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Alain de Botton: Ateísmo 2.0

Via FACEBOOK do Mauro Copelli:

O Filósofo Philip K. Dick e seu Multiverso

Via Ramon Bacelar na Lista do CLFC:

Obras do americano Philip K. Dick começam a ser reeditadas no Brasil

Publicações vêm na esteira do remake de ‘O Vingador do Futuro’, baseado no conto de ‘Realidades Adaptadas’

17 de agosto de 2012 | 20h 00
Antonio Gonçalves Filho – O Estado de S. Paulo

A realidade não passava de uma alucinação para o autor de ficção científica norte-americano Philip K. Dick (1928-1982), ainda pouco conhecido como escritor no Brasil, mas popular entre cinéfilos por filmes baseados em seus livros. Já são oito com a estreia, nesta sexta-feira, 17, de O Vingador do Futuro. O mais popular deles, Blade Runner (1982), foi baseado no romance Do Androids Dream of Electric Sheep? (1966), publicado no Brasil com o título O Caçador de Androides (a edição da Rocco está esgotada, mas a editora Aleph disputa o título). Deve ganhar uma sequência em 2013.

Veja também:
link Volume de ensaios sobre Blade Runner traz texto de Cabrera Infante

'O Vingador do Futuro' chegou aos cinemas nesta sexta-feira, 17 - Divulgação
Divulgação
‘O Vingador do Futuro’ chegou aos cinemas nesta sexta-feira, 17

Desde que topou com uma estranha mulher de cabelos negros batendo à porta de sua casa, em 1974, o autor passou a afirmar que tudo o que vemos não passa de projeção de um mundo paralelo. O livro Realidades Adaptadas, que chega ao mercado com sete dos seus oito contos transformados em filmes (inclusive O Vingador do Futuro), tem histórias que insinuam ser essa não apenas a crença de alguém diagnosticado como esquizofrênico, mas de um panenteísta empenhado em provar que suas visões do futuro lhe foram reveladas pela divindade criadora do universo.

A coletânea de contos inaugura uma série de cinco livros do autor que a Editora Aleph coloca no mercado com novo visual. Depois deRealidades Adaptadas, chega às livrarias, em outubro, FluamMinhas LágrimasDisse o Policial, seguido, em 2013, por O Homem do Castelo Alto (1962), Os Três Estigmas de Palmer Eldritch (1965) e Ubik (1969). Todas as capas trazem os títulos aplicados em adesivos, podendo ser substituídos por novo layout, disponível num marcador encartado em cada volume. O projeto é de Pedro Inoue, diretor de criação da revista ativista canadense Adbusters, que se opõe ao capitalismo.

Os relançamentos aqui acontecem no momento em que os livros de Philip K. Dick, traduzidos em 25 línguas, começam a ser adotados no currículo das universidades americanas. Read more [+]

Aprendendo com games

Se você está preocupado pelo fato de seu filho “gastar” horas em games em vez de “estudar para ser capaz de trabalhar”, o artigo abaixo sugere que você é adepto da filosofia Baining de vida. O que precisaria ser melhor estudado é que tipo de aprendizagem ocorre durante os games: Reações neuromotoras e tomadas de decisão rápidas? Habituação emocional em ambientes hostis simulados que lembram sonhos? Socialização em jogos online? Bom, uma tese de doutorado examina a aprendizagem através de games aqui.

Freedom to Learn

The roles of play and curiosity as foundations for learning.
by Peter Gray
Bateson called them “drab and colorless:” The culture where play is shameful.
Published on July 20, 2012 by Peter Gray in Freedom to Learn

 

Note to readers (added Aug. 5, 2012): In your reading of this essay, please include the comment (on page 2 of the comments) by Professor Jane Fajans, the anthropologist whose writings I have made use of for this post.  Her comment is entitled “Work and Play Among the Baining” (which is also part of the subtitle of her fascinating book), and it offers a couple of significant corrections to what I say here.  Perhaps most important, Fajans notes that Baining adults, in her experience, did not so much actively prevent children’s play as devalue it. I wish also to take this opportunity to emphasize a point that I could have made more fully in this essay: The attitude of the Baining toward play is very different from that of hunter-gatherers, and, correlated with that, their adult character is also very different. If you follow the links in the third paragraph below, you will find more about hunter-gatherers and play. I wish to add also that this essay is clearly not about race but about culture, and if there is value judgment, it is judgment grounded in my own culturally-produced biases. -PG

The Baining—one of the indigenous cultural groups of Papua New Guinea—have the reputation, at least among some researchers, of being the dullest culture on earth. Early in his career, in the 1920s, the famous British anthropologist Gregory Bateson spent 14 months among them, until he finally left in frustration. He called them “unstudiable,” because of their reluctance to say anything interesting about their lives and their failure to exhibit much activity beyond the mundane routines of daily work, and he later wrote that they lived “a drab and colorless existence.” Forty years later, Jeremy Pool, a graduate student in anthropology, spent more than a year living among them in the attempt to develop a doctoral dissertation. He too found almost nothing interesting to say about the Baining, and the experience caused him to leave anthropology and go into computer science (reference here).  Finally, however, anthropologist Jane Fajans, now at Cornell University, figured out a way to study them.[1] Read more [+]

Religião Para Ateus

Home » Livros » Descrição » RELIGIAO PARA ATEUS

RELIGIAO PARA ATEUS

Formato: Livro

Autor: BOTTON, ALAIN DE

Tradutor: PAOLOZZI, VITOR

Editora: INTRINSECA

Assunto: FILOSOFIA

R$19,90
+cultura R$16,90

ou até 6x R$ 2,82 sem juros com cartão
Livraria Cultura Itaucard e ainda
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Especificações Tecnicas

ISBN: 858057093x

ISBN-13: 9788580570939

Idioma: Livro em português

Encadernação: Brochura

Dimensão: 21 x 14 cm

Edição: 1ª

Ano de Lançamento: 2011

Número de páginas: 272

Sinopse

‘Religião para ateus’ parte da premissa de que, com ou sem fé, é possível encontrar aspectos úteis, interessantes e consoladores nas religiões. E examina as possibilidades de transferir algumas dessas ideias e práticas para a vida secular. Nesse livro, Alain de Botton defende que a sociedade tem muito a aprender com as religiões ao tratar de questões como vida em comunidade, moralidade, educação e arte.

Opinião do Leitor

  • 2 Opiniões:

    Opine

  • 26/11/2011

    ALEX BONIFACIO

    O autor está de parabéns por mais essa lindíssima obra editada no Brasil, a imprensa deveria expor com maior intensidade esta referência bibliográfica.Apesar de vivermos numa nação dita religiosa, a laicidade é soberana.

  • 14/11/2011

    HELOISA EMILIA BONFIM

    Alain de Botton é um filósofo que deveria ser mais divulgado pela mídia, aqui no Brasil.
    O livro é ótimo, ideias simples e ao mesmo tempo geniais, o texto é leve – como a vida deveria ser, ou pelo menos como almejamos que seja.
    Este livro será mais um dos meus livros, do autor, que eu gosto…+ ver mais

Ateus demasiadamente otimistas

Ernesto von Ruckert

Vicosa, MG, Brazil

www.ruckert.pro.br

Porque a luta entre ateus e teístas parece ser eterna, e no horizonte não se consegue prever o fim dessa luta? existem pessoas super bem formadas e bem informadas em ambos os lados, porque as opiniões se dividem e divergem tanto?

Esta luta não é eterna. Eu prevejo a vitória do ateísmo em poucos milhares da anos. Pessoas inteligentes e informadas ainda não são atéias, simplesmente porque ainda não se debruçaram o suficiente no estudo dos fundamentos de suas crenças, como eu o fiz e como recomendo que todos o façam, bem como difundo, buscando esclarecer. Teístas, deístas, panteístas, politeístas e todos os que consideram a existência de deuses e espíritos não são necessariamente burros e nem ignorantes. Só não pensaram bastante, de modo científico e filosófico, sobre o tema. Quando o fizerem, posso quase garantir que se tornarão ateus. Às vezes seu objeto de estudo não tem ligação com esses questionamentos. Para se concluir pela inexistência de deus é preciso estudar, pelo menos, religião, história, cosmologia, neurociência, evolução e, principalmente, filosofia. Se a pessoa é inteligente e culta mas mexe com arte, literatura, música, administração, negócios, direito, economia, geografia, só história, engenharia ou outras coisas, pode não chegar a concluir pela inexistência de deus. Médicos podem concluir mais facilmente, se forem mais teóricos do que práticos.
Assim, com a disseminação do conhecimento a todas as pessoas. o que ocorrerá à medida que toda a pobreza for sendo extinta no mundo e toda a humanidade for próspera e instruída, o que acho que se dará em menos de cinco mil anos, as religiões e as crenças religiosas se extinguirão e todos serão ateus. Para mim, religiosos cultos e inteligentes, como o próprio Papa, em seu foro íntimo, são ateus.

Isso apareceu no meu Formspring, eu não entendo direito como essa rede social funciona, não tenho usado muito não.

Me parece que devo discordar. Dado que existem muitos cientistas e filósofos de alto calibre (como os ganhadores do prêmio Templeton) que certamente pensaram muito sobre o assunto e não são ateus, segue-se que o simples pensar científico e filosófico não produz automaticamente o ateísmo (na melhor das hipóteses produz o agnosticismo).

Sendo assim, mesmo se a educação atingisse um nível em que as pessoas tivessem a mesma inteligência e formação cultural que os ganhadores do prêmio Templeton, isso ainda não produziria uma massa de ateus.

Dado que a educação no mundo está aumentando mas a fração relativa de ateus está diminuindo (o que cresce é o número dos ateus declarados, ou seja, que já eram ateus mas saíram do armário) e o número de sem religião (ou seja, religiosos nominais, como os antigos católicos que iam na igreja apenas num batizado ou casamento, agora se dizem sem religião, o que provavelmente significa que são seguidores de algum tipo de crença New Age ou livros de auto-ajuda), me parece que a simples educação secular não é uma força suficiente para espalhar o ateísmo.

Assim, acho que o único meio concreto do Ateísmo crescer seria ser pró-ativo, proselitista, como é o caso de Richard Dawkins, por exemplo. Os ateus precisariam evangelizar, mandar missionários, criar igrejas seculares etc. Teriam que aprender com os neopentecostais como fazer isso de maneira eficiente (por exemplo, cantar músicas seculares em grupo, numa atmosfera de elevação espiritual, criar programas de TV com sermãos ateus etc.).

Como não vejo isso no horizonte, acho que Ernesto Von Ruckert deveria ser mais realista, não confundir um pensamento desejante (“ai, como seria bom se todo o mundo fosse ateu!”) com as sérias análises antropológicas, sociológicas, de psicologia evolucionária, demográficas, de dinâmica de população etc, necessárias para a análise científica da taxa de crescimento do ateísmo.

Da minha parte, acho que as populações de ateus e religiosos seguem uma dinâmica de Lotka-Volterra (ciclos predador-presa), de modo que ateísmos e neoateismos, renovaçãoes espirituais e grandes despertares seguem ondas quasi-periódicas, sem um trend concreto. Ou seja, o sistema não está indo para lugar nenhum, fica oscilando num ciclo eterno.

Acho que o assunto só se encerraria se encontrássemos que a civilização galáctica é ateia. Mesmo assim, não tenho certeza. O pessoal tem tanta fé que enviariam missionários para os outros planetas. Ai sim teríamos uma Igreja Universal do Reino de Deus…

Ateísmo 2.0

Update: a matéria abaixo é da Folha, não minha!

Alain de Botton propõe “ateísmo 2.0” em SP

23/11/2011 – 17h12

Alain de Botton propõe “ateísmo 2.0” em SP Publicidade DE SÃO PAULO Em uma apresentação pontuada por provocações, o filósofo Alain de Botton, 41, autor de best sellers como “A Arquitetura da Felicidade” e “Como Proust Pode Mudar sua Vida”, arrancou risos e mexeu com os ânimos da plateia que quase lotou a Sala São Paulo para ouvi-lo, dentro do ciclo de conferências Fronteiras do Pensamento.

A palestra marcou o lançamento no Brasil de sua mais recente obra, “Religião para Ateus” . Botton iniciou sua fala apontando uma divisão básica entre os que creem e os que não creem em Deus. O filósofo foi logo antecipando que não crê, e propôs a fundação do que chamou de um “ateísmo 2.0”. “Hoje é assim: ou você acredita em um conjunto de doutrinas e ingressa em uma comunidade religiosa, ou, com a ajuda da CNN e do Wal Mart, tenta dar conta de uma vida própria espiritualmente vazia”.

O filósofo Alain de Botton durante palestra no evento Fronteiras do Pensamento, em São Paulo “Muitos ateus como eu admiram catedrais, música sacra e se interessam pelos rituais. Os ateus deveriam se apropriar do legado das religiões”. Em seguida, enumerou algumas características do culto religioso que deveriam servir de inspiração para o homem contemporâneo e defendeu sua ideia central, de que a cultura pode substituir a escritura. “De um modo geral o mundo está cada vez menos religioso. Talvez fosse possível ler Montaigne e Shakespeare ao invés do Evangelho”.

Ainda propôs que as universidades passassem a se preocupar não apenas com o conteúdo acadêmico mas também em ensinar como viver melhor, atribuição tradicionalmente associada à Igreja. “As pessoas querem não apenas aulas, mas também sermões, e as universidades deveriam pensar nisso”. E acrescentou: “Nossa mente é uma peneira. Hoje você ouve esta palestra e no final de semana já esqueceu. Uma das características da religião é a repetição, que trata de lembrá-lo sempre do que leu e ouviu”.

Botton enalteceu o calendário religioso em contraponto ao tempo desestruturado do homem contemporâneo. Também mencionou os rituais religiosos associados ao bem estar físico e emocional como os banhos de purificação ou a cerimônia do chá. E atacou o conceito da arte pela arte. “Hoje você vai a um museu de arte contemporânea e sai com a sensação de que não entendeu nada”. De acordo com Botton, a abordagem das religiões é mais objetiva, e mostra que a arte serve para lembrar o que deveríamos amar e o que deveríamos temer. Por fim, comparou as religiões às empresas multinacionais que prezam pela fixação de suas marcas nas cabeças dos consumidores.

Resumidamente, Botton apontou a criação de comunidades laicas inspiradas nas instituições religiosas como solução para a doença moderna da solidão. “Há um perigo real hoje que não é a ausência, e sim o excesso de liberdade. Precisamos abrir mão de parte dela por algo que pode ser bom para nós. É preciso criar um sistema de moralidade fora da religião”. Criticou o Facebook e redes sociais: “As pessoas se juntam com base no que gostam em comum. Mas o verdadeiro propósito deveria ser o de juntar as pessoas que não se gostam”. E assim encerrou sua palestra de 40 minutos.

A seguir, respondeu perguntas da plateia e da mediadora Fernanda Mena, editora da Ilustrada. E mencionou que pretende abrir no Brasil, no ano que vem, uma filial de sua Escola da Vida –instituição fundada por ele em Londres, e que já recebeu mais de 40 mil alunos para cursos e palestras. “Assim como aprendemos a dirigir um carro ou fazer a declaração do imposto de renda, é preciso que nos ensinem como viver, e esta é a missão da escola”.

 Conciliador, suíço mostra lado bom das religiões aos ateus

da Livraria da Folha

O mercado editorial está balançado pela discussão entre acreditar ou não em uma força organizadora do universo. Enquanto o jornalista brasileiro Fábio Marton defende o ateísmo em “Ímpio” (Leya, 2011), o matemático britânico John C. Lennox mostra que o criador continua a ser uma possibilidade em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus” (Mundo Cristão, 2011).

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Autor defende o lado bom das doutrinas existemtes no globo
Autor defende o lado bom das doutrinas existentes no globo

No meio de campo, o escritor suíço Alain de Botton adota uma postura mais conciliatória. Em seu livro “Religião para Ateus” (Editora Intrínseca, 2011), o autor levanta a bandeira branca e diz “E daí se todas as crenças não passarem de conto de fadas? Vamos ver o que elas tem de bom a nos oferecer.”

Voltado para quem tem ou não fé, o volume mostra que é possível tirar lições muito valiosas das religiões e leva os leitores por um passeio pelo que de melhor elas ensinam às pessoas. A publicação traz também 95 imagens com reflexões sobre o papel das doutrinas religiosas no mundo contemporâneo.

Ainda dentro do mesmo tema, saíram nos últimos meses “Porque Não Sou Cristão” (L&PM Pocket, 2011), reedição de obra ateísta clássica do filósofo galês Bertrand Russell, “Teologia e Física” (Edições Loyola, 2011), livro que propõe a reunião de fé e ciência do teólogo italiano Simone Morandini, e “O Ateísmo Cristão e Outras Ameaças à Igreja” (Mundo Cristão, 2011), uma ácida crítica do pastor presbiteriano brasileiro Augustus Nicodemus.

*

“Religião para Ateus”
Autor: Alain de Botton
Editora: Editora Intrínseca
Páginas: 272
Quanto: R$ 16,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

Atenção: Preço válido por tempo limitado ou enquanto durarem os estoques. Não cumulativo com outras promoções da Livraria da Folha. Em caso de alteração, prevalece o valor apresentado na página do produto.

*

Para botar mais lenha na fogueira…

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Livro mistura religião, história e filosofia para reconciliar fé e razão
Volume mistura religião, história e filosofia para reconciliar fé e razão
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Ateu convicto revela apertos que passou nos tempos em que era crente
Ateu convicto revela apertos que passou quando era crente
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Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes
Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes

FC do B resultado final – B.B.Jenitez foi selecionado!

UPDATE: Lançamento do livro e noite de autógrafos no dia 10 de dezembro, sábado, as 19: 30 h no PIER 1327 , Rua Joaquim Távora, 1327 – Vila Mariana/SP.

Estão todos convidados!

Facebook do FCdoB.

Oba, parece que virei escritor mesmo!

A Comissão Organizadora do Concurso FC do B – Ficção Científica Brasileira, gostaria de agradecer pela sua participação, em mais uma edição do concurso que já se tornou referência em FC no Brasil.

De outubro de 2010 até julho de 2011, foram inscritos 323 contos e 38 ilustrações de praticamente todos os estados, além daqueles vindos de brasileiros residentes em outros países, como Argentina, Estados Unidos, Japão, Portugal e Suiça.

Após 3 meses de deliberações, a Comissão Julgadora escolheu os 21 vencedores.

VENCEDOR NA CATEGORIA ILUSTRAÇÃO

Carlos Reno (“Curumins”)

VENCEDORES NA CATEGORIA CONTO

Alexandre Lobão  (“Asas”)
Anderson Santos  (“No Passado”)
Antonio Junior  (“Obsoleto”)
Antonio Bórgia  (“Dialética da Perfeição”)
Augusto Guimarães  (“O Patriarca”)
B.B. Jenitez  (“Demiurgo”)       Ver também “Projeto Mulah de Tróia XXIV”  
Carlos Abreu  (“Como Jogar Contra Adversários mais Fortes”)
Carlos Sautchuk  (“A Intervenção”)
Chico Pascoal  (“Tiangwá e os Pequenos Guerreiros de Yoomandu-Açu”)
Denis Winstom Brun  (“Imperfeito”)
Gustavo Coelho  (“O Sexto Círculo”)
Gustavo Rimoli  (“Apotine Gratinado”)
João Paulo Vaz  (“A Inimaginável Materialização de Samira”)
Marcel Breton  (“Memorial”)
Mozart Almeida  (“Recomeço”)
Paulo Eduardo Mauá  (“Acorda e Vem Ver o Luar”)
R.Lovato  (“Nulla in Mundo Pax Sincera”)
Raul Rabesch  (“Resíduos Atômicos e as Falhas nos Microprocessadores Weltall”)
Ronaldo Brito Roque  (“Controle Remoto”)
Rubem Cabral  (“Nanovidas”)

Nossos agradecimentos e votos de sucesso!

Atenciosamente

Concurso Literário FC DO B – Ficção Científica Brasileira
“Ajudando a escrever a História da FC Brasileira”
Site : www.fcdob.com.br

Papai Noel Quântico

If you want your children to be intelligent, read them fairy tales. If you want them to be more intelligent, read them more fairy tales.

Chegando o Natal começa aquela ladainha sobre Jesus e Papai Noel, meus amigos cristãos reclamando que o capitalismo coloca Papai Noel na frente de Jesus e alguns dos meus amigos ateus hateando que tanto Papai Noel como Jesus são personagens igualmente míticos. Ah sim, também tenho amigos que não falam nem de Jesus nem de Papai Noel para seus filhos pequenos e os presentes de Natal são dados ou em homenagem ao Deus-Sol Apolo Invictus – no solstício de verão que cairá no dia 22 de Dezembro às 5:30 h neste ano, ou no dia de Reis, 6 de janeiro, não sei exatamente por quê.

Meus filhos não receberam educação religiosa mas acho que sabem pelo menos quem é Davi (ou pelo menos, como Davi venceu o gigante Golias, de modo que eles, sendo baixinhos, também não deveriam ter medo dos grandões). E, claro, foram educados acreditando em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Lembro-me de um jantar maravilhoso na época de Natal onde Leonardo, Raphael e eu discutíamos sobre como é possível Papai Noel entrar na nossa casa, dado que ela não tinha chaminé. Aventei a hipótese de teletransporte, acho que falei também sobre a possibilidade de um Papai Noel quântico que pudesse, numa superposição de estados, estar em todas as casas das crianças ao mesmo tempo.

Algumas pessoas me criticaram por encher as cabeças dos meus filhos de mitos, fantasias e ficção científica. Bom, minha desculpa é que eu sigo o preceito de Einstein acima, afinal quero que meus filhos sejam inteligentes e criativos.

Isso parece ter dado certo: Mariana (18)  sempre foi a melhor aluna da classe e cursou todo o ensino médio sem pagar nada, pois ganhou uma bolsa num vestibulinho em que ficou em primeiro lugar entre 100 candidatos. Juliana (15) acaba de ler Sartre (depois de passar por Spinoza e Aristóteles). Dado que ela tem apenas 15 anos, acho que é um feito (eu mesmo li muito poucos desses autores). Mariana e Juliana acabam de passar na primeira fase da FUVEST, o que me parece promissor, dado que Mariana namorou e vagabundeou o ano todo – segundo suas próprias palavras, e Juliana está ainda no segundo ano e não fez cursinho.

Leonardo (10) ganhou recentemente uma medalha de prata em uma Olimpíada de Matemática. Já Raphael (8) saiu-me com essa quando tinha seis anos de idade: “Papai, confesse, Bicho Papão não existe!” “Sim, meu filho, Bicho Papão é uma história que as mães usam para fazer as crianças ir pra cama mais cedo…” “Hummm… sim, porque eu nunca vi um Bicho Papão! Agora, fale a verdade mesmo: você me mandou trancar a porta do carro por causa do Ladrão, mas Ladrão também não existe! Eu também nunca vi um!”

Sim, Raphael é meio empirista e positivista lógico: na época ele ainda acreditava em Coelho da Páscoa dado que havia amplas evidências observacionais – ovos de Páscoa, rastros do Coelho pela casa, evidências televisivas etc. Preciso ensinar para esse menino que Popper destruiu tanto o Empirismo quanto o Positivismo.

Assim, sigo o mestre Einstein e sugiro fortemente que eduquem seus filhos usando contos de fadas (a série sobre tecnofadas Artemis Fowl é um bom começo, muito melhor que Harry Potter). Se você discorda de mim, eu fico com apenas três hipótese: ou você não tem filhos, ou se acha mais esperto que Einstein ou tem os alelos AA ou AG no gene OXTR para o receptor de Oxitocina… provavelmente os três!

A Evolução dos Evangélicos

No que o Neo-ateísmo difere do Hegelianismo de Esquerda?

Na sua opinião, em que o Neo-ateísmo difere dos Jovens Hegelianos? Na minha, a principal diferença é que os neo-ateus, em sua maioria, não são de esquerda. Se você percebe outras diferenças, comente!

Young Hegelians

From Wikipedia, the free encyclopedia
Georg Wilhelm Friedrich Hegel
Part of a series on
G. W. F. Hegel
People
Immanuel Kant
Johann Wolfgang von Goethe
Johann Gottlieb Fichte
Friedrich Hölderlin
Friedrich Schelling
Arthur Schopenhauer
Søren Kierkegaard
Baruch Spinoza
Works
Phenomenology of Spirit
Science of Logic
Encyclopedia
Philosophy of Right
Philosophy of History
Schools
Hegelianism
Absolute idealism
British / German idealism
Dialectic
Master-slave dialectic
Related topics
Right Hegelians
Young Hegelians
Marx’s theory of alienation
The Secret of Hegel
v · d · e

The Young Hegelians, or Left Hegelians, were a group of Prussian intellectuals who in the decade or so after the death of Hegel in 1831, wrote and responded to his ambiguous legacy. The Young Hegelians drew on his idea that the purpose and promise of history was the total negation of everything conducive to restriction of freedom and irrationality to mount radical critiques of first religion and then the Prussian political system. They ignored anti-utopian aspects of his thought that suggested the world has already essentially reached perfection.

Contents

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[edit]Left and Right Hegelianism Read more [+]

O fanatismo de Ayn Rand e do conservadorismo cristão

100,000 ‘Atlas Shrugged’ DVDs Recalled for Perfectly Hilarious Reason

In what appears to be a legitimate press release on the blog of the official Atlas Shrugged Part I website, the producers of the film have announced that they will “replace more than 100,000 title sheets appearing on the Atlas Shrugged Part 1 DVD and Blu-ray versions.” Sounds like a pain in the ass. Why? Did child porn pics somehow show up on them? No! But the ultimate Randian curse word — “self-sacrifice” — did, and that’s worse.

We still aren’t 100% sure that they’re not screwing with us, but this is the horrible error that must not stay on the title sheet:

The 1957 novel, Atlas Shrugged, is known in philosophical and political circles for presenting a cogent argument advocating a society driven by rational self-interest. On the back of the film’s retail DVD and Blu-ray however, the movie’s synopsis contradictorily states “AYN RAND’s timeless novel of courage and self-sacrifice comes to life…

Self-sacrifice is for idiots, duh! Ayn Rand used to mock poor beggars for being so poor. “Self-interest” is more like it. The good news is that Randroids who’ve already purchased this sacrilege consumer product can fix it themselves, just like Dagny Taggart would:

Atlas Productions has setup a web page for consumers of the DVD to request a replacement title sheet free of charge: http://www.AtlasShruggedMovie.com/title-sheet. The new title sheet will more accurately read “AYN RAND’s timeless novel of rational self-interest comes to life…”

Phew.

Has anyone seen Atlas Shrugged Part I? I rented it the other night and loved it. The trains go ZOOM!

RELATED STORIES

Does this mean that conservative Christians will finally realize Ayn Rand is not for them? I seem to recall self-sacrifice being a pretty important part of Christianity. My magic 8 ball says “outlook not so good.”

promoted by mightyJew
No, no, no. Jesus’ self-sacrifice is a pretty important part of conservative Christianity.ETA: for clarity

Edited by Haikukitty at 11/11/11 2:54 PM
promoted by MissNormaDesmond
My understanding (raised Catholic, so probably not totally accurate) is that you can be saved on faith alone. By accepting Jesus as your savior you’re set, even if you routinely pee on the homeless.

promoted by MissNormaDesmond
Don’t know what to tell you. I grew up in a CC family hearing about how great Ayn Rand and Objectivism were but always thought it was kind of silly because…well, no human can truly be objective or rational, duh. But a few years ago, I started doing some research into the philosophy and found that it in no way supports the christian viewpoint. Just to paraphrase some of the thing Ayn said:You cannot give rights to a lump of protoplasm.
To force the actual to sacrifice for the potential is vicious.
Faith is the denial of Reason.
Religion teaches us that God is not man, spirit is not flesh, heaven is not earth, that A is not A. It teaches us nothing and calls it knowing.

So I sent these quotes to my father asking how CC’s could embrace this lady (who cheated on her husband) as their patron saint. I’m still waiting on a reply.

Por que publicam sempre antes de mim?

Este é um livro que eu gostaria (ou melhor, poderia) ter escrito. Acho que este tipo de tema está na moda, ou talvez o problema das relações entre ciência e religião seja perene e sempre vai interessar às pessoas. Então, por que não escrevi?

Porque em vez de escrever eu fico pensando no que os meus coleguinhas vão pensar de mim. Sendo assim, em vez de escrever e publicar (e  ficar rico!  — ou pelo menos deixar os direitos autorais para os meu filhos), eu apenas fico chupando o dedo e perdendo oportunidades…

13/10/2011 – 16h00

Conciliador, suíço mostra lado bom das religiões aos ateus

da Livraria da Folha

O mercado editorial está balançado pela discussão entre acreditar ou não em uma força organizadora do universo. Enquanto o jornalista brasileiro Fábio Marton defende o ateísmo em“Ímpio” (Leya, 2011), o matemático britânico John C. Lennox mostra que o criador continua a ser uma possibilidade em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus” (Mundo Cristão, 2011).

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Autor defende o lado bom das doutrinas existemtes no globo
Autor defende o lado bom das doutrinas existentes no globo

No meio de campo, o escritor suíço Alain de Botton adota uma postura mais conciliatória. Em seu livro “Religião para Ateus”(Editora Intrínseca, 2011), o autor levanta a bandeira branca e diz “E daí se todas as crenças não passarem de conto de fadas? Vamos ver o que elas tem de bom a nos oferecer.”

Voltado para quem tem ou não fé, o volume mostra que é possível tirar lições muito valiosas das religiões e leva os leitores por um passeio pelo que de melhor elas ensinam às pessoas. A publicação traz também 95 imagens com reflexões sobre o papel das doutrinas religiosas no mundo contemporâneo.

O livro tem lançamento previsto para o dia 19 de outubro es está disponível, em pré-venda, na Livraria da Folha.

Ainda dentro do mesmo tema, saíram nos últimos meses “Porque Não Sou Cristão” (L&PM Pocket, 2011), reedição de obra ateísta clássica do filósofo galês Bertrand Russell, “Teologia e Física”(Edições Loyola, 2011), livro que propõe a reunião de fé e ciência do teólogo italiano Simone Morandini, e “O Ateísmo Cristão e Outras Ameaças à Igreja”(Mundo Cristão, 2011), uma ácida crítica do pastor presbiteriano brasileiro Augustus Nicodemus.

“Religião para Ateus”
Autor: Alain de Botton
Editora: Editora Intrínseca
Páginas: 272
Quanto: R$ 16,90 (preço promocional, por tempo limitado)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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Para botar mais lenha na fogueira…

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Livro mistura religião, história e filosofia para reconciliar fé e razão
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Ateu convicto revela apertos que passou nos tempos em que era crente
Ateu convicto revela apertos que passou quando era crente
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Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes
Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes

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It From Bit: Matéria = Férmions, Espírito = Informação?

Um post que estava nos Rascunhos desde dezembro, e que só completei agora…

Acho que finalmente entendi o conceito Bayesiano de probabilidades. Antes tarde do que nunca! É claro que eu poderia ter aprendido isso muito antes, com o livro do Jaynes tão recomendado pelo Nestor Caticha. Acho que na verdade aprendi, depois esqueci, depois li de nôvo, depois esqueci de novo. “Apreender” é diferente de aprender. Acho que envolve uma mudança de Gestalt, uma espécie de momento de “iluminação”.

         Isso aconteceu devido a dois acidentes (na verdade três): a) estou sem internet em casa, ou seja, sem essa máquina de perder tempo; b) este computador tinha uma pasta com alguns artigos em pdf, entre eles o ótimo Lectures on probability, entropy and statistical mechanics de Ariel Caticha, que me fora mandado há um bom tempo atrás pelo Nestor; c) eu havia terminado o livro Artemis Fowl – Uma aventura no Ártico e estava sem nada para ler na noite de Natal (escreverei um post sobre isso outro dia).

         Além do conceito de probabilidade Bayesiano, foi muito esclarecedor a discussão sobre entropia, em particular sua ênfase de que entropia não é uma propriedade física do sistema, mas depende do grau de detalhe na descrição desse sistema:

         The fact that entropy depends on the available information implies that there is no such thing as the entropy of a system. The same system may have many different entropies. Notice, for example, that already in the third axiom we find an explicit reference to two entropies S[p] and SG[P] referring to two different descriptions of the same system. Colloquially, however, one does refer to the entropy of a system; in such cases the relevant information available about the system should be obvious from the context. In the case of thermodynamics what one means by the entropy is the particular entropy that one obtains when the only information available is specified by the known values of those few variables that specify the thermodynamic macrostate.

         Aprendi outras coisas muito interessantes no paper, cuja principal virtude, acho, é a clareza e o fato de reconhecer os pontos obscuros como realmente obscuros. Imagino que este texto poderia ser a base de uma interessante disciplina de pós-graduação aqui no DFM. Eu ainda o estou estudando, e o recomendo aos meus amigos frequentistas. Mas é claro, eu não pude resistir em dar uma olhada no capítulo final, onde encontrei esta intrigante conclusão:

            Dealing with uncertainty requires that one solve two problems. First, one must represent a state of knowledge as a consistent web of interconnected beliefs. The instrument to do it is probability. Second, when new information becomes available the beliefs must be updated. The instrument for this is relative entropy. It is the only candidate for an updating method that is of universal applicability and obeys the moral injunction that one should not change one´s mind frivolously. Prior information is valuable and should not be revised except when demanded by new evidence, in which case the revision is no longer optional but obligatory. The resulting general method  the ME method    can handle arbitrary priors and arbitrary constraints; it includes MaxEnt and Bayes-rule as special cases; and it provides its own criterion to assess the extent that non maximum-entropy distributions are ruled out.

         To conclude I cannot help but to express my continued sense of wonder and astonishment at the fact that the method for reasoning under uncertainty  which presumably includes the whole of science turns out to rest upon a foundation provided by ethical principles. Just imagine the implications!

         Acho que este último parágrafo merece um comentário completo em um próximo post…

         Dúvidas sobre o reducionismo

         Eu tenho uma listinha (incompleta) de termos que possuem uma ordem ascendente de abstração que me fazem duvidar da afirmação que a Física é materialista (no sentido clássico da palavra). Acho que o único termo que possui análogos às características clássicas da matéria como impenetrabilidade são os férmions, via Princípio de Pauli. Já os bósons, com seus condensados de Bose-Einstein, são uns caras bem esquisitos (OK, os férmions são quanticamente esquisitos também). Bom, eis a minha lista da escadinha material → espiritual dentro da Física contemporânea. De cima para baixo na escala reducionista: Read more [+]

Por que juntar as palavras Deus e Física dá dinheiro?

Já que desisti de ganhar o prêmio Nobel, vou ver se pelo menos ganho o Prêmio Templeton (que vale 3/2 do Nobel e é divulgado na mesma semana!). Na verdade, se vocês pensarem bem, acho que de todos os físicos brasileiros, eu sou o que mais entende de Teologia.

PS: Se você é físico brasileiro e entende mais de Teologia do que eu, por favor me escreva aí nos comentários, para escrevermos a quatro mãos aquele livro que vai ganhar o Prêmio Templeton!

29/09/2011 – 11h00

Matemático polemiza em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”

da Livraria da Folha

O matemático britânico John C. Lennox, da Universidade de Oxford, defende com argumentos sólidos a possibilidade de coexistência entre o conhecimento científico e a religião em “Por que a Ciência Não Consegue Enterrar Deus”. O objetivo do livro é fornecer um amparo fortemente embasado para os cientistas, ou qualquer leitor, que sintam necessidade de debater em favor de sua crença.

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Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes
Matemático tenta comprovar que ciência e Deus não são excludentes

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Ceticismo anti-científico

The Science of Why We Don’t Believe Science

How our brains fool us on climate, creationism, and the vaccine-autism link.

by Chris Mooney

Jonathon Rosen cartoon of man's brain contending with beliefs & truths

“A MAN WITH A CONVICTION is a hard man to change. Tell him you disagree and he turns away. Show him facts or figures and he questions your sources. Appeal to logic and he fails to see your point.” So wrote the celebrated Stanford University psychologist Leon Festinger [1] (PDF), in a passage that might have been referring to climate change denial—the persistent rejection, on the part of so many Americans today, of what we know about global warming and its human causes. But it was too early for that—this was the 1950s—and Festinger was actually describing a famous case study [2] in psychology.

Festinger and several of his colleagues had infiltrated the Seekers, a small Chicago-area cult whose members thought they were communicating with aliens—including one, “Sananda,” who they believed was the astral incarnation of Jesus Christ. The group was led by Dorothy Martin, a Dianetics devotee who transcribed the interstellar messages through automatic writing.

Through her, the aliens had given the precise date of an Earth-rending cataclysm: December 21, 1954. Some of Martin’s followers quit their jobs and sold their property, expecting to be rescued by a flying saucer when the continent split asunder and a new sea swallowed much of the United States. The disciples even went so far as to remove brassieres and rip zippers out of their trousers—the metal, they believed, would pose a danger on the spacecraft. Read more [+]

É possível um ecumenismo entre ateus e religiosos?

Bom, parece que Edward Wilson acredita que sim:

A CRIAÇÃO – Como salvar a vida na Terra

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A Criação é um apelo para que deixemos o embate entre religião e ciência de lado para podermos salvar a vida no planeta, que nunca esteve tão ameaçada. Valendo-se de suas experiências como um dos biólogos mais destacados no cenário mundial, Edward O. Wilson prevê que, até o final do século, pelo menos a metade das espécies de plantas e animais da Terra poderá ter desaparecido, ou estará a caminho da extinção precoce.
Escrito em forma de carta a um pastor evangélico, A Criação demonstra que a ciência e a religião não precisam ser, necessariamente, antagonistas em guerra. Ao fornecer explicações a respeito dos motivos ambientais e espirituais para nos alarmarmos com a poluição, o aquecimento global e o rápido declínio da diversidade biológica do planeta, Wilson sugere que, se ciência e religião usarem de seu poder para forjar uma aliança fundamentada no respeito mútuo, relevando as diferenças metafísicas básicas e buscando alcançar objetivos práticos, alguns dos mais graves problemas do século XXI poderão ser resolvidos rapidamente.

“E. O. Wilson, talvez o maior biólogo da nossa geração, traz uma vida inteira de trabalho e de reflexão para esta obra. […] É um de seus livros mais perturbadores, mais comoventes e mais importantes.” – Oliver Sacks

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Enquanto isso, o Papa atual, mesmo sendo um conservador de direita e tradicionalista, abre a possibilidade de um diálogo com os Protestantes e os Islamicos. Ao mesmo tempo, Richard Dawkins ataca o astrônomo real Martin Rees por ele ter aceitado o prêmio Templeton (que é dado à personalidade mundial que mais contribuiu para o diálogo Ciência-Religião em cada ano.

 

FOLHA ONLINE         23/09/2011  09h36

Na Alemanha, Bento 16 defende diálogo com muçulmanos e protestantes

DA FRANCE PRESSE

O papa Bento 16 pediu nesta sexta-feira um melhor diálogo entre a cristandade e o Islã, no segundo dia de visita a seu país natal, onde também tem a intenção de enviar sinais de aproximação aos protestantes em favor do ecumenismo.

“Acho que uma colaboração fecunda entre cristãos e muçulmanos é possível”, afirmou o Papa ao receber, em Berlim, representantes do Islã na Alemanha. “Reconhecemos a necessidade (…) de progredir no diálogo e estima recíprocas”.

Na Alemanha, vivem entre 3,8 e 4,3 milhões de muçulmanos, que representam entre 4,6% e 5,2% de sua população.

Depois, Bento 16 partiu de Berlim para Erfurt, onde Martin Lutero estudou direito e teologia a partir de 1501, e foi ordenado sacerdote em 1507, depois de ter entrado na ordem dos monges agostinianos. Durante esses anos fundamentais, Lutero, que ainda era católico, refletiu sobre o que seria o começo da Reforma protestante.

O papa prestou homenagem a Lutero, ao enfatizar a paixão profunda pelas questões de Deus do promotor da Reforma Protestante, em um gesto simbólico em relação aos protestantes na cidade Erfurt (leste), onde surgiu este movimento.

“O que não dava paz (a Lutero) era o assunto de Deus, que era a paixão profunda e a força de suavida e seu total itinerario. (…) O pensamento de Lutero, sua espiritualidade inteira, estavam completamente centrados em Cristo”, declarou o Papa.

Depois de visitar a catedral desta pintoresca cidade medieval, Bento se reunirá a portas fechadas com 20 delegados da Igreja protestante alemã, e em seguida participará num serviço ecumênico no convento dos Agostinianos, ao lado de autoridades como a chanceler Angela Merkel, filha de um pastor protestante, e do presidente alemão, Christian Wulff, de religião católica.

Neurose religiosa e misantropia ateísta

Remexendo nos meus emails, verifiquei que não tinha lido este comentário.

Deixo para meus leitores comentarem, porque fico apenas triste com este tipo de neurose ateísta, acho que isso apenas rebaixa o movimento de neoateismo.

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem “Ateísmo Científico: um manifesto“:

Em palavras simples, ateu é pura e simplesmente oquê todo ser humano foi impedido de ser , pois nacemos descontaminados e livres até o momento em que o vírus da ilusão dele se apossa, um vírus psicológico transmitido espontãneamente dos pais aos filhos tão logo seja possível a interesse dos propagadores da ilusão!, em termos de comparação evidencial, compara-se ao vírus de computador, é um círculo vicioso constante passado através das gerações, técnica, indução psicológica, alienação, lavagem cerebral com efeitos danosos ao psicológico., Seja lá que nome queiram dar, foram utilizadas para se exercer domínio e poder sobre a ignorãncia por séculos e sem contestação! 
são formas de reforço a contaminação que provocam a aceitação do subconciente vindo posteriormente aflorar e dominar o psicológico humano!
É um transtorno psicológico que muitas vezes é incurável, se não me engano chama-se misantropia psicológica!
Importa dizer quê!os danos causados a intenção de uma democracia de fato são imensos., servem-se desta ignorãncia os que apóiam a manutençao deste mal divulgando aos desavisados que viver na ilusão e ter fé nela basta pois esta vida real de nada vale, o que vale é a ilusão de paraisos, infernos e deus-es que pregam existir além dela!
Acredito que Ateu nenhum se deva prestar a discutir com a ignorãncia! se é ignorante é doente e se é doente ministre-se a cura se possível ou esqueça, póde ser um caso perdido !
crença em deus é doença!, que provas mais necessitamos!
É assim que penso deva pensar um ateu convicto que de fato siga os ditames da razão e da ciência!

Lucabi Brasil

Bom, OK, não vou comentar. Basta dizer que os trechos em vermelho são evidências de uma mente perturbada, acho que isso se chama misantropia com traços paranóides, tipicos de pessoas que adotam teorias conspiratórias pseudocientíficas. DaWikipedia:

O misantropo

Wikcionário
Wikcionário possui o verbetemisantropo
  • É uma pessoa que tem aversão ao convívio social, prefere viver em isolamento.
  • Aquele que não mostra preocupação em se dar com as outras pessoas, de ter uma vida social preenchida – tendência a ter uma pouca ou praticamente inexistente vida social.
  • Estado de reclusão que alguns indivíduos escolhem para viver.

[editar]Formas de misantropia mais comuns

Os misantropos expressam uma antipatia geral para com a humanidade e a sociedade, mas geralmente têm relações normais com indivíduos específicos (familiares, amigos, companheiros, por exemplo). A misantropia pode ser motivada por sentimentos de isolamento ou alienação social, ou simplesmente desprezo pelas características prevalecentes da humanidade/sociedade.

A misantropia não implica necessariamente uma atitude bizarra em relação à humanidade. Um misantropo não vive afastado do mundo, apenas é reservado (introvertido/timido fundamentalmente) e, é precisamente por este fato que é habitual serem poucos os seus amigos ou pessoas que estabeleçam um vinculo afetivo. Olham para todas as pessoas com uma desconfiança, é frequente serem feitos “juízos de cálculo” de cada um que se aproxime, embora muitas vezes não o demonstrem.

São pessoas que não gostam de grande agitação ao seu redor, pois não se sentem bem diante de muita gente, preferindo ficar em casa a sair para locais de diversão (indisposição para ir a lugares com muita gente, o que invariavelmente faz da pessoa uma caseira convicta). Podem ocorrer frequentes mudanças de humor: ora feliz, ora melancólico, o termômetro do estado de espírito fica louco, oscilando constantemente (poucas são as pessoas que vêem este seu aspecto, normalmente as mais próximas). Normalmente são muito perfeccionistas no que gostam de fazer e no que se comprometem a fazer. É muito frequente destacarem-se nas áreas em que estão inseridos (as que eventualmente têm um à vontade), pois dedicam grande parte do seu tempo ao trabalho.

A misantropia costuma aparecer desde logo durante a infância em crianças tímidas, introvertidas e caladas que têm dificuldades em fazer amigos, nomeadamente na escola, preferindo muitas vezes ficarem sozinhas. Com o passar dos anos, tendem a ser bastante sarcásticos/irónicos nas observações que fazem (pode-se dizer que em parte a grande timidez é disfarçada por estas duas características)têm uma interpretação muito própria de tudo aquilo que vêem e de tudo aquilo que lhes é dito pelas outras pessoas, sendo bastante observadores e atentos ao que os rodeia embora, muitas vezes, não o pareça. Um fato notável é que são muito inteligentes, tendem a resolver desafios e enigmas com muita facilidade, já que vivem de um raciocínio puramente lógico embora não se deixam ser percebido. Também tendem a ser disléxicos, porém não em todos os casos.

Uma das explicações mais consistentes para esta aversão social deriva do fato de darem bastante relevância aos aspectos negativos que constatam nas pessoas ou simplesmente terem medo que estas os desiludam, daí as evitam. Têm uma forte sensibilidade ficando extremamente afetados com tudo o que os rodeia (mesmo que muitas vezes não estejam envolvidos diretamente) daí ser muito fácil, ao longo da vida, passarem por várias depressões.

Expressões evidentes de misantropia são comuns em sátira e comédia, embora a intensa seja geralmente rara. Expressões mais sutis são mais comuns, especialmente para mostrar as faltas/falhas na humanidade e sociedade.

É muito importante salientar que o misantropo tem dificuldades em assumir essas características tanto para si mesmo quanto para as pessoas mais próximas. Raros são os casos em que eles refletem acerca da possibilidade da misantropia ser integrante real das suas vidas, costumando negar a existência desta em todos os casos.

PS: Ok, eu não vou resistir. Refutando o comentário, sem comentar sobre o péssimo português, escrever ignorãncia com ~ é o cúmulo da ignorância… especialmente em dias de corretor ortográfico e Wikipedia. E escrever “dominar o psicológico humano” eu não vou em comentar, basta procurar o que significa psicológico no dicionário.

Eu apenas espero que este caro amigo ateu misantropo não seja daqueles tipos terroristas, embora o seu raciocínio é muito parecido com o do Califa Omar que (em uma falsa história) queimou a Biblioteca de Alexandria:

Se estes livros estão em concordância com Richard Dawkins, então não temos necessidade deles; e se eles se opõe a Dawkins, então devemos destruí-los”…

Quanto a minha defesa de ser um religioso no armário: Read more [+]

“As Religiões que o Mundo Esqueceu” relata sacrifícios humanos

Achei curioso  este paragrafo:

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

 

Ou seja, definindo religiosidade nesta dimensão ampla, a religiosidade seria o contrário do ceticismo filosófico e do cinismo filosófico, e não do ateísmo. Em particular, se você gasta uma parte de sua vida, de seu tempo e recursos, em prol de uma causa, por exemplo o ateísmo militante, então você é uma pessoa religiosa (no sentido de “religare”, unir pessoas em prol de uma causa comum).

Mas se você, em vez de ser um ateu que acredita realmente em alguma coisa (por exemplo, acredita na causa do ateísmo), se você é apenas “atoa”, ou um cristão nominal (alguém que vai na igreja apenas por convenções sociais, casamento, batizado, missa de sétimo dia etc) por exemplo, então você não é religioso.

Nesse sentido, dado que ateus militantes e religiosos militantes são ambos “religiosos = religarosos” neste sentido amplo, e dado que sua militância pode ter pontos em comum (por exemplo, combater o fundamentalismo de direita, construir uma sociedade econômica-ecologicamente sustentável no longo prazo, defender os direitos humanos e direitos dos animais etc), então claramente é possível haver uma colaboração ativa entre esses dois grupos. Já um ateu hedonista e atoa, sem consciência e ação política, que não luta por nada e não acredita em nada (nem no ateísmo), estará mais longe do ateu militante que o religioso militante, e estará mais próximo do religioso hedonista, sem consciência e ação política, o religioso atoa…

da Livraria da Folha

O que pensam os homens quando matam em nome de uma crença? Em Cartago, durante a antiguidade, por exemplo, cultuava-se uma divindade conhecida como Baal Moloch (Molekh ou Moleque). O culto do deus era feito por meio de uma grande estátua de bronze, cujo ventre oco servia de forno para sacrifício. Pais abandonavam os filhos dentro da barriga incandescente do ídolo com o intento de alcançar dádivas ou evitar desgraças.

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Com o contexto da época em que as religiões eram praticadas
Apresenta o contexto da época em que as religiões eram praticadas

Os gritos e mantras dos sacerdotes eram usados para abafar as súplicas das crianças. Contudo, é correto afirmar que a maioria dos relatos sobre os cruéis sacrifícios foram produzidos pelo povo romano, inimigo confesso dos cartagineses.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”, com textos organizados pelo arqueólogo Pedro Paulo Funari, dedica-se a alguns dos mais interessantes pensamentos míticos que deixaram de existir ou quase desapareceram.

Curiosidades históricas são pesquisadas, analisadas e escritas por especialistas, –com os principais ritos e crenças–, que convidam o leitor a entrar nos domínios de deuses tão diversos como El, Odin, Zeus e Huitzilopochtli.

O volume é um registros de dezenas de milhares de anos que retratam a fé. Abaixo, leia um trecho do exemplar.

Visite a estante dedicada à religião

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Junto à capacidade de produzir e transmitir cultura, a experiência religiosa é a marca mais distintiva da humanidade. Animais comunicam-se entre si, por meio de sons, e o podem fazer de maneira impressionante: a “linguagem” das baleias é um exemplo que causa admiração em quem já ouviu a “conversa”. Os pássaros também o fazem, com canções que podem encantar. O uso de artefatos, que já foi considerado apanágio do ser humano, tampouco se revelou único. Hoje sabemos que diversos tipos de macacos utilizam-se de objetos como ferramentas. Não há evidências, contudo, de que qualquer outro animal seja movido por preocupações religiosas, como o ser humano é desde os seus primórdios. Os mais antigos registros da humanidade, de dezenas de milhares de anos, retratam a religiosidade, esse sentimento íntimo dos primitivos seres humanos. Nas cavernas, encontramos pinturas que retratam cerimônias religiosas: são pessoas que participam de atividades xamânicas, são pajés, são imagens que procuram facilitar a caça, ou favorecer a fertilidade de plantas, animais e humanos. Gravuras às margens de rios retratam a crença na força sobrenatural das águas. O enterramento dos mortos marca, de forma clara e definitiva, a crença nos espíritos dos antepassados. A humanidade, nesse sentido, pode ser definida como aquela parte do reino animal que se caracteriza pela religiosidade.

Mas o que seria a religiosidade? Como definir essa característica tão essencial do ser humano? Por outro lado, se a religiosidade constitui a essência do ser humano, ateus não pertenceriam à humanidade? Nada mais difícil de definir do que o essencial. Isso é assim com tudo que sentimos, como o amor ou o desejo: quem os há de definir? Amor e desejo, tão inefáveis, fazem parte daquilo que movimenta o espírito humano e constituem, assim, a base mesma da espiritualidade: daquilo que nos move. Não nos mobilizamos por nada sem um ímpeto do espírito, alimentado pelo amor e pelo desejo. Ninguém faz uma oferenda em um altar ou contribui com o dízimo para um partido (mesmo comunista e ateu) sem esse movimento espiritual, subjetivo e imaterial. Nesse sentido, a religiosidade, a fé característica da humanidade, está na raiz seja das religiões institucionalizadas, seja de todo movimento humano em prol de algo pelo que se luta, com crença profunda (uma religião, uma causa, uma crença).

As manifestações religiosas são, pois, tão múltiplas e variadas como é diverso o ser humano, em suas inúmeras culturas, do presente e do passado. A grande riqueza humana consiste, precisamente, nessa diversidade. Este livro dedica-se a algumas das mais interessantes e inspiradoras experiências religiosas da humanidade que deixaram de existir ou quase desapareceram.

As religiões que o mundo esqueceu constituem um tesouro: um manancial de práticas, sentimentos e interpretações do mundo. Algumas delas formam parte de nosso repertório cultural e penetraram, às vezes de forma profunda, mas despercebida, nas nossas próprias concepções e sentimentos. As religiões dos sumérios, egípcios, gregos e romanos são exemplos claros disso, mas outras religiosidades menos frequentadas, como o zoroastrismo e o gnosticismo, também entram nessa categoria. São maneiras particulares de encarar o divino, diversas entre si e das nossas, mas nelas reconhecemos muito do nosso próprio manancial cultural e religioso. Ressoam entre nós o Dilúvio sumério, a alma (ka) egípcia, o complexo de Édipo grego, o apego ritual romano, o dualismo entre bem e mal persa e os segredos religiosos do gnosticismo.

Outras muitas concepções e práticas destacam-se pela radical diferença. As percepções indígenas americanas sobressaem, nesse sentido, como interpretações do mundo em tudo originais. Outras tantas experiências religiosas apresentam-se como distantes e próximas a um só tempo. As práticas cristãs desaparecidas, como as arianistas e as albigenses, nos são compreensíveis, mas originais e únicas, assim como as religiões celta e viking. O que todas têm em comum é sua beleza e seu fascínio. Ao nos embalarmos no relato de cada uma delas, de forma quase onírica, é como se sonhássemos e nos transportássemos a outras épocas e outros sentimentos, tão próximos e tão distantes, que tanto nos podem tocar. Aquilo que nos caracteriza como humanos, nossa espiritualidade, encontra em cada capítulo uma satisfação e uma atração únicas.

Esta obra visa a introduzir o público geral nesse mundo fascinante e, por isso, cada capítulo apresenta um panorama geral, em linguagem clara e direta, sem jargões, de uma religião desaparecida (ou quase). São pequenas pérolas, escritas por especialistas, que convidam o leitor a viagens mais profundas, ao sugerirem alguns títulos de aprofundamento sobre cada tema. Aceito o convite, o leitor encontrará não apenas um pouco da humanidade, em sua diversidade, mas também se deparará com facetas insuspeitadas de seus próprios sentimentos e emoções.

“As Religiões que o Mundo Esqueceu”
Organizador: Pedro Paulo Funari
Editora: Editora Contexto
Páginas: 224
Quanto: R$ 31,20 (preço promocional)
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha

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Ciência, Religião e Alvin Plantinga

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Osame Kinouchi disse…

Pessoas,

Que discussao legal, posso fazer cut and paste pro meu blog ou tem copyright?

Marco, que tal usar o Perceptron para esclarecer as coisas aqui?

É obvio para quem conhece a questao do Perceptron (especialmente do Perceptron Binario) que existe apenas um unico perceptron aluno igual ao perceptron professor, mas infinitos perceptrons falsos (que diferem por 1 bit, dois bits etc) no limite termodinamico, claro!

Dado que mesmo a ideia de proximidade do professor atingivel por acumulo de seleção via exemplos nao é verdadeira no caso do perceprton binario, ou seja, dada a quebra de simetria de replicas e a presença de infinitas solucoes compativeis com um conjunto finito de exemplos, e que tais solucoes nao sao proximas mas sim espalhadas no espaco das regras… e chamando cada perceptron de uma crença ou teoria, teremos que nao ha convergencia para a teoria verdadeira (para exemplos com ruido, que nao permitem a transicao de fase para aprendizagem perfeita, OK?)

E lembremos que qualquer conjunto de exemplos (experimentos, fatos etc) necessariamente terá ruido no mundo natural.

Finalmente, dado que a aprendizagem do perceptron binario nao é factivel (é um problema NP completo) e dado que dificilmente um algoritmo genetico (evolucao dos perceptrons) poderia resolver um problema NP completo (na verdade, nao pode, nao é mesmo?) , m eparece que a teoria do perceptron binarico no cenario professor-aluno embasa de maneira matematica o argumento de Platininga?

Ou não?

Vc poderia traduzir o meu argumento para os leigos?

Osame

20 de setembro de 2011 18:09

Re: [Coletivo Ácido Cético] Novo comentário em Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV).

“Jorge A Quillfeldt – Depto. Biofísica, IB / UFRGS”
mostrar detalhes 18:18 (17 horas atrás)

Olá, Osame,

Sinta-se a vontade para repercutir o
debate como achar melhor. A idéia
é exatamente esta, e volta e meia a
gente também vai no teu blogue e
“chupa” um monte de material pre –
cioso.

Abração,

Jorge

Adicionando algum material ao debate, via WIKIPEDIA:

Evolutionary argument against naturalism

In Plantinga’s evolutionary argument against naturalism, he argues that the truth of evolution is an epistemic defeater for naturalism (i.e. if evolution is true, it undermines naturalism). His basic argument is that if evolution and naturalism are both true, human cognitive faculties evolved to produce beliefs that have survival value (maximizing one’s success at the four F’s: “feeding, fleeing, fighting, and reproducing”), not necessarily to produce beliefs that are true. Thus, since human cognitive faculties are tuned to survival rather than truth in the naturalism-cum-evolution model, there is reason to doubt the veracity of the products of those same faculties, including naturalism and evolution themselves. On the other hand, if God created man “in his image” by way of an evolutionary process (or any other means), then Plantinga argues our faculties would probably be reliable.

The argument does not assume any necessary correlation (or uncorrelation) between true beliefs and survival. Making the contrary assumption—that there is in fact a relatively strong correlation between truth and survival—if human belief-forming apparatus evolved giving a survival advantage, then it ought to yield truth since true beliefs confer a survival advantage. Plantinga counters that, while there may be overlap between true beliefs and beliefs that contribute to survival, the two kinds of beliefs are not the same, and he gives the following example with a man named Paul:

Perhaps Paul very much likes the idea of being eaten, but when he sees a tiger, always runs off looking for a better prospect, because he thinks it unlikely the tiger he sees will eat him. This will get his body parts in the right place so far as survival is concerned, without involving much by way of true belief… Or perhaps he thinks the tiger is a large, friendly, cuddly pussycat and wants to pet it; but he also believes that the best way to pet it is to run away from it… Clearly there are any number of belief-cum-desire systems that equally fit a given bit of behaviour.[34]

In a March 2010 article in the Chronicle of Higher Education, philosopher of science Michael Ruse claims that Plantinga is an “open enthusiast of intelligent design.”[40] In a letter to the editor, Plantinga has the following response:

Like any Christian (and indeed any theist), I believe that the world has been created by God, and hence “intelligently designed.” The hallmark of intelligent design, however, is the claim that this can be shown scientifically; I’m dubious about that. …As far as I can see, God certainly could have used Darwinian processes to create the living world and direct it as he wanted to go; hence evolution as such does not imply that there is no direction in the history of life. What does have that implication is not evolutionary theory itself, but unguided evolution, the idea that neither God nor any other person has taken a hand in guiding, directing or orchestrating the course of evolution. But the scientific theory of evolution, sensibly enough, says nothing one way or the other about divine guidance. It doesn’t say that evolution is divinely guided; it also doesn’t say that it isn’t. Like almost any theist, I reject unguided evolution; but the contemporary scientific theory of evolution just as such—apart from philosophical or theological add-ons—doesn’t say that evolution is unguided. Like science in general, it makes no pronouncements on the existence or activity of God.[41]

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV)

Amanhã, terça, dia 30 de agosto de 2011, Alvin Plantinga apresentará seu famoso argumento teísta ao vivo em Porto Alegre. Quem quiser vir, será no auditório do Prédio 05 da PUCRS, às 14h, seguido de debate com três convidados, entre eles o admirável filósofo português Desidério Murcho (dêem uma espiada na sua bibliografia), frequentemente citado neste blogue.

Bem, já se passaram três meses desde que lançamos o “desafio Plantinga”, com o seu famoso argumento de que naturalismo (filosoficamente definido) e evolução (cientificamente embasada) são mutuamente contraditórios, logo a abordagem dos neoateus não se sustentaria. O original em inglês do texto debatido está aqui, mas leia também este aqui. Tivemos muita discussão aqui (Desafio I, II e III) e em várias listas nas quais participamos, e o debate chegou a propagar-se a outros blogs, se bem que não fomos nós os primeiros a comentar esse assunto.

O argumento de Plantinga tem repercutido na comunidade filosófica há um bom tempo, mesmo desde formulações anteriores apresentadas por ele, e muitos autores tentaram respondê-lo, com variado grau de sucesso. Esse debate, aliás, já rendeu vários simpósios e livros, como por exemplo, Science and Religion: Are They Compatible? (transcrição do debate entre Plantinga e Dennett) e Naturalism defeated? editado por James Beilby.

Prometemos aqui uma resposta que contemplasse a “provocação” feita, porém, sempre que começávamos a redigi-la, ficava grande ou dispersiva demais, fugindo ao ponto. Mas promessa é dívida! Aqui está – enfim – uma síntese de como se pode responder ao desafio sem cair em suas armadilhas. O texto foi escrito pelo colega do coletivo Carlos Miraglia, professor do Departamento de Filosofia da UFPel. Agrego um pequeno diagrama de por que vários dos argumentos apresentados, embora corretos factualmente e até logicamente consistentes (além de muito criativos), acabam caindo, assim mesmo, nas armadilhas categoriais que são o terreno escorregadio preferido de muitos filósofos. E vejam que não estamos falando de um metafísico delirante ou de um picareta despreparado qualquer, mas de um filósofo analítico muito respeitado na comunidade filosófica internacional.

Esse diagrama deve contemplar a maioria dos argumentos trazidos ao debate neste blogue, que ao enfocarem o tema no nível conceitual errado, não conseguiam atingir o coração do argumento: percebido isso, contudo, o construto de Plantinga desmorona como areia ao vento. É engenhoso e, pode-se até dizer, truculento, mas não é indestrutível. Esperamos que este debate, que a muitos irritou, tenha sido educativo e proveitoso: Mário Bunge define a filosofia como um conjunto de questões essencialmente… irritantes!

Se quiser ficar mais irritado ainda, decifre a imagem acima que selecionamos para ilustrar a matéria do Miraglia sobre os sapos metódicos. Boa leitura!

Sapos metódicos para Plantinga
Ou como identificar crenças verdadeiras seletivamente indispensáveis

Carlos A Miraglia, UFPel
28ago2011

Na década final do último milênio, o epistemólogo de renome, também conhecido como um expoente do pensamento cristão, Alvin Plantinga, apresentou um argumento supostamente decisivo contra as pretensões dos que vêem nas posturas naturalistas razões suficientes para a explicação da inteligência e a capacidade de conhecimento da espécie humana. O alvo principal do filósofo seria o pensamento materialista que dispensa qualquer explicação sobrenatural (especificamente, o Deus ocidental) para nossa atual condição biológica e cognitiva. Especialmente, que o modelo evolutivo lançado por Darwin daria conta da complexidade da vida e que a dimensão mental humana seria somente um efeito dessa complexidade.

Plantinga se opõe severamente a este positivismo científico. De fato, ele o julga estar contaminado de flagrante irracionalismo. Sua estratégia argumentativa foi mostrar que se assumir-mos a dinâmica seletiva estocástica do modelo darwinista, combinada com uma naturalismo sem restrições, não teremos motivos dignos para aceitar o nosso repertório de verdades sobre o mundo como minimamente seguro – mesmo as mais consagradas teorias, com amplo respaldo empírico. Em outras palavras, naturalismo, isto é, a idéia de que nossa capacidade de conhecimento está totalmente inscrita num mundo material, mais o processo da evolução por seleção natural, resultam num quadro cético. Seriam, portanto, visões epistemicamente incompatíveis, segundo ele. O ponto chave está na afirmação de que, da perspectiva evolutiva darwinista, é completamente irrelevante se as crenças promotoras de nossas ações ou escolhas são verdadeiras ou falsas. Importa apenas que elas garantam a sobrevivência e, conseqüentemente, maiores chances para a reprodução. Sendo assim, poderíamos estar num mundo onde todas nossas crenças sejam falsas.

O desafio de Plantinga provocou imediato desconforto e muitas críticas tentaram desarmar sua inconveniente conclusão. Desde as que apontam uma suposta contradição interna, pois se ele estiver certo quanto a origem insegura da verdade de nosso conhecimento pela evolução, então sua tese também é indecidível (recurso improcedente, pois ele não admite serem nossas crenças verdadeiras produtos da evolução), até aquelas que apelam para a reivindicação de todo o cabedal das evidências empíricas contemporâneas que corroboram a tese evolutiva e outras fatias da realidade pertinentes. Esquecem-se, contudo, que alegações dessa espécie, caem imediatamente na armadilha do filósofo americano. Pois se nosso aparato cognitivo, responsável pela aquisição das evidencias relevantes, é produto de um organismo que se guia apenas pela eficácia adaptativa, então, por mais intricadas e expressivas que elas sejam, não serão de fato confiáveis.

Também penso serem equivocadas as críticas que apelam a erros nas estimativas proba-bilísticas. A dificuldade está em que a argumentação foi legitimamente montada de forma que o cálculo pessimista seja um componente inevitável. Mesmo que a exatidão formal de Plantinga seja questionável, é certo que ocorre uma assimetria numérica inegável entre crenças verdadeiras e falsas. Para cada uma das primeiras que correspondam fatos, existe, para as últimas, uma infinidade de declarações não verdadeiras possíveis. Se for verdadeiro que a rosa é vermelha, será falso que ela tenha qualquer uma das graduações cromáticas (e respectivas proposições) de amarelo, azul, verde etc. O campo do falso é mais vasto do que o do verdadeiro, e qualquer procedimento de escolha arbitrária no conjunto de crenças possíveis terá muito mais chances de obter aquelas que são falsas. E mesmo as crenças que sabemos corresponder ao real (por exemplo, ser a lua um satélite da Terra), num puro jogo probabilístico aleatório, seriam verdades extremamente improváveis de serem obtidas. Efetivamente a questão central não é empírico-matemática, mas lógico-conceitual.

Levando isso em conta, pretendo mostrar que, apesar das sérias limitações impostas por Plantinga em sua argumentação, assumir a tese da indiferença da seleção natural com relação à verdade de nossas crenças não implica na impossibilidade de podermos identificá-las como conhecimento. (a menos que, de saída, incorporemos um tipo de ceticismo radical, mas isso comprometeria, desde já, a inteligibilidade de seu próprio argumento). O ponto epistêmico central é que, segundo ele, aceitando o modelo adaptativo por seleção, não teremos nenhum meio garantido para determinar a verdade de nossas crenças. Contudo, penso que mesmo sendo nosso comportamento guiado por crenças falsas é possível, por meios meramente seletivos, isolar a verdade da falsidade.

Plantinga ilustra sua justificação com uma situação extravagante, mas, logicamente veros-símil. A de um sapo que come moscas acreditando que vai virar um príncipe e, com efeito, garante sua subsistência. Gostaria de levar adiante sua brincadeira mais longe, e explorar outras conseqüências aceitáveis. Antes, contudo, algumas advertências serão necessárias.

Em primeiro lugar, as considerações de Plantinga estão imersas num respeitável e amplo programa epistemológico que não detalharemos aqui. De certo modo ele tenta reabilitar, com importantes modificações técnicas, a visão clássica de conhecimento chamada de fundacionalismo. Num resumo rápido, é a visão de que o conhecimento está estruturado em fatos enraizados em verdades necessárias, ou seja, verdades que condicionam tais fatos. Acredito que se assumirmos uma noção epistêmica no estilo fundacional, mesmo não sendo ortodoxa como a alternativa de Plantinga (o seu “indiciarismo”), podemos encontrar o ceticismo por ele sugerido se excluirmos a existência Deus (de fato, uma variação da famosa proposta de Descartes). Mas esta tese não precisa ser assumida no desafio tratado aqui. Qualquer tipo de fundacionalismo empírico já sabemos ser francamente problemático. Talvez ele não seja necessário para demarcarmos a verdade – em sua formulação ortodoxa, a “garantia de certezas infalíveis” (pretensão há muito abdicada por quem faz ciência). Neste último caso, Deus seria, sim, inevitável. Mas isto é outra história, aparecendo como o matiz teológico da solução de Plantinga. O que pretendo fazer é mostrar que o problema não precisa surgir, isto é, eficácia adaptativa mais improbabilidade do verdadeiro (o que admito) não implicam em ceticismo. Para evitar a prolixidade, seguindo o estilo de Plantinga, tomarei como referencia de discussão apenas o que esta exposto no seu pequeno texto popular encontrado na Web, Evolution vs. Naturalism why they are like oil and water. Finalmene duas pequenas recomendações técnicas: cabe salientar que o problema de Plantinga surge a partir da adoção de uma perspectiva realista. Ou seja, existe um mundo independente de nós capaz de ser representado por crenças, cuja a dinâmica biológica é regrada pela luta da sobrevivência. A dificuldade esta em não sabermos quais crenças são verdadeiras se nosso aparato cognitivo for exclusivamente fruto da evolução por seleção natural. Igualmente adotarei outra tese implícita (e também questionável) de que crenças são transmitidas sem alterações às próximas gerações. Começarei com um exemplo e passarei depois às explicações.

Se pensarmos um sapo a La Robinson Crusoé, como o sugerido no texto de Plantinga, é bastante fácil aceitar as suas conclusões. Existe uma infinidade de crenças que podem incentivar o ato de captura de moscas. E como há muito mais crenças falsas que verdadeiras a respeito da mosca e os reais benefícios que seu consumo vai gerar é, de fato, mais provável que se adotem crenças falsas.

Vamos, contudo, cogitar que o sapo não esteja sozinho e participe de uma comunidade de anfíbios. Uma conseqüência inevitável da suposição de que sapos possam ter crenças, é aceitar conjuntamente a possibilidade da variedade e disparidade das mesmas com respeito à qualquer matéria e, conseqüentemente, à captura de moscas. O sapo A espera tornar-se um príncipe, o sapo B acredita que vai encontrar o nirvana, o sapo C, que comer moscas é a ordem de um Jesus anfíbio e assim por diante. Existe, contudo, outra variante interessante de comportamento não-descartável: a dos sapos que não comem moscas, motivados por outras crenças (ou quem sabe as mesmas – imaginem sapos que não queiram as responsabilidades de um príncipe).

Posto isso, nada nos impede de imaginar um sapo “avatar” de Plantinga com um forte pendor empirista. Uma criatura criteriosa que reconhece e compara tais crenças. Plantinga deve admitir, para que seus resultados tenham algum sentido, que o sapo (e seus congêneres) reconheça e diferencie o que sabe sobre o fato (expresso mediante uma crença) de comer moscas e os “por quês” que a eles agrega (voltarei a isso mais tarde).

Então, o que um sapo metódico pode obter quando escrutina as crenças de sua comuni-dade? Muitas coisas. Depois de uma pesquisa de opinião pública entre os batráquios, poderia de imediato, constatar que são conflitantes quanto ao conteúdo e, conseqüentemente, também suas “verdades” seriam contraditórias. Se for muito sistemático, observará que independentemente das crenças sustentadas como motivação, alguns padrões são reconhecidos na comparação dos portadores de crenças. Por exemplo: ele perceberia (em crenças) que os sapos comedores de mais moscas são gordinhos e saudáveis em comparação aos que comem menos.

Alargando as possibilidades de nosso quadro, imaginemos, ainda, que a situação trófica, para sorte do investigador, passe a auxiliar a pesquisa e só existam moscas para alimentar os sapos. A partir daí, o nosso cenário ficará dramático. Como sugerimos previamente, a capacidade de ter crenças autoriza a geração de uma infinidade das mesmas, e alguns sapos poderão supor que, por uma ou várias crenças falsas (ignorando os sapos suicidas), devam evitar ingerir moscas. Digamos, por exemplo, que pensem tratar-se de “invasores de almas”, ou de algum maléfico artefato extraterrestre, etc. O final da história é previsível. Os sapos renitentes definharão e morrerão numa proporção muito maior dos que, por suas respectivas crenças falsas motivadoras, ingeriram proteína. A conclusão óbvia do sapo investigador é que, embora não possa estabelecer se as crenças que justifiquem as ações de seus pares sejam verdades plenamente confirmadas, uma crença metódica pode ser estabelecida: se quiser sobreviver é melhor comer moscas do que evitá-las. Dada esta importante descoberta o sapo metódico poderá dividi-la com seu grupo. Teremos, então, aqueles que a tomarão por verdadeira e manterão este hábito. Contudo, como vimos, existem os que não comem moscas, assumindo razões contrárias a verdade metódica. Eles morrerão com suas respectivas crenças, bem como aqueles que não as comem por tomarem por falsa a crença metódica. Não parece forçoso afirmar que Comer moscas vale a pena é não só é compatível com uma noção seletiva (adaptativa em termos darwinianos), como é determinante para o futuro do grupo, sendo um exemplo claro de uma verdade que será vantajosa para a sua sobrevivência quando adotada. Em outras palavras, os que a acatam têm mais chances de sobrevivência e reprodução dos que não o fazem.

Desse modo é possível adotar um exemplo de crença verdadeira para qual a seleção não poderá ser irrelevante. E como a tese de Plantinga só será legítima se atingir o status de universalidade para a independência entre verdade e evolução, no meu entender, um contra exemplo bastará para desautorizá-la. Nossas únicas condições para tanto são [1] a capacidade de que as percepções de criaturas sencientes possam também ser exibidas em crenças, mais [2] a suposição de um grupo que as compartilhe (e as confrontem), numa mesma linguagem. Quesitos bastante amigáveis com a idéia de filtragem seletiva.

A partir das últimas considerações, gostaria de chamar atenção ao que penso ser o cerne na constituição do argumento Plantinga, permitindo sua conclusão precipitada. A não-separação explicita (e inesperada) entre crenças de fato e crenças de justificação. Digo isso porque no texto de Plantinga ele explicitamente dá o mesmo status epistêmico a comer moscas alimenta e comer moscas transforma em príncipe. Para simplificar, chamarei as primeiras de crenças que e as últimas de crenças porque. Esta é uma distinção que remonta ao surgimento da filosofia ocidental quando Platão insiste que o conhecimento não é apenas a capacidade de ter crenças com suas verdades demarcadas, mas o vínculo com outras crenças das quais as primeiras sejam conclusões e as últimas razões. Existe, portanto, uma diferença entre a crença verdadeira de que como moscas e a crença que estabelece o porquê da primeira.

Poderia ser objetado, defendendo Plantinga, que as próprias crenças que (orientadoras do sapo metódico) também não teriam condições suficientes à determinação de suas verdades. Entretanto, se formos céticos quanto às capacidades perceptivas da elaboração de crenças do tipo que, não seria cabível avançar às crenças do tipo porque. Crenças que são o ponto de partida para a pergunta das crenças porque. Se o sapo desconhece o fato de que come moscas, não terá nem como começar a pensar acerca das motivações pertinentes. Pode até não saber o que come, e chamar de “parafuso”, por exemplo, aquilo que nomearíamos como moscas, mas no mínimo precisará afirmar algo como: para virar príncipe tenho que ingerir aquela coisa pequena e escura (zumbidora) que passa no meu campo visual distinguindo o ato de diferentes percepções. Arriscaria dizer que Crenças de percepção sistematicamente falsas não podem promover a sobrevivência por mera ineficácia adaptativa. O jogo seletivo só tem sentido se algum tipo de identidade perceptiva puder ser mantida, e no momento em que qualquer ser vivo adquirir a capacidade de ter crenças, a eficácia adaptativa exigirá a longo prazo a dominância de crenças de percepção verdadeiras.

Julgo que as crenças do tipo porque exibidas por Plantinga se distanciam do exemplo por mim sugerido apenas por uma diferença do grau da imediaticidade inferencial das crenças que assumidas. A prova da verdade (ou falsidade) da crença “comer moscas garantirá o paraíso após a morte” certamente exigira uma maior complexidade investigativa do sapo metódico para estabelecer sua verdade ou falsidade. Contudo “comer moscas transforma sapos em príncipes” será tranquilamente refutada. Ele dirá, meus vizinhos já comeram milhares e ainda continuam os mesmos e outros até morreram, desiludidos, como sapos. Aceitando estas considerações e levando em conta a luta pela vida, fica patente pensar em muitas crenças falsas que pereceriam com seus teimosos portadores. Exemplos: vale apenas pular em abismos, vulcões são seguros, tigres não comem carne e infinitas mais.

Devo reconhecer que, mesmo aceitando a constatação de verdades do tipo que como vantajosas seletivamente, resta ainda a qualificação das verdades porque em geral. Quesito importante por serem estas as que justamente estabelecem a dimensão teórica do conhecimento. No meu entender este passo pode ser estabelecido mediante um procedimento comparativo nos moldes das verdades que antes apresentado, certamente com uma complexidade muito maior (aliás, chamamos isso de Ciência). Contudo tal esclarecimento ultrapassa as intenções deste texto. Apenas pretendia alertar que é possível exibir casos cuja verdade pode não ser irrelevante na mecânica evolutiva, sendo, até mesmo, decisivos. E que o argumento de Plantinga só funcionaria se ele tivesse uma prova para as crenças que como irrelevantes em termos seletivos. Algo que ele não faz e julgo não ser cabível fazer.

“Os sapos te convidam (Desafio Plantinga IV)”

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Blogger Marco Idiart disse…
Caros Carlos e JorgeApesar do texto do Carlos estar brilhante ainda tem uma ou duas coisas que ao meu ver ficam abertas.O Carlos menciona que o número de crenças incorretas extrapolariam em muito o número de crenças corretas, e de fato, apesar de Plantinga se atrapalhar com o cálculo das
probabilidades ainda assim ele estaria certo ao afirmar que a probabilidades de termos um conjunto de crenças verdadeiras ser ínfimo.

Mas se isto é verdade, isto não destrói o argumento do Sapo Metódico? Pois nem o nosso amigo anfíbio, nem gerações incontáveis deles seriam capaz de testar o googoplex de possibilidades à sua frente. Não tem como a cultura sapal separar o joio do trigo.

Então insisto no meu principal argumento, que introduzi no meu post: A correlação entre crenças. O cérebro é uma estrutura finita que não pode produzir um número infindável de crenças independentes. Elas são necessariamente dependentes. A seleção natural seleciona cérebro cuja “algebra” de crenças seja compatível com o mundo real.

A existência de correlações simplifica inclusive o trabalho do Sapo Metódico. Mas mais do que isto, ela já ajuda antes dos organismos terem capacidade de reflexão e de explicitação de suas crenças.

8 de setembro de 2011 00:49

Blogger Ricardo disse…
A cardinalidade do conjunto das crenças verdadeiras é a mesma que a do conjunto das crenças falsas. A razão disso está no fato de que para cada crença verdadeira p é possível obtermos uma crença falsa por meio da sua negação não-p e vice-versa.11 de setembro de 2011 09:49
Blogger Chico disse…
Eu não tenho certeza de que entendi claramente toda a argumentação do Carlos em seu texto. Minha interpretação foi que ele argumenta em favor de que a capacidade de observação (no exemplo, do ato e das consequências de comer moscas) de um indivíduo produz crenças verdadeiras com base empírica e que esse mecanismo de formulação de crenças verdadeiras é recompensado (e portanto também moldado) pela evolução.Pra mim faz sentido. Penso ainda que a correlação entre crenças destacada pelo Marco pode ser uma boa explicação. Se as crenças são correlacionadas, limita-se a explosão combinatória de crenças falsas porque só sobreviveriam os conjuntos consistentes; e as crenças consistentes são provavelmente decorrentes de pontos de ancoragem consistentes, que seriam os fatos reais, verdadeiros. Ainda, as hipóteses do Marco e do Carlos parecem reforçar-se mutuamente. Admitindo a correlação, uma crença verdadeira assegura a veracidade de outras.A falha que eu poderia supor na hipótese do Marco é a possibilidade da verificação de consistência dos conjuntos de crenças ser feita com base também em crenças (metacrenças), estas igualmente suspeitas.

12 de setembro de 2011 17:55

Blogger Marco Idiart disse…
ChicoA palavra que eu usei foi correlação e não consistência.
A correlação das crenças vem do cérebro do organismo. Ela não precisa ser comprovada.Em outras palavras, um cérebro finito não consegue gerar crenças que não sejam correlacionadas.

Dou um exemplo. Imagina que tem uma calculadora que eu quero que funcione normal, menos para a divisão de 34 por 299, que eu quero que seja 1000. Bom, vais ter que colocar um outro circuitinho só para satisfazer isto, pois o chip que tem lá não dá conta (pois implementa uma regra bem determinada) . Agora imagina que eu seleciono um número infinito destas operações todos eles dando resultados arbitrários. Eu então tenho que adicionar um número infinito de outros circuitinhos e minha calculadora passa a ser infinita.

Por isto digo que um cérebro finito, não consegue gerar um número arbitrario de crenças descorrelacionadas. A maioria delas é resultado da aplicação de uma regra.

Faz sentido?

12 de setembro de 2011 20:19

Blogger Chico disse…
Marco, acho que a correlação implica consistência em teu modelo, porque a representação de crenças no ‘circuito simplificado’ requer que elas sigam regras gerais (para fugir de enumerações dos casos particulares, como disseste). Isso deve tornar as crenças consistentes entre si, certo?Faz sentido para mim que as crenças sejam correlacionadas, mas é preciso ainda mostrar as vantagens evolutivas de elas serem verdadeiras. Creio que a consistência das crenças vira a probabilidade a nosso favor, mas receio que talvez não consiga ser claro ou correto nesse ponto. Mesmo assim, vou tentar levar adiante minha divagação a partir do modelo que propuseste, o qual acho que é bem relevante.Vamos supor um mapeamento entre fatos reais e crenças que induzem um comportamento vantajoso perante esses fatos. Cada item desse mapeamento de fato para crença vantajosa pode ser correto, se a crença for verdadeira, ou incorreto, se for falsa. Para cada crença verdadeira (que descreve bem o fato) deve haver um número muito maior (infinito?) de crenças que descrevem mal o fato (falsas) mas induzem comportamento vantajoso. Partindo dos fatos (verdades), a aleatoriedade (pelas múltiplas possibilidades) do mapeamento para crenças falsas (mesmo que vantajosas) dificilmente levaria a um conjunto consistente (representável no cérebro finito) e vantajoso de crenças. Dessa forma, o caminho mais provável (econômico e então recompensado pela evolução) dos fatos para um conjunto de crenças consistentes e vantajoso me parece ser a veracidade destas. Será que me fiz entender? Faz sentido?

12 de setembro de 2011 22:31

Blogger Marco Idiart disse…
Exatamente. Fostes mais claro que eu!!!12 de setembro de 2011 23:27
Blogger Ricardo disse…
Todos os argumentos até aqui formulados pressuõe que o número de crenças falsas é maior que o de crenças verdadeiras. Gente, isso não é verdadeiro, há exatamente o mesmo número de crenças verdadeiras e de crenças falsas, pois, repito, a negação de uma crença falsa gera um crença verdadeira e vice-versa. Diga-se de passagem, ao contrário do que supos Carlos, o argumento de Plantinga em momento algum pressupõe que haja mais crenças falsas do que crenças verdadeiras! O ponto de Plantinga é que, do pondo de vista da luta pela vida, uma crença falsa pode ser tão útil quanto uma verdadeira!Analisemos o caso da mecânica newtoniana, já que a maioria dos participantes do blog são cientístas: as equações do movimento de Newton não são verdadeiras, como mostrou Einstein, mas tendo em vista que para “baixas energias” os cálculos feitos com base em tais equações se aproximam muitíssimo dos valores obtidos com base nas suas contrapartidas relativísticas, ela é útil e, sem dúvida alguma, seletivamente vantajosa.Em suma,em linhas gerais, o argumento de Plantinga é correto. Mas tudo que ele prova é que, se o mundo é tal como os naturalistas dizem que ele é, então não há como saber se uma crença empírica é absolutamente verdadeira. O erro de Plantinga é imaginar que os naturalistas consideram a Teoria da evoluççao uma verdade absoluta. Ele não poderia estar mais longe da verdade! Desde sua primeira formulação, por Darwin e Wallace, a teoria evolutiva vem sofrendo importantes modificações e, sobretudo, após a descoberta do DNA, nínguém seria tolo a ponto de negar que a moderna teoria evolutiva se próxima mais da verdade do que a teoria de Darwin e, para acertar as contas com Plantinga, isso basta.

Ainda que a seleção natural seja incapaz de separar as crenças empíricas verdadeiras das crenças empíricas falsas, em certos contextos, ela é muito eficaz em separar o que está mais próximo do verdadeiro do que está mais distante. Por exemplo, se voce resolver contruir uma grande edificação, como uma ponte, um aqueduto ou uma pirâmide, é muito importante que seus cálculos de área e volume, para não falar em peso e resitência, estejam razoavelmete próximos dos valores que serão necessários para que sua contrução não acabe numa enorme pilha de destroços.

Não é por acaso que a ciência surge justamente no seio da civilização! Em certos contextos, não resta dúvida de que o conhecimento astrológico é mais útil que o astronômico, mas se você estiver tentando fabricar um calendário, prever um eclipse ou orientar-se durante uma longa viajem de navio, é melhor usar a astronomia. Já se o objetivo for conquistar uma adolescente saudável num barzinho fashion da Padre Chagas…

16 de setembro de 2011 02:18

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Resposta datilografada pelo Carlos:”Ricardo, certamente existem mais crenças falsas que verdadeiras se não engolirmos o infinito. Se for verdade que tenho um metro e setenta e quatro centímetros de altura, então será falso para todos os outros valores numéricos. As crenças que tenho 1.75, 1.76, etc. serão falsas. Plantinga não está apenas afirmando que a evolução pode acontecer sem a verdade. Está dizendo que é muito improvável que tenhamos a posse da verdade se guiados pela seleção. Você está enfatizando as propriedades sintáticas da negação (quando negamos o falso realmente temos o verdadeiro) e numa leitura conjuntista concordo que a cardinalidade do falso e o verdadeiro é a mesma. Mas o ponto de Plantinga é epistêmico e pode até acontecer que nesse aspecto só tenhamos proposições falsas para certos eventos. Sabemos o que não é, mas não sabemos o que é. Pense num OVNI. Não é avião, não é nuvem, não é helicóptero, etc, e talvez nunca venhamos a saber o que é. Do ponto de vista semântico, para cada falsidade corresponde uma verdade. Mas para cada verdade podemcorresponder infinitas falsidades. Ainda bem, senão seria muito chato fazer ciência.Meu argumento tenta mostrar que para a prova de Plantinga funcionar ele precisa aceitar a existência de verdades tipicamente seletivas postas nas crenças de percepção. A prova poderia funcionar se existissem apenas crenças teóricas. E se não tivermos verdades perceptivas não poderíamos nem ter crenças quaisquer (estamos montando a explicação). Ou seja, mesmo assumindo o quadro mais pessimista, o argumento não implica em ceticismo.”

16 de setembro de 2011 16:28

Blogger Ricardo disse…
Carlos, aparentemente vc crê que do fato de haver um único valor exato para a sua altura (1.74 m) e infinitos valores incorretos (1.75 m, 1.76 m …)é lícito inferir que o número de respostas corretas para a pergunta “Qual é a altura do Carlos?” é menor que o número de respostas incorretas, ou ainda, que há mais crenças falsas acerca da sua altura do que crenças verdadeiras. É fácil ver que a consequência não é boa, se observarmos que há uma infinidade de crenças verdadeiras acerca da sua altura, mesmo que haja uma única resposta exata para a questão “Qual é a altura do Carlos?”, a saber, a crença de que vc mede menos de 1.75, menos de 1.76 m e assim por diante. Caso vc insita na tese falsa de que só valor exato conta como uma resposta adequada ou como uma verdade acerca da sua altura, basta lembrar que toda medida pressupõe uma margem de erro e que dentro da margem de erro, por menor que ela seja, há sempre um número infinito de possibilidades! Não há saída muchaco, vc quis escapar da negação, afirmando que se tratava de um mero artifício lógico e acabou enredado nas malhas ainda mais finas da exclusão.Sei que vc não vai aceitar de imediato minha resposta e provavelmente irá inventar outra saída maluca para salvar sua tese, mas antes que vc volte a carga, deixe-me dizer que gostei muito do seu primeiro artigo que, infelizmente, foi mal recebido pelos blogeiros menos afeitos ao livre debate de idéias.16 de setembro de 2011 19:01

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Creio que gostou mais do primeiro porque não consegui fazê-lo entender o segundo. Acho que esta promovendo uma tremenda confusão. Se há um crime e o mordomo Luiz é o assassino, a crença que afirma isso será verdadeira. Todas crenças (com respeito a esta crime) referentes a cada um de todos os outros habitantes do planeta como o assassino serão falsas. Alguma dúvida sobre existir, neste sentido, mais falsidades que verdades?Suponha que queiramos saber qual é a cor do sutiã que nossa presidenta esta usando neste momento. Digamos que é azul. A crença que afirma isso será verdadeira. Ok, pode existir um número infinito de verdades sobre o sutiã da presidenta (tipo de tecido etc.) Mas a relativa á cor é somente uma e ponto. A crença de que é verde será falsa, amarela etc, (explico isso no texto). Faça uma enquete num grupo qualquer que eu garanto que serão enunciadas mais falsidades do que verdades. Se tua tese estiver correta teríamos a extravagante situaç ão otimista de que qualquer crença terá 50% de chance de estar certa. Mas eu não tenho 50% de chances de acertar se digo que teu signo e virgem.

Quanto á maluquice, deves saber que isso depende do lado de que se olha. Mas não é impossível que os livros de lógica que eu uso pra dar aula sejam furados.”

17 de setembro de 2011 10:00

Blogger Marco Idiart disse…
Acho que todos tem um pouco de razão. E o segredo talvez esteja na palavra “episteme” levantada pelo Carlos. E na minha insistência em dizer que grande importância de todo este debate reside na definição clara do que é uma “crença”.Considera as afirmações “O sutiã da Dilma é verde de bolinhas amarelas” e “O sutiã da Dilma NÃO é preto de triângulos laranjas”. Seriam as duas afirmativas equivalentes, se considerarmos o seu uso como uma crença?Tem outra forma de ver isto. Imagina que o Ricardo entra Carrefour e pergunta ao menino da entrada onde ficam as massas tailandesas. O menino então responde “acho que NÃO fica no começo da fila 34”.

Isso tudo tem um flavor de teoria de informação, não?

E se propusesse o seguinte: dentre todas as possíveis afirmativas lógicas ( que são em 50% verdadeiras e 50% falsas) existe um subconjunto que chamamos de crenças. Neste subconjunto o número de verdadeiros e falsos não é balanceado, simplesmente porque que uma crença envolve um risco maior ( ou em teoria de informação uma capacidade de informação maior).

17 de setembro de 2011 12:26

Blogger Ricardo disse…
Só prá registro, não usei o termo “maluquice” em sentido literal. Não crei que vc seja louco, o que aliás não é algo que dependa do observador! Só estou dizendo que você está errado e não há nada de mal nisso, aliás é a coisa mais normal do mundo, ao menos em ciência.Vejamos agora sua tréplica:1) Se Luiz foi assassinado, há uma única crença verdadeira acerca de quem matou Luiz e o número de crenças falsas é tão grande quanto o número de seres humanos vivos menos um.

Evidente que não! Volto a frisar, se eu negar todas as crenças falsas sobre quem matou Luiz, obterei o mesmo número de crenças verdadeiras.

2) Se eu fizer uma enquete num grupo qualquer serão enunciadas mais falsidades do que verdades.

Isso não prova nada! Aliás, se provasse poderia ser uma boa razão para acreditar na tese de Plantinga de que caso tivessemos evoluído conforme reza a cartilha darwiniana, seríamos incapazes de distinguir uma crença verdadeira de uma crença falsa. Em suma, a questão não é empírica e sim lógica!

3) Se minha tese estivisse correta teríamos a extravagante situação otimista de que qualquer crença terá 50% de chance de estar certa. Mas eu não tenho 50% de chances de acertar se digo que teu signo e virgem.

Francamente não sabia que vc lecionava lógica, mas a lógica não costuma se curvar às autoridades! O fato é que se desconsiderarmos qualquer informação sobre o mundo, as chances de uma proposição qualquer ser verdadeira é de exatamente 50%. Tome a proposição “O Sol se levantará amanhã”, qual é a probalidade de que isso seja verdadeiro? exatamente 50%. É claro que pressupondo nosso conhecimento de física e supondo que as leis físicas são independentes do tempo, as chances de que o mundo não acabe amanhã são maiores do que 50%. Mas isso, muchacho, você não pode supor, pois, não esqueçamos a razão de nossa disputa, o que Plantinga está defendendo é justamente que naturalismo + evolucinismo = ceticismo.

O mesmo vale para o seu exemplo sobre as chances de o meu signo ser virgem. Ou seja, a menos que vc pressuponha alguma verdade acerca do mundo, a chance é de exatamente 50%! É claro que a) se eu de fato existir, não se esqueça que eu disse que vc é louco, b) se eu for um ser humano e não uma máquina, 3) se eu não for um esquimó, já que no polo norte não há asccendente!, 4) se eu não for chinês, indiano ou um viajante do tempo!, etc… então as chances serão maiores que 50%, podendo até mesmo chegar a 100%, como no famoso caso do cavalo branco de Napoleão.

Um bom fim de semana!

17 de setembro de 2011 12:59

Blogger Marco Idiart disse…
Ricardo, não comentaste a minha proposta.Explicando melhor. Considere que uma “crença” é sempre baseada numa afirmação que nos ajuda a tomar decisões de vida, frente a uma infinidade de possibilidades. Assim dizer que “algo É” é diferente de dizer que algo “NÃO É”. Em teoria de informação diriamos que a expressão afirmativa seria mais informacional do que a negativa, justamente porque o objetivo dela é reduzir o tamanho da incerteza.A afirmação que o sutiã não é vermelho com losangos prata, pouco informa sobre o verdadeiro objeto de curiosidade, o sutiã da presidenta . Logo não tem status de crença, na minha opinião.

Ou seja, o conjunto de crenças tem de ser um conjunto de afirmações bastante informacionais sobre o mundo exterior. Por isto é um conjunto onde o risco de erro é maior.

17 de setembro de 2011 14:31

Blogger Ricardo disse…
Grande Marco, antes de mais nada deixe-me dizer que aprecio muito o teu trabalho de mediação no programa Fronteiras da Ciência!Quanto a tua proposta, não estou certo de tela compreendido integralmente. A princípio, sou favorável à idéia de que substituir o conceito de crença pelo de informação, que, ao contrário do primeiro, pode ser matematicamente definido. Mas não vejo como isso possa ajudar na elucidação e resolução do argumento de Plantinga.A idéia de que o mecanismo de seleção natural privilegia crenças mais informativas e que, por conta disso, termina por privilegiar as crencas verdadeiras, em detrimento das falsas, depende da tese, ao meu ver isustentável, de que as crenças verdadeiras são mais informativas que as falsas. Como vc pode ver, retornamos a minha disputa com o Carlos. De fato, se o Carlos tiver razão e as crenças verdadeiras forem menos prováveis que as falsas (pois há mais falsidades do que verdades), então as crenças verdadeiras serão mais informativas e, consequentente, a tua proposta de solução será viável.

Por fim, creio que a tua proposta de que as crenças afirmativas são mais informativas que as negativas não se sustenta, até porque a negação de uma negação é uma afirmação. Talvez o que tu estejas querendo dizer é que afirmar que um objeto cai sob um determinado predicado “a é P” é mais informativo do que afirmar que o mesmo objeto cai sob a negação deste mesmo predicado “a é não-P”. Isso já é mais compreensível, embora nem sempre seja verdadeiro (pense na diferença entre “a é azul” e “2 é par”). De qualquer modo, em lógica há uma grande difenrença entre negar uma sentença e negar um predicado.

Até mais!

17 de setembro de 2011 20:56

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Nao tenho nenhum problema em estar errado, fico até feliz quando reconheço. Mas insisto que a questao pertinente sobre as “quantidades” de verdades e falsidades é epistémica e nao lógica (vc continua nao distinguindo). Nao por acaso Plantinga se apresenta como um epistemólogo, com um problema de conhecimento e nao de lógica. Com todo o respeito, dê uma olhada no que Kant chama de juízos infinitos. (ou indefinidos). Ali ele explica porque (do ponto de vista epistémico) verdades obtidas por negaçao nao determinam tao bem o fato (ou o objeto, no jargao dele) como as de afirmaçao. A melhor traduçao formal para isto seria uma lógica modal onde aprendemos ser o possivel mais amplo que o real. Alguma dúvida sobre a “existencia” de mais mundos possíveis do que O mundo real? Também vejo que estas misturando bivalencia com probabilidades. Uma coi sa é dizer que qualquer proposiçao pode ser verdadeira ou falsa, outra é dizer que ela tem 50% de chances de ser verdadeira ou falsa.Concordo com o Marco. Precisamos qualificar melhor o que entendemos por crenças.”

18 de setembro de 2011 08:20

Blogger Ricardo disse…
Desde o início, vc vem insistindo na tese de que eu não entendi o teu artigo e minhas alegações não passam de uma amontoado de observações confusas.Para alguém que gosta de saber se está errado, vc não está se esforçando muito.Analisemos suas mais recentes alegações:1)A suposta confusão entre lógica e epistemologia;

“Crença”,”Verdadeiro” e “falso” são conceitos lógicos e não epistemológicos. Você tem razão,contudo, quando afirma que a tese de Plantinga é epistêmica, pois, o que ele está afirmando é que o conhecimento seria impossível se o mundo fosse tal qual o naturalismo evolucionista diz que ele é. O que eu venho questionando não é a tese do Plantinga e sim o seu argumento contra esta tese. O que eu estou a dizer é que no seu argumento há uma premissa falsa, a saber, a tese de que há mais falsidades que verdades. Vc não está dizendo que desconhecemos mais do que conhecemos. Se for isso, então é claro que vc tem razão. Nesse caso, contudo, seu argumento é uma petição de princípio.

2)Os juízos infinitos ou o recurso à autoridade de Kant;

Não é de bom tom substimar o adversário, nem recorrer à autoridade, ainda que respeitosamente. Carlos, Kant distingue claramente os juízos infinitos dos juízos negativos. Além do mais, a distinção entre juízos afirmativos, negativos e infinitos, é parte da famosa tábua do juízos, uma classificação que o próprio Kant considera com sendo de ordem lógica e não epistemológica. Com que direito vc recorre à Kant, se como vc mesmo declarou a questão da “quantidade” de verdades e falsidades é epistêmica e não lógica!

3)A humilde lição de lógica modal;

O possível é mais amplo que o real. Sem dúvida uma tese de respeito, mas não uma tese lógica! Primeiramente, vc deve saber que há sistemas modais, como o de David Lewis,em que não há distinção lógica ou ontológica entre possível e real. Em outras palavras, para Lewis, todos os mundos possíveis, incluindo o nosso, são reais. A contraparte disso na física é a versão forte da teoria do multiverso. Para Lewis, idealizador de um dos mais importantes sistemas de lógica modal, a distinção entre o possível e o real não é nem de ordem lógica, nem de ordem ontológica, mas sim de ordem epistemológica: entre o que é, para nós, possível de conhecer e o que está para além da nossa possibilidade de conhecer.

Além disso, há outras situações em que o real e o possível coincidem por questões ontológicas. Pense no seguinte mundo real: os números ímpares, um subconjunto infinito dos números naturais, e a propriedade sucessor. Esse, aliás, é um bom exemplo de um mundo em que o número de verdades é exatamente igual ao número de falsidades, sem a necessidade se se engolir o infinito atual!

4)A suposta confusão entre bivalência e probabilidade.

Não é confusão coisa nenhuma, é a própria definição de probabilidade que o exige. Quantos valores uma moeda pode assumir: dois (cara ou coroa) Qual a probabilidade de sair um ou outro? 1/2. Quantos valores uma sentença pode assumir: dois (verdadeiro ou falso) Qual a probabilidade se ser um ou outro? 1/2. É claro que o real determina o que é verdadeiro ou falso, mas em lógica não se pode supor que o real seja deste ou daquele jeito. Por exemplo, se o real for totalmente determinado, a chance de algo ocorrer será 0 ou 1.

Bem , vou ficando por aqui. Hsta la vista, muchachito!

18 de setembro de 2011 11:44

Blogger Chico disse…
Acho que o Ricardo está transformando algo simples numa tremenda confusão, talvez tentando ‘trolar’ o pessoal do deste blog ao insistir no “estou certo e vocês não admitem que estão errados”.Estamos falando das crenças que motivam comportamentos vantajosos abordadas por Plantinga no seu argumento. Então me parece óbvio que podem existir muito mais crenças falsas que verdadeiras no universo de crenças que de fato se manifestariam nas mentes das criaturas para fazê-las adotar comportamentos benéficos. Exemplificando, num universo de três sabos comedores de moscas, um come mosca para se nutrir, outro para virar príncipe e o outro porque o deus sapo manda. Há duas crenças falsas e uma verdadeira (a primeira). As negações destas não teriam utilidade comparável às suas versões afirmativas porque não carregam a mesma quantidade de informação (citando Marco). E não é concebível que o primeiro sapo, ao comer moscas, pense ‘como mosca, mas não é porque acho que me faz príncipe, e não é porque o deus sapo manda, e etc. (para mais negações de outras possíveis crenças afirmativas motivadoras da ingestão de moscas). Se assim, fosse, o sapo precisaria percorrer uma enorme lista de crenças pouco informativas para, por eliminação, decidir comer moscas por um motivo que poderia ser descrito por uma única crença afirmativa.18 de setembro de 2011 17:49

Blogger Marco Idiart disse…
Oi Chico
Estou também como tu insatisfeito cm o rumo da discussão. Os e-mails crescem na proporção inversa do esclarecimento dos fatos.
As duas visões são prefeitamente reconciliaveis. Por um lado é verdade que existe uma simetria entre falsos e verdadeiros (posição do Ricardo), por outro existe esta noção intuitiva que é mais fácil dizer besteira do que acertar (posição do Carlos). E acho que a solução é clara. Eu estou certo!!!!!E please, pessoal não precisamos de Kant. Senão sou forçado a usar o comentário do Renato Flores.
Bom findi.18 de setembro de 2011 18:41

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”RicardoCrença certamente não é um conceito lógico.

Para nao perdermos tempo e nao desviar do que mais importa, vamos admitir que todas tuas observaçoes sobre, lógica modal e probabilidades sao corretas.

Mas de onde tirastes a conclusão surpreedente de que para um argumento provar algo, a premissa (s) tem de ser verdadeira (s)? O conceito capital em lógica é validade e não verdade. Dois exemplos de argumentos clássicos. Matemática: prova de Euclides para impossibilidade de existir o maior número primo. Descartes: com a suposição (falsa) de que exista um gênio maligno absolutamente poderoso, usada para provar que, mesmo assim, sobra uma verdade inegável.

Olha só, vejo que foi criada uma distância intrasnponível em nossa discussão. E o mais paradoxal de tudo é fato de aceitar desde o início tua posição lógica como correta. E seja como for isso não atinge meu argumento. Na verdade, o favorece. Ele pode ter uma premissa falsa. Deixe eu ser mais claro. O que eu pretendia fazer era desenvolver a proposta de Platinga a partir do cenário mais pessimista possível (tipo gênio maligno) para mostrar que a conclusão cética não se segue (Concordo, deveria ser mais enfático). Coisas do tipo: suponha assim, então, terá assado. Assim, por maiores que sejam as dificuldades de escolhas entre um número grande crença s, o próprio processo só ganha inteligibilidade devido ao fato de existirem crenças de altíssima probabilidade de verdade, a saber, crenças de percepção. O sapo pode enganar-se sempre sobre o porque comer moscas, mas não pode enganar-se sempre que as come ou nao. De fato faltou eu explicar com mais clareza a idéia de probabilidade para as crenças de percepção, mas penso ser o processo seletivo fortemente compatível com esta tese – esperava sujestoes do blogue. Aceitando tua idéia de que mesmo de um ponto de vista epistêmico a quantidade de verdades é a mesma das de falsidade, isto facilitaria minha argumentação (quem pode mais, pode menos). A qualificação das crenças teóricas ficaria bem mais fácil. vc fortaleceria minha conclusão deixando Plantinga mais fraco. Quero mostrar que mesmo deixando ele o mais forte possível, ain da assim, nao vinga. Em suma, meu argumento pode estar errado, mas nao porque a tese probabilística seja falsa.

Com respeito a negação. E claro que muitas vezes verdades de negação podem ser úteis. Se descubro que o objeto misterioso ao meu lado não é um tigre faminto, ficarei mais aliviado. Mas não esqueça que a negação é um operador lógico (constante) sem conteúdo. Para afirmar que a negação de que x não é um tigre é verdadeira eu preciso saber o que é um tigre por comparaçao e para isto a lógica pode ser complementar mas nao determinante.

Concordo que a referencia a Kant trás mais sutilezas. Mas não a nada de apelo a autoridade nesse recurso. Eu penas recomendei a leitura, bastante relevante para a discussão e não disse “o fabuloso Kant prova que estas errado”.

É isso ai”

18 de setembro de 2011 22:42

Blogger Ricardo disse…
Carlos,Concordo contigo que nossa discussão está girando em torno de pontos que não são centrais no teu argumento contra Plantinga. O ponto central da tua argumentação é a distinção entre crenças teóricas e crenças de percepção.Sua estratégia cética à la Descartes é interessante e concordo que deva haver uma diferença entre a probabilidade maior de as crenças de percepção serem verdadeiras, já que as crenças teóricas se apoiam em última análise em crenças de percepção. Não creio, contudo, que tu tenhas conseguido justificar a contento a afirmação de que as crenças de percepção devem ter altíssima probabilidade, ou mesmo que devem ter probabilidade maior que 50%. Contra isso, creio que Plantinga alegaria que as crenças de percepção não são independentes das crenças teóricas e que, portanto, a baixa probabilidade das crenças teóricas acaba afetando a probabilidade das crenças de percepção.

Até mais!

19 de setembro de 2011 12:00

Blogger Ricardo disse…
Marco,O núcleo da estratégia de argumentativa de Plantinga é simples:P*) Do fato de uma crença ser verdadeira não se segue que ela seja adaptativamente vantajosa, ou ainda, a falsidade de uma crença é compatível com o fato de ela ser adaptativamente vantajosa;

Assumindo P*, ele então infere, corretamente:

C) A adaptabilidade não pode servir como critério de verdade.

Na minha opinião o argumento é bom mas não o suficiente para mostrar que o evolucionismo é incompatível com o naturalismo, a não ser que “naturalismo” seja confundido com “empirismo ingênuo”.

Em minha opinião, a força da argumentação de Plantinga deriva, justamente, do fato de o empirismo ingênuo ser extremamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos!

19 de setembro de 2011 12:45

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Bingo, Ricardo!Acertaste na mosca: “Em minha opinião, a força da argumentação de Plantinga deriva, justamente, do fato de o empirismo ingênuo ser extremamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos!”Espero que [email protected] tenham apreciado esse por vezes desconfortável, porém necessário “treinamento de guerrilha conceitual”. Quem entrou “tranquilo”, achando que estava tudo ressolvido, quebrou a cara. A sequência de discussões cada vez mais qualificadas prova que nossa estratégia é adequada.

Parabéns aos bravos interlocutores que ainda prosseguem no debate.

19 de setembro de 2011 12:51

Blogger Ricardo disse…
Grande Jorge,Acabo de receber os trabalhos que solicitei aos meus alunos do Curso de Especialização em Epistemologia Contemporânea que coordeno aqui na Federal de Alagoas e não poderia estar mais feliz.Minha disciplina tem o nome pomposo de “Verdade e Método” e tenho alunos de diferentes áreas (físicos, filósofos, historiadores, etc.). Após algumas aulas expositivas sobre temas centrais de Filosofia da Ciência, com foco no problema da demarcação, eu adotei a seguinte metodologia: em cada aula nós ouviamos um programa do Fronteiras da Ciência e depois debatíamos o tema. Após vários programas e muitas leituras de Carl Sagan, Asimov, Randi, etc., pedi a cada aluno que escolhesse sua pseudociência favorita e escrevesse um artigo questionando sua alegada cientificidade. Como disse, o resultado foi além das minhas expectativas e é claro que nada disso teria sido possível sem o trabalho pioneiro (na verdade a Sarg foi a pioneira) que vcs desenvolvem aí na UFRGS. Bravo!

19 de setembro de 2011 15:11

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Rabenschlag!!!!19 de setembro de 2011 15:13
Blogger Ricardo disse…
Em carne e osso. Imagino que vcs devem ter pensado horrores do “Ricardo”, mas depois que eu vi que vcs não tinham ligado o nome a pessoa, não pude resistir à tentação do anonimato, pelo menos até que alguém se desse conta!19 de setembro de 2011 15:23
Blogger Jorge Quillfeldt disse…
O anonimato foi uma sacanagem, pô! Mas já começava a desconfiar pelo tipo de argumentação. Faz bem pouco que fiquei sabendo que andavas pelas terras das Alagoas, parabéns!E por favor, fotocopie e envie estes trabalhos para nós. Queria muito botar os olhos neles!19 de setembro de 2011 15:26

Blogger Ricardo disse…
Em novembro estarei em POA durante uma semana, participando de um Congresso de Filosofia Analítica na Unisinos. Quando chegar mais perto, a gente pode combinar uma janta ou alguma outra coisa prá reunir o bando!Vcs aí do Fronteiras bem que podiam organizar um evento na Universidade sobre Naturalismo versus Evolucionismo. Nem que seja apenas prá se contrapor aos teólogos da PUC que trouxeram o Plantinga!19 de setembro de 2011 15:40

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Beleza, avisa mesmo. Dia 5/11 teremos um “Skeptics in the Pub” aqui em PoA também…19 de setembro de 2011 15:42
Blogger Jeferson Arenzon disse…
Link interessante para a discussão:http://evolucionismo.org/profiles/blogs/como-e-a-evolucao-seleciona-para-a-verdade19 de setembro de 2011 15:57

Blogger Ricardo disse…
Ainda não tenho a data exata do Congresso mas se eu estiver por aí, não vou perder o skeptics in the pub.Um abraço prá todos!19 de setembro de 2011 15:58

Blogger Jeferson Arenzon disse…
Do Carlos:”Ricardo,Eu devia ter desconfiado que a pancadaria que rolou tinha malandrágem. Sorte que é um amigo pois eu ja tinha encomendado um revolver na fronteira.

Concordo, falta justificar a alta probabilidade das crenças de percepeçao. Algo nao trivial, embora ache intuitivo. Tem esta sujestao do Jaime que penso valer apena desdobrar. Ele permitiu soltar no blogue.

————-

Caro Miraglia
Agora sim tenho o texto certo. Nos textos que o Jorge me mandou constava apenas o primeiro texto (Maldito Plantinga). Concordo em linhas gerais com teu argumento. O ponto central é que para atribuir crenças a um organismo temos em primeiro lugar que determinar que tal organismo tem a capacidade de apreender os conteúdos relevantes, e isso só pode ser feito com base em um comportamento, por parte do organismo que mostre uma capacidade discriminativa com relação aos conceitos envolvidos. Mas a atribuição de tal capacidade discriminativa só se dará se na maioria dos casos o comportamento se mostrar “sensível” à presença ou ausência da propriedade em questão, e isso é equivalente a dizer que na maioria das vezes o organismo tem que ter as crenças perceptivas verdadeiras. Além disso atribuição de crenças propriamente ditas requer atribuição de um grau razoável de racionalidade, e racionalidade implica em uma relação de co mpatibilidade entre as crenças. Para que o sapo da história possa ter a crença que Plantinga quer atribuir a êle, êle tem que ter muitas outras crenças, tais crenças têm que ser compatíveis entre si, e elas têm que ser tais que seus conteúdos sejam minimamente motivados pelo ambiente no sentido especificado acima. Se o sapo da his tória apresentar tudo isso, será no mínimo improvável que êle sustente a crença em questão. Mas mesmo que esse seja o caso, ainda podemos traçar a distinção que tu traças entre crenças perceptivas e o que eu preferiria chamar de crenças teóricas. É possível ter comportamento adaptado na presença de crenças teóricas sistematicamente falsas, mas não é possível ter comportamento adaptado na presença de crenças perceptivas sistematicamente falsas.
Valeu Miraglia. Obrigado pelo texto.
Um abraço
Jaime

——–

Acho que nao esta completo mas é por ai.

Outro ponto é a passagem para a qualificaçao das verdades teóricas, coisas que obtemos pelo fazer da ciencia. Mas suspeito que sem querer Plantinga tem o argumento mais poderos contra o realismo científico. Melhor que van Fraassen.

Vou ver se poderei estar em Poa para um encontro. Nao levarei o revólver.”

19 de setembro de 2011 19:37

Blogger Marco Idiart disse…
Entre os Filósofos e Filósofos da ciência é extremamente difundida a idéia que o empirismo ingênuo é extramamente difundido entre os cientístas naturais, incluindo os Físicos.:-)19 de setembro de 2011 19:58

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
… disse o físico.”Und es ward licht!”19 de setembro de 2011 20:15

Blogger Marco Idiart disse…
Jorge, conheces alguém que defende o empirismo ingênuo?Eu conheço mais gente que defende o “preconceito ingênuo que as prequisadores das ciências exatas defendem o empirismo ingênuo” do que gente que defende o IE… quite extraordinary, mon ami… I should write a paper about it…19 de setembro de 2011 21:05

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Podias escrever mesmo, Marco,É óbvio que ninguém iria defender algo que o tachasse de “ingênuo”, né? Essa classificação é um epíteto atribuído por críticos que percebem a base superficial e simplista da concepção de alguém, nunca uma “escola de pensamento” de adesão voluntária… Pela mesma razão não existem partidos com a letra “R” de “Reacionário” na sigla…Mas o fato é que houve uma explosão de maus exemplos filosóficos feitos por ótimos cientistas & divulgadores, como Dawkins, algo que venho comentando aqui há anos. A autoridade científica e a fibra moral do divulgador & combatente de obscurantismos que é Dawkins, por exemplo, não livram a cara dele: é um pensador relapso e superficial, e, pior, estimula a copiá-lo, em seu estilo bravateiro – “macho atheist” – uma espécie de Schwartzenegger dos ateus… “I’ll be back”…

Alguns devem estar pensando, hmmm, essse Jorge vai acaber dando “munição” aos criacionistas, que adorarão citá-lo fora de contexto. “Munição, “guerra”, “combate”, as metáforas bélicas proliferam em detrimento da razão. Se eu realmente temesse dizer isso “só por que” poderia ser citado fora de contexto, tudo realmnente já estaria perdido.

Felizmente estamos longe disso. A razão ainda prevalece!

E ‘deus’ não existe !

19 de setembro de 2011 21:36

Blogger Jorge Quillfeldt disse…
Putz, a postagem saiu e comeu um parágrafo inteiro, cáspite!Dizia o seguinte:Aliás, pelo que tenho lido neste intenso debate aqui no blogue, tu não te enquadras na zona de risco do simplismo dawkiniano.

19 de setembro de 2011 21:46

Blogger Marco Idiart disse…
Obrigado pela consideração.Mas sobre o que antes disseste. Obviamente não me referia a alguém que se auto intitulasse “empirista ingênuo”. Mas a alguém que professasse que pode bootstrap teorias a partir de experimentos, sem nenhuma hipótese inicial.Conheces alguém que realmente faça ciência, que faça o seu paperzinho de cada dia, e que consiga pensar desta forma?

A meu ver o “empirista ingênuo” é o moto perpétuo da filosofia da ciência.

19 de setembro de 2011 22:48

Blogger Ricardo disse…
Carlos,Este Congresso da Unisinos é bem interessante, vc devia enviar um trabalho. Acho que ainda está no prazo.Quanto à janta ou qualquer outra desculpa prá nos reunirmos, faço questão da tua presença, muchacho!

20 de setembro de 2011 09:45

Blogger Ricardo disse…
Marco,Vc tem razão em reclamar do rótulo “empirista ingênuo”. De fato, há muita coisa boa que é tachada de ingênua. Tem gente que acha, por exemplo, que Aristóteles era um empirista ingênuo! A verdade é que ele não era nem empirista nem tampouco ingênuo.Quando eu digo que o Plantinga surfa no tsunami do empirismo ingênuo, eu estou me referindo a uma gama muito diversificada de posições filosóficas que tem insistem em confundir questões filosóficas com questões científicas. Um exemplo disso, na minha opinião, é tentar encontrar um critério causal para a verdade, como se a verdade fosse uma propriedade de alguma parte do cérebro.

20 de setembro de 2011 09:56

Blogger Osame Kinouchi disse…

Pessoas,

Que discussao legal, posso fazer cut and paste pro meu blog ou tem copyright?

Marco, que tal usar o Perceptron para esclarecer as coisas aqui?

É obvio para quem conhece a questao do Perceptron (especialmente do Perceptron Binario) que existe apenas um unico perceptron aluno igual ao perceptron professor, mas infinitos perceptrons falsos (que diferem por 1 bit, dois bits etc) no limite termodinamico, claro!

Dado que mesmo a ideia de proximidade do professor atingivel por acumulo de seleção via exemplos nao é verdadeira no caso do perceprton binario, ou seja, dada a quebra de simetria de replicas e a presença de infinitas solucoes compativeis com um conjunto finito de exemplos, e que tais solucoes nao sao proximas mas sim espalhadas no espaco das regras… e chamando cada perceptron de uma crença ou teoria, teremos que nao ha convergencia para a teoria verdadeira (para exemplos com ruido, que nao permitem a transicao de fase para aprendizagem perfeita, OK?)

E lembremos que qualquer conjunto de exemplos (experimentos, fatos etc) necessariamente terá ruido no mundo natural.

Finalmente, dado que a aprendizagem do perceptron binario nao é factivel (é um problema NP completo) e dado que dificilmente um algoritmo genetico (evolucao dos perceptrons) poderia resolver um problema NP completo (na verdade, nao pode, nao é mesmo?) , m eparece que a teoria do perceptron binarico no cenario professor-aluno embasa de maneira matematica o argumento de Platininga?

Ou não?

Vc poderia traduzir o meu argumento para os leigos?

Osame

20 de setembro de 2011 18:09

PSTU apóia Richard Dawkins!

Para os meus amigos ateus psdbistas… risos:

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O ateísmo arrasador de Richard Dawkins 

ZÉ LUÍS DOS SANTOS, DE SÃO PAULO (SP)

Divulgação

Capa do livro

• Os primeiros passos da formação da concepção de mundo original atribuída aos alemães Marx e Engels foram dados com a crítica de autores como os irmãos Bauer e Feuerbach. Tais autores, conhecidos na época como jovens hegelianos ou hegelianos de esquerda expressavam, num nível acadêmico, a crítica do sistema de Hegel, animados pela atmosfera das revoluções democrático-burguesas de sua época. Feuerbach era, então, o crítico mais ousado. E seu ateísmo e seu materialismo humanista seriam essenciais na formação do pensamento dos fundadores do socialismo científico.

Os jovens hegelianos encantavam-se com as possibilidades abertas com a subversão atéia do sistema de Hegel. Como não podiam desferir ataques diretos contra a monarquia absolutista da Prússia e o atraso da Alemanha, faziam-no indiretamente, criticando o Estado por meio de sua religião oficial. Foi então que surgiu sua profissão de fé: atacar as idéias religiosas das pessoas, libertá-las da servidão das crenças para que, em seguida, fosse possível transformar o mundo.

Dando um passo à frente, Marx e Engels inverteram a ordem do programa: deve-se antes transformar o mundo para que, posteriormente, as idéias possam ser modificadas. Esse passo teórico decisivo foi dado na obra A Ideologia Alemã, em que a pretensão dos jovens hegelianos é ridicularizada.

De qualquer forma, o ateísmo é um componente central do marxismo. É falsa a afirmação segundo a qual o marxismo pouco se importa com as religiões ou com a crença em Deus. Não há marxismo conciliável com a crença em entidades sobrenaturais. É claro que questões de tática e política não devem ser misturadas aleatoriamente com questões filosóficas: seria inútil pregar o ateísmo diante de uma assembléia de fanáticos de uma congregação evangélica, católica ou muçulmana.

Tal atitude, provavelmente, acabaria mal para o lado menos numeroso. Entretanto, convém aos marxistas manter os olhos abertos para o desenvolvimento da ciência, pois esta é a fonte de sua filosofia. Com a ciência em mente e sem querer ressuscitar o programa dos jovens hegelianos, consideremos agora a obra mais popular do novo expoente do ateísmo científico radical: o biólogo britânico Richard Dawkins.

Deus, um delírio

Richard Dawkins pertence a um seleto grupo de cientistas cuja honestidade intelectual está muito acima do nível sórdido em que são feitas concessões à opinião pública em troca de dinheiro e popularidade fácil. Nas páginas deDeus, um delírio o leitor encontrará uma crítica severa e surpreendente contra aqueles que, por conveniência ou covardia, cederam à pressão do público leigo e das editoras e deram às religiões um espaço nobre entre as realizações intelectuais humanas. Os dois principais alvos desse ataque “principista” são Stephen Hawking, que de maneira cínica inseriu “a mente de Deus” em sua Breve História do Tempo e o também biólogo (aclamado entre o público marxista) Stephen Jay Gould, que em sua obra Pilares do Tempo fez concessões à religião.

Deus, um delírio é a prova viva de que um best-seller não requer capitulações. Seguindo a tradição de grandes pensadores e divulgadores da ciência como Carl Sagan, autor, dentre outros, do sensacional O Mundo assombrado pelos Demônios, Dawkins mostrará ao leitor a última palavra da ciência em oposição ao obscurantismo criacionista, ao fanatismo judaico-cristão, ao fundamentalismo islâmico e a todas as formas de pensamento místico.

Uma das novidades dessa obra em relação ao livro citado de Carl Sagan é a crítica sagaz e bem-humorada do design inteligente – o “criacionismo num smoking vagabundo”. Richard Dawkins domina a lógica da argumentação. O leitor dará boas risadas ao perceber as falácias triviais contidas nos argumentos supostamente sofisticados como o da “complexidade irredutível”. Há vários outros temas interessantes na obra, como a possível explicação biológica (evolucionista) para a vulnerabilidade humana às religiões, o caráter relativo e certamente não religioso da moral, dentre outros.

Mas Dawkins não é um político revolucionário. Por essa razão, apesar do caráter extraordinariamente salutar de sua obra, percebe-se facilmente a existência de algumas lacunas. Exemplo: exceto pela descrição de um experimento destinado a demonstrar o chauvinismo das crianças israelenses, não há uma única menção ao sionismo no texto, apesar de haver extensas passagens dedicadas aos crimes cometidos em nome das religiões. Terá sido uma omissão tática? Por outro lado, certos conflitos militares e políticos têm suas causas reais obscurecidas diante da “causa” aparente das religiões. O leitor não terá, contudo, dificuldades para distinguir a essência da aparência.

Lacunas à parte, a obra é referência obrigatória para militantes e ativistas dos movimentos sociais. Numa época em que o assalto imperialista ao mundo semicolonial volta a ser feito em nome de uma luta do “bem contra o mal”, é sempre bom possuir argumentos científicos contra os ladrões que fingem falar em nome de um suposto deus.

Para concluir, gostaríamos de fazer uma única objeção ao texto, que se refere à origem da vida. Parece-nos haver um pouco de exagero na insistência do autor em qualificá-la como evento “altamente improvável”, como explicaremos abaixo.

A origem da vida: algumas palavras sobre probabilidades

Há poucas semanas, o prêmio da Mega-Sena estava acumulado em 52 milhões de reais. Acertar na Mega-Sena, como todos sabem, é um evento altamente improvável. Na verdade, é surpreendente constatar que um jogo dessa natureza reúna tantos adeptos, pois nenhum outro gera todas as semanas uma quantidade tão espetacular de perdedores – como diz a velha anedota. De qualquer maneira, sabemos (não por experiência própria) que, quase sempre, uma ou mais pessoas acertam a combinação. Como se explica fato tão extraordinário?

Qualquer pessoa que tenha o mínimo de instrução escolar sabe que o número de combinações possíveis de seis números escolhidos entre 1 e 60 é extraordinariamente alto. Quem aposta uma única combinação tem apenas uma chance entre mais de cinqüenta milhões de possibilidades! A probabilidade de êxito para uma única aposta é, portanto, virtualmente igual a zero (aproximadamente 0,00000002).

É por essa razão que seu vizinho que joga todas as semanas sempre perde e continuará perdendo! Caso você o avise sobre tais números, ele certamente dirá que, apesar das probabilidades, alguém sempre ganha! Logo, “com a graça de Deus”, talvez o próximo vencedor seja ele próprio, afinal, sempre se comportou bem e está convencido de que faria bom uso do dinheiro.

É verdade que quase sempre alguém ganha, sozinho ou juntamente com outros apostadores. Esse fato sugere-nos a hipótese de que a ocorrência do evento favorável (acertar a combinação) não é tão improvável assim se fizermos um número suficiente de tentativas. E, de fato, são feitas milhões de tentativas. Há milhões de apostadores. Alguns fazem dezenas de apostas, outros, apenas uma.

Se houver apenas 25 milhões de apostas distintas, a chance de que uma delas seja sorteada é aproximadamente igual a 50%, e o evento favorável deixa de ser improvável, tornando-se até corriqueiro. A verdade, portanto, é que o evento favorável torna-se bastante provável quando se dispõe de um número suficiente de tentativas, apesar de sua aparência improvável (quase impossível) na escala individual, isto é, tendo-se em vista a perspectiva de um único apostador.

Pois bem. A origem da vida assemelha-se a uma edição do “concurso” da Mega-Sena, com a diferença de que o evento favorável aqui é a aparição casual de uma molécula orgânica capaz de fazer cópias de si mesma. Neste caso, o evento favorável, considerando a perspectiva de um único apostador, é muitas vezes mais improvável do que acertar uma combinação de 6 números escolhidos entre 60.

Em compensação, o número de apostadores (moléculas orgânicas submetidas a condições adequadas) é extraordinariamente maior. E, além disso, cada apostador pode fazer a tentativa centenas ou mesmo milhares de vezes, e o tempo disponível para o experimento é de aproximadamente 1 bilhão de anos, sendo que as tentativas ocorrem ininterruptamente! Ora, nessas condições, seu vizinho certamente diria: assim, até eu ganharia!