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Entrevista com Osame Kinouchi

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CIÊNCIA

O que você investiga? Qual é o núcleo de sua investigação?
Física Computacional Interdisciplinar: Redes Complexas em Linguística e Psiquiatria, Transição Vítrea, Otimização de Estratégia Exploratória por Animais, Métodos de Aprendizagem em Redes Neurais Artificiais, Neurociência Teórica e Computacional (Modelos de Neurônios, Dentritos Excitáveis, Modelagem do Bulbo Olfatório, Psicofísica, Teoria de Sonhos e Sono REM), Criticalidade Auto-Organizada (Modelos de Terremotos, Avalanches Neuronais) , Modelos de Evolução Cultural (evolução da culinária), Astrobiologia (Modelos de Colonização Galática),  Cientometria e Divulgação Científica (Portal de Blogs Científicos em Língua Portuguesa).
Você tem algum link onde possamos ver algo sobre você, ou sobre o centro onde você trabalha?
Meus artigos no repositório livre ArXiv de Física: http://arxiv.org/a/kinouchi_o_1
Meu curriculo Lattes: http://tinyurl.com/3h28kr8
Qual é sua formação? Que experiência de trabalho tinha antes disto?
Bacharelado em Física, Mestrado em Física Básica, Doutorado em Física da Matéria Condensada, Pós-doutorado em Física Estatística e Computacional. Primeiro emprego na USP, aos 40 anos de idade!
Você era muito estudioso no colégio?
Não. Eu apenas lia compulsivamente enciclopédias…Tirar nota boa sempre foi fácil.
Que tipo de tecnologia você está usando para sua investigação?
Um bom notebook é suficiente para realizar minha pesquisa. Read more [+]

Espírito Natalino: Doe para o [email protected]

Alguns teóricos da conspiração acham que Jesus era um ET e a estrela de Belém era um UFO. Já outros conspiracionistas creem firmemente que Jesus nunca existiu. OK, também tem aqueles que acham que Jesus era filho de Maria com um soldado romano. E, por que não, ele poderia ser um viajante do tempo também! Bom, eu sei que você tem que escolher entre alguma das teorias (e dizer por que a sua é melhor que a do vizinho), mas em todo caso, com espírito Natalino, doe para o…

SETI@home
 

 


Winter 2012
Dear OsameKinouchi:In 2012, Americans spent more than $6 billion on political campaigns. (That’s 15,000 times the annual [email protected] budget). And during the presidential campaign, none of the candidates mentioned [email protected] even once.

That’s OK. We understand that SETI isn’t a federal priority, and that no flood of federal dollars will be headed our way. But we hope that we’re still one of your priorities. [email protected] and the rest of the Berkeley SETI projects depend on your donations in order to keep going.

If you’ve already donated this fall, we thank you. If you haven’t, or if you liked the process so much you’d do it again, please consider making a donation by going to this link:

http://setiathome.berkeley.edu/sah_donate.php

We promise we won’t spend it on commercials.

– Eric Korpela, [email protected] Project Scientist

 

 

 

 

 

 


The University of California is a nonprofit educational and research organization governed by the provisions of Section 501(c)(3) of the Internal Revenue Code. Donations are tax deductible for residents of the United States and Canada.

Amit Goswami realmente existe!

Em minha palestra Ciência e Religião: Quatro Perspectivas, dada no IEA-RP, chamei de pseudocientífica toda crença que  afirma que possui evidências científicas a seu favor quando esse não é exatamente o caso. O melhor que uma opinião filosófica, ideológica ou religiosa deve afirmar é que ela é “compatível com” e não “derivada do” conhecimento científico. Essa também é a posição de Freeman Dyson.

Durante a palestra, fiz uma crítica a Amit Goswami que se revelou mais tarde bastante errada, e devo aqui registrar um “erramos” ou mea culpa.  Pelo fato de que Goswami não tem uma página na Wikipedia inglesa (mas apenas na Portuguesa) e devido a ter feito uma busca na Web of Science que não revelou nenhum artigo de física desse autor, fiz a inferência apressada de que talvez Amit Goswami fosse um pseudônimo de uma personagem menor (assim como Acharya S. é o pseudônimo de Dorothy M. Murdock, a propagadora da teoria da conspiração do Cristo Mítico).

Creio que os editores da Wikipedia foram demasiado rigorosos com Goswami. Afinal, embora ele seja um físico não notável, com índice de Hirsch igual a sete, ele pelo menos tem um PhD e é autor de um livro-texto sério de Física Quântica.  Sua migração para a New Age, seguindo os passos de Fritjof Capra, longe de ser um demérito, pode refletir grande inteligência social e financeira (ironia aqui!).  Assim, se deletaram Goswami da Wikipedia, deveriam deletar Acharya S. também, por coerência!

Wikipedia:Articles for deletion/Amit Goswami

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The following discussion is an archived debate of the proposed deletion of the article below. Please do not modify it. Subsequent comments should be made on the appropriate discussion page (such as the article’s talk page or in a deletion review). No further edits should be made to this page.

The result was delete. Guillaume2303’s research indicates that the early “keep” opinions likely apply to another, more notable person of the same name, which means that they are not taken into consideration here. The “keep” opinions by Jleibowitz101 and 159.245.32.2 are also not taken into account as they are not based on our inclusion rules and practices.  Sandstein  06:25, 11 April 2012 (UTC)

Amit Goswami

Amit Goswami (edit|talk|history|links|watch|logs) – (View log)
(Find sources: “Amit Goswami” – news · books · scholar · JSTOR · free images)

I’m just not convinced this article really demonstrates notability. He played a small role in a couple films, he wrote books outside his field for very minor publishers, and… er, that’s about it. I’m just not buying it, and the lack of good WP:RS – this has major primary sourcing issues – is another mark against it. Perhaps something can be salvaged, but I’m not convinced the case has been made. ETA: Guillaume2303’s point (below) that there are multiple people of this name, and this article appears to be on the much less notable one is rather significant. 86.** IP (talk) 21:07, 3 April 2012 (UTC) Read more [+]

Historiadores da Ciência rejeitam a tese de conflito entre Ciência e Religião

Mais material para o meu livro sobre Ateísmo 3.0

Conflict thesis

From Wikipedia, the free encyclopedia
For a socio-historical theory with a similar name, see Conflict theory.

Conflict: Galileo before the Holy Office, byJoseph-Nicolas Robert-Fleury, a 19th century depiction of the Galileo Affair, religion suppressing heliocentric science.

The conflict thesis is the proposition that there is an intrinsic intellectual conflict between religion and science and that the relationship between religion and science inevitably leads to public hostility. The thesis, refined beyond its most simplistic original forms, remains generally popular. However, historians of science no longer support it.[1][2][3][4]

Contents

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Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

Aliens e Sondas Extraterrestres: cadê todo mundo?

Mais referências para o meu paper sobre Paradoxo de Fermi:

Galactic exploration by directed Self-Replicating Probes, and its implications for the Fermi paradox

Martin T. Barlow
(Submitted on 5 Jun 2012 (v1), last revised 20 Aug 2012 (this version, v2))

This paper proposes a long term scheme for robotic exploration of the galaxy,and then considers the implications in terms of the `Fermi paradox’ and our search for ETI. We discuss the parameter space of the `galactic ecology’ of civilizations in terms of the parameters T (time between ET civilizations arising) and L, the lifetime of these civilizations. Six different regions are described.

Comments: 1 figure
Subjects: Popular Physics (physics.pop-ph)
Cite as: arXiv:1206.0953 [physics.pop-ph]
(or arXiv:1206.0953v2 [physics.pop-ph] for this version)

Fermi Paradox Points to Fewer Than 10 Extraterrestrial Civilizations

 

The absence of alien probes visiting the solar system places severe limits on the number of advanced civilizations that could be exploring the galaxy.

 

Aliens on Earth. Are reports of close encounters correct?

(Submitted on 26 Mar 2012 (v1), last revised 12 Jul 2012 (this version, v2))

Popular culture (movies, SF literature) and witness accounts of close encounters with extraterrestrials provide a rather bizarre image of Aliens behavior on Earth. It is far from stereotypes of human space exploration. The reported Aliens are not missions of diplomats, scientists nor even invasion fleets; typical encounters are with lone ETs (or small groups), and involve curious behavior: abductions and experiments (often of sexual nature), cattle mutilations, localized killing and mixing in human society using various methods. Standard scientific explanations of these social memes point to influence of cultural artifacts (movies, literature) on social imagination, projection of our fears and observations of human society, and, in severe cases, psychic disorder of the involved individuals. In this work we propose an alternate explanation, claiming that the memes might be the result of observations of actual behavior of true Aliens, who, visiting Earth behave in a way that is then reproduced by such memes. The proposal would solve, in natural way, the Fermi paradox.

Comments: Revised version, taking into account the British Ministry of Defence unclassified UFO related documents
Subjects: Popular Physics (physics.pop-ph); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:1203.6805 [physics.pop-ph]
(or arXiv:1203.6805v2 [physics.pop-ph] for this version)

Em Alfa Centauri B, planeta com massa igual à da Terra

Acredito que o Paradoxo de Fermi tem um poder heurístico ainda inexplorado. Ou seja, o Paradoxo pode ser usado como evidência (a ser explicada) contra possibilidades ou especulações científicas tais como Inteligência Artificial, Viagens por Túneis de Minhoca ou Máquinas do Tempo. Ele estabelece afirmações de impossibilidade similares ao enunciado da segunda lei da Termodinâmica em termos de impossibilidade de se criar uma máquina do Moto Perpétuo.

Por exemplo, seja R(t) o raio de detecção de civilizações extraterrestres, ou seja, um raio (que depende do tempo) no qual nossa tecnologia é capaz de detectar tais civilizações. Podemos afirmar a partir desse conceito que não existe nenhuma civilização mais avançada que a nossa em um raio menor que R(t), dado que ela teria tido tempo de nos detectar e possivelmente nos colonizar.

Por outro lado, seja R_c o raio de colonização da civilização galática mais próxima do Sol e seja D a distância entre o centro dessa civilização e o Sol. Pelo Paradoxo de Fermi (“Onde está todo mundo?”), podemos concluir que D > R_c, a menos que o processo de colonização não seja descrito por uma difusão simples mas sim por uma difusão anômala, talvez fractal, de modo que a Terra se situa dentro de uma bolha vazia, não colonizada. Sendo assim, podemos concluir que não existem civilizações avançadas próximas de nós.

Também podemos prever que não estamos em uma região típica da Galáxia (em termos de densidade de planetas habitáveis). O mais provável é que estamos em uma região atípica (similar ao Deserto do Saara aqui na Terra) onde os planetas habitáveis e habitados são raros.  Ou seja, eu posso prever com algum grau de confiança que o telescópio Kepler vai detectar uma distribuição de planetas atípica (em termos de massa, distância da estrela central, presença na zona habitável da estrela – onde é possível haver água líquida etc.). Ou seja, vai ser muito difícil achar nas proximidades do Sol um planeta tipo Terra, situado na zona habitável de uma estrela mais velha que o Sol, pois tal planeta possivelmente seria habitado e sua civilização já teria  tido um monte de tempo para nos colonizar. 

Por outro lado, podemos usar o Paradoxo de Fermi para eliminar a possibilidade de Inteligencia Artificial Forte Auto-reprodutiva (sondas de Von Newman ou Monolitos Negros do filme 2010). Se tais sondas fossem factíveis de serem criadas, elas estariam já aqui.

Bom, a alternativa à todos esses argumentos baseados no Paradoxo de Fermi é que eles realmente já estão aqui: podemos elaborar todo tipo de raciocínio conspiratório à la Arquivo X para tentar justificar a pergunta básica de porque os ETs, se realmente existem, não entram em contado conosco. Uma hipótese menos conspiratória seria que eles são antropólogos bonzinhos que já aprenderam que toda civilização inferior é destruída ou no mínimo absorvida culturalmente, pela civilização superior após um contato (Hipótese Zoo).

Finalmente, o Paradoxo de Fermi aumenta o ceticismo em relação à viagens com velocidade superluminal, warp drives etc. E uma versão temporal do Paradoxo pergunta: se é possível construir máquinas do tempo, onde estão os visitantes temporais? 

17/10/2012 – 05h05

Pesquisadores encontram planeta vizinho que é gêmeo da Terra

SALVADOR NOGUEIRA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

É provavelmente a notícia mais esperada desde que o primeiro planeta fora do Sistema Solar foi descoberto, em meados dos anos 1990. Finalmente foi encontrado um planeta que tem praticamente a mesma massa da Terra.

E a grande surpresa: ele fica ao redor de Alfa Centauri, o conjunto estelar mais próximo do Sol. Read more [+]

Para que servem os ateus?

 

Coelhos = religiosos, raposas = ateus?

Estou achando que preciso correr para escrever o meu livro intitulado “Deus e Acaso”, baseado em postagens deste blog. Alguns dos temas do livro já estão sendo discutidos em papers recentes, parece que existe um interesse cada vez maior sobre o assunto. Ver por exemplo o artigo abaixo, que foi um target article em um número inteiro dedicado a discussões desse tipo na revista Religion, Brain & Behavior.

What are atheists for? Hypotheses on the functions of non-belief in the evolution of religion

DOI: 10.1080/2153599X.2012.667948

Dominic Johnsona*
pages 48-70

Version of record first published: 27 Apr 2012

Abstract

An explosion of recent research suggests that religious beliefs and behaviors are universal, arise from deep-seated cognitive mechanisms, and were favored by natural selection over human evolutionary history. However, if a propensity towards religious beliefs is a fundamental characteristic of human brains (as both by-product theorists and adaptationists agree), and/or an important ingredient of Darwinian fitness (as adaptationists argue), then how do we explain the existence and prevalence of atheists – even among ancient and traditional societies? The null hypothesis is that – like other psychological traits – due to natural variation among individuals in genetics, physiology, and cognition, there will always be a range of strengths of religious beliefs. Atheists may therefore simply represent one end of a natural distribution of belief. However, an evolutionary approach to religion raises some more interesting adaptivehypotheses for atheism, which I explore here. Key among them are: (1) frequency dependence may mean that atheism as a “strategy” is selected for (along with selection for the “strategy” of belief), as long as atheists do not become too numerous; (2) ecological variation may mean that atheism outperforms belief in certain settings or at certain times, maintaining a mix in the overall population; (3) the presence of atheists may reinforce or temper religious beliefs and behaviors in the face of skepticism, boosting religious commitment, credibility, or practicality in the group as a whole; and (4) the presence of atheists may catalyze the functional advantages of religion, analogous to the way that loners or non-participants can enhance the evolution of cooperation. Just as evolutionary theorists ask what religious beliefs are “for” in terms of functional benefits for Darwinian fitness, an evolutionary approach suggests we should also at least consider what atheists might be for.

Sobre a validação de blogs científicos

Quais são os critérios usados para selecionar os blogs do ABC?

Por Osame Kinouchi

Por definição, a blogosfera científica é uma comunidade, e o objetivo do portal não é “patrulhar” a mesma, mas sim dar um acesso aos leitores, de forma concentrada em listas de links, para blogs científicos, quer sejam populares quer sejam pouco conhecidos. Entretanto,  é claro que a questão da qualidade dos blogs permanece pois ser incluído no portal implica pelo menos um aval do Laboratório de Divulgação Científica e Cientometria (LDCC-FFCLRP-USP).

Por outro lado, como poderíamos definir se um blog é científico, se não é possível definir ou demarcar (rigorosamente) o que é Ciência? Read more [+]

Textos maias não profetizam fim do mundo em 2012, diz especialista

Que pena, pois minha divida com o Banco Real só acaba em 2015…

Textos maias não profetizam fim do mundo em 2012, diz especialista

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DA EFE, NO MÉXICO

Em nenhum dos 15 mil textos existentes dos antigos maias está escrito que em 2012 haverá grandes cataclismos, crença originada em escritos esotéricos da década de 1970, asseguraram nesta terça-feira (7) fontes oficiais.

O diretor do Acervo Hieróglifo e Iconográfico Maya (Ajimaya) do Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH), Carlos Pallán, disse que só em dois deles há “duas inscrições” que falam em 2012, mas “só como o final do período”.

Perante este fechamento do ciclo, os profetas modernos afirmam que um buraco negro no centro da galáxia, quando se alinhar com o sol, romperá o equilíbrio. Com isso, será modificado o eixo magnético da Terra e as consequências serão nefastas.

O cientista destacou em comunicado que estas versões apocalípticas foram geradas em publicações esotéricas nos anos 1970, as quais assinalavam o fim da civilização humana para 2012, data que coincide com o décimo terceiro ciclo no calendário maia, no dia 21 de dezembro.

Pallán explicou que “para os antigos maias, o tempo não era algo abstrato, era formado por ciclos e estes às vezes eram tão concretos que tinham nome e podiam ser personificados mediante retratos de seres corajosos. Por exemplo, o ciclo de 400 anos estava representado como uma ave mitológica”.

Os maias “jamais mencionam que o mundo vai acabar, jamais pensaram que o tempo terminaria em nossa época, o que nos reflete à consciência que alcançaram sobre o tempo, a partir do desenvolvimento matemático e da escritura”, destacou.

Acrescentou ainda que os maias se preocupavam em efetuar rituais que de algum modo garantissem que o ciclo por vir seria propício, e no caso particular de 2012 é notada uma insistência em “que ainda em data tão distante vai ser comemorado um determinado ciclo. Este foi o miolo da confusão”.

O arqueólogo disse que, no entanto, de acordo com os cálculos científicos atuais, a data astronômica precisa do fim de seu ciclo seria 23, e não 21 de dezembro.

Também esclareceu que os maias legitimavam seu poder mediante os calendários e vinculavam os governantes com esses ciclos e com deuses citados em relatos ancestrais ou em mitos.

Kentaro Mori no E-Farsas

Astronomia ou Astrologia?


“Astronomy” or “astrology”: a brief history of an apparent confusion

A. Losev
(Submitted on 27 Jun 2010)

The modern usage of the words astronomy and astrology is traced back to distinctions, largely ignored in recent scholarship. Three interpretations of celestial phenomena (in a geometric, a substantialist and a prognostic versions) coexisted during the Hellenistic period. From Plato to Isidore of Seville, semantic changes are evidenced and their later development is sketched.

Comments: 6 pages
Subjects: History of Physics (physics.hist-ph)
Cite as: arXiv:1006.5209v1 [physics.hist-ph]

Detectando os Pseudo-Cientistas (e Pseudo-Historiadores!)

Precisamos urgentemente, como cientistas e céticos, aplicar esses critérios a Earl Doherty e Dorothy Murdock (aka Acharya S.). Não deveriamos deixar esse trabalho apenas para teólogos…

“Earl Doherty is a masterful writer and an indefatigable scholar who leaves no relevant stone unturned. Any critic who seeks (desperately) to write him off because he writes without establishment academic credentials only demonstrates how far he himself falls short of recognizing real scholarship when he sees it. Has Doherty had to resort to publishing his own books? So did Hume. That’s no excuse for anyone interested in the Christ Myth or the historical Jesus not to read this all-encompassing book…Earl Doherty’s masterpiece.” Robert M. Price, author of Deconstructing Jesus, The Incredible Shrinking Son of Man, and The Pre-Nicene New Testament.

Jucelino da Luz ou da Escuridão?

Via twitter do Roberto Takata, via Twitter do Kentaro Mori:

Por que 21 de dezembro de 2012?

A data 21 de dezembro de 1954 lhe diz alguma coisa? Bom, isso aconteceu há 55 anos atrás…

When Prophecy Fails

From Wikipedia, the free encyclopedia

When Prophecy Fails
1964 When Prophecy Fails Festinger.jpg
Book cover, 1964 edition.
Author Leon Festinger, Henry Riecken, Stanley Schachter
Country United States
Language English
Subject(s) Psychology
Genre(s) Non-fiction
Publisher Harper-Torchbooks
Publication date January 1, 1956
Media type Hardcover
Pages 253
ISBN ISBN 0061311324
OCLC Number 217969

When Prophecy Fails is a 1956 classic book in social psychology by Leon Festinger, Henry Riecken, and Stanley Schachter about a UFO cult that believes the end of the world is at hand.

Contents

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Cognitive dissonance

Festinger’s theory of cognitive dissonance can account for the psychological consequences of disconfirmed expectations. One of the first published cases of dissonance was reported in the book,When Prophecy Fails (Festinger et al. 1956). Festinger and his associates read an interesting item in their local newspaper headlined “Prophecy from planet Clarion call to city: flee that flood.” A housewife from Michigan, given the name “Marian Keech” in the book, had mysteriously been given messages in her house in the form of “automatic writing” from alien beings on the planet Clarion. These messages revealed that the world would end in a great flood before dawn on December 21, 1954. Mrs Keech had previously been involved with L. Ron Hubbard‘s Dianetics movement, and her cult incorporated ideas from what was to become Scientology.[1] The group of believers, headed by Keech, had taken strong behavioral steps to indicate their degree of commitment to the belief. They had left jobs, college, and spouses, and had given away money and possessions to prepare for their departure on the flying saucer, which was to rescue the group of true believers.

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Premise of study

Festinger and his colleagues saw this as a case that would lead to the arousal of dissonance when the prophecy failed. Altering the belief would be difficult, as Keech and her group were committed at considerable expense to maintain it. Another option would be to enlist social support for their belief. As Festinger wrote, “If more and more people can be persuaded that the system of belief is correct, then clearly it must after all be correct.” In this case, if Keech could add consonant elements by converting others to the basic premise, then the magnitude of her dissonance following disconfirmation would be reduced. Festinger and his colleagues predicted that the inevitable disconfirmation would be followed by an enthusiastic effort at proselytizing to seek social support and lessen the pain of disconfirmation.

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Sequence of events

Festinger and his colleagues infiltrated Mrs. Keech’s group and reported the following sequence of events:[2]

  • Prior to December 20. The group shuns publicity. Interviews are given only grudgingly. Access to Keech’s house is only provided to those who can convince the group that they are true believers. The group evolves a belief system—provided by the automatic writing from the planet Clarion—to explain the details of the cataclysm, the reason for its occurrence, and the manner in which the group would be saved from the disaster.
  • December 20. The group expects a visitor from outer space to call upon them at midnight and to escort them to a waiting spacecraft. As instructed, the group goes to great lengths to remove all metallic items from their persons. As midnight approaches, zippers, bra straps, and other objects are discarded. The group waits.
  • 12:05 A.M., December 21. No visitor. Someone in the group notices that another clock in the room shows 11:55. The group agrees that it is not yet midnight.
  • 12:10 A.M. The second clock strikes midnight. Still no visitor. The group sits in stunned silence. The cataclysm itself is no more than seven hours away.
  • 4:00 A.M. The group has been sitting in stunned silence. A few attempts at finding explanations have failed. Keech begins to cry.
  • 4:45 A.M. Another message by automatic writing is sent to Keech. It states, in effect, that the God of Earth has decided to spare the planet from destruction. The cataclysm has been called off: “The little group, sitting all night long, had spread so much light that God had saved the world from destruction.”
  • Afternoon, December 21. Newspapers are called; interviews are sought. In a reversal of its previous distaste for publicity, the group begins an urgent campaign to spread its message to as broad an audience as possible.

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Conditions

Festinger stated that five conditions must be present, if someone is to become a more fervent believer after a failure or disconfirmation:

  • A belief must be held with deep conviction and it must have some relevance to action, that is, to what the believer does or how he behaves.
  • The person holding the belief must have committed himself to it; that is, for the sake of his belief, he must have taken some important action that is difficult to undo. In general, the more important such actions are, and the more difficult they are to undo, the greater is the individual’s commitment to the belief.
  • The belief must be sufficiently specific and sufficiently concerned with the real world so that events may unequivocally refute the belief.
  • Such undeniable disconfirmatory evidence must occur and must be recognized by the individual holding the belief.
  • The individual believer must have social support. It is unlikely that one isolated believer could withstand the kind of disconfirming evidence that has been specified. If, however, the believer is a member of a group of convinced persons who can support one another, the belief may be maintained and the believers may attempt to proselyte or persuade nonmembers that the belief is correct.

Minhas previsões para 2012

Continuando com o meu debate com o Gene Repórter, defendo agora uma relação mais tranquila (eu diria oportunista) com os milhões de sites dedicados a 2012 e filmes derivados tipo “2012‘. Explicarei melhor a seguir.
Se você analisar bem, esse tipo de clima apocalíptico, paranóico, conspiratório, é um grande fenômeno cultural de massa e que não vem de hoje. Provavelmente é um reflexo psicológico das ameaças ecológicas e econômicas que pairam sobre nosso modo de vida – os atentados de 2001 e a crise econômica de 2008 foram apocalípticos para muita gente. Imagino que seja parecido com o clima cultural pós I Guerra, na década de 20 de uma Alemanha hiperinflacionária (e deu no que deu…). Esse clima me lembra também os anos 1844-1848, com expectativas tanto revolucionárias como apocaliptico-religiosas.
Talvez tudo se resuma ao fato de que a humanidade seja um grande meio excitável e que, de tempos em tempos, ondas de excitação político-religiosa contagiosa se propagam nesse meio, pois as pessoas perderam a imunidade memética da onda anterior. Outra analogia poderia ser uma espécie de bolha sociopsicológicas similar às bolhas econômicas (que também têm seu lado sociopsicológico!). Eu acredito que a conexão político-revolucionária e religiosa se dê porque ambos são aspectos do pensamento utópico. Eu até chutaria um período médio de 30 anos (uma geração cultural?) para esse tipo de ciclo de Lotka-Volterra estocástico similar aos ciclos Romantismo-Realismo examinados por Stephen Brush no curioso livro “A Temperatura da História“.
Ou seja, os educadores e cientistas podem espernear a vontade, e devem fazer a sua parte para esclarecer o público (ver abaixo), mas o clima apocalíptico de 2012 só vai realmente desaparecer em 2013, digamos assim.
Mas isso é uma grande oportunidade, afinal de contas! Assim como 1844 foi o Ano da Grande Desapontamento dos Milleristas, 2012 será o Ano da Grande Decepção da Nova Era. O ano de 2013 é o estouro dessa bolha sociopsicológica. É claro que o pessoal já está preparando explicações via dissonância cognitiva para explicar por que a grande mudança terá acontecido apenas espiritualmente, mas tudo bem. O efeito pós-bolha de 2012 ainda continuará sendo ótimo para uma crítica (e auto-crítica) desse nosso desejo irracional e talvez egoísta de que o mundo acabe antes que nossa vida termine…
Enquanto isso, eu me contento pragmaticamente com a difusão (mesmo que deturpada) de vocabulário e conceitos científicos como “neutrinos“, “ciclo de atividade solar“, “tempestades solares” e “placas tectônicas” promovidos pelo filme (embora não exista conexão entre tempestades solares e emissão de neutrinos…). Sim, o filme podia ser melhor, tanto em roteiro (por que não explorar melhor os dilemas éticos no enfrentamento de uma extinção coletiva?) como cientificamente. Mas ainda acho que, por um simples efeito estatístico, o número de preconceitos formados é contrabalançado pelo fato de que existem agora muito mais pessoas que podem se interessar em ler sobre esses temas se baterem o olho em alguma manchete de jornalismo científico ou reportagem da Scientific American…

Cientistas criticam proposta de “2012” e indicam cenários de fim do mundo

(Assinalo em vermelho o vocabulário científico difundido)

Filme

O burburinho em torno do fim dos dias atingiu o auge com o lançamento do filme “2012”, dirigido por Roland Emmerich, que já trouxe desgraças fictícias para a Terra anteriormente, com alienígenas e geleiras, em “Independence Day” e “O Dia Depois de Amanhã”.

No filme, o alinhamento entre o Sol e o centro da galáxia, no dia 21 de dezembro de 2012, faz com que o astro fique ensandecido e lance na superfície da Terra inúmeras partículas subatômicas ambíguas conhecidas como neutrinos.

De alguma forma, os neutrinos se transformam em outras partículas [imagino que isso foi vagamente inspirado pelo fenômeno de oscilação entre diferentes tipos de neutrinos] e aquecem o centro da Terra. A crosta terrestre perde suas amarras e começa a se enfraquecer e deslizar por aí.

Los Angeles cai no oceano; Yellowstone explode, causando uma chuva de cinzas no continente. Ondas gigantes varrem o Himalaia, onde governos do planeta tinham construído em segredo uma frota de arcas, nas quais 400 mil pessoas selecionadas poderiam se abrigar das águas.

Porém, essa é apenas uma versão do apocalipse. Em outras variações, um planeta chamado Nibiru colide com o nosso ou o campo magnético da Terra enlouquece.

Existem centenas de livros dedicados a 2012, e milhões de sites, dependendo de que combinação de “2012” e “fim do mundo” você digite no Google.

“Tolices”

Segundo astrônomos, tudo isso é besteira.

“Grande parte do que se alega que irá ocorrer em 2012 está baseada em desejos, grandes tolices pseudocientíficas, ignorância de astronomia e um alto nível de paranoia”, afirmou Ed Krupp, diretor do Griffith Observatory, em Los Angeles, e especialista em astronomia antiga, em um artigo publicado na edição de novembro da revista “Sky & Telescope”.

Pessoalmente, adoro histórias sobre o fim do mundo desde que comecei a consumir ficção científica, quando era uma criança. Fazer o público se borrar nas calças é o grande lance, desde que Orson Welles transmitiu a “Guerra dos Mundos”, uma notícia falsa sobre uma invasão de marcianos em Nova Jersey, em 1938.

No entanto, essa tendência tem ido longe demais, disse David Morrison, astrônomo do Ames Research Center da NASA, em Moffett Field, Califórnia. Ele é autor do vídeo no YouTube refutando a catástrofe e um dos principais pontos de contato da agência sobre a questão das profecias maias prevendo o fim dos dias.

“Fico com raiva de ver como as pessoas estão sendo manipuladas e aterrorizadas para alguém ganhar dinheiro”, disse Morrison. “Não há direito ético que permita assustar crianças para ganhar dinheiro”.



Divulgando ciências cientificamente (2)

Realmente não sei se depois da tréplica vem a quadréplica (suponho que não). Mas continuemos porque a discussão está muito interessante e na verdade é vital (afinal, FC para mim é vital…).
Roberto Takata faz algumas afimações em sua tréplica que concordo inteiramente (porque acho que são triviais):
1. Mídias de divertimento (em contraposição à mídias educativas) como filmes de ficção científica influenciam a percepção pública da ciência.
2. Em termos de ciência factual, existem filmes mais acurados (como “Contato”, baseado no livro homônimo de Carl Sagan) e menos acurados (como The Core – Missão ao Centro da Terra).
3. Filmes menos acurados tem impacto educativo negativo comparado com filmes mais acurados.
4. Séries de DV como Cosmos ou Jaques Custeau são mais acuradas cientificamente do que filmes de entretenimento.
Dados esses pontos de partida, porém, me parece que Takata pretende defender as seguintes conclusões que acredito serem um non sequitor dos itens 1-4 (espero que ele me corrija se não for o caso):
A. Professores e divulgadores de ciência não deveriam usar filmes de ficção científica para a difusão científica acurada, seja como exemplos positivos de informação, seja como ganchos de interesse (por exemplo, uma aula de geociências onde se apresenta The Core e pede-se aos alunos para fazer uma crítica científica do filme).
B. Mídias como músicas, quadrinhos, games, stand-up comedy e séries de TV não poderiam ou deveriam ser usadas (com a devida habilidade, claro!) em tarefas como divulgação científica.
C. Crenças pseudocientíficas não podem ser usados como ganchos de divulgação científica.
Já dei um bom exemplo do item A no post anterior, mas Roberto não respondeu ao mesmo.
Exemplo do item B: prefiro, por razões educativas, dar aos meus filhos o game Spore do que games de ação ou violência, embora Spore não seja biologicamente correto e mesmo possa ser classificado por Takata de ser um game que dissemina a idéia de Desígnio Inteligente (por falar nisso, o filme 2001-Uma Odisséia no Espaço também dissemina o DI!).
Exemplo do item C: Nas minhas aulas do curso de Mecânica Clássica, quando chega o momento de calcular o campo gravitacional dentro de uma esfera, eu discuto também o caso da casca esférica dado que os resultados são muito interessantes (assim como no caso da Eletrostática, o campo é nulo sempre dentro de uma esfera oca).
Para motivar o exemplo (afinal, na cabeça de alunos do segundo ano de física, para que serve uma casca oca gravitacional?), eu discuto inicialmente uns dez minutos sobre a Teoria da Terra Oca, e como acreditar na mesma equivale a afirmar que a Teoria da Gravitação de Newton faz predições erradas neste caso: ou seja, você tem que escolher entre uma ou outra, não dá para acreditar nas duas ao mesmo tempo.
Já faz uns dez anos que uso esse exemplo em sala de aula, e me parece que funciona otimamente: os alunos ficam hiper interessados na aula, motivados e compreendem de forma mais profunda as implicações da teoria da gravitação. Afinal de contas, ela implica que a teoria conspiratória de que os OVNIs são naves nazistas originadas nas sete cidades de Agharta, situadas dentro da Terra Oca, e que estão preparando o retorno vitorioso do IV Reich, é puro papo furado de internet (ou melhor, crenças com agendas políticas obscuras, mas vá lá).
Se isso não é um bom uso de uma crença pseudocientífica como gancho para motivar a educação científica, então eu não sei o que mais pode ser. Ou seja, aceitar os argumentos de Takata implica em eu ter que parar de dar essa aula, e eu não vou fazer isso a menos que Roberto realmente me dê bons motivos (ele não me deu nenhum até agora).

Ou seja, talvez Roberto tenha entendido que eu aprove ou estimule a difusão das conceitos científicos errados ou pseudociências como forma preambular de divulgação científica. Não é isso o que eu disse, mas sim que, dado que essas crenças já existem em nosso ambiente cultural, elas constituem um bom gancho para abrir discussões e fazer divulgação científica. Ou seja, as pessoas já ouviram tais palavras (como “Teoria do Caos” no filme Parque dos Dinossauros), e podemos usar essa pop culture para aprofundar o assunto.
Se não me engano, é o que a maior parte dos blogueiros de ciência fazem, quando pegam um conceito científico equivocado (por exemplo, que a Evolução biológica depende fundamentalmente de eventos ao acaso) e o re-explicam de forma mais acurada (Takata fez isso recentemente de maneira explendida aqui).
Um exemplo final: ainda falta um bom filme ou best-seller chamado Entropy (que não seja este aqui) para que o conceito de entropia possa ser discutido entre jornalistas e formadores de opinião ambientalistas. Mesmos que eles saibam que o principal problema da economia não sustentável é o grande aumento de entropia (e não o “gasto de energia”), a palavra não existe no vocabulário conceitual dos público a quem eles poderia se dirigir. O conceito de entropia ainda não sofreu a mesma difusão científica que o conceito de energia.
PS: Apenas como esclarecimento, acho que a discussão aqui não é sobre a diferença entre o campo da Arte e do Entretenimento e o campo das Ciências de da Popularização da Ciência (Entretenimento Científico?). Claramente as linguagens e propósitos de cada campo são diferentes. A questão que estamos discutindo é se é possível ou conveniente exadaptar objetos de entretenimento para o campo da difusão científica e a melhor forma de fazer isso.

Derrubando mitos criacionistas e sobre o criacionismo

12/11/2009 – 09h57

Criacionismo prospera no mundo islâmico, mas sem crença de Terra recente

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KENNETH CHANG
do New York Times, em Massachusetts (EUA)

O criacionismo está crescendo no mundo muçulmano, da Turquia ao Paquistão, passando pela Indonésia, afirmaram acadêmicos internacionais, no mês passado, em um encontro para discutir o assunto.

No entanto, eles disseram, criacionistas que creem que Deus criou o Universo, a Terra e a vida há apenas alguns milhares de anos são raros (se é que existem).

Uma razão é que, embora o Corão, texto sagrado do islã, diga que o universo foi criado em seis dias, a frase seguinte acrescente que um dia, nesse contexto, é uma metáfora: “mil anos da sua contagem”.

Em contraste, alguns criacionistas cristãos descobrem na Bíblia uma cronologia exata que faz com que a Terra tenha 6 mil anos e, portanto, se opõe não apenas à evolução, mas também a grande parte da geologia e cosmologia moderna, que afirma que a Terra e o Universo têm bilhões de anos.

“As visões da evolução científica são claramente influenciadas por crenças religiosas implícitas”, disse Salman Hameed, que organizou a conferência realizada em dois dias no Hampshire College, onde ele é professor de ciências integradas e humanidades. “Não existe criacionismo que acredita que a Terra é jovem”.

Discordâncias

No entanto, isso não significa que tudo sobre a evolução se encaixa no islã ou que todos os muçulmanos aceitam com alegria as descobertas da biologia moderna. Eles não discutem com astrônomos e geólogos, apenas biólogos, insistindo que a vida é criação de Deus, não a consequência casual de fatos aleatórios.

O debate sobre a evolução só agora está ganhando importância em muitos países islâmicos, à medida que a educação melhora e mais estudantes são expostos às ideias da biologia moderna. O grau de aceitação da evolução varia entre os países muçulmanos.

Uma pesquisa liderada pelo Evolution Education Research Center, da McGill University, em Montreal, descobriu que textos didáticos de biologia do ensino fundamental e médio no Paquistão abordam a teoria da evolução. Citações do Corão no início dos capítulos são escolhidas para sugerir que a religião e a teoria coexistem harmoniosamente.

Em uma pesquisa com 2.527 estudantes paquistaneses do ensino fundamental e médio, conduzida pelos pesquisadores da McGill e seus colaboradores internacionais, 28% dos alunos concordaram com o sentimento criacionista: “A evolução não é um fato científico bem estabelecido”. Mais de 60% discordaram, e o restante não soube responder.

Dos estudantes entrevistados, 86% concordaram com a afirmação: “Milhões de fósseis mostram que a vida existe há bilhões de anos e se modificou com o tempo”.

Turquia

A situação na Turquia é diferente, mas só mudou nas últimas décadas. Um dos participantes da conferência, Taner Edis, disse nunca ter encontrado conotações criacionistas quando era pequeno, na Turquia da década de 1970. “Soube do criacionismo pela primeira vez quando vim para os Estados Unidos, para fazer faculdade”, disse Edis, hoje professor de física da Truman State University, no estado americano do Missouri. Ele achou que aquilo era uma esquisitice dos americanos.

Alguns anos depois, enquanto manuseava livros em uma livraria durante uma visita à Turquia, Edis encontrou obras sobre o criacionismo arquivadas na seção de ciências. “Isso me pegou de surpresa”, disse.

Na Turquia, oficialmente um governo laico, mas agora dominado por um partido islâmico, o ensino da evolução praticamente desapareceu, ao menos abaixo do nível universitário, e o currículo de ciências em escolas públicas é projetado para defender crenças religiosas, disse Edis.

Harun Yahya, criacionista turco da corrente que acredita que a Terra é antiga, ficou famoso na Turquia e em outros lugares. Bem longe dali, a maioria dos professores de biologia na Indonésia usam os livros criacionistas de Yahya em suas aulas, conforme descobriram os pesquisadores da McGill, embora alguns tenham afirmado usá-los para fornecer contra-argumentos aos materiais que os alunos liam.

Na pesquisa da McGill, menos estudantes na Indonésia, em relação ao Paquistão, acreditavam que a evolução era um fato cientificamente estabelecido, embora 85% tenham concordado que fósseis mostravam que a vida existe há anos e se modificou com o tempo.

Biologia

A qualidade do ensino da biologia “varia amplamente, dependendo do país e da escola”, disse Jason R. Wiles, professor de biologia da Syracuse University e diretor associado do centro da McGill.

Além disso, a situação no Irã, onde a seita xiita do islã domina, pode ser muito diferente do vizinho Iraque, onde os sunitas são mais numerosos. Não há um líder único, como o papa da igreja católica, que pode ditar uma visão oficial que vale para todos os muçulmanos.

Até mesmo descobrir as diferentes formas pelas quais os países ensinam a evolução pode ser difícil, disse Hameed. A Arábia Saudita, por exemplo, não deixa estrangeiros verem livros didáticos de biologia. “Não temos muita informação”, disse ele.

Para muitos muçulmanos, até a evolução e a ideia de que a vida floresceu sem a intervenção da mão de Alá é amplamente compatível com sua religião. O que muitos acham inaceitável é a evolução humana, a ideia de que os humanos evoluíram de primatas primitivos. O Corão declara que Alá criou Adão, o primeiro homem, do barro.

Tumulto em aula de evolução

Pervez A. Hoodbhoy, importante físico atômico da Universidade Quaid-e-Azam, no Paquistão, disse que, quando deu uma palestra abordando a história cosmológica do Big Bang até a evolução da vida na Terra, a plateia ouviu sem objeções ao conteúdo. “Tudo foi bem, até que os macacos começaram a andar em pé”, disse Hoodbhoy.

Mencionar a evolução humana levou a um tumulto, e ele teve de ser escoltado. “Essa é a única coisa que nunca poderá ser resolvida”, disse ele. “Sua linhagem é o que determina sua validade”.

O ensino de biologia, até em lugares como o Paquistão, que ensina a evolução de outra forma, omite a questão da origem dos seres humanos.

Alguns acadêmicos da conferência temiam que a rejeição a alguns aspectos da evolução possa deixar países muçulmanos em desvantagem no campo da educação científica.

Hameed disse que uma reação negativa à teoria evolucionária poderia refletir uma luta para proteger tradições culturais e valores contra influências ocidentais, embora muçulmanos criacionistas tenham prontamente tomado emprestados muitos dos argumentos dos criacionistas ocidentais, só eliminando os aspectos sobre a idade da Terra.

Reação no Ocidente

Há alguns sinais de que no Ocidente, onde influências não-islâmicas são mais fortes, o criacionismo islâmico possa ser mais forte em reação à pressão externa. Por exemplo, estudantes do ensino fundamental e médio de escolas muçulmanas em Toronto e próximas da cidade duvidaram muito mais da evolução do que alunos da Indonésia ou do Paquistão, como descobriu a pesquisa da McGill.

A maioria dos alunos das escolas islâmicas canadenses discordou que houvesse um conjunto de dados significativos respaldando o conceito de evolução e que a todas as formas de vida vinham do mesmo ancestral comum.

Ao mesmo tempo, muitos dos muçulmanos canadenses até adotaram crenças criacionistas que acreditam que a Terra é jovem, cuja origem é completamente ocidental. Apenas metade dos alunos entrevistados nas escolas muçulmanas na região de Toronto acreditava que fósseis mostravam que a vida existe há bilhões de anos e se modificou com o tempo, em comparação a 86% dos estudantes paquistaneses.

Em um estudo financiado pela Fundação Nacional de Ciência, Hameed e seus colegas irão pesquisar as crenças de médicos muçulmanos em cinco países islâmicos –Egito, Irã, Malásia, Paquistão e Turquia– e compará-las às crenças dos médicos muçulmanos em países não-islâmicos –médicos turcos na Alemanha, médicos paquistaneses na Grã-Bretanha, e médicos turcos e paquistaneses nos Estados Unidos.

“Especialmente na Europa, onde eles têm mais dificuldade em se adaptar à cultura”, disse Hameed, “esperamos uma rejeição mais forte da teoria da evolução”, em comparação a países muçulmanos.

Por que a Parapsicologia não progrediu em 60 anos?

Ontem, em um sebo, eu achei um livro de Rhine, não me lembro o nome agora. Pensei até em comprar para dar de presente ao Sidarta ou ao Nicolelis, como uma piada interna. Mas estava sem grana naquele momento, talvez eu compre na semana que vem.
Eu tenho um outro livro do Rhine, um livro fininho e raríssimo (acho), chamado Fenômenos Psi e Psiquiatria. Quem estiver disposto a pagar R$ 100 reais, eu posso considerar em vender (frete grátis, OK?).
Uma reportagem da Universidade de Duke que talvez tenha inspirado o tema para Rafael Garcia da Folha está aqui. Obviamente, ele não se baseou na mesma para escrever seu artigo. Marquei em todo caso, em vermelho, as informações que possuem certo overlap
01/11/2009 – 20h09

Laboratório dos EUA pesquisou fenômenos paranormais por 60 anos

RAFAEL GARCIA

da Folha de S.Paulo

Em uma de suas frases de efeito mais conhecidas, Albert Einstein teria dito, segundo sua secretária: “Eu jamais acreditaria em fantasmas, mesmo que eu visse um”. Vinda de um físico, essa atitude pode parecer brusca, já que a física sempre se inspirou em observações de fenômenos aparentemente estranhos. [Compreende-se a afirmação de Einstein quando lembramos que a ciência moderna não é empírica, mas teórico-empírica: o puro empirismo tipo “Observei ou fotografei um fantasma” não leva a lugar nenhum enquanto não houver uma teoria de como um fantasma pode ser mais material que um feixe de neutrinos, e interagir de forma eletromagnética com a emulsão de prata de um filme ou uma camera CCD…] Em se tratando mesmo de eventos fantasmagóricos, porém, a ciência parece não ter chegado a um consenso sobre como tratá-los, seja para prová-los, seja para simplesmente descartá-los.

Em parte, a crença em coisas como telepatia e psicocinese ainda existe porque poucos acham hoje que vale a pena gastar tempo (e queimar a reputação) tentando estudá-las. Pelo menos um homem sério, porém, já teve a coragem (ou a imprudência) de embarcar na empreitada de tentar levar a parapsicologia para um laboratório. Sua história é contada no recém-lançado “Unbelievable” (“Inacreditável”), da jornalista americana Stacy Horn.

O aventureiro em questão foi o botânico Joseph Banks Rhine, que decidiu mudar de área e conseguiu apoio para montar um laboratório de parapsicologia na prestigiosa Universidade Duke, na Carolina do Norte (EUA), em 1935. Eram outros tempos.

Na época, a comunidade científica não era tão avessa a questões espirituais, e Rhine tinha certa reputação, ainda. Interessado num problema que era considerado aberto, antes de ter seu laboratório o cientista ganhou reputação ao desmascarar falsos médiuns.

Intrigado com relatos em que não parecia haver fraude, porém, Rhine decidiu usar o laboratório para verificar se, em experimentos controlados, coisas como telepatia e clarividência de fato apareciam.

E apareceram. Mas, como esperado, a interpretação dos resultados não é bem algo que se possa chamar de consenso.

Por décadas, Rhine e seus colegas foram à caça de médiuns para testá-los em um engenhoso experimento bolado em seu laboratório na Duke: adivinhação de cartas. Ao longo dos anos, cientistas testaram laboriosamente a habilidade de voluntários repetidas vezes até formar, com cada um deles, um corpo de dados que tivesse alguma significância estatística.

Outro teste era feito com dados. Pessoas com suposta habilidade de telecinese eram avaliadas enquanto tentavam influenciar os resultados obtidos movendo os cubos de resina com a força da mente.

Clarividência

O acervo do laboratório registra mais de 10 mil sessões de testes, a maioria deles decepcionantes. Alguns poucos voluntários, porém, conseguiam adivinhar cartas com taxa de acerto maior do que se esperaria por puro acaso.

E lá estava a prova de que a clarividência existiria: planilhas mostrando que alguns poucos voluntários tinham obtido sucesso que não é explicável apenas pela sorte.

Qualquer pessoa com um mínimo de ceticismo, claro, torce o nariz. Quem garante que o próprio Rhine não estava trapaceando? Horn dedica boa parte do livro a mostrar como o cientista conseguiu proteger razoavelmente bem os seus dados de críticas de manipulação.

Sem uma teoria minimamente plausível para explicar seus experimentos, porém, o laboratório da Duke também não conseguiu convencer grupos sérios de outras universidades a tentarem reproduzir os experimentos. E, mesmo que o bombardeio dos céticos nunca tenha cessado, o laboratório acabou sendo mais vítima da descrença de amigos.

Planilhas cheias de números, claro, não são tão interessantes quanto relatos anedóticos de “poltergeists” e histórias de fantasmas. O laboratório até chegou a investir um pouco em “pesquisa de campo”, investigando casos supostamente reais que inspiraram os filmes “Poltergeist” e “O Exorcista”, mas Rhine rejeitou levar ao periódico “Journal of Parapsychology” estudos que não tivessem um corpo de provas rígido.

Muitos dos filantropos que bancavam o laboratório, porém, estavam interessados mesmo era em contatar entes queridos no além. Não queriam saber de dados e baralhos. E financiadores mais benevolentes, como a Fundação Rockefeller, também acabaram se vendo com reputação ameaçada.

Na década de 1960, Rhine fez algumas tentativas de reavivar o laboratório, entre elas a de receber o psicólogo Timothy Leary para testar se o LSD poderia dar habilidades de clarividência a pessoas normais. Aparentemente, foi divertido, e só.

O dinheiro para pesquisa em parapsicologia foi aos poucos indo embora. A Duke nunca fechou oficialmente o laboratório, hoje batizado de Centro Rhine. A Associação Americana para o Avanço da Ciência, apesar de não dar mais crédito ao tema, nunca desfiliou a Associação de Parapsicologia de Rhine. O físico John Wheeler, na década de 1970, defendeu isso, mas não foi atendido.

O livro de Horn, porém, talvez seja condescendente demais com Rhine ao descrever o debate de parapsicólogos contra céticos como um “empate”. Aí talvez valha uma velha regra: alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias. Acredite quem quiser que as planilhas de Rhine são a prova da clarividência.

Em se tratando de jornalismo, porém, um cético de mente mais fechada dificilmente levantaria a história fascinante que Horn esquadrinhou.

“Unbelievable” (“Inacreditável”) de Stacy Horn; Ecco, 294 págs., US$ 24

Synchronicity at Duke

Remembering the days of parapsychology research in the Rhine lab

By Geoffrey Mock

Monday, March 23, 2009

DURHAM, NCWhen C.G. Jung wrote about human extra-sensory connections in Synchronicity, most of the first half of the book covered research conducted at Duke University. Author Shirley Jackson grounded her horror story The Haunting of Hill House in real-life fact by citing Duke research using ESP cards (see video below).

This wasn’t something that could have been predicted in Duke’s early days. It isn’t even something that gets talked a lot about at Duke anymore. However, it wasn’t long ago that in popular culture, Duke was well-known as a center of parapsychology research.

Now the story of J.B. and Louisa Rhine and parapsychology research at Duke has been told by author Stacy Horn in Unbelievable: Investigations Into Ghosts, Poltergeists, Telepathy and Other Unseen Phenomena from the Duke Parapsychology Laboratory.



Hollywood on the Rhine Lab

Stacy Horn says Shirley Jackson based several characters in her horror novel The Haunting of Hill House on researchers and students at the Rhine Lab. In the novel, and in this movie clip, one character is described as being a superstar in Duke ESP studies. In real life, Divinity School student Hubert Pearce was the “shining star.”

Horn came to Duke’s Rare Book Room Thursday to discuss Rhine’s research and her new book. When she started exploring the Rhine papers in Duke’s Special Collections Library, Horn said she “expected to find ghosts and poltergeists.”

What she found, she said, was science and long discussions of statistics and experimental procedures. She also discovered lots of letters from people dealing with phenomena they couldn’t understand.

“I found letters from Albert Einstein,” Horn said. “I found letters from ordinary people. Whenever anything strange happened, Duke was where people wrote. The underlying message of every letter was, ‘help me.’

“My book came out of the letters that these people wrote.”

Rhine came to Duke in 1927 to work with his mentor William McDougall. He was already famous in the press for his application of the scientific method on the study of mediums and for his expose of a well-known Boston medium named Margery.

At Duke, he developed experimental methodology for parapsychology, concentrating in the areas of telepathy, psychokinesis, clairvoyance and precognition. Publication of a 1934 book on extra-sensory perception — based on research using Duke students and local residents — made him famous.

“He became a rock star,” Horn said. “By 1935, anyone interested in this field was talking about his lab.”

Over the next three decades, Rhine and lab colleagues corresponded with Einstein and Jung and celebrities such as Jackie Gleason. The Rockefeller Foundation, Alfred P. Sloan (of General Motors and Sloan-Kettering fame) and the military provided support, Horn said. The CIA bought ESP cards from him, Horn said.

They did research on students, residents, faculty members and all sorts of animals. The military funded research on honing pigeons to see if they had telepathic powers, Horn said.

They investigated police reports of poltergeist episodes in New Jersey. They were in contact with a priest whose exorcism of a young boy was later the basis of William Peter Blatty’s book The Exorcist.

“He got missing persons letters,” Horn said. “People wrote him asking for his help finding the Boston Strangler. In the letters with (the exorcist) priest, the priest described an incident in which the kid was sitting in a chair and words appeared on the skin [um fenomeno similar está sendo observado em um bebe muculmano, mas sendo interpretado como mensagens de Alah]. Then the chair slides back and falls against the wall. In many ways, this was like every other letter Rhine received — ‘Something weird happened, can you please help me.’”

But what did it add up to? Horn said Rhine changed discussion about ghosts and poltergeists and mediums. When he started, Arthur Conan Doyle was publishing as fact photographs of fairies.

“When Rhine applied the scientific method, he ended the idea of mediums or fairies or parlor tricks,” Horn said.

However, his research for the most part remains unduplicated, an essential element of accepted science. Rhine himself believed spiritual powers to be uncontrollable, and he never developed a theory of how such powers worked.

To the end of his career, Rhine remained in a difficult place, Horn said. Scientists rejected his research, and the public kept hoping it would lead to powers Rhine would not promise, such as communication with the dead.

Horn, however, says she has an open mind about the research.

“I’m not a scientist, but I can’t dismiss the evidence. It points to the possibility that there seems to be another source of information out there in the world,” she said. “We don’t know how it’s transmitted, but experiments show that there are information processes out there that some people pick up on that we don’t understand.”

Relatividade não muito relativa


Um Cut and Paste dum texto do Piqueira, via Dulcídio (Física na Veia). Acho que o Piqueira não vai reclamar, qualquer coisa eu falo com ele…

É comum, em nosso cotidiano, que conceitos de teorias científicas passem ao vocabulário usual, com sentido distorcido e aplicado de maneira irresponsável, com apoio pressuposto do argumento de autoridade.

O caso mais gritante é o do “Darwinismo Social” que, ao se valer de teoria científica, procura legitimar preconceitos e mecanismos de dominação entre grupos étnicos e sociais. Felizmente, caiu em merecido descrédito, de modo que sua relevância atual é nula, sendo digna de repúdio.

Entretanto, parece que Darwin hoje incomoda tanto quanto Galileu à sua época. Alguns pretendem dar ao “Criacionismo” status de ciência, colocando-o como teoria alternativa ao “Darwinismo”. Nada mais pobre, do ponto de vista espiritual e intelectual do que confundir a ciência com a fé.

A fé é foro íntimo, e de cada um. As diversas religiões devem ser respeitadas, cada uma com seus dogmas. A ciência não é uma alternativa à religião, porém conhecimento de outro tipo.

Ciências mudam todos os dias, podem questionar-se, aprimorar-se continuamente. A ciência busca o entendimento da natureza e não há nesse ato, qualquer atitude de crença ou descrença em dogmas religiosos.

Assim, Darwin é vítima do obscurantismo, pois suas idéias tendem a ser negadas pelo público, digamos, leigo ou pseudo-científico, como se pertencessem a um lado diabólico da humanidade. Há, entretanto, uma vítima positiva do obscurantismo: Albert Einstein.

Lido por poucos, virou lenda e com isso a ele se atribuem idéias estapafúrdias, com frases repetidas à exaustão, em livros de auto-ajuda. Vamos lá, quer ganhar uma pendenga? Diga sério uma besteira atribuindo-a a Einstein. Quase todos vão acreditar, porque só poucos verificam.

A mais engraçada é a relatividade: “Tudo é relativo”, dizem os leitores descuidados, e um interminável rolo de enganos vai subscrever-se à glória de Einstein.

Galileu, que passou maus bocados nas mãos de obscurantistas, entre seus vários trabalhos, enunciou o “Princípio da Relatividade” que diz: “As leis físicas são as mesmas para qualquer referencial inercial.”. Ou seja, o chamado princípio da relatividade fala de invariância de leis, mesmo que os referenciais produzam medições diferentes para certas grandezas físicas.

O que Einstein procurava, quando enunciou sua “Teoria da Relatividade Especial”, era salvar o princípio de Galileu, quando aplicado às leis do eletromagnetismo, que haviam sido brilhantemente sintetizadas por Maxwell, durante o século XIX. Parecia, inicialmente, que as leis do eletromagnetismo não eram descritas da mesma maneira, quando se mudava de referencial.

Ao unificar os resultados de Michelson e Morley sobre o fato de que a luz não necessita suporte material para se propagar com as equações de Lorentz para cálculo de velocidades relativas e com o fato da velocidade da luz independer do referencial, concluiu que as leis do eletromagnetismo também são as mesmas para todos referenciais inerciais.

Sabe-se que, como todo ser humano, Einstein, ao longo de sua carreira, errou certas coisas, da mecânica quântica, sobretudo. Seu erro maior, contudo, foi ter mantido o nome de “Teoria da Relatividade” para seu trabalho e não mudá-lo para “Teoria da Invariabilidade”. O nome chamaria menos a atenção dos meios comunicativos, mas evitaria o “Einsteinismo Social”.

Todavia, há uma possível analogia entre a noção einsteiniana de “invariabilidade” e os fenômenos sociais. Realmente, há variações de valores de cultura para cultura, mas o que há de essencial para o homem – respeito à liberdade, acesso ao conhecimento e, principalmente, direito à vida com dignidade – independe de qualquer referencial social.

José Roberto Castilho Piqueira

Professor titular da Poli-USP