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Prêmio SEMCIÊNCIA

O visitante número 50.000 irá ganhar um livro de divulgação científica no valor de R$ 100 reais (na base binária). O número de visitantes está na barra lateral, role para baixo. Se você foi o felizardo, declare-se aí nos comentários.

UPDATE: Sem vencedores, acho que o post ficou muito lá em baixo na hora H. Agora, o ganhandor será o visitante de número 50.100, OK?

Metáforas Científicas III

Faz tempo que surgiu aquela idéia das metáforas científicas. Fica aqui para registro. De graça. uma previsão de um crash financeiro global com oito anos de antecedência… OK, foi uma previsão genérica, mas lembrem-se que era a época da tal “Nova Economia” onde diziam que a economia global tinha alcançado um novo patamar de desempenho que evitaria crashes, etc. Da Wikipedia:
The New Economy was an evolution of developed countries from an industrial/manufacturing-based wealth producing economy into a service sector asset based economy from globalization and currency manipulation by governments and their central banks. Some analysts claimed that this change in the economic structure of the United States had created a state of permanent steady growth, low unemployment, and immunity to boom and bust macroeconomic cycles. They believed that the change rendered obsolete many business practices. Critics of these ideas felt vindicated when the stock market bubble burst. Many of the more exuberant predictions proved to be wrong.
Do Beijo de Juliana, pag 128:
Em 20/maio/2000 Osame escreve:
Pessoal,
O Jean e o Richard acham que o papel do físico é ser célula glia do processo social e econômico. Eu acho que o físico pode ser um neurônio. E você, Mauro? Não sei, mas ia sugerir que escrevêssemos artigos para jornais em conjunto, que tal? Lembra da nossa idéia de analisar o vocabulário de Física (tensão, equilíbrio, forças, ruptura, estabilidade, etc.) onipresente nos discursos dos analistas econômicos e sociais? De como esse vocabulário conceitual de Estática Newtoniana limitava suas visões de mundo? Daria um bom artigo, acho eu…
Mauro Copelli responde: A idéia de escrevermos artigos para jornais me agrada bastante. Você acha que especificamente esta questão do vocabulário Newtoniano ainda é relevante? Digo, depois dos crashes mundiais todos, do hype da “complexidade” a là Santa Fé Institute + o log-loguismo fácil de “How Nature Works”, e depois do prêmio Nobel de Black-Sholes e do surgimento de Econophysics, os economistas ainda continuam falando em equilíbrio estático? A pergunta não é retórica. É que eu não sei mesmo.
Economistas talvez não, mas jornalistas sim. Tô pensando em publicar em algum lugar o meu Engels: Um precursor da ciência da complexidade no século XIX“. Eu reformulei toda a ordem de apresentação e poli um pouco mais o final. Se você quiser dar uma olhada, tô mandando anexo. Acho que o que a Econophysics vai acabar mostrando é que o sistema capitalista inevitavelmente leva a leis de potência na distribuição de riqueza e poder (Lei de Pareto). E que tudo isso será, cada vez mais, acompanhado de crashes auto-destrutivos (tipo extinções na Biosfera). Acho que, se isso for verdade, (ou seja, se os modelos econômico-computacionais realmente criarem um consenso em torno disso) então toda a retórica liberal de Adam Smith (e Roberto Campos) (mão invisível que leva a benefícios generalizados para todos) estará morta e enterrada dentro de 20 anos…
Capa: The New Paradigm for Financial Markets: The Credit Crash of 2008 and What It Means (Paperback) 

Amazon review: Review

“Totally compelling.” BBC Business editor Robert Peston “They’re wrong about oil, by George. In short, the standard economic assumption that supply and demand drive prices is only a starting point for understanding financial markets. In boom-bust cycles, the textbook theory is not just slightly inaccurate but totally wrong. This is the main argument made by George Soros in his fascinating book on the credit crunch, The New Paradigm for Financial Markets, launched at an LSE lecture last night.” The Times “The next generation of economists will have to understand financial bubbles rather than ignore them, as Greenspan and his fellow central bankers have done. They would be well advised to give Soros’s theory of reflexivity serious consideration.” Sunday Times “(Soros) present(s) a very interesting and disturbing view of how free markets behave, and the nature and extent of the crisis we’re in.” Sunday Business Post “This was a book that George Soros badly wanted to write. It is probably not what many of its readers expect to read. But it shows that in his deeper thinking about the way markets operate, Soros was several decades ahead of his time… His insights are clear and concisely expressed. They are worth reading for anyone interested in the topic.” Financial Times “The runners in the race for the White House should stop and listen to Soros.” Independent on Sunday” 

Fractais: uma nova visão da Natureza

Recebi até agora mais de vinte emails de pessoas querendo comprar o livro inexistente (trecho abaixo) Fractais: uma nova visão da Natureza. Todo mundo encontra os dois capítulos iniciais do livro na internet depois que ele foi colocado no site Ceticismo Aberto pelo Kentaro Mori.

Paciência, pessoal! Tentarei continuar a escrever o livro em fevereiro, depois de terminar a revisão do paper com o Mauro e Leo (quase aceito no Journal of Computational Biology!), escrever o paper com o Adriano, Roque e Rosa, escrever o relatório bienal da CERT e a tese de livre docência. Espero que as férias acabem logo, para eu poder descansar!

Trecho inicial, o resto está aqui, ou aqui com o índice completo:

Capítulo 1
Introdução: Vemos o mundo com nossos olhos ou com nossas mentes?

Locke, no século XVII, postulou (e reprovou) um idioma impossível no qual cada coisa individual, cada pedra, cada pássaro e cada ramo tivesse um nome próprio; Funes projetou certa vez um idioma análogo, mas o rejeitou por parecer-lhe demasiado geral, demasiado ambíguo.(…) Este, não o esqueçamos, era quase incapaz de idéias gerais, platônicas. Não lhe custava compreender somente que o símbolo genérico “cão” abrangesse tantos indivíduos dispares de diversos tamanhos e diversas formas; aborrecia-o que o cão das três e quatorze (visto de perfil) tivesse o mesmo nome que o cão das três e quatro (visto de frente). (…) Tinha aprendido sem esforço o inglês, o francês, o português, o latim. Suspeito, entretanto, que não era muito capaz de pensar. Pensar é esquecer diferenças, é generalizar, abstrair. No abarrotado mundo de Funes não havia senão pormenores, quase imediatos.
— “Funes, o Memorioso” (1956), Jorge Luis Borges.

Eu estava de férias e caminhava da praia para casa com dois sobrinhos: Pedro, de oito anos e Vitório, de seis. Não sei por que motivo (acho que ele sabia que eu era professor), Pedro perguntou: “Tio, o que são retas paralelas?” Pego de surpresa com a pergunta, respondi meio sem refletir: “Olha, Pedro, você está vendo a grade daquela casa, como os ferros ficam um do lado do outro, sem se encostar… são retas paralelas”. Os meninos observavam, enquanto continuávamos andando. “E… hum… aquela outra grade com as linhas deitadas… e os fios bem esticados naquele poste… estão vendo? Ficam um do lado do outro, não se encontram… são paralelos… entendem? Os meninos acenaram com a cabeça e, durante alguns quarteirões, brincamos de reconhecer “retas paralelas”: nas casas, nos carros, nos desenhos das calçadas e até nos desenhos em nossas roupas. Durante esse período, eu expliquei que as “verdadeiras” retas paralelas nunca terminam, são “infinitas”, sempre mantêm a mesma distância entre si e nunca se encontram (ok, eu poderia ter falado de geometrias não-euclidianas, mas não falei).

Pedro gostou da brincadeira, e então disse: “Tio, dá mais uma “atividade” pra gente!” Rindo desse vocabulário “escolar”, me veio uma idéia diabólica: “Hum… meninos… estão vendo aquela árvore sem folhas, cheia de raminhos… cada ramo se divide em ramos menores, que têm mais raminhos… estão vendo? É um… fractal!” Todas as explicações eram sempre acompanhadas de muitos gestos, enquanto continuávamos andando, e os meninos estavam interessados, perguntavam e gesticulavam também.

“E aquele arbusto, no terreno baldio… estão vendo? Ramos que se dividem em raminhos, sempre. É um fractal. Mas essa palmeira não é um fractal, nem as coisas muito retas, feitas pelo homem…” Encontrei uma pena de passarinho, examinamos de perto sua estrutura ramificada. “A linha do horizonte (montanhoso)… estão vendo? E aquela nuvem, cheia de gominhos, cada gomo tem mais gomos em cima… também é um fractal… entendem?” Os meninos acenavam, riam, tentavam encontrar “fractais” na rua… Começamos a brincar de “reconhecer fractais”, como havíamos feito com as retas paralelas. A maioria dos exemplos que eles encontrava eram de árvores e, é claro, Pedro encontrava mais exemplos que Vitório, que queria a todo custo acompanhar o primo mais velho. Até que Vitório me surpreendeu… “Tio… e isso aqui?” Me mostrava um pedaço de carvão que tinha encontrado perto de um terreno baldio. “As rachaduras… têm rachadurinhas… que têm rachadurinhas… um monte! Não é um fractal?”

As trincas e fraturas no carvão formavam um belo exemplo de padrão fractal. Me surpreendi porque eu não havia dado exemplos em pedras ou na forma de trincas. Vitório, com apenas seis anos, não estava apenas repetindo os exemplos que eu dava. Ele havia aprendido a reconhecer padrões “fractais” (objetos geométricos que eu só havia estudado na pós-graduacão em Física) em novos contextos, havia generalizado. Para ele, aprender a reconhecer fractais era igualmente fácil (ou igualmente difícil) que aprender o que eram retas paralelas. E ele ainda nem sabia ler ou somar! Foi nesse dia que decidi escrever este livro.

PS: Na verdade, acho que Vitório é meu ex-cunhado.

Seminário: Blogosfera como Rede Complexa


Coloquei o seminário “A Blogosfera como Rede Complexa”, ministrado durante o I EWCLiPo, na minha pasta de Seminários da STOA.

Sobre B. B. Jenitez

Para quem não conhece, B. B. Jenitez é meu pseudônimo literário e Osame Kinouchi meu pseudônimo científico (meu nome de batismo é Osame Kinouchi Filho). 
A origem de B. B. Jenitez foi a sátira Projeto Mulah de Tróia que escrevi ao livro Operação Cavalo de Tróia, de J. J. Benitez, que é um dos maiores picaretas da New Age. Embora a série cavalo de tróia tenha vendido horrores, especialmente aqui no Brasil (atualmente está no oitavo volume e o nono volume será lançado agora em outubro).
Como o objetivo deste blog é ser (também) uma espécie de currículo Lattes de todas as coisas que não posso colocar no currículo Lattes, e o registro dos pequenos elogios que se recebe ao longo da vida (o que ajuda a  torná-la suportável), fica aqui registrado a crítica que Fábio Fernandes fez do meu conto PMT na revista SOMNIUM do Clube dos Leitores de Ficção Científica. Eu acredito que foi essa crítica que fez com que o conto ganhasse o prêmio NOVA de melhor conto amador de 1990:

Uma feliz estréia no Somnium. Oculto por um óbvio mas não menos engraçado pseudônimo, o autor nos brinda com uma bem dosada mistura de Umberto Eco e Planeta Diário (quem aí não leu o folhetim A vingança do bastardo?): uma história recheada de referências internas, coerentes do início ao fim (leia-se sem falhas estruturais, como contradições, por exemplo) e com estilo impecável. Jenitez, ao contrário do que o LP psicografado do Cazuza afirma, não mente: descrições claras e pouca adjetivação, além de uma ironia finíssima, são o prato principal de um conto que ninguém precisa decifrar para ler. Um trabalho bem escrito não pode ser analisado a fundo, basta apenas que seja lido. E esta estória deve ser lida.

Eu não tenho o Projeto Mulah de Tróia em arquivo (vou ver se a Juju digita isso prá mim) e, mais absurdo, eu não tenho o Projeto Mulah de Tróia II nem em papel! Será que alguém da velha guarda do CLFC o têm? Acho que foi publicado no número 50. Mas se você quiser dar uma olhada no Projeto Mulah de Tróia XXIV (SOMNIUM 89: 13-14), eu o coloquei aqui.
PS: Cuidado, não me confundam com este blogueiro plagiador de pseudônimos!
PS2: Cuidado, não confundam a cidade Mulah, do atol Meemu com o termo islâmico Mullah, que não foi usado como título dos meus contos. Nada de sentenças religiosas contra mim, please!

Cassandra, crash global, neofacismos

Por que meu post anterior sobre a ascenção da extrema direita na Áustria?
Bom, modéstia a parte, acho que tenho vocação para Cassandra. Isso não importa. Ninguém me escuta mesmo! Os trechos abaixo foram escritos há quase 10 anos, para o livro O Beijo de Juliana: Quatro físicos teóricos conversam sobre crianças, ciências da complexidade, biologia, política, religião e futebol… (Juliana é minha filha, ao lado). Se alguém tiver interesse em editar o livro, sem custos para este ppobre professor, me contate…
04/Janeiro/1999
Bom, faz tempo que eu chamo atenção para esse tema de que a cultura mundial pode evoluir para um estado bastante refratário à perspectiva científica. Ou melhor, um mundo onde a ciência será usada apenas como suporte da tecnologia, mas não como fonte de uma visão de mundo (isto é proposto no livro The Making of a Counter Culture de Theodore Roszack). De certa forma, esse mundo já existe (especialmente na França, dizem…). O elemento novo talvez seja o de que a Universidade (que considero mais um gueto do que um bastião do racionalismo) talvez venha a se tornar um dia no bastião do Irracionalismo (pós-moderno)… Atualmente, só o Papa, com sua última encíclica, ainda acredita nos poderes da Razão…
Acho que está se formando um consenso entre diversos analistas de que o século XXI será marcado não apenas por guerras religiosas e culturais, mas principalmente pela guerra de todas as religiões contra a Ciência… Encaro tudo isso numa perspectiva bastante impessoal, de competição e acomodação de memes, todos lutando por espaço num mundo com um número finito de cérebros. A Ciência é muito incômoda, fica querendo usar inseticida nos memes dos outros. Mas agora vai ter que passar para a defensiva, pelo menos em termos políticos. Eu preferia a acomodação e cooperação, mas acho que vai ser guerra mesmo. Essa lógica Darwiniana cultural escapa aos nossos desejos, pelo menos por enquanto…
Mas agora ando mais tranqüilo com relação a isso. Primeiro, porque não vejo muito o que se possa fazer, ou o que fazer sem que se cometa injustiças (como as de Bunge em relação a Bayes. Segundo, remar contra a maré é uma maneira besta de se desperdiçar a vida. É preciso usar estratégias mais inteligentes, estratégias que ainda não sei quais são. Além disso, desconfio que estamos numa situação em que todos os lados têm um pouco de razão.
Em todo caso, é curioso observar a passagem do tempo, as notícias dos jornais, e pensar se esses pequenos fatos que estamos observando têm um significado mais permanente, sinais de grandes tendências culturais, ou se são apenas uma simples flutuação de espuma que desaparecerá em breve no rio da história. Por exemplo, ontem deu no Fantástico uma reportagem sobre a grande campanha que alguns evangélicos estão promovendo pelo direito dos pais de retirar seus filhos das escolas públicas, transferindo-os para escolas confessionais ou para o aprendizado em casa. O argumento desses pregadores para os pais cristãos é de que eles não têm o direito de arriscar a alma de seus filhos colocando-os em contato com o ambiente secularista das escolas.
E isso acontece mesmo com todo o “esforço” que as escolas públicas americanas tem feito em “adequar” seu ensino às “necessidades da comunidade”, reintroduzindo o ensino de religião, procurando não ofender as diversas opiniões religiosas e culturais envolvidas etc. etc… De algum modo isso se parece com a quebra de algum principio bastante fundamental (originário do Iluminismo) sobre educação laica para todas as crianças. Como o Iluminismo e a Modernidade são os grande vilões da história atualmente, a contestação desse princípio é vista como um grande ato libertário…
Bom, mas talvez isso seja apenas uma espuma que se dissipe daqui a alguns anos. Ou então uma das pequenas nuvens negras (existem outras) que anunciam a tempestade. Quem pode dizer? Se tentarmos, talvez não façamos um trabalho muito melhor que os astrólogos durante a passagem do ano…
30/Janeiro/1999.
Caros amigos,
Que bela manhã chuvosa de sábado, não é Jean ?
Gostaria de continuar a limpeza do meio de campo (embora temendo que isso ainda possa gerar muito ruído emocional). Como não tenho diferenças grandes em relação ao Noam vou continuar a limpeza dos entraves no diálogo apenas em relação ao Richard e Jean. Mas antes uma pequena observação sobre o Noam. Basicamente, o interesse central do Noam parece ser o de incutir em nossas discussões filosóficas, ou pelo menos não nos deixar esquecer, a dimensão política: “Lembrem-se, crianças estão morrendo de fome, será que vale a pena discutir emergentismo, origem da vida, etc., dado esse quadro social urgente e deprimente”. Já o Jean chama esse quadro trágico de grande piada elaborada pelo Deus inexistente.

Bom, o meu argumento, que parece que o Noam absorveu de certa forma, é de que toda política é informada por uma filosofia, que a filosofia é fortemente influenciada pela visão científica de uma dada época, que a derrocada do socialismo nos obriga repensar seus fundamentos e que o tipo de política que emerge apenas da praxis, tão venerada até a década de 80, mostrou-se cega, curta, eventualmente tornando-se reduto de picaretas e oportunistas. Nesse sentido, vale a pena discutir Monod, tanto por suas visões científicas (o cara ganhou aquele prêmio Nobel de forma merecida!) como filosóficas e políticas (ele é um crítico feroz do marxismo, que chama de animismo político).

(…) Mas é bom ter o Noam por perto porque eu realmente tenho a tendência de sobrevalorizar discussões exóticas (Guerra de Memes, ascensão do neofascismo após o futuro crash global, relativismo romântico como facilitador para a transição para a extrema direita etc.) em detrimento de questões concretas (o desemprego que, mais cedo ou mais tarde, também vai nos pegar…).

Número de Erdos

Achei um site que calcula o número de Erdös. Você pode calcular seu número aqui. Engraçado, eu pensava que o número de Erdos consistia no número mínimo de pessoas (nodos) entre Erdös e a pessoa, mas na verdade é o número mínimo de links (papers) entre eles.

MR Erdos Number = 6

Osame Kinouchi coauthored with Marcelo H. R. Tragtenberg MR1445900 (98f:92002)
Marcelo H. R. Tragtenberg coauthored with Pedro Castelo Ferreira MR1911167 (2003d:82049)
Pedro Castelo Ferreira coauthored with Richard J. Szabo MR1911407 (2003f:81190)
Richard J. Szabo coauthored with Jonathan M. Rosenberg MR2365448
Jonathan M. Rosenberg coauthored with András Hajnal MR1614553 (99k:01056)
András Hajnal coauthored with Paul Erdős1 MR0095124 (20 #1630)

Isso foi o resultado que deu no site, mas acho que está errado, pois Mauro Copelli tem NE = 4, e portanto eu tenho NE = 5!

MR Erdos Number = 4

Mauro Copelli coauthored with Manfred Opper MR1748444
Manfred Opper coauthored with David Haussler MR1105510 (92b:92008)
David Haussler coauthored with Noga Alon MR1328428
Noga Alon coauthored with Paul Erdős1 MR0818591 (87d:11015)

Finalmente, meu Einstein Number é (no máximo) 7:

MR Collaboration Distance = 7

Osame Kinouchi coauthored with Nestor Caticha MR1196862
Nestor Caticha coauthored with Juan Pablo Neirotti MR1975709 (2004c:68120)
Juan Pablo Neirotti coauthored with Guido A. Raggio MR1242191 (94j:82012)
Guido A. Raggio coauthored with John T. Lewis MR0951075 (89j:82013)
John T. Lewis coauthored with James McConnell MR0449364 (56 #7668)
James McConnell coauthored with Erwin Schrödinger MR0010805 (6,73c)
Erwin Schrödinger coauthored with Albert Einstein MR0927510 (89b:01075)


Agora, se você acha que esses números são bons, então você não entendeu os tais seis graus de separação

BBB da Ciência

[17:52:39] Osame Kinouchi Filho diz: Posso publicar o bate papo no meu blog?
[17:52:44] Mauro Copelli diz: vam’bora, que daqui a pouco eu tenho que dar banho em Júlia
[17:52:51] Mauro Copelli diz: É CLARO QUE NÃO, OSAME
[17:52:53] Osame Kinouchi Filho diz: Ou seria melhor aquele com as florzinhas? ahahaha
[17:52:58] Osame Kinouchi Filho diz: OK
[17:53:06] Osame Kinouchi Filho diz: Tchau, até !
[17:53:08] Mauro Copelli diz: se você quer algo realista mesmo
[17:53:16] Osame Kinouchi Filho diz: simmmmmmmm?
[17:53:21] Mauro Copelli diz: por que não coloca uma webcam mostrando vc trabalhar?
[17:53:38] Osame Kinouchi Filho diz: Boa Ideia!
[17:53:40] Mauro Copelli diz: reality show da ciência!
[17:53:42] Osame Kinouchi Filho diz: OK
[17:53:48] Mauro Copelli diz: big brother cnpq!
[17:53:50] Osame Kinouchi Filho diz: BBB da ciencia! que massa!
[17:54:10] Osame Kinouchi Filho diz: Uma webcan no lab dos seus alunos, uma no lab dos meus…
[17:54:30] Osame Kinouchi Filho diz: Agora tenho um Lab só meu, com sala e tudo, cabem tres pessoas
[17:54:40] Mauro Copelli diz: era bom ter alguém do Brasil, alguém da China (pra gente ver se eles dormem….), alguém dos EUA, um alemão (pra ver se eles são sérios mesmo)
[17:55:24] Osame Kinouchi Filho diz: Sabe que essa seria uma otima ideia? Teria muito público, imagino.
[17:55:35] Osame Kinouchi Filho diz: Poderia mostrar a dinamica cultural dos estudantes de pos
[17:56:03] Osame Kinouchi Filho diz: Aqui em RP , Alexandre e eu concluimos que o desempenho fraco de nossos alunos se deve a uma cultura local. Eles nao sabem como é lá fora!
[17:56:24] Mauro Copelli diz: isso é generalizável para quase todo o Brasil, Osame….
[17:56:30] Mauro Copelli diz: o diagnóstico aqui não é muito diferente
[17:56:36] Osame Kinouchi Filho diz: POSSO publicar n o blog pelo menos esssa ideia do BBB da ciencia????
[17:56:51] Osame Kinouchi Filho diz: Bom, deixa eu ir…
[17:57:06] Mauro Copelli diz: pode, desde que você me dê algum crédito 🙂
[17:57:13] Osame Kinouchi Filho diz: aha!
[17:57:27] Osame Kinouchi Filho diz: Sim, vc será o primeiro autor!

Conselhos humorísticos para jovens cientistas



How long should an astronomical paper be to increase its Impact?

Krzysztof Zbigniew Stanek
(Submitted on 3 Sep 2008)

Naively, one would expect longer papers to have larger impact (i.e., to be cited more). I tested this expectation by selecting all (~30,000) refereed papers from A&A, AJ, ApJ and MNRAS published between 2000 and 2004. These particular years were chosen so papers analyzed would not be too “fresh”, but at the same time length of each article could be obtained via ADS. I find that indeed longer papers published in these four major astronomy journals are on average cited more, with a median number of citations increasing from 6 for articles 2-3 pages long to about 50 for articles ~50 pages long. I do however observe a significant “Letters effect”, i.e. ApJ and A&A articles 4 pages long are cited more than articles 5-10 pages long. Also, the very few longest (>80 pages) papers are actually cited less than somewhat shorter papers. For individual journals, median citations per paper increase from 11 for ~9,300 A&A papers to 14 for ~5,300 MNRAS papers, 16 for ~2,550 AJ papers, and 20 for ~12,850 ApJ papers (including ApJ Letters and Supplement). I conclude with some semi-humorous career advice, directed especially at first-year graduate students.

Comments: 11 pages, 5 figures
Subjects: Astrophysics (astro-ph); Digital Libraries (cs.DL); Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:0809.0692v1 [astro-ph]

Ainda a culinária

OK, OK, eu sei que este blog é meio auto-centrado (originalmente todos os blogs eram!). Está explicito aí em cima na descrição do blog que é sobre a minha vida científica e a dos meus amigos. Ou seja, a falta de modéstia é proposital, é mais uma espécie de “tipo” ou “persona” do blog, não é algo irrefletido, OK?

Então aqui vai para registro a carta que recebemos do editor do New Journal of Physics:

Subject: Your article has been downloaded 250 times!

Dear Dr Roque,

I am pleased to tell you that your article, “The non-equilibrium nature of culinary evolution”, in New Journal of Physics, Vol 10, pp073020 (2008), has been downloaded 250 times so far.

This was achieved in 12 days from the date of publication. To put this into context, across all IOP journals 10% of articles were accessed over 250 times this quarter.

You can link directly to your article at:
http://stacks.iop.org/1367-2630/10/073020

I would like to thank you for supporting New Journal of Physics and I trust that you have found our publication process to be friendly and efficient. I hope you will consider submitting further papers to the journal and encourage your colleagues to do likewise.

Our publication times are highly competitive and we use a fully electronic editorial process from submission to peer review to production. Electronic submission to Institute of Physics journals can be done very simply at the following web page:
http://www.iop.org/journals/authorsubs

We look forward to working with you again. If you have any queries about the journal, please don’t hesitate to contact me.
If you would prefer not to receive further updates on the number of times this article has been downloaded, please reply to this email with the word remove in the subject line.

Kind regards

Tim Smith
Publisher
New Journal of Physics

Marcelo Leite, do Ciência em Dia da Folha, foi criticado pelos leitores quando comentou no Caderno Mais (e no blog então no UOL) o nosso artigo. Reclamaram, talvez com razão, que ele estava comentando um paper que não havia passado ainda pelo processo de peer review (a nova versão é um pouco melhor que a que está no depositório de preprints ArXiv) embora fosse um artigo comentado no site jornalístico Nature News.

Talvez uma opção para o comentário de artigos ainda não publicados seria pedir, jornalisticamente, a opinião de outros pesquisadores da área.

Pesquisa Interdisciplinar e Avaliação

INFORMAÇÕES GERAIS
Local: Auditório do Centro de Convenções da UNICAMP
Data: 8 de maio de 2008
Horário: 8h45 às 17h
Informações adicionais: Claudia Pfeiffer – mailto:[email protected]
Inscrições Gratuitas: http://www.cori.unicamp.br/foruns/tecno/foruns_tecno.php

SOBRE O EVENTO
Instrumentos de pesquisa bibliográfica, criados originalmente como ferramenta de pesquisa em algumas áreas do conhecimento a partir dos anos 50 do século passado, passaram a ser utilizados como indicadores e, portanto, subsídio para avaliações. Esse uso cada vez mais difundido precisa de uma discussão, também difundida em função das diferentes ênfases dos bancos de dados e práticas de divulgação nas comunidades das distintas áreas do conhecimento. Num contexto de crescente interdisciplinaridade, essa problemática torna-se ainda mais complexa. Nesse evento, pretende-se abordar a questão com os distintos olhares acadêmicos envolvidos e necessários para uma avaliação e diagnóstico da pesquisa interdisciplinar.

PROGRAMA
MANHÃ:
8h45 – Abertura
9h00 – Introdução: “Avaliação, indicadores, perfis e disciplinas” Peter A. Schulz – IFGW/Cocen – Unicamp
10h00 – Pausa para Café
10h15 – Palestra e Discussão: “Indicadores da Produção Científica Brasileira: Um Olhar Através das Diversidades” Rogério Mugnaini – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde
11h15 – Palestra e Discussão: “É Possível Comparar Pesquisadores com Interesses Científicos Diferentes?” Osame Kinouchi Filho – USP – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto
12h15 – Pausa para Almoço
TARDE:
14h00 – Palestra e Discussão: “A Encruzilhada Interdisciplinar: Avaliações e Rupturas” Denise Correa Rocha Lannes – UFRJ
15h00 – Pausa para Café
15h15 – Mesa Redonda (Participação de todos os palestrantes)
“Interdisciplinaridade: Um Caminho Para Uma Avaliação Mais Abrangente?” Mediadora: Silvia Regina Turcinelli – CBMEG- Unicamp
17h00 – Encerramento

ORGANIZADORES:
COCEN – Coordenadoria de Centros e Núcleos Interdisciplinares de Pesquisa

Peirce já disse isso…

Recebi um exemplar do livro esta semana. Destaco (claro!) a Introdução do meu irmão Renato.

Via Sérgio Simka:

Por: R$34,20

“Ilustrações da Lógica da Ciência”, sem exagero, constitui um pequeno clássico da filosofia ocidental. Mas, a propósito, o que faz uma obra tornar-se um clássico? Em primeiro lugar, a originalidade das idéias nela contidas, isto é, suas inovações em relação ao tempo em que foi escrita. Em segundo lugar, a robustez e a popularidade da obra frente ao exame crítico da posteridade. Com efeito, essa série de ensaios satisfaz completamente esses dois critérios. Em seu todo, essa é uma obra popular, dirigida para o grande público, mas isso em nada diminui sua inegável qualidade.

Qual é a essência do conhecimento científico? Como se dá o processo de produção desse conhecimento? Qual o papel do acaso no mundo natural? Qual a relação entre a probabilidade e o método indutivo? Há uma ordem que subjaz nosso universo? Questões como essas ocupam a mente de cientistas e filósofos há tempos. Charles S. Peirce, propõe-se a discutir esses assuntos. Com a profundidade de pensamento que lhe é própria, Peirce esclarece e discute conceitos que ainda hoje informam boa parte da epistemologia e da filosofia da ciência contemporâneas. Uma obra de referência para cientistas, professores e estudantes dedicados às mais diversas áreas do conhecimento.

“Ilustrações da Lógica da Ciência”, sem exagero, constitui um pequeno clássico da filosofia ocidental. Mas, a propósito, o que faz uma obra tornar-se um clássico? Em primeiro lugar, a originalidade das idéias nela contidas, isto é, suas inovações em relação ao tempo em que foi escrita. Em segundo lugar, a robustez e a popularidade da obra frente ao exame crítico da posteridade. Com efeito, essa série de ensaios satisfaz completamente esses dois critérios.
Em seu todo, essa é uma obra popular, dirigida para o grande público, mas isso em nada diminui sua inegável qualidade.

Qual é a essência do conhecimento científico? Como se dá o processo de produção desse conhecimento? Qual o papel do acaso no mundo natural? Qual a relação entre a probabilidade e o método indutivo? Há uma ordem que subjaz nosso universo? Questões como essas ocupam a mente de cientistas e filósofos há tempos. Charles S. Peirce, propõe-se a discutir esses assuntos. Com a profundidade de pensamento que lhe é própria, Peirce esclarece e discute conceitos que ainda hoje informam boa parte da epistemologia e da filosofia da ciência contemporâneas. Uma obra de referência para cientistas, professores e estudantes dedicados às mais diversas áreas do conhecimento.

Mais informações neste site aqui.

Autor: Charles Sanders Peirce

Tradução e Introdução: Renato Rodrigues Kinouchi

Título original: The essential Peirce: selected philosophical writings

Páginas: 200

Edição: 1ª

Ano: 2008

Coleção: Filosofia e História da Ciência

ISBN: 9788598239927

Formato: 23,00 x 16,00

Peso: 0,326

Cód. Fabricante: 3.01.02.1138

Critical Mind

Para ser lido. Mauro, você já o tinha visto?

The brain: What is critical about it?
Authors:
Dante R. Chialvo, Pablo Balenzuela, Daniel Fraiman
(Submitted on 31 Mar 2008)
Abstract: We review the recent proposal that the most fascinating brain properties are related to the fact that it always stays close to a second order phase transition. In such conditions, the collective of neuronal groups can reliably generate robust and flexible behavior, because it is known that at the critical point there is the largest abundance of metastable states to choose from. Here we review the motivation, arguments and recent results, as well as further implications of this view of the functioning brain.
Comments:
Proceedings of BIOCOMP2007 – Collective Dynamics: Topics on Competition and Cooperation in the Biosciences. Vietri sul Mare, Italy (2007)
Subjects:
Disordered Systems and Neural Networks (cond-mat.dis-nn); Neurons and Cognition (q-bio.NC)
Cite as:
arXiv:0804.0032v1 [cond-mat.dis-nn]

Deu na Folha também…

Mas só pra quem é assinante. Mas depois do embargo de algumas horas, Marcelo Leite colocou em seu blog do UOL, o Ciência em Dia. Observação: o paper foi submetido agora ao New Journal of Physics e, se não der, será submetido ao Evolution and Human Behavior, que anda publicando coisas sobre evolução e culinária (veja próximo post).

São Paulo, domingo, 23 de março de 2008

MARCELO LEITE – A evolução do ovo – A evolução culinária se parece com a dos genes

No cardápio do almoço de Páscoa que se avizinha, existe mais de uma chance entre dez de se encontrar ovo. Não só o de chocolate, certeza e delícia ainda maior, mas também o substancial produto do esforço da galinha. Pode estar na farofa, ou na massa da macarronada. Ou, mais provável, na sobremesa. Nem mesmo a mania nutricionalmente correta de excomungar tudo que tenha colesterol foi capaz de banir essa maravilha de uma enorme quantidade de receitas. Se você acha que isso nada tem a ver com ciência, enganou-se. Esta coluna não muda de assunto, ou o faz só raramente. E, assim como não resiste a chocolate, tampouco deixaria de deliciar-se com um artigo científico que começa assim: “Comida é uma parte essencial da civilização”.

O artigo “A Natureza de Não-Equilíbrio da Evolução Culinária” foi recusado pelo editor do periódico “Physical Review E”, que o considerou um estudo de antropologia cultural, não de física. Dois de seus autores, porém, são físicos (Osame Kinouchi e Antônio Carlos Roque, ambos da USP de Ribeirão Preto). O texto pode ser localizado na internet (arxiv.org/ftp/arxiv/papers/0802/0802.4393.pdf.) Durante um jantar, eles e Rosa Garcia, nutricionista da mesma universidade, debatiam um assunto matemático trivial -redes complexas. Entre uma garfada e outra, surgiu a hipótese de que ingredientes e receitas culinárias guardem entre si o tipo de conexão estatística que caracteriza essas redes. Para testar a hipótese, o trio não se dirigiu a um laboratório, a “cozinha repugnante” de que fala Bruno Latour, onde se refogam conceitos com ninharias. Foram buscar seus dados nos livros. Mais precisamente: três edições do clássico “Dona Benta” (dos anos 1946, 1969 e 2004), um “Larousse Gastronomique”, um “New Penguin Cookery Book” e até o medieval “Pleyn Delit”. O passo seguinte foi laborioso: anotar à mão 3.394 ingredientes mencionados em 7.702 receitas. Em seguida, eles foram classificados num ranking de freqüência (em quantas receitas eram listados) para cada livro. Já com a ajuda de um especialista em informática (Adriano Holanda) e de outro físico (Pedro Zambianchi), iniciaram a busca por equações que descrevessem as freqüências relativas.

Acabaram descobrindo curvas de distribuição, similares entre todas as obras, que obedeciam às chamadas leis de potência. Noves fora, concluíram que um ingrediente na posição r do ranking é 2,6 vezes (2 elevado a -1,4) mais freqüente que outro na posição 2r. Um exemplo: na edição de 2004 do “Dona Benta”, o ovo é o oitavo ingrediente mais comum, aparecendo em 412 receitas; já o caldo de limão, na 16ª posição (r=8; 2r=16), comparece em 186 delas. Bem, 412 dividido por 186 dá 2,2, e não os 2,6 da lei de potência encontrada. Para corrigir distorções como essa, os gourmets de Ribeirão enriqueceram a receita com uma pitada de “aptidão” (“fitness”) para cada ingrediente, um valor entre 0 e 1 que poderia representar muitas coisas a influenciar sua posição no ranking -como a facilidade de encontrá-lo na feira.

Kinouchi e equipe mostraram mais que uma curiosidade matemática: a evolução culinária se parece muito com a de genes. Observa-se, por exemplo, o dito “efeito fundador”. Um ingrediente comum nas primeiras receitas de um povo tende a permanecer em sua culinária por longo tempo, mesmo após intensa miscigenação. Assim como os brasileiros continuarão morenos por gerações a fio, vários de seus futuros quitutes também levarão ovos.
MARCELO LEITE é autor de “Promessas do Genoma” (Editora da Unesp, 2007) e de “Brasil, Paisagens Naturais – Espaço, Sociedade e Biodiversidade nos Grandes Biomas Brasileiros” (Editora Ática, 2007). Blog: Ciência em Dia ( www.cienciaemdia.zip.net ). E-mail: [email protected]

Receita para a evolução da comida

Segunda, 17 de março de 2008, 10h01 Atualizada às 10h06

Cientistas dão receita para a evolução da comida

Daniel Cressey

Muita gente diz que realmente aprecia comida. Antonio Roque se destaca porque pode apresentar um estudo científico que prova seu amor por ela.

Acompanhado por uma eclética mistura de colegas gastrônomos, que inclui físicos, um cientista da computação e um nutricionista, Roque, que trabalha na Universidade de São Paulo, no Brasil, estudou mais de três mil receitas a fim de examinar a maneira pela qual os ingredientes usados para a alimentação mudaram ao longo do tempo e vieram a se tornar dominantes nas diferentes culturas.
“Acreditamos que seja importante analisar fenômenos culturais como a culinária”, afirma Roque. Os integrantes do grupo estudaram, no total, mais de três mil receitas detalhadas em quatro livros de receitas divididas geograficamente e cronologicamente – um do Brasil, um da Inglaterra, um da França e um da Idade Média.
Ao analisar fatores como o número de ingredientes em cada prato e a presença desses ingredientes de preferência a outros, em cada dada cultura, e ao considerar a capacidade de um novo ingrediente para superar e substituir um predecessor tradicional, os estudiosos concluíram que a culinária evolui devagar. Alguns ingredientes tradicionais persistem devido à dificuldade de substitui-los.
Isso deve reconfortar em certa medida as pessoas preocupadas com a possibilidade de que seus pratos locais favoritos venham a ser rapidamente suplantados por cadeias genéricas de restaurantes. O estudo sugere que “a natureza idiossincrática de cada culinária jamais desaparecerá em função de uma invasão de ingredientes e receitas vindos de fora”.

Culinária fractal e vítrea

The Nonequilibrium Nature of Culinary Evolution

Osame Kinouchi, Rosa W. Diez-Garcia, Adriano J. Holanda, Pedro Zambianchi, Antonio C. Roque

(Submitted on 29 Feb 2008)

Abstract: Food is an essential part of civilization, with a scope that ranges from the biological to the economic and cultural levels. Here we study the statistics of ingredients and recipes taken from Brazilian, British, French, and Medieval cookbooks. We find universal distributions with scale invariant behavior. We propose a copy-mutate process to model culinary evolution that fits very well our empirical data. We find a cultural founder effect produced by the nonequilibrium dynamics of the model. Both the invariant and idiosyncratic aspects of culture are accounted by our model, which may have applications in other kinds of evolutionary processes.

Comments:
15 pages, 5 figures, 1 table, submitted to Physical Review E
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph)
Cite as: arXiv:0802.4393v1 [physics.soc-ph]
Submission history

From: Osame Kinouchi [view email] [v1] Fri, 29 Feb 2008 14:16:37 GMT (323kb)

O meu dia-a-dia?

O tema da Roda de Ciência deste mês é sobre o “dia a dia do cientista”. Embora no final do mês eu vá prestar um concurso aqui na USP, acho que tenho algum tempo para refletir sobre esse tal dia a dia no qual já vivo (meu Deus, tô ficando velho!) há mais de 20 anos.
OK, na verdade não tenho tanto tempo para refletir assim: além de estar estudando e preparando os pontos para o concurso, estou escrevendo um paper com o Mauro Copelli e o Leonardo Lyra Gollo sobre dendritos excitáveis, outro com o Roque, Rosa, Pedro e Adriano sobre modelos de evolução cultural (na verdade, sobre evolução da culinária), e ainda outro com o Pablo Diniz e o Alexandre Martinez sobre redes de citações bibliográficas. Sem falar na orientação de iniciação científica do Zeddy (trabalho para o Prêmio Jovem Cientista) , do Leonardo Soares (estudo de uma métrica de rede para definir sinonímia) e do Rodrigo (modelo de evolução de memes tipo branching process).
Ainda bem que consegui validar no Júpiter-USP, ontem, as notas da turma de Física I e de Estatística Básica. Hummmm…. Não falei sobre o fato de que preciso ir passear com as crianças no parquinho, amanhã, ou então levá-los para Araraquara no final de semana. OK, OK, já deu pra ter uma idéia sobre o meu dia a dia…
Vamos continuar. Mas primeiro, um pouquinho de arrogância: para definir o “dia a dia do cientista”, acho melhor definir o que é um cientista. E aqui vai a opinão de pessoas que respeito: “cientista é um artesão que trabalha com idéias e conceitos“.
Se forem idéias matemáticas ou lógico-formais, temos matemáticos, lógicos, teóricos da computação. Se forem idéias sobre a natureza e/ou o ser humano, temos os cientistas naturais e/ou humanos (notaram o “e” que inclui o pessoal da sociophysics como eu, por exemplo?).
Se tais artesãos trabalham com as mãos, temos os cientistas experimentais. Se trabalham com simulações computacionais, temos os cientistas computacionais. Se usam apenas lápis, papel e lata do lixo, temos os teóricos (ok, eles usam computadores também!). Se não precisam de latas de lixo, temos os filósofos… Ops, a piada não é minha, e eu não concordo com ela!
Cadê a arrogância da definição de cientista? Bom, acho que você pode chegar para mim e dizer: Olha, eu conheço um monte de cientistas que não são tais artesãos (manuais ou intelectuais). Isso é uma visão idealizada da ciência, etc e tal. Você não viu o último livro de sociologia da ciência do Bruno Latour?
Meu filho, você não entendeu: quem não se encontra dentro da definição, pode ser um técnico científico, um trabalhador científico, um professor de ciências, um administrador científico, um empreendedor científico. No problem. Apenas não é um cientista… (minha amiga Giulia diz que, enquanto professores-pesquisadores mal remunerados, somos um proletariado cognitivo).
OK, então dado que, enquanto pesquisador não ligado à Big Science, sou um artesão e não um operário no sentido marxista do termo, um artesão que tenta ensinar sua arte a seus (até agora poucos) discípulos, talvez valha a pena contar como se inicia uma vocação como essa. Tive que fazer isso no memorial a ser apresentado para a banca, no concurso que se aproxima. Coloco a seguir a parte inicial, memorialista, do mesmo:

Em que momento começa a se formar a trajetória de um futuro pesquisador? Acredito que em geral isso de dê muito prematuramente, entre 10 e 12 anos. Na fase posterior da adolescência, talvez a maior preocupação do jovem se refira a questões de socialização escolar (ou seja, namorar!). Se isto for verdade, então o reconhecimento de que o gosto pela ciência se desperta cedo deveria ter impacto em políticas educacionais para o reconhecimento da vocação científica.
Devido a esta crença, passo a relatar minha experiência pessoal, alguns acontecimentos precoces que afetaram minha futura trajetória acadêmica e intelectual.
Alguns fatos marcantes balizaram minha vocação para a atividade científica. Talvez o fato mais antigo que me lembre é o clima de novidade e interesse despertado em todos os meninos da minha idade pela descida da Apolo 11 na Lua em 1969, cuja divulgação televisiva assisti aos seis anos e meio de idade.
Em seguida, em 1970, o aparecimento do cometa Bennett causou-me bastante impressão e interesse por temas de Astronomia. Acredito que meu pai compartilhava de interesses científicos, pois me lembro que começamos a colecionar os fascículos Os Cientistas, da Editora Abril
[1], que foram publicados a partir de maio de 1972. É interessante registrar que, em conversas com outros colegas de minha geração, os mesmos também reconheceram a forte influência dessa coleção em sua futura vocação profissional.
Em 1976 registrou-se o aparecimento do cometa West, o mais espetacular cometa da década. Como eu apresentava grande interesse por astronomia, já possuindo uma pequena biblioteca sobre o assunto, meu pai decidiu comprar-me um telescópio refrator (aumento máximo de 120 x). A partir desta data meu principal passatempo foi realizar observações astronômicas, algumas delas sistemáticas, como registros de manchas solares e posição dos satélites Jovianos.
Mais um fator na minha formação foram as intensas leituras durante a adolescência, em particular de livros de ficção científica e livros de divulgação científica, mas também obras literárias e enciclopédias. Embora nem todo cientista goste de ficção científica, tenho verificado que os leitores de ficção científica mostram grande interesse pela ciência em geral, e tal fato poderia ser usado para promover uma maior atração pela ciência entre crianças e jovens. Como uma curiosidade, observo que Duncan J. Watts revela em seu livro Six Degrees que a novela The Naked Sun, de Isaac Asimov, inspirou diretamente sua pesquisa em parceria com S. H. Strogatz e que resultou no modelo de rede de mundo pequeno, modelo este que inaugurou uma nova fase na pesquisa de redes complexas e que é uma de minhas linhas de pesquisa atuais.
Outro fator que acredito ser relevante em minha formação, por ter uma ligação direta com minha pesquisa atual, foi o treinamento intelectual que tive ao inventar jogos de tabuleiro para meus irmãos. Foram dezenas deles, inventados dos 13 aos 18 anos, e que me deram uma aguda noção da necessidade de um balanço equilibrado entre chance, determinismo e minimização do conjunto de regras para se obter jogos interessantes.
Esclareço melhor: durante esta fase aprendi que jogos que usam apenas probabilidades (como corridas geridas por sorteio de dados) são triviais e logo perdem o interesse. Do mesmo modo, jogos que envolvem inúmeras regras para determinar cada evento se tornam arbitrários e complicados demais. Acredito que já nessa época tive uma visão clara de que os jogos mais interessantes se situam numa espécie de balanço crítico entre tais fatores: devemos minimizar o número de regras e maximizar o número de histórias (trajetórias) diferentes que o jogo pode apresentar.
Acredito que esta noção é similar àquela que motiva muitos físicos estatísticos (inclusive eu) a estudar modelos simples que possuem riqueza em termos de comportamento dinâmico. De certa forma, modelos físicos podem ser pensados como jogos sem jogadores, jogos que seguem regras probabilistas ou deterministas de forma automática e que tentam simular fenômenos da Natureza.
[Eu acrescentaria aqui que tentar determinar o conjunto de regras do Xadrez assistindo campeonatos (“observação”) ou jogando contra grandes mestres (talvez o Deep Blue) (“experimentação”) é uma ótima analogia para descrever o processo científico.]

[1] Retiramos as seguintes informações do texto “A trajetória da Editora Abril – 1968 – 1982”, de Matheus H. F. Pereira, Em questão, 11: 239-258 (2005), Porto Alegre.
Através da existência de um documento privado sobre uma coleção – Os cientistas: a grande aventura da descoberta científica – consegue-se perceber a dinâmica da editora e da produção em fascículos. Essa fonte visava à comercialização da obra no exterior e contém detalhes sobre a produção editorial (The scientists, 1972). Afirma-se que cada número de Os cientistas era formado por três partes, a saber: fascículo, kit e manual de instruções. A coleção completa era constituída por 50 fascículos e cada um era colocado nas bancas a cada 15 dias, desde 30 de maio de 1972. O primeiro número sobre Isaac Newton continha um kit com experiências sobre as leis do movimento. Os fascículos, depois de removida a capa, poderiam ser encadernados para formar uma coleção de três volumes, que seria comercializada nesse formato também.
Os fascículos eram constituídos de 16 páginas internas mais quatro capas, totalizando 20 páginas impressas, em quatro cores. A terceira e a quarta capa possuíam uma aba adicional, para que o fascículo embalasse o kit. Cada fascículo tinha aproximadamente 24 ilustrações, a maioria em cores, cobrindo quase 45% da área impressa. A pesquisa iconográfica teria sido feita em vários países e aproximadamente 40% do material nunca teria sido publicado. A coleção completa tinha mais de 1.200 ilustrações. Os textos de Os cientistas foram escritos sob supervisão de professores ligados à USP.

Ainda sobre o YouTube do Osame

Dos comentários da Roda da Ciência:

Silvia Cléa disse…
Oi, Osame! Quero me ater, ou tentar, aos aspectos ditos “científicos” do tema proposto pelo vídeo: ao meu ver o mais provocativo e instantâneo e a exposição (sua, enqto professor; e, da aluna pega como exemplo em sala de aula).
Desconheço se, tanto vc qto ela, sabiam do fato de seus comportamentos naquele momento estarem sendo gravados (tal ignorância só piora os fatos, na verdade). Mas, com este exemplo, podemos perceber até onde estamos expostos em nosso cotidiano durante nossas práticas laborativas. Esse sim seria um ótimo assunto para debatermos aqui!
Não vi maldade em sua atitude não, Osame. Conheço vc um pouco, através de conversas (em PVT) e dos debates aqui no Roda e de seus posts…não diria que essa é uma de suas características. Mas escrevi aquilo, porque a leitura do vídeo pode conduzir a tal.
Acho que para encerrar este comentário, gostaria de dizer mais uma opinião estritamente pessoal:Não sou a Regina Duarte, ms tenho muito, digamos, medo, das pessoas que ficam falando de si…com ou sem “falsas modéstias”. Aqui, todos somos alguma coisa…eu por exemplo, jamais me vangloriei por andar, respirar, mastigar, dormir, acordar, sonhar e até pensar! E olha, que às vezes, tento fazer algumas dessas coisas concomitantemente!!!! ;o))))bjos
12 Novembro, 2007 12:44
OK disse…
OK, OK, Silvia, retiro o que disse (afinal foi um exagero), embora eu tenha aprendido a duras penas que nunca se deve ser condescendente, ou seja, se uma pessoa bem sucedida diz para os outros que se considera mediocre, ela ofende a todas as pessoas que não tiveram tanto sucesso ou sorte assim, pois estaria chamando-as de mais mediocres ainda.
Além do mais, como disse um amigo mais experiente quando eu falei que achava certo fisico brasileiro muito bom, ” – Você nunca conheceu um físico realmente bom aqui no Brasil”… O que eu estou querendo dizer é que as pessoas muito sérias, pomposas, que buscam a respeitabilidade social acima de tudo, são essas o principal alvo de chacotas entre seus pares, e nao acho que isso seja fruto do ressentimento Nietzcheniano dos mediocres. Acho que essas pessoas pomposas e arrogantes merecem ser alvo de chacotas sim, porque nao reconhecem o ridículo da situação humana – exemplo, assisti um dos maiores físicos brasileiros, conhecido por sua pouca modéstia, dar uma palestra no IFUSP na frente de 100 pessoas, com a braguilha aberta e sua cueca aparecendo… E ninguem moveu uma palha para avisa-lo…
Será que me fiz entender? É preciso ter senso do ridículo e bom humor nesta vida, senao aí é que seremos realmente tontos (ridiculamente querendo mostrar o que não somos, pobres e estúpidos seres humanos, não importa nosso QI!). Quando Einstein tira aquela foto com a lingua de fora, não era apenas porque ele tinha cacife para fazê-lo e nós não, mas sim para dizer a todos os seus colegas: Se o cientista mais popular da historia nao tem medo do ridículo, querer ser mais sério, mais correto, mais presbiterianamente responsável que ele é o supremo da arrogância… É querer se passar por alguém superior a Einstein…Ou seja, se Einstein lavou nossos pés (fazendo aquela foto), devemos lavar os pés uns dos outros…
Quanto a questão da privacidade em sala de aula (sim, eu nao sabia nem tinha autorizado a filmagem), acho que seria um ótimo tema e eu apóio vocé para que seja um tema de discussão (em dezembro?). Também nao autorizei que se colocasse no YouTube (ainda estou tentando descobrir qual foi o aluno que fez isso), mas uma vez colocado, achei melhor eu patrocinar e divulgar o filme em vez de outros fazerem isso pelas minhas costas. Se eu faco piada de mim mesmo, então não posso ser alvo de piada, concorda? É por isso que judeu gosta de contar piada de judeu…
Finalmente, reconheço que foi uma grande marcada não ter ajudado a Karla a se levantar. Pedi desculpas a ela em público (nos comentários do YouTube), algo que não sei se outros professores “sérios” fariam. Aqueles que nunca pecaram, que atirem a primeira pedra…
Para todos, recomendo a música “Senhas” de Adriana Calcanhoto.

O pequeno lógico

Todo físico que tem filhos têm um desejo secreto de que um deles seja seu sucessor, um físico melhor do que ele mesmo foi. OK, OK, eu sei que estou generalizando. Em todo caso, na minha amostra de n=1 (ou seja, eu mesmo), estou achando que o físico da família pode ser o Raphinha, quatro anos recém completos.

Não apenas ele adora montar quebra-cabeças mas tem também um espírito de desafio à opinião de autoridade (no caso, eu) que ficaria bem em um cientista. Esses dias ele me perguntou por que as estrelas brilham e quando eu vim com o papo de que eram bolas de fogo ele me contestou pois eram as estrelas cadentes que eram “bolas de fogo”.

Semana passada fui com ele pegar dinheiro no banco para comer pastel na feira (programão de domingo, heim?) e ele me perguntou por que precisava de dinheiro. Sem muita vontade de responder, disse: “Ora, pra tudo se precisa de dinheiro”.

Ele ficou pensativo e quando entramos no carro, ele insistiu: “Prá entrar no carro precisa de dinheiro? Porque se prá entrar no carro não precisa de dinheiro, então não é “prá tudo” que precisa de dinheiro!”

“OK, OK, Raphinha, você venceu!” Eu sei que eu poderia apelar e falar sobre o custo da gasolina, mas acho que a lógica dele estava correta.

O Rapha é chatinho assim, gosta sempre de provar que estou errado. E é isso que me faz ficar orgulhoso dele.

Pensamento do dia

Research means going out into the unknown with the hope of finding something new to bring home. If you know in advance what you are going to do, or even find there, then it is not research at all: then it is only a kind of honourable occupation. (Albert Szent-Gyorgyi).