Home // Posts tagged "Física" (Page 4)

Por que você gosta do The Big Bang Theory?

Foi a pergunta que Ricardo Mioto da Folha me fez (acho que ele está fazendo uma reportagem sobre o tema). Dado que não posso responder pelos meus colegas físicos, abro o espaço (nos comentários) para suas respostas.

Engraçado que, pelo que percebi, os biólogos não gostam de TBBT. Por que será?

Minha resposta a Mioto:

Oi Mioto,

Tinha escrito uma resposta enorme, mas o Google Chrome travou!

Bom, acho que o pessoal de ciências gosta do TBBT por causa justamente da caricatura (caricaturas sao melhores do que fotos realistas para ressaltar as características de uma pessoa). Dado que o Gleiser não é um geek típico (definição de geek = nerd com namorada), acho que ele não se identifica com a série. Fazer o que?

Outro elemento interessante é que, dado que a série tem a assessoria de um físico profissional, as piadas possuem vários níveis de leitura, desde o nerdsexualismo (como diria PC Siqueira) explícito que todo mundo entende até sutilizas sobre brigas sobre a ordem dos autores em papers, ou a discussão da Leslie com o Sheldon sobre qual teoria é melhor, se Superstrings ou Quantum Loop Gravitiy, que só quem é de dento ou lê a Scientific American poderia entender, suponho.

Lembro também que Leslie não aceitou o argumento de Leonard de que as duas teorias tem seu mérito. Ela respondeu: “sim, mas criaremos nossas crianças acreditando em qual teoria?”, uma piada muito inteligente sobre o papel da fé na física de fronteira…

Minhas filhas adoram o Sheldon, embora me digam que não entendem nada do que ele fala. Riem de como ele fala… Ou seja, tem vários níveis de leitura, é diferente, neste aspecto, do Two and Half Man (do mesmo produtor).

Outro aspecto é que os nerds ali são arrogantes o suficiente para estarem por cima, ao contrário de Friends, por exemplo, onde o cientista (o paleontólogo Ross) era um coitado (embora tenha ficado com a Jennifer Aniston!)

Vamos fazer o seguinte: eu faço um post no SEMCIENCIA perguntando para meus amigos físicos do por que eles gostam da TBBT, envio pra eles, eles respondem e se você quiser, você coleta os dados na janela de comentários.

Sobre outras séries, sou fã da Galactica (acho uma ótima discussão do sistema democrático, do terrorismo, da guerra do Iraque etc – você viu o terceiro episódio da terceira temporada onde os mocinhos são os homens bomba???)

Aprecio O Mentalista, House, CSI e outros dessa leva de séries onde “Smart is the new sexy”. É um refresco, depois de décadas de Charming, Buff e outras séries New Age.

Mas, Galactica realmente precisaria de uma análise mais aprofundada (ela ganhou o EMMY de melhor série dramática, acho). E tem agora o prequel CAPRICA, que ainda não assiti.

Se precisar de mais opiniões, estou por aqui, por que você sabe que sou cheio das opiniões…. ahahahah

Abraços, e diga ao Reinaldo que não esqueci, pago o livro amanhã!

Osame 

 PS: Esqueci de dizer, acho que os físicos gostam também porque (quase) todos estamos procurando nossa Penny, não?

Apocalipse em 2012 ou 6^12?

  

Posted: 27 Sep 2010 09:10 PM PDT

There is a 50 per cent chance that time will end within the next 3.7 billion years, according to a new model of the universe

Look out into space and the signs are plain to see. The universe began in a Big Bang event some 13 billion years ago and has been expanding ever since. And the best evidence from the distance reaches of the cosmos is that this expansion is accelerating.

That has an important but unavoidable consequence: it means the universe will expand forever. And a universe that expands forever is infinite and eternal.

Today, a group of physicists rebel against this idea. They say an infinitely expanding universe cannot be so because the laws of physics do not work in an infinite cosmos. For these laws to make any sense, the universe must end, say Raphael Bousso at the University of California, Berkeley and few pals. And they have calculated when that is most likely to happen.

Their argument is deceptively simple and surprisingly powerful. Here’s how it goes. If the universe lasts forever, then any event that can happen, will happen, no matter how unlikely. In fact, this event will happen an infinite number of times.

This leads to a problem. When there are an infinite number of instances of every possible observation, it becomes impossible to determine the probabilities of any of these events occurring. And when that happens, the laws of physics simply don’t apply. They just break down. “This is known as the “measure problem” of eternal inflation,” say Bousso and buddies.

In effect, these guys are saying that the laws of physics abhor an eternal universe.

The only way out of this conundrum is to hypothesise some kind of catastrophe that brings an end to the universe. Then all the probabilities make sense again and the laws of physics regain their power.

When might his be? Bousso and co have crunched the numbers. “Time is unlikely to end in our lifetime, but there is a 50% chance that time will end within the next 3.7 billion years,” they say.

That’s not so long! It means that the end of the time is likely to happen within the lifetime of the Earth and the Sun.

But Buosso and co have some comforting news too. They don’t know what kind of catastrophe will cause the end of time but they do say that we won’t see it coming. They point out that if we were to observe the end of time in any other part of the universe we would have to be causally ahead of it, which is unlikely.

In other words we’ll run headlong into this catastrophe before we can observe its effects on anything else.

The imminent end of time is a little unsettling but the argument is by no means water tight. Among other things it depends crucially on an important assumption about the laws of physics: that we ought to be able to understand why they work, not just observe that they do work. And that’s a philosophical point of view rather than a physical argument.

So Buosso and buddies raise some interesting questions but nothing to lose any sleep over. At least, not for another 3.7 billion years.

Ref: arxiv.org/abs/1009.4698: Eternal Inflation Predicts That Time Will End

 

Horóscopos, Homeopatia e Educação: uma refutação `a hipótese do deficit de educação científica

Durante o mestrado no Instituto de Física de São Carlos (USP), nos idos de 1988, eu fiz uma estatística entre colegas mestrandos e doutorandos em física sobre temas de Pseudociência, de Atlantida e Astrologia até Chupacabras e Homeopatia (a pesquisa tinha uns 30 itens). Mais da metade da amostra acreditava nessas coisas e uma pesquisa auxiliar demonstrou que os estudantes de ensino médio eram (muito!) mais céticos que os universitários.

Acho que essa minha pesquisa-piloto refuta a tese de que a falta de ciências no ensino médio é a origem das crenças paracientíficas e pseudocientíficas (afinal, a amostra era constituida por 25 alunos de pós-graduação de física da USP).

Minha tese a partir dessa pesquisa é que quanto mais culta uma pessoa, mais ela tem condições de laborar uma defesa de suas crenças pseudocientíficas (apelando, por exemplo, a Jung, Campbell, etc.) Afinal, analfabetos não conseguem entender o filme “Quem somos Nós”, ou o livro “O Ponto de Mutação”, mas apenas universitários.

Quem quiser replicar esse estudo (e defender uma tese), entre em contato comigo, acho que consigo bolsa do CNPq no meu Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria.

21/09/2010 – 08h19
Universitários acreditam que ET fez pirâmides, analfabetismo científico nos EUA preocupa

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Após ouvir cerca de 10 mil alunos de graduação nos EUA, pesquisadores descobriram que só 35% discordavam da ideia de que ETs teriam visitado civilizações antigas da Terra e ajudado a construir monumentos como as pirâmides do Egito.

Sempre existirão horóscopos, dizem cientistas

Poucos se manifestaram contra outras teses sem base, como o suposto status de ciência da astrologia (não confundir com a astronomia) e a ideia de que existem números da sorte -22% e 40%, respectivamente.

Além disso, mais de 40% disseram que antibióticos matam tanto vírus quanto bactérias –na verdade, só as bactérias são vulneráveis a esse tipo de medicamento.

Editoria de Arte/Folhapress

Para o autor do estudo americano, o astrônomo Chris Impey, os números refletem um problema do país: os alunos de ensino médio não precisam fazer cursos de ciência. A maioria estuda biologia, mas menos de metade tem aulas de química e só um quarto estuda física.

“O ensino médio americano é forte em história, conhecimentos gerais, esportes, computação, mas bastante fraco mesmo em ciências”, diz Renato Sabbatini, biomédico e educador da Unicamp.

“Mas as perguntas que fizeram são hiperelementares, um adolescente minimamente informado que assista televisão saberia responder.”

Preocupante, diz Impey, é que o pior desempenho foi justamente o dos alunos de cursos na área da educação.

Não há números parecidos que indiquem qual a realidade brasileira. Embora aulas de ciência sejam obrigatórias no ensino médio por aqui, a baixa qualidade do ensino não garante muita coisa.

Conspirando contra a compreensão científica no país, diz Sabbatini, há o fato de que cerca de 70% dos brasileiros só conseguem ler textos curtos e tirar informações esparsas deles. “Têm letramento insuficiente. É impossível serem bem informados sobre a ciência moderna.”

Tal analfabetismo, diz Impey, não deixa de ser um problema político: “Esses conhecimentos são importantes para avaliar posições políticas sobre mudança climática ou células-tronco.”

PS: Parece que pelo gráfico também fica refutada minha tese de que as mulheres seriam mais crédulas que os homens, por serem menos autistas…

Pode a a massa gravitacional de anti-partículas ser o negativo de sua massa inercial?

Bom, se isso for verdade, o princípio da equivalência cai por terra, junto com a Relatividade Geral… Ou não?

If gravity repels antimatter, then the generation of neutrino telescopes now being built could spot the tell tale sign.

When it comes to antimatter, physicists have an embarrassing problem. Ask them whether a lump of the stuff would fall to Earth or be repelled by it, they’ll shuffle their feet and stare at their shoes.

The truth is that nobody knows; and not for lack of trying. Various attempts to drop antimatter and see where it goes have all been inconclusive.

But the mystery could now be solved by a latecomer to the field of antimatter research. Today, Dragan Hajdukovic, a physicist at CERN near Geneva, says that the current generation observatories designed to see neutrinos could answer this question.

And he takes an unconventional view of things. He points out that particle-antiparticle pairs are constantly leaping in and out of existence in any field sufficiently strong to allow this phenomenon.

Normally, gravity is too weak to support this process. However, he says that all changes inside a black hole where field strengths reach extraordinary values. Here, Hajdukovic calculates that the field ought to be strong enough to generate a regular stream of neutrino-antineutrino pairs.

If gravity attracts both matter and antimatter, then we’ll be none the wiser since matter can never escape from a black hole and we’d never see either of these particles.

But if gravity repels antimatter, the antineutrinos would be hurled out of the black hole with great energy. “While neutrinos must stay confined inside the horizon, the antineutrinos should be violently ejected,” says Hajdukovic,

That would make black holes powerful antineutrino sources. Hajdukovic calculates that the supermassive black holes at the centre of the Milky Way and Andromeda galaxies should be bright enough to be seen by the generation of the neutrino telescopes currently being built.

The biggest and most sensitive of these is IceCube, a detector currently being assembled in the ice beneath the South Pole. It should be complete next year.

Hajdukovic gives one caveat, however. He says that the discovery of antineutrinos streaming from black holes would not automatically settle the question of which way antimatter falls. The reason is that another previously unknown force may have generated the neutrino antineutrino pairs inside the balck hole. That’ll require further investigation.

Either way, that’d be a mighty interesting discovery. Let’s hope the guys at IceCube have their hi-tech lens cloths at the the ready.

Ref: arxiv.org/abs/0710.4316: Can The New Neutrino Telescopes Reveal The Gravitational Properties Of Antimatter?