadeiras na Assembléia durante a Revolução Francesa), mas é um daqueles acidentes congelados e difíceis de mudar. Além disso, a esquerda é vermelha, a direita é azul. Cores e lados. Algo linguisticamente e psicolologicamente básico.

Idéias associadas com Esquerda na linguagem comum: canhoto, canhestro, sinistro, impuro (antes da invenção do papel higiênico, usava-se a mão esquerda para limpar, reservando-se a direita para comer). Nunca ofereça a mão esquerda para um muçulmano: é considerada fortemente impura. Mas… então é óbvio que esquerdistas ficam em desvantagem profunda no mundo islâmico (e no nosso também). Os maus ficam à esquerda de Cristo. O caminho da perdição, na parábola bíblica, é o da esquerda.

Direita = direito, reto. Uma pessoa direita, honesta, confiável. Uma mulher direita, que não trai. A mão direita é a mão boa. Destro, destreza. Ele é meu braço direito.

Vermelho = fogo, sangue, destruição, morte. Vermelho de raiva. Cartão vermelho. Sinal vermelho. Botão vermelho. Perigo.

Azul = céu, tranquilidade, paz. Céu azul, sem núvens, transparente, sem tempestades.  Céu de brigadeiro. Mar azul, mar calmo. Tudo azul!

O Inferno é vermelho, o Céu é azul. O demônio é vermelho, Nossa Senhora veste azul e branco. Etc. etc. etc… ad infinitum.

É óbvio que a Direita se aproveita dessa vantagem simbólica, linguística, psíquica, na propaganda política e na propaganda do medo. “O Brasil não é vermelho, é azul, verde e amarelo!” A esquerda inteligente está reconhecendo isso: nas novas bandeiras da Dilma predominam o azul e o branco. O vermelho sumiu!

Nossas metáforas são mais poderosas do que supomos. Os memes mais fortes são os memes metafóricos (a idéia de Meme é uma metáfora, o Gene Egoísta é uma metáfora). Se somos feitos de memes, se somos os veículos para a reprodução de memes, então as metáforas são nossos deuses: onipresentes em nosso psiquismo, elas nos dominam, habitam em nós e dirigem nossas vidas.

E os deuses, o que são?

Metáforas.

Econofísica do bolsa-família

Dado que o Serra promete um 13o para o bolsa-família, e todo PSDBista enfatiza que o bolsa-familia é uma agregação das políticas socio-assistencialistas de FHC, imagino que nenhum Serrista deveria ser contra o bolsa-família, concordam?

Do ponto de vista científico, uma série de trabalhos de econofísica mostram que um programa de renda mínimia é o melhor meio de mudar o expoente da lei de Pareto de distribuição de renda. Ver este trabalho e as referências que ele cita:

arXiv:1007.0461 (July 2010)

How simple regulations can greatly reduce inequality

J. R. Iglesias

Programa de Pós-Graduaccão em Economia and Instituto de F’isica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 91501-970 Porto Alegre, Brazil

Received. 03 July 2010 Last updated. 13 July 2010

Abstract. Many models of market dynamics make use of the idea of wealth exchanges among economic agents. A simple analogy compares the wealth in a society with the energy in a physical system, and the trade between agents to the energy exchange between molecules during collisions. However, while in physical systems the equipartition of energy is valid, in most exchange models for economic markets the system converges to a very unequal “condensed” state, where one or a few agents concentrate all the wealth of the society and the wide majority of agents shares zero or a very tiny fraction of the wealth. Here we present an exchange model where the goal is not only to avoid condensation but also to reduce the inequality; to carry out this objective the choice of interacting agents is not at random, but follows an extremal dynamics regulated by the wealth of the agent. The wealth of the agent with the minimum capital is changed at random and the difference between the ancient and the new wealth of this poorest agent is taken from other agents, so establishing a regulatory tool for wealth redistribution. We compare different redistribution processes and conclude that a drastic reduction of the inequality can be obtained with very simple regulations.

Categories. physics.soc-ph nlin.AO q-fin.TR

Subject. Physics and Society; Adaptation and Self-Organizing Systems; Trading and Market Microstructure

Comment. 7 pages, 7 figures

Dois pesos…

02 de outubro de 2010 | 0h 00

Leia a notícia

Comentários 395

Maria Rita Kehl – O Estado de S.Paulo

Este jornal teve uma atitude que considero digna: explicitou aos leitores que apoia o candidato Serra na presente eleição. Fica assim mais honesta a discussão que se faz em suas páginas. O debate eleitoral que nos conduzirá às urnas amanhã está acirrado. Eleitores se declaram exaustos e desiludidos com o vale-tudo que marcou a disputa pela Presidência da República. As campanhas, transformadas em espetáculo televisivo, não convencem mais ninguém. Apesar disso, alguma coisa importante está em jogo este ano. Parece até que temos luta de classes no Brasil: esta que muitos acreditam ter sido soterrada pelos últimos tijolos do Muro de Berlim. Na TV a briga é maquiada, mas na internet o jogo é duro.

Se o povão das chamadas classes D e E – os que vivem nos grotões perdidos do interior do Brasil – tivesse acesso à internet, talvez se revoltasse contra as inúmeras correntes de mensagens que desqualificam seus votos. O argumento já é familiar ao leitor: os votos dos pobres a favor da continuidade das políticas sociais implantadas durante oito anos de governo Lula não valem tanto quanto os nossos. Não são expressão consciente de vontade política. Teriam sido comprados ao preço do que parte da oposição chama de bolsa-esmola.

Uma dessas correntes chegou à minha caixa postal vinda de diversos destinatários. Reproduzia a denúncia feita por “uma prima” do autor, residente em Fortaleza. A denunciante, indignada com a indolência dos trabalhadores não qualificados de sua cidade, queixava-se de que ninguém mais queria ocupar a vaga de porteiro do prédio onde mora. Os candidatos naturais ao emprego preferiam viver na moleza, com o dinheiro da Bolsa-Família. Ora, essa. A que ponto chegamos. Não se fazem mais pés de chinelo como antigamente. Onde foram parar os verdadeiros humildes de quem o patronato cordial tanto gostava, capazes de trabalhar bem mais que as oito horas regulamentares por uma miséria? Sim, porque é curioso que ninguém tenha questionado o valor do salário oferecido pelo condomínio da capital cearense. A troca do emprego pela Bolsa-Família só seria vantajosa para os supostos espertalhões, preguiçosos e aproveitadores se o salário oferecido fosse inconstitucional: mais baixo do que metade do mínimo. R$ 200 é o valor máximo a que chega a soma de todos os benefícios do governo para quem tem mais de três filhos, com a condição de mantê-los na escola.

Outra denúncia indignada que corre pela internet é a de que na cidade do interior do Piauí onde vivem os parentes da empregada de algum paulistano, todos os moradores vivem do dinheiro dos programas do governo. Se for verdade, é estarrecedor imaginar do que viviam antes disso. Passava-se fome, na certa, como no assustador Garapa, filme de José Padilha. Passava-se fome todos os dias. Continuam pobres as famílias abaixo da classe C que hoje recebem a bolsa, somada ao dinheirinho de alguma aposentadoria. Só que agora comem. Alguns já conseguem até produzir e vender para outros que também começaram a comprar o que comer. O economista Paul Singer informa que, nas cidades pequenas, essa pouca entrada de dinheiro tem um efeito surpreendente sobre a economia local. A Bolsa-Família, acreditem se quiserem, proporciona as condições de consumo capazes de gerar empregos. O voto da turma da “esmolinha” é político e revela consciência de classe recém-adquirida.

O Brasil mudou nesse ponto. Mas ao contrário do que pensam os indignados da internet, mudou para melhor. Se até pouco tempo alguns empregadores costumavam contratar, por menos de um salário mínimo, pessoas sem alternativa de trabalho e sem consciência de seus direitos, hoje não é tão fácil encontrar quem aceite trabalhar nessas condições. Vale mais tentar a vida a partir da Bolsa-Família, que apesar de modesta, reduziu de 12% para 4,8% a faixa de população em estado de pobreza extrema. Será que o leitor paulistano tem ideia de quanto é preciso ser pobre, para sair dessa faixa por uma diferença de R$ 200? Quando o Estado começa a garantir alguns direitos mínimos à população, esta se politiza e passa a exigir que eles sejam cumpridos. Um amigo chamou esse efeito de “acumulação primitiva de democracia”.

Mas parece que o voto dessa gente ainda desperta o argumento de que os brasileiros, como na inesquecível observação de Pelé, não estão preparados para votar. Nem todos, é claro. Depois do segundo turno de 2006, o sociólogo Hélio Jaguaribe escreveu que os 60% de brasileiros que votaram em Lula teriam levado em conta apenas seus próprios interesses, enquanto os outros 40% de supostos eleitores instruídos pensavam nos interesses do País. Jaguaribe só não explicou como foi possível que o Brasil, dirigido pela elite instruída que se preocupava com os interesses de todos, tenha chegado ao terceiro milênio contando com 60% de sua população tão inculta a ponto de seu voto ser desqualificado como pouco republicano.

Agora que os mais pobres conseguiram levantar a cabeça acima da linha da mendicância e da dependência das relações de favor que sempre caracterizaram as políticas locais pelo interior do País, dizem que votar em causa própria não vale. Quando, pela primeira vez, os sem-cidadania conquistaram direitos mínimos que desejam preservar pela via democrática, parte dos cidadãos que se consideram classe A vem a público desqualificar a seriedade de seus votos.