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Mahatmarina: homenagem a Marina Silva

Você já viu alguém fazer uma homenagem assim para Dilma, Serra ou Ciro?

Chamam Marina de Mahatmarina. Mahatma significa “alma grande”. Infelizmente muitos blogueiros amigos meus, influenciados por um cientificismo tosco, não votarão em Marina. Não votariam também em Mahatma Ghandi, pois afinal Ghandi seria chamado pelos adversários de criacionista ou religioso ou anticientifico…

Testando a hipótese de correlação entre autismo e ateísmo

Figura: Richard Dawkins e Emma Watson tem genes similares? Bom, pelo menos Hermione Granger é geek, não sabemos se Emma também o é…

Refletindo um pouco sobre a reportagem do post anterior, me veio a hipótese de uma possível correlação entre ateísmo e mutação do gene DUF1220.
É sabido que a porcentagem de cientistas ateus entre os grandes cientistas, ou entre os cientistas que são da National Academy of Sciences, é bem maior que a porcentagem dentro da população de cientistas em geral.
Uma possível explicação é que tais cientistas são mais corajosos intelectualmente e são fortes o suficiente para assumirem seu ateísmo. É uma explicação possível, mas de dificil testabilidade científica e parece ser mais uma hipótese lisongeira self-serving ou mesmo wishfull thinking (pensamento desejante de que assim seja).
Existe porém uma outra explicação mais pedestre, mais científica e mais testável: As mutações no DUF1220 predisporiam ao alto QI, ao autismo e ao ateísmo.
Dado que as experiencias religiosas em geral envolvem um “sentimento oceânico” de ligação com outras pessoas ou com o universo, parece plausível que autistas tenham menos experiências religiosas (pois a principal característica do autismo é a falta de empatia pelo sofrimento ou pelas emoções das pessoas). Isso pode ser testado, simplesmente determinando a porcentagem de autistas religiosos ou não.
A hipótese prossegue supondo que a mutação genetica C = mutação no DUF1220 é a causa tanto de A (ateísmo) quanto B (geekeness). Ou seja, em vez de B causar C diretamente, temos um fator comum C que causa ambos A e B.
A hipótese é testável, bastando para isso examinar o genoma dos cientistas da National Academy of Science. Eu aposto um kit Colorado como eles tem uma proporção maior dessa mutaçao do que a população geral, ou mesmo a população de cientistas, em acordo com James Watson. Lembremos que empresas comerciais estão fazendo tais tipos de exames genéticos a US$ 300 hoje em dia, de modo que a experiência proposta está dentro de nossas possibilidades tecnológicas e mesmo financeiras.
Uma evidencia adicional é que aparentemente mulheres são mais religiosas (ou mais preocupadas com a “espiritualidade”) do que os homens. A fração de atéias e céticas nos fóruns céticos é absurdamente desproporcional (5% ou menos? Emma Watson é uma exceção e eu apostaria que ela é parente (distante) de James Watson). Que fator sociológico poderia explicar isso? É mais sensato pensar em um fator biológico.
É sabido que a porcentagem de autistas homens é de duas a três vezes maior que de mulheres. Assim, conjecturo que mutações tipo as do gene DUF1220 são mais frequentes em homens (isso também pode ser testado – desconfio que isso já foi comprovado).
Finalmente, a hipótese se fecha, prevendo que haverá maior proporção de mutantes DUF1220 entre os ateus. Eu aposto um kit Colorado que Dawkins tem essa mutação genética (isso é facilmente testável, basta apenas Dawkins fazer o teste genético que James Watson fez). Afinal, todos reconhecemos que Dawkins tem alto QI e é um geek. Desconfio que Emma Watson também…
PS: Parece que a foto acima sofreu photoshop e que Dawkins na verdade não se parece com Emma Watson. Alguém tem uma referência sobre isso? Kentaro? Takata?
Disclaimer: Para ficar claro, sou agnóstico (na verdade partidário da Terceira Via ou teoria do Demiurgo). Participo do Fórum Ceticismo Aberto, sou editor da página da Wikipedia sobre Ateísmo e fundei a comunidade Ateus que não tem medo de Marina Silva, ver aqui. Isso, é claro, não me impede de ter uma visão crítica do ateísmo ou de inquirir sobre as bases neuro-fisiológicas da predisposição ao ateísmo e à religiosidade.

Meu interesse pelas religiões e pela Bíblia é apenas político e literário: acredito que a Bíblia é um livro de Ficção Especulativa Utópica que, de forma interessante, corresponde a uma das primeiras propostas de anarquismo político em termos históricos. Outro livro similar seria o livro de FC “Os Despossuídos”, de Ursula Le Guin, que recomendo fortemente aos leitores deste blog, ver aqui.


Testando a hipótese de correlação entre autismo e ateísmo

Autismo é o preço da inteligência, diz descobridor da estrutura do DNA

CLAUDIO ANGELO
enviado especial da Folha de S.Paulo a Cold Spring Harbor (EUA)
Fonte:  http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u575851.shtml   em 02/fev/2010. 

James Watson, codescobridor da estrutura do DNA, pai da biologia molecular e polemista profissional, tem uma nova teoria para explicar a suposta genética da inteligência. Os genes que predisporiam algumas pessoas a habilidades intelectuais elevadas seriam os mesmos que disparam doenças como autismo e esquizofrenia.

Coincidentemente, é essa a hipótese que um grupo de pesquisadores da Universidade do Colorado está desenvolvendo. Os dados foram apresentados na semana passada nos Estados Unidos, logo depois de Watson ter delineado suas ideias.

“Isso é muito especulativo. Não posso provar”, admitiu à Folha o biólogo, de 81 anos. Mas a inteligência, continuou, é rara porque casais inteligentes têm probabilidade mais alta de terem filhos com problemas. “E esses genes tendem a ser eliminados pela seleção natural.”

Watson apresentou sua tese durante o 74º Simpósio de Cold Spring Harbor sobre Biologia Quantitativa, organizado pelo laboratório do qual ele era chanceler –até ser demovido do posto no fim de 2007 por ter feito comentários racistas.

Longe de se retratar pelo episódio, Watson ainda sugeriu, durante sua apresentação, que outro motivo pelo qual a inteligência é rara é que “as pessoas inteligentes pagam por dizerem a verdade. Sei disso por experiência pessoal”.

Autorreferência

O cientista começou a desenvolver sua hipótese depois de ter sido o primeiro ser humano a ter o genoma sequenciado.

“Fiquei assustado, descobri que tinha mutações em três genes ligados ao reparo do DNA”.

Esses genes, como o BRCA1 e o BRCA2, entram em ação para corrigir danos causados durante a replicação do DNA ou por uma agressão do ambiente, como radiação. Mutações neles estão ligadas ao câncer.

“Pessoas com essas mutações tendem a ter filhos especiais”, disse. Watson tem um filho esquizofrênico.

Os mutantes são mais inteligentes que a média e têm menos filhos –e, de acordo com Watson, têm problemas para se relacionar com as outras pessoas. Veja os cientistas.

Supostamente, os genes da inteligência seriam eliminados pela seleção natural. “Mas por que eles não somem e a humanidade não fica mais estúpida?”

Elementar, afirma Watson. As sociedades que têm indivíduos com alta cognição, como Einstein e Darwin, se beneficiam. O processo evitaria o expurgo da inteligência -e da esquizofrenia- do “pool” genético dessas populações.

Faca de dois gumes

Menos especulativa é a ligação entre cognição e doenças mentais feita pelo grupo de James Sikela (Universidade do Colorado). Ele e seus colegas descobriram uma correlação entre o alto número de cópias de um gene numa certa região do DNA humano e o desenvolvimento do cérebro. Essa região, dizem outros estudos, estaria também implicada com autismo e esquizofrenia.

Os pesquisadores identificaram que uma região instável do genoma chamada 1q21.1 concentrava um número alto de cópias de um gene chamado DUF1220. “A relação de causa e efeito não está provada, mas nós relatamos uma correlação” entre o aumento do número de cópias desse gene na linhagem humana e o aumento do cérebro, disse Sikela à Folha.

Essa instabilidade é “uma faca de dois gumes”. “Ela teria permitido mais cópias do DUF1220 e, portanto, teria sido retida na evolução. Por outro lado, essa instabilidade não é precisa e pode gerar um embaralhamento deletério de sequências.

É por isso que os vários estudos recentes que têm relacionado variação no número de cópias na região 1q21.1 no autismo e na esquizofrenia chamaram nossa atenção: isso se encaixa na ideia de que os indivíduos com essas doenças são o preço que a nossa espécie paga pelo mecanismo que permitiu e permite a geração de mais cópias da DUF1220.”

Sikela disse que Watson não sabia de seus dados e que o mecanismo sugerido por ele é diferente. “Mas, em teoria, outras regiões do genoma poderiam se encaixar no modelo.”

Isso me lembra um argumento sobre a porcentagem de cientistas ateus entre os grandes cientistas, ou entre os cientistas que são da National Academy of Sciences.
A porcentagem de cientistas ateus é maior nesta amostra do que na população usual de cientistas. Uma possível explicação é que tais cientistas são mais corajosos intelectualmente e são fortes o suficiente para assumirem seu ateísmo. É uma explicação possível, mas de dificil testabilidade científica e parece ser mais uma hipótese lisongeira self-serving.
Existe porém uma outra explicação mais pedestre e mais testável: As mutações no DUF1220 predisporiam ao alto QI, ao autismo e ao ateismo.
Dado que as experiencias religiosas em geral envolvem um “sentimento oceanico” de ligação com outras pessoas e com o universo, parece plausível que autistas tenham menos experiências religiosas (pois a principal caracteristica do autismo é a falta de empatia pelo sofrimento ou pelas emoções das pessoas).
Isso pode ser testado, simplesmente determinando a porcentagem de autistas religiosos ou não.
A hipótese prossegue supondo que a mutação genética C = mutação no DUF1220 é a causa tanto de A (alto QI) quanto B (geekeness). A hipótese é testável, bastando para isso examinar o genoma dos cientistas da National Academy of Science. Eu aposto um kit Colorado como eles tem uma proporção maior dessa mutação do que a população geral, ou mesmo a população de cientistas, em acordo com James Watson. Lembremos que empresas comerciais estão fazendo tais tipos de exames genéticos a US$ 300 hoje em dia.
Uma evidencia adicional é que aparentemente mulheres são mais religiosas (ou mais preocupadas com a “espiritualidade”) do que os homens. A fração de atéias e céticas nos fóruns céticos é absurdamente desproporcional (10%?).
É sabido que a porcentagem de autistas homens é de duas a três vezes maior que de mulheres. Assim, conjecturo que mutações tipo as do gene DUF1220 são mais frequentes em homens (isso também pode ser testado – desconfio que isso já foi comprovado).
Finalmente, a hipótese se fecha, prevendo que haverá maior proporção de mutantes DUF1220 entre os ateus. Eu aposto um kit Colorado que Dawkins tem essa mutação genética (isso é facilmente testável, basta apenas Dawkins fazer o teste genético que Watson fez). Afinal, todos reconhecemos que Dawkins tem alto QI…

Ciência, Política e Religião

Quando se discute ciência e religião, eu percebo em alguns amigos uma certa ingenuidade (ou ignorância proposital?) em relação à dimensão política inerente à religião e uma ênfase demasiada no aspecto cognitivo das assertivas religiosas.
É mais ou menos como quando se fala para Sheldon: “A história da Cigarra e da Formiga mostra que a vida não é apenas trabalho, mas é necessário arte e diversão”, e Sheldon retruca: “Cigarras e formigas não falam, quem escreveu essa história – diga-se de passagem que Esopo provavelmente nunca existiu – não apenas está rejeitando toda a Biologia e o Darwinismo como provavelmente vai querer ensinar essas fábulas nas escolas públicas…”
Existem (pelo menos) dois tipos de religião: aquela que serve para sacralizar o status quo e aquela que questiona o status quo. Mesmo que não tenha base científica alguma para isso, ou seja, mesmo em uma situação histórica em que as condições objetivas de mudança são inexistentes e uma análise objetiva e científica recomendaria ficarmos quietos para nosso melhor bem.
Um exemplo claro são os profetas bíblicos: não são advinhos do futuro ou pseudocientistas. São visionários políticos, cuja motivação para gastar sua vida em prol de uma sociedade melhor não pode ser deduzida da teoria de jogos. Uma citação do profeta Isaías, em que se critica a religião de status quo em favor da religião de justiça:

10 ¶ Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra.
11 De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
12 Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?
13 Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene.
14 As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.
15 Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
16 ¶ Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.
17 Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.
18 Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.
19 Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra.
20 Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do SENHOR o disse.
21 ¶ Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas.
22 A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água.
23 Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.
24 Portanto diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Forte de Israel: Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos.
25 E voltarei contra ti a minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza.
26 E te restituirei os teus juízes, como foram dantes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel.
27 Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com justiça.

Outro exemplo é o Youtube acima. O uso da música para espalhar uma ideologia (religiosa ou secular) é muito mais efetivo do que fazer livros ou artigos (ou mesmo posts!) sobre o assunto. É por isso que estou propondo o I Festival de Música Popular Científica (I Festival de MPC) como uma oportunidade de se usar a música como mídia efetiva para aumento da cultura científica.

PS: Se você realmente acredita que a teoria de jogos pode ser uma boa diretriz para a sua vida, use o Tit for Tat com sua esposa ou namorada. Faça a experiência, examine o resultado e reavalie suas crenças… Eu aposto um Kit de cervejas Colorado como você vai se dar mal (sim, eu já fiz isso e me dei mal…)

Ciência, Política e Religião

Este post faz parte da Roda da Ciência. Por favor, deixe seus comentários lá.

Este comercial é considerado um dos melhores em nossas campanhas políticas. Note como são usadas as referências religiosas a Deus e ao Cristo Redentor.
Weber tem um livrinho muito bom onde ele discorre sobre duas vocações: ciência e política. Ele mostra que são duas vocações ortogonais (ou deveriam ser). Afinal, não é possível usar o método científico para decidir em que candidato votar. Na avaliação de um candidato, um partido, uma ideologia política, você usa o senso comum, as informações de seus amigos, a emoção. O objetivo da Ciência Política é estudar a variedade do fenômeno político e não determinar qual ideologia política é a mais correta.
Entretanto, a ciência pode nos ajudar a avaliar as propostas políticas, no sentido de verificar que os meios propostos realmente servem aos fins defendidos. Mas quem define quais os fins desejáveis? Ora, tudo depende de seus valores fundamentais, que podem ter origem em uma cultura secular ou religiosa. Mas é preciso ficar claro que tais valores são escolhas existenciais, sem fundamento científico: nada na Natureza ou na Ciência determina que é melhor ter uma sociedade democrática do que aristocrática, ou de que a compaixão seja melhor que a crueldade, como bem demonstrou Nietzsche. Para ele, uma sociedade aristocrática que implemente o Darwinismo Social é preferível à democracia.
Nietszche não é contra o Cristianismo por ser uma religião (afinal, seu Zaratustra é um profeta religioso). Nietszche elogia o Cristianismo da Renascença, o cristianismo dos Borgia, onde o espírito aristocrático floresce, e também defende a elite religiosa judaica que rejeitou Jesus. Nietszche é contra um certo judaísmo e cristianismo (não todos) apenas na medida em que eles formaram historicamente a base religiosa de valores democráticos (ou mesmo anarquistas) posteriormente secularizados. Para Nietszche, justamente os argumentos apresentados no comercial acima é que são o melhor motivo para não se votar na esquerda.

Deus e Acaso: um capítulo de um livro que está sendo escrito

Capítulo 1 – Como a Bíblia vê a Ciência e a Tecnologia?

Não devemos, porém, julgar uma civilização tão antiga segundo nossas próprias concepções, como faríamos se se tratasse de uma civilização contemporânea; as idéias–diretrizes, os móveis a que os Mesopotâmicos obedeceram diferem dos nossos; é no ponto de vista deles que convém nos colocarmos para melhor compreender as diversas manisfestações de sua atividade. Ora, o ponto de vista dos Assírio-Babilônicos, como o de todos os povos muito antigos, é puramente religioso. Todas as pequenas ocorrências da vida de cada dia esão dominadas por um princípio, o temor dos deuses. É, pois, a partir da religião, que conduziremos nosso estudo; veremos sucessivamente a arte, as leis e os costumes refletirem sua influência e servi-la. Essa dependência de toda uma civilização à religião não é excepcional nas épocas muito remotas, mas fato constante nas sociedades arcaicas.

Georges Conteneneau, “A civilização de Assur e Babilônia”.

A resposta ao título deste capítulo poderia ser simplesmente: os autores bíblicos vêem com admiração, e até mesmo com temor religioso, o conhecimento e a sabedoria, considerados como atributos de Deus e uma de suas bençãos para o ser humano. Ao mesmo tempo, também encaram o conhecimento técnico e científico com reserva e desconfiança, o que lembra bastante nossa atual atitude pós-moderna. Uma das teses deste livro é a de que esta visão em parte negativa provém do fato de que os autores bíblicos, em sua maioria, compartilham de uma mesma visão romântica e crítica da civilização urbana, cultivando uma nostalgia e um anseio por sociedades pré-estatais menos violentas e mais equalitárias. Mas talvez esta seja uma resposta apressada, uma vez que a Bíblia, essa “biblio”-teca de livros com origens e visões tão diferentes, apresenta ainda outras atitudes frente aos problemas éticos e filosóficos relativos ao conhecimento, à ciência, à tecnologia e ao status moral e social de seus intelectuais orgânicos.

Antes, porém, precisamos responder à seguinte dúvida legítma: podemos realmente falar em ciências na antiguidade bíblica, ou isto seria um anacronismo dado que as “verdadeiras” ciências teórico-experimentais só se afirmam a partir da Renascença ou mesmo mais tarde? Deveríamos restringir o termo Ciência para descrever apenas o conjunto de conhecimentos sistemáticos desenvolvidos de uma forma secular, não submissa a visões de mundo religiosas? Afinal, é bem sabido que a emergência do Direito, da Ciência, da Filosofia e da Ética enquanto disciplinas autônomas, a partir de uma matriz religiosa, é um desenvolvimento tardio e, mesmo hoje, não-universal[1]. Além disso, temos a tendência de considerar como “científicos” apenas os conhecimentos testados e tidos como “válidos”, “verdadeiros” ou “eficazes”.

Esta última atitude porém, é ingênua: existem muitos conhecimentos “válidos”, “verdadeiros” ou “eficazes” que não são científicos, conhecimentos que não são marginais mas sim indispensáveis à nossa sobrevivência: a culinária, o cuidado e educação de crianças pequenas, a jardinagem, a agricultura tradicional, o artesanato, boa parte das técnicas de engenharia, enfermagem e medicina. Na verdade, a medicina científica, com testes estatísticos rigorosos, de preferência duplo cegos, ou com um conhecimento biológico profundo que fundamente sua eficácia, é um desenvolvimento tardio que abarca apenas uma parte dos tratamentos médicos.

Por outro lado, temos vários exemplos de teorias “científicas” que não são hoje consideradas “verdadeiras”: a concepção de espaço-tempo newtoniana e a Mecânica Clássica[2], a teoria dos dois fluidos elétricos, a teoria do Flogístico[3], a teoria do Calórico[4], o Uniformitarismo geológico[5], a teoria do éter luminífero[6], a cosmologia de estado estacionário[7]. Na verdade, 90% dos trabalhos publicados em uma grande revista de Física, por exemplo, serão considerados ultrapassados, errados ou irrelevantes em cerca de trinta anos, e nem por isso seriam considerados como não científicos. Hoje, em pleno século XXI, sabemos que nossas principais teorias físicas, a Relatividade Geral e a Mecânica Quântica, são incompatíveis em seus fundamentos, de modo que uma futura teoria geral deverá superar ou uma, ou outra, ou ambas. Por enquanto, temos apenas teorias especulativas[8] parciais, tais como a Teoria de Supercordas[9], ainda cheias de problemas teóricos e que correm mesmo o risco de serem experimentalmente não-testáveis[10].

Assim, seguindo os historiadores das ciências (Holton,1998), acredito poder falar com propriedade de tradições científicas em cada civilização humana (por exemplo, Suméria, Egípcia, Chinesa, Babilônica, Hindu, Grega, Romana, Árabe etc.). Em maior ou menor grau, tais tradições intelectuais herdaram conhecimentos de suas antecessoras e interagiram[11] entre si, permitindo mais tarde a emergência de uma tradição científica multicultural, a ciência teórico-experimental moderna, a partir do processo de globalização iniciado pelas grandes viagens do século XV. Devemos resistir, porém, à tentação de ver nessa tradição intelectual internacional um simples fruto do colonialismo mercantil europeu. Afinal, a ciência árabe, que tem um caráter profundamente multicultural devido à herança greco-romana, persa e hindu, floresceu muito antes do que qualquer tipo de capitalismo mercantil ocidental.

Talvez o ponto unificador dessas tradições científicas antigas seja o fato de que eram cultivadas por uma classe de intelectuais que dominavam a linguagem escrita e o cálculo matemático: são os sábios e filósofos, muitas vezes sacerdotes oficiais ou membros das cortes reais, outras vezes apenas adeptos de cultos de mistério ou de magia natural. Lembremos que o termo “filósofo”, que primeiro aparece na filosofia pitagórica, se refere aos amigos (Filo) da Sabedoria personificada (Sofia), e possui um sentido iniciático e religioso.

Já as técnicas e a tecnologia, com seu know-how não formalizado, parecem ser primordialmente o campo de atuação de classes sociais intermediárias tais como arquitetos e artesãos, e mesmo de operários, escravos e mulheres, que exerciam as artes práticas e manuais. A história da Tecnologia é mais fácil de ser acompanhada, por deixar registro arqueológico independente do registro escrito. Na verdade, pode-se falar de tecnologia paleolítica, neolítica etc., e mesmo em uma tecnologia proto-humana e tecnologia não-humana.

Com efeito, se definirmos tecnologia como técnicas de fabricação e uso de artefatos transmitidas por vias de ensino-aprendizagem, em vez de apenas comportamentos instintivos, então várias espécies de animais possuem sua tecnologia própria: antropóides, macacos, elefantes, castores, papagaios, polvos, etc. Isso sem falar em “tecnologias comportamentais”, ou seja, técnicas de caça, comunicação, lavagem de alimentos e construção de ninhos que são passadas culturalmente entre os animais.

Assim, mais do que a tecnologia, parece ser a tentativa de criar conhecimento e ciência, na forma de relatos organizados acerca das origens e do presente estado do mundo, um dos traços dos distintivo do ser humano: homo sapiens sapiens, o húmus que sabe que sabe. A ênfase no valor do conhecimento levará a diversas formas de gnosticismo, quer religioso, quer secular. A Bíblia, enfatizará, porém, outro traço distintivo do humano: o animal profundamente social, que se relaciona com o seu próximo. A tensão, e por vezes a contradição, entre amor, justiça, sabedoria e conhecimento científico permeia os textos bíblicos.



[1] Consultado sobre o que pensava da Revolução Francesa, um ministro oriental disse: “Ah sim, estamos acompanhando com interesse”.

[2] Nas salas de aula, costuma-se enfatizar que a Mecânica Clássica ainda é uma boa aproximação para a dinâmica de corpos macroscópicos em baixas velocidades e campos gravitacionais fracos. Esta visão é inadequada: o Geocentrismo é eficaz pragmaticamente (sendo ainda usado na navegação) mas isto nada diz sobre a validade de seus fundamentos. Os fundamentos da Física Clássica são incompatíveis com os da Física Relativista e os da Física Quântica. Ver Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas (1962).

[3] Teoria da combustão química baseada na idéia de que a a queima dos materiais implica na expulsão e queima de um fluído (o Flogístico). Foi testada e derrubada pelos experimentos de Lavoisier.

[4] Teoria da transmissão do calor através de um fluído (o Calórico). Foi derrubada pela Teoria Mecânica do Calor do Conde Rumford e posterior desenvolvimento da Termodinâmica Clássica.

[5] Teoria geológica de Cuvier, derrubada pela teoria das placas tectonicas de Wegner.

[6] Teoria que pretendia descrever a luz como uma onda propagando em um meio subjacente, o éter luminífero. Foi generalizada no século XIX para incluir todos os aspectos do eletromagnetismo e da propagação do calor radiante (radiaçao infravermelha). Foi tornada obsoleta pela teoria da Relatividade Restrita de Einstein.

[7] Teoria cosmológica concorrente da Teoria do Big Bang, propunha que a expansão cósmica seria compensada por uma criação espontânea de partículas, de modo que a densidade de matéria no Universo permanecesse constante.

[8] O leitor pode estranha a minha expressão “teoria especulativa”, dado o uso frequente do termo “teoria científica” para designar um sistema de hipóteses bastante testadas e com grande acumulo de evidência experimental ou observacional favorável. Meu uso desse termo se conforma ao uso corrente em Física: teoria é um conjunto logicamente coerente de idéias e hipóteses que visa explicar um conjunto amplo de fatos. Nesse sentido, podem existir “teorias científicas ainda não testadas” e “teorias científicas refutadas”. O adjetivo “científico”, longe de designar um método, indica basicamente que a teoria partilha uma certa tradição científica acumulada.

[9] Para uma introdução às teorias físicas contemporâneas, ver O Universo Vivo e The trouble with Physics, ambos do físico Lee Smolin.

[10] Como bom pós-poperiano, evito usar o termo “inverificável”.

[11] O desenvolvimento de tradições científicas independentes na África Sub-Saariana, nas Américas e da Oceânia mereceria considerações a parte.

Como pode Marina Silva escapar da pecha de “criacionista”?

Me parece que a opção mais viável é ela assumir que se alinha com a Fundação BioLogos de Francis Collins, diretor do NIH.

Introduction

Chapters 8 – 10 of The Language of God, by Dr. Francis Collins, contain brief descriptions of Theistic Evolution, Intelligent Design and Creationism. Below are definitions of each term and clarifying points to distinguish them from BioLogos.

BioLogos

BioLogos is most similar to Theistic Evolution. Theism is the belief in a God who cares for and interacts with creation. Theism is different than deism, which is the belief in a distant, uninvolved creator who is often little more than the sum total of the laws of physics. Theistic Evolution, therefore, is the belief that evolution is how God created life. Because the term evolution is sometimes associated with atheism, a better term for the belief in a God who chose to create the world by way of evolution is BioLogos. BioLogos comes from the Greek words bios (life) and logos (word), referring to the gospel of John:

“In the beginning was the Word, and the Word was with God, and the Word was God.” 1

Intelligent Design

Contrary to some interpretations, Intelligent Design, or ID, makes no specific theological claims. Proponents of ID only argue that “certain features of the universe and of living things are best explained by an intelligent cause, not an undirected process such as natural selection.”2 This definition can be confusing because Theistic Evolutionists also believe an intelligent being created the world. Theistic Evolutionists, however, also believe evolution by natural selection is the process God used to create. Although advocates of ID do not disagree that evolution is change over time, they deny the biological process of evolution by natural selection could account for the present complexity of life forms on Earth.

Intelligent Design proponents argue evolution cannot explain certain aspects of creation. In particular, ID claims certain features of the world are irreducibly complex and could not have evolved from less complex predecessors. Although ID supporters believe that such findings refute evolution, Theistic Evolutionists —along with the vast majority of mainstream scientists — do not see these examples as a threat to the theory of evolution by natural selection. Collins writes about several popular examples of irreducible complexity in chapter nine The Language of God.

Creationism

BioLogos and ID agree the Earth and the universe were created. Creationism, however, generally refers to the belief that life on Earth is a result of a direct act of intervention on God’s part. This act cannot be explained by science but is described in the early chapters of Genesis. There are several versions of Creationism, two of which are Young Earth Creationism (YEC) and Old Earth Creationism (OEC).

Young Earth Creationism

Image of

The Genesis Flood

The Genesis Flood, published in 1961, is credited with launching the modern anti-evolutionary movement known as scientific creationism.

Young Earth Creationism is often referred to as Biblical Creationism, although it is not the only view held by those who believe the Bible. Young Earth Creationism is both a theological and scientific belief about the world. It states the God of the Bible created the world in six 24-hour periods, as understood by a literalist interpretation of the first and second chapters of Genesis. With this theory, the Bible provides a scientific account of human origins. Theistic Evolution, however, does not contend the first two chapters of Genesis were written as historical documentation of God’s creative process. Although Young Earth Creationism is currently popular in the United States, this was not always the case.

Old Earth Creationism

Unlike Young Earth Creationism, Old Earth Creationists do not necessarily believe God created everything in six 24-hour periods. However, Old Earth Creationists do believe that God intervened in creation for certain key stages. Because there are many options for how and when God acted in the creation process, there are several approaches to Old Earth Creationism. The most popular perspectives are called Gap Creation and Progressive Creation. Old Earth Creationism also allows for many different interpretations of Genesis including the Day-Age perspective, the Gap theory and the Framework interpretation.

See “What was the Christian response to Darwin?”. More about Young Earth Creationism also can be found on the Web sites of its two largest supporters: Answers in Genesis and the Institute for Creation Research.

Although members of other faiths might believe in an Old Earth Creationist viewpoint, the term is generally used to refer to the Christian perspective. Because BioLogos includes belief in a creator, it is sometimes thought to be a version of Old Earth Creationism. However, because BioLogos does not require that God miraculously intervened in the process of evolution in the sense of working outside the laws of nature, and because BioLogos also claims logical evolution is the way by which God created the world, it is not a form of Old Earth Creationism.

O que a religião e o ateísmo tem em comum?


Religious believers and strong atheists may both be less depressed than existentially-uncertain people

Sir,

Although controversial, it is often argued that religious belief is a cause of greater happiness.1 However, we have found in two separate studies that both theism and atheism are correlated with fewer reported depressive symptoms than the in-between state of ‘existential uncertainty’.

In our first study, on the effect of religious conviction on the Beck Depression Inventory (BDI), there was an unanticipated ‘inverted-U’ relationship, where the most and least religious groups had fewest depressive symptoms. In the second,we devised an 11-item existential conviction scale (ECS) as a measure of the degree of certainty with which an individual feels they understand the basis of human life [http://www.hedweb.com/bgcharlton/ecsq]. Fifty-two subjects (24 male, 28 female; age 18–76 years) completed the ECS and BDI. All 10 of those who rated as depressed (‘mild’ depression, BDI score 10+) were roughlyhalfway between atheist and theist. There was a significant negative relationship between ECS and the BDI (Spearman rank correlation –0.44, p<0.2).

There are several plausible explanations for such an association. Most obviously, strong beliefs may protect against depression, or conversely, low mood may diminish strong beliefs. Alternatively, depressive symptoms and existential uncertainty may both be a consequence of confounding by systemic illnesses, because immune activation tends to cause malaise symptoms such as fatigue (leading to depressed mood) and impaired concentration (perhaps leading to greater uncertainty of beliefs).2–4 This hypothesis is currently being tested.

J. Riley, S. Best and B.G. Charlton

School of Biology University of Newcastle upon Tyne Newcastle upon Tyne

References

1. French S, Joseph S. Religiosity and an association with happiness, purpose in life and self-actualization. Ment Health Relig Cult 1999; 2:118–20.

2. Hart BL. Biological basis of the behaviour of sick animals. Neurosci Biobehav Rev 1988; 12:123–37.[CrossRef][Web of Science][Medline]

3. Charlton BG. The malaise theory of depression: Major depressive disorder is sickness behavior and antidepressants are analgesic. Med Hypoth 2000; 54:126–30.[CrossRef][Web of Science][Medline]

4. Campbell GE, Goodchild N, Charlton BG. Depressive symptoms in injury and illness. Q J Med 2001; 94:720–1.

De onde veio a semana de sete dias?

Imagem: Innana, deusa do fertilidade e da guerra, mais tarde assimilada a Astarte e Ishtar (relacionada ao planeta Vênus).

A origem dos sete dias

Antonio Luiz M. C. Costa

Sexta-feira, dia de entregar o texto para ser publicado no site na terça-feira. Sábado e domingo, dia de relaxar, passear, divertir-se. Segunda-feira, outra vez dia de ir ao trabalho e participar da reunião no serviço.

Estamos tão acostumados com rotinas semanais como essa que o ciclo de sete dias nos parece tão natural quanto o dia e a noite, as fases da lua ou as estações do ano – se não mais – apesar de ser totalmente arbitrário. Às vezes nos esquecemos dessa artificialidade, como certa pesquisa que ingenuamente “descobriu” que as relações sexuais tendiam a seguir um ciclo de sete dias…

Por que sete dias e não quatro, cinco, seis ou dez? Na verdade, não há muito motivo para se escolher este ou aquele número de dias em particular, mas são bem fortes as razões para que as atividades sociais se organizem em torno de um ciclo determinado mais longo que o dia e mais curto que o mês – mais fortes quanto mais complexa for a sociedade. E quanto mais intensas forem as comunicações entre as sociedades, maior a necessidade de coordená-las entre si.

As forças que conspiraram para se ter uma mesma semana em todo o mundo são ainda mais poderosas que aqueles que levaram a tomar o meridiano de Greenwich como referência para as longitudes e, na maior parte do mundo, a dirigir pela mão direita. Essas escolhas não são necessariamente melhores que as alternativas, mas era preciso escolher. E uma vez generalizada a opção, é muito difícil mudá-la, mesmo com bons motivos.

Na Revolução Francesa, com parte da implantação do sistema decimal, tentou-se substituir a semana tradicional por outra de dez dias, mas ao contrário da reforma dos pesos e medidas, a do tempo não pegou. Da mesma forma, o teclado Dvorak, cujas primeiras teclas são PYFGC, não conseguiu desbancar o tradicional QWERTY, embora seja comprovadamente mais eficiente e menos cansativo para quem escreve em inglês (já em português, o arranjo ótimo seria outro, conhecido como “teclado nativo”, que tem HXWTL como primeiras teclas).

Na África, Oceania e Extremo Oriente, só começou a reger o quotidiano em épocas recentes. Na China e nos países de sua esfera de influência cultural usava-se, até bem avançado o século XIX, um ciclo de dez dias, relacionados aos chamados “dez troncos celestiais” – derivados dos cinco elementos da tradição chinesa (fogo, água, terra, madeira e metal), cada um nas modalidades yin e yang.

Na África, usaram-se várias semanas locais e étnicas até o século XX: entre os fon, igbo e iorubás da África Ocidental, por exemplo, usavam uma semana de quatro dias, dedicados pelos últimos a Awô (“Segredo”, relacionado a Ifá), Ogum, Xangô e Obatalá (Oxalá). Os Akan de Gana usavam uma semana de seis dias, chamados “do conselho (tribunal)”, “da morte (funerais)”, “de trás (dia de azar)”, “da cidade (político, dedicado aos cerimoniais reais)”, “para nada (dia de descanso)” e “novo (recomeço da semana)”.

Nos tempos modernos, foi a difusão da civilização ocidental – e, em menor grau do Islã – que impôs a semana de sete dias ao mundo. Em ambos os casos, o ciclo de sete dias tem uma origem dupla. De um lado, os astrólogos de Alexandria, que organizaram a semana acreditando serem os dias regidos sucessivamente pelos sete “planetas” então conhecidos, crença que acabou por se espalhar por todo o Império Romano e deste às culturas vizinhas. De outro, a tradição hebraica do shabbath ou sábado, que impunha um dia a cada sete dedicado ao culto religioso, com restrição ao trabalho braçal e servil.

Tanto os hebreus quanto os alexandrinos foram, provavelmente, influenciados pelas civilizações da Mesopotâmia. Muito antes que os profetas e sacerdotes de Judá pusessem por escrito os primeiros livros da Torá ou Antigo Testamento, ou mesmo que os hebreus pudessem ser identificados como um povo, os sumérios de Ur já observavam um ciclo de sete dias, relacionado aos sete planetas, sete céus, sete ramos da árvore da vida e os sete deuses que regiam todas essas coleções de sete elementos: Utu, Nanna, Gugalanna, Enki, Enlil, Inanna e Ninurta.

Por volta de 2350 a.C., Sargão I, o rei de Akkad, conquistou Ur e o resto da Suméria, unificou a Mesopotâmia e estendeu a toda a região o uso dessa semana de sete dias. Mais tarde, com a ascensão do poder da Babilônia, os nomes semitas dos deuses desta cidade se impuseram aos sumerianos, aos quais eram considerados equivalentes.

O ciclo teológico-astrológico de sete dias – representado também pelos sete escalões de Etemenanki, a grande torre de Babel – passou a se compor de Shamash (Sol), Sin (Lua), Nergal (deus da guerra e da morte, correspondente ao planeta hoje chamado Marte), Nabu (deus dos escribas, planeta Mercúrio), Marduk (deus patrono de Babilônia, tido pela cidade como supremo, planeta Júpiter), Ishtar (deusa do amor, planeta Vênus) e Ninurta (deus da agricultura e da saúde, planeta Saturno). Enquanto no dia de Ishtar era recomendável cultuar a deusa praticando o ato sexual, o último da semana era um dia perigoso, no qual qualquer empreendimento podia acabar mal. Ainda hoje, o planeta Saturno continua associado pelos astrólogos a má sorte, doenças e provações. Não era um dia de descanso, mas se evitava certas atividades.

Os hebreus, ao que tudo indicam, adotaram esse ciclo, alterando seu significado. Para seu monoteísmo, os deuses nada significavam, mas o sétimo dia babilônico tornou-se um dia de culto a Javé, adotando o nome do dia que, uma vez por mês, os babilônios dedicavam especialmente ao culto dos deuses, principalmente a Lua. Pois shabbatu, em Babilônia, era o dia de “apaziguar os deuses” (a palavra, de origem suméria, significa “apaziguar-corações”).

Quando foi inventado esse sábado? Não se sabe com certeza. Talvez durante o exílio dos judeus em Babilônia, talvez antes, ainda nos tempos dos reis de Judá. Mas há indícios de que os hebreus seguiram originalmente uma semana de dez dias. Sabe-se que o Egito do tempo dos faraós – que por muito tempo dominaram Canaã e os ancestrais dos hebreus – tinham de fato uma semana de dez dias, cuja sombra ainda se percebe nos “decanatos” da astrologia, que dividem o ano e o Zodíaco em 36 seções de aproximadamente dez dias. E a própria narrativa do Gênesis dá a impressão de ter sido originalmente dividida em dez dias ou fases, para ser mais tarde “comprimida” nos sete dias da semana adotada mais tarde. Vejamos:

Dia 1: Deus (no original, Elohim) a) cria o céu e a terra (não vê que é bom, porque tudo ainda está escuro) e b) separa a luz das trevas “e vê que é bom”. Seriam os dias 1 e 2 do ciclo original de dez dias.

Dia 2: Deus cria o firmamento para separar “as águas de baixo” das “águas de cima” “e vê que é bom”. Seria originalmente o terceiro dia.

Dia 3: Deus a) separa as terras dos mares “e vê que é bom” e b) cria as plantas “e vê que é bom”. Seriam o quarto e quinto dia “egípcios”.

Dia 4: Deus cria o sol e a lua “e vê que é bom”: seria o sexto dia.

Dia 5: Deus cria os peixes e as aves “e vê que é bom”: sétimo dia.

Dia 6: Deus cria a) os animais terrestres “e vê que é bom” (oitavo dia) e b) o homem e a mulher, completa a obra “e vê que é muito bom” (nono dia).

Dia 7: Deus descansa: originalmente, o décimo dia egípcio.

A serpente falante e a árvore da ciência, boa e má

Animado pelas investidas de Reinaldo Lopes de divulgar teologia para cientistas, reproduzo aqui um trecho de um livro que estou escrevendo (Deus e Acaso). Antes porém, você deve ler o post

Todo nerd é literalista? para uma introdução.

A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que Iahweh tinha feito. Ela disse à mulher: “Então Deus disse: Vós não podeis comer de todas as árvores do jardim?” A mulher respondeu à serpente: “Nós podemos comer do fruto das árvores do jardim. Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: dele não comereis, nele não tocareis, sob pena de morte.” A serpente disse então à mulher: “Não, não morrereis! Mas Deus sabe que , no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e sereis como deuses, versados no bem e no mal. “

Gênesis 3:1-5

O relato de Adão, Eva, o fruto proibido (que não era uma maçã!) e a Serpente no jardim do Éden é um dos mitos pervasivos de nossa sociedade, com ressonâncias desde na nossa moral sexual (o fruto proíbido sendo interpretado como o ato sexual) até a visão popular sobre os limites da ciência e da tecnologia. Com efeito, quantas e quantas vezes não vemos na literatura e nos jornais a expressão “os cientistas estão querendo brincar de Deus!”, atitude que supostamente deverá desencadear consequências maléficas e mesmo a maldição divina.

Segundo os pesquisadores bíblicos, o relato de Gênesis 3, que reflete tradições orais antigas, foi provavelmente redigido durante o reinado de Salomão (cerca de 970 até 930 AC). Dado esta época de redação tardia, reflete toda a experiência histórica dos israelitas referente à incompatibilidade entre a religião mosaica, com sua ênfase “apolínea” acerca da justiça social como precondição para a comunhão com o Deus da Justiça Iaweh, e a religião “dionísica” da Deusa, a Rainha do Céu, que em diferentes regiões se identifica com o culto a Astarte (cananeus), Innana (sumérios), Isthar (assírio-babilônicos) e Ísis (egípcios).

Desde os primeiros contatos com os cananeus, percebe-se que a religião mosaica não consegue competir, em termos de atrativo e popularidade, com as religiões locais, especialmente o culto à Astarte, que tinha um caráter mais extático e popular, com seu lado de religião mágica e culto de mistério, sem uma ênfase específica em crítica social. Na verdade, como na maior parte das religiões ainda hoje, os sacerdotes, sacerdotisas, sábios e advinhos das religiões cananéias desempenhavam o papel de intelectuais orgânicos de sua sociedade, no caso as cidades-estado onde nobres e reis eram considerados “filhos de Deus” (ou deuses) e os párias, escravos e pobres em geral seriam os “amaldiçoados pelos deuses” ou pelo Destino. Um exemplo bíblico retratando esta situação se encontra no livro de Jeremias:

Mas tu, não intercedas por este povo e não eleves em seu favor nem lamentos nem preces, e não insistas junto a mim, por que não vou te ouvir. Não vês tu o que eles fazem nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém? Os filhos ajuntam a lenha, os pais acendem o fogo e as mulheres preparam a massa para fazerem tortas à Rainha dos Céus; depois fazem libações a deuses estrangeiros para me ofenderem. Mas será a mim que eles ofendem?, oráculo de Yahweh. Não será a eles mesmos, para sua própria vergonha?(…) Sim, os filhos de Judá praticaram o mal diante dos meus olhos, oráculo de Yahweh. Eles colocaram suas Abominações no Templo, no qual o meu Nome é invocado, para profaná-lo. Eles construiram os lugares altos de Tofet no vale de Ben-Enon, para queimar os seus filhos e as suas filhas, o que eu não tinha ordenado e nem sequer pensado.

Jeremias 9:16-19, 30-31

Este texto mostra como a religião monoteísta dos “profetas de Yaweh” parece ser extremamente vulnerável, sendo facilmente esquecida e substituida pelas práticas religiosas das nações circunvizinhas. Ela parece ser por demais racional na sua crítica aos ídolos e a práticas religiosas consideradas como superstições descompromissadas com o ideal de justiça mosaico. Além disso, mais cedo ou mais tarde, a religião mosaica tendia a perder o suporte oficial do Estado, pois em vez de sacramentar e apoiar diretamente os reis, os ricos e a classe sacerdotal, na verdade era profundamente crítica deles e da vida urbana, pretendendo exercer uma atividade regulatória que minimizasse o pauperismo dos pequenos agricultores, pastores e operários.

Além disso, os cultos de fertilidade, que envolvem práticas rituais de casamento hierogâmico com prostitutas sagradas, tinham seus atrativos em termos especificamente sexuais, contrastando com o puritanismo da Lei Mosaica. É interessante notar que os cultos de fertilidade parecem ter sua sede principal não no campo mas nas cidades, que dependiam da produtividade (“fertilidade”) do campo para se manter.

Isthar, além de deusa da fertilidade e do sexo, é também deusa da medicina e dos conhecimentos secretos, ou seja, da ciência e da tecnologia da época. Seu animal símbolo é a serpente, “o mais inteligente dos animais”, que controlava a medicina e a morte por sugerir a manipulação de drogas e venenos (esta é a origem da presença das serpentes no Caduceu de Hermes). O papel de destaque das mulheres neste culto da Deusa e da Serpente certamente está relacionado ao papel da mulher enquanto agente civilizatório, no desenvolvimento da agricultura, no processo de sedentarização urbana, no conhecimento de ervas, drogas e venenos. O desenvolvimento de tradições escritas nas cidades favorece também o registro e manutenção desse “conhecimento sagrado”.

Embora associado ao culto da Deusa-mãe, a Terra, devemos ter o cuidado de não idealizar o culto da Deusa-filha Ishtar como uma religião ecológica e pacífica (uma tendência do neopaganismo feminista atual que não possui base histórica). Ishtar é descrita, desde os registros mais antigos como O Épico de Gilgamesh, como uma deusa terrível:

Gilgamesh abriu sua boca e respondeu à gloriosa Ishtar: (…) Os seus amantes encontraram em você um braseiro que se apaga no frio, uma porta de trás que não proteje nem do vento nem da tempestade, um castelo que esmaga sua guarnição, um betume que enegrece as mãos do portador, um odre que molha o carregador, uma pedra que cai do parapeito, um golpe devolvido pelo inimigo, uma sandália que faz tropeçar quem a usa. (…) Quais de seus amantes você por acaso amou com constância? (…) Você amou o pastor do rebanho; ele fez tortas para você dia após dia, ele matou crianças para seu agrado. Mas você o feriu e o transformou em um lobo. (…)

Quando Ishtar ouviu isto ela caiu numa cólera amarga, ela subiu aos altos céus. Suas lágrimas cairam em fronte de seu pai Anu, e Antum sua mãe. Ela disse, “Meu pai, Gilgamesh lançou insultos sobre mim, ele contou sobre todo o meu comportamento abominável, meus atos loucos e secretos”. (…) Ishtar abriu sua boca e falou de novo: Meu pai, dê-me o Touro dos Céus para destruir Gilgamesh. Encha Gilgamesh , eu digo, com arrogância que o levará à sua destruição; mas se você recusar dar-me o Touro dos Céus eu quebrarei as portas do inferno e esmagarei suas dobradiças; haverá confusão entre as pessoas, aquelas acima com aquelas das profundezas. Eu levantarei os mortos para comer alimento como os viventes; e os hóspedes da morte serão em maior número que os vivos.

Anu cede a Ishtar o Touro dos Céus, que ataca a cidade de Uruk matando centenas de jovens. Gilgamesh e Enkidu, seu amigo, reagem e matam o Touro dos Céus.

Então Ishtar chamou os seus seguidores, as jovens que dançam e cantam, as prostitutas do templo, as cortesãs. Sobre as coxas do Touro dos Céus ela organizou uma lamentação.

Enkidu então é alvo de um ato de vingança por parte de Ishtar, morrendo em seguida de uma doença misteriosa, que lembra um envenenamento.

O carater não pacifista de Ishtar-Astarte se revela também em seu título de Deusa da Guerra. Ela é representada como uma guerreira comandando um carro de combate, portando o arco e flecha e uma capa protetora de pele de leão. Este aspecto da Deusa, porém, é coerente com a visão de que ela é a Deusa da Ciência e da Tecnologia (no caso, a tecnologia de guerra). A Deusa é a amante dos reis, sacramentando-os como escolhidos pelos Céus e lhes dando o poder científico e tecnológico para superar seus inimigos. Ela abençoa a economia (fertilidade agrícola e pastoril). Seus segredos são guardados pelos intelectuais da corte, as sacerdotisas, os sábios, os conselheiros, os escribas. A Deusa Ishtar é o símbolo da civilização urbana tecnológica e opressora. É a deusa central da principal potência militar da época em que o Genesis foi escrito, a Assíria (Ishtar é a patrona de Nínive, a capital do ímperio Assírio), império que o pequeno reino de Israel não conseguia enfrentar.

Fica claro, portanto, a natureza do relato da Queda: é uma parábola, um mito fundador, até mesmo um panfleto em uma luta ideológica contra as ideologias religiosas da super-potência da época (Império Novo-Assírio) que minam o projeto revolucionário de Moisés. Eva representa as mulheres judias que estavam se deixando seduzir pelo culto a Astarte, cujo símbolo era a serpente. Adão são os homens judeus que acompanharam suas mulheres neste processo. O “fruto conhecimento” são os ensinos esotéricos que prometiam aos praticantes se tornar como Deus.

A árvore da vida é a religião mosaica, a arvore do conhecimento é a religião cananéia, a única árvore cujo fruto era proibida por Deus, pois equivalia a abandonar o projeto mosaico. A perda do paraíso é a perda da utopia buscada por Moisés: uma terra de justiça onde mana leite e mel para todos. O resultado desse abandono seria uma vida de suor e trabalho em cidades-estados cuja estrutura social opressora era apoiada e sacralizada pela religião e pela ciência-tecnologia cananéias.

Naquela circustância histórica, ceder ao politeismo não era uma questão religiosa privada, como entendemos a religião hoje. É ceder a todo um sistema social injusto sacralizado de forma religiosa. É renunciar ao monoteísmo socialista de Moisés. Conflito aparentemente insuperável, e que acabou gerando reações violentas típicas de movimentos revolucionários.

Mesmo com todas as tentativas, violentas ou não, de preservação da revolução mosaica, as religiões mágicas cananéias finalmente dominam e suplantam o “monoteismo socialista” judaico, a partir do final do reinado de Salomão. Em parte isso se deve ao poder cultural, urbano, científico e tecnológico representado pela Deusa.

O ressentimento contra esta derrota histórica irá permear todos os escritos bíblicos posteriores, fazendo da Bíblia provavelmente o primeiro livro romântico e contracultural da civilização ocidental. A crítica bíblica à ciência e tecnologia, a “árvore da ciência que pode ser usada para o bem ou para o mal” ( uma tradução melhor do que “árvore do conhecimento do bem e do mal”), precisa ser entendida nesse contexto.

Todo nerd é literalista?

O que você diria de pessoas que, após ouvir a parábola da Raposa e das Uvas Verdes, viessem com o seguinte comentário:
Mãe do Sheldon: “O livro de Esopo contém lições importantíssimas para a humanidade. E cada palavra do livro de Esopo é verdadeira! A teoria da evolução das raposas é apenas uma teoria, é conhecimento científico mesclado com naturalismo filosófico. É possível mostrar científicamente que no passado não só as raposas falavam como comiam uvas. O Esopismo científico deveria ser ensinado junto com o Evolucionismo das raposas.”
Bom, acho que você perceberia que essa pessoa não entendeu nadinha do propósito do livro de Esopo. E também, ao se apegar a uma interpretação literal, deixa de entender a profunda mensagem da estória.
Sheldon: “É um absurdo quem acredita nessa história! Raposas não falam. Raposas não comem uvas. Isso vai contra tudo o que a ciência da Biologia nos revelou até hoje. Além disso, os historiadores mostraram que Esopo não existiu, e que os relatos atribuidos à ele na verdade foram redigidos séculos depois. Quem conta esse tipo de história apenas espalha superstições (raposas falantes, ora esta!) e põe em risco toda a nossa cultura e educação científica!”
É claro que não estou falando do livro de Esopo, mas sim de outro livro de estórias que não é um livro de história. O literalismo fundamentalista é burro. O literalismo ateísta lembra sintomas da síndrome de Asperger Sheldoniana. Mas se você não quer ser Sheldon nem sua mãe, aguarde o próximo post.

Quem tem medo de Marina Silva?

Pois é, parece que a entrevista de Marina Silva aos jovens adventistas vai ser mesmo uma peça importante de desinformação a ser usada para combater sua candidatura. Ver “Eu tenho medo de Marina Silva” e comentários naquele blog.
Então, quanto mais informação sobre o episódio, melhor.
O tema da palestra da Ministra foi “Meio Ambiente e Cristianismo” onde Marina teceu críticas à falta de empenho das igrejas cristãs em defender o ambiente motivado pelo medo de que isso seria se alinhar ao panteísmo Nova Era.
Seria interessante conseguir a integra da palestra da Ministra e publicá-la. Aposto um Kit Colorado como ela não defende o Criacionismo em tal palestra.
Encontrei alguns comentários interessantes do jovem responsável pelo site éoqhá
Eleita pelo jornal inglês The Guardian como uma das 50 pessoas que podem salvar o mundo, Marina Silva, Ministra do , fala-nos sobre algo pouco abordado na mídia tradicional: suas convicções e crenças religiosas.Está ocorrendo uma grande discussão em torno desse episódio no blogCiência em Dia.

Aficcionado em tecnologia e por novos métodos de contar histórias, o Matheus é atualmente um estudante de jornalismo. No tempo livre aproveita para ler (revistas, livros, jornais) e se possível viajar para conhecer novas culturas, pessoas e lugares.

Como diretor do éoqhá gostaria de responder as suas questões. Primeiro, como adventisas e cristãos acreditamos e defendemos um estado laico não envolvido com qualquer organização religiosa (veja nossa crítica quanto ao modelo fundamentalista cristão nos EUA que abordamos no episódio sobre Política e Religião e as iniciativas da Igreja Adventista quanto a tolerância religiosa, mundialmente reconhecida por esforços nessa área). Ao entrevistar a ministra, perguntamos suas opiniões pessoais quanto ao assunto, e acredito que essa proposta foi bem cumprida nessa entrevista.

Outro aspecto importante, é que se você olhar a programação a ministra palestrou sobre a preservação do meio ambiente e não sobre o criacionismo.

Em OFF aqui para vocês, mas algo que me chamou muito a atenção foi a integridade dela. Ela não aceita presentes acima de 100 reais. Por isso ela nem aceitou que a instituição pagasse a estadia dela, que ficou por conta da igreja que ela frequënta (que aliás cobriu todas as despesas). [Ou seja, Marina estava atuando como pessoa física e não como Ministra de Estado (pois neste caso, o Ministério pagaria suas despesas)]

Um comentário de um leitor:

Falou-se na Constituição. Com todo respeito. Sou um simples estudante de direito e, com a devida venia, estudo a carta magna com afinco. O estado é laico. Definitivamente. Mas a mesma constituição garante o livre pensamento e garante a liberdade religiosa. Assegura a liberdade, sendo que qualquer pessoa (inclusive uma cristã, como a ministra)pode ocupar cargo público.

Qualquer conhecedor atento tanto da constituição, quanto da legislação infraconstitucional, sabe que há uma sensível diferença entre cargo público e agente. Não se pode confundir o Estado laico – com seus cargos e funções (que decorrem daqueles), com o princípio de impessoalidade esculpido no art. 37 da CF – com o agente político.


Creio que ela não deveria fazer tais declarações em exercício de função, como p. ex., em documentos oficiais do estado, ou em impor tal ponto de vista em ato administrativo que deva ser obedecido pela estrutura estatal. Mas daí dizer que um agente político não pode expressar suas idéias porque o estado é laico? Isso sim é um absurdo!

Precisamos saber que existem maneiras diferentes de ver a vida. O Estado não toma posição, e nem o deve. Ele não deve proteger um em detrimento do outro! O que deve fazer é formar uma estrutura onde todos pontos possam conviver. Isto é o estado laico. O mesmo estado que oficialmente não subvenciona qualquer religião, é o mesmo que ASSEGURA E PROTEGE A LIBERDADE RELIGIOSA.





Ceticismo Aberto

Kentaro Mori, do blog 100Nexus: Preciso me desculpar com os leitores pela ausência de novos posts nas últimas semanas, mas eu posso explicar! Estive dedicado à reformulação de um projeto paralelo e convido todos a conferir o novo CeticismoAberto.

Há muito material, desde curiosidades científicas até uma série de artigos mais detalhados analisando de forma crítica as alegações do paranormal. Você pode ter ouvido falar que a idéia de “Deuses Astronautas” não se sustenta, mas caso se interesse também porarqueologiaastronomia e antropologia, que tal conhecer em detalhes como o mapa de Piri Reis não foi criado por imagens de satélites ou a tribo Dogon não conhecia anões brancas, em um caso comentado por Carl Sagan, que, surpresa, ao final errou em sua explicação sugerida?

O novo CeticismoAberto foi lançado como um “beta”, e ainda há vários detalhes a corrigir – incluindo uma lentidão no site – bem como há pretensões ainda maiores, como a formalização da iniciativa como uma associação educacional promovendo a ciência e o pensamento crítico. Se você aprecia o 100nexos, ele é de certa forma uma extensão do trabalho que iniciei há oito anos lá no CA. Que tal envolver-se e participar de tudo isto?

Agora que a fase mais trabalhosa na reformulação do CA já foi encaminhada, voltamos à programação normal no 100nexos!

Posted by Kentaro Mori at Setembro 2, 2009 2:22 PM

Francis Collins deve ser destituido do NIH?


Freethinker Sunday Sermonette: is Francis Collins, The Discovery Institute’s biggest fear?

Category: Freethinker SermonettesNIH
Posted on: May 31, 2009 6:46 AM, by revere

In the view of New Scientist journalist Amanda Gefter, The Discovery Institute, high priests of Creationism as an allegedly rational enterprise, aren’t really worried about Richard Dawkins. Presumably he’s just a great fund raising device for them. The one who really scares the BeJesus out of them is biologist Francis Collins, the evangelical Christian rumored to be Obama’s choice as next Director of NIH:

The Discovery Institute – the Seattle-based headquarters of the intelligent design movement – has just launched a new website, Faith and Evolution, which asks, can one be a Christian and accept evolution? The answer, as far as the Discovery Institute is concerned, is a resounding: No.

The new website appears to be a response to the recent launch of the BioLogos Foundation, the brainchild of geneticist Francis Collins, former head of the Human Genome Project and rumoured Obama appointee-to-be for head of the National Institutes of Health. Along with “a team of scientists who believe in God” and some cash from the Templeton Foundation, Collins, an evangelical Christian who is also a staunch proponent of evolution, is on a crusade to convince believers that faith and science need not be at odds. He is promoting “theistic evolution” – the belief that God (the prayer-listening, proactive, personal God of Christianity) chose to create life by way of evolution. (Amanda Gefter,New Scientist)

Gefter believes the Collins alternative has forced The Discovery Institute to admit their real motive is religious, not scientific. And she may be right. She’s followed this closely for some time and interviewed many of the main figures, including last year’s winner of The Templeton Prize, given for “Progress toward Research or Discoveries about Spiritual Realities.” In a review of a book debunking the kind of “quantum spirituality” espoused by Collins she showed herself appropriately skeptical and her take on The Discovery Institute’s new tack is not a defense of Collin’s brand of fuzzy thinking. She almost sounds amused:

Watching the intellectual feud between the Discovery Institute and BioLogos is a bit like watching a race in which both competitors are running full speed in the opposite direction of the finish line. It’s a notable contest, but I don’t see how either is going to come out the winner.

Still, Gefter makes it clear she is as concerned as the creationists about the siren chant of the Collins crowd. And the idea that Francis Collins is likely the next head of NIH sends chills down the spine of some science bloggers. But I’m not one of them. The subject came up a few nights ago during a dinner with some colleagues. These were highly accomplished senior scientists, all successful in competing for millions of dollars of NIH grants over many years (which is how we found ourselves at dinner together). Between us we knew most of the recent NIH Directors and many individual Institute directors. I doubt there was a Believer in the bunch. Yet most of us weren’t deeply worried about the possibility of a Collins regime at NIH. We’ve all watched him for a long time and it hasn’t seemed to any of us his religious views were anything but a personal peccadillo, like an enthusiasm for caving or bicycling. That’s not to say we thought his religious views were benign. Promoting superstition is not something any of us thought was a virtue. But judging from past performance, what he does or promotes in his off hours isn’t likely to affect NIH policy, which is a separate issue. To the extent his status as NIH Director lends credence to his religious views, this is an issue for science. But it is likely to be an even bigger issue for creationists.

Miguel Nicolelis para presidente!

Embora eu seja um ateu do futebol (acredito sinceramente que o predomínio de tal esporte é prejudicial para a sociedade, acho que é um celeiro de fanáticos capazes de matar quem não é do seu time, acho a FIFA corrupta e com indevido poder político etc), eu votaria em Miguel Nicolelis para presidente.
Acho que alguns blogueiros de ciência diriam que Miguel não pode ser presidente porque é Palmeirense fanático. E como todos sabemos, se um palmeirense ganhar a presidencia, o Palmeiras irá dominar o Brasil, apenas cientistas palmeirenses receberão verbas do CNPq, o Palmeirismo será ensinado nas escolas e os Corinthianos serão perseguidos e serão levados para campos de concentração com a desculpa de que é apenas concentração em campo de futebol.
Sendo palmeirense e torcedor, Miguel tem fé (irracional) no Palmeiras e acredita em pensamento mágico. Por exemplo, ele “torce” o corpo durante um jogo, tentando influenciar com o poder da mente a entrada da bola no gol – uma prova de que não acredita nas leis de Newton.
Mesmo assim, eu votaria no Miguel. Pois acredito que quem estabelece as leis no final das contas é o Legislativo, e que a mídia e a sociedade civil saberão conter Miguel caso ele queira substituir o laicismo brasileiro pelo Palmeirismo…
PS: Richard Dawkins diria que Nicolelis não serve para presidente porque educou desde pequenos seus três filhos no Palmeirismo, sem lhes dar opção de livre-escolha racional. Segundo Dawkins, este é um estupro mental mais grave que o estupro físico, e todo pai que faz isso deveria ser processado e preso.

Ciência e Idéias sobre Marina Silva


Mais um post de Maria Guimarães analisando a possibilidade e conveniência se se votar em Marina Silva: Marina a Caminho.

Reproduzo aqui meu comentário colocado lá:

Saiu uma entrevista com Marina aqui:

http://arquivoetc.blogspot.com/2009/08/veja-entrevista-marina-silva.html

Mais material para analisar. Acho que o pessoal não entendeu ainda que pseudociencia é uma afirmação ideológica ou religiosa que pretende passar como científica mas não possui as credenciais para tanto. Arte, política, religião, culinária, não são atividades científicas, mas isso não quer dizer que sejam anti-científicas ou pseudocientíficas.

Existe uma grande diferença entre dizer:
1. “Olha, eu acredito em Deus e acho que ele fez o mundo, mas isso não é uma afirmação científica nem pretendo que seja ensinado como ciência”
2. “É possível provar a idéia de criação divina usando o método científico”.

A atitude 1 não é uma atitude pseudocientifica ou anti-científica. A atitude 2 é pseudocientífica e corresponde ao “criacionismo científico” que certos conservadores americanos defendem.

É preciso distinguir entre crença não-científica e crença pseudocientífica ou crença anti-científica. Eu acredito que minha namorada gosta de mim, mas isso não é uma crença científica: tenho algumas evidências (não, não são evidências científicas!), e certamente nada muito rigoroso como testes duplo-cego ou demonstrações matemáticas…

PS: Embora eu me considere ateu (embora acredite na possibilidade científica de nosso universo ter sido criado por uma civilização anterior em um universo-mãe), minha namorada Angélica é evangélica (light) e até mesmo acredita em florais. Angélica é muito carinhosa, inteligente, bem humorada e diz que me ama. Será que devo dar o fora em minha namorada pelo fato de ela ser “pseudocientífica”?

O Espiritismo e a clonagem humana

OK, eu fiquei devendo o post sobre o Espiritismo e a clonagem humana, ou melhor, minha idéia sobre uma empresa de biotecnologia hiperlucrativa, especialmente se adotar um argumento espírita em sua propaganda.
Uma das evidências contra o espiritismo tradicional (ou seja, aquele que defende que a personalidade humana pre-existe e sobrevive à morte) é a forte correlação de traços psicológicos observada entre gêmeos univitelinos. Note que a correlação é que é o mistério, pois a falta de correlação (que também existe) pode ser explicada por fatores ambientais, epigenéticos ou psicológicos (irmãos tendem a competir, e gêmeos criados juntos tendem a se diferenciar para poder competir melhor).
Espíritas tradicionais explicam as correlações de personalidade com teorias tipo “espíritos amigos ou similares optam por encarnar juntos”. Não é uma explicação muito efetiva, pois gêmeos univitelinos criados em separado apresentam correlação de personalidade mais forte.
Pois bem, essa explicação não se aplicaria com certeza aos clones, especialmente àqueles gerados anos após a morte do doador. Portanto, uma propaganda eficaz para a minha empresa seria a de que os clones poderiam ser usados para reencarnação (tipo os Cylons de Galactica, entendem?). Ou seja, em vez de ser ressucitado por métodos criogênicos, você seria reencarnado por métodos clonais.
Eu tenho certeza que milhões de pessoas comprariam a idéia. Cobrando R$ 1.000 reais por cada armazenamento de célula tronco, teríamos da ordem de bilhões de reais de lucros!
Espíritas sofisticados reconhecem que uma teoria melhor seria que não é a personalidade que encarna (a personalidade seria fruto da genética e do ambiente, como afirma a ciência moderna), mas um núcleo mais básico, não pessoal. Ou então apelariam para emaranhamento quântico entre as personalidades, sei lá. Mas em geral, acho que as pessoas que comprariam os clones reencarnantes não seriam tão sofisticadas assim…

Marina é um Obama de saias?

Ateus não vão votar mais em Obama?

Non-Believers Losing Faith in Obama: More God Talk Than Bush — and Same Old Faith-Based Policies


(…)
Sonia Sotomayor was not seen as quite the champion of church-state separation that secularists would like, but her nomination was followed by Obama’s twin-bill nominations in July of Dr. Regina Benjamin, a practicing Roman Catholic who was awarded a papal medal, as surgeon general, and Francis S. Collins, an outspoken Evangelical and leading gene scientist, as director of the National Institutes of Health. Collins was an atheist but converted in his 20s, and in 2006 he wrote a best-selling book, “The Language of God: A Scientist Presents Evidence for Belief.”


That was a red flag to secularists (Collins’ support for stem cell research and evolution also drew opposition from some conservative Christians – strange bedfellows, indeed), who voiced concern about the nation’s most prominent scientist also being a believing Christian. (In fact,a recent Pew survey shows that about half of scientists report a religious affiliation and just over half say they believe in God or a “higher power.” That’s not like the numbers of the wider public, but not inconsiderable either.)

The most public critique came from Sam Harris, a prominent voice in the neo-atheist vanguard of best-selling authors and polemicists, whose July 26 op-ed in The New York Times said that “few things make thinking like a scientist more difficult than religion.”

“Must we really entrust the future of biomedical research in the United States to a man who sincerely believes that a scientific understanding of human nature is impossible?” Harris asked. The atheist blogger at Examiner.com, Paul Fidalgo, called Collins’ nomination “one more public embrace of irrationality” by Obama.

How much this represents an incipient revolt among the unbelievers is hard to say.

Você votaria em um vegetariano para presidente?

Maria Guimarães, do Ciência e Idéias, fez um ótimo post sobre por que irá votar em Marina Silva e por que a questão da religiosidade da candidata deveria ser pouco relevante para as análises feitas pela blogosfera científica.
Acho que esta eleição, por causa de Marina, vai ser a primeira onde as questões de religião do candidato e cientificidade de sua visão de mundo serão relevantes para o debate público. Entretanto, o debate sobre se as crenças privadas de Marina Silva irão influenciar seu futuro governo poderia ter um nível mais sofisticado. Por enquanto, está no nível de sofismas do tipo:
“Se o candidato vegetariano quiser passar por cima da constituição e impor seu vegetarianismo sobre nós, devemos nos unir para combatê-lo!”
“Todo vegetariano é um fundamentalista e mais cedo ou mais tarde torna-se um Vegano. Para um Vegano virar um terrorista e lançar bombas em açougues é um passo. Você é a favor dos terroristas?”
“Todo vegetariano é um nazi-facista em potencial. Hitler era vegetariano, obcecado pela saúde coletiva e foi o primeiro a impor leis em defesa da ecologia no século XX!”.
“O aborto é o método anticoncepcional mais garantido, não falha nunca. Todo vegetariano é contra o aborto, logo é contra as camisinhas também.”
“Se os vegetarianos tomarem o poder, os que gostam de um bom churrasco serão colocados em campos de concentração!”
“Não existe prova científica a favor do vegetarianismo. Na verdade, existem evidências científicas contra o vegetarianismo. Logo, todo vegetariano é anticientífico e irracional, e portanto incapaz para exercer cargo político!”
“Marina é vegetariana. Todo vegetariano é corrupto, vide Edir Macedo. Logo, Marina é corrupta!”
Acho que vocês me entenderam. Enquanto o debate ficar nesse nível, eu só posso abanar a cabeça e dar risada, tentando imaginar por que blogueiros de ciência pretensamente tão racionais não conseguem enxergar a natureza totalmente falaciosa de seus raciocínios…

Anjos criaram o universo?

Radical science: did angels create the universe?

A theory that claims that it might be possible to make universes in the laboratory may not be as far-fetched as it sounds, says Marcus Chown

Friday, 15 March 2002

The ultimate experiment is about to begin. On a cold, lonely moon, shrouded in purple-pink fog, a sentient ocean marshals the energy of a galaxy and focuses it on to a tiny mote of matter. A hundred billion stars flicker and dim. The air above the ocean sizzles and catches fire. Crushed by stupendous energies, the mote twists and bucks and, with a violent shudder, implodes. Elsewhere – in another space, another time – a searing-hot fireball explodes out of nothingness and begins to expand and cool. The ultimate scientific experiment has produced the ultimate experimental result: the birth of a new universe.

Could our universe have been born in such a way? According to Edward Harrison, it’s a real possibility. “Our universe could easily be the outcome of an experiment carried out by a superior intelligence in another universe,” says Harrison, a British physicist, formerly of the University of Massachusetts at Amherst.

Why suggest such an outlandish thing? Because it sheds light on a deep puzzle: why the laws of physics appear “fine tuned” for our existence. Even slight deviations in the laws would result in a universe devoid of stars and life. If, for instance, the force of gravity were just a few per cent weaker it could not squeeze and heat the matter inside stars to the millions of degrees necessary to trigger sunlight-generating nuclear reactions. If gravity were only a few per cent stronger, however, it would heat up stars, causing them to consume their fuel faster. They would not exist for the billions of years needed for evolution to produce intelligence.

This kind of fine tuning is widespread. One possible explanation is that the universe was “designed” by God. Some scientists accept this, but “unfortunately, it terminates further scientific enquiry”, says Harrison. The other possibility is that the universe is the way it is because, if it were not, we would not be here to notice. According to this topsy-turvy reasoning known as the “anthropic principle”, it is unsurprising that we find ourselves in a universe that is fine tuned for the existence of galaxies, stars and life. We could hardly have evolved in a universe that was not.

The anthropic principle leads to the idea that our universe is one of countless others. In each universe of this “multiverse”, forces like gravity have different strengths. An unavoidable consequence, however, is that most universes lack the special conditions needed for the birth of galaxies, stars, planets and so on. “There will be countless lifeless universes,” says Harrison. “This is waste on a truly cosmic scale.”

But in cosmology, as in politics, there may be a third way. According to Harrison, the multiverse could be far from a wasteland. It could be dominated by universes with galaxies and stars and life. The prerequisite is that life-bearing universes have a special ability: the ability to reproduce. Specifically, Harrison is suggesting that intelligent life actually makes new universes. “If so, then in offspring universes which are fit for life, new life evolves to a high level of intelligence, then creates further universes,” says Harrison.

In Harrison’s scheme, dubbed the “natural selection of universes”, the laws of physics most suited for the emergence and evolution of life are naturally selected by life itself. The origin of our universe is explained. It was created by super-intelligent beings living in another universe.

If Harrison is right, the fine tuning of the laws of physics has two possible explanations. New universes could inherit the characteristics of their cosmic parents, as children inherit the characteristics of their parents. Small “genetic variations” in the laws between generations would ensure that new universes were not carbon copies of their predecessors. It follows that since the parent of our universe was fine tuned for life and similar to our own – if it were not, life would never have arisen in it to make our universe – our universe must also be fine tuned. Another possible explanation for the fine tuning is that the makers of our universe actually engineered our universe to have laws that promoted the evolution of intelligent life.

According to Harrison, the mystery of why the universe appears designed for life has a straightforward solution: at a fundamental level it was designed for life. However, and this is Harrison’s novel twist, it was designed not by God – a Supreme Being – but by superior beings. Angels, if you like. “Intelligent life takes over universe-making business,” says Harrison. “Consequently, the creation of the universe drops out of the religious sphere and becomes amenable to science.”

Crucial to Harrison’s reasoning is the assumption that it is possible to make a universe. Bizarre as it seems, this is not science fiction. The recipe was discovered independently around 1980 by Alexei Starobinsky in what was then the Soviet Union and Alan Guth in America. In their “inflationary” picture, our Universe “inflated” from a super-dense “seed” of matter, perhaps only a thousandth of a gram. This prompted Guth to suggest that a universe might be made in the laboratory. Simply take a seed of matter and squeeze it to the extraordinary density that once triggered the inflation of our universe. This will make a black hole. According to Guth, the super-dense interior will inflate – not in our universe, but in a bubble-like space-time connected to our own by the “umbilical cord” of the hole. This cord is unstable. When it snaps, a baby universe will be born. “The practical details are not important,” says Harrison. “The important thing is that if beings of our limited intelligence can dream up wild, yet seemingly plausible, schemes for making universes, beings of much higher intelligence might know theoretically and technically how to do it.”

Recreating the conditions of the first split-second of the universe is way beyond our capabilities. But it may not be impossible. “It’s conceivable that more intelligent beings – perhaps even our own descendants in the far future – might possess not only the knowledge, but also the technology to build universes,” says Harrison.

But why would they want to? Perhaps, says Harrison, simply to see what happens. There may be beings so advanced that their children make universes in the same way human children make figures out of plasticine. Another possibility, says Harrison, is that an advanced civilisation, out of a spirit of altruism, might make new universes that are ever more hospitable for life.

The observable universe contains about 10 billion galaxies. If, during the lifetime of each, a single civilisation emerges which makes a new universe – a modest figure considering our galaxy has 200 billion suns – then our universe reproduces 10 billion times. Furthermore, if intelligent life in each galaxy of each daughter universe repeats the ultimate experiment just once, the result is 10 billion times 10 billion granddaughter universes. Life-bearing universes could very quickly come to dominate the multiverse.

Einstein famously said: “The most incomprehensible thing about the universe is that it is comprehensible.” According to Harrison, the explanation is that it was created by comprehensible beings – beings far in advance of us but basically like ourselves. Intelligent, but also intelligible. They made our universe to be like theirs, and their universe was in turn understandable. After all, they had to have the understanding to manipulate it and make a new universe.

A difficulty with Harrison’s vision is that if our universe was created by superior beings in another universe, and theirs in turn was created by superior beings in an earlier universe and so on, who or what created the first universe? One possibility, admits Harrison, is God. But he distinguishes between his idea and the religious view. “In my scheme, God starts things,” he says. “Thereafter, superior beings take over the creation of further universes.” Another possibility is that in the beginning there was a large ensemble of universes, each with its own random variant of the laws of physics. Most of the universes were dead and uninteresting. But, by chance, the conditions in at least one – the intelligent “mother universe” – were right for life. “Thereafter, intelligent universes come to dominate the ensemble, since they alone reproduce,” says Harrison.

But if a Supreme Being made the first universe, who or what made the Supreme Being? And if everything began with a mostly-dead ensemble of universes containing the intelligent mother universe, how did that come about? “Perhaps the supreme being occupied another universe created by an even higher form of intelligence, and perhaps the initial ensemble consisted of botched and bungled creations by a sorcerer’s apprentice in another universe,” says Harrison.

One thing follows automatically from Harrison’s vision. If humanity avoids destruction and survives into the far future, one day our descendants will have to make an important decision: whether or not to become parents.