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Complexo de Cassandra II

Em 04 de janeiro de 1999 eu escrevi o texto abaixo no livro “O Beijo de Juliana”, disponível aqui.

Bom, faz tempo que eu chamo atenção para esse tema de que a cultura mundial pode evoluir para um estado bastante refratário à perspectiva científica. Ou melhor, um mundo onde a ciência será usada apenas como suporte da tecnologia, mas não como fonte de uma visão de mundo (isto é proposto no Contracultura de Theodore Roszack). De certa forma, esse mundo já existe (especialmente na França, dizem…). O elemento novo talvez seja o de que a Universidade (que considero mais um gueto do que um bastião do racionalismo) talvez venha a se tornar um dia no bastião do Irracionalismo (pós-moderno)… Atualmente, só o Papa, com sua última encíclica, ainda acredita nos poderes da Razão…
Acho que está se formando um consenso entre diversos analistas de que o século XXI será marcado não apenas por guerras religiosas e culturais, mas principalmente pela guerra de todas as religiões contra a Ciência… Encaro tudo isso numa perspectiva bastante impessoal, de competição e acomodação de memes, todos lutando por espaço num mundo com um número finito de cérebros. A Ciência é muito incômoda, fica querendo usar inseticida nos memes dos outros. Mas agora vai ter que passar para a defensiva, pelo menos em termos políticos. Eu preferia a acomodação e cooperação, mas acho que vai ser guerra mesmo. Essa lógica Darwiniana cultural escapa aos nossos desejos, pelo menos por enquanto…
Mas agora ando mais tranqüilo com relação a isso. Primeiro, porque não vejo muito que se possa fazer, ou o que fazer sem que se cometa injustiças (como as de Bunge em relação a Bayes). Segundo, remar contra a maré é uma maneira besta de se desperdiçar a vida. É preciso usar estratégias mais inteligentes, estratégias que ainda não sei quais são. Além disso, desconfio que estamos numa situação em que todos os lados têm um pouco de razão.
Em todo caso, é curioso observar a passagem do tempo, as noticias dos jornais, e pensar se esses pequenos fatos que estamos observando têm um significado mais permanente, sinais de grandes tendências culturais, ou se são apenas uma simples flutuação de espuma que desaparecerá em breve no rio da história. Por exemplo, ontem deu no Fantástico uma reportagem sobre a grande campanha que alguns evangélicos estão promovendo pelo direito dos pais de retirar seus filhos das escolas públicas, transferindo-os para escolas confessionais ou para o aprendizado em casa. O argumento desses pregadores para os pais cristãos é de que eles não têm o direito de arriscar a alma de seus filhos colocando-os em contato com o ambiente secularista das escolas. E isso acontece mesmo com todo o “esforço” que as escolas públicas americanas tem feito em “adequar” seu ensino às “necessidades da comunidade”, reintroduzindo o ensino de religião, procurando não ofender as diversas opiniões religiosas e culturais envolvidas etc. etc…
De algum modo isso se parece com a quebra de algum principio bastante fundamental (originário do Iluminismo) sobre educação laica para todas as crianças. Como o Iluminismo é o grande vilão da história atualmente, a contestação desse principio é vista como um grande ato libertário…
Bom, mas talvez isso seja apenas uma espuma que se dissipe daqui a alguns anos. Ou então uma das pequenas nuvens negras (existem outras) que anunciam a tempestade. Quem pode dizer? Se tentarmos, talvez não façamos um trabalho muito melhor que os astrólogos durante a passagem do ano…
Passados 10 anos, a espuma não se dissipou, mas se tornou parte das culture wars americanas, que tanto alimentam os blogs, inclusive os de ciência. Na época, minha preocupação com essas coisas era vista com ceticismo por meus colegas pois afinal, segundo eles, “a pseudociência é algo marginal e sem importância e basta darmos uma educação melhor para o povo que o resto se resolve…” 

Esqueceram de falar isso para o pessoal que assiste Quem Somos Nós 2?

Foto: Minha filha Juliana, que me deu o beijo do título do livro.

A Nature é alarmista?

Editorial da Nature desta semana.

Nature 459, 9 (7 May 2009) | doi:10.1038/459009a; Published online 6 May 2009

Between a virus and a hard place

Complacency, not overreaction, is the greatest danger posed by the flu pandemic. That’s a message scientists would do well to help get across.

Damned if you do, damned if you don’t. The emergence of a new, swine-flu-related H1N1 strain of influenza in people in North America, with sporadic cases elsewhere in the world, has left the US Centers for Disease Control and Prevention (CDC) in Atlanta, Georgia, and the World Health Organization (WHO) in Geneva in an unenviable position.

For more than a week now, these two agencies have been holding daily media briefings to keep the world informed about the rapidly unfolding story. There is ample reason for concern: a new flu virus has emerged to which humans have no immunity, and it is spreading from person to person. That has happened only three times in the past century. The pandemics of 1957 and 1968 were mild in most people but still killed many, and that of 1918 — which also seemed mild in its early phases — killed at least 70 million people worldwide. As Nature went to press, the WHO had already upped its pandemic threat level from 3 to 5, and a final step to its highest level of 6 — a global pandemic — seemed only a matter of time.

Yet at this early stage, the consequences of the pandemic are so uncertain that communicating the risks is a delicate matter. Influenza viruses evolve rapidly, making it extremely difficult to predict what this strain might look like a few months from now. If the agencies alert people and the pandemic fizzles out, they will be accused of hyping the threat and causing unnecessary disruption and angst. Indeed, just such a media backlash is already beginning, because most cases so far have been mild. But if the agencies downplay the threat and an unprepared world is hit by a catastrophe on the scale of 1918, the recriminations will come as fast as you can say ‘Hurricane Katrina’.

To their credit, the WHO and the CDC have avoided the kind of falsely reassuring officialese that has too often accompanied past crises. As Peter Sandman, a risk-communication consultant based in Princeton, New Jersey, aptly puts it: “Anyone who’s paying attention gets it that we just don’t know if this thing is going to fizzle, hang in abeyance for months, disappear and then reappear, spread but stay mild, replicate or exceed the 1918 catastrophe, or what. The reiteration of uncertainty and the insistence on what that means — e.g., advice may change; local strategies may differ; inconsistencies may be common — has been almost unprecedentedly good.”

Also encouraging is that many governments now have at least some kind of pandemic plan in place, thanks to the scare over the H5N1 avian flu virus earlier this decade. Five years ago very few of them did. But many of those plans contain an important element that has been conspicuously absent in the current communication by governments and public-health authorities: during a severe pandemic, there is only so much they can do. Much of the response will depend on local communities taking action for themselves.

Scientists can help, by serving as credible voices to inform their communities of the risks and uncertainties, and by pointing people to the pandemic-planning resources on the CDC and WHO websites, the PandemicFlu.gov site, and many others. For the moment, the risk is not hyping the pandemic threat, but underplaying it. We know a tsunami is coming. No one can say whether it will be just a large wave, or a monstrous one, but it is time to start thinking about at least being ready to move to higher ground.

Eu não sei se a Nature é alarmista (em vermelho), mas o SEMCIÊNCIA tem agido de acordo com as recomendações deste editorial (em azul). Se você quer conhecer o plano de contenção do Ministério da Saúde, ele está aqui.

Porcos, Cisnes e pseudociência

Este post pertence à Roda de Ciência, tema de abril. Deixe seus comentários lá, por favor.

TEORIA DO CISNE NEGRO

Antes de a Austrália ser descoberta, todos os cisnes do mundo eram brancos. A Austrália, onde existe o cisne negro (´cygnues atratus´), mostrou a possibilidade de uma exceção escondida de nós, da qual não tínhamos a menor idéia.

2. O meu cisne negro não é um pássaro, mas um evento com três características: 1ª) altamente inesperado; 2ª) tem grande impacto; e 3ª) depois de acontecer, procuramos dar uma explicação para fazê-lo parecer o menos aleatório e o mais previsível.

3. O cisne negro explica quase tudo no mundo, como a Primeira Grande Guerra. Era imprevisível, mas, depois de sua ocorrência, as suas causas pareceram óbvias para as pessoas. O mesmo aconteceu com a Segunda Grande Guerra. Esses fatos provam a incapacidade de a humanidade prever grandes eventos.

4. Mais recentemente, a internet é um cisne negro. Surgida como ferramenta de comunicação militar, ela transformou o mundo de maneira muito rápida. Ninguém imaginava essa possibilidade.

5. As descobertas causadoras de forte impacto na humanidade foram acidentes de percurso, ou seja, os cientistas estavam procurando uma outra coisa, como no caso do ´laser´, criado para ser um tipo de radar e não para ser usado em cirurgia nos olhos.

6. Ninguém poderá saber quando um cisne negro irá surgir, mas o fundamental é a pessoa não levar tão a sério o seu planejamento de vida. As coisas podem mudar quando a pessoa menos espera. O ´stress test´, um dos modelos de gerenciamento de risco, avalia o impacto já ocorrido e não o impacto a ocorrer. As variáveis utilizadas são tiradas do passado.

7. O grau de aleatoriedade depende do observador. A aleatoriedade é a compreensão ou a informação incompleta. Eventos como o 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, não são aleatórios. Na verdade, terroristas planejaram e tinham conhecimento do 11 de Setembro.

8. A previsão de eventos sócio-econômicos é muito difícil. O histórico das previsões é lixo. O ´risk management´ (gestão de risco) é lixo. A tentativa de determinar causa e efeito dos fatos é continuamente obstruída por fenômenos imprevisíveis. As pessoas do mundo das finanças têm a ilusão de poder prever os fatos, porém elas não conseguem justificar suas previsões.

9. A indicação de ações para compra é postura de charlatões. Não são charlatões aqueles a recomendar o que não fazer no mercado, ao invés de dizer o que fazer. As pessoas podem fazer muitas coisas se souberem o que não fazer. Se as pessoas evitarem as técnicas mirabolantes, não vão depender das previsões do mercado.

10. As pessoas não devem depender dos ´measures of risk´, indicadores destinados a medir o risco. O importante é garantir ´portfólio´ estruturado de maneira a não ter ´downside risk´ (potencial de perdas) ou ´upside exposure´ (potencial de ganho), porquanto assim as pessoas poderão ganhar muito dinheiro se encontrarem um cisne negro.

11. As pessoas não devem sair à caça do cisne negro, mas, uma vez apareça, devem estar com sua exposição maximizada para ele. As pessoas devem acreditar na possibilidade de o mais inusitado acontecer. Tanto do lado positivo quanto do lado negativo.

12. O cisne negro é o risco dos grandes eventos, positivos ou negativos. Algumas coisas podem ser voláteis, mas não são um cisne negro necessariamente.

Entrevista com Nassim Nicholas Taleb, americano, autor de ´O cisne negro: o impacto do altamente improvável´ (´Black swan: the impact of the highly improbable´), há cinco semanas na lista dos livros mais vendidos do jornal ´The New York Times´ (Valor, São Paulo, 04 jun. 2007, p. F14).

Uma das coisas boas que os físicos estatísticos fizeram, em termos culturais, foi chamar a atenção das pessoas para os eventos extremais, ou seja, os eventos de uma cauda de distribuição estatística. Se a cauda cai exponencialmente (como é o caso da distribuição normal), então os eventos extremais são muito raros e podemos desprezá-los em uma análise de risco. Mas se a cauda cai na forma de uma lei de potência então os eventos extremais não podem ser desprezados, tem que ser levados em conta.
É claro que os estatístico matemáticos sabiam disso, mas quem popularizou a idéia (entre os cientistas) foram os físicos porque eles sabem vender o peixe, digamos assim. Mas a divulgação científica para a população em geral não foi tão bem sucedida. OK, apareceram ótimos livros em inglês, como o Ubiquity do Mark Buchanan e o Critical Mass do Philip Ball, mas estes livros não foram traduzidos para o português (eu realmente não entendo por que).
Quando você entra numa livraria, depois dos livros de auto-ajuda e new age, uma das áreas mais populares são os livros pop de administração e marketing. Alguém já analisou essa literatura em termos de contribuição para a divulgação científica? OK, eu sei que o leitor de O Gerente Quântico não vai ter uma idéia adequada de Física Quântica, mas ele será menos ignorante sobre quântica do que um gerente tipo Homer Simpson que não leu o livro. Ou não?
Se você ponderar bem, mesmo os livros de pseudociência ajudam a divulgar a ciência. Conversando com meus colegas físicos, eu vejo que toda uma geração foi despertada (eu inclusive) para a vocação científica lendo revista Planeta na década de 70 (na época em que era editada por Ignácio de Loyola Brandão, claro!)  e os livros O Despertar dos Mágicos e Eram os Deuses Astronautas!
Como disse Reinaldo Lopes em seu nobo blog Chapéu, Chicote e Carbono 14, se você pensar bem os filmes de Indiana Jones são todos pseudocientíficos (arca perdida,  santo graal, ETs e crânios de cristal etc.) e sua apresentação da pesquisa arqueológica é totalmente distorcida, mas muitos e muitos meninos e meninas se tornaram (ou sonharam ser) arqueólogos devido a esses filmes. Será que alguém já percebeu que o despertar de vocações científica é não-linear, que muitas vezes um museu de ciência inteiro não adianta mas um simples conto de Isaac Asimov pode ser decisivo?

Serra fala sobre o gripe suína


“Ela é transmitida dos porquinhos para as pessoas só quando eles espirram. Portanto, a providência elementar é não ficar perto de porquinho nenhum” (José Serra, sobre a gripe suína). 

Este post pertence à Roda de Ciência. Por favor, deixe seus comentários lá.

Eu estou tentando entender a atitude de meus colegas blogueiros científicos sobre a questão da gripe suína e estou meio atônito. Afora alguns poucos posts informativos (ver aqui , aqui e aqui), boa parte da reação da blogosfera científica é uma mistura de ceticismo que apela para teorias conspiratórias e ridicularização do hype da mídia. Em contraste, vários blogueiros sérios do ScienceBlogs americano (aqui ,  aqui aqui) estão fazendo discussões aprofundadas e o próprio site do SB dá destaque ao assunto.

Acho que poderiamos e deveríamos fazer mais do que isso. Ando desconfiado que o namoro que muitos blogueiros científicos possuem com o movimento cético acabou por afetar suas capacidades críticas. Lembram o comportamento dos “céticos do clima” em relação às mudanças climáticas etc. Acho que vou escrever um post sobre isso, para lembrar que ceticismo não é sinônimo de ciência, mas talvez da pseudociência.

Sim, o grande problema da pseudociência não é que ela acredita em bobagens, mas sim que ela não acredita em coisas sérias: os criacionistas são “céticos” em relação à teoria da evolução, o pessoal da Terra Oca é “cético” em relação à geofísica, os espiritualistas são “céticos” em relação às descobertas das neurociências, os ufólogos são “céticos” em relação à comunidade científica, acreditando que Nature e Science estão mancomunadas com o governo americano para esconder da população a realidade dos UFOs…

Em vez de posts “céticos” em relação à gripe suína, eu gostaria de ver:

1. Entrevistas via-email com especialistas da área;
2. Análise das medidas preventivas do governo brasileiro;
3. Traduções ou comentários sobre os bons posts colocados no ScienceBlogs americano;
4. Popularização de conceitos de epidemiologia;
5. Artigos sobre a gripe comum, causada por um vírus mutável interessantíssimo;
6. Artigos sobre a história das pandemias;

É engraçado que quando o assunto é, por exemplo, a possibilidade de um meteoro se chocar com a Terra e afetar a biosfera, temos um sem número de posts chamando a atenção sobre essa possibilidade e usando esse gancho para divulgar a astronomia etc. Ninguém acha que tais artigos sejam alarmistas. Mas se pensarmos bem, ao longo da história da humanidade, muito mais gente morreu de pandemias do que de queda de meteoros… 

Em relação à pandemias, a probabilidade de surgimento das mesmas é cada vez maior, não menor. Vejamos alguns fatores:
1. Aumento da concentração populacional;
2. Aumento da movimentação de pessoas através do globo (viagens aéreas, turismo, migração etc.);
3. Maior contato com animais silvestres (culpa dos esportistas radicais, turistas ecológicos etc.);
4. Aumento da população de suínos e aves em contato com seres humanos;
5. Aumento do transporte coletivo (que imagino deve facilitar o contágio);
6. Resistência progressiva de novas cepas frente a antibióticos e anti-virais;
7. Aumento da população de animais domésticos (já imaginou se houvesse uma gripe canina ou felina transmissível para os humanos?)
8. E outras coisinhas mais…

Sendo assim, imagino que epidemias são como terremotos, acontecem em todas as escalas, com uma probabilidade tipo lei de potência P(x) = C/ x^a para a probabilidade de uma epidemia matar x pessoas. Numa situação dessas, que as últimas pandemias tenham sido fracas é irrelevante. Assim como no caso dos terremotos, a questão sobre uma pandemia forte não é “se”, mas “quando”. A atitude de governos responsáveis deveria ser se preparar para o pior e torcer pelo melhor… 

Lower bound e upper bound na gripe suína

O site do Ministério da Saúde sobre a gripe suína:

http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1534
Imagino que as informações sejam confiáveis e conservadoras (pois deve haver muita gente aconselhando evitar o pânico). É um lower bound, digamos assim.
Deixa eu explicar porque ando meio alarmista. As razões são:
1. Eu sei o que significa “crescimento exponencial” antes da saturação, em uma epidemia.
2. Eu conheço os modelos tipo SIR (Susceptible-Infected-Recovered) e suas previsões.
3. Eu trabalho na área de meios excitáveis (a população humana suscetível ao vírus) e redes complexas (que descreve as redes de aeroportos e de contatos sociais).
4. Eu sei o que são avalanches e leis de potência em eventos extremais: dizer que os alarmes anteriores sobre pandemias foram falsos ou que os eventos foram insignificantes nada diz sobre o futuro – isso é uma falácia causal muito conhecida. Seria como dizer que o terremoto Big One nunca vai acontecer na Califórnia simplesmente porque não ocorreu no século XX…
5. Eu sei que o mercado financeiro precifica os riscos, e muitas vezes é um sistema preditor muito mais confiável que estatísticas convencionais. E o mercado tá gripado…

O upper bound fica por conta da Folha, que faz o pré-lançamento (por R$ 43,00!) do livro:

Gripe: A História da Pandemia de 1918

Gina Bari Kolata

“Gripe: A História da Pandemia de 1918” (Record) narra a verdadeira história de morte, erros e acertos de uma das mais impressionantes epidemias já enfrentadas pela humanidade. A influenza de 1918 vitimou 100 milhões de pessoas em todo o mundo. Num envolvente trabalho de reportagem científica, a repórter do New York Times Gina Kolata investiga a história por trás desta doença mortal desde sua origem. Analisando relatórios científicos, arquivos médicos de hospitais e pesquisadores, a autora explica porque a gripe de 1918 era tão contagiosa, revela as histórias dos médicos que tentaram combatê-la e mostra como as desastrosas tentativas de “acobertar” a epidemia acabaram por torná-la ainda mais mortífera. Paralelamente, a autora esmiúça a história de grandes epidemias e pragas que assolaram a humanidade, como a Peste Negra da Idade Média e a varíola. De olho no futuro, Kolata detalha os últimos avanços na pesquisa do vírus da gripe, identifica as possibilidades de uma nova epidemia em escala global, aponta medidas de prevenção e mostra como é fundamental uma postura transparente no caso de uma nova ameaça.

Pesquisas com 21 loiras valem?


Teclado sem acentos, depois conserto isso:

Ser’a que podemos concluir a partir de uma amostra de 21 fotos como esta que loiras destras sao burrinhas e que morenas ambidestras sao inteligentes como Ruth de Aquino? Nao, nao podemos, pois as fotos teriam sido escolhidas a dedo (como os artigos comentados por Ruth) em vez de constituirem uma amostra aleatoria sobre a populacao de loiras.

Ruth de Aquino e mesmo alguns dos blogueiros que a contestaram afirmaram que realmente uma pesquisa com 21 pessoas ‘e muito pouco. Não necessariamente. Se as pessoas forem escolhidas de forma razoavelmente aleatoria, ‘e poss’ivel sim extrair informacao de uma amostra pequena. Se o desvio-padrao da populacao for S, entao para resultados que seguem uma distribuicao Gaussiana, o desvio-padrao da media ‘e sigma/sqrt(21) , ou seja, aproximadamente igual a 0.22 sigma. Ou seja, a barra de erro j’a eh razoavelmente pequena.

Isso vem do Teorema Central do Limite. ‘E ele tambem que explica porque podemos fazer estimativas razoaveis em pesquisas eleitorais com apenas 2000 pessoas escolhidas aleatoriamente emum universo de 80 milhoes de eleitores. ‘E o velho argumento de que para saber se um caldeirao de sopa est’a salgado, basta experimentar uma colherinha, nao preciso esperimentar metade do caldeirao…

Talvez este exemplo seja mais intelig’ivel: Voce d’a uma droga nova para 21 rapazes e 18 deles morrem em 24 horas. Ser’a que precisariamos dar a droga para uma amostra de 2100 jovens antes de poder concluir que a droga ‘e perigosa? Eu acho que qualquer comite de etica pararia a pesquisa depois dessa amostra de 21 pessoas (mesmo que fosse possivel que cada caso de morte pudesse, por puro acaso, acontecer independentemente da droga). Sim, isso ‘e poss’ivel, mas bastante improv’avel, e a Estat’istica pode quantificar essa improbabilidade…

Paula Signorini (Rastro de Carbono) responde à Ruth de Aquino

Quem sabe a reação em cadeia na blogosfera científica esteja começando… Bom, pelo menos precisamos debater sobre a melhor atitude a fazer frente a esses ataques anti-científicos dos tablóides nacionais. Ficar quieto e sofrer calado essa construção sofismática da representação social do cientista pode ser uma atitude correta para o cientista comum, mas não para jornalistas científicos e divulgadores de ciência.

E afinal, o IgNobel brasileiro (tatus deslocam artefatos arqueológicos) representa uma pesquisa super interessante e importante para o seu campo! E a jornalista não entendeu que o IgNobel é dado para pesquisas que “primeiro fazem rir, e depois fazem pensar…”

Veja o comentário da Paula no Rastro de Carbono aqui.

Estudo sobre mulheres de bikini é trivial?

Não parece tão trivial assim, quando vemos as informações de perto. Mas acho que essa foi a fonte da Ruth de Aquino, localizada por Igor do Universo Físico.

University of the bleedin’ obvious

Hold the front page! Images of bikini-clad women make men more sexist. Steve Connor reports on a new study by Princeton scientists, while Jeremy Laurance recalls the other academic work that told us what we already know.

Scientists have demonstrated something that many women suspect and most men would admit only to themselves: pictures of scantily-clad females turn women into sexual objects in the minds of men. Feminists would no doubt see the discovery as the science of the bloody obvious, but the researchers claim the results demonstrate just how pictures of bikini-clad women affect the inner workings of the male brain.

It was “shocking” to find that the pictures of scantily clad women deactivates the medial pre-frontal cortex, Professor Fiske went on. “The only other time we’ve observed the deactivation of this region is when people look at pictures of homeless people and drug addicts who they really don’t want to think about what’s in their minds because they are put off by them.”

“Heterosexual men had the best memory for the sexualised bodies of women – this is cutting-off the heads – even though they had seen the bodies for only 200 milliseconds,” Professor Fiske said. The findings have wider implications for society because they show how sexualised images in the media and in advertising can dehumanise women by encouraging men to think of them in terms of objects to be acted upon, she said.

OK, OK, todos sabemos que usar mulheres seminuas em anúncios pode desumanizar as mesmas, mas agora temos uma pesquisa que fortalece essa afirmativa, para além de achismos e senso comum (que podem ser contestados pelos cínicos de plantão).

Isso significa que, quando a Revista Época publica anúncios com mulheres seminuas, ela está contribuindo para a desumanização das mulheres. E sua Redatora-Chefe pouco se importa com isso…

PS: Este blog também contribui para essa desumanização, mas pelo menos eu faço mea culpa e reconheço isso. As fotos de mulheres bonitas neste blog ajudam a divulgar ciência em um país subdesenvolvido (meu post mais visitado é sobre a carreira científica de Natalie Portman), enquanto que as fotos de propaganda na Revista Época apenas servem para vender produtos e dar lucro aos empresários que sustentam a (política da) revista.

Tese de Ruth de Aquino: Ética versus a necessidade de vender (notícias)

Será que a Ruth escolheu a Tabloidization da Época em vez da ética jornalística?

Isso é muito divertido, mas espero não ser processado…

Bio for Ruth de Aquino

Ruth de Aquino, journalist, 46, two sons, born in Rio de Janeiro

MsC in Media, London School of Economics.

Thesis: Ethics versus the need to sell or the Tabloidization of the British press (93/94)
President of the World Editors Forum, nominated in Zurich, 1999
Since 1974 working with news for magazine, radio, newspaper, media organization.
As reporter, BBC radio news editor, foreign editor in Rio, Formula-1 correspondent, London correspondent, chief-editor and director for multimedia for a regional paper in Rio. Now, foreign correspondent based in Paris.

Recent speeches in international congresses:-
2001 – Trends, concerns and challenges of the world’s newsrooms
University of South Carolina, US – March
Barcelona – May
2000 – How to survive in a free-information world – Stockholm
Innovation and Creativity – World Economic Forum in Rio
1999 – Content and Qualification – Zurich
How to attract women readers – Budapest

Articles written recently:

The new Information Party

Satisfy the appetite of the news digital consumer (Hummmmmmmmmm!)

Blogueiros de ciência unidos jamais serão vencidos!

Marcelo Hermes chamou a atenção para esta reportagem estúpida na revista Época. Ele propôs que os cientistas e blogueiros de ciência respondessem a altura. Proponho que enchamos a caixa de comentários da moça (blog flame) de modo que ela, pelo menos, consulte um(a) jornalista científico antes de falar bobagem para zilhões de pessoas. Senão, daqui a pouco, sai reportagem similar na Revista Veja.

Se juntarmos uns 10 blogueiros em uma força-tarefa vampira (como já fizeram nossos amigos blogueiros nos EUA) podemos examinar via Google:

1. O currículo da repórter.
2. A qualidade e relevância de seus papers, ou seja, de suas outras reportagens.
3. Existência de plágio em suas reportagens (ok, estou sendo maldoso).
4. A relevância do jornalismo em geral, especialmente da revista Época.
5. Se ela estudou em universidade pública, de modo que dinheiro público foi gasto com ela.

Afinal, ela mexeu em vespeiro, acho que deveria estar preparada: fez um deserviço enorme à opinião pública sobre a ciência, em um país com ciência subdesenvolvida e subpatrocinada. Apenas porque não tinha pauta para esta semana. E esqueceu que, no novo jornalismo, o jornalista precisa ser mais responsável, não é dono de sua coluna e pode ser criticado na hora através das janelas de comentários.

Pesquisa científica mostra o que todo mundo já sabia

Esta pesquisa me lembra uma outra onde psicólogos mostraram que meninos gostam de brincar de carrinho e meninas gostam de brincar de bonecas. O jornalista perguntou para a psicóloga que realizou o experimento: “Mas já não se sabia isso?” Ela respondeu: “Não, antes tinhamos apenas uma crença, agora sabemos…”

Da Folha Online
17/02/2009 – 08h26



EDUARDO GERAQUE
enviado especial da Folha de S.Paulo a Chicago

Os homens podem não dizer isso explicitamente, mas há ocasiões em que todos tendem a pensar nas mulheres como objetos –principalmente quando elas estão de biquíni e não mostram o rosto. É isso o que acaba de mostrar um experimento realizado nos Estados Unidos com 21 homens heterossexuais estudantes de pós-graduação, apresentado em Chicago, na reunião anual da AAAS (Sociedade Americana para o Avanço da Ciência).

Talvez seja esse o efeito que explica sucesso que dançarinas mascaradas –como as personagens Tiazinha e Feiticeira– costumam ter na televisão brasileira. O experimento usou máquinas de ressonância magnética para mostrar que os circuitos cerebrais ativados nos homens durante a observação de um corpo feminino sensual desprovido de identidade são os mesmos que os permitem de reconhecer uma ferramenta, um objeto inanimado.

“Tecnicamente, podemos usar uma espécie de eufemismo neurológico e dizer que o homem não tem essa atitude de uma forma premeditada. É algo que ele não racionaliza”, afirma Susan Fiske, professora de Psicologia da Universidade de Princeton, uma das mentoras do experimento. Ela mostrou que o córtex pré-motor dos homens –uma das partes do cérebro mais envolvidas no reconhecimento– foi a área cerebral mais ativada nos voluntários que observavam fotografias de um colo feminino.

Essa parte do cérebro também é acionada quando é feita uma interpretação mecânica de uma imagem -em oposição a interpretações sociais.

Questionada pela Folha sobre o possível viés cultural que o estudo possa ter –só americanos participaram do experimento– Fiske disse não crer que o resultado mudaria se o experimento fosse feito em países, como o Brasil, onde mulheres de biquíni são comuns.

(…)

De acordo com a pesquisadora americana, os seus resultados apresentados agora têm algumas implicações práticas. “Um dos desdobramentos pode ser o fato de que um patrão, por exemplo, pode beneficiar certas companheiras de trabalho em detrimento dos demais funcionários da empresa, dependendo de como ele idealiza aquele corpo”, diz a psicóloga.

(continue a ler aqui)

Nossos vizinhos ETs

Mais um cut and paste para ler depois. Via Physics ArXiv Blog:

The search for extraterrestrial intelligence needs all the help it can get. Depending on who you listen to, the chances of us spotting an intelligent technological society vary from an almost certainty to practically zero.
The trouble is the sheer size of the search. The Milky Way contains around 10^10 sun-like stars, any one of which may have a planet whose citizens are at this very moment pointing their beady eyes or antennae in our direction.
But if we want to peer back, in which direction should we look?
Shmuel Nussinov at Tel Aviv University in Israel makes a thoroughly sensible suggestion of narrowing the search: why not look only towards stars that have a reasonable chance of having seen Earth?
We know of several ways to detect planets aroudn other stars but only one that might reveal an Earth-like body and that is to look for changes in brightness that are the signature of a transiting planet.
Earth passes in front of the sun for 13 hours once a year, dimming it by 77 parts per million. Venus transits for 11 hours every 7 months with even less dimming. Mars gives three-fold weaker eclipse every 1.9 years and Mercury dimming is ten times weaker than Earth’s but occurs four times a year.
Only stars within a narrow angle of the ecliptic will be able to detect these transits. And so only civilisations on planets around these stars could possibly be aware of Earth might be broadcasting our way.
Common sense really.
Ref: arxiv.org/abs/0903.1628: Some Comments on Possible Preferred Directions for the SETI Search

Sonhos, memórias e simulações

Do Portal G1, tradução do NYT:

Cientistas estudam como as pessoas interpretam os sonhos

Maioria dos indivíduos dá valor a “mensagens” embutidas em sonhos.
Entretanto, as pessoas tendem a acreditar mais em sonhos positivos.

Imagine que, na noite passada, você teve dois sonhos. Em um, Deus aparece e ordena que você tire um ano para viajar pelo mundo. Em outro, Deus lhe diz para dedicar um ano trabalhando num abrigo de leprosos.

Qual desses sonhos você consideraria importante?

Agora, suponha que você tenha tido um pesadelo, no qual seu amigo o defende de seus inimigos, e outro sonho onde esse mesmo amigo age pelas suas costas e tenta seduzir sua alma-gêmea. Qual sonho você levaria a sério?
Continue a ler clicando no título.

Da magia à tecnologia da seducão

(Post sem cedilhas, blogando da casa do Sidarta Ribeiro em Natal, no notebook, conserto depois.)

Em nossa visão Romântica (com R maiúsculo, ou seja, do Romantismo filosófico anti-modernista), sortilégios e simpatias do amor são permitidas (lembra o filme Da Magia à Seducão com Sandra Bullok e Nicole Kidman?). Mas, como já disse alguem (quem mesmo?), tecnologia é apenas “magia que nao depende de sugestao ou efeito placebo”.
Mas suportariamos que tal tipo de “magia eficaz” realmente afetasse nossa vida romântica (com r minúsculo)? Até que ponto? Já pensou alguém dissolvendo escondido pílula de oxiocina ou vasopressina no seu café da manhã (afirmativa não sexista, acho que um monte de homens fariam isso se estivessem com a pulga atrás da orelha)? Algo para pensar…
Médico cogita remédio para acelerar ou interromper relações amorosas. 
Capacidade de criar vínculos, diz ele, está ligada a hormônios e neurônios.

A ciência tem hoje uma série de pistas que ajudam a explicar por que umas pessoas só querem encontros casuais e outras se apaixonam com facilidade impressionante. Não é exatamente por causa da beleza, do charme ou da simpatia — pelo menos, não é só por causa disso.

 

Veja o site do Fantástico 

O nome do cupido que atua com mais intensidade sobre as mulheres é oxitocina. Sobre os homens, vasopressina. São hormônios produzidos naturalmente pelo nosso corpo, mas que reagem de maneira diferente em cada pessoa. 

Pesquisas indicam que a capacidade que temos de criar vínculos amorosos está relacionada à localização dos neurônios que recebem oxitocina e vasopressina em nossos cérebros. Se há uma concentração maior desses receptores na chamada área de recompensa – responsável pelo prazer e pelo vício – fica muito mais fácil se apaixonar. Mas se eles estão em outras áreas do cérebro, esqueça. 

A pesquisa comandada pelo doutor Larry Young, na Universidade de Emory, no estado americano da Georgia, acompanhou o comportamento de roedores e concluiu que as fêmeas que recebem injeções de oxitocina ficam muito mais apaixonadas. Larry Young diz que roedores que antes não estavam nem aí pros parceiros passaram a manter “relacionamentos duradouros”, logo depois da injeção. 

O pesquisador diz que a paixão tem a ver com genética, hormônios e também com a experiência de vida de cada um. Mas, se já inventaram as pílulas da potência sexual, as novas descobertas científicas sugerem que em breve poderemos ter também a pílula do amor. “É muito possível desenvolver drogas para acelerar o envolvimento com outras pessoas ou mesmo facilitar a procura por um amor.” 

Imagine só. As coisas esfriam e você quer dar um gás no relacionamento. Então, dá um pulo na farmácia e toma uma dose de oxitocina: tudo resolvido. Ou o contrário: o cara morre de amores por alguém que já tem compromisso, quer desistir mas não consegue. “Antivasopressina, por favor”. Algumas doses, e — que alívio — a paixão acaba.

 

Usuários

Viver um grande amor é um sonho que nos acompanha desde os primórdios da humanidade. Amores inspiraram sinfonias, poemas e inúmeras obras de arte. Mas o amor em excesso pode ser como andar perdido por uma floresta: já levou muita gente à loucura, foi motivo de guerras no passado. Não seria, então, arriscado atravessar a ponte que separa o amor natural daquele que poderia ser estimulado pela ciência? Quem ousaria tomar uma pílula do amor? 

Dois estudantes ouvidos pela reportagem são apenas amigos. Mas ela disse que não tomaria uma pílula do amor porque tem capacidade de sentir por conta própria. Já ele afirma que, se fosse pra melhorar os relacionamentos, “por que não”? 

Depois de 27 anos de casamento, um americano ouvido pela reportagem não tem dúvida: “é claro que eu tomaria uma pílula pra aumentar a dose de amor que tenho por alguém”, disse. 

E essa é exatamente uma das aplicações mais prováveis, segundo o doutor Young. “Um medicamento como esse poderia muito bem ser usado em terapia de casais”, prevê o cientista. “Você ingerindo um pouco de oxitocina poderia focar mais no parceiro e se relacionar melhor com ele.” 

Mas a pesquisa sobre a química do amor está só começando e Larry Young prefere não se arriscar num terreno tão ardiloso. Flores e jantares serão sempre a melhor maneira de se apaixonar.

Psicofísica do Dilema dos Prisioneiros

E agora, Alexandre? Como colocar esse efeito nos parametros do modelo?

Do Portal G1:

Você provavelmente nunca trairia um amigo por cinco dólares. Mas por 500 centavos? Agora, sim!


É claro, os valores são os mesmos, mas pesquisadores descobriram que as pessoas são muitas vezes atraídas a tomar decisões por números que parecem maiores do que realmente são.


Em artigo publicado na edição de janeiro da publicação “Psychological Science”, Ellen E. Furlong e John E. Opfer, da Universidade Estadual de Ohio, sugeriram que a falha no pensamento pode levar pessoas a se aventurar em atividades tão distintas como barganhar e apostar.


Os pesquisadores solicitaram a voluntários que participassem de um teste comportamental conhecido como o dilema do prisioneiro, no qual dois parceiros recebem diversas recompensas por trabalhar juntos ou contra.


A ideia é que, em longo prazo, os participantes ganhem o máximo de dinheiro através de cooperação. Mas, em qualquer rodada arbitrária do jogo, eles ganham mais se decidirem se voltar contra seu parceiro enquanto ele se mantém leal. A recompensa é mais baixa se os dois parceiros traem.


Quando a recompensa pela cooperação foi aumentada de 3 para 300 centavos, descobriram os pesquisadores, o nível de cooperação aumentou. Mas quando a recompensa foi de 3 centavos para 3 dólares, o nível continuou igual.


Enquanto o teste mediu como números mais altos aumentavam a cooperação, a lição também provavelmente se aplica a estímulos para que as pessoas traiam, disse Opfer.


As descobertas estão em consonância com estudos sobre como o cérebro lida com cálculos envolvendo quantidades. Estudos descobriram que as pessoas tendem a superestimar diferenças entre pequenas quantidades e subestimar diferenças entre as grandes.

Distribuição de tempos de vida de casamentos

Gostaria de saber… Será uma distribuição exponencial (similar ao decaimento de um estado ligado atômico)? Com que meia-vida? Ou tem uma cauda estendida? Se for exponencial, isso significa que o fator principal é o acaso e não qualquer esforço dos cônjuges? Cuidado para não usar a calculadora e criar uma profecia auto-realizadora


Economista cria calculadora que prevê chance de divórcio

A economista americana Betsey Stevenson desenvolveu uma ‘calculadora do casamento‘ que poderia prever as chances de divórcio.

A ferramenta, disponível na internet , funciona com uma comparação de estatísticas dos divórcios realizados nos Estados Unidos com os dados fornecidos pelos usuários.

O “cálculo” resulta da análise de informações como idade, tempo de casamento, número de filhos e grau de escolaridade do usuário.

Essas informações são então comparadas com estatísticas do Censo americano sobre os divórcios realizados no país. Dessa forma, o usuário da calculadora recebe uma estimativa do percentual de pessoas com perfis similares que se divorciaram no passado e faz projeções sobre as chances de divórcio dentro de cinco anos.

“Com a calculadora do casamento, você pode descobrir como muitas pessoas com perfil parecido se divorciaram”, explica Stevenson.

“Em resumo, o passado está sendo usado para determinar o futuro com essa calculadora”, disse G.Cotter Cunninghma, diretor do site que hospeda a ferramenta .

Riscos

Segundo Stevenson, pesquisadora da Universidade da Pensilvânia e especialista em casamentos e divórcis, o risco de divórcio é menor para pessoas que possuem pelo menos grau superior de escolaridade e se casam mais velhas.

Ela afirma que, entre as pessoas que se casaram nos últimos anos, a taxa de divórcio é menor entre aquelas que se casaram depois dos 30 anos. Ela explica ainda que, quanto mais cedo se casa, maiores são as chances de divórcio.

“Apesar de ser difícil identificar o que está causando essa relação, a partir dessas informações eu aconselharia meus amigos a casarem quando estiverem mais velhos”, disse a economista.

O sangue de Gaia

Uma simulação interessante sobre tráfego aéreo mundial. Lembra um fluxo de corrente sanguínea global, levando matéria, energia, informação e doenças… Via Rede Ecoblogs (não achei o permalink!).

Do Carinho à Carícia

Do Reinaldo José Lopes, Blog Visões da Vida, Portal G1:

Eu costumo dar um sorrisinho cético toda vez que algum filósofo ou historiador afirma que Shakespeare (ou os trovadores medievais, ou Sócrates, ou os Beatles) “inventou” o amor romântico. De uma coisa podemos estar certos: emoções tão poderosas quanto essa têm raízes muito mais profundas. Talvez seja mais lógico pressupor que os seres humanos são “monógamos” (as aspas são necessárias) por natureza já faz algum tempo.
(…)
Já vimos algumas das bases comportamentais e sociais do que chamamos de amor; é hora de passar às bases bioquímicas do sentimento. Talvez você já tenha ouvido isso várias vezes antes, inclusive nesta coluna, mas é sempre bom repetir: a evolução é mão-de-vaca e adora improvisar e reciclar. Novos comportamentos e adaptações normalmente não são criados do zero, mas reutilizam elementos antigos (o termo técnico é “conservados”) da biologia de uma espécie. Como vimos, o elo emocional duradouro entre fêmea e macho é relativamente entre mamíferos. Pense, porém, em outro elo emocional poderosíssimo, que nós também chamamos de amor e que é muito mais comum nas espécies aparentadas à nossa. Ora, é o amor de mãe, claro.

E uma das chaves bioquímicas desse amor parece ser o hormônio oxitocina, liberado em grandes quantidades durante o parto e a amamentação em todos os tipos de mamíferos, inclusive nós. Ele parece controlar o apego instintivo da mãe pelo bebê, e vice-versa, interagindo com o chamado sistema dopaminérgico – a fração do cérebro que reage ao mensageiro químico dopamina. A dopamina é importante para a sensação de recompensa diante de algo prazeroso, estando envolvida em fenômenos como a euforia e o vício em drogas.

É aqui que entra a linha de pesquisa de Young, que estuda os arganazes, pequenos roedores silvestres do hemisfério Norte. O que acontece é que fêmeas de arganazes sob a ação da oxitocina (via uma injeção, por exemplo) criam um elo forte com o macho que estiver mais próximo delas – isso no chamado arganaz-da-pradaria (Microtus ochrogaster), espécie monógama do bicho. Young propõe que o circuito cerebral utilizado para forjar o elo entre mãe e filho foi modificado e cooptado para produzir o “amor” monogâmico entre os roedores.

E entre pessoas também. Afinal de contas, há uma potente liberação de oxitocina durante a estimulação da vagina e dos seios durante as relações sexuais na nossa espécie, o que ajudaria a fortalecer o elo emocional da mulher com seu parceiro. E a coisa também parece funcionar do lado do macho. Os arganazes monogâmicos parecem fortalecer a ligação com suas esposas por meio de um hormônio quimicamente semelhante à oxitocina, a chamada vasopressina, que também potencializa a agressividade contra possíveis rivais e o instinto paternal.Para continuar, clique aqui.

Há alguns anos atrás eu escrevi um artigo (unpublished) defendendo que a carícia sexual seria uma exadaptação do carinho mãe-filhote (e por que não pai-filhote). O argumento óbvio é que enquanto o cuidado (“care”) com os filhotes é evolucionariamente essencial para os mamíferos, o ato sexual em si não é nada carinhoso na maior parte das espécies. A carícia sexual é um bonus a mais, não é necessária para a reprodução.

Isso pode parecer trivial a menos que você lembre que uma leitura rasa Freudiana diria o contrário, que o carinho e as carícias materno-infantis são de origem sexual. Mas isso só acontece se você ampliar tanto o significado de sexual que a teoria se torna irrefutável.

Como esse bônus a mais surgiu? Me parece uma simples estratégia, não necessariamente incorporada geneticamente: se uma mulher oferecer sexo mais carinho ela irá liberar mais hormônios de ligação (oxitocina, vasopressina) no companheiro do que a mulher que oferece apenas sexo (ou apenas carinho). Imagino que o mesmo acontece ao contrário, as mulheres procuram homens carinhosos (evidência: faça uma estatística de palavras-chave nos sites de relacionamento).

É possível que esse comportamento estratégico das mulheres (aumentar a fidelidade do companheiro usando carinho) tenha tido um efeito colateral evolucionário. Os homens mais sensíveis à oxitocina teriam sido selecionados, ou seja, aumento de neotenia masculina.

Traduzindo: os homens ficaram mais acriançados, mais controláveis, o comportamento (patológico) da mulher que também é mãe do companheiro apareceu. Como elas dizem: Quando um homem cresce, apenas aumenta o tamanho dos brinquedos…

Quanto à “amarração para o amor” e as “poções do amor” neuroquímicas discutidas no artigo do Reinaldo (para prever a futura tecnologia basta examinar as promessas da magia), parece que já conhecemos isso faz tempo não? A poção chama-se “Carinho & Carícia”…

PS: Reinaldo recebeu a notícia de que iria ser pai pela primeira vez pelo celular,dentro do meu carro enquanto eu, Carlos Hotta e Átila o levávamos para a Rodoviária, no final do I EWCLiPo. Será isso o que tem motivado suas colunas sobre amor romântico, oxitocina e bebês? Reinaldo, a presença de um bebê configura um triângulo amoroso (esse bebê da foto parece estar olhando para o pai e dizendo “Agora ela é minha!”) . Se no futuro você se sentir meio por fora, com seu estoque de vasopressina em baixa, eu posso lhe recomendar muita paciência, paciência e paciência…

Cisnes, arganazes, raposas cinzentas e alguns humanos

Estou vendendo este livro por R$ 20,00, frete incluido… Você que é biólogo, quer comprar?

Descrição: O amor pode ser analisado segundo fórmulas científicas ou reações químicas? Lucy Vincent lança mão da biologia, da física e da química para explicar os fenômenos comportamentais ligados ao mais nobre dos sentimentos como a euforia, o ciúme e até o incesto sem, contudo, retirar do jogo da sedução o seu encanto. O leitor verá, por exemplo, que até os cheiros das pessoas que nos agradam ou nos repelem estão ligados à nossa composição de genes.

Da Folha Online:

Paixão pode durar mais de 20 anos, diz estudo

da BBC Brasil

Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que alguns casais conseguem se manter apaixonados mesmo depois décadas de união. Com a ajuda de exames de tomografia, cientistas da Universidade de Stony Brooks, em Nova York, analisaram a atividade cerebral de casais que estão juntos há mais de 20 anos.

Eles descobriram que 10% deles, ao verem fotos de seus parceiros, mostraram as mesmas reações químicas que casais em início de romance. Pesquisas anteriores sugeriam que a paixão e o desejo sexual de um casal começam a diminuir por volta dos 15 meses de relacionamento e chegam a desaparecer depois de dez anos.

“Cisnes”

“Nossos resultados vão contra essa visão tradicional, mas temos certeza de que o que conseguimos observar é real”, disse o psicólogo Arthur Aron, um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, quando os casais de longa data viam fotos de seus parceiros, seus cérebros indicavam um fluxo maior de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer. Para os cientistas, a descoberta indica que alguns elementos da paixão amadurecem, permitindo que casais de longa data desfrutem do que chamam de “companheirismo intenso e vivacidade sexual”.

Os pesquisadores disseram que esses casais têm o mesmo “mapa amoroso” cerebral que animais que mantêm os mesmos parceiros por toda a vida, como os cisnes, os arganazes e as raposas cinzentas.

Porque os ratos e seus descendentes dominaram a Terra?

Ficou lugar comum dizer que os mamíferos só dominaram a Terra por causa do asteróide que dizimou os dinossauros, o papel do acaso na evolução etc e tal. Mas talvez isso seja apenas uma reação exagerada às idéias adaptacionistas. Eu sinceramente não sei se um pequeno dinossauro conseguiria fazer isso. E nem sei se alguns seres humanos conseguiriram…