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Como não alienar da ciência as pessoas religiosas

Fazendo RT (RB?) de um post do blog Tubo de Ensaio da Gazeta do Povo


Mike Rozulek

Mike Rozulek /

O aniversário é hoje: A origem das espécies faz 150 anos. Por isso, o Tubopublica, na sequência do seu especial Darwin, a entrevista exclusiva que Karl Giberson concedeu, por e-mail, ao blog. Uma versão mais curta foi publicada na edição desta terça no caderno Mundo da Gazeta do Povo. Aqui ela está na íntegra.

Quem visitou o blog ontem descobriu que Karl Giberson é o atual presidente (com a saída de Francis Collins) da Fundação

BioLogos

, uma entidade sediada nos Estados Unidos que promove a conciliação entre a ciência, especialmente evolucionista, e o cristianismo evangélico. Giberson também é autor de Saving Darwin, o livro que eu

resenhei

ontem aqui no blog. Claro, falamos um pouco do livro, mas principalmente sobre qual é exatamente o papel de Deus no processo evolucionário e sobre as melhores abordagens na hora de promover a ciência entre pessoas cuja fé é arraigada.

O subtítulo do seu livro é “como ser cristão e acreditar na evolução”. Mas não se “acredita” na evolução como se “acredita” em Deus, em anjos ou em Papai Noel…


Divulgação/HarperCollins

Divulgação/HarperCollins / Giberson acredita em uma evolução guiada, mas que Deus não interfere nos detalhes dos processos naturais.

Giberson acredita em uma evolução guiada, mas que Deus não interfere nos detalhes dos processos naturais.


Exato, e isso ressalta um aspecto muito importante desta controvérsia: que significado as pessoas pensam ver nas palavras que usamos? Muitas pessoas pensam que “evolução” significa “uma história ateísta sobre as origens”. Se perguntarmos a uma pessoa religiosa se ela acredita em evolução, muitos se sentirão levados a responder “claro que não!”

Mas há dois sentidos de “acreditar” que, para mim, são relevantes aqui. No sentido literal, quer dizer simplesmente “aceitar como verdadeiro”. Todos “acreditam” que dois mais dois são quatro. Esse sentido mais leve poderia se aplicar, penso eu, às pessoas que acreditam em Deus, mas para quem essa crença não tem consequências. Muitos deístas acreditam em Deus como acreditam nas leis da Física – há alguma coisa “lá fora” que existe, mas que efetivamente não significa nada de profundo para eles.

Mas há outro significado de “acreditar” que tem uma carga mais profunda. Minha crença em Deus tem implicações que minha crença na gravidade não tem. Mas eu acrescentaria que minha “crença” na evolução também me afeta em maneiras muito mais pessoais que a mera aceitação da teoria. Ela me leva a refletir sobre como eu me relaciono com os outros seres vivos, como eu me insiro na história natural do universo, como eu devo tratar os animais, o que eu deveria pensar sobre os primatas, e assim por diante. A evolução tem um poder transformador que muda a maneira como uma pessoa se relaciona com o mundo a seu redor – de formas que não se diferem muito da crença em Deus.

Uma

pesquisa recente

do Pew Forum apontou que 31% dos norte-americanos dizem que o homem e outros seres vivos foram criados exatamente como são, desde o início dos tempos; 32% dizem que eles evoluíram por processos naturais; e outros 22% falam em evolução “guiada por um ser supremo”. Isso é possível, ou o termo esconde visões como o Design Inteligente?

Uma “evolução guiada” é aceita por muitas pessoas, especialmente cristãos com conhecimento científico. Ela aparece sob nomes diversos, como “evolução teísta”, “criacionismo evolucionista”, ou “BioLogos”, o termo que usamos para nosso projeto (e que escolhemos para escapar da bagagem negativa que vem com o termo “evolução”).

Mas a ideia de que Deus guia a evolução é bem complexa. Para ela ser relevante, não podemos simplesmente pegar a versão secular da história e dizer “foi Deus quem fez”. É preciso fazer afirmações teologicamente sólidas sobre o que Deus fez ou está fazendo, e sobre como Ele está envolvido no processo.

Eu diria que nós, no BioLogos, defendemos uma versão limitada dessa “evolução guiada”. Nós acreditamos que ela é guiada no sentido de que o cenário como um todo está cumprindo as intenções do criador, mas, dentro dessa noção ampla, os detalhes incluem vários eventos aleatórios e contingentes.

Permita-me contar uma anedota para me fazer entender: quando ensino evolução a estudantes evangélicos no Eastern Nazarene College, eles normalmente se incomodam com a ideia de que Deus pode trabalhar de forma invisível através das leis naturais. Isso não se parece com o Deus bíblico que fala na sarça ardente, criou Eva tirando uma costela de Adão e fez chover fogo sobre Sodoma e Gomorra. Então eu pergunto aos alunos: “quantos de vocês creem que Deus os guiou até aqui?”, e muitos levantam as mãos. Em seguida pergunto “quantos de vocês foram guiados por meio de interrupções dramáticas e sobrenaturais do curso natural da vida?”, e ninguém levanta a mão.

A conclusão é óbvia: se Deus pode guiar pessoas através dos eventos corriqueiros do dia-a-dia, Ele pode guiar a história natural trabalhando por meio das leis da natureza. E aqui temos uma diferença fundamental em relação às alegações do Design Inteligente: não é necessário que Deus interrompa o curso natural das coisas para, de vez em quando, fazer diretamente parte do trabalho criativo. Em vez disso, temos um Deus que permeia todo o processo.

Além disso, o DI não é exatamente um ponto de vista particular. O saco de gatos deles é tão grande que inclui gente muito diferente: intervencionistas que aceitam a evolução desde que Deus dê as caras de tempos em tempos de forma detectável; criacionistas da Terra jovem; criacionistas da Terra antiga; e até gente que não crê em Deus. O livro de DI mais recente (Signature in the cell, de Stephen Meyer) diz que Deus criou a primeira célula, e daí em diante a seleção natural se encarregou do resto. É um tipo de “deísmo biológico”. O DI não passa de um movimento político em que antievolucionistas concordaram em deixar de lado suas divergências para combater a evolução. O caráter político do DI está se tornando cada vez mais evidente, e há sinais de que o movimento esteja perdendo força.

Mas se o processo evolucionário é movido a competição, seleção natural e mutações genéticas aleatórias, a “atividade criativa de Deus” não tem um papel pequeno demais para um ser todo-poderoso?

No fim das contas, precisamos olhar para a ciência. Parece mesmo que Deus está intervindo de formas dramáticas ao longo da história natural? Nós não podemos colocar Deus numa caixa feita de acordo com nosso interesse e insistir que Suas ações se conformem à nossa ideia de como Deus deveria se comportar.

Eu perguntaria, a quem prefere uma “presença” maior de Deus na história, de que modo eles procuram por Deus no mundo. Essas pessoas buscam um Deus das lacunas, que aparece naquilo que a ciência não explica? Ou buscam por Deus na grandeza de um pôr-do-sol, na nobreza de um voluntário de sopão, ou no sorriso de uma criança? Sem saber, nós aderimos à teologia de um Dawkins quando insistimos que Deus deve funcionar como um engenheiro cujas ações devem ser claramente identificadas pela ciência.

Seu livro relata casos de ridicularização dos criacionistas na mídia, como em episódios dosSimpsons, mas o senhor acredita que essa estratégia não é muito adequada para levar as pessoas a aceitar a evolução. Como, então, levar o público a ver a compatibilidade entre evolução e fé religiosa?

A chave, para a maioria, é desenvolver uma compreensão da Bíblia que vá além do que aprenderam no catecismo ou na escola dominical. O catecismo conta histórias sobre o Gênesis que são adequadas para crianças, mas depois ninguém revisita essas histórias para ajudar os jovens adultos a criar uma visão madura do Gênesis. Descobrir que o livro sagrado tem várias indicações de que não se trata de história literal é uma experiência libertadora para os cristãos. Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes, jardins mágicos e Deus “descendo do céu” para conversar com Adão e Eva diariamente. Mesmo os nomes dos personagens principais são pistas. A palavra hebraica para Adão significa apenas “homem”, e Eva significa “vida”. Pense numa história em português, ou inglês, sobre um casal chamado Homem e Vida num jardim mágico. Será que não entenderíamos imediatamente que não se trata de registro histórico?


Reprodução autorizada / The Brick Testament / www.thebricktestament.com

Reprodução autorizada / The Brick Testament / www.thebricktestament.com /

“Se nosso primeiro contato com a criação segundo o Gênesis ocorresse na vida adulta, não aceitaríamos tão rapidamente a literalidade das histórias de cobras falantes”


Também é importante – embora não tanto quanto a questão da Escritura – o fato de que existe uma montanha de evidências a favor da evolução. O mapeamento do genoma comprova sem sombra de dúvida que os humanos e outros primatas têm um ancestral comum. Apresentar essa evidência é muito importante para ajudar as pessoas a fazer essa transição.

O que funciona melhor para quem nega a evolução: mostrar a evidência favorável à evolução, apelando para a razão? Ou mostrar que a evolução não prejudica a crença em Deus, apelando para a religiosidade?

É fundamental proteger a religião dos supostos “ataques evolucionistas”. A maioria das pessoas está mais preocupada em estar de acordo com sua religião do que em estar cientificamente atualizadas. O problema no caso dos cristãos evangélicos, infelizmente, é que existem prateleiras sem fim de livros argumentando que a ciência comprova o criacionismo. Para a maioria das pessoas leigas no assunto, a batalha nem é entre ciência e religião, e sim entre “a ciência de que eu gosto” e “a ciência que ataca minha religião”.

No seu livro o senhor parece um tanto pessimista e desiludido sobre o rumo da discussão sobre a evolução, que deixou de ser uma busca pela verdade científica e se tornou uma guerra cultural, onde o que importa é desmoralizar o adversário. Nós realmente chegamos a um ponto sem volta?

Temo que sim. Algumas semanas atrás eu estava em um impressionante museu no Kentucky, mantido pelo

Answers in Genesis

, o maior e mais eficiente promotor do criacionismo de Terra jovem em todo o mundo. Eles têm uma livraria enorme e, enquanto eu a explorava, era esmagado pelo gigantismo do esforço feito para atacar a evolução. Havia centenas de livros, DVDs, material didático para todas as séries (até pré-escola), canecas, camisetas com mensagens antievolução… Answers in Genesis é uma máquina de propaganda multimilionária, com o propósito de convencer cristãos de que eles não devem acreditar em evolução. Eles têm revistas, um site cheio de informações, workshops, um time de “cientistas”, livros sem fim e muito mais. Tudo isso ruiria se eles se convencessem de que a evolução é real. Por outro lado, eu não consigo imaginar como fundamentalistas científicos como Richard Dawkins e Daniel Dennett fariam as pazes com fundamentalistas religiosos como Ken Ham, o chefe de Answers in Genesis.


Divulgação / Answers in Genesis

Divulgação / Answers in Genesis / Parte do Museu da Criação, mantido pela organização criacionista Answers in Genesis.

Parte do Museu da Criação, mantido pela organização criacionista Answers in Genesis.


Bento XVI, quando era cardeal, pediu que houvesse um debate honesto sobre a legitimidade das afirmações metafísicas feitas em nome da teoria de Darwin. Na sua opinião, cientistas como Dawkins “sequestraram” Darwin como fizeram os eugenistas descritos em seu livro?

Certamente Dawkins e o Novo Ateísmo sequestraram Darwin, e nós deixamos que eles dessem o tom do debate em termos de explicação científica, e não de Metafísica. A ciência leva crédito pelo que pode explicar, e Deus leva crédito pelo resto. Se Deus não é necessário para explicar o que a ciência vai desvendando, Ele não é mais necessário para nada. Nós deixamos um “antiteólogo”, Dawkins, nos dizer o que a Teologia pode ou não fazer.

Apesar de descrever o criacionismo como um fenômeno norte-americano, o senhor alerta que ele está se tornando global. De fato, um dos criacionistas mais famosos do mundo hoje é um muçulmano turco,

Harun Yahya

. É possível frear a expansão do criacionismo?

Se o criacionismo, profundamente hostil à ciência, conseguiu fincar raízes nos Estados Unidos na mesma década em que pusemos o homem na Lua, é impossível impedir que ele finque raízes num país como a Turquia. O criacionismo tem uma vantagem injusta sobre a ciência: ele continua reciclando qualquer alegação que funcione, ainda que já tenha sido refutada. Isso é tão prevalente que até Answers in Genesis tem uma página em seu site com argumentos antievolução que já foram rebatidos, mas muitos criacionistas não estão nem aí e continuam usando esses mesmos argumentos.

No caso de Harun Yahya nós podemos receber socorro de outra direção. Ele tem sido acusado de ligação com o crime organizado. Se ele fosse para a cadeia, a causa da ciência na Turquia ganharia tanto quanto ganhou nos Estados Unidos quando

Kent Hovind

(um criacionista da Terra jovem acusado de diversos crimes de ordem fiscal) foi preso.

2009 é o ano de Darwin, pelo bicentenário de seu nascimento e pelos 150 anos de A origem das espécies. Com o ano quase no fim, qual sua avaliação dos esforços feitos para contra-atacar os argumentos criacionistas e promover a conciliação entre religião e evolução?

Esse foi um ano interessante. Por um lado, o Novo Ateísmo dominou a agenda, alinhando-se tanto contra o criacionismo quanto contra a religião em geral. A reação por parte de pensadores religiosos consolidou a polarização, que provavelmente responderá pela parte mais ruidosa do debate nos próximos anos.

Mas, entre esses dois extremos, vozes moderadas se levantaram. Intelectuais agnósticos ou não-religiosos contestaram a posição ateísta de que “a religião é má e deve sumir”. Michael Ruse, Chris Mooney, Eugene Scott e outros afirmam que alienar as pessoas religiosas em nome da ciência só pioraria as coisas para a própria ciência ao alimentar o antievolucionismo. E também – e nisso eu tenho um papel relevante – houve o surgimento da Fundação BioLogos, criada por Francis Collins para incentivar a conciliação entre evolução e cristianismo. Apesar de – ou talvez por causa de – ser uma ponte entre ciência e fé, temos sido criticados pelos dois extremos, enfurecendo todo mundo, de Ken Ham (do Answers in Genesis) e Bill Dembski (do

Discovery Institute

, promotor do DI) até Sam Harris e Jerry Coyne, dois líderes do Novo Ateísmo.

A experiência do BioLogos tem sido estimulante. Somos a única voz dentro do cristianismo evangélico lutando pela harmonia entre ciência e fé – o que inclui, claro, a aceitação da evolução. Nós esperávamos ser um pequeno e solitário grupo que cresceria com o tempo, mas descobrimos que já existe um número considerável de cristãos, geralmente entre as camadas mais instruídas, que já compartilhavam da nossa posição, mas estavam marginalizados porque não havia quem os representasse em público. Nós estamos emergindo como o Flautista de Hamelin da Ciência, atraindo cristãos e conseguindo enorme apoio. Quase diariamente alguém nos manda um e-mail querendo saber como participar. Isso é encorajador e me faz pensar que talvez haja uma luz no fim deste longo túnel da anticiência.

Movimento Marina Silva

[email protected] Participante do Movimento Marina Silva,

Você já convidou as pessoas de sua lista de contatos a participar de nosso movimento?

Esta é a principal maneira para fazermos esta rede se expandir e ganhar força.

Elaboramos um esboço de texto-convite, para ajudar quem quiser colaborar desta forma.

Você pode enviar diretamente por e-mail ou também por meio do sistema do site, onde está escrito “chame + gente”.

Segue o texto abaixo. Vamos juntos construir um Brasil Democrático e Sustentável!!

abraços do grupo de animadores do Movimento

Caro amigo ou amiga,

Este convite é para que você conheça o Movimento Marina Silva, em prol da democracia com sustentabilidade, do qual participo.

É um movimento civil e suprapartidário, cuja ação central é incentivar a sociedade a manifestar o desejo de que Marina Silva seja candidata a Presidência da República, isto como estratégia de participação cidadã por uma nova civilização.

Nascido em 2007 e impulsionado por uma rede de jovens, hoje o movimento conta com mais de 10.000 integrantes de todos os estados, espalhados por mais de 100 municípios brasileiros.

Venha ver como você poderá somar-se à força ética, política, histórica e ecológica que Marina Silva representa para o as gerações presentes e futuras, visitando o site: www.movimentomarinasilva.org.br

Um abraço cheio de esperanças,

________

Visite MOVIMENTO MARINA SILVA em: http://www.movimentomarinasilva.org.br

Pareto, ateísmo científico e ética da ciência

Do livro O Beijo de Juliana:
Antes porém, uma citação (para desespero do Jean!). Mas espero que ele goste dessa, pois o overlap entre o Jean e o Pareto é muito grande:
No começo do século XIX a “força vital” explicava um número infinito de fatos biológicos. Os sociólogos contemporâneos explicam e demonstram uma infinidade de coisas pela intervenção da idéia de “progresso”. Os “direitos naturais” tiveram e continuam a ter grande importância na explicação dos fatos sociais. Para muitos que aprenderam como papagaios as teorias socialistas, o “capitalismo” explica tudo e é a causa de todos os males que se encontram na sociedade humana.

Outros falam da “terra livre”, que ninguém nunca viu; e contam-nos que todos os males da sociedade nasceram no dia em que “o homem foi separado dos meios de produção”. Em que momento? É isso que não se sabe; talvez no dia em que Pandora abriu sua caixa, ou, talvez, nos tempos em que os animais falavam.
Pareto, Manual de Economia Política, II.13 (1906).
Eu sei que tanto o Jean como o Richard concordam com o trecho acima. Agora vou mostrar que também o Noam (sim, o Noam!) e eu também aceitamos e defendemos inteiramente este ponto, e que este é nosso real ponto de concordância. Para entender onde é que todos concordamos basta continuar a leitura de Pareto:
Observamos que na vida social esse segundo gênero de ações (as ações não-lógicas) é bastante amplo e de grande importância. O que se chama de moral e costume depende inteiramente dele. Consta que até o momento nenhum povo teve uma moral científica ou experimental. As tentativas dos filósofos modernos para levar a moral a essa forma não lograram êxito; mas ainda que tivessem sido conclusivas, continuaria verdadeiro que elas dizem respeito a um número muito restrito de indivíduos e que a maior parte dos homens, quase todos, ignoram-na completamente.

Da mesma forma, assinala-se, de tempos em tempos, o caráter anticientífico, antiexperimental de tal ou qual costume; e isso pode ser a ocasião de bom número de produções literárias [em especial, posts em blogs científicos], mas não pode ter a menor influência sobre esses costumes, que só se transformam por razões inteiramente outras (II.18).

Os homens, e provavelmente também os animais que vivem em sociedade, têm certos sentimentos que, em certas circunstâncias, servem de norma às suas ações. Esses sentimentos do homem foram divididos em diversas classes, entre as quais devemos considerar aquelas chamadas: religião, moral, direito, costume. Não se pode, mesmo ainda hoje, marcar com precisão os limites dessas diferentes classes, e houve tempos em que todas as classes eram confundidas e formavam um conjunto mais ou menos homogêneo. Elas não possuem nenhuma realidade objetiva precisa e não são senão um produto de nosso espírito; torna-se, por isso, coisa vã pesquisar, por exemplo, o que é objetivamente a moral ou a justiça.

Entretanto, em todos os tempos, os homens raciocinaram como se a moral e a justiça tivessem existências próprias, atuando sob a influência dessa tendência, muito forte entre eles, que os faz atribuir um caráter objetivo aos fatos subjetivos, e dessa necessidade imperiosa que os faz recobrir de verniz lógico as relações de seus sentimentos. A maioria das disputas teológicas tem essa origem, assim como a idéia verdadeiramente monstruosa de uma religião científica.
ESTE PONTO TODOS NÓS ACEITAMOS! Na verdade, já o fizemos durante nosso debate sobre o Acaso e a Necessidade de Monod.
Mas talvez isto não tenha ficado claro para o Jean e o Richard. Tanto eu como o Noam acreditamos sinceramente que não se podem fundamentar atitudes morais a partir de fatos objetivos, e nisso estamos em pleno acordo com vocês. Assim, ao contrário do que acredita o Jean, eu não estou tentando criar uma religião científica quando discuto a emergência de cooperação via teoria de jogos Darwiniana ou que a diversidade cultural e de sistemas econômicos seja interessante porque faz parte de um algoritmo genético de busca num espaço de organizações sociais.
Se vocês pensaram isso, então não entenderam NADA do que estou tentando dizer. Deixe-me falar de novo, com todas as letras:
POSTURAS ÉTICAS E MORAIS NÃO PODEM SER DEDUZIDAS A PARTIR DA CIÊNCIA.
Tudo bem, estamos de acordo nisso? As atitudes morais não podem ser fundamentadas de maneira absoluta, não podem ter fundamentos seguros, e possivelmente qualquer tentativa de criar um sistema moral a partir da Lógica (como a tentativa de Spinoza) deverá estar sujeito ao Teorema de Gödel, ou seja, tais sistemas ou serão inconsistentes ou serão incompletos.
Os fundamentalistas não conseguem aceitar a falta de fundamentos. Eles acham que suas crenças e atitudes morais precisam ter fundamentos de granito. E ficam extremamente perturbados quando se mostra que não é possível encontrar fundamentos firmes (Hilbert era um fundamentalista na Matemática). É por isso que, geralmente, os fundamentalistas (quer sejam religiosos, ateístas, políticos ou científicos), quando percebem essa falta de fundamentos, tendem a se tornar apóstatas militantes (“eu era comunista, mas agora vi a Luz!”, dizem todos os ex-comunistas, “eu era pró-Ciência, mas agora vejo que os cientistas só fazem ciência irônica”, snif, snif, como confessou Horgam em o Fim da Ciência, após perceber a sobreposição entre ciência, religião e arte).
Em relação às atitudes morais, o fundamentalista e o niilista constituem os dois lados da mesma moeda, e freqüentemente um se converte no outro, como observei acima: ambos acreditam que, se não é possível fundamentar nossas crenças de forma absoluta, então as atitudes morais seriam totalmente relativas, arbitrárias, irrelevantes, uma ilusão e pura perda de tempo, quando não uma fumaça ideológica para encobrir interesses escusos. Acredito que as tendências niilistas de alguns de nós se devem a essa atitude fundamentalmente fundamentalista, desculpem o pleonasmo.
Mas, felizmente, não precisamos ser fundamentalistas. De novo, devemos afirmar: valores não podem ser fundamentados de forma absoluta. Valores como direitos humanos, justiça, liberdade, igualdade, democracia, direitos das mulheres, crianças, idosos, animais etc. não podem ser fundamentados em termos absolutos, ou seja, não se pode demonstrar sua validade racionalmente, não se pode “forçar as pessoas” a aceitá-los como se aceita o teorema de Pitágoras.
A única maneira que existe de forçar uma conclusão sem usar a força (mas lembremos que a não-violência e a tolerância também são valores não fundamentados!) é através da lógica e de demonstrações matemáticas, ou seja, usando a Razão (com R maiúsculo…). E não podemos fazer isso em relação a valores. Ponto final.
Neste caso, o que sobra? O cálculo de vantagens para o indivíduo? Ou seja, cada indivíduo deve fazer apenas o que lhe traz vantagens (pragmatismo individualista ou oportunismo)? Por exemplo, se um cientista, após alguns cálculos cuidadosos, concluir que lhe trará vantagens se ele falsificar dados ou roubar idéias dos outros, ele deverá fazê-lo pois essa seria a atitude mais racional a tomar? Puro cálculo de teoria de jogos? Se sim, porque não o fazemos todos? Apenas por temer as conseqüências? (ou seja, ainda levando em conta cálculos sobre vantagens e desvantagens?)
Se não fazemos isso, se tais atitudes não são aceitáveis para nós, então qual é afinal a diferença entre essa moral científica (“Não falsificarás seus resultados, não plagiarás as idéias do teu próximo, etc…”) e a moral que diz “Não usarás o teu conhecimento para fortalecer o forte que explora o fraco”? Eu acho que este é o ponto que o Noam gostaria de enfatizar. Admitir e valorizar algum tipo de comportamento moral (por exemplo, a honestidade intelectual e científica) e criticar outras atitudes por serem “apenas comportamentos morais culturalmente relativos que carecem de fundamento” é o cúmulo da hipocrisia…
Bom, então, se não queremos ser fundamentalistas nem oportunistas (notem, eu disse queremos, não disse devemos), quais são as opções que sobraram? Uma opção é eleger certos valores como axiomas, ou seja, pontos de partida não fundamentados. Não se pode, nem na matemática nem em atitudes morais, convencer ninguém que tais axiomas estão corretos ou deveriam ser aceitos universalmente: axiomas não se prestam a isso! Portanto, ao escolher axiomas morais (“valores”), podemos esquecer a questão de fundamentos e passar a derivar deles redes de teoremas, e brincar com elas, e mostrar que são bonitas ou interessantes, e usá-las em nossas vidas, e deitar sobre tais redes – para descansar, fazer amor, libertar os oprimidos ou brincar com crianças, o que seja.
Essa é a conclusão de Rubem Alves, e embora eu seja um discípulo renegado de Rubem Alves, neste ponto concordo inteiramente com ele! Bom, mas se os valores (exemplo, “igualdade entre as pessoas versus direitos de casta ou de classe”), direitos das pessoas (e dos animais, e de outras máquinas vivas) à vida e à liberdade etc., não podem ser fundamentados mas são escolhas livres (no mesmo sentido que as regras do xadrez ou os axiomas da geometria Euclidiana são escolhas livres, embora o que decorra daí em diante já não o seja), o que podemos fazer a partir desse ponto? Como seria possível a convivência humana, se valores fundamentais não podem ser objeto de diálogo e convencimento universal? Cairemos na barbárie, na guerra total de valores, ou no oportunismo pragmático (só tenho valores quando me interessam e me trazem vantagens…)?
Sim, isso é uma possibilidade. Foi isso o que reconheceram os nazistas, e também o anarquista Feyrabend (por sinal, ex-nazista [inspirado por Nietszche e que desejou na juventude pertencer às] SS, leiam sua biografia “Matando o tempo”): que sistemas de valores são incomensuráveis (não se pode fazer com que um sistema de valores suplante outro como a ciência de Einstein suplantou a de Newton), que não existem na “Realidade Objetiva” os Direitos Universais do Homem (desculpem, da Humanidade), tais direitos são sólidos como fumaça, que basicamente um sistema de valores vence devido ao uso da força bruta e da propaganda, não existem nem podem existir raciocínios universais para determinar o valor dos valores!
Então, estamos condenados às guerras religiosas e culturais, guerras de memes e de ideologias? Que vença, sempre, o mais forte? Sim, e não. Pois existe uma classe de sistemas de valores que, entre os seus axiomas incluem os seguintes:
Não pela força, nem pela violência, mas pelo meu Espírito, diz Yavhé (Judaismo).
Ouviste o que foi dito: “Amarás teu próximo e odiarás teu inimigo”. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; deste modo vos tornareis filhos do vosso Pai que está nos Céus, porque ele faz nascer o seu Sol igualmente sobre os maus e bons e cair a chuva sobre justos e injustos. Com efeito, se amais aos que vos amam, que recompensa tendes? E se saudais apenas os vossos irmãos, que fazeis de mais? (Cristianismo).
Eu posso discordar de todas as suas opiniões, mas defenderei até o fim o seu direito de dizê-las (Democracia Liberal).
Assim, se um dos valores fundamentais for a não-violência, o respeito à integridade das pessoas, etc. então não precisaremos cair na ditadura do mais forte, e um verdadeiro algoritmo genético de memes e organizações sociais pode se iniciar. Diga-se que judeus, cristãos, iluministas, democratas, socialistas e anarquistas romperam diversas vezes esse axioma, por uma infinidade de razões, em particular porque sempre existem os realistas pragmáticos (zelotes, jesuítas da Inquisição, jacobinos, Maquiavéis de plantão, falcões e tecnocratas militares, bolcheviques e anarco-terroristas) que defendem, no interior dessas comunidades, que tais valores de respeito aos adversários são utópicos, não realistas e que o melhor é adotar posições de força realistas e pragmáticas que trazem vantagens a curto prazo (70 anos, por exemplo, no caso da URSS…).
Porém, se não é possível usar a Razão, e um dos valores axiomáticos adotados autolimita o uso da violência, como poderemos disseminar ou pelo menos defender os valores que valorizamos? (Se não estamos dispostos a defendê-los, então é porque não são realmente valores para nós). Bom, a resposta inicial de Rubem Alves (antes dele começar a namorar Nietzsche e achar que uma solução poderia ser a força…) era: pela sedução! Assim como na Matemática, podemos levar outras pessoas a apreciarem nossos valores axiomáticos mostrando como nossas redes de memes podem ser bonitas, interessantes, úteis em certas circunstâncias, libertadoras. A beleza é fundamental.
Assim, existe certa parcela da Humanidade que, na hora de defender seus memes, renuncia à propaganda enganosa, à violência ou mesmo à Razão (pois tentar disseminar valores usando a Razão consiste naquela monstruosidade da religião científica descrita por Pareto!). Vivas então à não-violência e à sedução! O valor da não-violência permite que a guerra entre os valores (que precisa ser feita, pois os valores dos fortes não são idênticos aos valores dos fracos) não implique em eliminação arbitrária ou intimidação dos oponentes, que é o mínimo a ser admitido para a
convivência social.
Poderíamos dizer, num tom reconhecidamente machista (que as feministas não me leiam!), que os fundamentalistas querem fazer sexo usando as ameaças do inferno, os iluministas radicais querem provar usando a Razão que a mulher deve fazer sexo com eles, os comunistas fazem sexo usando o estupro (vulgo ditadura do proletariado) enquanto que os capitalistas compram esse sexo com suas “vantagens econômicas de consumo”, prostituindo a consciência de todos – inclusive a dos cientistas “moralmente neutros”.
Mas talvez uma alternativa mais satisfatória seria o estabelecer da utopia pelo aprendizado da sedução (que Freud explique essa minha analogia entre sexo e utopia…. risos).
Physics is like sex: sure, it may give some practical results, but that’s not why we do it. – Richard Feynman.
A ciência é meio indispensável para que sonhos sejam realizados. Sem a ciência não se pode plantar nem cuidar do jardim. Mas há algo que a ciência não pode fazer: ela não é capaz de fazer os homens desejarem plantar jardins – Rubem Alves.
O cientista não estuda a Natureza porque ela é útil, ele a estuda porque ela é bela e ele se delicia com ela. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena estudá-lo. Se o mundo não fosse belo, não valeria a pena viver – Henry Poincaré.

Sobre Antônio Vieira e Natalie Portman

Por puro acaso encontrei o livro “História do Futuro” (1718) do padre Antônio Vieira em um CD com 1300 livros sem copyright que comprei para ajudar Mariana no vestibular.
Fiquei interessado especialmente pelo título (dei uma lida na introdução) porque, se o que a introdução promete se concretizar, então talvez este seja o primeiro exemplo de Proto-Ficção Científica Histórica (FCH, tipo The Shape of Things to Come (1933) de H. G. Wells – o livro, não o filme) escrito no Brasil (supondo que tenha sido escrito no Brasil em vez de Portugal!).
É interessante que o texto é contemporâneo aos textos de Isaac Newton sobre profecias bíblicas, versando sobre os mesmos assuntos (os tais quatro impérios históricos, o surgimento de um quinto império temporal que seria a contraparte do Reino de Deus espiritual – um tema caro ao Socialismo do século XIX e à Teologia da Libertação). Talvez seja uma tese defensável de que tanto textos do gênero de Utopia socio-política (que irão inspirar o ideario socialista) quanto a FC história tenham tido origem na abundante literatura sobre profecias bíblicas produzida no século XVIII tanto por escritores como por proto-cientistas, e onde o “Reino de Deus” configura o ideal utópico.
Alguns fatos encontrados na biografia da Wikipedia de Vieira me animam a considerá-lo um precursor de Richard Dawkins em terras tupiniquins (isso mesmo, embora os discipulos de RD irão me crucificar por esta frase!). Explico: Vieira é um intelectual com visões politicamente liberais (para a época), cuja luta se centra na defesa dos direitos dos índios Tapuias (e na defesa teológica de que eles não seriam ofensores de Deus mas sim tinham absoluta (“invencível”) ignorância de Deus, e que portanto, não poderiam receber condenação eterna mas apenas condenação temporária (essa tese sua recebe condenação da Inquisição).
Vieira também se destaca na crítica ao anti-semitismo e perseguição aos cristãos-novos, e no combate à Inquisição Portuguesa (uma das mais violentas da Europa, tendo sido condenado várias vezes pela mesma). É um intelectual versado em ciência, lógica e matemática, que usa como ferramenta principal argumentos racionais e é um escritor profícuo…
O fato de Dawkins ser ateu e Vieira um teólogo parece ser, comparado com as outras similariedades, uma diferença histórica acidental, digamos assim. Para ilustrar melhor meu ponto (o de que as posições políticas são mais importantes do que a dicotomia simplista teísmo-ateísmo), proponho o seguinte experimento mental:
Quem você escolheria para ficar em uma ilha deserta após um acidente de avião?
1. Richard Dawkins.
2. Marina Silva.
3. Tom Cruise, mesmo ele sendo Cientologista.
4. Natalie Portman, mesmo no caso em que ela fosse evangélica (ela não é!).
Eu fico com a opção 4, não precisei pensar cinco segundos! E vocês?
Respondam nos comentários…

António Vieira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

António Vieira
António Vieira
Retrato do Padre António Vieira, de autor desconhecido do início do século XVIII.
Nascimento 6 de fevereiro de 608
Lisboa
Morte 18 de Julho de 1697
Bahia
Nacionalidade Bandeira de Portugal português
Ocupação religioso, escritor e orador

António Vieira (Lisboa, 6 de fevereiro de 1608Bahia, 18 de Julho de 1697) foi um religioso, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Era por eles chamado de “Paiaçu” (Grande Padre/Pai, em tupi).

António Vieira defendeu também os judeus, a abolição da distinção entre cristãos-novos (judeus convertidos, perseguidos à época pela Inquisição) e cristãos-velhos (os católicos tradicionais), e a abolição da escravatura. Criticou ainda severamente os sacerdotes da sua época e a própria Inquisição.

Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e português. As universidades frequentemente exigem sua leitura.

Índice

[esconder]

[editar]Biografia

Nascido em lar humilde, na Rua do Cónego, perto da Sé, em Lisboa, foi o primogênito de quatro filhos de Cristóvão Vieira Ravasco, de origemalentejana cuja mãe era filha de uma mulata ou africana, e de Maria de Azevedo, lisboeta. Cristóvão serviu na Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição. Mudou-se para o Brasil em 1614, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na Bahia, mandando vir a família em 1618.

[editar]No Brasil

António Vieira chegou à Bahia com seis anos de idade. Fez os primeiros estudos no Colégio dos Jesuítas em Salvador, onde, principiando com dificuldades, veio a tornar-se brilhante aluno. Ingressou na Companhia de Jesus como noviço em maio de 1623 [ou seja, com 15 anos de idade. Gênio precoce?]

Em 1624, quando na invasão holandesa de Salvador, refugiou-se no interior da capitania, onde se iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois tomou os votos de castidade, pobreza e obediência, abandonando o noviciado. Prosseguiu os seus estudos em Teologia, tendo estudado ainda Lógica, Metafísica e Matemática, obtendo o mestrado em Artes. Foi professor de Retórica em Olinda, ordenando-se sacerdote em 1634. Nesta época já era conhecido pelos seus primeiros sermões, tendo fama de notável pregador.

Quando da segunda invasão holandesa ao Nordeste do Brasil (16301654), defendeu que Portugal entregasse a região aos Países Baixos, pois gastava dez vezes mais com sua manutenção e defesa do que o que obtinha em contrapartida, além do fato de que os Países Baixos eram um inimigo militarmente muito superior à época. Quando eclodiu uma disputa entre Dominicanos (membros da Inquisição) e Jesuítas (catequistas), Vieira, defensor dos judeus, caiu em desgraça, enfraquecido pela derrota de sua posição quanto à questão da Região Nordeste do Brasil.

[editar]Em Portugal

Após a Restauração da Independência (1640), em 1641 regressou a Lisboa iniciando uma carreira diplomática, pois integrava a missão que ia ao Reino prestar obediência ao novo monarca. Sobressaindo pela vivacidade de espírito e como orador, conquistou a amizade e a confiança deJoão IV de Portugal, sendo por ele nomeado pregador régio. Ainda como diplomata, foi enviado em 1646 aos Países Baixos para negociar a devolução do Nordeste do Brasil, e, no ano seguinte, à França. Caloroso adepto de obter para a Coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com o Santo Ofício, mas viu fundada a Companhia Geral do Comércio do Brasil. O pai, antes pobre, foi nomeado pensionista real.

[editar]No Brasil, outra vez

Em Portugal havia quem não gostasse de suas pregações em favor dos judeus. Após tempos conturbados acabou voltando ao Brasil, de 1652a 1661, missionário no Maranhão e no Grão-Pará, sempre defendendo a liberdade dos índios.

Diz o Padre Serafim Leite em “Novas Cartas Jesuíticas”, Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1940, página 12, que Vieira tem “para o norte do Brasil, de formação tardia, só no século XVII, papel idêntico ao dos primeiros jesuítas no centro e no sul», na «defesa dos Indios e crítica de costumes”. “Manoel da Nóbrega e António Vieira são, efectivamente, os mais altos representantes, no Brasil, do criticismo colonial. Viam justo – e clamavam!”

[editar]Naufrágio nos Açores

Em 1654, pouco depois de proferir o célebre “Sermão de Santo António aos Peixes” em São Luís, no Estado do Maranhão, o padre António Vieira partiu para Lisboa, junto com dois companheiros, a bordo de um navio da Companhia de Comércio, carregado de açúcar. Tinha como missão defender junto ao monarca os direitos dos indígenas escravizados, contra a cobiça dos colonos portugueses. Após cerca de dois meses de viagem, já à vista da ilha do Corvo, a Oeste dos Açores, abateu-se sobre a embarcação uma violenta tempestade. Mesmo recolhidas as velas, à exceção do traquete, correndo o navio à capa, uma rajada mais forte arrancou esta vela, fazendo a embarcação adernar a estibordo. Em pleno mar revolto, na iminência do naufrágio, o padre concedeu a todos absolvição geral, bradando aos ventos:

Anjos da guarda das almas do Maranhão, lembrai-vos que vai este navio buscar o remédio e salvação delas. Fazei agora o que podeis e deveis, não a nós, que o não merecemos, mas àquelas tão desamparadas almas, que tendes a vosso cargo; olhai que aqui se perdem connosco.

Após essa exortação, obteve de todos a bordo um voto a Nossa Senhora de que lhe rezariam um terço todos os dias, caso escapassem à morte iminente. Ainda por um quarto de hora o navio permaneceu adernado até que os mastros se partiram. Com o peso da carga, estivada até às escotilhas, o navio voltou à posição normal, permanecendo à deriva, ao sabor dos elementos.

Nesse transe uma outra embarcação foi avistada, mas sem que prestasse qualquer auxílio. Ao cair da noite a mesma retornou, mas tratava-se de um corsário neerlandês que recolheu os náufragos a bordo e pilhou a embarcação à deriva, que acabou por ser afundada. Nove dias mais tarde, quarenta e um portugueses, despojados de seus pertences pessoais, foram desembarcados na Graciosa, onde o padre António Vieira, com o auxílio dos religiosos da Companhia de Jesus, procurou providenciar-lhes roupas, calçado e dinheiro durante os dois meses que permaneceram na ilha. Dali, também, creditou Jerónimo Nunes da Costa para que este fosse a Amesterdão resgatar os papéis e livros que lhe haviam sido tomados pelos corsários, o que se acredita tenha sido cumprido uma vez que dispomos hoje de cerca de duzentos sermões (este naufrágio é relatado no vigésimo-sexto) e cerca de 500 cartas do religioso, muitas das quais anteriores ao naufrágio.

O grupo passou em seguida à Ilha Terceira, onde Vieira obteve o aprestamento de uma embarcação para que os seus companheiros de infortúnio pudessem seguir para Lisboa. Instalado no Colégio dos Jesuítas em Angra, ele aqui permaneceu mais algum tempo, tendo instituído a devoção do terço, que pela primeira vez foi cantado na Ermida da Boa Nova. Entre os sermões que pregou em diversos locais da ilha, destacou-se o que proferiu na Igreja da Sé, na Festa do Rosário, celebrada anualmente a 7 de Outubro, com aquele templo repleto.

Uma semana mais tarde, Vieira passou à Ilha de São Miguel, onde proferiu o sermão de Santa Teresa, um dos mais destacados de sua autoria. Dali partiu para Lisboa, a bordo de um navio inglês, a 24 de Outubro. Após atravessar nova tempestade, o religioso chegou finalmente ao destino, em Novembro de 1654. [Idéia: um paper a ser escrito: a influencia na história humana do Caos Determinista e do Acaso presentes na Meteorologia, com exemplos como o desvio da frota de Cabral, os grandes personagens históricos mortos precocemente em naufrágios, o efeito de invernos intensos durante as guerras (Napoleão, Hitler etc).]

[editar]Em Portugal, outra vez

Voltou para a Europa com a morte de D. João IV, tornando-se confessor da Regente, D. Luísa de Gusmão. Com a morte de D. Afonso VI, Vieira não encontrou apoio.

Abraçou a profecia sebastiana e por isso entrou de novo em conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Expulso de Lisboa, desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667 foi condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.

[editar]Em Roma

Seguiu para Roma, de 1669 a 1675. Encontrou o Papa às portas da morte, mas deslumbrou a Cúria com seus discursos e sermões. Com apoios poderosos, renovou a luta contra a Inquisição, cuja atuação considerava nefasta para o equilíbrio da sociedade portuguesa. Obteve um breve pontifício que o tornava apenas dependente do Tribunal romano.

[editar]Em Portugal

Regressou a Lisboa seguro de não ser mais importunado. Quando, em 1671, uma nova expulsão dos judeus foi promovida, novamente os defendeu. Mas o Príncipe Regente passara a protetor do Santo Ofício e o recebeu friamente. Em 1675, absolvido pela Inquisição, voltou para Lisboa por ordem de D. Pedro, mas afastou-se dos negócios públicos.

[editar]No Brasil, pela última vez

Decidiu voltar outra vez para o Brasil, em 1681. Dedicou-se à tarefa de continuar a coligir seus escritos, visando à edição completa em 16 volumes dos seus Sermões, iniciada em 1679, e à conclusão da Clavis Prophetarum. Possuía cerca de 500 Cartas que foram publicadas em 3 volumes. Suas obras começaram a ser publicadas na Europa, onde foram elogiadas até pela Inquisição. [Como se mede o índice de produtividade de um cara como esse? Receberia ele a bolsa PQ do CNPq?]

Já velho e doente, teve que espalhar circulares sobre a sua saúde para poder manter em dia a sua vasta correspondência. Em 1694, já não conseguia escrever de próprio punho. Em 10 de junho começou a agonia, perdeu a voz, silenciaram-se seus discursos. Morre a 18 de julho de 1697, com 89 anos.

Um Diogo Mainardi Católico?

Roque e eu discutimos sobre a possibilidade de uma mesa redonda sobre ciência, anticiência, ateísmo e religião, ou algo do tipo, a ser promovida na Ex-Capela da USP de Ribeirão, atual Espaço Cultural (o lugar pode ser descrito pela sigla EC, que lembra “Era Comum”).
Para defender a posição do ateísmo clássico e do neo-ateísmo já tinhamos alguns nomes, bem como alguns humanistas do Romantismo Anticientífico (tipo Rubem Alves ou talvez gente da Contracultura) . Acho que agora achei, por puro acaso, um cara interessante para se convidar, o Luciano Henrique, do blog Neo-Ateísmo – Um Delírio:

Uma pessoa que é fã da aplicação do método científico para resolução de problemas corporativos, e especialista em ceticismo empresarial, suportado por frameworks de governança e auditoria. Também é um debatedor com especialidade na aplicação do ceticismo para desmascarar charlatães como Richard Dawkins, Daniel Dennett e Christopher Hitchers, além de seus seguidores. Este blog é dedicado a este tipo de escritos.

Embora eu não tenha examinado o blog com muito cuidado, achei muito divertido. Luciano é uma espécie de Diogo Mainardi católico conservador: anti-petista, anti-esquerdista, cético do neo-ateísmo mas com cultura filosófica e histórica razoável. Um exemplo de sua prosa:

Técnica que está atualmente virando moda entre alguns neo-ateus do mercado. Em especial, Bart Erhman, Hector Avalos e Dan Barker.

A idéia deles é afirmarem que foram ex-religiosos, talvez com o objetivo de que suas declarações anti-religião adquiram maior respaldo por sua experiência.

O problema é que tal alegação só seria aceita se os interlocutores não fossem nem um pouco céticos, pois a declaração de que alguém viveu uma experiência não implica em que a descrição da experiência é a real. [N.E. – Detalhe: é exatamente esse um dos principais princípios que eles usam para negar a religião]

Por exemplo, imaginem alguém que tenha tido um casamento e saiu do mesmo, alegando decepção, e decidiu daí para frente viver solteiro.

Seria esta pessoa a mais ideal para definir como é o casamento? Claro que não.

Da mesma forma, imaginem alguém que resolveu ser gerente de projetos, e depois abandonou a profissão, indo para uma área totalmente diferente.

Seria esta a pessoa a mais ideal para definir como é a gestão de projetos? Novamente, claro que não.

Não que a experiência em si deva ser descartada, mas é possível que esteja maquiada por experiências desalentadoras, em muitos casos amostras não representativas.

Como agravante, ainda existe o problema de que a declaração é uma evidência anedota.

Por exemplo, eu já fui ateu. Mas não saio declarando coisas contra o ateísmo especificamente por causa disso. Justamente pelo meu treino em ceticismo, que automaticamente sinaliza que a evidência não serve. O máximo que eu poderia descrever seria minha experiência com o ateísmo, e não o ateísmo em si. Só que qualquer um poderia dizer que minha experiência com o ateísmo “não é amostra representativa”, e, portanto, descartá-la.

Aparentemente, para pessoas facilmente sugestionáveis, o estratagema obtém algum efeito. Não é raro algum neo ateu chegar e afirmar “ohhh… ele já foi religioso, portanto ele pode criticar com propriedade”.

Existe até a variação em que o próprio neo ateu declara ele próprio ter sido religioso, e, assim como os autores já citados, provavelmente tenta obter o mesmo efeito psicológico sobre pessoas pouco céticas.

O detalhe é que, somando-se os dois fatores (evidência anedota + declaração com viés), qualquer declaração deste tipo tem valor nulo em termos de evidência.

Refutação

Basta explicar para a pessoa que tal tipo de declaração é apenas evidência anedota, e, para piorar, é uma declaração com viés. Existem duas situações relevantes:

(1) Debatendo com um neo ateu educado e respeitoso

Neste caso, a reciprocidade recomenda que orientemos o neo ateu em relação ao seu erro. Como exemplo:

  • NEO-ATEU: Já fui religioso, e a experiência não foi nada agradável.
  • REFUTADOR: Talvez para você. É sua opinião, claro, mas não reflete a religião.

[E daí por diante, respeitosamente, seguir o diálogo]

(2) Debatendo com um neo ateu arrogante e desafiador

Nessa situação, a melhor alternativa é desafiar o neo ateu da mesma forma. Veja:

  • NEO-ATEU: Estou aqui para desmascarar essa coisa nojenta chamada religião. E olhem: já fui religioso (!!!). [N.E. – Nesse momento, caso o debate seja público, talvez a platéia faça um som similar a “oohhhh”, que aparenta um golpe quase letal aplicado pelo neo ateu no debate]
  • REFUTADOR: Você apenas afirma que foi religioso. Mas não prova. Portanto, isso que você afirmou não vale nada. É apenas uma anedota.
  • NEO-ATEU: Como você ousa duvidar de mim? Eu posso provar com fotos que já fui religioso.
  • REFUTADOR: Mesmo que você mostre fotos mostrando que já foi religioso, isso ainda não provaria muitas de suas declarações quanto à religião. Pode ser que você não tenha tido experiências negativas, mas esteja MENTINDO dizendo que teve experiências negativas. De novo, é evidência anedota. Vale tanto quanto um peido.[N.E. – Nesse estágio, o “golpe letal” do neo ateu já foi reduzido a pó]

[E assim, sucessivamente, sempre colocando o neo ateu em seu devido lugar]

Conclusão

Uma das mais eficientes maneiras de se derrubar um adversário em um duelo cético, conforme já mostrado pelo estrategista cético James Randi, é expor ao público que o adversário não possui nada além de evidências anedotas em sua declaração. Curiosamente, esse estratagema de declarar em público ter tido um passado religioso, para em seguida ofender a religião, não passa também de uma estratégia principalmente focada em evidência anedota. Portanto, pode ser tratada exatamente da mesma maneira que se trata a história do caseiro do sítio que alega ter visto um lobisomem ou a mula sem cabeça. É o ceticismo simples e direto.

Acho que a mesa redonda pode ser um pinga-fogo muito interessante…

SEMCIÊNCIA: Ciência, Cultura, Política e Religião

Natalie Portman faz viagem à África para conhecer como vivem os gorilas

A atriz gravou um especial para a TV em Ruanda

Respondendo a alguns amigos blogueiros:

none disse…

Mas digamos que haja um blogue de um religioso militante favorável às ciências – e que, sendo um tipo de anti-Dawkins, argumente que não é que a ciência é compatível com a religião, nem mesmo apenas que a ciência seja incompatível com o ateísmo e a falta de religião, mas sim que o conhecimento científico determina que os indivíduos sigam uma dada religião (uma tradicional ou uma nova). (Estou pensando em um exemplo bem específico e real – mas que não está na forma de blogue ainda.)

Esse blogue tem lugar no ABC?

“que o conhecimento científico determina que os indivíduos sigam uma dada religião (uma tradicional ou uma nova”)


Takata, é difícil acreditar que alguém razoável faça este tipo de afirmação. Por exemplo, não conheço nenhum teólogo que a faça, nem mesmo os criacionistas mais radicais a fazem. Assim, se você não citar o seu exemplo específico, fica difícil julgar.

Se um blog fizer tal afirmativa, ou seja, identificar uma religião como sendo científica (isso pode ocorrer no caso do Espiritismo, no caso da New Age, na Cientologia e talvez no caso do Criacionismo Bíblico), então tal blog será considerado pseudo-científico, pela definição adotada por nós: crença pseudo-científica é uma crença que afirma ser científica quando ainda não levou em conta de forma razoável as objeções da comunidade científica internacional.

Exemplo: Um blog sobre Supercordas é elegível para o ABC, pois embora não satisfaça alguns critérios de cientificidade (por exemplo, o critério de Popper de testabilidade para ciências naturais), satisfaz outros como:

1. Riqueza de resultados matemáticos (ou seja, é uma ciência formal),

2. Tentativa honesta de, em algum limite, compatibilizar os resultados com o conhecimento vigente, e responder aos argumentos contrários sem apelar a soluções ad hoc.

3. Esforço consistente para responder aos cientistas céticos em relação à esta abordagem.

4. Não “fugir da raia” apelando a teorias conspiratórias para explicar porque os cientistas não reconhecem aquele campo como ciência.

5. Minimização de uso de argumentos logicamente falaciosos e estatística mal trabalhada.

Creio que os blogs espíritas, new age, de criacionismo bíblico apresentam problemas nos itens 2, 3, 4, 5 (eles não têm obrigação de satisfazer o item1, claro!).

Os blogs de Desígnio Inteligente apresentam problemas nos itens 4 e 5.

Os blogs de Ufologia apresentam problemas nos itens 2, 3 e 4.

Lembremos também, que o Portal ABC é financiado pelo CNPq e visa criar uma interface entre blogueiros de ciência vinculados à comunidade científica (pesquisadores, professores, estudantes e cientistas amadores) e o público geral da internet. Nessa comunidade, os fenômenos paranormais, as religiões tradicioanais e as novas religiões são discutidos basicamente enquanto fenômenos culturais, de um ponto de vista academico, com bastante isenção jornalísstica, não de um ponto de vista de adeptos (crentes) religiosos, mesmo quando alguns blogueiros são religiosos assumidos (como é o caso de Reinaldo Lopes, do João Carlos e alguns outros, e mesmo de alguns fãs de ficção científica teológica como eu – acredito que a Bíblia é um interessante livro de FC).

Quanto a ser anti-Dawkins, bom, eu conheço vários ateus e agnósticos anti-Dawkins, o nosso amigo ainda não foi canonizado nem o livro o Delírio de Deus se tornou palavra sagrada para os ateus (embora seu número de páginas dá quase igual ao do Novo Testamento). Assim, ser anti-Dawkins não inviabiliza um blog para o ABC. Lembremos de novo que o portal ABC corresponde à blogosfera científica, onde muitos cientistas são religiosos, e não à blogosfera ateísta (onde muitos nem são cientistas).

Se alguém quiser fazer um projeto do CNPq para financiamento de um portal de ateismo, secularismo, racionalismo e humanismo ou qualquer outro ismo, eu desejo boa sorte, mas duvido que o CNPq vai gastar dinheiro com isso… Nem nas Ciências Humanas dar verba pública para isso seria admissível..

Creio que a resposta a essa pergunta ajude a pensar no destino de blogues do que você chama de ateísmo científico.
(Não estava falando em política sentido geral, mas sim em política *partidária*. Mas estava só zoando tb.)

O meu blog é de Ciência, Cultura e Política, como também é (ou deveriam ser) os blogs do Science Blogs Brasil. A Política partidária entra quando se discute propostas concretas, partidárias, discute temas ligados à educação, meio-ambiente, economia sustentável, relação entre ciência e religião, educação religiosa versus educação laica, etc. Pois o que nos afeta diretamente a nossa vida (na universidade, na ciência e tecnologia, na saúde, na educação) não são exatamente as politicas em geral, suprapartidárias, mas as politicas com p minúsculo, partidárias sim: Pró-Uni, criação de universidades Federais, ENEN, cotas, próximo ministro de C&T, política do etanol, do pré-sal, metas de redução de emissão de carbono etc…

Se for para dar minha opinião – que não vale nada – e se for para listar blogues de ateísmo, eu sou a favor de que se separem.
E, tendo que se refira ao Gene Repórter (ou mesmo a outros blogues meus – que não estão no ABC), seria mesmo uma supresa se se encaixasse em um “ateísmo científico”: se não por outra coisa, pelo fato de (acho que já tive algumas oportunidades de esclarecer este ponto) eu *não* ser ateu.

[]s, Roberto Takata 9:40 PM, Outubro 29, 2009

Os blogs de ateísmo filosófico, como os blogs dedicados a Nietzsche, que é um ícone do movimento de anti-cienência, podem ser colocados na categoria de Humanidades – embora essa categoria esteja meio deslocada no Anel de Blogs Científicos e talvez venha ser eliminada no futuro: afinal, chamar um cara de Humanidades de “cientista” é tido como uma “ofensa positivista”.


Os blogs de ateísmo científico são mais problemáticos. Até agora, têm sido colocados na seção de blogs de “Ciência Geral”, mas na verdade, seus propósitos, comunidade, objetivos, tipo de argumentação, estilo de linguagem (por exemplo, uso de piadas anti-semitas), uso de teorias conspiratórias como fator explicativo tipo “tal fato não é reconhecido por causa de uma conspiração dos religiosos”) etc. parecem configurar uma blogosfera a parte (sociologicamente parecida com a blogosfera do movimento New Age).

No entanto, ao contrário da Blogosfera New Age, que é pseudocientífica pelos nossos critérios – de novo, por não aceitar o grosso da visão científica da comunidade internacional) – os blogs de ateísmo científico aceitam e divulgam conhecimento científico. Sendo assim, são elegíveis para o ABC. Nossa intenção em promover uma categoria própria para os blogs ateus e céticos não é segregá-los, mas evitar uma confusão para o leitor em relação aos blogs da categoria de “Ciência Geral, ou seja, blogs que discutem ciência-cultura-política de maneira multidisciplinar”.

luisbr disse…

É um problema que surge quando queremos transformar um blog (semi-)pessoal em uma plataforma de divulgação da ciência. A mistura vai vazar em algum ponto. É o que está ocorrendo com o ´Semciencia´, toda hora aparece um post sobre a Marina Silva. Chato até o osso.
Sempre volto aqui para ler os textos sobre CIÊNCIA. 😉

Luis, você em parte está correto. Mas só em parte.

A maior parte dos posts sobre a Marina Silva tem a ver com a questão da relação entre ciência, ateísmo científico, religião e política. Ou seja, a questão científica ficou importante politicamente quando as pessoas dizem que Marina não é boa candidata por ser religiosa ou até mesmo “criacionista” (o que é falso e foi desmentido por ela, a menos que você redefina “criacionismo”). Como ela é a minha candidata, essas inverdades e meias-verdades me incomodam, especialmente quando vindas de blogueiros científicos, que deveriam ser mais cultos e informados.
Ou seja, tanto o ateísmo científico quanto a candidatura de Marina e sua repercussão para as questões da economia de baixo carbono, meio ambiente, e relações entre ciência e religião são temas relevantes atualmente – não para um blog jornalistico ciências como o Gluon Blog, talvez, mas certamente para um blog de colunismo científico opinativo como é o SEMCIÊNCIA.
Devemos lembrar também que o SEMCIÊNCIA segue o lema do SBB: ele trata de Ciência, Cultura e Política, e não apenas de Ciência!
Um blog mais comportado, com ênfase em ciência e mais apolítico, e sem foto da Natalie Portman nua, é o Senciência com “n” do WordPress (blog do mesmo autor deste e candidato ao SBB):
Dê uma olhada:
http://senciencia.wordpress.com

Ateísmo e Divulgação Científica

Continuando a série de posts sobre a questão do Paradoxo PZMyers (ou seja, que o blog de divulgação científica mais visitado no Science Blogs americano não tem como foco a divulgação científica strictu sensu mas sim a crítica da religião e a defesa do ateísmo científico), coloco aqui parte do texto de André Dispore Cancian (espero que não tenha copyright!) e uma referência dada pela blogueira Luciana do Serpsico:

Vc viu a carta em que Einstein diz que é ateu? Vc é confuso diz que é agnóstico outra hora que é ateu, na minha opinião acreditar que um universo cria universos bebês e o nosso é um deles é o mesmo que ser ateu, agnóstico seria se vc pensasse que seria impossível compreender esse universo mãe, mas vc diz que ele é da mesma natureza do nosso portanto compreensível onde está o agnóstico nisso e deus onde está?

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/05/080513_einsteinreligiao_ba.shtml

“Os fundamentos do ateísmo“, de André Díspore Cancian

Os fundamentos do ateísmo

Esse deus, que só habita os recônditos de nossa ignorância, é tipicamente alcunhado “Deus das lacunas”, pois só sobrevive por entre as sombras do desconhecido. A atitude de responder uma pergunta se valendo de um mistério, na realidade, não explica coisa alguma.

André Díspore Cancian

“Por simples bom senso, não acredito em Deus. Em nenhum.” (Charles Chaplin)

Etimologicamente, a palavra ateu é formada pelo prefixo a – que denota ausência – e pelo radical grego theós – que significa Deus, divindade ou teísmo. Ou seja, a palavra ateu pode significar sem deus ou sem teísmo. Como a imprecisão desse primeiro significado o torna impróprio para representar a noção de descrença ateística, usa-se como base a acepção teísmo, que significa crença na existência de algum tipo de deus ou deuses de natureza pessoal [André enfatizou que ateísmo está relacionado a negação da idéia de “deuses de natureza pessoal”. Isso talvez não seja consensual para outros ateus. Com essa definição, o Deísmo = “crença em um deus não pessoal” fica sem contraponto ou conceito antônimo, e precisaríamos definir agora o neologismo “Adeísmo” …] Neste caso, chegamos a uma definição mais coerente e clara de indivíduo ateu – aquele que não acredita na existência de qualquer deus ou deuses [de natureza pessoal]. Assim, quando queremos uma palavra que representa tal perspectiva, usamos o termo ateu ligado ao sufixo ismo, que, na língua portuguesa, é usado com o significado de doutrina, escola, teoria ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. E, deste modo, chegamos a uma definição bastante nítida do que é ateísmo: estado de ausência de crença na existência de qualquer deus ou deuses [de natureza pessoal].

Antes de tudo, é importante salientar que, comumente, a maioria dos ateus, quando se refere à sua posição, diz apenas que não acredita em deus/deuses. Isso não está incorreto, mas, na verdade, com isso quer dizer que não acredita na existência de deus/deuses [enquanto mentes físicas ou suprafísicas. O Ateísta acredita na existência de deus/deuses enquanto fenomenos antropológicos e memes culturais]. Afirmar apenas “não acredito em Deus” pode dar margem à interpretação errônea de que a pessoa em questão acredita em sua existência, mas é contra Deus, contra seus mandamentos, ou então que não lhe dá qualquer crédito, o desacredita, o difama, fato este que, não raro, dá origem a vários preconceitos em relação à posição ateísta [Exato: teístas que apenas acreditam em Deus mas não seguem seus mandamentos – especialmente o mandamento da justiça para os oprimidos – são chamado na Bíblia de “Filhos de Satanás”, em vez de ateus, com a ênfase de que Satanás crê em (acredita na existência de) Deus. Ou seja, basicamente, um católico ou evangélico que apóia ditaduras, torturas e mesmo um capitalismo selvagem, é um satanista, não um ateísta. Já um ateu pode apoiar ditaduras e opressões sem problema de consciência algum, pois o ateísmo não é uma filosofia de vida que propõe princípios morais ou políticos. Se fosse, seria uma espécie de religião secular ou científica]. Esclarecido este ponto, vejamos quais são os tipos de ateísmo existentes.

Há várias modalidades de ateísmo, as quais diferem fundamentalmente quanto à atitude do indivíduo para com a ideia de uma divindade. Vale lembrar que tais classificações são meramente didáticas, feitas apenas para delinear as circunstâncias mais comuns em que oateísmo pode ser encontrado. As duas modalidades-tronco são: 1.0) – ateísmo implícito; 2.0) –ateísmo explícito. A primeira, filosoficamente, é pouco relevante, e subdivide-se em: 1.1) –ateísmo puro; 1.2) – ateísmo prático. A segunda subdivide-se em outras duas variedades que são comumente denominadas: 2.1) – ateísmo passivo ou ateísmo cético; 2.2) – ateísmo ativo ouateísmo crítico.

1.0) – O ateísmo implícito, como o próprio nome indica, é a variedade de ateísmo que existe tacitamente. Neste caso, o ateísmo não se fundamenta na rejeição consciente e deliberada da ideia de deus, baseada em conceitos filosóficos e/ou científicos, mas simplesmente existe enquanto um estilo de vida que não leva em consideração a hipótese da existência de algum deus para se guiar. O ateísmo implícito pode ser dividido em ateísmo puro e ateísmo prático.

1.1) – O ateísmo puro é o estado de ausência de crença devido à ignorância ou à incapacidade intelectual para posicionar-se ante a noção da existência de uma divindade. Nesta categoria entram todos os indivíduos que nunca tiveram contato com a ideia de um deus; por exemplo, alguma tribo, grupo ou povo que se encontre isolado da civilização e que seja alheio à ideia de um deus. Também se enquadram nesta categoria os indivíduos incapazes de conceber a ideia de um deus – seja isto por imaturidade intelectual ou por deficiências mentais; por exemplo, poderíamos citar crianças de pouca idade; pessoas que sofrem de alguma enfermidade mental incapacitante também se enquadram nesta categoria. [Todos os animais que não tem nenhum tipo de comportamento religioso são ateus puros. A possível exceção são os elefantes – se os relatos de que fazem cerimônias fúnebres for verdadeiro.]

1.2) – O ateísmo prático enquadra aqueles que tiveram contato com a ideia de deus, ou seja, que conhecem as teorias sobre as divindades, mas não tomam qualquer atitude no sentido de negá-la, rejeitá-la ou afirmá-la, permanecendo, deste modo, neutros sobre o assunto. Os integrantes desta categoria comumente se classificam como agnósticos, isto é, aqueles que julgam impossível saber com certeza se há ou não uma divindade. Sob esta ótica, devido a essa impossibilidade, afirmam que seria inútil qualquer esforço intelectual no sentido de comprovar ou refutar a existência de um deus. Qualquer pessoa que tem conhecimento da existência das religiões e de suas teorias, mas vive sem se preocupar se há ou não algum deus ou julga impossível sabê-lo com certeza, sem rejeitar ou afirmar explicitamente a ideia de deus, é classificada como pertencente ao ateísmo prático. [Exemplo: aquelas pessoas que você pergunta se são atéias e elas respodem: “Não, na verdade eu sou atoa…”.]

2.0) – O ateísmo explícito é a rejeição consciente da ideia de deus. A causa desta rejeição frequentemente é fruto de uma deliberação filosófica; contudo, não é possível fazer qualquer espécie de generalização quanto à causa específica da descrença, pois cada pessoa julga individualmente quais razões são válidas ou inválidas para corroborar ou refutar a ideia da existência de um deus. O ateísmo explícito pode ser dividido em duas outras categorias.

2.1) – O ateísmo passivo ou cético é a descrença na existência de deus(es) devido à ausência de evidências em seu favor. Esta variedade também pode ser encontrada sob a denominação de “posição cética padrão”, pois reflete um dos axiomas mais fundamentais do pensamento cético, que é: não devemos aceitar uma proposição como verdadeira se não tivermos motivos para fazê-lo; ou, em sua versão lacônica: sem evidência, sem crença [Como eu já discorri longamente em postagens anteriores, a posição cética padrão é boa filosofia para ´ceticos e filósofos, mas não é um bom conselho para jovens cientistas: todo cientista tem que “acreditar” em suas idéias – no sentido de gastar tempo e esforço com elas, não exatamente no sentido de crença filosófica. E isso deve acontecer mesmo se as evidências não forem suficientes (ainda). Obter essas evidências (a seu favor ou a favor de sua escola de pensamento) e derrotar as evidências contrárias das hipóteses ou teorias concorrentes é o trabalho do dia a dia do cientista. Mas para isso é preciso muita perseverança, muita fé e crença, mais emocional do que intelectual, em suas idéias…]. O ateu desta categoria limita-se a encontrar motivos para justificar sua rejeição da ideia de deus, por vezes esforçando-se em demonstrar por que as supostas provas da existência divina são inválidas, mas sem se preocupar com a negação da possibilidade da existência de um deus.

2.2) – O ateísmo ativo ou crítico é a variedade mais difícil de ser defendida, pois é uma descrença que envolve a negação da possibilidade da existência de um deus. Os ateus desta categoria tipicamente se intitulam racionalistas e seguem o princípio de que o ataque é a melhor defesa. Ou seja, literalmente atacam a ideia de deus, evidenciando as contradições e as incongruências presentes neste conceito, empenhando-se em demonstrar, através de argumentos racionais, por que a existência de um deus – como definido pelas religiões – é logicamente impossível. [Este é o tipo de ateísmo mais radical que apresenta, a meu ver, conflitos com os objetivos da divulgação científica padrão- aquela financiada pelas agências de fomento].
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À primeira vista, talvez pareça que tais definições são demasiado singelas para serem capazes de abarcar todas as possibilidades, mas não são. Isso porque a posição ateísta, em si mesma, não é positiva, não possui qualquer conteú
do, pois não representa algo, mas apenas a ausência de algo [o ateísmo crítico quase viola isso, pois afirmativas gerais de impossibilidade são científicas e “positivas”: ver, por exemplo, a formulação da segunda lei da termodinâmica como “É impossível construir um moto-perpétuo do qual possa se extrair trabalho líquido por ciclo”. ]; em suas categorias mais elaboradas, o ateísmo é uma ausência vinculada a uma rejeição ou a uma negação de algo largamente aceito, que, no caso, é o teísmo, em suas variadas formas.


Deste modo, a definição de ateísmo não subentende qualquer espécie de descrição prática do indivíduo. Nesta classificação, aquilo que os ateus fazem de suas vidas não é levado em consideração absolutamente. Ao contrário de outros ismos – como cristianismo, judaísmo, espiritismo, xintoísmo, hinduísmo, islamismo –, o ateísmo não é um estilo de vida nem uma doutrina dotada de um corpo de conhecimentos ou princípios [ou seja, não é equivalente às escolas filosófico-políticas do secularismo ou do humanismo secular, que possuem valores e princípios], mas somente uma classificação acerca do posicionamento ou estado intelectual do indivíduo em relação à ideia de deus. Portanto, o ateísmo não possui natureza análoga às religiões teístas [ou mesmo às religiões não-teístas, deistas, panteístas, panenteístas e mesmo religiões ateístas].

Uma vez que o ateísmo é apenas uma classificação – e não uma doutrina ou uma cosmovisão –, logicamente não incorpora qualquer espécie de valores, princípios morais ou noções de ética. É exatamente devido a esse fato que muitos indivíduos, inadvertidamente, classificam os ateus como imorais [Exato: o ateísmo não é imoral, ele é “amoral”. Ateus, enquanto indivíduos, podem ser imorais, amorais ou morais. O mesmo acontece com os religiosos: hoje, o número de religiosos imorais ou amorais supera o de religiosos morais provavelmente numa proporção de dez para um]. Deve ficar claro, entretanto, que a ausência de um conjunto de valores morais, na verdade, refere-se somente ao ateísmo em si mesmo, de modo que, na prática, isso não implica qualquer incompatibilidade entre os dois absolutamente.


(Como o texto é longo, vou comentando-o em pequenos posts, OK?)

Minha resposta para Luciana, do Serpsico:

Lu,


Eu acho que minha crença num possivel Universo-Mae é uma especie de terceira via:

1. Para o Ateismo, não apenas a ausencia de Deus, mas a ausencia de sentido, de proposito, a questao da origem da vida e do universo por puro acaso, é importante, é enfatizada.

2. No meu caso, na ideia do Demiurgo, embora ele possa ter criado o universo por acaso, pode tambem ter criado propositalmente. Ou seja, nosso universo nao teria sido fruto do puro acaso, a vida e a complexidade deste universo estavam previstas desde o Big Bang, e este Universo teria um proposito: gerar novas civilizações, novas mentes, um novo universo-mae, que geraria novos universos-bebes. Logo, na visão do Demiurgo, que nao é o Deus Cristao, existe proposito e planejamento na formação do Universo-Bebe.

3. Entretanto, isto é apenas uma possibilidade teórica. Ou seja, eu não posso afirmar que “SEI” isso, é apenas uma hipótese. E, atualmente, não é possivel demonstrar que o Demiurgo existe, é uma hipótese filosofica, assim como o Atomismo era uma hipotese filosofica até meados do seculo XIX.

Portanto, dado que não posso afirmar que o Demiurgo (o Universo-Mãe) existe, e não posso afirmar que nao-existe, dado que no presente momento não sei e não posso saber isso cientificamente, considero que este estado de agnose pode ser descrito como sendo um agnosticismo. Eu tenho uma crença numa possibilidade teorica da Cosmologia Moderna, mas isso não equivale a saber (ou a não saber). Ou seja = Agnosticismo!

Osame

Sobre o Demiurgo.

Aborto: um passo por vez

Alguns leitores me perguntaram minha opinião sobre a questão do aborto. Isso é motivado por alguns dados novos no cenário político-cultural, a saber:
1. Minha candidata, Marina Silva, não tem uma posição pró-choice na questão.
2. Os petistas Luis Bassuma e Henrique Afonso sofreram sanções do PT por defender uma posição similar à de Marina Silva. Ver blog de Henrique Afonso aqui.
3. Muitas pessoas progressistas socialmente, feministas etc. (exemplo, meu irmão Marcelo R. Kinouchi) estão em dúvida na questão do aborto. Explico: historicamente falando, a esquerda tem batalhado para ampliar a defesa dos direitos daqueles que não têm voz nem direitos. Assim, primeiro se defendeu os “direitos” (que não são direitos de pessoas jurídicas na época, elas nem eram consideradas “pessoas humanas integrais”) dos escravos, dos negros, dos trabalhadores, das mulheres, dos índios, dos portadores de deficiências físicas, dos pacientes psiquiátricos, dos portadores de Síndrome de Down e outras formas de deficiência mental, das crianças, dos idosos e, mais recentemente, de seres não-humanos como grandes macacos, mamíferos sociais, animais de laboratório etc.
Ou seja, a flecha política da esquerda sempre apontou para a ampliação dos direitos e defesa dos (assim considerados em uma dada época) “sub-humanos” e “não-humanos”, ou pelo menos, de pessoas que não cidadãos em termos plenos, juridicamente falando. Assim, o argumento de que o feto ainda não é uma pessoa humana não é um argumento válido para certas pessoas, por exemplo os vegetarianos que não comem camarão e os budistas que não pisam em formigas.
4. Parece ser contraditório que eu defenda ativamente os supostos “direitos animais” de cefalópodes e outros invertebrados e, ao mesmo tempo, fique quieto em relação aos fetos, que são vertebrados. O argumento de que o feto não é independente da mãe não se sustenta (no meu caso dos “direitos animais”, uma vez que neste caso a mãe faz o papel de aquário para o cefalópode: o cefalópode também não tem a menor chance de sobrevivência fora do aquário.) OK, OK, estas considerações precisam ser melhoradas, mas vocês pegaram o espírito da coisa…
5. O debate sobre o aborto é, em grande parte, um debate importado dos EUA. Naquele país, configurou-se que o aborto é defendido pelos liberais e combatido pelos conservadores. Mas isso, em grande parte, é um acidente histórico. Em uma situação outra, é possível que os conservadores defendessem o aborto como prática eugenista e os liberais combatessem o aborto a fim de dar voz aos que não tem voz (os fetos).
Eu sou a favor do aborto porque acho que, na situação atual brasileira, é o menor dos males. Meninas e mulheres estão morrendo em clínicas de aborto clandestinas, as crianças indesejadas acabam sofrendo todo tipo de privação e abuso etc. Mas defender o “menor dos males” não é uma situação muito confortavel. Eu preferia defender algo mais alinhado com as outras causas ideológicas que defendo. E eu não tenho certeza se a questão do aborto é consensual mesmo entre as feministas petistas, quanto mais entre as feministas em geral ou entre as mulheres em geral.
Além disso, “a situação atual brasileira” pode mudar radicalmente (vide a queda avassaladora da taxa de fertilidade das brasileiras – os atuais 1,8% nas mulheres jovens – que irá trazer graves danos demográficos e econômicos para nosso futuro). Ou seja, defender o aborto como uma escolha individual da mulher é uma coisa, defender a legalização do aborto como uma boa política de combate ao crime ou controle populacional, pelo fato de que o aborto diminui o número de jovens favelados (como se faz no livro Freaknomics), é outra bem diferente…
Mas acho que o tema merece um debate maior, menos polarizado, quem sabe com um passo por vez. Por exemplo, acho que se poderia discutir proveitosamente a questão da “pílula do dia seguinte”. Tais pílulas poderiam ser disponibilizadas melhor nas farmácias, ONGs feministas poderiam dá-las de graça às meninas (e não precisa ser no dia seguinte, claro!), assim como dão camisinhas e contraceptivos na época de Carnaval.
Em vez de fazer a pergunta genérica e capciosa “Você é a favor ou contra o aborto?”, “Você é pró-Vida” ou “Pró-Choice”, que tal perguntarmos: quais seriam as consequencias sociais, éticas e demográficas da liberação sem receita médica da pílula do dia seguinte? Acho que é uma questão mais simples, mais tratável. Em questões delicadas como o aborto, que tal darmos um passo por vez? Afinal, a tecnologia disponível em uma sociedade tipo GATTACA será realidade dentro de 20 anos ou menos… Eu eu não gostaria que as mulheres, por questão de mercado, abortassem seus fetos que tem potencial para se tornarem cientistas ou nerds, e escolhessem sempre fetos mais parecidos com o Brad Pitt…
PS: Idéias Cretinas discute a questão ética relacionada ao aumento de abortos de fetos com Síndrome de Down na Inglaterra e País de Gales. Ver aqui.

PS: O fato de Carl Sagan ter defendido o aborto no contexto norte-americano não implica que todo blogueiro de ciências progressista deveria fazer o mesmo. Existem ateus que são contra a legalização do aborto e existem religiosos a favor da legalização do aborto (por exemplo o Bispo Macedo da Igreja Universal é a favor da legalização do aborto, você sabia?)
oOo
Da Wikipedia:

Freakonomics

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

O livro Freakonomics – O lado oculto e inesperado de tudo que nos afeta é uma coletânea de estudos do economista Steven Levitt, Ph.D. pelo MIT, em parceria com o jornalista Stephen J. Dubner. A obra defende teses polêmicas, entre elas a de que a legalização do abortoseria a grande responsável pela redução das taxas de criminalidade em Nova Iorque.

O próprio nome Freakonomics – que quer dizer algo como “economia excêntrica”, segundo a responsável pela tradução da obra – contribui para que o livro mostre a que veio. Levitt tem uma linha de pensamento diferente da maioria dos economistas e, apesar de em Freakonomics ele seguir uma tendência tradicional atualmente em Economia – a de aplicar princípios econômicos às mais variadas situações da vida cotidiana – o livro não fica limitado a isso.

Situações cotidianas são confrontadas pelos autores, e idéias simples, convenientes e confortadoras, tidas como verdadeiras pela sociedade, são postas em dúvida.

No primeiro capítulo, as origens da corrupção são discutidas. No segundo, os autores debatem problemas decorrentes de assimetria de informação. No terceiro, levanta-se uma outra questão: por que os traficantes de drogas, apesar de estarem em uma atividade altamente rentável, ainda têm um baixo padrão de vida?

O quarto capítulo é o mais polêmico: é o que defende a tese de que o aborto legalizado seria o grande responsável pela diminuição da criminalidade em Nova Iorque, e não fatores como a existência de uma economia mais forte, o aumento do número de policiais, a implementação de estratégias policiais inovadoras ou as mudanças no mercado de drogas. Os autores argumentam que filhos indesejados teriam maior probabilidade de se tornarem criminosos, pelas condições precárias de vida a que estariam sujeitos durante sua criação.

[editar]Críticas sobre a teoria do Aborto

A teoria sobre o aborto, por tratar de um tema tão delicado, é constantemente alvo de críticas. Levitt não se esquiva delas e sempre responde: “Eu penso que é exatamente assim que a ciência deve trabalhar, com teorias controversas sendo cutucadas e instigadas a provar sua robustez”.

Levitt faz questão de deixar claro que não faz nenhum tipo de julgamento de valor a respeito da questão. Seu trabalho é desenvolvido do ponto de vista de um pesquisador que apenas tenta explicar os fenômenos que observa.

As críticas mais importantes ao seu trabalho vieram de outros cientistas:

Christopher Foote e seu assistente Christopher Goetz, dois economistas da Federal Reserve de Boston apontaram um erro relacionado aos dados utilizados, referentes ao número de prisões efetuadas no período estudado. O fato de Levitt ter usado o número total de prisões realizadas, ao invés do número de prisões per capita supervalorizaria a influência do aborto. Levitt, em tempo, reconheceu o erro e ajustou suas equações para os novos valores. Isto, porém, não reduziu tão drasticamente a influência do aborto: apesar de menor, continua existindo e é estatisticamente importante na redução da criminalidade.

Em Março de 2006 foi realizada uma conferência no American Enterprise Institute for Public Policy Research com Christopher Foote, John Donohue (co-autor do artigo científico de Levitt sobre o impacto da legalização do aborto na redução do crime) e outros economistas e cientistas a respeito deste trabalho.

[editar]Ligações externas

    Divulgação Científica e Ateísmo Científico

    Uma das diferenças entre jornalismo científico e blogs de ciência é que nos últimos, por serem o análogo de colunas de opinião (e editoriais!), o lado ideológico da ciência se manifesta de maneira mais clara.
    Um exemplo é dado pelo Paradoxo PZMyers, que o Carlos Hotta comentou no último EWCLiPo mas infelizmente não teve tempo de desenvolver: o paradoxo é que o blog de ciência mais influente, visitado e comentado do Science Blogs americano não trata prioritariamente de ciência, mas sim de uma ideologia (o ateísmo científico).
    A questão da influência (positiva ou negativa) do ateísmo científico na divulgação científica precisa ser melhor discutida na comunidade. O cerne do problema é que AC e DC apresentam, muitas vezes, propósitos e interesses diversos, algumas vezes conflitivos e mesmo antagônicos. Vejamos:
    Entre os propósitos da divulgação científica (DC), temos:
    1. Apresentar a ciência de modo interessante e atraente ao público leigo.
    2. Aumentar o suporte que a sociedade em geral dá à ciência, ou seja, criar um clima de simpatia da sociedade frente à ciência.
    3. Despertar novas vocações científicas.
    4. Aumentar a cultura científica da população em geral.
    5. Complementar a educação científica dada pelas escolas.
    (esta lista não é exaustiva)
    Entre os propósitos do ateísmo científico (AT), temos:
    1. Promover uma transição de uma cultura pré-científica para uma cultura científica (seguindo uma visão positivista de “estágios de evolução social” tipo mítico-religioso-filósófico-científico).
    2. Defender os direitos dos ateus e agnósticos em sociedades primariamente religiosas.
    3. Defender o estado laico.
    4. Defender a educação laica.
    5. Aprofundar o processo de secularização social.
    6. Combater crenças pseudocientíficas.
    7. Combater crenças religiosas.
    8. Diminuir a influência política e social das Igrejas e da religião em geral.
    (esta lista também não é exaustiva)
    Acredito que o paradoxo PZMyers tem a ver com tais listas de objetivos: existe pouca superposição entre os objetivos, a lista de prioridades é diferente, existe pouca sinergia entre eles. Por exemplo, um combate ativo de crenças religiosas (objetivo da AC, ilustrado pela figura deste post) pode ser deletério para a criação de um clima de simpatia social para com a ciência e os cientistas (objetivo da DC), ao afirmar que todas as pessoas não-atéias são estúpidas.
    Então eu faço a pergunta para os meus amigos blogueiros de ciência: este problema está claro para você? O seu blog é de divulgação científica ou de ateísmo científico? Você defenderia o AT mesmo na hipótese de que isso fosse bastante deletério politicamente para a DC? Quais são suas prioridades?
    No entedimento de que o ateísmo científico (notem que existem ateísmos não-científicos, como em Nietszche e ateísmos pseudocientíficos como em Stalin!) e o movimento cético etc não podem ser reduzidos a componentes puramente científicos mas possuem fortes componentes filosóficos, políticos e ideológicos, estaremos criando em breve uma nova categoria de blogs no Portal ABC.
    Para esta categoria estamos procurando um nome com menos preconceito social do que “Ateísmo científico”. Algumas sugestões mais neutras seriam: “Ciência e Cultura”, “Humanismo Secular”, ou “Ceticismo Científico”. Se você tem idéia para nomes melhores, por favor faça sua sugestão aqui ou no próprio ABC.
    Esta nova categoria formaria uma pequena blogosfera onde os objetivos comuns estão arrolados na lista AT acima, mais do que na lista DC. Esperamos assim contribuir para uma interação maior entre este tipo de blogueiros científicos.

    Sheldon é ateu?


    Sim, de volta ao CTRL-C CTRL-V, pois tenho que preparar a prova de Estatística para Pedagogia…

    Acho que este post está relacionado ao post sobre se o ateísmo e o autismo teriam como fator comum uma mutação no gene DUF1220.

    As correlações neuronais da crença religiosa e não religiosa

    Postado por Ricardo Silvestre em 04/10/09 • Na categoria Ciência

    Este é um resumo (muito resumido) do artigo publicado pelo grupo da UCLA (University of California in Los Angeles) liderado por Sam Harris.

    O artigo é muito interessante, mas seria uma tarefa enorme estar a traduzir todas as partes. Fica aqui parte da discussão. Para ver o artigo na totalidade, visitar aqui.

    “Cerca de um século de sondagens mostra que 70 a 85% dos Americanos professam não apenas uma crença num Deus genérico, como inclusive crença em proposições religiosas muito específicas: a Bíblia é a palavra de Deus, Jesus Cristo irá retornar à terra no futuro, Satanás existe e faz as pessoas praticarem o mal, que orações podem ser respondidas, etc.

    Bloom e col apresentaram o conceito de “senso comum dualista” –  o que quer dizer que podemos estar de maneira inata inclinados para ver a mente como uma parte distinta do corpo, e que imaginamos a existência de mentes em acção fora do corpo que as retém. Isto poderá significar que podemos ter relações com amigos já falecidos ou com familiares, que podemos antecipar a nossa sobrevivência à morte, e que geralmente pode-se pensar nas pessoas como tendo almas imortais.

    Devido ao facto de as nossas mentes terem evoluído para detectar padrões no mundo, podemos detectar padrões que não existem na verdade – desde ver faces nas nuvens até à mão do divino em acção na Natureza.

    Estudos recentes para compreender as correlações neuronais entre crenças religiosas sofreram com o facto de não terem um grupo de controlo de pessoas não religiosas, ou não foram desenhados para isolar as variáveis das crenças. Para investigar as correlações neuronais da crença tanto para religiosos como para não religiosos, perguntámos a Cristãos e a não crentes para avaliar um certo número de afirmações enquanto se encontravam numa máquina de ressonância magnética.

    O nosso trabalho sugere que o cérebro humano pode ter diferentes estados cognitivos, que podem ser observados com neuroimagética funcional, e que estão intimamente ligados a redes neuronais ligadas a centros de auto-representação e de recompensa. Apesar das vastas diferenças nos mecanismos de processamento cerebral para pessoas com maneiras de pensar religiosas e não religiosas, a distinção entre acreditar e não acreditar numa proposição parece transcender conteúdos.

    Estes resultados podem ser aplicados em muitas situações – desde a neuropsicologia da religião, até ao uso de “detecção de crenças” como um substituto de “detecção de mentiras”, até ao entendimento de como a prática de ciência, assim como o desenvolvimento de afirmações que traduzem o mundo real, podem emergir da biologia do cérebro humano.

    De qualquer modo, estas investigações podem também aprofundar a nossa compreensão de como o cérebro aceita, como válidos, pressupostos de todos os tipos para a descrição do mundo.

    Deus não criou Céu e Terra, diz pesquisadora

    Em uma Lan House, Rua Boulevard com Copacabana…
    “No princípio, Deus criou os Céus e a Terra” seria uma afirmação incorreta de acordo com o estudo de uma pesquisadora holandesa.
    Ao contrário do que possa parecer, Ellen Van de Wolde, que explicou hoje sua tese na Universidade de Radbound, não é uma bióloga a favor teoria da evolução tentando argumentar contra o criacionismo.”
    A professora que refuta as primeiras palavras da Gênesis ensina e pesquisa o Velho testamento e textos fonte do judaísmo na universidade. Para ela, houve um erro de tradução e interpretação da Bíblia.
    Após uma análise do texto original hebraico, levando em conta seu contexto, ela afirma que a palavra “bara”, que é usada na primeira frase do Gênesis, não significaria “criar”, mas sim “separar”, de forma que o Velho Testamento começaria com: “No princípio, Deus separou os Céus da Terra”.
    “Na sua interpretação, o Gênesis não fala sobre o princípio absoluto do tempo, mas sim do início de um determinado ato – o que significa que o início da Bíblia não é o princípio de tudo, mas o de uma narrativa.”

    Todo cético é um anticientista?


    Não, nem todos. Embora a maior parte dos céticos filosóficos tenham posturas anticientíficas, existe um movimento de céticos científicos, ou seja, céticos em relação às crenças não-científicas, mas não em relação às crenças científicas.
    Algumas crenças defendidas por alguns cientistas e que não podem ser justificadas cientificamente:
    1. Que no longo prazo a atividade científica e a tecnologia baseada na ciência será benéfica à humanidade e não produzirá meios de aniquilação ou colapso da civilização;
    2. Que todos os fenômenos do universo são inteligíveis racionalmente pelo cérebro humano atual (que é fruto de uma evolução biológica bem particular).
    3. Que a capacidade de auto-correção da ciência realmente tem poder suficiente para ultrapassar barreiras, inércia e tendenciosidades de cunho sociológico dentro da comunidade científica.
    4. Que fazer ciência vale a pena enquanto projeto de vida pessoal do cientista.
    5. Que o processo de inferência estatística é um método adequado de obter conhecimento, ou seja, que se os métodos de inferência funcionaram bem no passado, eles continuarão a funcionar bem no futuro (isso é uma inferência, e você não pode usar inferências para justificar a validade do processo de inferência).
    6. Que, a teoria fundamental da física é única e que o método experimental é capaz de determinar sua unicidade (ou seja, que achar a TOE não é um problema NP-completo).
    7. Que o melhor caminho para o desenvolvimento da ciência é evitar fazer afirmações sobre objetos ou processos não acessíveis experimentalmente (por exemplo, evitar trabalhar com a idéia de Multiverso etc).
    8. Que o conhecimento científico revela a beleza (ou a feiura) do universo.
    9. Que o conhecimento científico demonstra que o universo não tem sentido.
    10. E outras coisinhas mais…
    Todas essas crenças são filosóficas mas não tem base científica.
    Se você tiver, enquanto cientista, outras crenças que você reconhece que não são científicas, escreva aí nos comentários.
    Mas se você quiser conhecer a relação entre ceticismo e anticiência, dê uma olhada da página da Wikipédia correspondente.
    Antiscience

    Scientism

    Antiscience is a position critical of science and the scientific method. People holding antiscientific views are generally skeptical that science is anobjective method, as it purports to be, or that it generates universal knowledge. They also contend that scientific reductionism in particular is an inherently limited means to reach understanding of the complex world we live in. Antiscience proponents also criticize what they perceive as the unquestioned privilege, power and influence science seems to wield in society, industry and politics; they object to what they regard as an arrogant or closed-minded attitude amongst scientists.[1] Antiscience can refer both to the New Age and postmodernist movements associated with the political Left, and to socially conservative and fundamentalist movements associated with the political Right.



    Um exemplo de ceticismo anticientífico:


    Feyrabend (Wikipedia):

    Baseado nestes argumentos, Feyerabend defendeu a idéia de que a ciência deve ser separada do estado da mesma maneira que a religião é separada na moderna sociedade secular. Ele vislumbrou uma “sociedade livre” na qual “todas as tradições têm iguais direitos e igual acesso aos centros de poder”. Por exemplo, os pais devem ser capazes de determinar o contexto ideológico da educação de seus filhos, em vez de terem suas opções limitadas pelos padrões científicos. De acordo com Feyerabend, a ciência deve também estar sujeita ao controle democrático: não apenas determinar que assuntos devem ser pesquisados através de eleição popular, as suposições e conclusões científicas também devem ser supervisionadas por comitês de pessoas leigas. Segundo ele os cidadãos devem utilizar seus próprios princípios ao tomar decisões a respeito do que realmente importa. Em sua opinião, a idéia de que as decisões devam ser racionalistas é elitista, pois assume que filósofos ou cientistas estão em posição de determinar os critérios pelos quais as pessoas em geral devem tomar suas decisões.

    Para endender a Ciência, um matemático substitui um biólogo

    Marcus du Sautoy

    From Wikipedia, the free encyclopedia

    Marcus Peter Francis du Sautoy

    Born
    26 August 1965 (1965-08-26) (age 44)[1][2]London, England

    Doctoral advisor
    Daniel Segal

    Notable awards
    Berwick Prize (2001)

    Marcus Peter Francis du Sautoy (born 26 August 1965) is a Professor of Mathematics at the University of Oxford. Formerly a Fellow of All Souls College, and Wadham College, he is now a Fellow of New College. He is currently an EPSRC Senior Media Fellow and was previously a Royal Society University Research Fellow. His academic work concerns mainly group theory and number theory. In October 2008, he was appointed to the Simonyi Professorship for the Public Understanding of Science, succeeding Richard Dawkins.[3]

    He is known for his work popularizing mathematics. He has been named by The Independent on Sunday as one of the UK’s leading scientists. In 2001 he won the Berwick Prize of the London Mathematical Society, which is awarded every two years to reward the best mathematical research by a mathematician under forty. He writes for The Times and The Guardian and has appeared several times on BBC Radio 4 and television. He presented the television programme, Mind Games, on BBC Four. He has also written numerous academic articles and books on mathematics, the most recent being Finding Moonshine.

    Du Sautoy is a supporter of Common Hope, an organisation that helps people in Guatemala.[4]

    Biography

    He grew up in Henley-on-Thames and was educated at local comprehensives Gillott’s School and King James’s College (VI Form, now Henley College) and Wadham College, Oxford where he obtained first class honours in Mathematics. He currently lives in London with his wife and three children. He plays football and the trumpet.
    In March, 2006, his article Prime Numbers Get Hitched was published on Seed Magazine‘s website.[5] In it he explained how the number 42, mentioned in The Hitchhiker’s Guide to the Galaxy as the answer to everything, is related to the Riemann zeta function. He has also published an article in the scientific magazine New Scientist.
    In December 2006 du Sautoy delivered the 2006 Royal Institution Christmas Lectures under the collective title The Num8er My5teries. This was only the third time the subject of the lectures had been mathematics — on the first occasion in 1978, when the lecture was delivered by Erik Christopher Zeeman, du Sautoy had been a schoolboy in the audience. The venue for the 2006 Christmas Lectures was the Institution of Engineering and Technology‘s headquarters at Savoy Place, London.

    Wikinews has related news: Wikinews interviews English mathematician Marcus du Sautoy

    Du Sautoy is an atheist, but has stated that as holder of the Charles Simonyi Chair for the Public Understanding of Science his focus is going to be “very much on the science and less on religion.”[6] He has described his own religion as being “Arsenal – football.”[7]
    PS: Esta última observação parece ser uma referência velada à atuação controversa de Richard Dawkins na Cátedra Simonyi…

    Dawkins versus Wilson, e o jornalismo científico investigativo

    Poucos jornalistas científicos e divulgadores de ciência fazer trabalho investigativo, ou seja, em vez de aceitar informações oficiais, tentam se aprofundar na questão das forças políticas presentes em um acontecimento científico ou universitário.

    Estou desconfiado que esbarrei em um caso que necessitaria de jornalismo científico investigativo: a “aposentadoria” de Richard Dawkins da cátedra Charles Simonyi de Compreensão Pública da Ciência. Tem algo esquisito nessa história toda, que talvez só a paciência de um Roberto Takata poderia revelar.
    Minha suspeita é que Dawkins “foi aposentado”, em vez de se aposentar. E que isso tem a ver com os propósitos da cátedra, estipulados aqui, que Dawkins satisfazia em 1995 quando assumiu, mas não satisfazia mais em 2008 quando se aposentou (ou foi aposentado), a saber (grifos em vermelho refletem possíveis conflitos entre a atuação de Dawkins e o propósito original da Cátedra):
    The chair is for ‘Public Understanding of Science’, so the holder will be expected to make important contributions to the public understanding of some scientific field rather than study the public’s perception of the same. By ‘public’ we mean the largest possible audience, provided, however, that people who have the power and ability to propagate or oppose the ideas (especially scholars in other sciences and in humanities, engineers, journalists, politicians, professionals, and artists) are not lost in the process.
    Here it is useful to distinguish between the roles of scholars and popularisers. The university chair is intended for accomplished scholars who have made original contributions to their field, and who are able to grasp the subject, when necessary, at the highest levels of abstraction. A populariser, on the other hand, focuses mainly on the size of the audience and frequently gets separated from the world of scholarship. Popularisers often write on immediate concerns or even fads. In some cases they seduce less educated audiences by offering a patronizingly oversimplified or exaggerated view of the state of the art or the scientific process itself. This is best seen in hindsight, as we remember the ‘giant brains’ computer books of yesteryear but I suspect many current science books will in time be recognized as having fallen into this category. While the role of populariser may still be valuable, nevertheless it is not one supported by this chair. The public’s expectation of scholars is high, and it is only fitting that we have a high expectation of the public.
    Understanding’ in this instance should be taken a little poetically as well as literally. The goal is for the public to appreciate the order and beauty of the abstract and natural worlds which is there, hidden, layer-upon-layer. To share the excitement and awe that scientists feel when confronting the greatest of riddles. To have empathy for the scientists who are humbled by the grandeur of it all. Those in the audience who reach the understanding sufficient to reveal the order and beauty in science will also gain greater insight into the connectedness of science and their everyday life. Finally,’ science’ here means not only the natural and mathematical sciences but also the history of science and the philosophy of science as well. However, preference should be given to specialties which express or achieve their results mainly by symbolic manipulation, such as Particle physics, Molecular biology, Cosmology, Genetics, Computer science, Linguistics, Brain research, and, of course Mathematics.
    The reason for this is more than a personal predilection. Symbolic expression enables the highest degree of abstraction and thence the utilization of powerful mathematical and data processing tools ensure tremendous progress. At the same time the very means of success tends to isolate the scientists from the lay audience and prevents the communication of the results. Considering the profoundly vital interdependence between the society at large and the scientific world, the dearth of effective information flow is positively dangerous. In order to accomplish the above goals, the appointees to the chair must have a pedagogical range that goes beyond the traditional university setting. They should be able to communicate effectively with audiences of all kinds and in different media. Above all, they must approach the public with the utmost candour. Naturally, they will interact with political, religious, and other societal forces, but they must not, under any circumstances, let these forces affect the scientific validity of what they say. Conversely, they should be also candid about the limits of scientific knowledge at any given time, and communicate the uncertainties, frustrations, scientifically perplexing phenomena, and even the failures in their area of expertise. Scientific speculation, when so labelled, and when the concept of speculation and its place in the scientific method has been made clear to the audience, can be very exciting. It is a very effective communication tool, and it is by no means discouraged.
    Jornalistas cientificos investigativos, cadê vocês? A questão que coloco é: Dawkins se aposentou (aos 68 anos em vez de 70?) ou foi precocemente aposentado para dar lugar a um divulgador com mais “candura” e diálogo com as diferentes extratos da sociedade, inclusive religiosos? Investiguem, por favor!
    Em todo caso, acho que preciso esclarecer por que tenho feito alguns posts críticos em relação a Richard Dawkins. Afinal, isso contrasta com minha defesa apaixonada desse autor em artigos anteriores como no “A Perturbadora Persistência do Determinismo Social“. Estes esclarecimento são dirigidos à multidão de meus amigos que elevaram Richard Dawkins a uma espécie de santidade precoce, ou seja, a uma posição que não pode ou deve ser criticada pois “isso seria dar munição aos inimigos da razão e da ciência etc.” Acho que Richard não quer e não merece ser canonizado dessa forma.

    Acho que minhas principais críticas a Richard Dawkins são as seguintes (corrijam-me se estiver enganado):

    Richard primeiro abandonou a pesquisa científica para se dedicar à divulgação científica, e depois abandonou (praticamente) a divulgação científica pela militancia ateísta. Nenhum reparo a ser feito nessa trajetória, afinal é uma opção de vida dela. O problema é que, já não sendo um cientista atuante, mesmo assim ele tende a se colocar em seus livros como um porta-voz da razão, da ciência e dos cientistas. Ou seja, o público acaba entendendo que Dawkins é o paradigma do cientista atual, é a face pública da ciência. Sua propaganda de que, para apreciar ciência, antes você precisa se tornar ateu, não me parece contribuir para o aumento do apoio à ciência em nossa sociedade. Ou seja, se Dawkins tiver a opção de defender o ateísmo mesmo que isso prejudique a aceitação pública da ciência, ele o fará. Ateismo em primeiro lugar, divulgação científica em segundo lugar e ciência em terceiro lugar, é uma escala de prioridades que não compartilho.

    Dawkins iniciou uma “cruzada” anti-religiosa que lembra os hegelianos de esquerda do século XIX (os jovens Marx, Engels, etc). Ou seja, ele ainda não atingiu a compreensão, dos marxistas maduros, de que a religião é mais um sintoma do que uma causa, que a religião dominante em uma dada época e lugar é um reflexo das estruturas sociais daquela época e lugar. Ou seja, ao eleger a questão do ateísmo e da religião como “a grande questão” da atualidade (“A Origem de Todos os Males” etc), o público é distraido de questões muito mais importantes, por exemplo a preservação do ambiente natural e a questão da economia sustentável. Pior ainda, Dawkins aliena os religiosos esclarecidos (sim, eles existem, sim!) de uma possível aliança no combate a males concretos, da distribuição de riqueza à questão ecológica, estes sim problemas preementes e que precisam ser tratados com urgencia e união de todas as forças sociais progressistas.

    Em comparação, o biólogo Edward Wilson, com uma carreira científica de maior impacto que Dawkins, e grande divulgador científico, propõe em seu livro The Creation (título habilmente escolhido para atingir certo público) que cientistas e religiososos esclarecidos unissem forças em prol de um bem comum. Da Wikipedia:
    Wilson’s views on religion
    As summarized by Michael McGoodwin [19]
    The predisposition to religious belief is an ineradicable part of human behavior. Mankind has produced 100,000 religions. It is an illusion to think that scientific humanism and learning will dispel religious belief. Men would rather believe than know (…) A kind of Darwinistic survival of the fittest has occurred with religions (…) The ecological principle called Gause’s law holds that competition is maximal between species with identical needs (…) Even submission to secular religions such as Communism and guru cults involve willing subordination of the individual to the group. Religious practices confer biological advantage. The mechanisms of religion include (1) objectification (the reduction of reality to images and definitions that are easily understood and cannot be refuted), (2) commitment through faith (a kind of tribalism enacted through self-surrender), (3) and myth (the narratives that explain the tribe’s favored position on the earth, often incorporating supernatural forces struggling for control, apocalypse, and millennium). The three great religion categories of today are Marxism, traditional religion, and scientific materialism. Though theology is not likely to survive as an independent intellectual discipline, traditional religion will endure for a long time to come and will not be replaced by scientific materialism.
    Scientific humanism
    Wilson coined the phrase scientific humanism as “the only worldview compatible with science’s growing knowledge of the real world and the laws of nature”. [20] Wilson argues that it is best suited to improve the human condition.
    God and religion

    On the question of God, Wilson has described his position as provisional deism.[21] He has explained his faith as a trajectory away from traditional beliefs: “I drifted away from the church, not definitively agnostic or atheistic, just Baptist & Christian no more.”[13] Wilson argues that the belief in God and rituals of religion are products of evolution.[22] He argues that they should not be rejected or dismissed, but further investigated by science to better understand their significance to human nature. In his book The Creation, Wilson suggests that scientists “offer the hand of friendship” to religious leaders and build an alliance with them, stating that “Science and religion are two of the most potent forces on Earth and they should come together to save the creation.”[23]
    Wilson makes a similar suggestion, and appeal to the religious community, on the lecture circuit. An article on his September 17, 2009 lecture reports, “he said the appeal received a ‘massive reply’ and a covenant has been written. ‘I think that partnership will work to a substantial degree as time goes on,’ Wilson said.”[24]
    Wilson appears in the upcoming documentary Behold The Earth, which inquires into America’s “divorce from nature”, and the relationship between the forces of science and religion.

    Eu me identifico com essa posição filosófica e estratégica do Wilson (embora não sei se a Terceira Via deva ser considerada “provisional Deism”). Embora Wilson esteja no extremo oposto do meu espectro político (ele é um “conservative”), acho que sua priorização da questão ambiental é correta.

    Ou seja, Você Que É Biólogo tem que escolher: Ou Dawkins ou Wilson! Os dois não podem estar corretos ao mesmo tempo, os dois tem posições filosóficas e visões de estratégia de defesa da ciência MUITO distintas, quase antagônicas!

    Dawkins ou Wilson? Quem você escolhe como paradigma de biólogo? Sinto muito, mas para mim, como cientista (ver abaixo) e como escritor (ele ganhou dois prêmios Pulitzer!), Wilson é uma ordem de magnitude maior que Dawkins… Ou seja, não estou dizendo para você parar de ler Dawkins, mas sim para se começar a ler Wilson. Você vai gostar!

    Awards and honors

    1. Member, National Academy of Sciences, 1969
    2. U.S. National Medal of Science, 1976
    3. Pulitzer Prize for On Human Nature, 1979
    4. Tyler Prize for Environmental Achievement, 1984
    5. ECI Prize, International Ecology Institute, terrestrial ecology, 1987
    6. Crafoord Prize, 1990, a prize awarded by the Royal Swedish Academy of Sciences in certain sciences not covered by the Nobel Prize, and therefore considered the highest award given in the field of ecology
    7. Pulitzer Prize for The Ants (with Bert Hölldobler), 1991
    8. Carl Sagan Award for Public Understanding of Science 1994
    9. Time Magazine‘s 25 Most Influential People in America, 1995
    10. American Humanist Association‘s 1999 Humanist of the Year
    11. Lewis Thomas Prize for Writing about Science, 2000
    12. Nierenberg Prize, 2001
    13. Dauphin Island Sea Lab christened its newest research vessel the R/V E.O. Wilson in 2005.
    14. Addison Emery Verrill Medal from the Peabody Museum of Natural History, 2007
    15. TED Prize 2007 given yearly to honor a maximum of three individuals who have shown that they can, in some way, positively impact life on this planet.
    16. XIX Premi Internacional Catalunya 2007
    17. Member of the World Knowledge Dialogue Honorary Board, and Scientist in Residence for the 2008 symposium organized in Crans-Montana (Switzerland).
    18. Distinguished Lecturer, University of Iowa, 2008-2009

    Bibliografia de E. O. Wilson:

    1. The Theory of Island Biogeography, 1967, Princeton University Press (2001 reprint), ISBN 0-691-08836-5, with Robert H. MacArthur
    2. The Insect Societies, 1971, Harvard University Press, ISBN 0-674-45490-1
    3. Sociobiology: The New Synthesis 1975, Harvard University Press, (Twenty-fifth Anniversary Edition, 2000 ISBN 0-674-00089-7)
    4. On Human Nature, 1979, Harvard University Press, ISBN 0-674-01638-6
    5. Genes, Mind and Culture: The coevolutionary process, 1981, Harvard University Press, ISBN 0-674-34475-8
    6. Promethean fire: reflections on the origin of mind, 1983, Harvard University Press, ISBN 0-674-71445-8
    7. Biophilia, 1984, Harvard University Press, ISBN 0-674-07441-6
    8. Success and Dominance in Ecosystems: The Case of the Social Insects, 1990, Inter-Research, ISSN 0932-2205
    9. The Ants, 1990, Harvard University Press, ISBN 0-674-04075-9, Winner of the Pulitzer Prize, with Bert Hölldobler
    10. The Diversity of Life, 1992, Harvard University Press, ISBN 0-674-21298-3, The Diversity of Life: Special Edition, ISBN 0-674-21299-1
    11. The Biophilia Hypothesis, 1993, Shearwater Books, ISBN 1-55963-148-1, with Stephen R. Kellert
    12. Journey to the Ants: A Story of Scientific Exploration, 1994, Harvard University Press, ISBN 0-674-48525-4, with Bert Hölldobler
    13. Naturalist, 1994, Shearwater Books, ISBN 1-55963-288-7
    14. In Search of Nature, 1996, Shearwater Books, ISBN 1-55963-215-1, with Laura Simonds Southworth
    15. Consilience: The Unity of Knowledge, 1998, Knopf, ISBN 0-679-45077-7
    16. The Future of Life, 2002, Knopf, ISBN 0-679-45078-5
    17. Pheidole in the New World: A Dominant, Hyperdiverse Ant Genus, 2003, Harvard University Press, ISBN 0-674-00293-8
    18. From So Simple a Beginning: Darwin’s Four Great Books. 2005, W. W. Norton.
    19. The Creation: An Appeal to Save Life on Earth, September 2006, W. W. Norton & Company, Inc. ISBN 978-0393062175
    20. Nature Revealed: Selected Writings 1949-2006, Johns Hopkins University Press, Baltimore. ISBN 0-8018-8329-6
    21. The Superorganism: The Beauty, Elegance, and Strangeness of Insect Societies, 2009, W.W. Norton & Company, Inc. ISBN 978-0-393-06704-0, with Bert Hölldobler

    Barrow e Dawkins

    Artigos publicados de John D. Barrow

    Artigos publicados de Richard Dawkins

    Tentando interpretar melhor a fala de John D. Barrow:

    When Selfish Gene author Richard Dawkins challenged physicist John Barrow on his formulation of the constants of nature at last summer’s Templeton-Cambridge Journalism Fellowship lectures, Barrow laughed and said, “You have a problem with these ideas, Richard, because you’re not really a scientist. You’re a biologist.”
    Talvez Barrow quisesse dizer que Dawkins já não era um cientista ativo, não estava mais publicando com regularidade em revistas com peer review. Ou seja, Dawkins seria atualmente mais um divulgador de ciência, um escritor, não um cientista profissional. Ora, em termos de publicação científica, acho que Barrow tem razão, como pode ser comprovado pelos gráficos acima da Web of Science.
    Fiquei sabendo que Dawkins perdeu recentemente a cátedra de Oxford em “Public Understanding of Science”. Algém sabe por que?
    Em termos de publicação científica, temos:
    Dawkins:  
    Número de papers: N = 20 (por favor, se eu estiver errado, corrijam! Mas cuidado, existem outros R. Dawkins no ISI Web of Science que não são o Richard Dawkins)
    Número de citações: C = 1600
    Índice de Hirsch: h = 15
    Índice de Kinouchi: K = 109 
    Comparando com John D. Barrow:
    N = 324
    C = 8842
    h = 52
    K = 132
    Bom, minha conclusão é que Barrow tem credenciais para falar sobre o que é ciência e ser cientista. Alguém discorda?

    Re: Outrageous personal attack on RD by physicist John Barrow

    Postby Richard Dawkins » Mon Jul 28, 2008 6:40 pm

    Actually, I think we should take Barrow’s remark as nothing more than good-natured banter — of the kind people indulge in when they play up to an alleged rivalry between Oxford and Cambridge. I wouldn’t get too worked up about it. I didn’t at the time.

    Richard

    PS: Na Wikipedia, constam 30 artigos de Dawkins, mas ainda não tive tempo de verificar se todos estão na ISI Web of Science. Não acredito que os números vão mudar muito. Em particular, o h e o K são muito robustos…

    Nietszche estava errado? Animais reagem contra injustiça.

    O Bem e o Mal são relativos. O conceito de injustiça é cultural: em uma sociedade dominada por nobres, é possível educar (treinar behavioristicamente) os plebeus para que acreditem que o status quo é justo, e se alegrar com a boa vida dos dominadores, e festejar sua própria miséria. Assim falava Zaratustra.
    Mas no mundo animal, onde o efeito da cultura é menor, parece que o Bem e o Mal, ou pelo menos o cerne da moralidade que é o conceito de injustiça, não é tão fácil de ser relativizado. Chimpanzés e cães (e certamente outros animais como golfinhos, elefantes e talvez cefalópodes) não se deixam enganar: o que é justo, é justo, o que é injusto, é injusto. Talvez seja possível fazer um treinamento behaviorista com eles também, ensinar algum tipo de sado-masoquismo moral. Mas isso seria sempre a exceção, não a regra.
    A partir de hoje vou tomar mais cuidado com meus cut and paste de notícias. Os comentários serão maiores, e sempre colocarei o link e o abstract do artigo original, algo que os jornais não fazem.

    Cães entendem injustiça e sentem inveja, diz estudo

    RICARDO BONALUME NETO
    da
    Folha de S.Paulo

    Quem tem mais de um cachorro sabe o óbvio: que na hora de dar um biscoito ou um osso, todos têm que ter o seu próprio. Mas o “óbvio” do dono de um animal doméstico não é o mesmo da ciência. Foi preciso uma equipe de pesquisadores na Áustria testar se existe “inveja” entre cães para deixar claro que isso não só existe, como faz parte de um mecanismo biológico vinculado à evolução da cooperação em indivíduos de uma mesma espécie.

    Testados, os cães deixaram claro que possuem uma natural “aversão à iniqüidade”, e que fazem “greve” se não forem tratados do mesmo modo como seus semelhantes, algo já descoberto em macacos.

    O estudo, liderado por Friederike Range, da Universidade de Viena (Áustria), está na edição de hoje da revista “PNAS”.

    Os experimentos parecem mais adestramento canino doméstico do que algo associado a um laboratório universitário. Foram testados 29 cães capazes de “dar a patinha”. Os cachorros selecionados eram já adestrados nesse comando com seus donos, mas o teste envolvia “dar a patinha” para um experimentador desconhecido, acompanhados pelo dono e por um outro cachorro logo ao lado.

    Leve-se em conta que são cachorros austríacos, acostumados à dieta local. Ao obedecer ao comando, o cachorro poderia receber uma recompensa boa –um pedaço de salsicha–, ou uma nem tanto –um pedaço de pão preto. Pior, poderiam não receber nada pelo “trabalho” de dar a pata.

    Os testes foram planejados de modo a excluir interpretações alternativas. Os cães foram testados, por exemplo, sem receber recompensa; ou sem o cão parceiro; ou com ambos recebendo o prêmio.

    “Cães têm uma forma de ciúme, e todo dono de mais de um cão sabe que se faz carinho em um, o outro vem pedir”, diz Cesar Ades, especialista em comportamento animal do Instituto de Psicologia da USP, que elogia o experimento. “É um trabalho cuidadoso, eles mostram a recompensa ao cachorro, feita com vários controles. Se um recebe e o outro não, ele pára de dar a pata até antes daquele que não recebe recompensa sem contato social.”

    Ao contrário dos experimentos com chimpanzés, os cães não davam importância à qualidade da recompensa (salsicha ou pão preto). Já os macacos eram mais discriminantes quanto ao tipo de recompensas que ganhavam.

    Os cães também sempre comiam o que recebiam; os macacos podiam rejeitar a comida se achavam que estavam sendo injustamente tratados. Só não há explicação clara no estudo para o fato de um cão não fazer distinção entre salsicha e pão, diz Ades.

    Experimentos anteriores mostraram que os cães cansam da brincadeira e param de dar a pata depois de 15 a 20 vezes sem receber nenhuma recompensa.

    O resultado do novo teste foi o que os donos de cães poderiam prever: animais sem prêmio pelo mesmo “trabalho” do colega ao lado logo pararam de “cumprimentar” o experimentador, e mostravam sinais de “indignação” –ficavam se coçando, bocejando, lambendo a boca ou desviando o olhar.

    PS: Esta notícia me fez lembrar um aforismo, não me lembro de quem: “Dizem que o homem é o lobo do homem. Não, na verdade, o homem é o cão do homem”.

    The absence of reward induces inequity aversion in dogs

    1. Friederike Rangea,b,1,
    2. Lisa Horna,
    3. Zsófia Viranyib,c, and
    4. Ludwig Hubera

    +

    Author Affiliations


    1. aDepartment of Neurobiology and Cognition Research, University of Vienna, A-1091 Wien, Austria;

    2. cKonrad Lorenz Institute for Evolution and Cognition Research, A-3422 Altenberg, Austria; and

    3. bWolf Science Center, 4645 Grünau, Austria
    1. Communicated by Frans B. M. de Waal, Emory University, Atlanta, GA, October 30, 2008 (received for review July 21, 2008)

    Abstract

    One crucial element for the evolution of cooperation may be the sensitivity to others’ efforts and payoffs compared with one’s own costs and gains. Inequity aversion is thought to be the driving force behind unselfish motivated punishment in humans constituting a powerful device for the enforcement of cooperation. Recent research indicates that non-human primates refuse to participate in cooperative problem-solving tasks if they witness a conspecific obtaining a more attractive reward for the same effort. However, little is known about non-primate species, although inequity aversion may also be expected in other cooperative species. Here, we investigated whether domestic dogs show sensitivity toward the inequity of rewards received for giving the paw to an experimenter on command in pairs of dogs. We found differences in dogs tested without food reward in the presence of a rewarded partner compared with both a baseline condition (both partners rewarded) and an asocial control situation (no reward, no partner), indicating that the presence of a rewarded partner matters. Furthermore, we showed that it was not the presence of the second dog but the fact that the partner received the food that was responsible for the change in the subjects’ behavior. In contrast to primate studies, dogs did not react to differences in the quality of food or effort. Our results suggest that species other than primates show at least a primitive version of inequity aversion, which may be a precursor of a more sophisticated sensitivity to efforts and payoffs of joint interactions.

    O Despertar dos Mágicos e a Divulgação Científica

    Inspirado pela fala de Suzana Herculano-Houzel de que disfarçar divulgação científica como auto-ajuda aumenta a venda dos livros, reflito agora sobre a possibilidade de transformar as pseudociências em auxiliares em vez de antagonistas da divulgação científica.
    Vou dar alguns exemplos, de caráter pessoal:

    1. Quando eu tinha 12 anos eu era, junto com meus amigos Sinézio e Eliabe, era colecionador da Revista Planeta (tudo bem que, na época, o editor era Ignácio de Loyola Brandão). O meu despertar para a vocação científica foi feito por essa revista, e também pelo livro “O Despertar dos Mágicos” de Powels e Bergier. Entre os físicos de minha geração, já constatei que esse livro também os influenciou a darem o passo duvidoso de trocar engenharia ou outra profissão tradicional pela profissão mais “esotérica” de físico. Ah sim, tinha também “O Planeta das Possibilidades Impossíveis”, dos mesmos autores, que era um pouquinho mais científico…

    2. Aprendi a calcular desvio-padrão e fazer o teste do Qui-quadrado com 14 anos (ou foi 13 anos e meio?). Precisava aprender por causa das experiências de telepatia, clarividência e psicocinésia que eu realizava junto com Sinézio e Eliabe. Alto nível de motivação para aprender estatística, entende?

    3. Virei astronomo amador por causa do interesse por OVNIs, de novo junto com Sinézio. Fundamos o C.E.F.A. – Centro de Estudos de Fenômenos Aéreo-Espaciais, que em seu auge teve mais de 100 membros correspondentes em todo Brasil. Será que o vice-prefeito de Três Corações, membro do C.E.F.A., sabia que seus líderes eram dois moleques de 15 e 14 anos? Foi alí que aprendi a escrever: editavamos o boletim UFO Report e a Revista “Novos Horizontes”, mimeografados, e vendiamos para os membros do C.E.F.A.
    4. Hoje sou cético e ateu, ou pelo menos, adepto da Terceira Via. Mas como conheço a literatura pseudocientífica (devo ter lido cerca de 400 livros de pseudociência durante a juventude), tenho mais recursos para debater com o pessoal New Age do que a maior parte dos meus amigos blogueiros de ciência. Afinal, foi durante esse envolvimento com as pseudociência que comecei a me perguntar sobre o que é ciência afinal, e o que a distingue da pseudociência.
    5. A partir daí comecei a ler Filosofia da Ciência, Epistemologia e História da Ciência (mais uns 600 livros, acho, até os 30 anos de idade). É por isso que eu não tenho muita paciência com blogueiro que fica falando do critério de demarcação de Popper sem nunca o ter lido (cita-se o que Carl Sagan disse de Popper!). Bom, eu li todos os livros de Popper (menos o Sociedade Aberta e Seus Inimigos), de modo que eu tenho uma pequena chance de saber o que Popper queria realmente dizer, não acham?

    6. O envolvimento com as pseudociencias, e com a religião, não é algo que deforme permanentemente o caráter de uma pessoa. , Faraday era pentecostal fundamentalista, Maxwell era evangélico (e viveu depois de “A Origem das Espécies”), Lord Kelvin era criacionista. Eistein teve experiências religiosas aos 15 anos de idade, escreveu hinos ao Criador, e Godel escreveu artigos de teologia. Inúmeros físicos de renome tem ganho o prêmio Templeton nos últimos anos. Todos foram ou são ótimos cientistas, ou pelo menos, ótimos físicos. Mas como disse John D. Barrow para Richard Dawkins: “Richard, o problema é que você não entende a verdadeira natureza da ciência, afinal você não é cientista, é apenas biólogo…”

    Ateísmo Bíblico e Criacionismo não-fundamentalista

    Acredito ser possível um diálogo proveitoso entre ateus não-xiitas e criacionistas não-xiitas. A nota adicionada neste post do blog criacionista Sinais dos Tempos parece ser razoável e ponderada. Talvez seja possível um diálogo entre ateístas bíblicos como eu e criacionistas mais esclarecidos (que apoiem Marina Silva, claro!). Mesmo ela se declarando não-criacionista…

    Isso me lembra o sermão de John Wesley “The Case of Reason Impartially Considered

    Ver também o artigo: John Wesley, o Iluminismo e a educação metodista na Inglaterra.

    Escolas adotam criacionismo em aulas de ciências


    Polêmicos nos Estados Unidos, onde são defendidos por movimentos religiosos como mais do que explicações baseadas na fé para a criação do mundo, o criacionismo e o design inteligente se espalham pelas escolas confessionais brasileiras – e não apenas no ensino religioso, mas nas aulas de ciências. Escolas tradicionais religiosas como Mackenzie, Colégio Batista e a rede de escolas adventistas do País adotam a atitude de não separar religião e ciência nas aulas, levando aos alunos a explicação cristã sobre a criação do mundo junto com os conceitos da teoria evolucionista. Algumas usam material próprio.
    Outros trabalham com livros didáticos da lista do Ministério da Educação e acrescentam material extra. “Temos dificuldade em ver fé dissociada de ciência, por isso na nossa entidade, que é confessional, tratamos do evolucionismo com os estudantes nas aulas de ciências, mas entendemos que é preciso também espaço para o contraditório, que é o criacionismo”, defende Cleverson Pereira de Almeida, diretor de ensino e desenvolvimento do Mackenzie.
    O criacionismo e a teoria da evolução de Charles Darwin começam a ser ensinados no colégio entre a 5ª e 8ª séries do fundamental. Na hora de explicar a diversidade de espécies, por exemplo, em vez de dizer que elas são resultados de milhares de anos do processo de seleção natural, se diz que a variedade representa a sabedoria e a riqueza de Deus.
    No Colégio Batista, em Perdizes (SP), o entendimento é semelhante. “Ensinamos as duas correntes nas aulas e deixamos claro que os cientistas acreditam na evolução, mas para nós o correto é a explicação criacionista. O importante é que não deixamos o aluno alienado da realidade”, afirma Selma Guedes, diretora de capelaria da instituição.
    A polêmica está no fato de os colégios ensinarem o criacionismo e o design inteligente não como explicações religiosas, mas como correntes científicas que se contrapõem ao evolucionismo. Nos EUA, a polêmica parou na Justiça. Em 2005, tribunais da Pensilvânia decidiram que o design inteligente não era ciência, recolocando Darwin nas escolas. No Brasil, onde o debate não é tão acirrado, esse tipo de ensino tem despertado dúvidas sobre a validade na preparação dos alunos. Os conteúdos de ciências exigidos em concursos e vestibulares são baseados em consensos de entidades científicas, que defendem a teoria da evolução.
    Já nos cerca de 2 mil colégios católicos, segundo dados da Rede Católica de Educação, não há conflitos entre fé e teoria evolucionista. No material usado por cerca de cem colégios do País, as aulas de ciência trazem a teoria da evolução e explicam o papel de Darwin.

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    Nota: Acredito que defender ideais criacionistas nas aulas de Ciências, seja uma verdadeira incongruência. Definitivamente não se apresenta como o melhor caminho para alcançarmos a tão sonhada “credibilidade científica”, até porque, ela nunca virá. O criacionismo deve sim, como citado em um trecho da reportagem, oferecer o contraditório à teoria da evolução, pesquisando a veracidade das informações prestadas, duvidando daquilo que é passível de dúvida, porém crendo naquilo que realmente pode-se dizer científico, comprovado. O criacionismo não dever ser radical a ponto de tentar “colocar Deus em um tubo de ensaio”, pois jamais conseguiremos. Lembremos: apesar de todo o avanço na sustentação da teoria de que há indubitavelmente um agente criador inteligente por trás de tudo o que vemos, para cremos que este criador é o Deus cristão, inegavelmente devemos nos valer da fé, atributo dos que crêem naquilo que não se pode ver (Hb. 11). Ao nos valermos da fé, saímos do campo da ciência; daí a incongruência citada ao início da nota. [M.G]

    Explicando a origem da fé

    Me parece que este artigo explica o poder da fé e a eficácia dos livros de auto-ajuda.

    the physics arXiv blog 


    The Evolution of Overconfidence

    Posted: 23 Sep 2009 09:11 PM PDT

    If overconfidence leads to global disasters such as the collapse of banks and world wars, how could it have evolved? Now researchers have an answer

    What do the following high-profile disasters have in common: World War I, Vietnam, the war in Iraq, the collapse of the banking system and the lack of preparation for natural disasters such as Hurricane Katrina?

    According to Dominic Johnson at the University of Edinburgh and his pal James Fowler at the University of California, San Diego, the answer is that they have all been blamed on the all-too-human condition of overconfidence. 

    The puzzle about overconfidence is its ubiquity. Many studies have shown that most people have an exaggerated sense of their own capabilities, an illusion of control over events and an invulnerability to risk. Most people, for example, believe they are above average drivers, a statistical impossibility. We are all overconfident in one way or another.

    But how can such a condition have evolved when the consequences of overconfidence can lead to the destruction of communities and the catastrophic loss of life?

    That’s a mystery that many experimental psychologists have wrestled with but now Johnson and Fowler say they have the answer. By creating a mathematical model of the way overconfident individuals compete against ordinary individuals, they show that there is a clear advantage in overconfidence. 

    In fact, if the potential reward is at least twice as great as the cost of competing, then overconfidence is the best strategy. In fact, overconfidence is actually advantageous on average, because it boosts ambition, resolve, morale and persistence. In other words, overconfidence is the best way to maximise benefits over costs when risks are uncertain. 

    That’s an interesting insight. Experimental psychologists have long known of the role of overconfidence in conflict situations and yet have been unable to explain its origin. 

    But it is Johnson and Fowler’s predictions that are most worrying. Their model implies that optimal overconfidence increases with the magnitude of uncertainty. So the greater the risk, the more overconfident individuals should become.

    Johnson and Fowler use that finding to predict that overconfidence will be particularly prevalent in domains where the perceived value of a prize sufficiently exceeds the expected costs of competing. 

    What might these be? They highlight several domains but perhaps the most obvious and potentially dangerous are international relations, where events are complex, distant, involve foreign cultures and languages, new technologies such as the internet bubble and the banking industry where complex financial instruments abound. Any of that sound familiar? 

    All that sets the stage for the next question: how best to mitigate the worst side-effects of rampant overconfidence in a society that has a dramatically exaggerated sense of its own abilities

    Ref: arxiv.org/abs/0909.4043: The Evolution of Overconfidence

    Ponto final: Marina Silva não é Criacionista

    Marina Silva critica debate eleitoral antecipado
    Congresso em Foco – Brasília,Distrito Federal,Brazil
    Sobre sua crença, disse nunca ter defendido o
    criacionismo (tese segundo a qual “Não tenho uma teoria sobre o criacionismo, apenas acredito que Deus fez
    Marina nega que tenha defendido ?criacionismo?
    Estadão – São Paulo,SP,Brazil
    Marina se viu em meio à polêmica sobre o
    criacionismo após participar de um seminário sobre o tema, em 2008. Na ocasião, a então ministra teria dito que é
    ‘Nunca defendi o criacionismo‘, diz Marina Silva sobre ensino em
    G1.com.br – Brazil
    “Nunca defendi o
    criacionismo e no Brasil não existe ninguém fazendo esse movimento. Essa é uma transposição artificial de um debate que ocorre nos Estados