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Religião é política? E a ciência é ateia?

Texto obtido no Facebook do Eli Vieira:

Religião é política? E a ciência é ateia?

por Erick Fishuk, segunda, 19 de setembro de 2011 às 14:08

Duas perguntas essenciais devem ser respondidas pelos movimentos ateus, céticos e laicos no desenrolar de suas lutas se eles quiserem ir para frente e adquirir consistência visual, teórica e combativa. A primeira é se as religiões instituídas são uma forma de fazer política, ou, mais ainda, se elas mesmas são uma espécie de braço espiritual dos Estados modernos para que estes façam valer seus discursos morais e cívicos. A segunda é se a ciência, tomada como instrumento de análise e transformação racional e padronizada da realidade, deve definitivamente se assumir como partidária do ateísmo e, portanto, combater as religiões de modo militante, em concomitância com sua atividade profissional e objetiva obrigatória.

 

Não pretendo aqui esgotar a questão, que deve ser resolvida por todos aqueles racionalistas e fiéis que batalham pela não interferência de interesses privados nas esferas coletivas. Ainda assim, desejo dar minha contribuição, mesmo parcial e incompleta. Penso que, de acordo com um conceito mais amplo sobre o que é fazer política, não só as religiões instituídas, ao menos no Brasil e em alguns países em que elas exercem grande influência, são agentes poderosos de interesse e atuam conforme regras de conciliação e acomodação bastante terrenas, como também o Estado ainda lhes reserva uma grande dívida no sentido de mobilizar apoio para seus projetos de unidade patriótica e lhes tributa inúmeros privilégios patrimoniais e fiscais como retribuição ao preenchimento de lacunas, por vários séculos, que o poder público não quis ou não pôde suprir. Da mesma forma, segundo um conceito particular de religião, não julgo ser a ciência totalmente competente para intervir em assuntos de fé, a não ser que estes passem a concernir e a intervir no mundo real e na própria prática científica.

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Por que os blogueiros de ciência não são chiques?

Enviado por uma amiga (chique, suave, firme e linda!!!), acho que para me dizer que eu devia ser mais discreto com relação a ela e que o SEMCIÊNCIA é muito cético pro gosto dela! ai…ai…

SER  CHIQUE  SEMPRE
GLÓRIA KALIL

Nunca o termo “chique” foi tão usado para qualificar pessoas como nos dias de hoje. A verdade é que ninguém é chique por decreto. E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão à venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupa ou closet recheado de grifes famosas e importadas. Muito mais que um belo carro Italiano. O que faz uma  pessoa chique, não é o que essa pessoa tem,  mas a forma como ela se comporta perante a vida.

Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes e nem precisa contar vantagens, mesmo quando estas são verdadeiras.

Chique é atrair, mesmo sem querer, todos os olhares, porque se tem brilho próprio. Chique mesmo é ser discreto, não fazer perguntas ou insinuações inoportunas, nem procurar saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre É evitar se deixar levar pela mania nacional de jogar lixo na rua. Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e às pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos. Chique mesmo é não se exceder jamais! Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar nos olhos do seu interlocutor. É “desligar o radar” quando estiverem sentados à mesa do restaurante, e prestar verdadeira atenção a sua companhia. Chique mesmo é honrar a sua palavra, ser grato a quem o ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios. Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, ainda que você seja o homenageado da noite!

Mas  para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de  se lembrar sempre de o quão breve é a vida e de que, ao final e ao cabo, vamos todos retornar ao mesmo lugar, na mesma forma de energia. Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se encontrar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não te faça bem.

Lembre-se: o diabo parece chique, mas o inferno não tem qualquer glamour!
Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz! 

Investir em conhecimento pode nos tornar sábios… mas amor e fé nos tornam humanos!

“Sou pastor e sou gay”

28/03/2003 – 21:03 | EDIÇÃO Nº 254

VICTOR ORELLANA

“Sou pastor e sou gay”

Teólogo diz que há assédio nas igrejas e que parte do preconceito contra homossexuais se deve a traduções erradas da Bíblia

JOÃO LUIZ VIEIRA

A Igreja Metodista está entre as mais tradicionais denominações protestantes. A Assembléia de Deus é famosa como uma das mais rígidas – muitos pastores ainda recomendam aos fiéis que não assistam à televisão e às mulheres que não usem calças para não ressaltar os quadris. O chileno Victor Ricardo Soto Orellana, de 31 anos, foi criado numa família metodista em São Paulo e ordenado pastor na Assembléia de Deus. Formado em teologia e pós-graduado em ciência e religião, já deu aula em três seminários. O que o diferencia da grande maioria dos religiosos é que ele é gay, e admite isso publicamente. Ainda, contesta as interpretações mais difundidas sobre o texto bíblico, que, em tese, condenam o homossexualismo. Polêmico, ele afastou-se recentemente da Assembléia para fundar sua própria igreja evangélica, a Acalanto. Depois de um culto, Orellana concedeu a ÉPOCA a seguinte entrevista.

PERFIL
Otavio Dias/ÉPOCA

 Dados pessoais
Nascido no Chile, tem 31 anos e vive em São Paulo há 27. Assumiu a homossexualidade há sete anos

 Trajetória
Formado em teologia no Instituto Betel, com pós-graduação em ciência e religião. Ordenado na Assembléia de Deus, saiu para fundar a própria igreja, a Acalanto

 

ÉPOCA – Por que falar publicamente sobre sua homossexualidade na condição de pastor evangélico?
Pastor Victor Orellana – Porque é um assunto velado dentro das igrejas e, por causa disso, ignorância e preconceitos são perpetuados. É necessário que o assunto seja debatido em toda a sociedade. O homossexual não é alguém que mora longe ou está do outro lado da rua. Ele pode ser um amigo nosso, um irmão ou um filho. Quanto mais conhecimento existir sobre o tema, menos sofrimento haverá para todas as partes envolvidas.

ÉPOCA – A homossexualidade e a Bíblia não são incompatíveis?
Orellana – De maneira alguma. Os homossexuais têm dificuldade de se ver aceitos por Deus porque as pessoas dentro das igrejas são preconceituosas. Mesmo os homossexuais religiosos têm preconceito. Muitos jovens entram em conflito porque pensam em exercer a espiritualidade cristã e as igrejas os impedem. São espezinhados, excluídos ou humilhados. Penso que a igreja não pode ser parcial nisso. Não pode escolher alguns e deixar outros de fora de seu rebanho. Ela é a representante de Deus na Terra e deve acolher a todos. Cristo jamais lançou fora ninguém, ele tem amor incondicional. Eu pessoalmente já passei por preconceitos quando fui ordenado pastor. Disseram-me que eu estava errado, em pecado.

ÉPOCA – Chegou a acreditar nisso?
Orellana – Nasci numa família evangélica. À medida que ia crescendo, maior era meu encontro com a fé. Entrei na Assembléia de Deus e no seminário para seguir o que senti ser um chamado de Cristo. Ao mesmo tempo, fui tomando consciência de minha homossexualidade. Desde criança tinha sentimentos por homens, mas os reprimia. Isso mudou quando estava na Assembléia e um dirigente de minha congregação, um homem mais velho, me assediou. Pensei: ‘Porque eu me culpo a ponto de me anular, enquanto dentro da igreja há esse tipo de hipocrisia?’ Decidi aceitar minha orientação homossexual.

ÉPOCA – Contou à família?
Orellana – Minha família sabe há sete anos. O rosto fechado veio da minha mãe. Toda mãe espera muito dos filhos. E se você se nega a cumprir as metas que ela planejou é como se destruísse seus sonhos. Mas sou existencialista, creio que cada um tem a própria vida para viver. Meus irmãos me compreenderam melhor.

”Pecado é ter a liberdade de escolher entre o bem e o mal e optar pelo mal. Ninguém escolhe ser homossexual. A orientação sexual é algo inerente ao indivíduo e a sua personalidade’

”A libertinagem e a promiscuidade são pecados porque agridem a dignidade da pessoa. Cristo nos dá o direito de nos guiar por nossas consciências e pelo amor. Pecado é não amar”

ÉPOCA – Como foi descobrir-se homossexual na Assembléia de Deus, uma das igrejas mais rígidas?
Orellana – Foi muito difícil. Eles acham que todas as pessoas nascem com uma orientação heterossexual dada por Deus mas alguns se pervertem. Acreditam que o ser humano não é, em sua essência, homossexual, mas se homossexualiza. Isso é ignorar a posição da ciência, que descreve a orientação sexual como algo inerente ao indivíduo e a sua personalidade. Muitos homossexuais crescem nesse ambiente religioso e crêem que fazem algo de errado. Acham que são perniciosos e buscam as igrejas para ‘se libertar’, anulando suas expectativas pessoais e condicionando-se ao modelo heterossexual. Os ex-gays, ou libertos, como eles se denominam, se condicionam. Mas, com toda a fé que têm, não conseguem sentir desejo por alguém do sexo oposto. Vivem como párias, excluem o desejo de sua vida.

#Q#

ÉPOCA – O senhor testemunhou algum processo dessa suposta cura?
Orellana – Enquanto estava na Assembléia de Deus, vi testemunhos nos quais as pessoas diziam que Jesus as havia curado. Nos cultos, há muitos aplausos, ‘glória a Deus’ e ‘aleluia’. Essas pessoas aderem sinceramente à fé. E, como a igreja lhes pede que renunciem ao pecado, elas acham que Deus quer isso mesmo. Assim, vão contra a própria natureza e buscam relacionamento com alguém do sexo oposto. Conheci fiéis que se casaram e descasaram bem cedo porque viram que a situação não é fácil de administrar. Mas os grupos que falavam em ‘cura’ dos homossexuais estão diminuindo, graças ao maior esclarecimento, que levou a mudanças no código social. As igrejas estão mudando o tom agressivo contra os gays. Agora há grupos que se denominam de auto-ajuda, não de libertação ou cura. A sexualidade é coisa inerente a cada um. Lutar contra isso é como lutar contra a cor dos olhos.

”A Bíblia fala que a igreja cristã não pode fazer discriminação de pessoas. Jesus instituiu uma nova visão de mundo, na qual não existiriam mais divisões por raças, homens livres e escravos”
Reprodução
RESSURREIÇÃO
Jesus e Madalena, de Tiziano Vecelli, século XVI

”Não podemos voltar a situações de vida obsoletas. Antigamente as minorias não tinham direitos, mas hoje há democracia, direitos humanos e conhecimento científico que deve servir à teologia”

ÉPOCA – A Igreja Católica perdoa os homossexuais, mas sugere que eles vivam em celibato. Como o senhor vê essa posição?
Orellana – A Igreja Católica ao menos reconhece a existência de homossexuais. Os evangélicos ainda crêem que as pessoas nascem heterossexuais mas se tornam homossexuais. Na verdade, ninguém escolhe a orientação sexual que tem.

ÉPOCA – O senhor tem um namorado, um parceiro?
Orellana – Já tive parceiros e um relacionamento estável. Mas, no momento, estou sozinho.

ÉPOCA – Freqüenta guetos homossexuais? Bares, boates, saunas?
Orellana – Vou a bares de vez em quando. Mas não freqüento saunas nem boates, ambientes em que se praticam a promiscuidade e o chamado sexo predatório. Vou a lugares nos quais encontro os amigos. Parte importante da vida é encontrar pessoas que pensam como a gente, que passam pelos mesmos problemas. Quero um cotidiano normal. Não quero viver em guetos, mas em lugares nos quais possa demonstrar afeto sem sofrer preconceito ou ser expulso.

ÉPOCA – O senhor acaba de fundar a própria igreja. Pretende celebrar casamentos de homossexuais?
Orellana – Sim. Antes de fundar a Acalanto, já casei dois amigos que me pediram a bênção. Acho positiva a parceria civil registrada porque ela reconhece uma relação verdadeira. E está na Constituição que o Estado não pode discriminar ninguém. Como o governo só confere direitos previdenciários a casais heterossexuais? Onde está a lógica disso?

ÉPOCA – A Bíblia tem passagens que condenam explicitamente o homossexualismo. Por exemplo: ‘Não te deitarás com varão como se fosse mulher; é abominação’ (Levítico, 18:22).
Orellana – O termo toevah, traduzido por ‘abominação’, indica na verdade uma impureza ritual, não algo intrinsecamente mau. Essa proibição está no mesmo nível do veto a comer camarão, ostra e carne de porco. A Lei de Moisés está repleta de conceitos arcaicos. Ela admite a poligamia, manda apedrejar até a morte homem e mulher adúlteros e ordena que o homem, mesmo se for casado, case com a mulher de seu falecido irmão quando ela ficar viúva. Ainda proíbe o uso de roupas com dois tipos de tecido e até mesmo misturar carne com leite – ou seja, bife à parmegiana era pecado. Essa lei contém uma irracionalidade que só poderia ser entendida no contexto em que foi escrita, séculos antes de Cristo. Ela visava exclusivamente ao povo judeu daquele tempo. Israel foi criada para ser uma nação com um código moral diferente do das outras nações, uma nação sacerdotal.

ÉPOCA – Mas, no Novo Testamento, o apóstolo Paulo diz que ‘os injustos não herdarão o reino de Deus’, incluindo na lista ‘os efeminados e os sodomitas’. Critica também os homens que abandonam a mulher e se engajam em concupiscência com outros homens.
Orellana – Há um disparate da tradução, que se aproveitou de uma falsa equivalência entre os termos atuais e os que eram usados naquele tempo. Paulo criticava os romanos por sua libertinagem e chamava-os de ‘doces’ e ‘macios’, apenas. A palavra homossexual foi cunhada no fim do século XIX, e não tem nada a ver com o que se pensava no século I a respeito das relações entre homens. Paulo pensava em homens originalmente afeiçoados às mulheres, mas que se engajavam no pansexualismo romano, praticando a libertinagem em todas as suas formas. Paulo não tinha em mente o homossexual como se conhece atualmente, alguém que tem uma vida afetiva com uma pessoa do mesmo sexo. Portanto, não é correto transpor para os dias de hoje aquela advertência.

Por que os ETs greys não existem?

Por que, caso existissem (e tivessem um acordo com círculos governamentais humanos, como é o mito na internet), já teríamos sondas ufológicas bem mais avançadas do que esse helicopterozinho esférico que não brilha no escuro.

Assim, temos pelo menos três evidências que os ETs não estão aqui (e portanto, solucionar o Paradoxo de Fermi se torna cientificamente urgente):

1. A displicência dos ETs em sair de suas naves e respirar em nossa Biosfera, contaminando-a com seus microorganismos. Bom, a menos que os ETs sejam máquinas em vez de organismos (andróides?) ou seus aminoácidos sejam dextrógiros;

2. O fato de que nenhum abduzido, entre milhões de casos, conseguiu trazer uma caneta Bic ET, um fio de cabelo ET, um gão de poeira ET ou descrever o banheiro dos ETs;

3. O fato de que os EUA estão apanhando no Afeganistão. Seu acordo com os Greys deveria lhes dar a supremacia tecnocientífica no nosso mundo, mas quem está na frente em robótica, computadores e até mesmo sondas esféricas são os japoneses!

PS: A sim…  Por que Jesus não era um ET? Bom, por que ele nunca existiu, segundo a Teoria Conspiratória do Cristo Mítico (delete na sua mente pelo menos uma das duas, OK?)

Homem precisa se enganar, diz biólogo. Mas para enganar sua mulher, o desafio é bem maior!

Acho que não cheguei a reproduzir o texto de Ricardo Mioto sobre Robert Trivers neste blog. Virei fã do Trivers por que ele me parece o Richard Feynman da Biologia. Dado que sempre é bom uma reverberação tipo “bela adormecida”, aqui vai:

Homem precisa se enganar, diz biólogo

RICARDO MIOTO
DE SÃO PAULO

Platão, Kant e… Trivers?

Se essa lista parece estranha, Steven Pinker, talvez o mais importante psicólogo contemporâneo, discorda.

O biólogo Robert Trivers, diz, é um dos grandes pensadores da história do Ocidente -provavelmente o único deles que é defensor da maconha, apaixonado pela Jamaica e entusiasta do grupo de radicais negros Panteras Negras (ainda que branco).

Adriano Vizoni/Folhapress
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP
O biologo americano Robert Trivers, durante palestra no auditorio do Instituto de Biociencias da USP

A empolgação com o cientista se deve ao fato de que Trivers, quase sozinho, revolucionou a psicologia, ao propor, nos anos 1970, elos entre o comportamento humano e a teoria da evolução.

Trivers correlacionou, por exemplo, as diferenças entre o comportamento sexual masculino e o feminino ao fato de que homens investem menos em cada filho do que as mulheres (veja abaixo).

Seu tema de interesse atual é o autoengano. Ele defende que os humanos evoluíram para acreditar em mentiras que os façam se sentir melhor e que justifiquem suas atitudes.

O sujeito que, contra todas as evidências, acha que vai se recuperar de uma doença fatal, ou a mulher que se recusa a enxergar que o marido claramente a trai estão, então, apenas sendo humanos. Read more [+]

Chineses e hispânicos compartilham igreja a contragosto em Nova York

janeiro 12th, 2011 at 8:53


» by O Bruxo in: Religião

Via G1

A Igreja Metodista Unida, no bairro de Sunset Park, no Brooklyn, é tudo, menos unida.
Dois pastores pregam do mesmo púlpito e moram na mesma residência paroquial, mas mal se falam e criticam abertamente a abordagem da fé um do outro. Na ala social da igreja, dois grupos espiam um ao outro, desconfiados – um termina a refeição de arroz com feijão, enquanto o outro prepara frango asiático.
Duas congregações bem diferentes dividem o mesmo prédio: um pequeno edifício com cerca de 30 pessoas que falam espanhol e rezam aqui há décadas e uma multidão novata de mais de mil imigrantes chineses que aumenta toda semana – a congregação metodista que mais cresce em Nova York.

Os latinos dizem se sentir oprimidos e sob ameaça, enquanto os chineses, que são os locadores, afirmam se sentir reprimidos e subestimados. Mediadores foram enviados, mas com pouco sucesso. Na temporada de final de ano, houve até duas árvores de Natal.

“Este pastor é muito grosso conosco”, disse o reverendo Zhaodeng Peng, que lidera a congregação chinesa com a esposa.

O reverendo Hector Laporta, líder da igreja latina, respondeu: “Ele realmente tem um problema com a raiva.”

Esse impasse reflete um cabo de guerra que ocorre há várias gerações em Nova York, onde grupos de imigrantes -alguns estabelecidos, outros recém-chegados- se acotovelam em calçadas lotadas e em moradias apertadas, disputando espaço, casa e emprego.

Agora, essa luta está chegando até os silenciosos santuários das igrejas, à medida que congregações com restrições financeiras -especialmente aquelas de denominações mais populares, como as metodistas- encontram solução no compartilhamento do espaço. No Queens, uma igreja metodista dividida entre congregações latino-americanas e caribenhas acaba de dar espaço a uma pequena congregação paquistanesa.

Como colegas de quarto de qualquer lugar do mundo, os grupos metodistas que dividem o espaço entram em conflito quanto a banheiros sujos, música alta e luzes acesas, disse o reverendo Kenny Yi, coordenador do distrito da congregação que tentou intermediar a disputa em Sunset Park.

A igreja, construída há mais de um século por imigrantes noruegueses, oferece muita oportunidade para tensões. Há a barreira do idioma: poucos chineses falam inglês, e menos ainda falam espanhol. O espaço é apertado e precisa de reparos, e cada grupo tem uma missão diferente.

Laporta, de 55 anos, vem de uma tradição religiosa de ação social. Ele participar de reuniões para o controle do aluguel e pede a reforma da imigração em seus sermos. Laporta diz que Peng ignora o problema dos imigrantes ilegais em sua congregação. Peng, de 48 anos, foca mais nos livros sagrados. “As pessoas precisam da palavra de Deus”, ele disse.
Peng argumenta que Laporta deixa seus membros com fome espiritual. “Se a congregação precisa aprender política, pode ler o jornal”, disse Peng. “É por isso que a congregação não cresce.”

No meio estão Yi e outros membros da metodista, que devem decidir se mantêm a situação atual, intranquila, ou levam a congregação latina para outro local e dão o prédio a Peng e sua esposa e co-pastora, a reverenda Qibi She.
“Estamos apelando para Deus, para ver em que direção Ele aponta as duas congregações”, disse Yi. “Descobriremos mais cedo ou mais tarde.”

Enquanto isso, altos membros da metodista vêm tentando interferir no processo. Em 2009, Yi trouxe um mediador de fora, Kenneth J. Guest, professor de antropologia da Baruch College que estuda a religião em Chinatown, Nova York.
Guest ajudou a intermediar um contrato que estabelecia regras básicas: a igreja dos latinos teria uso exclusivo do hall social aos domingos das 12h30 às 14h. A congregação chinesa usaria o local das 14h às 19h. Nenhum dos grupos interromperia os sermos do outro.

Não funcionou. Recentemente, Laporta pegou o contrato e apontou para cada compromisso que, segundo ele, os chineses tinham violado. Eram muitos. “Eles não seguem nenhuma regra”, disse Laporta, com a voz cheia de resignação.
Peng contou que a igreja atraía tantos novos chineses que muitas pessoas não sabiam das regras. A vizinhança do lado de fora, um dos bairros mais vibrantes da cidade, de alguma forma reflete a divisão da igreja. Uma rua abriga barraquinhas de taco, bodegas equatorianas e igrejas mexicanas -enquanto na parte de cima vemos mercados de peixe e lojas de remédios de ginseng formando Chinatown.

Nos últimos anos, as empresas chinesas têm se expandido, chegando até o local da igreja. A população chinesa da área cresceu de 24 mil, no ano 2000, para 31 mil em 2009, de acordo com dados do censo.

“Eles estão por toda parte”, disse Laporta, nascido no Peru. “O que acontece aqui é o mesmo que acontece lá fora.”  A congregação latina está no prédio há cerca de 30 anos, mas diminuiu bastante passou de 60 membros para pouco menos da metade. Há seis anos a congregação começou a alugar o local para o grupo chinês.

A igreja chinesa paga a Laporta cerca de US$ 50 mil em aluguel, mais do dobro do que a congregação hispânica tem conseguido arrecadar por sua própria conta. Peng disse que pagaria mais de bom grado, e ajudaria a consertar a igreja desgastada, se pudesse expandir para o porão.

“Eles têm um prédio enorme, mas poucas pessoas”, disse Peng. “Temos as pessoas, mas não o prédio.” Read more [+]

O Despotismo de Guerra nas Estrelas e o Populismo de Jornada nas Estrelas

David Brin

A mitologia futurista elaborada por George Lucas está difundindo uma visão elitista e antidemocrática sob o disfarce de diversão escapista, em tudo diferente do universo em que navega a espaçonave Enterprise.


Página inicial A História do Futuro

Este artigo é de autoria do físico e escritor David Brin, autor de O Carteiro (The Postman), Maré Alta Estelar (Startide Rising), A Guerra da Elevação (Uplift War), Fundação – O Triunfo (Foundation’s Triumph) e outros clássicos da Ficção Científica. Foi escrito em 1999, por ocasião do lançamento do Episódio I de Guerra nas Estrelas. A versão em português foi publicada originalmente na Folha de São Paulo, de domingo, 4 de julho de 1999, caderno Mais!, páginas 8 e 9 e também pode ser lida no Centro de Mídia Independente, desde fevereiro de 2004.


“É provável que não exista nenhuma forma de governo que seja melhor do que o despotismo benévolo.”

George Lucas, a The New York Times (março de 1999)

Eu, pessoalmente, boicotei Guerra nas Estrelas – Episódio I – A Ameaça Fantasma durante uma semana inteira.

Por quê? O que existe no filme que mereça ser boicotado? Afinal, Guerra nas Estrelas (Star Wars) não é apenas uma obra de ficção científica divertida? Algumas pessoas a definem como “doce para os olhos” – uma chance de voltar à infância e passar duas horas longe das preocupações normais da idade adulta, vivendo num universo onde a distinção entre o bem e o mal é traçada de maneira inequívoca, sem todas as distinções inconvenientes que pontilham a vida diária das pessoas.

Você está com um problema? Sem problemas! É só cortá-lo ao meio com um sabre de luz. Você não adoraria, pelo menos uma vez na vida, poder penetrar na maior fortaleza de seu pior inimigo numa nave veloz e desencadear uma reação em cadeia, explodindo a estrutura inteira desde seu podre interior, enquanto você mesmo foge, em segurança, à velocidade da luz? A idéia é tão sedutora que se repete em três dos quatro filmes da série Guerra nas Estrelas.

Ganho a vida razoavelmente bem escrevendo livros e roteiros de filmes de ficção científica. Logo, Guerra nas Estrelas deveria ser um prato cheio para mim, certo?

Um dos problemas do chamado entretenimento descomprometido de hoje é que de algum modo, em meio a todos os efeitos especiais espetaculares, as pessoas tendem a perder de vista coisas simples como trama e sentido. Elas deixam de tomar nota das lições morais que o diretor está tentando transmitir. Mas essas coisas são importantes.

Já está bastante claro que George Lucas tem uma pauta de prioridades ideológicas que defende e que a leva muito a sério. Depois de quatro [atualmente cinco] filmes da série Guerra nas Estrelas, esse é um fato que já deveria ter sido percebido, mesmo por quem não vai ao cinema com o intuito de identificar a moral dos filmes. Quando a principal característica que distingue o “bem” do “mal” é até que ponto cada personagem é ou não bonitinho, existe um indicativo de que talvez valha a pena reavaliarmos a saga inteira.

Exatamente que produto nos está sendo vendido entre um take e outro?

1) As elites têm o direito inerente de governar de maneira arbitrária. Os cidadãos comuns não precisam ser consultados. Podem escolher apenas a elite que vão seguir.

2) As elites “boas” devem agir com base em seus caprichos subjetivos, independentemente de provas, argumentos ou responsabilidades.

3) Qualquer pecado pode ser perdoado se quem o cometeu for suficientemente importante.

4) Os verdadeiros líderes já nascem líderes. É uma coisa genética. O direito de governar é herdado.

5) Emoções humanas justificadas podem fazer uma pessoa boa virar má.

Esse é apenas o começo da longa lista de lições “morais” que são promovidas incansavelmente por Guerra nas Estrelas. São lições que diferenciam completamente essa saga de outras que, à primeira vista, podem dar a impressão de lhe serem semelhantes, como Jornada nas Estrelas.

Nunca gostei, sobretudo, de toda a coisa nietzschiana do Übermensch (Super-homem): a idéia (subjacente a muitos mitos e lendas) de que uma história, para ser boa, precisa ter como sujeito semideuses que são muito maiores, piores e melhores do que os comuns mortais. Trata-se de uma tradição de narrativas que vem da Antiguidade, e que acho odiosa na obra de A. E. Van Vogt, E. E. Smith, L. Ron Hubbard e qualquer outro autor no qual se vêem superseres decidindo o destino de bilhões de pessoas sem nunca parar para levar em conta quais seriam as vontades delas.

Você dirá: “Uau! Se seu ponto de vista com relação a esse assunto é tão contundente, por que fazer um boicote com duração já prevista de apenas uma semana? Para que assistir ao último filme Guerra nas Estrelas?”. Porque sou forçado a reconhecer que histórias sobre semideuses encontram eco profundo no coração humano.

Antes de passarmos para coisas divertidas, tenha um pouco de paciência comigo – quero falar a sério um pouquinho.

Em O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell mostrou como praticamente toda cultura antiga e pré-moderna utilizava uma técnica ritmada própria para contar histórias, retratando os protagonistas e antagonistas com certas motivações e traços de personalidade constantes, num padrão que transcende as fronteiras de língua e cultura.

Nessas narrativas clássicas o herói começa relutante, mas há augúrios e sinais que antevêem sua grandeza predestinada. Ele recebe conselhos sábios de um mentor, ganha companheiros inesperados, porém leais, enfrenta uma série de crises cada vez mais críticas, explora o poço de seus próprios medos e emerge vitorioso, levando a vitória ou o talismã de volta a sua tribo, seu povo ou sua nação, que o admira profundamente.

Ao lançar luz sobre essa tradição venerada dos contadores de histórias, Campbell de fato trouxe à tona alguns traços espirituais que parecem ser comuns a todos os humanos. E sou o primeiro a admitir que é uma fórmula fantástica.

Campbell, infelizmente, destacou apenas qualidades positivas, ignorando por completo um lado muito mais sombrio – como, por exemplo, esse modelo padronizado de fábula acabou sendo cooptado por reis, sacerdotes e tiranos que o utilizaram para tecer loas à importância suprema das elites que se erguem acima dos homens e das mulheres comuns. Ou, então, a idéia implícita de que devemos sempre nos restringir a traçar variações sobre uma única história, um único tema, repetindo à exaustão a mesma trama previamente prescrita. Read more [+]

Do Veganismo Utópico ao Veganismo Científico – F. Engels

  • Regisnaldo Morais Moreira Corrigindo-me: Mônica, vc já “viu” a cara do Moby? Ele é Vegan. Tem um físico de uma samambaia com hepatite. 

    sexta às 18:44 · 
  •  

    Mônica Guimarães Campiteli hummm… imagino que isso seja pq ele não como a “proteína animaaaaal!!!!”, né? 

    sexta às 18:44 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira é 

    sexta às 18:45 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira sim 

    sexta às 18:45 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira e acho que não come ninguem, tbem! 

    sexta às 18:45 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira Mas, admito que é vc que tem razão. Não eu. E, tbem, tenho que admitir que não consigo deixar de comer carne. 

    sexta às 18:46 ·  ·  1 pessoa
  •  

    Mônica Guimarães Campiteli Sabe a Alícia Silverstone? Sabe a Natalie Portman? Sabe o vocal do Red Hot? Sabe o Joaquim Phoenix? Eles não têm cara de samambaia… e tem mais um monte de outros gostosos por aí!
    http://en.wikipedia.org/wiki/List_of_vegans
    Acho que a proteína animal não é assim tão importante neste quesito!!
    Talvez comer alguém, seja!!! 

    sexta às 18:49 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira Sim. Comer alguém é sempre mto importante! 

    sexta às 19:21 · 
  •  

    Regisnaldo Morais Moreira À tempo: não vou procurar fotos de gostosões vegans, Monica. Isso é mais estranho do que não comer carne! 

    sexta às 19:22 · 
  •  

    Rogério Gomes E planta não tem direito a vida também não???kkk 

    sábado às 00:12 · 
  •  

    Mônica Guimarães Campiteli Afffff……. 

    sábado às 00:14 · 
  •  

    Rogério Gomes Ue mas é verdade… só porque não chora e grita não quer dizer não sofra também…. 

    sábado às 00:15 · 
  •  

    Mônica Guimarães Campiteli 

    Afff, Rogério, eu vou responder essa só pq vc é Biomédico, tá?!!! 

    Tudo bem que eu sei que há indícios de condução nervosa em plantas, mas pq cargas d’água, a evolução iria caminhar no sentido de causar qquer coisa que se assemelhe a sofrimen…Ver mais

    sábado às 00:27 · 
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    Rogério Gomes Eu também só estou te enchendo o saco… mas planta também tem vida? 

    sábado às 00:29 · 
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    Mônica Guimarães Campiteli Tem, sim… mas eu não tenho problema com isso, não. Eu comeria carne humana sem problemas!!! rsrsrs 

    sábado às 00:42 · 
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    Daniel Gerardi Essa é a minha prima… 

    sábado às 10:17 · 
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    Rogério Gomes Churrasco de carne humana…hum… delicia..kkk 

    sábado às 13:24 · 
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    Luis Perles Não sabia que a Natalie Portman era vegan também. Essas duas são bem gostosas… 

    sábado às 14:34 · 
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    Regisnaldo Morais Moreira Resuma esse problema sobre consumir tudo o que é vivo (e não entrar nesse impasse sobre plantas): não coma o que para vc tem cara. Ou seja, empatia de mamífero. 

    sábado às 14:39 ·  ·  1 pessoa
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    Luis Perles Pena que os seres humanos não botam ovo, seria tão mais fácil ser pró-gemada ou pró-omelete que ser pró-aborto. E mais útil também 😉 

    sábado às 14:39 ·  ·  3 pessoas
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    Regisnaldo Morais Moreira hahahaha! 

    sábado às 14:40 · 
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    Rogério Gomes O povo vai vai me criticar aqui com certeza… mas eu acho que esse lance todo de ser vegetariano, vegan, carnívoro, canibal…. é tudo um luxo daqueles que tem a possibilidade de ter um prato de comida todo dia…. quem já tem fome mesmo ta nem ai de onde ta vindo a comida…. 

    sábado às 15:03 ·  ·  1 pessoa
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    Mônica Guimarães Campiteli Sim, Rogério Gomes, certamente. Mas a questão é justamente essa! Eu tenho a opção! 

    Ontem às 00:02 · 
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    Mônica Guimarães CampiteliLuis Perles… Ridículoooooooooo!!!!!!!!!!! rsrsrsrsrsrsrrs 

    Ontem às 00:02 ·  ·  2 pessoas
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    Luis Perles ahhh, pelo menos sou coerente, rsrsrsrs 

    Ontem às 01:42 ·  ·  1 pessoa
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    Rogério Gomes 

    Seu amigo chato onívoro volto kkkk… Concordo que devemos que reduzir o sofrimento no animal durante o abate, da mesma forma existem regulamentações para uso de animais na pesquisa. Eu acho Veganismo uma filosofia bonita mas utópica, voc…Ver mais
    há 16 horas · 
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    Rogério Gomes Mas discussão sobre o assunto é boa quem sabe mude alguns hábitos… 

    há 16 horas · 
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    Mônica Guimarães Campiteli 

    Eu não acho utópica de jeito nenhum. Nem uma filosofia bonita. Apenas ética. Para mim, algumas coisas são por princípio. Não importa o quanto a ciência avançaria com cobaias humanas, não se vai inocular câncer numa pessoa saudável para estudar uma nova droga anticancer. Não importa qtas vidas serão salvas por isso. Não se faz por princípio! Não interessam os fins! No caso dos animais, (deveria ser) a mesma coisa.
    Há muitas coisas que utilizam componentes de origem animal no nosso dia-a-dia? Sim, mas elas não são insubstituíveis. São apenas mais custosas. Do meu lado, eu prefiro pagar mais caro por produtos que não contêm componentes de origem animal e não testam em animais. É o que posso fazer. Se sou a única no mundo fazendo isso, não me faz muita diferença. Eu nunca roubei o supermercado só pq os meus amigos roubavam!
    há 15 horas · 
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    Mônica Guimarães Campiteli 

    Pode me chamar de iludida, mas eu realmente acredito que as coisas estão mudando neste sentido… Hoje em dia se encontram muitos produtos organicos, veganos etc nos supermercados. Há diversos projetos de lei sendo discutidos frequentemente abordando o tema – uso de peles de animais no vestuário, uso de testes em animais na indústria de cosméticos e até na ciência. Isso em nível mundial. Acredito que um dia nós vamos ser capazes de estender nossa ética a outras espécies…
    Espero!
    há 15 horas · 
  • Osame Kinouchi Veganismo Científico vs Veganismo Utópico: no Veganismo cietifico se analiza as condições economicas objetivas para a viabilização do Veganismo. POr exemplo, é mais fácil eliminar o consumo de Tatu, Macados e Tartarugas no Brasil do que agroindustrias de carne. Feito isso, deve-se atacar a suinocultura, pois os suinos sao fontes de viroses mortais (gripe suina) e o porco é, segundo estudos recentes, mas inteligente que o cachorro (e ninguem come cachorro no Brasil). Finalmente, o combate contra a suinocultura contaria com o apoio das diversas religioes para as quais comer porco é um taboo, por exemplo, o Momonismo(?), o Adventismo e o Judaismo (e os caras sao inflouentes na sociedade). O motivo dessas religioes serem contra consumo de porco é que a carne suina é a unica carne animal com sabor da carne humana, e numa dada epoca, o judaismo lutou contra as praticas de antropofagia. Ou seja, os Vegans precisam se aliar com outras correntes de pensamento a fim de conseguir uma vitória comum. E, como não dá para tirar o carater onivoro do ser humano (a mesnos que se use eugenia genetica), podeira-se começar a comer os camaroes gigantes desenvolvidos na Australia, que contem 10X mais carne que os camarões normais e produzem menos alergia nas pessoas.. Ou seja, virariamos comedores de camarões (eu tenho um livro com 1.000 receitas com camarão), de modo que nos tornariamos tão sábios quanto as Baleias… há 6 minutos · 

O efeito Placebo e o pensamento mágico foram selecionados pela evolução?

Lendo este paper reavivou aquela ideia de que o efeito Placebo tenha sido selecionado pela evolução humana via práticas de Xamanismo. POr efeito PLacebo se entende um processo de alívio sintomático e mesmo cura espontânea induzido pela crença (fé) do paciente de que está sendo tratado por uma terapia eficaz. A hipótese seria a seguinte:

1. Durante o Paleolítico não havia tratamento médico eficaz e padronizado (ervas, cirurgias etc.). Talvez nesse período (e certamente no Neolítico) surgiram os primeiros Xamãs e diversas práticas Xamânicas de cura como cantos curativos, ervas medicinais, uso de drogas alucinógenas e psicotrópicas, mediunidade etc.

2. As práticas Xamânicas de cura possuem todos os ingredientes para um efeito Placebo eficaz, ainda usados na medicina atua, por exemplo:

  • Distanciamento entre paciente e o Xamã (Médico) que possui uma aura de grande autoridade e conhecimento e se veste diferentemente dos seres humanos comuns. Isso reforça a crença do paciente de que o Xamã (Médico) tem poder eficaz de curá-lo (acima de sua verdadeira capacidade curativa).
  • Uso de diversos tratamentos onde o efeito Placebo sempre está presente: por exemplo, como as crianças associam pilulas brancas com remédios (que lhes fazem bem após o uso) e pilulas vermelhas ou coloridas com balas e docinhos (que não têm efeito medicinal), em geral as pílulas são brancas, de modo que a eficácia medicamentosa se una ao efeito Placebo no processo de alívio e cura. É por isso que não existem pílulas coloridas na Homeopatia, por que daí elas fariam bem menos efeito.

3. Então, dado que os tratamento eficazes mesmo sem crença (drogas medicinais e cirurgias) eram de uso restrito, apareceu evolucionariamente a cura baseada no Efeito Placebo: as pessoas mais suscetíveis à fé na autoridade do Xamã (e fé no mundo espiritual do qual o Xamã é o mediador) experimentariam alívio e cura por efeito Placebo. As pessoas incapazes de ter essa fé não experimentavam este tipo de cura e demoravam mais para se restabelecer.

4. Ou seja, a fé no processo de cura (mesmo na medicina científica) adiciona ao tratamento, qualquer que seja ele, pelo menos o alívio da ansiedade gerada pela doença. Como os hormônios de stress (Cortisol etc.) são prejudiciais ao processo de recuperação da saúde, as pessoas com predisposição genética para a fé e pensamento mágico foram selecionadas pela evolução. (Obs: Entretanto neste paper se revela que os placebos funcionam mesmo se os pacientes estão conscientes de que estão tomando substâncias inócuas).

No paper abaixo se revela uma possível ligação entre a suscetibilidade ao efeito Pacebo e certas variações em genes ligados ao transporte e síntese de Serotonina. A minha hipótese sobre seleção da suscetibilidade do efeito Placebo gera as seguintes previsões experimentalmente testáveis:

  1. As pessoas com a predisposição genética ao efeito Placebo são maioria mesmo na população tratada por medicina científica, dada que esta surgiu a pouco tempo na história da humanidade.
  2. As variações genéticas que predispõe ao efeito Placebo observadas pelos autores devem estar bem mais presentes em todas as sociedades onde o Xamanismo é o principal meio de cura (culturas indígenas etc.)
  3. Deverá existir uma correlação positiva entre susceptibilidade genética ao efeito placebo e religiosidade e uma correlação negativa entre resposta a efeito placebo e ceticismo/ateísmo. Neste blog já foi discutida a relação entre TDAH e ceticismo, mas agora temos uma hipótese complementar de que religiosos portaria os alelos longos do gene 5-HTTLPR ou a variação G do polimorfismo TPH2 G-703T, enquanto que céticos e ateus carregariam as versões curtas desses alelos. Se alguém fizer essa experiência, por favor, me cite, OK?
  4. Os alelos longos estarão mais presentes nas mulheres pelo fato de que, possivelmente, eram as mais tratadas (e suscetíveis) pelos Xamãs (especialmente nas complicações de parto). Isso explicaria a eficácia de certas práticas mais disseminadas entre as mulheres como simpatias (não existe receitas de simpatias na Playboy) e religiosidade/espiritualidade: possivelmente temos quatro mulheres para cada homem nas religiões, e quatro  homens para cada mulheres nos círculos céticos.

A Link between Serotonin-Related Gene Polymorphisms, Amygdala Activity, and Placebo-Induced Relief from Social Anxiety

  1. Tomas Furmark 1 ,
  2. Lieuwe Appel 2 ,
  3. Susanne Henningsson 3 ,
  4. Fredrik Åhs 1 ,
  5. Vanda Faria 1 ,
  6. Clas Linnman 1 ,
  7. Anna Pissiota 1 ,
  8. Örjan Frans 1 ,
  9. Massimo Bani 4 ,
  10. Paolo Bettica 4 ,
  11. Emilio Merlo Pich 4 ,
  12. Eva Jacobsson 5 ,
  13. Kurt Wahlstedt 5 ,
  14. Lars Oreland 6 ,
  15. Bengt Långström 2 , 7 ,
  16. Elias Eriksson 3 , and
  17. Mats Fredrikson 1

+Author Affiliations


  1. 1Department of Psychology, Uppsala University, SE-751 42 Uppsala, Sweden,

  2. 2Uppsala Imanet, GE Healthcare, SE-751 09 Uppsala, Sweden,

  3. 3Department of Pharmacology, Göteborg University, SE-405 30 Göteborg, Sweden,

  4. 4GlaxoSmithKline, Medicine Research Centre, 37135 Verona, Italy,

  5. 5Quintiles AB Phase I Services, SE-753 23 Uppsala, Sweden,

  6. 6Department of Neuroscience, Pharmacology, Uppsala University, SE-751 24 Uppsala, Sweden, and

  7. 7Department of Biochemistry and Organic Chemistry, Uppsala University, SE-751 23 Uppsala, Sweden

Abstract

Placebo may yield beneficial effects that are indistinguishable from those of active medication, but the factors underlying proneness to respond to placebo are widely unknown. Here, we used functional neuroimaging to examine neural correlates of anxiety reduction resulting from sustained placebo treatment under randomized double-blind conditions, in patients with social anxiety disorder. Brain activity was assessed during a stressful public speaking task by means of positron emission tomography before and after an 8 week treatment period. Patients were genotyped with respect to the serotonin transporter-linked polymorphic region (5-HTTLPR) and the G-703T polymorphism in the tryptophan hydroxylase-2 (TPH2) gene promoter. Results showed that placebo response was accompanied by reduced stress-related activity in the amygdala, a brain region crucial for emotional processing. However, attenuated amygdala activity was demonstrable only in subjects who were homozygous for the long allele of the 5-HTTLPR or the G variant of the TPH2 G-703T polymorphism, and not in carriers of short or T alleles. Moreover, the TPH2 polymorphism was a significant predictor of clinical placebo response, homozygosity for the G allele being associated with greater improvement in anxiety symptoms. Path analysis supported that the genetic effect on symptomatic improvement with placebo is mediated by its effect on amygdala activity. Hence, our study shows, for the first time, evidence of a link between genetically controlled serotonergic modulation of amygdala activity and placebo-induced anxiety relief.

Placebo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Este artigo se refere ao efeito placebo; para a banda de mesmo nome, veja Placebo (banda).

Placebo (do latim placere, significando “agradarei”) é como se denomina um fármaco ou procedimento inerte, e que apresenta efeitos terapêuticos devido aos efeitos fisiológicos dacrença do paciente de que está a ser tratado.

Muitos médicos também podem atribuir efeito placebo a medicamentos com princípios activos, mas que apresentam efeitos terapêuticos diferentes do esperado. Por exemplo, um comprimido de vitamina C pode aliviar a dor de cabeça de quem acredite estar ingerindo um analgésico, sendo um exemplo clássico de que o que cura é não apenas o conteúdo do que ingerimos mas também a forma. Seguindo esta corrente de pensamento, o dicionário médico Hooper cita o placebo como “o nome dado a qualquer medicamento administrado mais para agradar do que beneficiar o paciente”.

O placebo pode ser eficaz porque pode reduzir a ansiedade do paciente, revertendo assim uma série de respostas orgânicas que dificultam a cura espontânea:

  • Aumento da frequência cardíaca e respiratória
  • Produção e liberação de adrenalina na circulação sanguínea
  • Contracção dos vasos sanguíneos

Essas respostas orgânicas são vantajosas para reacções de fugir ou lutar contra agressores externos. Mas também prejudicam a cicatrização e o fluxo de leucócitos, e são, portanto, prejudiciais para o processo de cura, sendo aqui o efeito placebo bastante útil.

O efeito placebo pode ainda ser usado para testar a validade de medicamentos ou técnicas verdadeiras. Consiste, por exemplo, no uso de cápsulas desprovidas de substâncias terapêuticas ou contendo produtos conhecidamente inertes e inócuos, que são administrados a grupos de cobaias humanas ou animais para comparar o efeito da sugestão no tratamento de doenças, evitando-se atribuir possíveis resultados terapêuticos a tratamentos sem valor. Na comparação com placebo estabelece-se a validade de um medicamento ao compará-lo com os processos de cura espontânea ou por sugestão. O princípio subjacente é o de que num ensaio com placebo, parte do sucesso da substância activa é devido não a esta mas sim ao efeito placebo da mesma.

Ligações externas

O Biocosmo Egoísta, o Universo inteligente e o Darwinismo Cosmológico Forte

Resenha

QUAL É O DESTINO FINAL DO NOSSO UNIVERSO? Essa é a impactante questão abordada por James Gardner em O Universo Inteligente. Tradicionalmente, os cientistas oferecem duas respostas desanimadoras: fogo ou gelo. Gardner prevê uma terceira alternativa, muito mais surpreendente: um estado final do cosmos em que uma forma de inteligência grupal altamente evoluída produz uma renovação cósmica, o nascimento de um novo universo. A visão de Gardner é a de que a vida e a inteligência estão no cerne do intrincado mecanismo do universo. Esse ponto de vista ganhou elogios de uma série de cientistas de destaque, incluindo o Astrônomo Real da Grã-Bretanha, sir Martin Rees, e do físico e cosmologista Paul Davies.

Estou lendo este livro (que já está publicado em portugues!) com uma estranha sensação de deja vu. Pois é, eu formulei a idéia de um Darwinismo Cosmológico Forte em 1996 em um paper que não tive coragem de por no ArXiv porque me disseram que não era ciência, era ficção científica.

Bom, isso é pra eu aprender. Como diria a Arlene, mulher do Feynman: What Do You Care What Other People Think?

COSMOLOGICAL DARWINISM AND THE ANTHROPIC PRINCIPLE – Osame Kinouchi – 1996

We discuss the analogy between the cosmological problem considered by Anthropic Principle literature and the problem of complex behaviour in celular automata. We suggest that finding the automata parameters which leads to complex behaviour (Wolfram class IV) pertains to the same class of problems that the `fine-tunned universe’. Since it is a much more tratable problem perhaps it can gives us some heuristical ideas to be applied in cosmological considerations. One of these ideas is `fine-tuning’ by natural selection. It is know that complex automata (as Conway’s Life) need not be `designed’ but may be obtained by a genetic algorithm search. This search procedure is identical to Leo Smolin proposal of a `Cosmological Darwinism’ as an alternative to the `Unique Self-consistent World’ and `Random World Ensemble’ cosmological views. From Smolin ideas we elaborate  a `Strong Cosmological Darwinism’ where life is supposed to have some catalytic effect in the universe reproductive fitness.

(…) But for the inhabitants of this universe it is also a teleologie in the large because they have only access to the lifetime of their home universe. This does not means that, for example, the Earth biosphere will inevitably survive. An abort may occur in the process. Baby-universes may be generated by another biospheres elsewhere. But SCD (Strong Cosmological Darwinism) suggests that there is an open door for Earth-life expansion. The death of Earth-life is not inevitable, a entropy fluctuation which must to disappear. Life is not an irrelevant accident in the universe history but, perhaps, has an important cosmological role. Although the total mass of life is negligible this does not means that life is negligible.

Chemical catalysts also have desprezible mass compared with the total reaction mass, but without a catalyst the reaction may not even occur. So, Strong Anthropic Principle stated before (section 1) is a natural outcome of Cosmological Darwinism if restated as

The existent universes most probably (but not necessarily) have sufficient complexity for life since life is an efficient mechanism to assegurate their own reproduction.

Call these fine-tuned universes which pertain to V_0 biophilic universes.

Some people may complain that Cosmological Darwinism does not explain how the first biophilic universe appeared, so the problem has not been solved. But the same occurs with Biological Darwinism, which does not explain how the first form of life appeared. However, Darwinism gives us a mechanism of production of more complex organisms from less complex ones. We claim that Cosmological Darwinism gives us a similar mechanism for less complex (less fine-tuned) universes to evolve to more complex (fine-tuned) ones. So, SCD is responsible by evolutionary forces which mantain a whole population of universes within V_0.

To understand the appearance of the first biophilic universe we need some protoevolutive process (like the biological protoevolution theories). Perhaps Smolin proposal is this pre-biophilic process. We only argue that life may produce a more efficient autocatalytic loop than Smolin process (for example, life may induce artificialy a Smolin process). Perhaps, a Smolin pre-biophilic universe, by accident, may have minimal conditions for life to evolve so that a new lineage of efficient life-based (and not only black-hole-based) reproductive universes appeared.

To make an analogy with the celular automata model examined above, the density $m$ may be thought of as the cost function related with black-hole production and the presence of gliders as the cost function related with life production. Weak CD must occurs before Strong CD.

There is a last reason to advocate SCD. If artificial production of baby universes is an actual link in the reproductive chain then the life forms which appear in the universe must effectively achieve this know-how (must be capable of effectively compress algorithmically the cosmological process). Then, for these life forms, the universe must appear comprehensible to a large extend. This is not trivial, since we may imagine an universe which is algorithmically compressible (understanable) in principle but is not understanable in pratice by observers generated by its internal dynamics (This is a very interesting and non-trivial problem, see Davies [*] for a discussion of this point).

Then, Strong Cosmological Darwinism explains the efficiency of intelligence to understand the cosmic process, but Weak CD does not. Most importantly, the other cenarios also can not explain this `algorithmic compressibility by internal observers’. Einstein perplexity that `the incomprehensible about universe is that it is comprehensible’ (by human brains biologically selected to operate in paleolitic activities only!) has a new answer. Remember that the metaphysical assumption that it is possible to understand nature is fundamental to pure science but it has no firm foundation. SCD gives this foundation as a free bonus!

The selfish biocosm hypothesis is an evolutionary and developmental universe hypothesis originally proposed by complexity scholar James N. Gardner in 2000. Read more [+]

Um modelo socio-físico que apóia Karl do Ecce Medicus

Karl defendeu a idéia de que a repressão ao racismo pode na verdade aumentar o nível de racismo (via polarização racial) de uma sociedade em vez de diminuí-lo. Acho que existe um modelo de socio-física que suporta essa predição.

No modelo abaixo, se você identificar os radicais com racistas militantes, e os “passive supporters” com “racistas no armário”, então o modelo prediz que em certas condições pode ocorrer uma transição para uma sociedade polarizada com racismo florescente.

O mesmo modelo explicaria a ascenção do cristianismo no Império Romano como uma transição de fase desencadeada pelas perseguições religiosas. Os radicais seriam os mártires.

Ou seja, a perseguição ou combate a um dado grupo pode na verdade aumentar seu tamanho e poder, ao tornar os suportadores passivos em suportadores ativos. Algo a ser considerado em qualquer embate militar ou ideológico. Será que o combate ativo à religião pode na verdade aumentar o número de religiosos?

The Frightening Link Between Phase Changes And Terrorism

Military action can dramatically increase the pool from which terrorists are recruited, according to a new computer model of the how radical behaviour spreads

The study of epidemics has flourished in recent years thanks to computer models that simulate the way infectious agents spread. Many of these models and the assumptions behind them have been validated with real data from the spread of disease. So there is a growing body of evidence showing that computer simulations are a valuable predictive tool that can help tackle and prevent epidemics.

But it’s not just disease that spreads in this way. Various researchers are using the same ideas to model the spread of ideas and opinions. One interesting question is how radical and extreme ideas spread through society and what measures can be taken to control and prevent this process.

Today, we get a fascinating insight into this problem thanks to the work of Friedrich August at the Technical University of Berlin and a few buddies. Their approach is to divide society into a number of subgroups and then suppose that there is a certain probability that a member of one subgroup can switch to another. They then simulate how the size of these subgroups change over time and as the probabilities change.

That’s standard fair until you start labelling the groups and imagining how they interact. August and co hypothesise that within any society there is a subgroup of people who are are actively radical, that is they practice extreme behaviour. They assume there is another subgroup of passive supporters who accept but do not practice extreme behaviour. And finally there is a third subgroup of neutral individuals who are susceptible to being converted into passive supporters.

A crucial question here is how to assign probabilities for switching from one group to another. One important process, say August and co, is the rate at which active radicals are removed from society by processes such as migration, deportation, arrest and death.

August and co assume that some of these removals have a radicalising effect on the susceptible group. For example, the arrest or murder of an active radical turns some neutrals into passive supporters.

When this happens a feedback loop is set up: the removal of active radicals generates more passive supporters from which more active radicals can be recruited and so on.

Feedback loops are interesting because they lead to nonlinear behaviour, where the ordinary intuitive rules of cause and effect no longer apply. So a small increase in one type of behaviour can lead to a massive increase in another. In the language of physics, a phase transition occurs.

Sure enough, that’s exactly what happens in August and co’s model. They show that for various parameters in their model, a small increase in the removal rate of active radicals generates a massive increase in passive supporters, providing an almost limitless pool from which to recruit more active radicals.

What this model describes, of course, is the cycle of violence that occurs in so many of the world’s trouble spots.

That has profound implications for governments contemplating military intervention that is likely to cause ‘collateral damage’. If you replace the term ‘active radical’ with ‘terrorist’ then a clear prediction of this model is that military intervention creates the conditions in which terrorism flourishes.

They say that this feedback loop can halted only if the removal of terrorists can be achieved without the attendant radicalising side effects. As August and co put it: “if this happened practically without casualties, fatalities, applying torture or committing terroristic acts against the local population.”

This is an interesting approach. It clearly shows that public opinion and behaviour can change dramatically in ways that are difficult to predict.

But the work is by no means complete. These models and the phase changes they predict need to be studied in much more detail. For example, it’s likely that certain types of extreme behaviour can drive away passive supporters so there may be important negative feedback effects that also need to be accounted for.

August and co are strident in their conclusions, however. They say that: “This strongly indicates that military solutions are inappropriate.” It’ll be interesting to see how their ideas spread.

Ref: arxiv.org/abs/1010.1953: Passive Supporters of Terrorism and Phase Transitions

Por que estudar Teologia?

“É importante aprender a não se aborrecer com opiniões diferentes das suas, mas dispor-se a trabalhar para entender como elas surgiram. Se depois de entendê-las ainda lhe parecerem falsas, então poderá combatê-las com mais eficiência do que se você tivesse se mantido simplesmente chocado.” Bertrand Russell.

Na verdade, o melhor motivo é que, sem noções de Teologia, você não poderia verdadeiramente apreciar a Trilogia Matrix, Philip K. Dick ou Stanislaw Lem:

Autovalores e autovetores de Matrix

Palestra no DFM-FFCLRP

Quatro Leituras de Matrix.ppt

A Regulamentação do Aborto e o Voto Religioso (II) update

Carlos Hotta do Brontossauros em Meu Jardim e Karl do Ecce Medicus postaram recentemente sobre a questão do aborto, certamente motivados pela campanha terrorista da direita religiosa Serrista sobre o assunto.

Os dois posts são bastante informativos e despertaram comentários interessantes que mostram que não existe consenso entre os leitores sobre essa questão, nem mesmo sobre a posição de que o abortamento é uma questão de saúde pública. Acho que isso reflete a realidade de que a questão não é “apenas” de saúde pública mas possuí forte conteúdo ideológico. Infelizmente, tanto Hotta como Karl repetiram apenas argumentos tradicionais sobre o tema e não trouxeram contribuições exatamente novas.

Continuo aqui alinhavando pensamentos soltos, não muito ponderados, sobre a possibilidade de uma terceira via, ou seja, do reconhecimento de que a tese do aborto livre (ou tese da escolha livre da gestante), que não é equivalente à tese da descriminalização, talvez precise de um update para o século XXI e que a identificação dessa tese como uma tese liberal ou de esquerda ou feminista (de qual dos feminismos atuais?) talvez esteja datada. Vejamos se consigo defender esse ponto (não que eu acredite firmemente nele mas parece um ótimo exercício de reflexão).

Bom, minha primeira observação é que nenhuma boa causa deveria se basear em falácias estatísticas (uma amiga minha observou que mesmo uma causa “má” também não deveria usar falácias…rs). E, como sou professor de Estatística, fico realmente chateado quando meus amigos, que defendem causas nobres, apelam para esse tipo de subterfúgio de perna curta. Uma causa nobre não precisa disso, ela é defensável por si mesma, com bons argumentos. Então, acho que nessa questão do aborto precisamos corrigir algumas estatísticas falsas.

Eu fiquei realmente intrigado com a informação que achei na revista Época de que seriam realizados 1 milhão de abortos por ano. Essa cifra é usada tanto pelo pessoal pró-choice (usando o argumento de que o que não tem remédio remediado está, ou seja, que o abortamento é um fato que não mudará com leis) quanto do pessoal do contra (que argumentam que 1 milhão é um genocídio, comparado com as 300 mulheres que morrem por ano de complicações do aborto).

Eu, que até acredito em 50 milhões de casos de gripe suína por ano (se não houver vacina), estranho esse número enorme. Vejamos: supondo um número de 50 milhões de mulheres férteis no Brasil (o que talvez seja um número superestimado), a conclusão é que nos últimos 25 anos houve 25 milhões de abortos, ou seja, aproximadamente metade das mulheres já abortou  intencionalmente neste período (sim, eu sei, esta conta é bem aproximada, mas dá a ordem de grandeza).

Além disso, sabe-se que o número de nascimentos anuais no Brasil é de 2,8 milhões e o número de óbitos é de 1 milhão. Logo, fica meio difícil de acreditar que uma em cada quatro gravidez é intencionalmente interrompida, e que o número de abortos é igual ao número de gente que morre no Brasil por ano. Alguma coisa está errada neste número.

Imagino que talvez esse número de 1 milhão se refira a abortos totais, espontâneos ou não. E, é claro, os abortos espontâneos seriam a maioria (isso explicaria o número citado de 500 mil abortos legais no Brasil e 500 mil ilegais, que ainda acho exagerado).

Com efeito, achei no site do Bule Voador resultados mais exatos de uma pesquisa da UnB que projetam um valor de 5,3 milhões de mulheres que teriam abortado pelo menos uma vez intencionalmente.  Sabe-se também que o número de curetagens em hospitais é de 220 mil por ano (incluindo os abortos espontêneos, suponho). Assim, sugiro que o número real de abortos intencionais esteja por volta de 100 mil por ano. Desses, apenas 36% são realizados por mulheres solteiras e 19% por mulheres que nunca tiveram filhos, segundo a pesquisa da UnB.

Esse número dez vezes menor pode ser uma boa notícia para o pessoal pró-choice, desde que deixem de usar a falácia naturalista (confundir o que é com o que deve ser). Afinal, com este número menor, a taxa de mortalidade em função de complicações de aborto se eleva para 300/100.000 = 3 casos por mil = 0,3% (ou seja, igual a gripe suína em grávidas), de modo que o argumento de que é um caso de saúde pública se fortalece. (Update: este número bate com o dado na Wikipedia – 330 mortes por 100 mil abortos induzidos em países que criminalizam o aborto, 260 mortes por 100 mil nascimentos vivos.)

Bom, deixando a questão das falácias estatísticas e lógicas (que são usadas por ambos os lados do debate), eu gostaria de colocar uma questão diretamente relacionada com os últimos avanços técnico-científicos. Trata-se da gestação planejada genomicamente, um tema polêmico que acho que está diretamente relacionado com a possibilidade de aborto livre.

A questão se refere aos exames genômicos em fetos, que são uma continuação natural dos exames pré-natais. A questão é o que fazer com um feto que possua defeitos genéticos ou mesmo apenas predisposições genéticas para certas doenças. Mais genericamente, o que se coloca é a possibilidade concreta de uma eugenia de mercado (ou seja, não patrocinada pelo estado mas pela livre escolha dos “pais consumidores”).

Ou seja, em um cenário de livre escolha mais exames genômicos baratos (o preço atual é de cerca de 500 dólares), como fica a situação de pais que gostariam de eliminar fetos que possuem “defeitos” (segundo seus próprios critérios)? O problema é que, entre esses critérios, pode aparecer motivos fúteis como eliminar fetos por causa de seu sexo (algo muito comum em culturas orientais), de deficiência mental, visual ou auditiva, sua predisposição  a doenças psiquiátricas, hipertensão, diabetes e obesidade, ou mesmo cor da pele e dos cabelos. Se confirmada a tese de uma componente genética na homossexualidade, será que poderíamos condenar uma mãe por abortar um(a) filho(a) potencialmente homossexual? Em que base? Por ser uma escolha preconceituosa? Mas a escolha não deveria ser  livre e de responsabilidade inteira da mãe?

É claro que, por enquanto, isto é apenas um experimento de pensamento, típico da filosofia ética e da ficção científica à lá Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley (sim, eu sou escritor de FC). Mas… dizem que os futurólogos racionais previram apenas os automóveis modernos e as autoestradas, mas apenas os escritores de FC previram os engarrafamentos…

PS: Que uma bandeira liberal ou feminista da década de 70 seja hoje considerada machista não seria novidade. Naquela época, o discurso liberal definia o casamento como uma instituição burguesa falida e que uma mulher feminista não deveria casar. Hoje, pelo contrário, o casamento civil, e inclusive o religioso, é uma bandeira dos homosexuais. O mundo dá voltas, não?

Update: Maria Guimarães do Ciência e Idéias faz também suas considerações, inclusive com um post sobre o Aborto Seletivo na Índia que não entendi direito se é um argumento contra ou a favor da escolha livre. Em todo caso, exemplifica, junto com o aborto seletivo na China (onde temos 130 homens para cada 100 mulheres!) minha idéia de que, em uma sociedade machista, a escolha do aborto não é livre mas influenciada pelas conveniências dos machos.

Me lembrei de duas outras bandeiras liberais da década de 70 que hoje já não é assumida pelas feministas: a pornografia e a prostituição. Encontro hoje feministas que acham que a pornografia de sexo explícito atual é machista e degrada as mulheres, e que a prostituição (tanto o turismo sexual quanto o comércio internacional de mulheres) são explorações machistas, mesmo que as mulheres envolvidas estejam nessas atividades consensualmente. Acho que o que se critica é em que medida essas escolhas são realmente livres? Acho que a pergunta filosófica mais profunda é: existe escolha livre ou nossas escolhas são determinadas pelas circunstâncias sociais a que estamos submetidos.

Acho que existe apenas um método concreto de escolha puramente livre: escolha obedecer ao um resultado aleatório, jogue uma moeda ou dado e aja de acordo!

A genética e a gênese do liberalismo

É senso comum de que se uma pessoa é liberal ou conservadora em termos de costumes sociais, isso se deve à sua educação e cultura e não sua biologia. Eu argumentei anteriormente que as mulheres tendem a ser mais conservadoras do que os homens por motivos de psicologia evolucionária. Uma amiga me disse que o gênero, o papel social de mulher ou homem, também é determinado socialmente, e não tem nada a ver com a biologia.

OK, HAAAN. Bom, este é o senso comum de pessoas supostamente progressistas infelizmente presas nas ideologias das décadas de 1930-1970 (Behaviorismo político de esquerda).  Mas continua sendo apenas senso comum… uma opinião baseada no pensamento desejante (“seria tão bom se as coisas fossem assim, portanto é assim!”) em vez de ser baseada em sólidas evidências.

Carlos Orsi comenta abaixo uma pesquisa recente com relação a um receptor de dopamina e a correlação de uma mutação com o liberalismo (eu desconfio que tenho essa mutação). Obviamente não temos determinismo genético, não existe gene do PSDBismo (espero!).  É apenas um fator, via uma relação indireta com o sistema dopaminérgico de recompensa, em que talvez a pessoa sinta mais prazer do que receio frente a novas experiências.

Para entender o conceito de multicausalidade, onde nenhum fator é determinante, um exemplo útil é o Perceptron, uma rede neural artificial simples. O Perceptron tem uma saida sigma = sinal(h), onde h é a média ponderada dos fatores S_i (i=1,…,N), ou seja, h = \Sum_i J_i S_i, onde S_i são pesos positivos ou negativos (eu ainda aprendo a incluir o Latex aqui no WordPress).

Trocando em miudos, seja a pergunta: “Devo assistir a Norah Jones no dia 14 em São Paulo” e seja o vetor de fatores S_i composto por S_1 = “Minha opinião”, S_2 = “Opinião da minha filha Juliana que quer ir comigo”, S_3 = “Grana sobrando”, S_4 = “Possibilidade de meus primos me hospedarem em Sampa”, S_5 = “Obrigações na USP”, S_6 = “Possibilidade de visitar o Nestor Caticha” etc., a decisão final do meu Perceptron dependerá dos pesos W_i que eu dou para cada um dos fatores. Se os pesos W_i forem mais ou menos equilibrados, nenhum fator será determinante, nenhum fator será nem necessário nem suficiente.

Agora, suponha que eu tenha o tal gene mutante do sistema dopaminérgico de modo que eu tenha grande recompensa em ouvir a Norah Jones (na verdade, acho que minha motivação pricipal é visitar o IFUSP, mas vá lá!). Então o tal gene me predispõe a essa experiência, mas não significa que ele é determinante. Influência genética sem determinismo genético. É simples assim!

Notem que na pesquisa comentada abaixo,  liberalismo aparece com a conjunção de dois fatores, o gene DRD4-7R e o fato de ter muitos amigos na juventude. Nenhum fator é suficiente.

Então, suponha que minha amiga liberal esteja errada, o que ela perde com isso? Bom, ela é a mesma amiga que acha que as pessoas não deveriam ter filhos em um mundo superpovoado (uma espécie de castração ideológica, digamos assim). Logo, se ela for portadora do gene correlacionado com liberalismo, isso significa que, na próxima geração, menos pessoas terão esse gene. Como ela é crente no determinismo cultural, ela diz que o fato de não ter filhos a libera para produzir filhas meméticas (em vez de genéticas), ou seja, por sua militância cultural ela produzirá pessoas mais liberais. Sim, desde que ela esteja certa em sua ideologia do determinismo cultural. Mas e se não estiver?

Eu desconfio que este é um dos fatores de sucesso dos conservadores americanos. Eles tanto fazem proselitismo memético forte (vulgo educação familiar infantil) bem como tem filhos genéticos herdeiros de seu genoma sem o DRD4-7R.

É por isso que os fundamentalistas religiosos ainda vão dominar o mundo, e o Tea Party dominar os EUA. O mandamento “Crescei e multiplicai-vos” é a essência da definição de fitness tanto na biologia quanto na memética. Quem viver (ou os descendentes de quem está vivendo) verá!

por Carlos Orsi28.outubro.2010 08:55:33

Seus genes têm algo a dizer sobre suas preferências políticas? Uma série de estudos realizada ao longo dos últimos cinco anos — a partir do clássico Are Political Orientations Genetically Transmited?, que analisou pares de gêmeos — sugere que sim.

Os autores do mais recente, publicado no Journal of Politics da Universidade de Cambridge, acreditam ter identificado, pela primeira vez, uma interação específica, entre gene e ambiente, que leva as pessoas a serem mais liberais.

(“Liberal”, aqui, é usado no contexto do espectro de opiniões sociais que vai de liberal a conservador — digamos, de totalmente a  favor de que casais gays possam se casar até mesmo na igreja a totalmente contra qualquer sugestão de reconhecimento de uniões civis homossexuais — e não no sentido mais estrito de liberalismo econômico). Read more [+]

Vivemos na pós Utopia?

Nosso mundo pós-Utópico

Eu não se vocês já perceberam mas eu faço um esforço enorme neste blog para propor idéias não convencionais. Ou seja, este não é um blog de divulgação e repetição de argumentos tradicionais (sobre política, sobre aborto, sobre religião etc) ou de conhecimento científicos bem estabelecidos. Não é um blog de divulgação científica (DV) mas um blog de especulação científica (EC). A divulgação científica pretende ser educativa, a especulação científica quer ser provocativa.

O título desde post, portanto, não se refere a uma visão tradicional (1989-2009) de que vivemos em um mundo onde já não existem mais utopias políticas, onde o bom gerenciamento da sociedade de consumo seria o único propósito social, o mundo sem ideologias do qual se lamentava Cazuza, o fim da História de Fukuyama. Esta visão está totalmente ultrapassada, e se você ainda acredita nisso, então eu sinto muito comunicar-lhe que você também está ultrapassado.

Primeiro, vamos derrubar o principal mito político anti-utópico, vamos fazer um Mythbuster ideológico, OK? Esse mito ou lenda urbana do romantismo político é que o “progresso social” não existe. A idéia de progresso seria uma ilusão da Modernidade e vivemos em um mundo pós-moderno.

HAAAN… OK, essa idéia foi moda no final do século passado, na verdade a Pós-modernidade é um modismo fin-de-siecle XX. Acabou. Esqueça isso. Foi apenas uma grande bobagem, e uma defesa erudita de uma bobagem não a torna menos boba. Não confunda águas franco-linguisticamente barrentas com águas profundas. O rei está nú. Vivemos em um mundo pós-pós-moderno, o mundo Neomoderno (farei um post sobre o que seria o Neomodernismo).

Fundamentalismo religioso, Romantismo New Age, Crítica Pós-moderna? Reações à onipresença da Modernidade, mas cheias de ideais utópicos que incorporam as conquistas da própria Modernidade, por exemplo, a idéia de que todas as pessoas nascem com os mesmos direitos, sem castas sociais.

É claro que, para definir progresso, temos que definir um objetivo ou pelo menos uma direção, um horizonte. Ora, o horizonte utópico ocidental é o horizonte judaico-cristão: o desejo de uma sociedade com mais igualdade, mais liberdade e mais fraternidade. Sim, a Revolução Francesa não podia ocorrer em sociedades orientais de castas como a Índia Brahmanista, tão admirada por Nietszche e modelo para os nacional socialistas. Nietszche odiava a democracia liberal por ela ser, na sua visão, apenas um judeo-cristianismo laico cujos outros filhotes seriam o socialismo, o anarquismo e o feminismo. Coisa de plebeus…

Sim, essa direção, esse horizonte utópico, é uma escolha livre, não fundamentada, não absoluta, não justificável racionalmente. É uma opção filosófica, uma escolha existencial, não é dedutível de teorias científicas, não pode ser demonstrada a partir de outros axiomas sociais: é, ela mesma, uma escolha axiomática. Se você quiser ser Nietszcheniano, Aristocrático, Anti-democrático ou Nazista, você é totalmente livre para sê-lo, e isso também será uma escolha axiomática, nem mais nem menos compatível com os fatos científicos, a biologia, a psicologia humana etc. O Darwinismo Social não é mais compatível com a biologia apenas por carregar o nome de Darwinismo… Cá entre nós, é apenas, uma pseudociência.

Uma vez definida a direção utópica (mais igualdade, mais liberdade, mais fraternidade), que não é exatamente Moderna mas sim foi definida pelo Judaismo primitivo, pelo Cristianismo primitivo e pelo Budismo Mahayana, é fácil verificar que progredimos muito nessa direção. Para ver isso eu proponho um experimento. Leia o livro A Utopia (1518), de Thomas More (coleção Folha, 14,90, nas bancas!). Eu acabei de lê-lo anteontem. A Utopia faz uma crítica social da Inglaterra e Europa do século XVI e propõe uma República Platônica ideal, em ambos os sentidos. Ora, hoje, a palavra utópico é usada como sinônimo de “impossível de se alcançar”. Mas… surpresa! Se compararmos a sociedade utópica de More com a nossa, veremos que, em diferentes aspectos, nós a alcançamos e ultrapassamos, e muito. Vejamos:

Igualdade: Embora More proponha uma sociedade comunista, onde a propriedade é social, na Utopia as pessoas não são realmente iguais (ou seja, não possuem os mesmos direitos). O príncipe de Utopia não é escolhido por sufrágio universal mas indiretamente, por um senado de 1200 magistrados (todos homens, por sinal). O cargo é vitalício. Os religiosos de Utopia, se cometem crimes, não são levados à justiça comum. As mulheres são seres de segunda classe, apenas elas fazem o trabalho doméstico e não escolhem seus maridos. As crianças, adolescentes e jovens servem as refeições aos adultos e comem por último, em pé e em silêncio. Existem escravos em abundância, para fazer o trabalho sujo.

Liberdade: Em Utopia, o adultério é punido com a mais dura escravidão e, se houver reincidência, punido com a morte. A escravidão perpétua e os trabalhos forçados também são usados como penas. O sexo antes do matrimônio recebe um censura severa, o casamento é posteriormente interdito aos infratores e os pais que não controlaram os jovens ficam desonrados. O divórcio é quase impossível. É crime sair de sua provincial sem autorização. Para viajar, é preciso ter uma carta do príncipe, uma licença que fixa o dia de regresso. O Estado não é laico e ateus e agnósticos são fortemente discriminados. Aos suícidas é negada a sepultura e seus corpos são jogados em pântanos. Os homossexuais nem são citados, provavelmente por que seriam eliminados se se tornassem públicos.

Fraternidade: A ilha de Utopia entra frequentemente em Guerra para defender os direitos comerciais de seus aliados. Nisso empregam os Zapoletas, povo bárbaro, como mercenarios, e pouco estão precupados com as baixas entre eles, pois consideram que o genocídio desse povo seria um bem para a humanidade. Vencendo a Guerra, os gastos devem ser pagos pelos vencidos em pesados impostos e concessão de territórios conquistados. Os soldados inimigos são escravizados. Qualquer criminoso tem sua orelha esquerda decepada para servir de estigma social. As pessoas com deficiências são impedidas de se casar. Os homens castigam fisicamente suas mulheres, e ambos castigam fisicamente suas crianças e escravos.

A coisa impressionante é que na Inglaterra do século XVI a desigualdade social era maior que em Utopia, a liberdade ainda menor, as penas criminais mais duras (a pena de morte aplicada a ladrões que roubavam por fome), a guerra ainda mais desumana. Ou seja, a nossa sociedade atual não apenas é muito mais igualitária, livre e fraterna do que a sociedade feudal e mercantil do século XVI, ela é em muitos aspectos muito mais utópica que a mais utópica sociedade imaginada naquela época. Nós somos uma sociedade pós Utopia.

Acho que o grande erro da visão pessimista, antiprogressista e reacionária do neoconservadorismo pós-moderno é confundir flutuações com tendências. Se para cada dois passos em direção ao horizonte utópico eu dou um passo para trás, não podemos ficar impressionados com o passo para trás e esquecer a média. Para averiguar o progresso social, faça médias geracionais, ou seja, médias de 30 anos ou mais. Compare 2010 com 1980, 1950, 1920, 1890, 1860, 1830, 1800 até a aurora da civilização na Mesopotâmia em 4000 AEC.,… em termos de IDH mundial, direitos humanos, violência (per capita), destruição ambiental (per capita), número de mortes em guerras (per capita), taxa de mortalidade infantil. Se você quer uma medida de educação e cultura, meça o número de livros (per capita) e a porcentagem da população mundial alfabetizada. Use medidas estatísticas, taxas per capita em vez de valores absolutos. É simples assim.

Ou seja, no horizonte definito pelo desejo de mais liberdade, igualdade e fraternidade, a humanidade vem “progredindo socialmente” há milênios, realizando um random walk (Levy flight?) com bias positivo no espaço das organizações sociais. O Paraíso não está na época do Bom Selvagem (que nunca existiu – o bom selvagem foi o responsável pela extinção da megafauna americana) ou na Era de Ouro grega. O Paraíso está na Terra Prometida, na Utopia, na Gaia Pensante, na Federação de Planetas Unidos, na Biosfera Galática, no futuro.

Na pior das hipóteses, a civilização humana pode fracassar no caminho de erigir ou contribuir para a GWW (Galactic Wide Web). Mas basta que uma entre as várias civilizações tecnológicas planetárias consiga esverdear a Galáxia, no dizer de Freeman Dyson, para que a Vida se espalhe, permaneça e talvez crie outros Universos antes deste chegar ao fim. A Civilização Galática Utópica é, em termos puramente estatísticos, inevitável.

O que não me destrói, me faz mais forte

The Wall Street Journal:

Friedrich Nietzsche was right—sort of.  The German philosopher’s oft-quoted adage, “What does not destroy me, makes me stronger,” was put to the test as part of a national study of the effects of adverse life events on mental health by researchers at the University at Buffalo-the State University of New York and the University of California, Irvine. The study, published in the latest issue of the Journal of Personality and Social Psychology, found that people who had experienced a few adverse events in their lives reported better mental health and well being than people with a history of frequent adversity and people with no history of misfortune.

Read the whole story: The Wall Street Journal

Metáforas físico-políticas

Uma das revoluções recentes na psicologia cognitiva é o reconhecimento de que pensamos metaforicamente, ou seja, que as expressões metafóricas que usamos refletem a presença de profundas metáforas cognitivas, metáforas usadas para mapear um domínio abstrato, difícil de ser pensado e conceitualizado, em um domínio concreto, já conhecido e familiar.

Dependendo da sua posição no espectro autista, você terá maior ou menor facilidade e apreciação pelo pensamento metafórico. Se você não entende e desconfia de metáforas, se você prefere pensar literalmente (se você acha que a Bíblia deve ser lida literalmente, por exemplo), isso pode ser um sinal de que você é um pequeno autista (“Todo homem é um pequeno autista”, me disse Ricardo Mioto!). Se você acha que consegue se expressar Cartesianamente apenas com idéias claras e distintas, não metafóricas, é um experimento interessante tentar fazê-lo. Nem Descartes conseguiu, por que idéias não são objetos físicos (não possuem massa ou emitem luz, por exemplo), não são claras ou escuras, nem distintas ou nebulosas. No presente texto, eu marquei em negrito os termos de natureza metáforica.

O espectro luminoso vai do vermelho ao violeta. O espectro político vai da extrema-esquerda à extrema-direita. Dado que tivemos quatro candidatos a presidente à esquerda de Dilma (alguns deles invísiveis talvez por serem infravermelhos!), chega-se à conclusão que o PT já não é vermelho mas sim amarelo. Dai temos o partido Verde (mistura de amarelo com azul), os tucanos azulados e o DEM violeta (violento?). A campanha de correntes de internet contra Dilma foi ultra-viole(n)ta: invisível (anônima) mas perigosa. Algumas pessoas dizem que existe condição periódica de contorno nesse espectro, logo a metáfora não é perfeita: não temos ondas de rádio nem raios X ou gama no espectro político.

O perigo de uma metáfora cognitiva como esta é que, assim como ela nos permite pensar sobre coisas abstratas (a política), ao mesmo tempo limita o nosso pensamento quando levamos a metáfora demasiadamente a sério. Por exemplo, os Verdes sentem que não são Centro, que não existem apenas Direita e Esquerda mas sim outras dimensões, e que o Ambientalismo se situa numa dessas dimensões ortogonais ao espectro político tradicional, que está à frente (de seu tempo?).

Se isso for verdade, deveríamos ter ambientalistas de esquerda e ambientalistas de direita. E, efetivamente, os temos, como ficou claro no apoios verdes à Dilma e Serra. Ou seja, o espectro político tradicional é apenas a projeção das posições políticas das pessoas sobre um dado eixo principal. Existem outros eixos, importantes para a política atual: o eixo de religiosidade (do militante religioso ao militante ateu, passando pelo centrão dos religiosos de domingo e o pessoal a toa). Existe a dimensão conservadorismo-inovação e a dimensão autoridade-liberdade, enfatizada pelos anarquistas de esquerda (do cristão Tolstói ao ateu Bakunin) e de direita (liberais e libertarians). Existem o feminino (Ying) e o masculino (Yang) enquanto conjunto de valores e comportamentos (não confundir com feminismo e machismo: existem homens femininos e mulheres masculinas). Existem um monte de eixos, de direções principais, de dimensões. O espaço das posições políticas é multidimensional, tais posições são vetores num espaço multidimensional (que duvido ser Euclidiano ou mesmo Afim, mas vá lá, tudo isso é apenas uma metáfora mesmo).

Ou seja, não podemos escapar das metáforas cognitivas, mas podemos usar uma metáfora pobre, unidimensional, ou uma metáfora rica, multidimensional. Talvez existam infinitas dimensões para caracterizar um ser humano, mas dizer isso não é muito útil. Precisamos fazer uma análise de componentes principais (PCA). Isso, de certa forma, já foi feito. Trata-se das dimensões morais de Haidt e outros. Falarei delas em outro post.

As metáforas não apenas permitem, configuram e, ao mesmo tempo, limitam nosso pensamento. Elas nos influenciam de outra forma. Elas nos afetam metaforicamente. Remetem a outras metáforas que por sua vez remetem a outras metáforas, trazendo associações subliminares. Usando a metáfora da rede (WWW), podemos dizer que o nosso pensamento, a nossa cultura, é organizada como uma rede de metáforas interligadas.

Por exemplo, eu tenho uma teoria sobre porque a Esquerda tem tanta dificuldade em conquistar e manter o poder nos países com eleições pluripardidárias. Não, não é apenas uma questão de incompetência de gerenciamento econômico ou força político-econômica da direita. Tem um lado simbólico, metafórico, que afeta o nosso psiquismo mais profundo, que nos influencia na hora em que vamos votar. Os nomes Esquerda e Direita são fruto de um acidente histórico (a disposição física das cadeiras na Assembléia durante a Revolução Francesa), mas é um daqueles acidentes congelados e difíceis de mudar. Além disso, a esquerda é vermelha, a direita é azul. Cores e lados. Algo linguisticamente e psicolologicamente básico.

Idéias associadas com Esquerda na linguagem comum: canhoto, canhestro, sinistro, impuro (antes da invenção do papel higiênico, usava-se a mão esquerda para limpar, reservando-se a direita para comer). Nunca ofereça a mão esquerda para um muçulmano: é considerada fortemente impura. Mas… então é óbvio que esquerdistas ficam em desvantagem profunda no mundo islâmico (e no nosso também). Os maus ficam à esquerda de Cristo. O caminho da perdição, na parábola bíblica, é o da esquerda.

Direita = direito, reto. Uma pessoa direita, honesta, confiável. Uma mulher direita, que não trai. A mão direita é a mão boa. Destro, destreza. Ele é meu braço direito.

Vermelho = fogo, sangue, destruição, morte. Vermelho de raiva. Cartão vermelho. Sinal vermelho. Botão vermelho. Perigo.

Azul = céu, tranquilidade, paz. Céu azul, sem núvens, transparente, sem tempestades.  Céu de brigadeiro. Mar azul, mar calmo. Tudo azul!

O Inferno é vermelho, o Céu é azul. O demônio é vermelho, Nossa Senhora veste azul e branco. Etc. etc. etc… ad infinitum.

É óbvio que a Direita se aproveita dessa vantagem simbólica, linguística, psíquica, na propaganda política e na propaganda do medo. “O Brasil não é vermelho, é azul, verde e amarelo!” A esquerda inteligente está reconhecendo isso: nas novas bandeiras da Dilma predominam o azul e o branco. O vermelho sumiu!

Nossas metáforas são mais poderosas do que supomos. Os memes mais fortes são os memes metafóricos (a idéia de Meme é uma metáfora, o Gene Egoísta é uma metáfora). Se somos feitos de memes, se somos os veículos para a reprodução de memes, então as metáforas são nossos deuses: onipresentes em nosso psiquismo, elas nos dominam, habitam em nós e dirigem nossas vidas.

E os deuses, o que são?

Metáforas.

A Regulamentação do Aborto e o Voto Religioso (I)

Juliana M. Kinouchi é a favor da descriminalização do aborto. Nice, a mãe dela, criada na Igreja Batista, também é a favor. Juliana sabe que, se o aborto fosse livre em 1995, ela não teria nascido, pois minha bolsa de doutorado tinha se encerrado e a hipótese foi aventada. Juliana não se importa: “Não faz mal, eu não teria sentido nada! Continuo achando que a mulher deve ter o direito da livre-escolha”.

Para evitar maniqueismos, devemos lembrar que Edir Macedo, da Igreja Universal do reino de Deus, também é a favor da descriminalização (sua mãe fez um aborto). Eu, como petista histórico e ex-metodista, também era a favor,  até as eleições do dia 03. Mas acho que minha fé a favor da descriminalização do aborto está balançando… Acho que a estratégia deve ser outra, senão ficaremos reféns da direita (religiosa ou PSDEMôniaca). Explico.

Talvez a bandeira do aborto livre seja uma tese datada (do feminismo do século passado). Afinal, não é porque Carl Sagan defendia o aborto livre que todo blogueiro de ciência deveria defender, não é mesmo? Sagan também batia na Lynn Margulis (ele era o Netinho da Divulgação Científica?) e nem por isso precisamos concordar com ele em tudo. Correto?

Quem me chamou a atenção para isso foi, de novo, meu irmão Marcelo R. Kinouchi. Ele me disse que, se você pensar bem, não dá para entender porque a tese do aborto livre com apoio estatal é, necessariamente, um tese de esquerda. Historicamente, ela foi certa vez uma tese da extrema-direita (Hitler apoiava o aborto como forma de eugenia). E o aborto, especialmente se for dos fetos das mulheres pobres e negras, é uma tese da Revista Veja e de toda a classe média reacionária.

Por outro lado, a esquerda sempre se pautou pela defesa daqueles que não tem voz, que são indefesos, como os pobres, os indígenas, os idosos, os deficientes, as crianças e os animais. Por exemplo, eu tenho uma amiga blogueira (atéia radical) que é vegetariana e não come nem camarão. Oras, se você tem escrúpulos em matar um camarão, então deveria ter escrúpulos em matar um feto. Se não, então me explique por que não?

O argumento principal a favor do aborto livre é que no Brasil se pratica 1 milhão de abortos por ano, dos quais metade são clandestinos (eu gostaria de conhecer melhor essa estatística, alguém poderia me dar uns links? Não é óbvio como se consegue fazer 500 mil abortos legais no Brasil hoje). Pois bem, desses 600 mil abortos (vamos supor 100 mil a mais, OK?), cerca de 300 redundam em mortes (menos que a gripe suína em grávidas, por exemplo). Ou seja, a taxa de mortalidade é de 300/600.000 = 0,0005 = 0,05% ou 1 caso a cada 2 mil abortos. Isso nas piores condições das clínicas clandestinas!

Ora, politicamente, defender o aborto livre não faz o menor sentido. Eu sei que “toda vida é sagrada”, mas salvar 300 pessoas (o mesmo número de pessoas que morrem anualmente por quedas de raios no Brasil!) parece ser um benefício muito pequeno para o custo de se perder uma eleição para presidente e um projeto político nacional (que poderá salvar 300 mil pessoas de morte por fome e miséria, por exemplo). Se você usar o conceito (laico) do pragmatismo ético, é eticamente imperativo salvar 300 mil em vez de 300. Apenas se você for muito religioso e irracional, é que você defenderia que a vida dessas 300 mulheres é sagrada acima de tudo o mais.

Ou seja, a defesa do aborto livre é um vetor que aponta na direção contrária de todos os vetores defendidos pela esquerda laica! Se você pretende ser a voz dos que não tem voz, a defesa dos que são indefesos, então nada existe de mais sem voz, mais indefeso, do que um feto: ou seja, no caso do aborto livre, o feto está totalmente indefeso frente ao egoísmo da mãe, que pode fazer com ele o que ele quiser: abortá-lo mesmo por motivos fúteis (para não perder o namorado, a menina aceita fazer sexo sem camisinha, sabendo que poderá abortar no SUS depois), religiosos (“minha família é muito religiosa e não aceita que eu engravide antes do casamento, logo é melhor abortar secretamente”), estéticos (“vou abortar porque não quero ficar com celulite e estrias!”) ou financeiros (“uma gravidez não convém agora, estou disputando um cargo na minha empresa!”,  “meu bem, eu aborto se você me der R$ X, de modo que não precisará pagar pensão!”, “se eu não abortar, serei despedida do emprego”). É claro que não são essas as razões dos 1 milhão de abortos anuais, mas eu chuto que uns 30% pode ser um número razoável.

Ora, o argumento sobre o aborto livre é que, dado que o feto não pode viver sem a mãe, que ele faz parte do corpo dela (em termos científicos isso não é verdade, os genomas são diferentes e talvez, ecologicamente falando, são os genomas que deveriam ter direitos universais), o aborto deve ser decidido a partir do livre-arbítrio da mãe (mas a Neurociência já não demonstrou que o livre-arbítrio é uma ilusão?).

Será que os 1 milhão de abortos anuais brasileiros são frutos de livre escolha ou as mulheres são pressionadas pelos namorados (a fim de evitarem pagar pensão), pelos empregadores capitalistas (a fim de evitar pagar a licença maternidade),  pela família conservadora (que quer casar a filha com um bom partido e não com o menino pobrezinho que a engravidou). Em uma sociedade tão machista como a nossa, será que o aborto não é muito conveniente para os machos?

Ou seja, eu não estou combatendo a idéia do aborto livre mas apenas observando que a tese é bem mais problemática e não necessariamente feminista. Pode bem ser uma tese machista!

Melhor seria defender não o aborto livre mas o aborto regulamentado: definir em que condições a mulher pode escolher abortar (por exemplo, proibir o aborto por motivos fúteis ou pressão financeira de empregadores e namorados). Nesse sentido, o tal Estatuto do Nascituro (na mesma linha do Estatuto da Criança e Adolescente) parece estar mais alinhado com as idéias de esquerda (é claro que isso dependerá de seu conteúdo). Por exemplo, acho que ninguém seria contra a defender que, mesmo em caso de aborto livre, deve-se dar anestésico ao feto, ver aqui.

Ou seja, lanço o debate: É verdade que o aborto livre é uma tese feminista de esquerda ou é uma tese datada, ultrapassada, assumida pela esquerda apenas por inércia, defendida pelos liberais agnósticos apenas para se contrapor (sem pensar muito, ou seja, de forma irracional) aos conservadores religiosos? Em que sentido o aborto livre não é uma prática machista e eugenista de mercado? Deixem nos comentários seus argumentos e posições.

A fé entrou na campanha (trecho)

Como o debate sobre Deus e o aborto interfere no segundo turno das eleições – e pode inaugurar uma nova fase na política brasileira

IVAN MARTINS E LEONEL ROCHA. COM KÁTIA MELO, MARTHA MENDONÇA, NELITO FERNANDES, JOSÉ ALBERTO BOMBIG E GUILHERME EVELIN

A religião não é um tema estranho às campanhas políticas no Brasil. A cada par de eleições, o assunto emerge da vida privada e chega aos debates eleitorais em favor de um ou outro candidato, contra ou a favor de determinado partido. Em 1985, o então senador Fernando Henrique Cardoso perdeu uma eleição para prefeito de São Paulo depois de um debate na televisão em que não respondeu com clareza quando lhe perguntaram se acreditava em Deus. Seu adversário, Jânio Quadros, reverteu a seu favor uma eleição que parecia perdida. Quatro anos depois, na campanha presidencial que opôs Fernando Collor de Mello a Lula no segundo turno, a ligação do PT com a Igreja Católica, somada a seu discurso de cores socialistas, fez com que as lideranças evangélicas passassem a recomendar o voto em Collor – que, como todos sabem, acabou vencendo a eleição.

RENDIÇÃO

Esses dois episódios bastariam para deixar escaldado qualquer candidato a um cargo majoritário no país. Diante de questões como a fé em Deus, a posição diante da legalização do aborto ou a eutanásia, ou o casamento gay, o candidato precisa se preparar não apenas para dizer o que pensa e o que fará em relação ao assunto se eleito – mas também para o efeito que suas palavras podem ter diante dos eleitores religiosos. Menosprezar esse efeito foi um dos erros cometidos pela campanha da candidata Dilma Rousseff, do PT. Read more [+]

Censura no SEMCIÊNCIA

Um jovem de 26 anos, expoente da direita religiosa Serrista e dono de um extenso currículo (maior que o do Serra!) acaba de me mandar uma notificação extrajudicial através de sua irmã advogada de 22 anos requerendo que seja retirado um comentário difamatório postado no SEMCIÊNCIA antigo (foi o que entendi, pois me parece que o próprio post não configura difamação (ver a seguir) mas apenas um comentário político sobre uma pessoa pública).

Eu não havia percebido a presença de tal comentário injurioso (no antigo SEMCIÊNCIA eu deixava os comentários livres, sem exigir aprovação). Concordo com o requerente que o comentário é indevido e assim retirei não apenas o comentário mas o post completo (a fim de ponderar com mais cuidado sobre o assunto). Agora preciso descobrir como se retira o post no cache do Google, se alguém tiver essa informação, que me envie, por favor.

A fim de evitar qualquer tipo de calúnia e difamação no entender do requerente (mas eu apenas divulguei o curriculum público que estava no site dele!), vou chama-lo de XXX. A seguir reproduzo o post censurado.

O tipo de evangélico que apóia José Serra…

O pessoal ainda não se tocou que existem evangélicos e evangélicos: Evangélicos adotaram o Criacionismo no século XIX para combater o Movimento Eugenista que se dizia ser científico e Darwiniano na época. Ou seja, naquela época, o Criacionismo era progressista e foi adotado para combater o Darwinismo Social (que, afinal, era pseudocientífico também!). Cem anos depois, o Criacionismo é apenas a ideologia da direita religiosa Serrista e da extrema direita do Tea Party (os “modernos fariseus”, como dizia um antigo hino metodista).

Não temos apenas Sarah Palin, Bush e Garotinho no campo evangélico. Martin Luther King era evangélico, Obama é evangélico, Bruce Olson é evangélico (esse cara é um gênio da linguística, um missionário tipo Dorothy Stang). Existem evangélicos do lado bom da Força e do lado Negro da Força. O mesmo vale para os ateus (do not forget Stalin , Mao and Pol Pot, please!).

Parodiando Luther King, “Eu tenho um sonho… Eu tenho um sonho de que um dia um ser humano será julgado pelo seu caráter, e não por sua religião ou falta de religião”.

Garotinho apóia Dilma, e agora “XXX” apóia Serra.

E ainda criticam Marina Silva, cuja trajetória está ligada à Teologia da Libertação… (UPDATE: Marina não recebeu apoio oficial de nenhum lider evangélico conservador. Por que será?)

Sem comentários…

De uma página de propaganda do Serra: Obrigado a exilar-se novamente, Serra foi para os Estados Unidos, onde obteve outro mestrado e o doutorado em Ciências Econômicas pela Universidade de Cornell.
E foi, por dois anos, professor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Ou melhor, um comentário: a informação de que Serra foi professor na Universidade de Princeton (divulgada em seu site oficial como governador, a menos que ele tenha deletado isso) é falsa: Serra foi pesquisador convidado do diretor (um pós-doc?),  o IEA não têm estudantes para que alguém seja “professor”. E fez o mestrado e o doutorado em Cornell em quatro  três?) anos não por ser um gênio, mas por serem cursos latu sensu sem defesa de tese por banca. E, até agora, não se encontrou a dissertação de mestrado de Serra na completíssima biblioteca de Cornell, não se sabe por que… E meus amigos da UNICAMP ficam melindrados e não querem falar sobre o processo de contratação (política) do Serra, nem sobre o fato de que ele, durante os seis anos que esteve lá, não publicou uma vírgula em alguma revista com peer review. Pergunta ingênua e sincera: Alguém conhece algum orientado do Serra?

Eu só não faço um comentário sobre o tamanho do currículo do XXX porque tenho medo de ser processado (acho que a irmã dele é advogada). Mas que um jovem de 26 anos tenha tal currículo só é possível para pessoas que têm XXX no próprio nome…

Update: Será que o pai ou a mãe desses jovens evangélicos não deveriam dar uns conselhos a fim de que seus filhos não sejam condenados pela Bíblia?

< Mateus 7:21-27 >
“Nem todo que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi abertamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade!

Exemplos de Evangélicos, Católicos e Ateus do lado bom da Força:

Bruce Olson:

As Olson’s work with the Barí grew, he helped them establish a written language, schools, community health centers, and even to work with the Colombian government to protect Barí lands. As Barí young people began to be fluent in both Barí and in Spanish, they studied to become doctors, lawyers, and other professionals, but brought their expertise back to the tribe, using it from within their culture.

A key distinctive of Olson’s missionary work is that rather than “Westernizing” or “Americanizing” the Barí, he made a concerted effort to become a part of the indigenous tribe. The changes that have come to the Barí have come from within their culture, honoring and respecting their culture, rather than replacing it with the culture of the Western world. This has resulted in criticism from some quarters, while many more missionaries have taken his work as an example to follow.

Olson’s autobiography Bruchko, about his experiences in South America, is required reading in many missionary training programs. He followed it up in 2006 with Bruchko and the Motilone Miracle, which continues the story of Olson’s work with the Barí.

Bruce Olson speaks at least 16 languages, including several tribal tongues.

Dorothy Stang:

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Dorothy Mae Stang, conhecida como Irmã Dorothy (Dayton, 7 de junho de 1931Anapu 12 de fevereiro de 2005) foi uma religiosa norte-americana naturalizada brasileira.

Irmã Dorothy estava presente na Amazônia desde a década de setenta junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu. Sua atividade pastoral e missionária buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da área da rodovia Transamazônica. Seu trabalho focava-se também na minimização dos conflitos fundiários na região.

Atuou ativamente nos movimentos sociais no Pará. A sua participação em projetos de desenvolvimento sustentável ultrapassou as fronteiras da pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, no Estado do Pará, a 500 quilômetros de Belém do Pará, ganhando reconhecimento nacional e internacional.

A religiosa participava da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) desde a sua fundação e acompanhou com determinação e solidariedade a vida e a luta dos trabalhadores do campo, sobretudo na região da Transamazônica, no Pará. Defensora de uma reforma agrária justa e conseqüente, Irmã Dorothy mantinha intensa agenda de diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções duradouras para os conflitos relacionados à posse e à exploração da terra na Região Amazônica.

Dentre suas inúmeras iniciativas em favor dos mais empobrecidos, Irmã Dorothy ajudou a fundar a primeira escola de formação de professores na rodovia Transamazônica, que corta ao meio a pequena Anapu. Era a Escola Brasil Grande.

Irmã Dorothy recebeu diversas ameaças de morte, sem deixar intimidar-se. Pouco antes de ser assassinada declarou: «Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade sem devastar.»

Ainda em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (secção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos. Em 2005, foi homenageada pelo documentário livro-DVD Amazônia Revelada.

Assassinato

A Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um na cabeça e cinco ao redor do corpo, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, às sete horas e trinta minutos da manhã, em uma estrada de terra de difícil acesso, à 53 quilômetros da sede do município de Anapu, no Estado do Pará, Brasil.

Segundo uma testemunha, antes de receber os disparos que lhe ceifaram a vida, ao ser indagada se estava armada, Ir. Dorothy afirmou «eis a minha arma!» e mostrou a Bíblia. Leu ainda alguns trechos deste livro para aquele que logo em seguida lhe balearia.

No cenário dos conflitos agrários no Brasil, seu nome associa-se aos de tantos outros homens, mulheres e crianças que morreram e ainda morrem sem ter seus direitos respeitados.

  • Mataram irmã Dorothy (2009) – documentário do norte-americano Daniel Junge, narrado por Wagner Moura. Apresenta um retrato fiel do crime e das condições que o provocaram. [4]
  • Como exemplo de ateu do Bem, eu ia colocar aqui o Che Guevara, mas alguns ateus amigos meus  PSDBistas discordam dessa escolha. Pensei no Bertrand Russell, mas não sei se suas quatro ex-esposas concordariam com o diagnóstico. Acho que acreditaria mais em biografias escritas por ex-esposas, seria muito divertido se existisse isso, não?

    Russell conheceu, inicialmente, a Quaker americana Alys Pearsall Smith quando tinha 17 anos de idade. Apaixonou-se pela sua personalidade puritana e inteligente, ligada a vários activistas educacionais e religiosos, tendo casado com ela em Dezembro de 1894.

    O casamento acabou com a separação em 1911. Russell nunca tinha sido fiel; teve vários casos com, entre outras, Lady Ottoline Morrell (meia-irmã do sexto duque de Portland) e a actriz Lady Constance Malleson.

    Russell estudou Filosofia na Universidade de Cambridge, tendo iniciado os estudos em 1890. Tornou-se membro (fellow) do Trinity College em 1908. Pacifista, e recusando alistar-se durante a Primeira Guerra Mundial, perdeu a cátedra do Trinity College e esteve preso durante seis meses. Nesse período, escreveu a Introdução à filosofia matemática. Em 1920, Russell viajou até à Rússia, tendo posteriormente sido professor de Filosofia em Pequim por um ano.

    Em 1921, após a perda do professorado, divorciou-se de Alys e casou com Dora Russell, nascida Dora Black. Os seus filhos foram John Conrad Russell (que sucedeu brevemente ao seu pai como o quarto duque Russell) e Lady Katherine Russell, agora Lady Katherine Tait). Russell financiou-se durante esse tempo com a escrita de livros populares explicando matérias de Física, Ética e Educação para os leigos. Conjuntamente com Dora, fundou a escola experimental de Beacon Hill em 1927.

    Após o fim do casamento com Dora e o adultério dela com um jornalista americano, em 1936, ele casou pela terceira vez com uma estudante universitária de Oxford chamada Patricia (“Peter”) Spence. Ela tinha sido a governante de suas crianças no verão de 1930. Russell e Peter tiveram um filho, Conrad.

    Na primavera de 1939, Russell foi viver nos EUA, em Santa Barbara, para ensinar na Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Foi nomeado professor no City College de Nova Iorque pouco tempo depois, mas depois de controvérsia pública, a sua nomeação foi anulada por tribunal: as suas opiniões secularistas, como as encontradas em seu livro “Marriage and Morals“, tornaram-no “moralmente impróprio” para o ensino no college.

    Em 1952, Russell divorciou-se de Patricia e casou-se, pela quarta vez, com Edith (Finch). Eles conheciam-se desde 1925.

    Como sou fã do filme Contato, fica aqui então o exemplo de Jodie Foster:

    Foster is an atheist[60] and does not follow any “traditional religion.” She has discussed the god of the gaps.[61][62] Foster has “great respect for all religions” and spends “a lot of time studying divine texts, whether it’s Eastern religion or Western religion.”[34][63] She and her children celebrate both Christmas and Hannukah.[64] Some sources claim that Foster is a member of Mensa,[65][66] but Foster herself denied that she is a member in an interview on Italian TV network RAI.[67]

    Copula Information, Guerras Meméticas, Polarização Social e Difusão de Inovação

    Alguns artigos dos meu amigos Renato Vicente, Nestor Caticha e colaboradores. Imagino que colocaram o último, sobre culture wars, depois que o Serra apelou para táticas terroristas religiosas na internet. Será? 

    The cultural war in America is between two sides that go by different names. The most common are Conservative vs. Liberal, Right vs. Left, and Republicans vs. Democrats.

    ORTHODOX VS. PROGRESSIVE

    Professor James Davison Hunter has written several books on the cultural war.  He uses the terms “orthodox” and “progressive” to decribe the two sides in his book, Culture Wars: The Struggle to Define America. He has chosen his words carefully to depict each side. “Orthodox” gives a feeling of respect for past, time-honored traditions. “Progressives” captures how liberals see themselves — optimistic, creative and making progress away from old-fashioned virtues and toward a brave new world with constantly changing rules and values.

    The inside cover of his book says “Abortion, funding for the arts, women’s rights — the list of controversies that divide our nation runs long and each one cuts deep.  This book shows that these issues are not isolated from one another but are, in fact, part of a fabric of conflict which constitutes nothing short of a struggle over the meaning of America.”

    “Culture Wars presents a riveting account of how Christian fundamentalists, Orthodox Jews, and conservative Catholics have joined forces in a fierce battle against their progressive counterparts — secularists, reform Jews, liberal Catholics and Protestants — as each struggles to gain control over such fields of conflict as the family, art, education, law and politics. Not since the Civil War has there been such fundamental disagreement over basic assumptions about truth, freedom, and our national identity.” The public debates “are topics of dispute at the corporate cocktail party and the factory cafeteria alike, in the high school civics classroom, in the church lounge after the weekly sermon, and at the kitchen table over the evening meal.  Few of us leave these discussions without ardently voicing our own opinions on the matter at hand.  Such passion is completely understandable.  These are, after all, discussions about what is fundamentally right and wrong about the world we live in — about what is ultimately good what is finally intolerable in our communities.”

    Signatures of the neurocognitive basis of culture wars found in moral psychology data

    segunda-feira, 31 de maio de 2010, 15:31:34 | Nestor CatichaIr para artigo inteiro
    Moral Foundation Theory (MFT) states that groups of different observers may rely on partially dissimilar sets of moral foundations, thereby reaching different moral valuations on a subset of issues. With the introduction of functional imaging techniques, a wealth of new data on neurocognitive processes has rapidly mounted and it has become increasingly more evident that this type of data should provide an adequate basis for modeling social systems. In particular, it has been shown that there is a spectrum of cognitive styles with respect to the differential handling of novel or corroborating information. Furthermore this spectrum is correlated to political affiliation. Here we use methods of statistical mechanics to characterize the collective behavior of an agent-based model society whose inter individual interactions due to information exchange in the form of opinions, are in qualitative agreement with neurocognitive and psychological data. The main conclusion derived from the model is that the existence of diversity in the cognitive strategies yields different statistics for the sets of moral foundations and that these arise from the cognitive interactions of the agents. Thus a simple interacting agent model, whose interactions are in accord with empirical data about moral dynamics, presents statistical signatures consistent with those that characterize opinions of conservatives and liberals. The higher the difference in the treatment of novel and corroborating information the more agents correlate to liberals.

    An information theoretic approach to statistical dependence: copula information

    sábado, 21 de novembro de 2009, 19:41:35 | Rafael S. CalsaveriniIr para artigo inteiro
    We discuss the connection between information and copula theories Read more [+]