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Dia do Beijo

OK, OK, eu sei que esta notícia parece óbvia. Mas fica aqui o registro do Dia do Beijo, sexta-feira passada.

Beijar pode ser alívio rápido para depressão
Terapeuta britânica diz que beijar estimula o bem estar de forma fácil e rápida. Segundo ela, o beijo é um dos primeiros a serem deixados de lado nas horas difíceis.

Marília Juste, do G1:

Anda deprimido? A vida não sorri para você? Está vivendo problemas conjugais? A britânica Denise Knowles tem a resposta: beije na boca. Para a terapeuta e sexóloga do instituto terapêutico Relate, do Reino Unido, o beijo pode ser uma das maneiras para combater a depressão. Infelizmente, no entanto, ele, que faz tão bem, costuma ser uma das primeiras coisas a serem deixadas de lado nos momentos difíceis.

Embora nos casos de depressão clínica, o acompanhamento médico e a medicação não possam ser dispensados, Knowles afirma que o beijo pode ser uma maneira fácil e rápida de obter um pouco de bem-estar a curto prazo. Isso porque beijar, como qualquer atividade física, ativa a liberação de endorfinas no cérebro, substância ligada às sensações de prazer. E beijar é muito mais interessante que correr na esteira.

Para o psicólogo e pesquisador da Universidade de São Paulo Thiago de Almeida, a proposta da terapeuta faz todo o sentido. “A endorfina é o antídoto da depressão e tudo que estimula sua produção vai ajudar a reverter quadros depressivos”, afirmou ele ao G1. Segundo o psicológo, além do efeito físico, há também um potencial positivo psicológico. “O contexto do beijo na nossa cabeça tem a ver com o amor e relacionamentos amorosos. Mesmo hoje em dia, quando jovens beijam sem envolvimento, ainda assim ele está ligado ao amor e esse sentimento tem o poder de recuperar o bem-estar de alguém.”

Apesar disso, no entanto, o beijo é uma das primeiras ‘atividades’ a serem abandonadas em momentos de crise. “Nosso tempo de lazer está cada vez mais contado, o que diminui o número de horas que os casais passam juntos,” diz Denise Knowles. “Beijar pode ser tão recompensador quanto o sexo e é muito mais fácil e rápido de fazer tanto em casa quanto em público”, diz ela. Para Thiago de Almeida, o ato de beijar, e o próprio amor, têm sido cada vez mais relegados, criando pessoas mais infelizes. “Hoje em dia, admitir o amor muitas vezes é visto como sinal de fraqueza. Queremos sempre que o outro ame mais, que esteja em nossas mãos,” diz ele. “É preciso beijar mais para sermos mais felizes”, aconselha.

Knut, Knut, Knut

Urso polar Knut vira marca registrada na Europa

da France Presse, em Berlim

Ele virou capa de revista e atrai a cada dia milhares de fãs. Sua história virou tema de canções e suas fotos estampam camisetas e pôsteres. Knut, um bebê de urso polar, transformou-se em ídolo número um do momento e astro inconteste do zoológico de Berlim.

O sucesso é tanto que o zôo registrou o nome Knut como marca comercial, pois é um atrativo para as vendas: agora, há caramelos, dois CDs em sua homenagem e sua foto estará em breve em cartões de crédito de um banco berlinense.

Rejeitado pela mãe ao nascer, em 5 de dezembro passado, e alimentado desde então com mamadeira por funcionários do zôo, o adorável bichinho tinha tudo para conquistar o público, mas desde sua primeira aparição, em 23 de março, despertou uma verdadeira paixão.
Naquele dia, 500 jornalistas, entre os quais uma centena de funcionários de emissoras de televisão de todo o mundo, se espremeram em frente ao recinto onde Knut mora para vê-lo brincar.

Desde então, a loucura pelo ursinho se espalhou pelo país e pelo mundo. A edição alemã da revista “Vanity Fair” pôs o ursinho na capa, com a legenda: “eu, Knut, astro mundial surgido na Alemanha”. Na semana passada, a capa da revista foi dedicada à chanceler alemã, Angela Merkel.

No zoológico, o recinto onde o ursinho mora atrai cada vez mais pessoas entre as 11h e as 12h e, depois, entre as 14h e as 15h, quando o astro dá o ar de sua graça.

Em meio a uma gritaria impressionante, as crianças, nos ombros dos pais, fotografam o ursinho com seus telefones celulares, enquanto os adultos sobem nos banquinhos levados especialmente para poder vê-lo melhor. Até mesmo os idosos se derretem.

“É tão bonito, tenho vontade de pegá-lo nos braços”, disse Inge, uma berlinense de 75 anos, que foi ao zôo “especialmente por Knut”. As crianças, é claro, não agem diferente.

“É adorável, parece um ursinho de pelúcia”, contou Paulina, de 10 anos, que veio com a família desde a região de Dortmund (oeste) para passar férias na capital alemã e convenceu sua mãe a levá-la a um passeio no zôo.

“Para minhas filhas, é um grande dia. Em casa só falam de Knut e cobriram as paredes do quarto com suas fotos”, disse Robin Hoeher, de 37 anos, ao lado de Toyah e Leonie, de 5 e 8 anos.

A “knutmania” também tem seu lado comercial. Em março, a freqüência do zoológico dobrou com relação a março de 2006, com 200 mil visitantes, e uma loja especialmente montada perto do recinto do ursinho vende camisetas, cartões postais e, sobretudo, ursos de pelúcia.

“Até meados do ano ou no mais tardar, no fim do ano, esta loucura possivelmente terá acabado”, prevê Andre Schüle, um dos veterinários do zoológico.

“Em dezembro, Knut pesará entre 80 e 100 quilos e se tornará perigoso para seus tratadores. Ele não será mais um adorável ursinho de pelúcia”, afirma.

Pais fizeram homem perder pêlos, diz estudo


Acho que isso pode interessar ao Caio de Gaia. Tive que colocar o texto inteiro aqui porque o mesmo sumiu do portal G1.

Genitores de bebês teriam preferido os ‘pelados’ como bonitos ao longo da evolução.Perda de ‘cobertura’ só teria acontecido nos últimos 200 mil anos, com Homo sapiens.

Reinaldo José Lopes, do G1: Uma pesquisadora americana decidiu usar uma abordagem radical para tentar explicar um dos enigmas mais antigos da biologia humana: por que diabos nós somos primatas “nus”, com pouquíssimos pêlos no corpo. Para ela, nossa aparência comparativamente bizarra é o resultado de gerações e gerações de mamães pré-humanas que tendiam a preferir os bebês com poucos pêlos, os quais acabaram se tornando campeões de sobrevivência.

O estudo da psicóloga Judith Rich Harris está numa edição recente da revista científica “Medical Hypotheses” e acaba de ganhar um prêmio organizado pela publicação para as melhores teorias na área médica. Harris, autora de diversos livros sobre o desenvolvimento humano, postula um novo mecanismo para a evolução da pele pelada, a chamada seleção parental. A analogia traçada pela pesquisadora para justificar essa terminologia é com a seleção sexual, um processo bem conhecido e muito comum na evolução das espécies animais. A seleção sexual lembra superficialmente as modas ou manias coletivas humanas. Por algum motivo difícil de precisar, as fêmeas (ou os machos) de uma espécie passam a usar alguma característica marcante do sexo oposto como indício de desejabilidade. Esse traço vira um sinal de que aquele indivíduo que a possui é um partidão como possível parceiro. Como exibir a característica favorece as chances de um indivíduo se reproduzir, a tendência é que ele se torne pai de muitos filhotes e acabe passando o chamariz de parceiros para as gerações futuras. E, ao longo de muitas gerações, o traço ligado à seleção sexual tende a se acentuar. É dessa forma que os biólogos evolutivos tentam explicar coisas extravagantes como a cauda dos pavões ou os enormes chifres de certas espécies de veado.


Mamãe seletiva

Para Harris, esse mesmo tipo de motivação arbitrária –- uma tendência cultural a preferir filhotes com menos pêlos, por exemplo — teria surgido relativamente tarde na evolução humana, talvez há apenas 200 mil anos (data-consenso para o aparecimento do Homo sapiens em algum lugar da África, talvez perto da atual Etiópia). À primeira vista, ficar escolhendo entre bebês com base num critério tão arbitrário pode soar como burrice pura. Afinal, agüentar nove meses de gravidez e as agruras do parto exige um bocado de energia de uma mãe humana, e eliminar o rebento depois disso seria jogar todo esse esforço no lixo. Harris, no entanto, lembra que o infanticídio, sob certas circunstâncias, foi amplamente praticado entre os povos antigos, e ainda o é entre os caçadores-coletores de hoje. “Criar uma criança impunha um custo pesado sobre a mãe”, afirmou ela ao G1. “Quando a gravidez acontecia quando um filho anterior ainda não tinha desmamado, ou durante um período de escassez grave, não seria incomum o abandono do novo bebê.”

Nesses casos, porém, certas características poderiam fazer a mãe desistir do infanticídio. Bebês particularmente robustos ou bonitos –- caso dos com menos pêlos, segundo a hipótese da psicológa –- teriam mais chance de escapar, e o oposto valeria para os fracos, disformes ou muito peludos. Ao longo de gerações, o processo acabaria finalmente produzido a primeira espécie de primatas pelados da história da Terra. Outros pesquisadores da área receberam a tese com reservas, contudo. “A minha reação geral é que a quantidade de seleção necessária para fazer esses genes [ligados à pelagem] mudarem tão rápido quanto mudaram é forte demais para ser explicada como resultado de seleção sexual ou parental”, disse ao G1 o paleoantropólogo John Hawks, da Universidade de Wisconsin em Madison (Estados Unidos).

O fato é que a falta de pêlos é um enigma dos grandes e já impulsionou todo tipo de teorias. Entre elas: seria uma adaptação ao calor da savana africana (errado, diz Harris, já que outros animais de tamanho parecido com o do homem são peludos e vivem ali muito bem, obrigado); maneira de se defender de parasitas que se escondem na pelagem; e até adaptação à vida semi-aquática numa fase antiga de nossa evolução. A pesquisadora americana cita outros indícios que apoiariam sua hipótese. Cientistas dataram recentemente a origem de uma espécie de piolho que se esconde nas roupas: cerca de 50 mil anos atrás. Assim, os humanos teriam começado a usar roupas há pouco tempo, e só um bicho sem pêlos precisaria de roupas.

Como os neandertais, que só separaram de nós há 500 mil anos, não sabiam costurar roupas mas viviam num clima glacial na Europa, ela aposta que eles eram peludos, diferentemente do H. sapiens, nativo da calorenta África. Ela aposta até que a preferência estética pela falta de pêlos possa ter levado à extinção dos neandertais. Conforme o traço se fixava, ele teria servido para dividir o mundo entre “nós” (pelados) e “eles” (peludos). “Nós acabamos matando e comendo os neandertais”, afirma. Segundo ela, alguns restos normalmente atribuídos a canibalismo entre neandertais na Europa poderiam, na verdade, ser restos desses banquetes. “Até onde sei, só é possível demonstrar que esses neandertais foram retalhados como se fossem animais. Não se pode afirmar quem fez o serviço”, argumenta. Resta saber se mais estudos darão força à tese. Harris diz esperar que estudos sobre o genoma humano mostrem que a ausência de pêlos é controlada por poucos genes ou até um só gene, os quais poderiam ser alvo da chamada seleção parental de forma relativamente rápida. O problema, por enquanto, continua cabeludo.

Matter waves: waves matter?

OK, OK, eu sei, é um trocadilho intraduzível. Mas pelo menos é original meu! (existirá algo novo debaixo do sol?)

Mariana escreveu na minha lousa os versinhos abaixo, que eu entitulei “Dupla Fenda” (para os entendidos, duas palavras bastam…):

Dupla Fenda

Onda

Anda?

A onda anda.

Aonde a onda anda?

Ainda anda a onda?

A onda ainda

Anda?

Onde?

Infelizmente, parece que os versos não são dela, mas foram tirados da apostila do curso Positivo usada no Colégio Metodista. OK, eu dei uma recauchutada neles, para aparecer metade de um comprimento de onda.

Acho que devia comentar algumas coisas desse colégio. Por exemplo, nas aulas de religião, aprende-se cidadania, ou ecologia, ou como elogiar seus colegas, ou coisas desse tipo que as crianças odeiam. OK, OK, isso parece uma prática perversamente eficaz, pois se ensinassem religião nas aulas de religião, as crianças acabariam por rejeitá-la… Hummm. Nas aulas de ciência ensinam Big Bang e Darwinismo.
Segundo Freeman Dyson, é por causa disso que as pessoas detestam ciência: são forçadas a aprendê-la na escola. Ele dá como exemplo o século XIX, onde não havia currículo de ciências. Nesse ambiente, os físicos floresceram, porque todo mundo queria fazer clubinho de ciência fora da escola. No século XX, obrigaram as crianças a ter aula de física, e a física inglesa decaiu.
Dyson propõe que se ensine apenas, mas de forma intensa, ferramentas de pensamento para as crianças: idioma materno, segundo idioma, redação, linguagem matemática, lógica, busca e filtragem de informação na Web, linguagens de computação. Uma educação instrumental, nao uma educação baseada em fatos (que ficam rapidamente ultrapassados). Ciências empíricas seriam optativas, para aqueles realmente a fim. Daria um belo currículo, não é mesmo? E, de quebra, resolvia pra melhor o problema do ensino de ciências na escola…

Promessas de Prometeu

Para quem não conhece, o jornalista e sociólogo Marcelo Leite é o blogueiro científico mais antigo do Brasil (Ciência em Dia). O talvez o Daniel Doro Ferrante, do It´s equal but it´s different, sempre esqueço estas questões de precedência…

Diz Marcelo Leite, em seu post do dia 20/03:

Meu novo livro, Promessas do Genoma (Editora da Unesp, 243 páginas, R$ 30,00), será lançado na terça-feira (27/3) com um debate no auditório da Folha, às 20h. Depois detalho aqui como obter uma vaga para assistir ao conclave, que contará com a participação do filósofo da ciência Hugh Lacey e com os geneticistas Mayana Zatz (USP, pró-reitora de Pesquisa) e Gonçalo Guimarães Amarante Pereira (Unicamp).

Em lugar de mais uma das pílulas antideterministas do Dr. Leite, que tanta polêmica já causaram aqui, o livro pretende ser uma quimioterapia inteira contra os tumores hiperbólicos aderidos ao Projeto Genoma Humano. Primeiramente pelos próprios biólogos moleculares, depois alegremente secundados pela maior parte de nós, jornalistas de ciência.

Boa parte dos leitores deste blog vai odiar Promessas do Genoma. Como hoje em dia há quem acredite que os sentimentos possam espicaçar a razão, não perco a esperança de que o livro contribua com alguma substância ao debate. Se um biólogo molecular se dispuser a ler Lenny Moss, Lily Kay, Susan Oyama, Dick Lewontin, Michel Morange, Horace Freeland Judson, Sahotra Sarkar, Herminio Martins, Laymert Garcia dos Santos, Hugh Lacey, Paul Rabinow ou Evelyn Fox Keller (qualquer um deles) depois de encará-lo, terá valido a pena.

Ainda que ninguém trafegue pela via que separa as duas culturas (humanidades e ciências naturais), além dos cachorros loucos, a estrada é de duas mãos.

P.S.: Se você estiver encafifado com a bela imagem da capa do livro, saiba que se trata da obra DNA, de Nuno Ramos (Areia, resina, CO2; 2003), fotografada por Eduardo Knapp (Folha Press).

Partido dos Baixinhos

Ok, ok, do alto dos meus 1,645 m, essa notícia eu não poderia deixar de comentar. Certa vez eu reclamava com uma professora amiga minha da USP de que o “politicamente correto”, quando levado aos extremos, acabava caindo no ridículo. Acho que o exemplo que eu dei foi o de “quotas para baixinhos” em times de basquete.

Afirmei que os baixinhos, ou melhor, as pessoas com altura com menos de um desvio padrão abaixo da média – PAMDPAM (acho que este é o termo PC) eram discriminados. Citei algumas estatísticas que mostravam que baixinhos, desculpe, os PAMDPAM, ganham menos que seus pares, são preteridos em promoções, são preteridos em cargos de liderança (você já notou como os presidentes americanos são em geral altos?) etc. E, é claro, existe essa mania das mulheres de colocar 1,70 (ou mesmo 1,74 – mas raios, por que 1,74em vez de 1,75?) como a altura mínima no Yahoo Encontros.

Bom, ela concordou, militante que era, e disse: bom, por que você não inicia um movimento nacional em defesa dos baixinhos?

Eu pensei que ela estava brincando, mas o pior foi que ela estava falando sério.

Final da história: não, eu não fundei o PB (Partido dos Baixinhos) nem o movimento nacional em defesa dos PAMDPAM. Mas a idéia é boa, deixo para você, meu leitor PAMDPAM tentar…


Baixinhos eram preferidos das mulheres pré-históricas, diz estudo

da Ansa, em Londres

Os homens de baixa estatura eram irresistíveis para as mulheres na pré-história, pelo menos até que descobriram as armas. Essa diferença em relação aos cânones atuais de beleza é a tese central de um estudo da universidade norte-americana de Utah, que apareceu nesta quarta-feira na versão eletrônica do jornal “The Times”.

Divulgação
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Austrolopithecus africanus, que viveu na época em que baixinhos seriam os preferidos
Entre os Australopithecus, os hominídeos antepassados que viveram cerca de 4 milhões de anos atrás, a baixa estatura permitia combater melhor e garantia aos varões um enorme atrativo entre as mulheres.

“As pernas curtas asseguravam aos Australopithecus o êxito em combate”, explicou o professor David Carrier em um artigo publicado na revista “Evolution”, citado pelo Times on-line.

“Os Australopithecus mantiveram as pernas curtas durante dois milhões de anos porque um físico compacto e mais estável ajudava os varões a combater pelas mulheres”, revela o professor em sua pesquisa, e explica que os homens mais baixos eram os mais agressivos.

Segundo Carrier, esse antepassado do homem media 1,35 m. Com a introdução das primeiras armas, 2 milhões de anos atrás, o homem da caverna passou a utilizar objetos para se defender e as normas estéticas mudaram.

Mais blogs de ciência

Ok, ok, eu acho que vocês não perceberam mas aí no sidebar estou tentando prestar um serviço “mesopotâmico” (como diria o filósofo José Simão) para a comunidade blogueira científica: listar todos os blogs cientítíficos editados em português de que tenho conhecimento. Ok, a lista vai se atualizando pouco a pouco, mas se você tem um blog pelo menos parcialmente científico, me mande seu link nos comentários!

Estou colocando mais dois blogs que encontrei hoje: Física na Veia, do prof. Dulcidio Braz Júnior, talvez um dos mais antigos blogueiros de ciência. Perdão, Dulcidio, não sei como o Física na Veia me escapou.

Outro blog (ou talvez seja melhor descrito como um site de notícias ligado a um fórum) é o TecnoCientista.info. Uma coisa legal aqui é que, ao contrário da verborragia do SEMCIÊNCIA, apenas a parte inicial das notícias é colocada (como no CAIS DE GAIA). Pergunta: essa opção foi incorporada ao blogger novo?

Foto: copiada do Física na Veia.

WWW galáctica

Há alguns anos atrás, o site Edge.org perguntou a 120 cientistas sobre idéias que eles acreditavam mas não tinham como provar. Se você está interessado em ler as respostas, clique aqui. Mas este post não é sobre isso, mas sim, claro (afinal isto é um blog pessoal!), sobre coisas que acredito mas que não tenho como provar.

Acredito, ou pelo menos chuto, que o processo de colonização galática corresponde a um processo de ramificação crítico, ou seja, o cluster (ou rede) de civilizações em nossa galáxia não cresce exponencialmente (difusão simples) mas sim na forma de uma lei de potência. Em particular, acho que essa difusão anômala cria um padrão fractal de áreas visitadas, com bolhas vazias de todos os tamanhos. Assim, explico o paradoxo de Fermi (“Onde está todo mundo?”) supondo que, dado que ainda não fomos colonizados – me desculpem os X-filers – isso se deve ao fato de que estamos dentro de uma dessas grandes bolhas vazias. Uma conclusão pragmática disso tudo é que os esforços do programa SETI no exame de civilizações em estrelas vizinhas está fadado ao fracasso: se estas fossem habitadas, “eles” já teriam chegado aqui!

Entre os motivos que me levam a acreditar que, mesmo assim, exista uma civilização galática (ou pelo menos uma WWW galáctica) está um certo otimismo de base (que os meus amigos sempre criticam), ou seja, acho deprimente a conclusão de que estamos sozinhos no Universo (ou de que todas – lembre-se, todas!) as Biosferas inteligentes estão fadadas à extinção. Mas tenho alguns outros argumentos na manga. Infelizmente ele se baseia em outro resultado que (ainda) não posso provar.

Alexandre Martinez e eu, há anos, acreditamos que estratégias de exploração ótimas (conhecidas na literatura como estratégias de forrageamento ótimo) se situam na borda de uma transição vítrea. Exemplificamos isso com nosso trabalho sobre a caminhada do turista estocástico, onde pontos espalhados em um espaço d-dimensional são visitados por um “turista” que pula de sítio para sítio com probabilidade proporcional a exp(-beta E), onde E é uma função custo associada à distância a ser percorrida, valor do sítio a ser alcançado etc.

Roberto da Silva, prof. da UFRGS, e Juliana e Thyago, que se formaram aqui no DFM-FFCLRP-USS, estão estudando este problema nas suas horas de folga. Para todos os efeitos (ou seja, caso essa pesquisa viesse a ser financiada por orgãos de fomento) o tema do trabalho é sobre um modelo interessante de difusão anômala, com potencial aplicação no estudo da disseminação de formigueiros e cupinzeiros no interior do Estado de São Paulo (atenção, FAPESP!). Mas, na verdade, a motivação é um pouco mais ambiciosa: queremos mostrar que, sim, a exploração ótima se dá em um ponto de transição de fase (ou pelo menos transição vítrea), onde os custos são minimizados sem que o caminhante fique preso em um setor do espaço de fase (ou seja, o sistema é marginalmente ergódico).

Se isto for verdade, e supondo que os ETs são inteligentes o suficiente para aplicar a estratégia de colonização ótima (claro!), então teriamos um argumento para defender a exploração anômala e fractal da galáxia. QCD. Paradoxo de Fermi resolvido e quem sabe um paper no Physical Review Letter ou pelo menos na Astrobiology (fator de impacto 2.225!) para todo mundo.

Enquanto isso, ficamos na expectativa. Registro aqui um artigo do NYT sobre o SETI, que saiu hoje, postando alguns extratos interessantes.

Trying to Meet the Neighbors

By DAVE ITZKOFF
Published: March 11, 2007

Is there anybody out there? Give the question some thought before you answer, because it’s more perilous than it seems. Deny the possibility of a universe populated with intelligent extraterrestrials that can speak and mate and battle with humanity, and the science-fiction canon collapses; more than a century’s worth of novels, from “The War of the Worlds” to “Old Man’s War,” would find their speculative foundations swept out from underneath them. But admit to a sincere belief in the remotest potential for alien life, and prepare to be fitted for a straitjacket; a recent survey conducted by Baylor University found that more Americans believe in ancient civilizations like the lost continent of Atlantis than in U.F.O.’s.
(…)
Surprisingly, the science-fiction community (which knows a thing or two about being misunderstood and dismissed) is not unequivocally supportive of SETI’s work. In a 2003 lecture entitled “Aliens Cause Global Warming,” Michael Crichton declared, “SETI is unquestionably a religion.” And authors free of Crichton’s political baggage do not cast SETI’s mission in particularly upbeat terms, either: in his short story “The Puzzle,” the Serbian author Zoran Zivkovic writes of a scientist pursuing a SETI-like experiment, whose “gloomy exultation” can end only with irrefutable evidence of extraterrestrial intelligence — only “with contact made would he be able to say that his life’s work had meaning.”

(…)

Using massive radio telescopes, SETI hopes to detect electromagnetic transmissions coming from these potential neighborhoods. In the past decade, Shostak estimates, the institute has looked at 750 star systems, but within the next 25 years it should be able to scan one million to two million more. And he is fond of betting his interrogators a cup of Starbucks that the question of whether mankind is alone in the universe will be settled by the year 2025.

(…)

Robyn Asimov, the daughter of the science-fiction master Isaac Asimov, has become a friend of the SETI Institute despite her upbringing: Dad was more of a robot guy than an alien guy, and agnostic on the subject of extraterrestrial intelligence, except for one instance when father and daughter mistook the Goodyear blimp for a U.F.O. (“He nearly had a heart attack,” she told me in a telephone interview. “He thought he saw his career going down the drain.”)
In our conversation, she explained to me why SETI research is still valuable, even if scientists like Shostak never find any Daleks, Vulcans or Wookiees. “My father knew he wouldn’t live to see space travel as he wrote about it, or robots acting in the way he wrote about them, and he was fine with that,” Asimov said. “His major thrust, and I think Seth’s and SETI’s as well, is to get people interested in science, and doing something about it, and then handing the baton over to the next generation. It’s an almost egoless outlook, because the intellectual curiosity is what takes priority.”

Contato

Marília Juste, do blog Tubo de Ensaio: Desde que o filme “Contato”, com Jodie Foster, estourou nos cinemas de todo o mundo em 1997, todo nerd que se preza sonha com fazer contato com uma civilização alienígena através do projeto Seti (“Busca por Inteligência Extraterrestre”, na sigla em inglês). A idéia é bacana e qualquer um pode participar (saiba mais aqui). Instalando um programinha no seu computador, você doa um pouco do poder de processamento da máquina para a análise de dados vindos de radiotelescópios em Porto Rico, que varrem os céus procurando sinais de vida inteligente longe da Terra. Desde sua criação, milhões de pessoas já aderiram à iniciativa, mas não encontraram nada.Nada, até janeiro de 2007, quando, finalmente, o Seti encontrou alguma coisa. Mas, calma, não foi um alien. Foi… um laptop.

Em 1º de janeiro, o computador de Melinda Kimberly, uma escritora de Mineapólis, nos Estados Unidos, foi roubado, com todos os seus roteiros e romances. Desconsolada, ela já dava todo seu trabalho por perdido quando seu marido, James Melin, lembrou de algo importante: ele havia instalado o programa do Seti no computador da mulher — porque os seus demais seis computadores não eram suficientes para ajudar a nobre causa. Como fazia normalmente, o laptop de Melinda continuava entrando em contato com os servidores do Seti quando não estava sendo usado. Os servidores, por sua vez, registravam o IP usado pela máquina. E, foi assim que o computador foi localizado. Os bandidos conseguiram escapar, mas os arquivos de Melinda estavam a salvo. “Eu tinha certeza que um nerd seria um excelente marido”, agradeceu a esposa aliviada. “É o meu herói.”

Dia Internacional da Mulher

Para mais fotos, click aqui.

A tumba de Cameron

Bom, já estamos em março e portanto o tema de fevereiro Religião e Ciência da Roda de Ciência já terminou. Ainda bem, pois mais uns dias de debates acalorados e a Roda se desfazia (o Daniel e o Adilson ficaram chateados comigo, embora por motivos antagônicos!).

Em todo caso, acho que não poderia deixar de comentar a tese do documentário de Simcha Jacobovici e James Cameron (A tumba perdida de Jesus).

Do NYT: In recent years, audiences have demonstrated a voracious appetite for books, movies and magazines that reassess the life and times of Jesus, and there is already a book timed to coincide with this documentary, which will be on the air next Sunday.

“This is exploiting the whole trend that caught on with ‘The Da Vinci Code,’ ” said Lawrence E. Stager, the Dorot professor of archaeology of Israel at Harvard, in a telephone interview. “One of the problems is there are so many biblically illiterate people around the world that they don’t know what is real judicious assessment and what is what some of us in the field call ‘fantastic archaeology.’ ”

Professor Stager said he had not seen the film but was skeptical.

Mr. Cameron said he had been “trepidatious” about becoming involved in the project but got engaged out of “great passion for a good detective story,” not to offend and not to cash in.

“I think this is the biggest archaeological story of the century,” he said. “It’s absolutely not a publicity stunt. It’s part of a very well-considered plan to reveal this information to the world in a way that makes sense, with proper documentation.”

The documentary, “The Lost Tomb of Jesus,” revisits a site discovered by archaeologists from the Israel Antiquities Authority in the East Talpiyot neighborhood of Jerusalem in 1980, when the area was being excavated for a building.

Ten burial boxes, or ossuaries, were found in the tomb, and six of them had inscriptions. The Discovery Channel filmmakers say, and archaeologists interviewed concur, there is no possibility the inscriptions were forged, because they were catalogued at the time by archaeologists and kept in storage in the Israel Antiquities Authority.

The documentary’s case rests in large part on the interpretation of the inscriptions, which they say are Jesus, Mary, Mary Magdalene, Matthew, Joseph and Judah.

In the first century, these names were as common as Tom, Dick and Harry. But the filmmakers commissioned a statistician, Andrey Feuerverger, a professor at the University of Toronto, who calculated that the odds that all six names would appear together in one tomb are one in 600, calculated conservatively — or as much as one in one million.

Concordo que o documentário aproveita a onda de livros e filmes sobre Jesus, Maria Madalena etc, a maioria defendendo posições gnósticas. Eu mesmo pretendo entrar nessa onda com o livro (que já tem três capítulos escritos!) Deus e Acaso, colocarei uns trechos aqui futuramente.

Observação interessante: o diretor Simcha Jacobovici fez outro documentário no ano passado (The Exodus Decoded) tentando provar que o Exôdo era um fato histórico (não sei que fim levou isso).

Uma coisa curiosa e divertida é que o número de hipóteses sobre a morte de Jesus tem aumentado dramaticamente nos últimos anos. Por ordem cronológica:

Jesus, sábio hindu e asceta sexual: A revista Planeta costumava fazer reportagens enormes sobre a tumba de Jesus que estaria situada na India, ou seja, Jesus teria sobrevivido à cruz e emigrado para a Cashemira.

Jesus, o ET assexuado: A mesma revista Planeta (ou será a revista UFO?) defendeu a teoria de que Jesus era um ET que subiu os céus numa nuvem-UFO, sendo que um dia voltará para estabelecer o Reino dos Céus (ou seja, implantar a sociedade galáctica aqui, composta por anjos etc).

Jesus, o homossexual: Esta tese foi defendida pelo movimento gay. O companheiro de Jesus seria João, “o discipulo a quem Jesus amava”.

Jesus, uma mulher? Já algumas feministas radicais defendiam que o crucifixo deveria ter uma mulher em vez de homem, a fim de combater o machismo. Seria Jesus um fruto de partenogênese de Maria?

Jesus, amante de Maria Madalena, que fugiu para a França: Esta é a tese de Dan Brown e seu Código Da Vinci. Mas se Cameron estiver correto, então Maria Madalena foi enterrada em Jerusalém em vez da França, e o filho de Jesus seria Judas e não Sara. E por consequência, cai também a tese de que os reis merovíngeos eram descendentes do “Sang Real” (Santo Graal).

Acho que alguém precisa avisar o pessoal que essas idéias todas são incompatíveis entre si… É interessante também como, mais que a filosofia de Jesus, é sua sexualidade a que desperta maior interesse. Será que Freud explica isso?

Psicofísica da Compaixão

Encontrei um novo blog com posts gerais, fotos da Angelina Jolie adolescente e também divulgação científica: 100nexos, do Kentaro Mori. Retiro dali um trecho do interessante post sobre psicofísica da compaixão:

Se eu olho para uma massa [de pessoas], nunca tomarei uma atitude. Se olhar para apenas uma, sim“. A frase de Teresa de Calcutá é citada pelo psicólogo Paul Slovic em seu paper “If I Look at the Mass I Will Never Act” (PDF) sobre o paradoxo da compaixão humana: “A maior parte das pessoas se importa e fará grandes esforços para salvar vítimas individuais cujo apelo lhe alcance. As mesmas boas pessoas contudo não raro se tornam indiferentes ao apelo de indivíduos que são ‘um entre muitos’ de um problema muito maior. Por que isto ocorre? A resposta a esta questão nos ajudará a responder a questão relacionado que é o tópico deste paper: Por que, ao longo do último século, boas pessoas repetidamente ignoraram assassinatos em massa e genocídios? (…) Isso requer explicações que podem refletir uma deficiência fundamental em nossa humanidade — uma deficiência que, uma vez identificada, talvez possa ser superada”.

Para ler mais, clique aqui.

Big Bang Brasil

Salvador Nogueira, do Mensageiro Sideral, escreveu uma divertida peça (teatral?) onde os participantes do BBB são Einstein, Friedman, Lemaitre, Hubble, Hoyle, Gamow, Dicke, Penzias e Smoot. Bom, metade dos leitores o críticou muito por usar o formato BBB, a outra metade elogiou sua criativiade em produzir um texto curioso que atinge um público bem maior que o usual. Como eu adoro ler lixo (livros de FC antigos), assistir filmes-lixo (qualquer FC que encontro em locadoras), séries-lixo (Friends, Galactica) etc, tudo visando a nobre arte de permanecer no mundo real em vez de se encastelar numa torre de marfim, é claro que fiquei do lado dos que elogiaram.

Coloco aqui um pedaço do texto e o link para posterior degustação.

Einstein – Você sabe, na relatividade geral eu costurei espaço, tempo, matéria, energia e gravidade, tudo no mesmo pacote. Aí, sabe como é, sem muita coisa para fazer aqui dentro da casa, decidi iniciar uma continha. Coisa simples, para flexionar os músculos cerebrais — eu adoro malhar, sabe?

Bial – Noooossa… que conta foi essa, seu Einstein?

Einstein – Bem, decidi aplicar as equações da relatividade geral ao universo inteiro — como se eu fosse calcular o que acontece com o cosmos todo se ele for representado pela minha teoria. E aí aconteceu uma coisa bem desconfortável.

Bial – Eita, esse alemão, viu…

Einstein – Pois é, o que minhas contas mostraram é que o universo não podia estar parado — ele devia estar ou se contraindo, ou se expandindo.

Bial – Que absurdo, alemão!

Einstein – Concordo. Tanto que decidi mudar a teoria no ano seguinte para impedir isso, incluindo uma letra lambda nas equações, de modo a fazer com que o universo ficasse paradinho, do jeito que devia…

Friedmann – Mas alemão, as suas contas estavam certas! A equação original era a mais bonita, você deveria ter acreditado no que ela sugeria… eu mesmo conferi os cálculos.

Bial – Nossa, que polêmica, hein? Para resolver, vamos chamar agora um brother zen, o nosso monge… George Lemaître! E aí, George?

Lemaître – Fala, Bial!

Bial – Tudo bom aí?

Lemaître – Mais ou menos, Bial.

Bial – Por quê?

Lemaître – É o alemão, Bial. Ele andou me colocando contra todo mundo. Diz que as minhas idéias são absurdas. E olha que elas nasceram da própria teoria dele!

Bial – Ih, alemão, o que aconteceu?

Einstein – O nosso querido padre belga devia ficar mais no confessionário, isso sim. Depois de fazer cálculos com base na minha relatividade, em vez de adotar a versão com o lambda, ele apostou na versão original da teoria e agora defende a idéia de que o universo inteiro nasceu de algo como um “átomo primordial”, que explodiu e deu origem a tudo que vemos. Uma bobagem.

Lemaître – Alemão, pára com isso. Você me magoa quando diz que minhas conclusões não têm valor.

Bial – Vish, que bagunça. Fecha o som da casa! Agora vamos ver uma coisa que aconteceu em 1931, com um dos nossos brothers mais queridos, Edwin Hubble.

Para ler todo o texto, clique aqui.

Estou lendo o catatau do Big Bang do Simon Singh. Não comprei, aluguei numa locadora de livros porque vocês já sabem que com salário de professor não dá para ficar comprando livros. Mas recomendo, você pode encontrar o livro aqui.

Faces, Faces Everywhere

Este artigo do NYT comenta sobre o fato de que parece que temos um módulo especializado para reconhecimento de faces. Uma coisa interessante, ligada ao tema do Roda de Ciência deste mês, é o porque grande parte dessas faces são interpretadas como tendo significado religioso (a foto acima é chamada de “face de Deus”. As faces usualmente são interpretadas como a Virgem Maria, Jesus Cristo, Abraham Lincoln ou mesmo um ET (no caso da face marciana em Sidônia, que desapareceu quando fotos melhores foram obtidas).

Hipótese: Outra pesquisa mostra que temos neurônios especializados (“neurônio de Jennifer Aniston“) para rápida detecção de personalidades bem conhecidas. Juntando as duas coisas, teriamos então que as faces mais facilmente identificadas em padrões aleatórios seriam as ligadas a esses neurônios.

Previsão: deve existir um(s) neurônio(s) especializados na detecção da face – historicamente construida – de Jesus Cristo (nos católicos, além disso, um neurônio da Virgem Maria).

Update: Daniel Doro Ferrante indicou na Roda de Ciência um interessante link sobre reconhecimento de padrões em estímulos aleatórios: apophenia.

Einstein e Newton autistas?

Uma notícia antiga, mas fica para registro para minha pesquisa sobre gênios científicos. En passant, a visão da História como um processo crítico, onde um pequeno “grão de areia” pode desencadear uma grande avalanche (ou interromper uma) parece resolver de forma satisfatória aquele velho debate sobre o papel dos “grandes homens” na História.
Marx e Engels defenderam uma visão mais molar da história, como um processo onde os agentes principais eram agregados de pessoas em vez de pessoas individuais, em paralelo com os historiadores de ciência que acreditam que esta é fruto principalmente do trabalho de milhares de cientistas médios e não de personalidades excepcionais. Nos modelos de mudança histórica como processo de avalanches críticas, as avalanches em si são o fruto da interação de indivíduos “normais”. Mas o início das avalanches (ou seu prosseguimento ou não em certos momentos especiais) se deve a indivíduos específicos, “grãos de areia que estavam no lugar certo na hora certa”.

Se esse indivíduo se torna, além disso, um hub (centro) em uma rede scale-free de contatos sociais, seu efeito será ainda maior. Se é um cientista obsessivo, capaz de pensar no mesmo problema anos a fio (como os Aspengers, as pessoas com TOC e os bipolares têm mais facilidade de fazer), então isso aumenta ainda mais a probabilidade dele se tornar um grão catalizador de uma avalanche. Ou seja, indivíduos e massa são igualmente agentes da História, a probabilidade de sua vida ter um impacto relevante na sociedade provavelmente segue uma lei de potência. Os grandes gênios não são separados da humanidade. São apenas a cauda da distribuição.

  • 19:00 30 April 2003
  • Exclusive from New Scientist Print Edition.
  • Hazel Muir

They were certainly geniuses, but did Albert Einstein and Isaac Newton also have autism? According to autism expert Simon Baron-Cohen, they might both have shown many signs of Asperger syndrome, a form of the condition that does not cause learning difficulties.

Although he admits that it is impossible to make a definite diagnosis for someone who is no longer living, Baron-Cohen says he hopes this kind of analysis can shed light on why some people with autism excel in life, while others struggle.

Autism is heritable, and there are clues that the genes for autism are linked to those that confer a talent for grasping complex systems – anything from computer programs to musical techniques. Mathematicians, engineers and physicists, for instance, tend to have a relatively high rate of autism among their relatives.

Baron-Cohen, who is based at Cambridge University, and mathematician Ioan James of Oxford University assessed the personality traits of Newton and Einstein to see if they exhibited three key symptoms of Asperger syndrome: obsessive interests, difficulty in social relationships, and problems communicating.

Newton seems like a classic case. He hardly spoke, was so engrossed in his work that he often forgot to eat, and was lukewarm or bad-tempered with the few friends he had. If no one turned up to his lectures, he gave them anyway, talking to an empty room. He had a nervous breakdown at 50, brought on by depression and paranoia.

Repeated sentences

As a child, Einstein was also a loner, and repeated sentences obsessively until he was seven years old. He became a notoriously confusing lecturer. And despite the fact that he made intimate friends, had numerous affairs and was outspoken on political issues, Baron-Cohen suspects that he too showed signs of Asperger syndrome.

“Passion, falling in love and standing up for justice are all perfectly compatible with Asperger syndrome,” he says. “What most people with AS find difficult is casual chatting – they can’t do small-talk.”

Glen Elliott, a psychiatrist from the University of California at San Francisco, is not convinced. He says attempting to diagnose on the basis of biographical information is extremely unreliable, and points out that any behaviour can have various causes. He thinks being highly intelligent would itself have shaped Newton and Einstein’s personalities.

“One can imagine geniuses who are socially inept and yet not remotely autistic,” he says. “Impatience with the intellectual slowness of others, narcissism and passion for one’s mission in life might combine to make such an individuals isolative and difficult.” Elliott adds that Einstein had a good sense of humour, a trait that is virtually unknown in people with severe Asperger syndrome.

But Baron-Cohen thinks the idea is still worth considering – there may be certain niches in society where people with AS can flourish for their strengths rather than their social skills, he says. “This condition can make people depressed or suicidal, so if we can find out how to make things easier for them, that’s worthwhile.”

Suicídio é maior entre mulheres com implantes nos seios

Ainda seguindo minha coleta de material para o curso Estatística Aplicada I para Psicologia.

Da BBC Brasil: Mulheres com implantes de silicone nos seios têm entre duas e três vezes mais probabilidade de cometerem suicídio, de acordo com uma série de estudos publicados pela revista médica New Scientist. [Ops, a New Scientist não é uma revista médica, mas de divulgação! Ela deve ter apenas comentado a pesquisa.]

Os estudos incluem uma pesquisa americana que acompanhou 13 mil mulheres e um estudo canadense, com 24 mil pacientes. Esses dois estudos inicialmente procuravam supostas ligações entre os implantes de silicone e doenças como câncer e problemas do sistema imunológico. “A única descoberta consistente de todos os estudos foi a inesperada ligação com o suicídio”, disse Joseph McLaughlin, diretor do Instituto Internacional de Epidemiologia em Rockville, nos Estados Unidos, que coordenou alguns dos estudos.

Mistério

Os cientistas não sabem a razão da maior probabilidade de mulheres com implantes nos seios cometerem suicídio. Uma das hipóteses é que as mulheres que sentem a necessidade de fazer a cirurgia têm mais chances de sofrerem de problemas psiquiátricos e tendências suicidas. Esses problemas não seriam detectados, ou seriam ignorados por cirurgiões, colocando essas mulheres sob maior risco. Um estudo dinamarquês sugere que 8 por cento das mulheres que tiveram implantes haviam sido admitidas em hospitais psiquiátricos antes da cirurgia, principalmente por “neurose e distúrbios de personalidade”, além de “abuso de álcool e substâncias”. Das mulheres com implantes que cometeram suicídio, metade havia passado por instituições psiquiátricas antes da cirurgia.

Transtorno dismórfico

Outro problema comum entre pessoas que passaram por cirurgias plásticas é o transtorno dismórfico corporal (TDC), em que os pacientes são obcecados por falhas pouco perceptíveis ou inexistentes de sua aparência física. Cerca de três quartos das pessoas com TDC buscam intervenções como cirurgias plásticas e procedimentos dermatológicos. Acredita-se que entre 6 e 15 por cento dos pacientes de cirurgias plásticas nos Estados Unidos sofram da doença. Segundo os cientistas, os pacientes com TDC tem um risco muito maior de se auto-mutilarem, e por isso mais riscos de se matarem. Outra teoria, mas que é considerada muito remota, é que vazamentos nos implantes poderiam alterar a química do cérebro, despertando tendências suicidas em algumas mulheres.

Um bom exemplo onde correlação não implica causação. Na sua opinião, qual a hipótese mais provável? Ou você teria alguma outra hipótese para explicar isso? Como sua hipótese poderia ser testada?

Modelos são menos felizes e satisfeitas, diz pesquisa

Ok, ok, deixa eu esclarecer porque fico colocando notícias aparentemente banais aqui. Primeiro, estou juntando uma série de pesquisas estatísticas curiosas que possam despertar o interesse das minhas turmas de Estatística deste ano. Acredito que a notícia abaixo, por juntar Psicologia e Estatística, cai como uma luva para a minha turma de Estatística Aplicada I para Psicologia.

Segundo, temas do cotidiano (e fotos de mulheres bonitas) atraem leitores para este blog. Como o objetivo do mesmo é divulgar ciência para um público geral (e não ficar falando para sissudos professores da USP), vale como estratégia inovadora de divulgação, na linha “Anything Goes” de Feyrabend (claro que sem exageros). Pois eu acredito sinceramente que se a Playboy publicasse artigos de divulgação científica (ela já publica FC!), as vocações científicas seriam multiplicadas por dez. Não fui eu quem disse isso, mas Monteiro Lobato (se referindo ao bem que o livro Theresa Philosofa fez pela alfabetização do Brasil).

Da BBC Brasil: Modelos são menos felizes e satisfeitas do que pessoas que exercem outras profissões, de acordo com dois estudos realizados pela City University, em Londres.
As pesquisas revelaram ainda que modelos têm auto-estima mais baixa e se sentem mais sozinhas e isoladas.
A divulgação dos estudos, nesta segunda-feira, coincide com o início da Semana de Moda de Londres.
O primeiro estudo analisou dois grupos de pessoas entre 18 e 35 anos de idade, 56 modelos (entre mulheres e homens) e 53 não-modelos.
As modelos foram submetidas a um questionário baseado na teoria da auto-determinação, segundo a qual só é possível alcançar felicidade e bem-estar mental quando se satisfazem três necessidades tidas como pré-requisitos: a de se conectar com outras pessoas, de se sentir livre para tomar decisões e a de se sentir competente e eficaz nas atividades diárias.
As modelos apresentaram níveis significativamente mais baixos de satisfação, o que foi interpretado pelos pesquisadores como um sinal preocupante.
O coordenador da pesquisa, Björn Meyer, disse: “Os resultados não significa que as modelos são mentalmente perturbadas, mas eles são preocupantes e apontam para um problema sério”.
“Às vezes nós estereotipamos modelos como produtos, úteis apenas para mostrar roupas, mas elas também são seres humanos, com as mesmas necessidades e preocupações que o resto das pessoas. A indústria precisa garantir que as condições de trabalho não minem a satisfação e o bem-estar psicológico das modelos”, disse Meyer.
“Alguns trabalhos trazem um senso de competência e desafio, sua natureza complexa dá a sensação de que é necessário talento para fazer o serviço bem”, disse .
“Se seu trabalho te valoriza apenas pela sua aparência e habilidade de andar para cima e para baixo, as oportunidades de experimentar esse senso de competência podem ficar limitadas.”
Isolamento
Duas modelos formadas em psicologia pela City University também participaram da condução do estudo.
Segundo Kristin Enström, o isolamento e a falta de controle são problemas comuns em sua experiência como modelo.
“Eu sempre estive ciente da falta de satisfação em ser modelo. Além disso, é comum sentir solidão durante as viagens de trabalho, quando não há tempo de formar laços com ninguém”, disse Enström.
“Em termos de autonomia, modelos não pensam muito no que precisa ser feito já que elas estão sempre recebendo ordens sobre o que fazer e para onde ir.”
O segundo estudo realizado pelos pesquisadores britânicos analisou apenas mulheres – 35 modelos e 40 não-modelos.
Novamente, as modelos apresentaram níveis mais baixos de bem-estar e felicidade, além de terem menor auto-estima.
Apesar de reportarem que as modelos têm baixa auto-estima, as pesquisas não estudaram especificamente o risco de distúrbios alimentares no mundo da moda e o impacto do aumento de celebridades ‘tamanho zero’ (equivalente ao 32 no Brasil).

Uma solução criativa para as bactérias nas esponjas de cozinha

Vendo esta notícia, fica patente a diferença entre pesquisas de alto custo dirigidas (ok, incentivadas) por agências estatais de fomento e as simples brincadeiras experimentais dos cientistas tipo “faça você mesmo na sua cozinha”. Afinal de contas, quanto a este grave problema das bactérias nas nossas cozinhas, por que ninguém pensou nesta solução antes? Será que alguém consegue calcular o impacto na saúde da população, diminuição de custos hospitalares, proteção às crianças (que são mais vulneráveis a tais bactérias) etc? Que tal alguém aqui no Brasil pegar um aluno de iniciacão científica para estender o estudo para o caso de esterilização de mamadeiras? Eu não posso fazer isso porque não sou biólogo, e também não entendo nada de microondas, mas contribuí dando a idéia, isso já é alguma coisa, não é mesmo?

Da BBC:

Cientistas americanos descobriram uma nova arma contra os germes que causam o apodrecimento da comida: o forno de microondas. Colocar esponjas de lavar pratos e panelas por dois minutos dentro do forno de microondas pode matar 99% dos microorganismos, de acordo com um estudo publicado no Journal of Environmental Health. O calor, e não a radiação, é responsável pela esterilização de esponjas, disseram pesquisadores dos Estados Unidos.
Esponjas e panos de prato são freqüentes fontes de microorganismos causadores de intoxicação alimentar porque vírus e bactérias provenientes de ovos, carne e vegetais crus se propagam em condições de umidade. Estima-se que uma esponja de cozinha possa conter 10 mil bactérias, inclusive E. coli e salmonella, em pouco mais de dois centímetros quadrados.
Gabriel Bitton, um perito em engenharia ambiental da Universidade da Flórida, e seus colegas contaminaram esponjas em água suja que continha bactéria fecal, vírus, parasitas e esporos de bactérias. Em seguida, eles colocaram o material contaminado em um forno de microondas durante períodos de tempo diferentes. Depois de dois minutos com potência total, 99% das bactérias haviam sido mortas. A bactéria E. coli foi morta depois de apenas 30 segundos.
Esporos de Bacillus cereus – que são associados amplamente com vegetais e alimentos com contato com o solo e são normalmente muito resistentes a radiação, calor e substâncias químicas tóxicas – foram completamente erradicados depois de quatro minutos dentro do microondas.

Calor
Britton disse que o calor se mostrou mais fatal do que a radiação porque microondas trabalham agitando moléculas de água.
Ele recomendou que se coloque esponjas úmidas – e não secas – dentro do microondas para minimizar o risco de incêndio e que não se coloque no forno esponjas de metal do tipo bombril.
Dois minutos todos os dias serão suficientes para pessoas que cozinham regularmente, disse ele.
“Basicamente, o que constatamos é que nós podemos matar a maioria das bactérias em dois minutos.”
“As pessoas costumam lavar esponjas no aparelho de lavar louça, mas se o que elas querem é descontaminá-las e não apenas limpá-las, deveriam usar o forno de microondas”, afirmou.
A equipe também examinou se os microondas poderiam ser usados para esterilizar seringas contaminadas.
Constatou-se que este é um método eficaz, mas que o tempo de esterilização é muito maior: até 12 minutos para os esporos de Bacillus cereus.

Update: Na verdade, neste site em português, já se recomenda faz tempo o uso do microondas para esterilização de esponjas, tábuas de corte, panos de prato etc. Então , talvez a novidade noticiada pela BBC seja apenas a de que sua eficácia foi experimentalmente testada. Ah, mas agora entendi porque esse tipo de pesquisa não é patrocinada… Como todo mundo pode ter acesso a um microondas (R$ 324 nas Casas Bahia), este tipo de conhecimento não gera patentes…
Update 2: A Maria Guimarães, do Ciência e Idéias, também gostou da história. Veja aqui.