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Nerds e esportes: uma pesquisa estatística

Nerds são classicamente descritos como incapazes de praticar esportes. Isso é verdade? Você poderia se manifestar?

1) Você se considera nerd?

2) Você se considera sedentário?

3) Você pratica algum esporte? Qual?

4) Você tem alguma religião?

5) Em quem você votou na eleição  de 2010?

Outra discussão é a questão da onipresença do futebol no Brasil e no mundo. Me defino como Afutebolista, ou seja, alguém que não acredita que o futebol seja benéfico para a Humanidade, sendo contra a idolatria do futebol, que é uma verdadeira religião secular. Proponho as seguintes teses:

1) O espaço dado na mídia para o futebol é exagerado e alienante. Outros esportes são prejudicados por pouca cobertura, fora a questão de que tal espaço de mídia poderia ser usado para se discutir ciência e cultura.

2) O Futebol é uma religião secular, com seus extases dominicais, seus ídolos, seu fanatismo, o incentivo a superstições (amuletos, simpatias para ganhar a partida), sua violência intrínseca que gera dezenas de mortes por ano no Brasil e provocou até mesmo uma Guerra entre Honduras e El Salvador. Ou seja, na America Latina, nunca tivemos uma guerra de cunho religioso (a menos que se conte Canudos) mas tivemos uma guerra de cunho futebolístico.

3) A FIFA tem mais países membros do que a ONU. Tem mais seguidores que a Igreja Católica. É  machista pois não admite juízas nos jogos principais. É mais rica que a Igreja Católica e faz muito menos ação social que a mesma. Está envolvida em casos de corrupção bem maiores que o Banco do Vaticano.

4) O dinheiro gasto por pessoas pobres para ir no estadio pode ultrapassar o dízimo de seu salario.

5) Existe uma grande discriminação quando te perguntam qual o seu time e você diz que não gosta de futebol. Te olham mais estranho do que se você fosse ateu, afinal existem mais ateus no Brasil do que afutebolistas.

6) Se uma pessoa declarar-se afutéia, ou seja, que detesta o futebol, ela será discriminada e ficaria em ultimo lugar numa eleição para presidente, atrás dos ateus (afinal, já tivemos vários presidentes ateus, mas nenhum que detestasse o futebol).

7) O futebol envolve um desperdício enorme de recursos (haja visto a atual copado mundo no Brasil). A Africa do Sul reconhece hoje que a Copa não trouxe nada de permanente para o país, apenas o enriquecimento de empresas e políticos corruptos.

8) Não existe separação entre Estado e Futebol. Por que o dinheiro do meu imposto deve ser gasto nessa religião secular se eu acho que o futebol é pernicioso para a sociedade? Que haja um estado verdadeiramente laico, separação total entre Estado e Estádios, Governo Laico e Futebol.

9) As crianças são educadas desde cedo, vestindo camisa, etc, sem lhe serem dadas a opção de escolha do time. Nesse sentido, pais que forçam goela abaixo o futebol para os filhos são análogos a estupradores mentais pedófilos.

10) Quanto maior o QI, menos a pessoa gosta de futebol (ver os nerds). Logo, o futebol emburrece, e deveria ser substituído pelo xadrez como esporte nacional.

UPDATE: Para quem não entendeu, o texto é uma paródia…

Amit Goswami realmente existe!

Em minha palestra Ciência e Religião: Quatro Perspectivas, dada no IEA-RP, chamei de pseudocientífica toda crença que  afirma que possui evidências científicas a seu favor quando esse não é exatamente o caso. O melhor que uma opinião filosófica, ideológica ou religiosa deve afirmar é que ela é “compatível com” e não “derivada do” conhecimento científico. Essa também é a posição de Freeman Dyson.

Durante a palestra, fiz uma crítica a Amit Goswami que se revelou mais tarde bastante errada, e devo aqui registrar um “erramos” ou mea culpa.  Pelo fato de que Goswami não tem uma página na Wikipedia inglesa (mas apenas na Portuguesa) e devido a ter feito uma busca na Web of Science que não revelou nenhum artigo de física desse autor, fiz a inferência apressada de que talvez Amit Goswami fosse um pseudônimo de uma personagem menor (assim como Acharya S. é o pseudônimo de Dorothy M. Murdock, a propagadora da teoria da conspiração do Cristo Mítico).

Creio que os editores da Wikipedia foram demasiado rigorosos com Goswami. Afinal, embora ele seja um físico não notável, com índice de Hirsch igual a sete, ele pelo menos tem um PhD e é autor de um livro-texto sério de Física Quântica.  Sua migração para a New Age, seguindo os passos de Fritjof Capra, longe de ser um demérito, pode refletir grande inteligência social e financeira (ironia aqui!).  Assim, se deletaram Goswami da Wikipedia, deveriam deletar Acharya S. também, por coerência!

Wikipedia:Articles for deletion/Amit Goswami

From Wikipedia, the free encyclopedia
The following discussion is an archived debate of the proposed deletion of the article below. Please do not modify it. Subsequent comments should be made on the appropriate discussion page (such as the article’s talk page or in a deletion review). No further edits should be made to this page.

The result was delete. Guillaume2303’s research indicates that the early “keep” opinions likely apply to another, more notable person of the same name, which means that they are not taken into consideration here. The “keep” opinions by Jleibowitz101 and 159.245.32.2 are also not taken into account as they are not based on our inclusion rules and practices.  Sandstein  06:25, 11 April 2012 (UTC)

Amit Goswami

Amit Goswami (edit|talk|history|links|watch|logs) – (View log)
(Find sources: “Amit Goswami” – news · books · scholar · JSTOR · free images)

I’m just not convinced this article really demonstrates notability. He played a small role in a couple films, he wrote books outside his field for very minor publishers, and… er, that’s about it. I’m just not buying it, and the lack of good WP:RS – this has major primary sourcing issues – is another mark against it. Perhaps something can be salvaged, but I’m not convinced the case has been made. ETA: Guillaume2303’s point (below) that there are multiple people of this name, and this article appears to be on the much less notable one is rather significant. 86.** IP (talk) 21:07, 3 April 2012 (UTC) Read more [+]

Palestra no Instituto de Estudos Avançados (RP) sobre Ciência e Religião

 

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Ciência e Religião: quatro perspectivas

Escrito por 

Data e Horário: 26/11 às 14h30
Local: Salão de Eventos do Centro de Informática de Ribeirão Preto – CIRP/USP (localização)

O evento, que será apresentado por Osame Kinouchi, discutirá quatro diferentes visões sobre a interação entre Ciência e Religião: o conflito, a separação, o diálogo e a integração. Examinando as fontes de conflito recentes (Culture Wars), o professor sugere que elas têm origem no Romantismo Anticientífico, religioso ou laico.

Segundo Osame, a ideia de separação entre os campos Religioso e Científico já não parece ser viável devido aos avanços da Ciência em tópicos antes considerados metafísicos, tais como as origens do Universo (Cosmologia), da Vida (Astrobiologia), da Mente (Neurociências) e mesmo das Religiões (Neuroteologia, Psicologia Evolucionária e Ciências da Religião).
A palestra mostrará também que tentativas de integração forçada ou prematura entre Religião e Ciência correm o risco de derivar para a Pseudociência. Sendo assim, na visão do professor, uma posição mais acadêmica de diálogo de alto nível pode ser um antídoto para uma polarização cultural ingênua entre Ateísmo e Religiosidade.

Vídeo do evento

Para que servem os ateus?

 

Coelhos = religiosos, raposas = ateus?

Estou achando que preciso correr para escrever o meu livro intitulado “Deus e Acaso”, baseado em postagens deste blog. Alguns dos temas do livro já estão sendo discutidos em papers recentes, parece que existe um interesse cada vez maior sobre o assunto. Ver por exemplo o artigo abaixo, que foi um target article em um número inteiro dedicado a discussões desse tipo na revista Religion, Brain & Behavior.

What are atheists for? Hypotheses on the functions of non-belief in the evolution of religion

DOI: 10.1080/2153599X.2012.667948

Dominic Johnsona*
pages 48-70

Version of record first published: 27 Apr 2012

Abstract

An explosion of recent research suggests that religious beliefs and behaviors are universal, arise from deep-seated cognitive mechanisms, and were favored by natural selection over human evolutionary history. However, if a propensity towards religious beliefs is a fundamental characteristic of human brains (as both by-product theorists and adaptationists agree), and/or an important ingredient of Darwinian fitness (as adaptationists argue), then how do we explain the existence and prevalence of atheists – even among ancient and traditional societies? The null hypothesis is that – like other psychological traits – due to natural variation among individuals in genetics, physiology, and cognition, there will always be a range of strengths of religious beliefs. Atheists may therefore simply represent one end of a natural distribution of belief. However, an evolutionary approach to religion raises some more interesting adaptivehypotheses for atheism, which I explore here. Key among them are: (1) frequency dependence may mean that atheism as a “strategy” is selected for (along with selection for the “strategy” of belief), as long as atheists do not become too numerous; (2) ecological variation may mean that atheism outperforms belief in certain settings or at certain times, maintaining a mix in the overall population; (3) the presence of atheists may reinforce or temper religious beliefs and behaviors in the face of skepticism, boosting religious commitment, credibility, or practicality in the group as a whole; and (4) the presence of atheists may catalyze the functional advantages of religion, analogous to the way that loners or non-participants can enhance the evolution of cooperation. Just as evolutionary theorists ask what religious beliefs are “for” in terms of functional benefits for Darwinian fitness, an evolutionary approach suggests we should also at least consider what atheists might be for.

Ateísmo Cristão 2.0

Com a ideia de transformar meus posts sobre ateísmo e religião em um livro, dou continuidade à série.

Talvez se o Ateísmo Cristão incorporasse as idéias do Allain de Botton sobre Religião para Ateus, ele poderia ganhar mais força e capacidade de sedução memética… Na verdade, se pensarmos bem, a Teologia da Libertação não incorporou direito essas ideias de Alain de Botton e talvez isto explique a sua decadência.

Christian atheism

From Wikipedia, the free encyclopediaChristian atheism is an ideology in which the belief in the God of Christianity is rejected or absent but the moral teachings of Jesus are followed. Read more [+]

Alain de Botton: Ateísmo 2.0

Via FACEBOOK do Mauro Copelli:

Pode a ciência explicar tudo?

Science explains, not describes

The experience of consciousness seems incommunicable and ineffable. Yet science can hope to explain how it arises

The question: Can science explain everything?

When Andrew Brown first posed this week’s question to me he asked “Can science describe everything?”. My instant, unreflective reply was “No”. He implied that this might be a less restrictive question than “Can science explain everything” and yet my instant reaction to this one was “Yes”. I’d like to explore this curious difference.

Science can (potentially at least) explain everything because its ways of trying to understand the universe by asking questions of it should not leave any areas off-limits. The methods of openness, inquiry, curiosity, theory building, hypothesis testing and so on can be adapted and developed to explore and try to explain anything.

But what is “everything”? I look out of my window and see green trees and grass and grazing cows, a river, a pond, birds, sky, clouds …. but everything? This is where description becomes so hard. There is just so much stuff in the universe and it’s all so complicated. Let me give two examples, a simpler one and a really tough one.

Let’s take those cows, or my black and white cat lying here on a comfy chair. There’s no way we can even aspire to precisely describing every black and white pattern on every cow and cat in the world. There are billions of them and each is unique. Even if everybody in the world devoted themselves to the task, they could never capture them all. Yet we can explain how genetic information codes for the construction of pigments, and developmental variations lead to the individual patterns.

To take a second example, closer to my heart and my research, there’s the “hard problem” of consciousness, of subjectivity, of private experiences, of “what it’s like” to be me.

Here I am, sitting at my desk, experiencing all sorts of sounds, sights, touches and smells, but I cannot adequately describe them to anyone else. This is the very essence of subjective experience – that it seems to be private to me. To raise old philosophical conundrums, I cannot know whether my experience of the greenness of the grass is anything like yours. What if my green experience were like your beige, and your black and white like my mauve and purple? I cannot describe my sensations (or qualia) of greenness in any other way than to say “it looks green”, implicitly comparing it with other colours in the world and using agreed names to do so. In this sense colour experiences (and smells, and noises, and tastes) are ineffable.

Ineffability is even more acute when we come to special states or transcendent experiences. What can I say, for example, about my spontaneous mystical experiences? That I became one with the universe, that I glimpsed another realm, that I seemed to be guided by something I can neither describe nor name? What can I say about states I havereached through meditation? That I could see the nature of arising experiences and stare into the indescribable ground of being? What can I say about deep states reached through taking LSD? That the world was alive and flowing through a me that was no longer me? I can say all these things, and some people will say “Oh yeah, I know what you mean”. But we will probably agree that nothing we say really does justice to those experiences.

Science cannot describe these experiences, but will it ever? Those who think the hard problem is real claim that the nature of experience will always remain beyond the grasp of both description and explanation. But those who think it’s a “hornswoggle problem“, a “non-problem” or an illusion, argue that when we really understand the workings of the brain the hard problem will have gone the way of caloric fluid or the élan vitalwhich was once sought so assiduously to explain the essence of life.

A subtler possibility is that we explain the ineffability itself. One example of this is a framework for thinking about natural and artificial information processing systems developed by Aaron Sloman and Ron Chrisley. They want to explain “the private, ineffable way things seem to us” by explaining how and why the ineffability problem arises at all. Their virtual machine (the CogAff architecture) includes processes that classify its own internal states. Unlike words that describe common experiences (such as seeing red in the world) these refer to internal states or concepts that are strictly not comparable from one virtual machine to another – just like qualia. If people protest that there is “something missing”; the indefinable quality, the what it’s like to be, or what zombieslack, their reply is that the fact that people think this way is what needs explaining, and can be explained in their model.

This and other competing theories suggest a new possibility – that conscious experiences may remain ineffable even when science thoroughly understands how and why. In this case I would be right in my intuition that science cannot describe everything but may well be able to explain that which it cannot describe.

Kentaro Mori no E-Farsas

Era Pitágoras um charlatão?

Foto: Pitágoras defendendo o Vegetarianismo – Quadro de Rubens (1618-20)

Referência para meu artigo sobre o Pitágoras histórico.

Stanford Encyclopedia of Philosophy
Pythagoras
First published Wed Feb 23, 2005; substantive revision Fri Nov 13, 2009

Pythagoras, one of the most famous and controversial ancient Greek philosophers, lived from ca. 570 to ca. 490 BCE. He spent his early years on the island of Samos, off the coast of modern Turkey. At the age of forty, however, he emigrated to the city of Croton in southern Italy and most of his philosophical activity occurred there. Pythagoras wrote nothing, nor were there any detailed accounts of his thought written by contemporaries. By the first centuries BCE, moreover, it became fashionable to present Pythagoras in a largely unhistorical fashion as a semi-divine figure, who originated all that was true in the Greek philosophical tradition, including many of Plato’s and Aristotle’s mature ideas. A number of treatises were forged in the name of Pythagoras and other Pythagoreans in order to support this view.

The Pythagorean question, then, is how to get behind this false glorification of Pythagoras in order to determine what the historical Pythagoras actually thought and did. In order to obtain an accurate appreciation of Pythagoras’ achievement, it is important to rely on the earliest evidence before the distortions of the later tradition arose. The popular modern image of Pythagoras is that of a master mathematician and scientist. The early evidence shows, however, that, while Pythagoras was famous in his own day and even 150 years later in the time of Plato and Aristotle, it was not mathematics or science upon which his fame rested. Pythagoras was famous (1) as an expert on the fate of the soul after death, who thought that the soul was immortal and went through a series of reincarnations; (2) as an expert on religious ritual; (3) as a wonder-worker who had a thigh of gold and who could be two places at the same time; (4) as the founder of a strict way of life that emphasized dietary restrictions, religious ritual and rigorous self discipline.

It remains controversial whether he also engaged in the rational cosmology that is typical of the Presocratic philosopher/scientists and whether he was in any sense a mathematician. The early evidence suggests, however, that Pythagoras presented a cosmos that was structured according to moral principles and significant numerical relationships and may have been akin to conceptions of the cosmos found in Platonic myths, such as those at the end of the Phaedo and Republic. In such a cosmos, the planets were seen as instruments of divine vengeance (“the hounds of Persephone”), the sun and moon are the isles of the blessed where we may go, if we live a good life, while thunder functioned to frighten the souls being punished in Tartarus. The heavenly bodies also appear to have moved in accordance with the mathematical ratios that govern the concordant musical intervals in order to produce a music of the heavens, which in the later tradition developed into “the harmony of the spheres.” It is doubtful that Pythagoras himself thought in terms of spheres, and the mathematics of the movements of the heavens was not worked out in detail. There is evidence that he valued relationships between numbers such as those embodied in the so-called Pythagorean theorem, though it is not likely that he proved the theorem.

Pythagoras’ cosmos was developed in a more scientific and mathematical direction by his successors in the Pythagorean tradition, Philolaus and Archytas. Pythagoras succeeded in promulgating a new more optimistic view of the fate of the soul after death and in founding a way of life that was attractive for its rigor and discipline and that drew to him numerous devoted followers.


1. The Pythagorean Question

What were the beliefs and practices of the historical Pythagoras? This apparently simple question has become the daunting Pythagorean question for several reasons. First, Pythagoras himself wrote nothing, so our knowledge of Pythagoras’ views is entirely derived from the reports of others. Second, there was no extensive or authoritative contemporary account of Pythagoras. No one did for Pythagoras what Plato and Xenophon did for Socrates. Third, only fragments of the first detailed accounts of Pythagoras, written about 150 years after his death, have survived. Fourth, it is clear that these accounts disagreed with one another on significant points. These four points would already make the problem of determining Pythagoras’ philosophical beliefs more difficult than determining those of almost any other ancient philosopher, but a fifth factor complicates matters even more. By the third century CE, when the first detailed accounts of Pythagoras that survive intact were written, Pythagoras had come to be regarded, in some circles, as the master philosopher, from whom all that was true in the Greek philosophical tradition derived. By the end of the first century BCE, a large collection of books had been forged in the name of Pythagoras and other early Pythagoreans, which purported to be the original Pythagorean texts from which Plato and Aristotle derived their most important ideas. A treatise forged in the name of Timaeus of Locri was the supposed model for Plato’s Timaeus, just as forged treatises assigned to Archytas were the supposed model for Aristotle’s Categories. Pythagoras himself was widely presented as having anticipated Plato’s later metaphysics, in which the one and the indefinite dyad are first principles. Thus, not only is the earliest evidence for Pythagoras’ views meager and contradictory, it is overshadowed by the hagiographical presentation of Pythagoras, which became dominant in late antiquity. Given these circumstances, the only reliable approach to answering the Pythagorean question is to start with the earliest evidence, which is independent of the later attempts to glorify Pythagoras, and to use the picture of Pythagoras which emerges from this early evidence as the standard against which to evaluate what can be accepted and what must be rejected in the later tradition. Following such an approach, Walter Burkert, in his epoch-making book (1972a), revolutionized our understanding of the Pythagorean question, and all modern scholarship on Pythagoras, including this article, stands on his shoulders. For a detailed discussion of the source problems that generate the Pythagorean Question see 2. Sources, below.

2. Sources

2.1 Chronological Chart of Sources for Pythagoras

300 CE Iamblichus
(ca. 245–325 CE)
On the Pythagorean Life (extant)
Porphyry
(234–ca. 305 CE)
Life of Pythagoras (extant)
Diogenes Laertius
(ca. 200–250 CE)
Life of Pythagoras (extant)
200 CE Sextus Empiricus
(circa 200 CE)
(summaries of Pythagoras’ philosophy in Adversus Mathematicos [Against the Theoreticians], cited below as M.)
100 CE Nicomachus
(ca. 50–150 CE)
Introduction to Arithmetic (extant), Life of Pythagoras (fragments quoted in Iamblichus etc.)
Apollonius of Tyana
(died ca. 97 CE)
Life of Pythagoras (fragments quoted in Iamblichus etc.)
Moderatus of Gades
(50–100)
Lectures on Pythagoreanism (fragments quoted in Porphyry)
Aetius
(first century CE)
Opinions of the Philosophers (reconstructed by H. Diels from pseudo-Plutarch, Opinions of the Philosophers [2nd CE] and Stobaeus, Selections [5th CE])
Pseudo-Pythagorean texts
forged
(starting as early as 300 BCE but most common in the first century BCE)
100 BCE Alexander Polyhistor
(b. 105 BCE)
his excerpts of the Pythagorean Memoirs are quoted by Diogenes Laertius
200 BCE Pythagorean Memoirs
(200 BCE)
(sections quoted in Diogenes Laertius)
300 BCE Timaeus of Tauromenium
350–260 BCE)
(historian of Sicily)
Academy Heraclides
(ca. 380–310)
Xenocrates
(ca. 396–314)
Speusippus
(ca. 410–339)
Lyceum
Dicaearchus
(ca.370–300)
Aristoxenus
(ca. 370–300)
Eudemus
(ca.370–300)
Theophrastus
(372–288)

Aristotle
(384–322)

400 BCE Plato
(427–347)
500 BCE Pythagoras
(570–490)


4.2 Pythagoras as a Wonder-worker
Some have wanted to relegate the more miraculous features of Pythagoras’ persona to the later tradition, but these characteristics figure prominently in the earliest evidence and are thus central to understanding Pythagoras. Aristotle emphasized his superhuman nature in the following ways: there was a story that Pythagoras had a golden thigh (a sign of divinity); the people of Croton called him the Hyperborean Apollo (one of the god Apollo’s manifestations); the Pythagoreans taught that “of rational beings, one sort is divine, one is human, and another such as Pythagoras” (Iamblichus, VP 31); Pythagoras was seen on the same day at the same time in both Metapontum and Croton; he killed a deadly snake by biting it; as he was crossing a river it spoke to him (all citations are from Aristotle, Fr. 191, unless otherwise noted). There is a clear parallel for these remarkable abilities in the later figure of Empedocles, who promises to teach his pupils to control the winds and bring the dead back to life (Fr. 111). There are recognizable traces of this tradition about Pythagoras even in the pre-Aristotelian evidence, and his wonder-working clearly evoked diametrically opposed reactions. Heraclitus’ description of Pythagoras as “the chief of the charlatans” (Fr. 81) and of his wisdom as “fraudulent art” (Fr. 129) is most easily understood as an unsympathetic reference to his miracles. Empedocles, on the other hand, is clearly sympathetic to Pythagoras, when he describes him as “ a man who knew remarkable things” and who “possessed the greatest wealth of intelligence” and again probably makes reference to his wonder-working by calling him “accomplished in all sorts of wise deeds” (Fr. 129). In Herodotus’ report, Zalmoxis, whom some of the Greeks identified as the slave and pupil of Pythagoras, tried to gain authority for his teachings about the fate of the soul by claiming to have journeyed to the next world (IV. 95). The skeptical tradition represented in Herodotus’ report treats this as a ruse on Zalmoxis’ part; he had not journeyed to the next world but had in reality hidden in an underground dwelling for three years. Similarly Pythagoras may have claimed authority for his teachings concerning the fate of our soul on the basis of his remarkable abilities and experiences, and there is some evidence that he too claimed to have journeyed to the underworld and that this journey may have been transferred from Pythagoras to Zalmoxis (Burkert 1972a,154 ff.).

Jucelino da Luz ou da Escuridão?

Via twitter do Roberto Takata, via Twitter do Kentaro Mori:

Advogado do Diabo


O pessoal do Pharingula não entendeu que eu estava sendo um Advogado do Diabo.

Advogado do Diabo é uma expressão da linguagem popular.

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História

Antigamente, durante o processo de canonização pela Igreja Católica havia um Promotor da Fé (Latim Promotor Fidei), e um Advogado do Diabo (Latim advocatus diaboli), papéis desempenhados por advogados nomeados pela própria Igreja. O primeiro apresentava argumentos em favor da canonização o segundo fazia o contrário, ou seja, argumentava contra a canonização do candidato; era seu dever olhar cepticamente o processo, procurando lacunas nas provas de forma a poder dizer, por exemplo, que os milagres supostamente feitos eram falsos, etc.

O ofício de Advogado do Diabo foi estabelecido em 1587 e foi abolido pelo Papa João Paulo II em 1983. Isto causou uma subida dramática no número de indivíduos canonizados: cerca de 500 canonizados e mais de 1300 beatificados a partir desta data, enquanto apenas houvera 98 canonizações no período que vai de 1900 a 1983. Isto sugere que os Advogados do Diabo, de facto, reduziam o número de canonizações. Alguns pensam que terá sido um cargo útil para assegurar que tais procedimentos não ocorressem sem causa merecida, e que a santidade não era reconhecida com muita facilidade.

Hoje em dia o termo tem vindo a designar uma pessoa que discute a favor de um ponto de vista no qual não acredita, mas que o faz simplesmente para apresentar um argumento. Este processo pode vir a ser utilizado para testar a qualidade do argumento e identificar erros na sua estrutura.

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PS: Advogado do Diabo darai um bom nome para um blog cético. Será que já existe?

A Origem dos Céticos do Clima explicada!

Céticos do clima detestaram o vídeo acima. Um amigo meu disse que, “OK, eles têm direito a suas opiniões, mas não deveriam impor suas opções sexuais sobre as outras pessoas…”

Concurso livro “Dúvida, uma história”.Participe!

Como eu tenho dois exemplares deste livro, farei um concurso de posts para sorteá-lo.
Para participar, você deve fazer uma crítica cética da Teoria do Cristo Mítico, discutindo as falácias desses teoristas conspiratórios pseudocientíficos. Ela deve ser postada no seu blog ou enviada para ser publicada aqui.
Por outro lado, se você quiser participar fazendo uma defesa da Teoria do Cristo Miítico, isso também pode. O prêmio é o troféu “Xaropeta Chatolete de 2010”. Participe!

Dúvida: Uma História: os grandes indecisos e seu legado de inovação de Sócrates e Jesus a Thomas Jefferson e Emily Dickinson.

O conspiracionismo irá destruir o movimento cético?


Ateísmo sim, conspiracionismo não!

Para meus amigos blogueiros de ciência céticos que estão querendo se tornar conspiracionistas. Se vocês acham que a Wikipedia está errada, por favor, tentem editá-la:

List of conspiracy theories

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Bible conspiracy theory

Bible conspiracy theories posit that much of what is known about the Bible, in particular the New Testament, is a deception. These theories variously claim that Jesus really had a wife, Mary Magdalene, and children, that a group such as the Priory of Sion has secret information about the bloodline of Jesus, that Jesus did not die on the cross and that the carbon dating of the Shroud of Turin was part of a conspiracy by the Vatican to suppress this knowledge, that there was a secret movement to censor books that truly belonged in the Bible, or the Christ myth theory, proposed for example in Zeitgeist, the Movie as a means of social control by the Roman Empire. This is portrayed in the book The Da Vinci Code.

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Catholicism a veiled continuation of Babylonian paganism

The Two Babylons was an anti-Catholic religious pamphlet produced initially by the Scottish theologian and Presbyterian Alexander Hislop in 1853 then published as a book in 1919. Its central theme is its allegation that the Catholic Church is a veiled continuation of the pagan religion of Babylon, the veiled paganism being the product of a millennia old conspiracy.[64][65] It has been recognized by scholars as discredited and has been called a “tribute to historical inaccuracy and know-nothing religious bigotry” with “shoddy scholarship, blatant dishonesty” and a “nonsensical thesis”.[66][67]

Although scholarship has shown the picture presented by Hislop to be absurd and based on an exceedingly poor understanding of historical Babylon and its religion, his book remains popular among some fundamentalist Christians.[64] Mormons before the reign of Pope John XXIII routinely referred to the Roman Catholic Church as the “Church of the Devil“; after Pope John XXIII, they discontinued support for this conspiracy theory.

The book’s thesis has also featured prominently in the conspiracy theories of racist groups such as The Covenant, The Sword, and the Arm of the Lord[68] and other conspiracy theorists.[69]

Although extensively footnoted, giving the impression of reliability, commentators (in particular Ralph Woodrow) have stated that there are numerous misconceptions, fabrications and grave factual errors in the document, and that this book follows the line of thought of works like: Martin Luther – On the Babylonian Captivity of the Church (1520), Titus Oates – An Exact Discovery of the Mystery of Iniquity as it is now in Practice amongst the Jesuits (1679), Conyers MiddletonLetter from Rome (1729).[70]

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Jerusalem Temple Candelabrum in the Vatican cellars

Among some Jewish religious and extreme right groups is circulating the assertion that the Menorah (goldencandelabrum) – which was in 70 C.E. pillaged by Titus‘s soldiers from the Jewish Temple in Jerusalem – still exists and is secretly kept by the Catholic Church in the cellars of the Vatican.

This rumor surfaces again and again. Most recently, during the visit of Pope Benedict XVI to Israel in May 2009, a small group of extreme right militants demonstrated against the Pope with signs reading “Thief, give back our Menorah!”. Two followers of the late Rabbi Meir Kahane – Itamar Ben Gvir and Baruch Marzel – at the time actually tried to get a judicial injunction to prevent the Pope from leaving the country “pending the return of the stolen Jewish treasures” [2]. The judges refused to grant any such injunction, as the appellants could bring no concrete evidence of the Menorah truly being in the Vatican.

Historians in general assume that the Menorah – like many other treasures stored in Ancient Rome – had been looted by the Vandals during the Sack of Rome in 455 CE. There is no shred of historical evidence of its having ever been in the hands of the Catholic Church. Nevertheless, the above theory persists in certain Jewish circles, as a focus for anti-Catholic (and generally anti-Christian) agitation.

Roberto Takata e Kentaro Mori, salvem o movimento cético de de se enrolar com essa teoria conspiratória do Cristo Mítico. A adesão à essa tese pseudocientífica irá trazer grande descrédito ao movimento cético!

O perigo do conspiracionismo

O fenômeno do Conspiracionismo precisa ser encarado e estudado de forma mais séria pelos sociólogos (e talvez jornalistas). Eu acredito que, longe de ser um fenômeno marginal ou humorístico (feito por chatoletes e xaropetas, como diria minha namorada), o Conspiracionismo é um sintoma de profunda crise social. Explico a seguir.

Embora os diversos conspiracionismos (ou denialismos, digo negacionismos, Takata!) defendem teses contraditórias, por exemplo, que “A ida do Homem à Lua é uma farsa mas os cientistas escondem” versus “A Apolo XI observou UFOs mas os cientistas escondem”, ou ainda “Jesus nunca existiu mas os historiadores escondem” versus “Jesus teve uma filha com Maria Madalena mas os historiadores escondem” versus “Jesus morreu na Cachemira mas os historiadores escondem”, todos possuem uma base comum: o questionamento da autoridade dos scholars ou intelectuais. Sem esquecer o Criacionismo de Terra Jovem versus o Criacionismo de Terra Velha, onde os cientistas escondem que a Evolução é uma farsa. Ou seja, o Conspiracionismo é um sintoma de anti-intelectualismo.

Esse anti-intelectualismo, por outro lado, é um sintoma do questionamento da autoridade social (não é a toa que a maior parte das teorias conspiratórias tiveram origem na década de 60). Infelizmente, embora a extrema esquerda também seja conspiracionista, em termos de posicionamento político, o conspiracionismo atualmente é dominado por extremistas de direita, em particular anarquistas de extrema direita como os Libertarians americanos.

Assim, entre os conspiracionismos mais atuantes, está o negacionismo do Holocausto e o conspiracionismo da Nova Ordem Mundial (patrocinada por judeus via Protocolos dos Sábios de Sião etc). Mesmo na Ufologia existe uma teoria difundida de que os UFOs seriam aeronaves nazistas vindas de Agharta (situada na Terra Oca) e que um dia irão instaurar o IV Reich? Você duvida da Terra Oca e dos UFOs? É porque os cientistas, mancomunados com a ONU, escondem esse fato.

Sem querer cair falácia da Redução ao Nazismo, eu gostaria de propor que o ator social do Conspiracionismo é o mesmo dos Conspiracionistas Nazistas da década de 20-30: jovens machos pequeno-burgueses com educação universitária mediana (sem doutorado), suficientemente articulados para defenderem suas teses mas que sentem grande frustração social por não possuírem poder e influência intelectual. Esses jovens machos precisam, para sua própria afirmação social, questionar a autoridade dos machos adultos. Em volta deles atuam teóricos de uma geração anterior, que possuem agendas políticas bem definidas mas ocultas (e conspiratórias?).

Sendo assim, em vez de inutilmente ficar “debatendo” com conspiracionistas , cientistas e céticos deveriam focar esse movimento com um olhar sociológico: deve-se perceber que o alvo do conspiracionismo de direita é a ruptura da teia de autoridade social, representada pela Ciência, História, Política, Religião etc. a fim de instaurar uma Nova Ordem Mundial Facista (ops, estou caindo no conspiracionismo, mas vá lá!).

Infelizmente, o vírus do conspiracionismo está no ar e mesmo o movimento cético, cujo propósito inicial era desconstruir as teses conspiracionistas, têm recentemente enveredado por caminhos negacionistas (desde que alinhados com sua filosofia particular). Um exemplo claro pode ser encontrado no debate entre ateus extremistas (vulgo “chateus”) no blog do Reinaldo Lopes sobre a Teoria do Cristo Mítico, uma teoria conspiratória e pseudocientífica rejeitada pela comunidade de históriadores e scholars mas que cada vez mais, como um meme parasítico, tem contaminado as mentes de tantos autoproclamados racionalistas… Muito triste!

The New Scientist Debates Denialism

Category: DenialismGeneral DiscussionGlobal Warming DenialismHIV/AIDS denialismHolocaust Denial
Posted on: May 24, 2010 6:00 AM, by
MarkH

Luckily they don’t make the mistake of actually debating denialists. The feature of last weeks issue, “Age of Denial” is a series of articles by skeptics and one laughable rebuttal, discussing the nature of denialism and tactics to use against it. They do quite a good job covering the basics, starting with Deborah MacKenzie and her article “Why Sensible People Reject the Truth“:

Whatever they are denying, denial movements have much in common with one another, not least the use of similar tactics (see “How to be a denialist”). All set themselves up as courageous underdogs fighting a corrupt elite engaged in a conspiracy to suppress the truth or foist a malicious lie on ordinary people. This conspiracy is usually claimed to be promoting a sinister agenda: the nanny state, takeover of the world economy, government power over individuals, financial gain, atheism. … All denialisms appear to be attempts like this to regain a sense of agency over uncaring nature: blaming autism on vaccines rather than an unknown natural cause, insisting that humans were made by divine plan, rejecting the idea that actions we thought were okay, such as smoking and burning coal, have turned out to be dangerous.

Here she has it exactly right. Denialism starts with ideology, which most of us possess to some degree or another, and a conflict between that ideology and reality – at least so far as science allows us to understand it. In order to regain control of one’s beliefs, and protect them from being challenged, one has to prove that the science is wrong. And that requires one to believe in some form of non-parsimonious conspiracy theory, after all, how else could it be that science has come up with such an answer if not for the concerted malfeasance of thousands of individuals, all working together to undermine the TRUTH?

Further she cites these as tactics of denialists:

How to be a denialist Martin McKee, an epidemiologist at the London School of Hygiene and Tropical Medicine who also studies denial, has identified six tactics that all denialist movements use. “I’m not suggesting there is a manual somewhere, but one can see these elements, to varying degrees, in many settings,” he says (The European Journal of Public Health, vol 19, p 2). 1. Allege that there’s a conspiracy. Claim that scientific consensus has arisen through collusion rather than the accumulation of evidence. 2. Use fake experts to support your story. “Denial always starts with a cadre of pseudo-experts with some credentials that create a facade of credibility,” says Seth Kalichman of the University of Connecticut. 3. Cherry-pick the evidence: trumpet whatever appears to support your case and ignore or rubbish the rest. Carry on trotting out supportive evidence even after it has been discredited. 4. Create impossible standards for your opponents. Claim that the existing evidence is not good enough and demand more. If your opponent comes up with evidence you have demanded, move the goalposts. 5. Use logical fallacies. Hitler opposed smoking, so anti-smoking measures are Nazi. Deliberately misrepresent the scientific consensus and then knock down your straw man. 6. Manufacture doubt. Falsely portray scientists as so divided that basing policy on their advice would be premature. Insist “both sides” must be heard and cry censorship when “dissenting” arguments or experts are rejected.

Sound familiar? That’s because McKee cites us in his paper. We’ll forgive her for not identifying the original source, after all McKee gives the credit.

She does get a few things wrong, likely due to her unfamiliarity with just how absurd some denialists are. For instance when she says:

The first thing to note is that denial finds its most fertile ground in areas where the science must be taken on trust. There is no denial of antibiotics, which visibly work. But there is denial of vaccines, which we are merely told will prevent diseases – diseases, moreover, which most of us have never seen, ironically because the vaccines work.

This is demonstrably false, as we have encountered denialists who do deny the efficacy of antibiotics and all of Western medicine, as their particular ideology requires them to believe in the primacy of religion (Christian Science, New Age Nonsense) or in the magical properties of nature. She goes on to describe the work of our good colleague Seth Kalichman and the good things he’s done to fight HIV/AIDS denialism. Overall, a good summary of the problem. I also like how she stays non-judgmental and reflects on how pseudoscience is ultimately a complement to science:

This is not necessarily malicious, or even explicitly anti-science. Indeed, the alternative explanations are usually portrayed as scientific. Nor is it willfully dishonest. It only requires people to think the way most people do: in terms of anecdote, emotion and cognitive short cuts. Denialist explanations may be couched in sciency language, but they rest on anecdotal evidence and the emotional appeal of regaining control.

If imitation is the highest form of flattery, this certainly applies to pseudoscience. After all pseudoscience is a reflection of the authority science has as the arbiter of truth. If being on the right side of science wasn’t so important, cdesign proponentsists and global warming denialists wouldn’t fight so hard to warp it to fit their ideology, and by doing so, implicitly seek its approval.

Jim Giles contributes an interesting article on an example of how a lie travels twice around the world before the truth gets its boots on with Unleashing a Lie, but then the series gets a bit more problematic with the contributions of noted skeptic Michael Shermer (also anerstwhile global warming denialist and persistent libertarian) and an amusing counterpoint from the otherwise wonderful Michael Fitzpatrick, a British GP who fights the good fight against autism quackery.

Starting with Michael Shermer, who ostensibly flipped back from the dark side of denialism with his 2006 piece The Flipping Point, but who, I imagine due to his well-known libertarian ideals, inspired by Ayn Rand no less, still seems to reject the need for any kind of top-down societal change to address the problem. In recent writings – in particular his “5 questions”he still seems to be playing the same game (not to mention promoting the work) of Bjorn Lomborg. Admit global warming is real, sure, but deny we should do anything about it. Or certainly nothing difficult or requiring sacrifice. This is the well-known minimalization approach common to libertarians who “accept” the science. This is the strategy of the Lomborgians and the scam of the Copenhagen consensus, admit the problem exists, just minimize its significance, blow the costs out of proportion and create a consensus from a minority of like-thinkers. Shermer also clearly still has warm feelings for Rand even if he’s rejected Randians as being a creepy cult. His recent work the mind of the market, is primarily lauditory of the free-market solves-all view of things, and these hints and others suggest the ideological source of his problems with the theory. And even though he’s come around (very late I might add) to accept the science of AGW, you can tell he’s still sore about being once labeled a denier:

Though the distinction between scepticism and denial is clear enough in principle, keeping them apart in the real world can be tricky. It has, for example, become fashionable in some circles for anyone who dares to challenge the climate science “consensus” to be tarred as a denier and heaved into a vat of feathers. Do you believe in global warming? Answer with anything but an unequivocal yes and you risk being written off as a climate denier, in the same bag as Holocaust and evolution naysayers.

What is so interesting is that Shermer clearly gets denialism and the problem ideology plays in its promulgation:

Denial is different. It is the automatic gainsaying of a claim regardless of the evidence for it – sometimes even in the teeth of evidence. Denialism is typically driven by ideology or religious belief, where the commitment to the belief takes precedence over the evidence. Belief comes first, reasons for belief follow, and those reasons are winnowed to ensure that the belief survives intact.

In particular his baloney detection tool kit ends with the question “is the idea being promoted fueled by personal belief?” While I think it’s wonderful that he’s came around about 40 years after the science, I think he still has to own up to the fact that his rejection of the science, perfectly strong science in the 1990s and 2000s, was due to anything but his ideology. There wasn’t a new piece of data that arrived in 2006 to change him, just, according to him, Al Gore’s presentation of it that finally worked to change him. Why would a true skeptic reject the scientists and the IPCC only to convert after seeing the Vice President give a TED talk? I think it likely was easy to be skeptic given his distaste for the environmental movement and the perceived infringement on individual liberties that environmental regulation entails. It is also still questionable if his support for Lomborg and the other libertarian minimizers doesn’t represent that he hasn’t just morphed his denial into a new strategy that admits the science is real then happily undermines any of its significance. Anyway, that’s too much time trying to get into someone else’s head, but I’d be happier if Shermer, who is a leader in promoting true skepticism, could just say, “yes I was being irrational”, after all, that’s the whole point of what real skeptics are trying to achieve and what we are trying to achieve with denialism blog. That is, explaining the fact that even very smart, highly skeptical people can be tricked into thinking irrational things when reality conflicts with their ideology. It’s not that denialists are stupid, it’s that they’re irrational and can’t face changing certain core ideals or overvalued ideas that conflict with reality. Given his continued support for Lomborg and falling for his slight-of-hand I’m not sure he’s out of the woods yet on this issue.

Secondly, the denialism rebuttal, by noted autism quack-fighter Michael Fitzpatrick misses the point, and oddly channels some of the classic crank arguments against the very notion of denialism in his article, “Questioning Science Isn’t Blasphemy“. Note the offhand Gallileo Gambit in the title, in fact, that’s little more than the entire argument:

THE epithet “denier” is increasingly used to bash anyone who dares to question orthodoxy. Among other things, deniers are accused of subordinating science to ideology. In his book Denialism: How irrational thinking hinders scientific progress, harms the planet, and threatens our lives, for example, Michael Specter argues that denialists “replace the rigorous and open-minded scepticism of science with the inflexible certainty of ideological commitment”.

How ironic. The concept of denialism is itself inflexible, ideological and intrinsically anti-scientific. It is used to close down legitimate debate by insinuating moral deficiency in those expressing dissident views, or by drawing a parallel between popular pseudoscience movements and the racist extremists who dispute the Nazi genocide of Jews.

Isn’t it telling that the only argument against using the terminology of denialism is an irrational Galileo Gambit, and completely missing the point? We’re not shutting down debate, or censoring anyone, or even insinuating moral deficiency. Quite the opposite, we’re showing how even well-meaning smart people fall for irrational arguments and try to describe which arguments aren’t worth listening to or accepting as legitimate. Denialism is not actual healthy debate, it’s the art of creating the appearance of a debate when facts are settled. Recognizing denialism is just recognizing that some tactics are flawed, and that their use does not represent actual healthy debate. Clearly some denialists aren’t honest brokers in a debate, but the fact is a lot of people fall for and use these arguments simply because they don’t know better. And until everyone understands what represents healthy debate and logical arguments, little progress will be made in advancing legitimate scientific views against the nonsense being peddled by the HIV/AIDS denialists, the autism/vaccine cranks, and AGW denialism. Every success I’ve ever had in changing someone’s mind on these topics has been in explaining how the denialists have twisted facts and relied on conspiracies to promote nonsense. And I have these arguments with good, smart people. I’ve argued AGW once with a surgeon and an anesthesiologist during a case, I’ve gotten into it in bars with the tipsy and opinionated. And usually, if I explain the origins of the opposition (see Naomi Oreskes work on this), factually explain the science, and explain the common canards like global cooling, warming has stopped, etc., I usually close the deal when you explain how absurd the denialists’ conspiracy theory ultimately is.

As philosopher Edward Skidelsky of the University of Exeter, UK, has argued, crying denialism is a form of ad hominem argument: “the aim is not so much to refute your opponent as to discredit his motives”. The expanding deployment of the concept, he argues, threatens to reverse one of the great achievements of the Enlightenment – “the liberation of historical and scientific inquiry from dogma”.

How very cranky, sound like someone is feeling oppressed? All denialism is is a description of a flawed but common type of argument. Here the author suggests that calling flawed arguments flawed will bring the enlightenment to a screeching halt, and we will have a new dark age of scientific orthodoxy being filtered down from our evil leader, Al Gore. Not likely.

Dr. Fitzpatrick seems to think the problem of denialism is caused by a scientific establishment that is too slow to respond when denialist arguments rear their ugly heads, he cites Duesberg and Wakefield as examples:

Both Duesberg and Wakefield were reputable scientists whose persistence with hypotheses they were unable to substantiate took them beyond the limits of serious science. Though they failed to persuade their scientific peers, both readily attracted supporters, including disaffected scientists, credulous journalists, charlatans, quacks and assorted conspiracy theorists and opportunist politicians.

In both cases, scientists were dilatory in responding, dismissing the movements as cranks and often appearing to believe that if they were ignored they would quietly disappear. It took five years before mainstream AIDS scientists produced a comprehensive rebuttal of Duesberg. Though child health authorities were alert to the threat of the anti-vaccine campaign, researchers were slow to respond, allowing it to gather momentum.

Social psychologist Seth Kalichman of the University of Connecticut in Storrs mounts a typical defence of this stance in his book Denying Aids: Conspiracy theories, pseudoscience, and human tragedy. According to Kalichman, denialists often “cross the line between what could arguably be protected free speech”. He justifies suppression of debate on the feeble grounds that this would only legitimise the deniers and that scientists’ time would be better spent on research.

Such attempts to combat pseudoscience by branding it a secular form of blasphemy are illiberal and intolerant. They are also ineffective, tending not only to reinforce cynicism about science but also to promote a distrust for scientific and medical authority that provides a rallying point for pseudoscience.

As Skidelsky says, “the extension of the ‘denier’ tag to group after group is a development that should alarm all liberal-minded people”. What we need is more debate, not less.

I’m not sure exactly what he’s arguing here. Is labeling bogus tactics of argument fascist? Should we create a science PR wing that rises to meet all these challenges? We already have a private version of such a thing with folks like Orac and Ben Goldacre, but your average researcher is usually completely unaware of the pseudoscientists out there causing harm. In the case of HIV/AIDS denial in South Africa, the body count from this harm can be counted in the hundreds of thousands and the debate over the cause of AIDS is long over. The damage by Mbeki and others occurred a decade after scientists in an organized way addressed Duesberg’s bogus ideas and he still kept at it! At what point do we call these poisonous ideas what they are and stop acting like more talk fixes the problem? And what else do you call arguments that rely on conspiracy and cherry-picking and fake experts, logical fallacies and constantly moving goalposts? At a certain point you have to stop acting like you’re facing an honest broker and explain that your opponent isn’t even arguing anymore, because denialism isn’t debate. It’s just rhetorical parlor tricks, a performance designed to confuse and spread doubt where there should be none. If you don’t point out to people how not to fall for the crank arguments these arguments will continue to have resonance and work on the uninitiated (and even on seasoned skeptics like Shermer).

This whole argument reeks of false persecution to me. Fitzpatrick argues we should keep playing cards with a trick deck. At some point you have to point out the cheats for what they are. It’s not suppressing debate, it’s defining what legitimate debate is and refusing to engage unless we’re agreeing to use the same set of facts. If the denialists have a problem with that the solution is simple. Stop alleging idiotic conspiracy theories. Stop cherry picking and moving the goalposts. Stop making things up. When you stop acting like a denialist, you’ll stop being called one.

Divulgando ciências cientificamente (2)

Realmente não sei se depois da tréplica vem a quadréplica (suponho que não). Mas continuemos porque a discussão está muito interessante e na verdade é vital (afinal, FC para mim é vital…).
Roberto Takata faz algumas afimações em sua tréplica que concordo inteiramente (porque acho que são triviais):
1. Mídias de divertimento (em contraposição à mídias educativas) como filmes de ficção científica influenciam a percepção pública da ciência.
2. Em termos de ciência factual, existem filmes mais acurados (como “Contato”, baseado no livro homônimo de Carl Sagan) e menos acurados (como The Core – Missão ao Centro da Terra).
3. Filmes menos acurados tem impacto educativo negativo comparado com filmes mais acurados.
4. Séries de DV como Cosmos ou Jaques Custeau são mais acuradas cientificamente do que filmes de entretenimento.
Dados esses pontos de partida, porém, me parece que Takata pretende defender as seguintes conclusões que acredito serem um non sequitor dos itens 1-4 (espero que ele me corrija se não for o caso):
A. Professores e divulgadores de ciência não deveriam usar filmes de ficção científica para a difusão científica acurada, seja como exemplos positivos de informação, seja como ganchos de interesse (por exemplo, uma aula de geociências onde se apresenta The Core e pede-se aos alunos para fazer uma crítica científica do filme).
B. Mídias como músicas, quadrinhos, games, stand-up comedy e séries de TV não poderiam ou deveriam ser usadas (com a devida habilidade, claro!) em tarefas como divulgação científica.
C. Crenças pseudocientíficas não podem ser usados como ganchos de divulgação científica.
Já dei um bom exemplo do item A no post anterior, mas Roberto não respondeu ao mesmo.
Exemplo do item B: prefiro, por razões educativas, dar aos meus filhos o game Spore do que games de ação ou violência, embora Spore não seja biologicamente correto e mesmo possa ser classificado por Takata de ser um game que dissemina a idéia de Desígnio Inteligente (por falar nisso, o filme 2001-Uma Odisséia no Espaço também dissemina o DI!).
Exemplo do item C: Nas minhas aulas do curso de Mecânica Clássica, quando chega o momento de calcular o campo gravitacional dentro de uma esfera, eu discuto também o caso da casca esférica dado que os resultados são muito interessantes (assim como no caso da Eletrostática, o campo é nulo sempre dentro de uma esfera oca).
Para motivar o exemplo (afinal, na cabeça de alunos do segundo ano de física, para que serve uma casca oca gravitacional?), eu discuto inicialmente uns dez minutos sobre a Teoria da Terra Oca, e como acreditar na mesma equivale a afirmar que a Teoria da Gravitação de Newton faz predições erradas neste caso: ou seja, você tem que escolher entre uma ou outra, não dá para acreditar nas duas ao mesmo tempo.
Já faz uns dez anos que uso esse exemplo em sala de aula, e me parece que funciona otimamente: os alunos ficam hiper interessados na aula, motivados e compreendem de forma mais profunda as implicações da teoria da gravitação. Afinal de contas, ela implica que a teoria conspiratória de que os OVNIs são naves nazistas originadas nas sete cidades de Agharta, situadas dentro da Terra Oca, e que estão preparando o retorno vitorioso do IV Reich, é puro papo furado de internet (ou melhor, crenças com agendas políticas obscuras, mas vá lá).
Se isso não é um bom uso de uma crença pseudocientífica como gancho para motivar a educação científica, então eu não sei o que mais pode ser. Ou seja, aceitar os argumentos de Takata implica em eu ter que parar de dar essa aula, e eu não vou fazer isso a menos que Roberto realmente me dê bons motivos (ele não me deu nenhum até agora).

Ou seja, talvez Roberto tenha entendido que eu aprove ou estimule a difusão das conceitos científicos errados ou pseudociências como forma preambular de divulgação científica. Não é isso o que eu disse, mas sim que, dado que essas crenças já existem em nosso ambiente cultural, elas constituem um bom gancho para abrir discussões e fazer divulgação científica. Ou seja, as pessoas já ouviram tais palavras (como “Teoria do Caos” no filme Parque dos Dinossauros), e podemos usar essa pop culture para aprofundar o assunto.
Se não me engano, é o que a maior parte dos blogueiros de ciência fazem, quando pegam um conceito científico equivocado (por exemplo, que a Evolução biológica depende fundamentalmente de eventos ao acaso) e o re-explicam de forma mais acurada (Takata fez isso recentemente de maneira explendida aqui).
Um exemplo final: ainda falta um bom filme ou best-seller chamado Entropy (que não seja este aqui) para que o conceito de entropia possa ser discutido entre jornalistas e formadores de opinião ambientalistas. Mesmos que eles saibam que o principal problema da economia não sustentável é o grande aumento de entropia (e não o “gasto de energia”), a palavra não existe no vocabulário conceitual dos público a quem eles poderia se dirigir. O conceito de entropia ainda não sofreu a mesma difusão científica que o conceito de energia.
PS: Apenas como esclarecimento, acho que a discussão aqui não é sobre a diferença entre o campo da Arte e do Entretenimento e o campo das Ciências de da Popularização da Ciência (Entretenimento Científico?). Claramente as linguagens e propósitos de cada campo são diferentes. A questão que estamos discutindo é se é possível ou conveniente exadaptar objetos de entretenimento para o campo da difusão científica e a melhor forma de fazer isso.

Divulgação Científica e Ateísmo Científico

Uma das diferenças entre jornalismo científico e blogs de ciência é que nos últimos, por serem o análogo de colunas de opinião (e editoriais!), o lado ideológico da ciência se manifesta de maneira mais clara.
Um exemplo é dado pelo Paradoxo PZMyers, que o Carlos Hotta comentou no último EWCLiPo mas infelizmente não teve tempo de desenvolver: o paradoxo é que o blog de ciência mais influente, visitado e comentado do Science Blogs americano não trata prioritariamente de ciência, mas sim de uma ideologia (o ateísmo científico).
A questão da influência (positiva ou negativa) do ateísmo científico na divulgação científica precisa ser melhor discutida na comunidade. O cerne do problema é que AC e DC apresentam, muitas vezes, propósitos e interesses diversos, algumas vezes conflitivos e mesmo antagônicos. Vejamos:
Entre os propósitos da divulgação científica (DC), temos:
1. Apresentar a ciência de modo interessante e atraente ao público leigo.
2. Aumentar o suporte que a sociedade em geral dá à ciência, ou seja, criar um clima de simpatia da sociedade frente à ciência.
3. Despertar novas vocações científicas.
4. Aumentar a cultura científica da população em geral.
5. Complementar a educação científica dada pelas escolas.
(esta lista não é exaustiva)
Entre os propósitos do ateísmo científico (AT), temos:
1. Promover uma transição de uma cultura pré-científica para uma cultura científica (seguindo uma visão positivista de “estágios de evolução social” tipo mítico-religioso-filósófico-científico).
2. Defender os direitos dos ateus e agnósticos em sociedades primariamente religiosas.
3. Defender o estado laico.
4. Defender a educação laica.
5. Aprofundar o processo de secularização social.
6. Combater crenças pseudocientíficas.
7. Combater crenças religiosas.
8. Diminuir a influência política e social das Igrejas e da religião em geral.
(esta lista também não é exaustiva)
Acredito que o paradoxo PZMyers tem a ver com tais listas de objetivos: existe pouca superposição entre os objetivos, a lista de prioridades é diferente, existe pouca sinergia entre eles. Por exemplo, um combate ativo de crenças religiosas (objetivo da AC, ilustrado pela figura deste post) pode ser deletério para a criação de um clima de simpatia social para com a ciência e os cientistas (objetivo da DC), ao afirmar que todas as pessoas não-atéias são estúpidas.
Então eu faço a pergunta para os meus amigos blogueiros de ciência: este problema está claro para você? O seu blog é de divulgação científica ou de ateísmo científico? Você defenderia o AT mesmo na hipótese de que isso fosse bastante deletério politicamente para a DC? Quais são suas prioridades?
No entedimento de que o ateísmo científico (notem que existem ateísmos não-científicos, como em Nietszche e ateísmos pseudocientíficos como em Stalin!) e o movimento cético etc não podem ser reduzidos a componentes puramente científicos mas possuem fortes componentes filosóficos, políticos e ideológicos, estaremos criando em breve uma nova categoria de blogs no Portal ABC.
Para esta categoria estamos procurando um nome com menos preconceito social do que “Ateísmo científico”. Algumas sugestões mais neutras seriam: “Ciência e Cultura”, “Humanismo Secular”, ou “Ceticismo Científico”. Se você tem idéia para nomes melhores, por favor faça sua sugestão aqui ou no próprio ABC.
Esta nova categoria formaria uma pequena blogosfera onde os objetivos comuns estão arrolados na lista AT acima, mais do que na lista DC. Esperamos assim contribuir para uma interação maior entre este tipo de blogueiros científicos.

Suzana Herculano-Houzel, sobre a Homeopatia

Para ver a palestra da Suzana no II EWCLiPo, clique aqui.

Tratar só com homeopatia dá prisão na Austrália

Ah, um país sério: o médico homeopata Thomas Sam foi condenado a 10 anos de prisão, juntamente com sua mulher, por ter deixado sua filha, um bebê de 9 meses e meio, morrer de septicemia e desnutrição – consequências de um caso severo de eczema que o pai, por quatro longos meses, tratou somente com homeopatia, recusando qualquer outro tratamento para a filha. A matéria está noGlobo online de hoje.

“Mas homeopatia funciona! Você é que não entende de nada!”, me dizem os adeptos. Escrevi para a Folha de SP uma vez comentando nosso poder de auto-sugestão a respeito da astrologia e profecias auto-cumpridas, com um pequeno comentário entre parênteses sobre a homeopatia, e choveu e-mails me desautorizando (e me iluminando inclusive sobre os efeitos benéficos da homeopatia sobre a saúde dos tomates). Não, de fato não sou homeopata. Mas sou cientista. E qualquer um que tenha estudado química na escola é capaz de entender o seguinte: se medicamentos surtem efeito interagindo com o corpo, é preciso que haja ao menos uma moleculazinha do medicamento na dose que você ingere, certo?

Você trataria sua dor de cabeça com “aspirina 30C”, vendida em bolinhas contendo 0,000 mg de ácido acetilsalicílico extraído naturalmente da casca do salgueiro? É um remédio orgânico, com todas as letras – mas a bolinha que você ingere não contém nem um centésimo de miligrama do princípio ativo, e provavelmente nem uma única molécula dele. Não tomaria? Sentir-se-ia enganado? Ficaria com vontade de processar a farmácia? A indústria farmacêutica que o produz, vendendo essencialmente água/farinha/açúcar como remédio? Seu médico? Pois é.

Acontece que, pelos preceitos da homeopatia, quanto mais diluída a substância, mais “eficaz” ela é – e as diluições usadas chegam a ser tão grandes que para haver uma única molécula do princípio ativo em uma dose de diluição 30C, como a da aspirina acima que faria você processar a farmácia, essa dose precisaria ter… 30 bilhões de vezes o tamanho de nosso planeta. Veja por você mesmo: a wikipedia traz uma revisão muito boa a respeito.

Sim, homeopatia funciona – como placebo, e portanto para as afecções que respondem ao efeito placebo, e somente essas. São doenças relacionadas a estresse, como asma, alergias, problemas digestivos, e também dor e aleitamento materno (ficar estressada reduz a produção de leite: se você acredita que está se tratando com bolinhas de homeopatia ou tintura de alfafa, pronto, isso pode até bastar para que seu cérebro decida que está tudo bem de novo e passe a comandar a produção copiosa de leite).

Não conheço o status da “medicina homeopática” no Brasil (e já sei que os médicos homeopatas que tiverem lido até aqui vão ficar ainda mais enfurecidos com as aspas). Mas sei que em outros países os “remédios homeopáticos” não são regulamentados como medicamentos. Se fossem, não poderiam ser vendidos – assim como qualquer indústria farmacêutica é processada por vender pílulas de farinha, como foi o caso da que vendeu pílulas anticoncepcionais sem princípio ativo por erro (você não acredita que uma indústria farmacêutica seria estúpida a ponto de se dar voluntariamente tamanho tiro no pé para fazer economia, acredita?).

Não me importo que os médicos homeopatas fiquem enfurecidos comigo. Não me importo que os adeptos da homeopatia fiquem enfurecidos comigo, me escrevam e-mails furiosos dizendo que eu não sei de nada, e continuem tratando suas pneumonias com pílulas de açúcar ou gotas de álcool vendidas como remédio. Enquanto houver uma alma em dúvida que ler meus protestos, decidir questionar a homeopatia e assim, por via das dúvidas, resolver dar à criança à sua mercê tratamento correto com moléculas reais de antibióticos e de quantos outros princípios atívos forem necessários, eu fico feliz.

DateTuesday, September 29, 2009 at 02:53PM | AuthorSuzana Herculano-Houzel

Deu no Jordan Times: ovelhas queimadas “desapareceram”

Dado que não é primeiro de abril, tem alguma coisa esquisita nessa notícia que está bombando na net e no twitter:
Estadão: Temperatura sobe a 400ºC em região da Jordânia
Jordam Times: Authorities investigating unusual phenomenon near Salt
Arab News: Sheep burn on entering hot plot

De um lado os conspirólogos de plantão estão falando em armas espaciais secretas americanas ativadas por acaso. De outro lado, os céticos de plantão afirmam que a notícia é falsa, dado que é impossível que ovelhas desapareçam devido a um calor de 400 C. Afinal, para se cremar um corpo, segundo a wikipedia:

The box containing the body is placed in the retort and incinerated at a temperature of 760° to 1150°C (1400° to 2100°F). During the cremation process, a large part of the body (especially the organs) and other soft tissue are vaporized and oxidized because of the heat, and the gases are discharged through the exhaust system. The entire process usually takes about two hours.

Por falar nisso, nas minhas buscas aqui por informação, acabei calculando que o famoso Fahreinheit 451 onde o papel se queimaria corresponde a meros 232 Celsius.

Eu tenho uma teoria (eu sempre tenho uma teoria): A verdade está no meio. Acho que alguém cometeu um erro de tradução do árabe, ou foi uma simples hipérbole nos relatos das testemunhas oculares.

Ou seja, acho que o fenômeno deve ser parecido com o ocorrido no Rio em 2004, ver abaixo. As ovelhas se queimaram e “fugiram”, ou seja, “desapareceram” de vista, deram no pé. Um erro de tradução deu a entender que as ovelhas vaporizaram…

Aposto um kit Colorado que foi isso. Alguém se anima a casar a aposta?

PS: Advinhou o que é a foto? Uma cobra comendo uma ovelha…

Segunda-feira, 05 de julho de 2004 16h41

Feema analisa terreno que apresenta combustão espontânea no Rio
da
Folha Online

Técnicos da Feema (Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente) recolheram nesta segunda-feira amostras de solo para análise de um terreno no município de Barra Mansa, no sul do Rio de Janeiro, onde três crianças sofreram queimaduras no último fim de semana enquanto brincavam.

De acordo com a presidente da Feema, Elizabeth Lima, há suspeitas de que exista mistura de resíduos tóxicos no terreno, que apresenta combustões espontâneas pelo simples atrito com o solo.

O terreno foi interditado pela Feema e pela Defesa Civil –que também analisa a área– para evitar novos incidentes e para que os técnicos possam trabalhar.

Queimaduras

O menino João Pedro Teodoro da Silva, 8, sofreu queimaduras em 70% do corpo enquanto brincava no terreno. Ele foi atingido por produtos químicos incandescentes.

Em estado grave, Silva foi internado numa UTI (Unidade de Terapia Intensiva) de um hospital particular em Barra Mansa.

Outros dois meninos sofreram queimaduras nas pernas. Um cachorro também morreu no terreno.


O Despertar dos Mágicos e a Divulgação Científica

Inspirado pela fala de Suzana Herculano-Houzel de que disfarçar divulgação científica como auto-ajuda aumenta a venda dos livros, reflito agora sobre a possibilidade de transformar as pseudociências em auxiliares em vez de antagonistas da divulgação científica.
Vou dar alguns exemplos, de caráter pessoal:

1. Quando eu tinha 12 anos eu era, junto com meus amigos Sinézio e Eliabe, era colecionador da Revista Planeta (tudo bem que, na época, o editor era Ignácio de Loyola Brandão). O meu despertar para a vocação científica foi feito por essa revista, e também pelo livro “O Despertar dos Mágicos” de Powels e Bergier. Entre os físicos de minha geração, já constatei que esse livro também os influenciou a darem o passo duvidoso de trocar engenharia ou outra profissão tradicional pela profissão mais “esotérica” de físico. Ah sim, tinha também “O Planeta das Possibilidades Impossíveis”, dos mesmos autores, que era um pouquinho mais científico…

2. Aprendi a calcular desvio-padrão e fazer o teste do Qui-quadrado com 14 anos (ou foi 13 anos e meio?). Precisava aprender por causa das experiências de telepatia, clarividência e psicocinésia que eu realizava junto com Sinézio e Eliabe. Alto nível de motivação para aprender estatística, entende?

3. Virei astronomo amador por causa do interesse por OVNIs, de novo junto com Sinézio. Fundamos o C.E.F.A. – Centro de Estudos de Fenômenos Aéreo-Espaciais, que em seu auge teve mais de 100 membros correspondentes em todo Brasil. Será que o vice-prefeito de Três Corações, membro do C.E.F.A., sabia que seus líderes eram dois moleques de 15 e 14 anos? Foi alí que aprendi a escrever: editavamos o boletim UFO Report e a Revista “Novos Horizontes”, mimeografados, e vendiamos para os membros do C.E.F.A.
4. Hoje sou cético e ateu, ou pelo menos, adepto da Terceira Via. Mas como conheço a literatura pseudocientífica (devo ter lido cerca de 400 livros de pseudociência durante a juventude), tenho mais recursos para debater com o pessoal New Age do que a maior parte dos meus amigos blogueiros de ciência. Afinal, foi durante esse envolvimento com as pseudociência que comecei a me perguntar sobre o que é ciência afinal, e o que a distingue da pseudociência.
5. A partir daí comecei a ler Filosofia da Ciência, Epistemologia e História da Ciência (mais uns 600 livros, acho, até os 30 anos de idade). É por isso que eu não tenho muita paciência com blogueiro que fica falando do critério de demarcação de Popper sem nunca o ter lido (cita-se o que Carl Sagan disse de Popper!). Bom, eu li todos os livros de Popper (menos o Sociedade Aberta e Seus Inimigos), de modo que eu tenho uma pequena chance de saber o que Popper queria realmente dizer, não acham?

6. O envolvimento com as pseudociencias, e com a religião, não é algo que deforme permanentemente o caráter de uma pessoa. , Faraday era pentecostal fundamentalista, Maxwell era evangélico (e viveu depois de “A Origem das Espécies”), Lord Kelvin era criacionista. Eistein teve experiências religiosas aos 15 anos de idade, escreveu hinos ao Criador, e Godel escreveu artigos de teologia. Inúmeros físicos de renome tem ganho o prêmio Templeton nos últimos anos. Todos foram ou são ótimos cientistas, ou pelo menos, ótimos físicos. Mas como disse John D. Barrow para Richard Dawkins: “Richard, o problema é que você não entende a verdadeira natureza da ciência, afinal você não é cientista, é apenas biólogo…”