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Homens “emburrecem” diante de loiras, diz estudo

Da BBC Brasil:

Um estudo publicado na revista especializada Journal of Experimental Social Psychology sugere que os homens mudam de comportamento e “emburrecem” para se adequar ao estereótipo da “loira burra”.
No estudo liderado pelo psicólogo social Thierry Meyer, da Universidade Paris-X Naterre, o desempenho intelectual dos homens cai quando eles são expostos a fotográficas de mulheres loiras.
Os cientistas fizeram testes de conhecimento geral em homens em duas ocasiões, depois de mostrar a eles diferentes fotos de mulheres. Nas experiências, os homens que viram fotos de loiras tiveram resultados inferiores.
Os cientistas acreditam que os resultados não foram causados por simples distração causada pelas loiras, mas sim porque, inconscientemente, eles teriam sido contaminados pelo estereótipo da “loira burra”.
“Isso prova que as pessoas confrontadas com estereótipos geralmente se comportam de acordo com eles”, disse Meyer. “Neste caso, as loiras têm potencial para fazer homens agirem de forma mais burra, porque eles ‘imitam’ inconscientemente o estereótipo da loira burra.”
Pesquisas anteriores já mostraram que o comportamento do ser humano é fortemente influenciado por estereótipos. Alguns trabalhos apontaram que as pessoas tendem a andar e a falar mais devagar diante de idosos.
Segundo os pesquisadores, o esterótipo da “loira burra” se intensificou, particularmente, no último século. Nos Estados Unidos, a imagem ganhou peso com a publicação do livro Os homens preferem as loiras, de Anita Loos, em 1925, que trata loiras como desfavorecidas intelectualmente, apesar da atenção privilegiada que elas despertam no mundo masculino.
O romance virou filme estrelado por Marilyn Monroe e contribuiu para fortalecer o estereótipo.
BBC Brasil

Da Wikipedia Quotes: “Well behaved woman rarely make history” – Marilyn Monroe.

O DNA do racismo

25/10/2007

James Watson, o co-descobridor da molécula de DNA e ganhador do Nobel de 1953, pisou na bola. Em Londres para a divulgação de seu novo livro “Avoid Boring People” (evite pessoas chatas ou evite chatear as pessoas), ele deu declarações escandalosamente racistas. Acho que nem o Borat ou qualquer outro comediante querendo troçar do politicamente correto teria ido tão longe.

Em entrevista ao jornal britânico “The Sunday Times”, o laureado disse na semana passada que africanos são menos inteligentes do que ocidentais e que, por isso, era pessimista em relação ao futuro da África. “Todas as nossas políticas sociais são baseadas no fato de que a inteligência deles [dos negros] é igual à nossa, apesar de todos os testes dizerem que não”, afirmou.

Até aqui, com muito boa vontade para com Watson, poderíamos argumentar que o venerando pesquisador procura apenas exercer sua liberdade acadêmica, afinal, se há mesmo evidências a mostrar que negros são menos inteligentes, ele poderia ter um ponto. Mas já na frase seguinte ele mostrou que seu raciocínio não era exatamente científico: “Pessoas que já lidaram com empregados negros não acreditam que isso [a igualdade de inteligência] seja verdade”.

Watson cometeu aqui pelo menos dois grandes pecados epistemológicos –deixemos por ora a questão moral de lado. Falou em “todos os testes” sem dizer quais e fez uma generalização apressada. Eu já lidei com patrões e empregados brancos, negros, amarelos e pardos, com pessoas burras e inteligentes, e posso asseverar que todas as combinações são possíveis.

Como era previsível, a reação às declarações de Watson foram efusivas. Ele foi desconvidado para vários eventos e houve até quem procurasse nos estatutos da Fundação Nobel uma brecha legal para cassar-lhe o prêmio. O experiente cientista, agora com 79 anos, acabou escrevendo um artigo em que pediu desculpas a quem tenha ofendido.

Não há dúvida de que Watson, reincidente em matéria de opiniões preconceituosas, merecia censuras. Receio, porém, que alguns de seus críticos tenham recaído nos mesmos erros que ele, isto é, afirmar coisas que não podem provar e proceder a generalizações problemáticas.

Os testes a que o laureado se referiu são provavelmente as tabelas de Richard Herrnstein e Charles Murray publicadas em “The Bell Curve” (a curva do sino ou a curva normal), de 1994, um dos livros mais explosivos da década passada. A obra pretendia sustentar que a inteligência medida por testes de QI é um fator preditivo de indicadores sociais como salário, gravidez precoce e problemas com a Justiça melhor do que o nível socioeconômico da família. O texto também afirma que negros dos EUA têm em média um QI mais baixo do que o de outros grupos sociais como brancos, judeus, asiáticos.

Sobretudo na imprensa, circulou a versão de que os autores diziam que a inteligência é dada pelos genes, mas Herrnstein e Murray não foram tão longe em seu determinismo. Eles afirmaram que permanece em aberto o debate sobre se e quanto genes e ambiente influem nas diferenças de QI entre os grupos étnicos –o que representa mais ou menos o consenso científico sobre a matéria.

“The Bell Curve” foi competentemente criticado por grande parte do establishment acadêmico norte-americano. De um lado, vieram as objeções conceituais, encabeçadas por cientistas como Stephen Jay Gould, que contestaram a idéia de que a inteligência possa ser reduzida a um teste de QI. Fazê-lo implicaria aceitar uma série de pressupostos de engolir, como o de que uma noção tão complexa possa ser traduzida num único número e que ela permaneça invariável ao longo de toda a vida do indivíduo. Aqui, estudar não serviria para nada além de acumular informações, coisa que computadores fazem melhor do que seres humanos.

Um pouco mais tarde, uma segunda leva de trabalhos, iniciada por Michael Hout e colegas da Universidade de Berkley, mostrou que os próprios dados de Herrnstein e Murray apresentavam problemas metodológicos, que exageravam a importância dos testes de QI como fator preditivo e diminuíam a do background familiar.

O debate é apaixonante, mas eu receio que, da forma como foi travado, ele esconda o ponto central, que é o de mostrar por que o racismo é errado. E essa é muito mais uma questão moral do que científica.

A evidência empírica não favorece o argumento da igualdade entre os homens, pela simples razão de que eles não são iguais. E opor-se ao racismo não pode depender de uma ficção filosófica que começou a ser escrita por John Locke no século 17, ao criar o conceito de “tábula rasa”, segundo o qual os homens nascem como uma folha em branco, e que todo o conhecimento que adquirem, bem como as diferenças que acabam por desenvolver, é fruto das condições externas a que são submetidos. Um rápido passeio pelos rudimentos da neurologia mostra que já nascemos, senão prontos, pelo menos com uma série de estruturas mentais pré-definidas. E elas têm muito em comum, mas em certos pontos variam significativamente de pessoa para pessoa. Embora Locke seja um dos pais espirituais do liberalismo, a “tábula rasa” fez carreira entre pensadores de esquerda do século 20. Por alguma razão obscura, em vez de defender que todos devem ter os mesmos direitos (o que já estaria de bom tamanho), resolveram que a igualdade deveria ser um dado da natureza, mesmo que isso contrariasse o senso comum e as observações diretas.

É engraçado como estamos dispostos a aceitar diferenças entre pessoas (fulano é mais inteligente do que ciclano), mas não entre grupos étnicos. Em relação a alguns assuntos, comportamo-nos como se filhos não se parecessem com seus pais, como se não houvesse algo chamado hereditariedade, que em algum grau é dada pelos genes, e contribui para a expressão das mais variadas características de uma pessoa.

Não fazemos objeção a um juízo do tipo: negros são em média mais altos do que japoneses, mas basta alguém sugerir que os asiáticos tenham uma inteligência média (definida por testes de QI) superior à do grupo de ascendência africana para desencadear uma revolução. O mesmo vale para as aptidões femininas para a matemática ou a predisposição masculina para a infidelidade conjugal.

Médias são um conceito traiçoeiro. Representam um valor obtido a partir resultados válidos para vários indivíduos, mas que não podem ser extrapolados a nenhum indivíduo em particular. Na média, a humanidade tem um testículos e um seio. Nossa experiência ensina que é perfeitamente possível encontrar um indivíduo negro mais inteligente (por teste de QI ou qualquer outro critério) do que um branco anglo-saxônico, judeu, coreano ou o que for. Se de fato há uma predisposição de origem genética para a inteligência, como parece que há, ela não chega, exceto em casos patológicos, constituir uma barreira intransponível ao sucesso intelectual de ninguém. A vantagem de uma pessoa mais favorecida pelos genes pode ser facilmente revertida por outras características como a disciplina no estudo, para citar um único exemplo.

O argumento contra o racismo, o sexismo e outras chagas que desde sempre atormentam a humanidade deve ser moral. De outra forma, se um dia inventarem um teste confiável para medir a inteligência e ele mostrar discrepâncias entre grupos, o que acontece? O racismo estará legitimado?

Por maiores que sejam as diferenças entre indivíduos e grupos de indivíduos, quer elas tenham origem nos genes ou no ambiente (ou numa interação entre eles, como parece mais provável), o fato é que é em princípio errado prejulgar alguém por características (reais ou supostas) que não observamos nessa pessoa, mas no grupo ao qual consideramos que ela pertence.

Podemos ir um pouco mais longe e afirmar que o homem tem uma estrutura psíquica que favorece atitudes etnocêntricas e mesmo racistas. Pensamos, afinal, através de operações mentais de categorização e generalização. Se um membro da tribo vizinha uma vez me atacou, é evolucionariamente útil que eu parta do pressuposto de que todos aqueles que pertencem àquela tribo inimiga tentarão me agredir e antecipe o ataque. Só que esse tipo de raciocínio, que fazia sentido no passado darwiniano, perdeu inteiramente a razão de ser em sociedades modernas. Se ele já foi útil para manter-nos vivos, hoje, a exemplo da capacidade de armazenar energia na forma de tecido adiposo, é apenas um estorvo. Serve para separar e fomentar violência. As forças da civilização exigem que abandonemos essa forma primitiva de pensar e utilizemos a razão e não reações instintivas no trato com outros seres humanos. É isso que Watson, mesmo com toda sua genialidade científica, não foi capaz de fazer.

Hélio Schwartsman, 42, é editorialista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou “Aquilae Titicans – O Segredo de Avicena – Uma Aventura no Afeganistão” em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.E-mail: [email protected]

Teoria errante

OK, OK, primeiro uma Nature mostrando que tem, depois uma outra mostrando que não tem… Mas acho que é correto, um exemplo claro de que a ciência se auto-corrige. Eu mesmo demonstrei que a caminhada do Turista, ao contrário do afirmado em nosso PRL, não possui leis de potência.

07/11/2007 Por Fábio de Castro


Agência FAPESP – Um estudo publicado em 1996 na revista Nature apontou que o vôo do albatroz errante (Diomedea exulans), na busca de uma presa sobre o mar, seguiria a estratégia conhecida como vôo de Lévy – um padrão de movimento com propriedades fractais que ocorre em sistemas físicos e químicos descrito pelo matemático francês Paul Pierre Lévy.
O estudo era mais uma tentativa de demonstrar a existência do vôo de Lévy em sistemas biológicos naturais. Mas agora, um grupo internacional de pesquisadores, com a participação de brasileiros, acaba de mostrar o contrário. O trabalho foi publicado na edição de 25 de outubro da revista Nature.
De acordo com um dos autores, Marcos Gomes Eleutério da Luz, do Departamento de Física da Universidade Federal do Paraná, entender como animais buscam alimentos em seu hábitat e abordar o problema da otimização de estratégias de busca são importantes para o conhecimento sobre questões ecológicas e para a sobrevivência de certas espécies.
“Mostramos que o albatroz errante não realiza vôos de Lévy, embora ainda haja fortes evidências de que outros animais usam essa estratégia. Nosso objetivo principal era corrigir o trabalho de 1996, do qual participamos e que continha falhas de interpretação”, disse Luz à Agência FAPESP.
Os pesquisadores adicionaram dados colhidos a partir de dispositivos instalados em 20 pássaros às informações analisadas na pesquisa anterior. As aves foram estudadas na Geórgia do Sul, na Antártica – o albatroz errante é encontrado geralmente da Antártica ao trópico de Capricórnio. “O sistema preso nas patas das aves detectava quando o animal estava molhado (na água se alimentando) e quando estava seco (voando em busca de alimento)”, disse.
Alguns animais também receberam um dispositivo para a obtenção de detalhes sobre posicionamento, caracterizando sua trajetória com precisão. “Usamos o sistema conhecido como PTT, semelhante ao GPS”, disse Luz.
Segundo outro autor da pesquisa, Gandhimohan Viswanathan, do Instituto de Física da Universidade Federal de Alagoas, em um vôo de Lévy, ao contrário do movimento aleatório comum – o movimento browniano –, é possível tomar passos arbitrariamente grandes antes de uma mudança de direção. A trajetória se caracteriza por grupos de passos curtos ligados a passos longos mais raros.
“O comportamento total de deslocamento é dado pelo conjunto desses passos. Ao tentarmos descrever matematicamente esse processo, associamos tamanhos possíveis a cada um dos passos. Formalmente, em um vôo de Lévy, a distribuição de passos decai segundo uma lei de potência com expoente entre 1 e 3”, explicou.
Segundo Viswanathan, a probabilidade relativa de um passo muito grande ocorrer em uma estratégia de Lévy é bem maior do que em uma estratégia browniana, levando a uma otimização de busca. “Um movimento com passos ou vôos muito grandes deve aumentar a probabilidade de encontrar alimentos percorrendo uma distância total menor.”
De acordo com o pesquisador, como a seleção natural, entre outros fatores, age para selecionar as melhores respostas ao meio ambiente por parte de uma espécie, eventualmente certas espécies, em condições apropriadas, poderiam ter chegado à estratégia mais vantajosa do vôo de Lévy.
“O interessante é saber quando e por que uma espécie usa o vôo de Lévy e quando adota outra estratégia. Nosso estudo suscitará muitas outras pesquisas na tentativa de responder, por exemplo, se um animal poderia mudar de estratégia de acordo com o ambiente que ele encontra”, disse Viswanathan. Sistemas complexos
Para outro dos autores brasileiros do artigo, Ernesto Raposo, do Departamento de Física da Universidade Federal de Pernambuco, o estudo não invalida a teoria matemática que aponta o vôo de Lévy como processo mais eficiente para a busca de comida pelos animais.
“O ponto crucial é que, para a teoria matemática ser aplicável, certas condições – como densidade da comida e o poder de detecção do animal caçador – devem ser satisfeitas. A questão é saber quando tais condições são aplicáveis para uma certa espécie de animal. Provavelmente, os albatrozes, ao contrário do que se pensava, não satisfazem os pré-requisitos”, disse Raposo.
Segundo o cientista, em sistemas tão complicados como os biológicos, vários fatores podem contribuir para um determinado comportamento. “Mesmo se o padrão de Lévy for o mais vantajoso, pode ser que determinado animal precise desempenhar outras tarefas, e não só procurar por alimento. Isso o levaria a não tentar otimizar exclusivamente a busca, não tendo motivos para seguir tal padrão.”
Raposo explica que muitos sistemas físicos, químicos e computacionais apresentam distribuições de Lévy para grandezas importantes que os caracterizam. Um exemplo são os elétrons que fazem “hopping” em polímeros.
“Um elétron pode ‘saltar’ ao longo de uma cadeia principal de polímeros – que são moléculas orgânicas muito grandes – auxiliado por flutuações térmicas. Esses saltos, em certas situações, podem apresentar uma distribuição que segue lei de potência, isto é, uma distribuição de Lévy”, disse.
O artigo Revisiting Lévy flight search patterns albatrosses, bumblebees and deer, de Andrew Edwards, Gandhimohan Viswanathan e outros, pode ser lido por assinantes da Nature em
www.nature.com.

Bicho de estimação pode atrapalhar vida amorosa, diz pesquisa

13/08/2007 – 18h41
da BBC Brasil
Os solteiros britânicos estão se voltando cada vez mais para seus bichos de estimação em busca de companhia, sugere uma pesquisa encomendada por uma das maiores agências de relacionamentos do Reino Unido, a Parship.
A agência diz, no entanto, que os solteiros que possuem animais podem estar colocando em risco suas chances de romance.
Ter um bicho de estimação reduziria em 40% as probabilidades de encontrar o amor, segundo o levantamento.
O estudo, realizado em parceria com a empresa britânica de pesquisas de marketing YouGov, revelou que quase a metade (47%) dos 13 milhões de solteiros do país possui hoje um bicho de estimação, gastando em média US$ 1.800 por ano com seu animal e dedicando anualmente cerca de 21 dias ao seu bem-estar.
Tratar animais como crianças, dividir sua cama com seu bicho de estimação, mimar o animal com acessórios caros ou possuir dois ou mais bichos são alguns dos hábitos que impediriam os solteiros de se relacionar com outras pessoas.
Além disso, 25% dos solteiros britânicos que possuem bichos disseram que se tivessem de escolher entre seu animal e um novo parceiro, optariam pelo animal.
As implicações podem ser sérias, já que os solteiros britânicos possuem 1,24 milhão de gatos, 1,18 milhão de cachorros, 624 mil peixes, 436.800 hamsters, ratos ou outros roedores, 187.200 pássaros, 124 mil cavalos, burros ou porcos, 64 mil cobras e 120 mil animais exóticos –o que inclui aranhas e insetos.
Dois mil solteiros britânicos participaram do estudo. Cerca de metade deles possuía um bicho de estimação.

Deus e o Diabo na Terra da Estatística

Antônio Carlos Roque da Silva Filho, 2007

No princípio era o Caos
Deus não estava contente
Ele então pensou na forma de sino
E viu que ela era boa

Deus fez então o Quincunx Divino
E dele tirou as proporções de todos os seres e coisas
A uns fez grandes, a outros pequenos, a uns poderosos, a outros fracos
Mas a maioria no meio

Veio então o demônio
E achou tudo aquilo uma chatice
Porque um meio, uma escala natural?
E fez, em número ainda maior, coisas sem escala

Olhando para aquilo
Deus não ficou satisfeito (anteviu muitas catástrofes[1])
Mas achou melhor não intervir
Foi tratar de outros assuntos

[1] Fortes terremotos, violentos maremotos, pessoas exageradamente ricas, cidades gigantescas, etc.

Estatística

Estatística é uma área do conhecimento que utiliza teorias probabilísticas para explicação de eventos, estudos e experimentos. Tem por objetivo obter, organizar e analisar dados, determinar as correlações que apresentem, tirando delas suas consequências para descrição e explicação do que passou e previsão e organização do futuro.
A estatística é também uma ciência e prática de desenvolvimento de conhecimento humano através do uso de dados empíricos. Baseia-se na teoria estatística, um ramo da
matemática aplicada. Na teoria estatística, a aleatoriedade e incerteza são modeladas pela teoria da probabilidade. Algumas práticas estatísticas incluem, por exemplo, o planejamento, a sumarização e a interpretação de observações. Porque o objetivo da estatística é a produção da “melhor” informação possível a partir dos dados disponíveis, alguns autores sugerem que a estatística é um ramo da teoria da decisão.

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Coração Partido

Coração partido mata, diz estudo
Segundo cientistas, relacionamentos ruins elevam em 34% as chances de ataque cardíaco. Experiências desagradáveis seriam mais marcantes que as positivas.

Coração ‘conversa’ com o cérebro, diz estudo
Estudo britânico analisou pacientes com problemas cardíacos. ‘Comunicação’ cardíaca aciona regiões cerebrais ligadas à consciência.

Caem mortes por ataque cardíaco no mundo
Estudo acompanhou 45.000 pacientes de 14 países, inclusive o Brasil.
Índice de mortalidade baixou de 8,4% em 1999 para 4,6% em 2005.

Fim do fumo passivo evita ataque cardíaco
Estudo feito nos EUA diz que proibição de fumar em lugar público foi crucial. Medida teria evitado cerca de 4.000 infartos em um ano, segundo pesquisa.

A Mediana não é a mensagem

Que coincidência! Na última aula de Estatística para Física Médica, eu contei esta estória sobre o Stephen Jay Gould, a mesma que a bióloga Lúcia Malla relembrou hoje em seu blog:

Na ciência, trabalhamos com hipóteses, que serão de 0 a 100% corretas, com todas as tonalidades de cinza no meio desses números. O melhor texto que conheço sobre o assunto – e uma bela lição de vida – é o famoso “The median isn’t the message”, que conta como em 1982 o paleontólogo e divulgador da ciência Stephen Jay Gould foi diagnosticado com um mesotelioma abdominal (um câncer raro) e, ao invés de engolir a sentença de morte de 8 meses que a literatura médica lhe evidenciava, resolveu entender a estatística por trás do estudo. Nas palavras dele:

“When I learned about the eight-month median, my first intellectual reaction was: fine, half the people will live longer; now what are my chances of being in that half. I read for a furious and nervous hour and concluded, with relief: damned good. I possessed every one of the characteristics conferring a probability of longer life: I was young; my disease had been recognized in a relatively early stage; I would receive the nation’s best medical treatment; I had the world to live for; I knew how to read the data properly and not despair.”Gould viveu 20 anos mais depois do seu diagnóstico – ou seja, superou o valor da mediana em quase 30 vezes.

Veja bem, o fato dele ter vivido 30 vezes a mais que a literatura médica previa não significava que a tal literatura estava errada – porque a nossa percepção do mundo da ciência é probabilística, não certeira. Ele apenas soube interpretar tal dado da forma adequada, com as variáveis pertinentes, e enfrentar o problema sem querer se enganar com uma certeza inexistente. Ele preferiu apostar na incerteza estatística – e foi um vencedor.

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A rede social da Mitologia Greco-Romana

A Directed Network of Greek and Roman Mythology
Authors: Yeon-Mu Choi, Hyun-Joo Kim
Physica A, Volume 382, Issue 2, p. 665-671 (2007).
DOI: 10.1016/j.physa.2007.04.035
Abstract: We study the Greek and Roman mythology using the network theory. We construct a directed network by using a dictionary of Greek and Roman mythology in which the nodes represent the entries listed in the dictionary and we make directional links from an entry to other entries that appear in its explanatory part. We find that this network is clearly not a random network but a directed scale-free network. Also measuring the various quantities which characterize the mythology network, we analyze the Greek and Roman mythology and compare it to other real networks.
Comments: 4 pages, 5 figures
Subjects: Physics and Society (physics.soc-ph); Statistical Mechanics (cond-mat.stat-mech)
Cite as: arXiv:physics/0506142v1

Mesas Redondas continuam a ser visitadas!


A figura de cima se refere à Mesa Redonda sobre o Vestibular (3286 visitas). A figura de baixo mostra o tráfego na Mesa Redonda sobre as Bolsas de Produtividade do CNPq (429 visitas). Links para essas Mesas Redondas estão aí na barra lateral.
Acho que estes gráficos mostram a real diferença entre uma mesa redonda ao vivo e uma mesa redonda na Internet: a permanência, devida a buscas no Google, suponho.

A Física Estatística do Dona Benta

Foi aceito, e se tornou palestra convidada:

XXX Encontro Nacional de Física da Matéria Condensada

Copy-mutate processes for growth of bipartite networks: an application to cultural evolution

Osame Kinouchi, Adriano J. Holanda, Antônio Carlos Roque, Rosa Wanda Diez Garcia
Universidade de São Paulo
Pedro Zambianchi
Faculdades Bandeirantes

We propose a copy-mutate stochastic process for growth of bipartite networks. We find that its non-equilibrium stationary state, which has scale-free statistics, presents also strong memory effects (“founder effect”). We examine the performance of several algorithm variants, and find that the inclusion of node fitness and competitive selection is essential to reproduce empirical data concerning the bipartite network of culinary recipes and ingredients. The empirical database has been collected from traditional cookbooks from Brazil, England, France and Medieval Europe. We present rank-plots for ingredients and ingredients pairs and study rank-plot entropies. We determine power-law exponents from complementary accumulated distributions and find that all books have similar exponents (with exception of a medieval culinary book). We also examine the temporal evolution of the average recipe fitness and find an asymptotical power law with very low exponent, indicating that the historical process represented by the model is very far from equilibrium. More general applications to cultural evolution (“memetics”) are discussed.

Galinhas generalizam de forma Bayesiana

Encontrei isso procurando as recentes citações do meu paper KINOUCHI O, CATICHA N, OPTIMAL GENERALIZATION IN PERCEPTRONS
JOURNAL OF PHYSICS A-MATHEMATICAL AND GENERAL 25 (23): 6243-6250 DEC 7 1992

Para meus alunos de Estatística e outros interessados:

Title: Generalization of color by chickens: Experimental observations and a Bayesian model
Author(s): Baddeley RJ (Baddeley, R. J.), Osorio D (Osorio, D.), Jones CD (Jones, C. D.)
Source: AMERICAN NATURALIST 169 (1): S27-S41 Suppl. S, JAN 2007
Document Type: Article
Language: English
Cited References: 48 Times Cited: 0
Abstract: Sensory generalization influences animals’ responses to novel stimuli. Because color forms a perceptual continuum, it is a good subject for studying generalization. Moreover, because different causes of variation in spectral signals, such as pigmentation, gloss, and illumination, have differing behavioral significance, it may be beneficial to have adaptable generalization. We report on generalization by poultry chicks following differential training to rewarded (T+) and unrewarded (T-) colors, in particular on the phenomenon of peak shift, which leads to subjects preferring stimuli displaced away from T-. The first three experiments test effects of learning either a fine or a coarse discrimination. In experiments 1 and 2, peak shift occurs, but contrary to some predictions, the shift is smaller after the animal learned a fine discrimination than after it learned a coarse discrimination. Experiment 3 finds a similar effect for generalization on a color axis orthogonal to that separating T+ from T-. Experiment 4 shows that generalization is rapidly modified by experience. These results imply that the scale of a “perceptual ruler” is set by experience. We show that the observations are consistent with generalization following principles of Bayesian inference, which forms a powerful framework for understanding this type of behavior.

Livros de Estatística (I)

Update: O gerente da Atlas ao lado da FEA me informou ontem que os estudantes terão desconto de 15%, e não 10% como eu havia informado.

Atenção, pessoal dos cursos de Estatística Aplicada I (Psicologia – FFCLRP – USP) e Introdução à Probabilidade e Estatística I (Economia – FEARP -USP). Pretendo adotar (e testar) este livro durante todo este ano. Por favor, não façam xerox (pois pretendo usar todo o livro, não apenas alguns capítulos). Troquem uma noite na Água Doce Cachaçaria por este livro que será bastante útil para sua formação profissional.


ESTATÍSTICA GERAL E APLICADA

Gilberto de Andrade Martins
428 páginas – 3ª Edição (2005) – 2ª Tiragem

Formato: 17X24
ISBN: 8522441723
Código: 0603 55 086


Sinopse:

Este livro é resultado de longa experiência profissional do autor no campo da Estatística Geral e Aplicada, Cálculo das Probabilidades e Metodologia Científica, disciplinas lecionadas e aplicadas nos cursos de graduação e pós-graduação, nas áreas de Humanas e Exatas.

O objetivo básico desta publicação é estimular e energizar alunos e profissionais interessados em compreender e aplicar, com segurança, conhecimentos técnicos da Estatística para tomada de decisões e suporte às análises de resultados quantitativos e qualitativos de pesquisas empírico-analíticas.

O que são Mapas de cointegração?

Olá, Renato Vicente, que foi o quarto orientado de Nestor Caticha (eu fui o primeiro, Mauro Copelli o segundo e Silvia Kuva o terceiro), vai dar um seminário aqui no departamento sobre séries temporais econômicas (não sei se ele chamaria isso de econofísica).

“Visualizing Long Term Economic Relationships with Cointegration Maps”
Prof. Dr. Renato Vicente – EACH-USP
Data: 15 de março de 2007 (quinta-feira) – às 14 horas
Local: Sala 25 do Bloco Didático das Exatas – FFCLRP-USP

Informações: Secretaria do DFM – ramal 3693 – [email protected]

Figura: foi a única que achei fazendo a busca Renato Vicente no Google Images; retirada daqui (ele cita o índice de Hirsh individual h_i!).

Livros de Estatística (II)

Olá de novo, estudantes de Estatística. Para quem quiser aprender EXCEL e suas funções estatísticas, recomendo o seguinte livro, editado recentemente. Pode ser bastante útil não apenas para o projeto semestral mas para os relatórios de Psicologia Experimental e disciplinas similares em Economia (existe Economia experimental?).

Na Atlas ao lado da FEARP, 10% de desconto para estudantes.


ESTATÍSTICA APLICADA À ADMINISTRAÇÃO COM EXCEL

Joanne Smailes e Angela Mcgrane
328 páginas – 1ª Edição (2002) – 4ª Tiragem

R$ 64,00

Formato: 17X24
ISBN: 8522430500
Código: 0603 55 089

Sinopse:

Este livro foi desenvolvido tendo por base o material distribuído aos alunos do curso Métodos Quantitativos para Estudos Empresariais, que é oferecido no primeiro ano das disciplinas quantitativas do curso de Administração e representa aproximadamente 160 horas de estudo. A intenção desta publicação é equipar os alunos com as habilidades quantitativas essenciais exigidas por cursos similares.

Esse propósito está refletido na própria organização do texto, que possibilita inclusive sua utilização como material de auto-estudo. A obra destaca-se ainda por apresentar as seguintes características: desenvolver a autoconfiança no aluno ao lidar com dados numéricos; discutir as diferentes formas de coleta de dados primários e considerar alguns pontos na formulação de questionários; explicar o papel da modelagem como auxílio à tomada de decisão; apresentar a importância da tecnologia da informação como auxílio à análise numérica e à formulação de modelos de negócios.

“Rico fica mais rico” na USP Ribeirão

O efeito Mateus ou princípio do “rico fica mais rico”, ou ainda “crescimento preferencial“, denota simplesmente o fato de que as oportunidades de crescimento são em grande parte definidas pelo estado atual da pessoa: quem tem mais recursos, tem mais oportunidades. Não existe igualdade de oportunidade entre desiguais. Este fato é a razão principal que fundamenta os programas de inclusão social, compensação histórica etc.
Tais programas são polêmicos, por tratar os desiguais de modo desigual. Mas existe ainda algo pior: eles não são radicais o suficiente. Explico: os mecanismos de produção de desigualdade (a “mão invisível” produtora de leis de potência com expoentes baixos) atua de forma geométrica, ou seja, com divergência exponencial das diferenças (ou você acha que Bill Gates trabalha um bilhão de vezes mais que o comum dos mortais?). Já os programas compensatórios atuam de forma aritmética, ou seja, não resolvem lá grande coisa. Talvez isto explique o fracasso da USP em brecar seu processo de elitização (não cultural, que seria bom, mas econômica, que não é nada bom para um serviço público).
Programa de inclusão social da USP não atinge metas no 1º ano

Participação de alunos de escolas públicas aumentou, mas não na proporção esperada.Mesmo assim, pró-reitora de Graduação diz que os resultados são positivos.

Fernanda Bassete, do G1: A Universidade de São Paulo (USP) não atingiu as metas de inclusão de alunos da rede pública entre os aprovados no vestibular 2007. As simulações feitas pela Pró-Reitoria de Graduação no ano passado previam 600 estudantes a mais de escolas públicas entre os convocados na primeira chamada. No entanto, segundo os dados socioeconômicos da Fuvest divulgados nesta semana, o aumento foi de apenas 304 calouros nessas condições, o que representa um crescimento de 10,1% em relação a 2006.

No ano passado, preocupada com a inserção social, a universidade lançou o Programa de Inclusão Social, o Inclusp, que entre suas medidas dá 3% de bônus nas provas da primeira e da segunda fase para os vestibulandos que cursaram o ensino médio em escolas públicas estaduais, federais ou municipais. O objetivo era aumentar a participação desses estudantes dentro de uma universidade pública. Neste ano, a Fuvest contabilizou 2.678 candidatos de escolas públicas aprovados na primeira chamada do vestibular 2007, ou 26,1% do total de ingressantes da primeira lista. Em 2006, o total de aprovados nesta condição era 2.374, ou 23,7% dos candidatos. Com base nesses dados, o aumento da participação de estudantes de escolas públicas de um ano para o outro foi de 10,1%. Num primeiro momento, a professora Selma Garrido Pimenta, pró-reitora de Graduação da USP, disse em entrevista ao G1 por telefone, que o aumento de alunos de escolas públicas no vestibular de 2007 com relação ao de 2006 era de 20%. O equívoco aconteceu na base de comparação dos dados: os números de 2006 que a pró-reitora usou incluíam os candidatos treineiros, enquanto os números de 2007 referem-se somente aos convocados com ensino médio completo. A Fuvest enviou ao G1 nesta sexta-feira (2) uma nota com a correção dos dados.

Resultados positivos

Mesmo sem atingir as metas, o Inclusp alcançou resultados positivos. O número de alunos de escolas públicas aprovados no curso de medicina, por exemplo, dobrou neste ano com relação ao ano passado (subiu de 22 para 46 estudantes). Leia aqui. Nessa sexta-feira, em uma nova entrevista, a professora Selma confirmou o erro na informação, mas afirmou que mesmo assim os primeiros resultados do Inclusp são positivos. “O processo ainda não está encerrado. Os números finais só serão conhecidos após a quarta chamada de aprovados no vestibular. O programa [Inclusp] continua em pé com os seus objetivos. Mesmo sendo 10% de aumento e não 20% como imaginávamos, os números são bons e o programa está atingindo os seus objetivos”. Segundo a professora Selma, é a primeira vez que o Inclusp foi colocado em prática e, por isso, ainda é cedo para tirar conclusões. “O otimismo continua. Nas carreiras mais concorridas como medicina, jornalismo e direito tivemos um aumento expressivo de alunos de escolas públicas aprovados. De um modo geral, houve ganhos”, afirmou a pró-reitora. Questionada se o Inclusp deve alcançar os 600 alunos a mais na USP até o término da quarta chamada de alunos aprovados, prevista para ser divulgada no fim deste mês pela Fuvest, dessa vez a professora Selma prefere não arriscar. “Não sei se vamos atingir a meta de 600 alunos a mais, mas o fato é que demos uma empurrada e já alcançamos os primeiros resultados positivos”, afirmou.

Bom, aqui em Ribeirão, a Folha noticiou que a percentagem de calouros vindos de escolas particulares subiu de 52 para 56% neste ano!

Mamar no peito ajuda ascensão social, diz estudo

Continuo aqui com minha faraônica acumulação de material para o curso de Estatística Aplicada I para Psicologia. Pessoal de Estatística para Economia, esperem um pouco que já começo o dossiê de vocês.

Bebês que foram amamentados pela mãe têm maior probabilidade de ascensão social quando adultos, sugeriu estudo da Universidade de Bristol, na Grã-Bretanha.

Da BBC Brasil: Os pesquisadores acompanharam 1,4 mil bebês nascidos de 1937 a 1939 durante 60 anos.

Os que foram amamentados no seio da mãe tiveram uma probabilidade 41% maior de subir de classe social do que os alimentados com mamadeira.

Especialistas disseram que o estudo publicado em Archives of Disease in Childhood sustentam a idéia de que aleitamento materno leva a resultados melhores para crianças no longo-prazo.

As pessoas que participaram da pesquisa tinham, originalmente, sido incluídas no Estudo Boyd Orr de Saúde na Grã-Bretanha no Pré-Guerra, realizado no período entre 1937 e 1939.

Elas foram acompanhadas até uma faixa etária de 73 anos em média.

Segundo o estudo, não havia diferença na prática de aleitamento materno quando os pesquisadores levaram em conta renda familiar ou classe social.

QI

As crianças que foram amamentadas pela mãe tiveram uma chance 58% maior de ascensão social comparado com 50% em relação às que foram alimentadas com o uso de mamadeira – uma diferença relativa de 41% quando as estatísticas foram ajustadas para levar em conta outros fatores que podem ter influenciado o resultado.

Quanto mais tempo uma criança era amamentada pela mãe, maior a sua chance de mobilidade ascendente, de acordo com os resultados.

E em famílias onde uma criança foi amamentada pela mãe e um irmão foi alimentado com mamadeira, ainda foi verificada uma diferença nas chances de mobilidade social – o bebê que mamou do peito da mãe tinha uma chance 16% maior de subir de classe.

Richard Martin, chefe da pesquisa, disse: “Nós achamos que se o aleitamento materno aumenta o QI (Quociente de Inteligência) e a saúde no longo prazo, pode também ter um impacto no status social.”

Mas ele acrescentou que “a questão é se este é um efeito do aleitamento materno – algo a ver com o processo biológico que tem um impacto no desenvolvimento do cérebro, ou sobre a própria atividade – tal como melhora na relação com a mãe, ou que as pessoas que foram amamentadas pela mãe foram criadas em um ambiente social melhor”.

Martin disse que são necessárias mais pesquisas para uma explicação mais específica.

Mary Fewtrell, especialista em nutrição infantil do Instituto de Saúde da Criança, disse que “evidências sugerem que aleitamento traz benefícios”.

“A ascensão social pode ser devido a um efeito da amamentação em uma destas conseqüências, ou seja, o aleitamento materno pode permitir a um indivíduo subir de classe ao aumentar sua estatura, melhorar seu estado geral de saúde ou aumentar diretamente seu QI.”

  • Elabore outras hipóteses para explicar este resultado.
  • Idealize uma pesquisa para testar as diferentes hipóteses.

Complemento: Amamentação e Puritanismo nos EUA

Para registro: A Nice amamentou em média 2,5 anos cada um de nossos bebês. Mariana, Juliana, Leonardo e Raphael, dêem valor a isso, por favor.

Suicídio é maior entre mulheres com implantes nos seios

Ainda seguindo minha coleta de material para o curso Estatística Aplicada I para Psicologia.

Da BBC Brasil: Mulheres com implantes de silicone nos seios têm entre duas e três vezes mais probabilidade de cometerem suicídio, de acordo com uma série de estudos publicados pela revista médica New Scientist. [Ops, a New Scientist não é uma revista médica, mas de divulgação! Ela deve ter apenas comentado a pesquisa.]

Os estudos incluem uma pesquisa americana que acompanhou 13 mil mulheres e um estudo canadense, com 24 mil pacientes. Esses dois estudos inicialmente procuravam supostas ligações entre os implantes de silicone e doenças como câncer e problemas do sistema imunológico. “A única descoberta consistente de todos os estudos foi a inesperada ligação com o suicídio”, disse Joseph McLaughlin, diretor do Instituto Internacional de Epidemiologia em Rockville, nos Estados Unidos, que coordenou alguns dos estudos.

Mistério

Os cientistas não sabem a razão da maior probabilidade de mulheres com implantes nos seios cometerem suicídio. Uma das hipóteses é que as mulheres que sentem a necessidade de fazer a cirurgia têm mais chances de sofrerem de problemas psiquiátricos e tendências suicidas. Esses problemas não seriam detectados, ou seriam ignorados por cirurgiões, colocando essas mulheres sob maior risco. Um estudo dinamarquês sugere que 8 por cento das mulheres que tiveram implantes haviam sido admitidas em hospitais psiquiátricos antes da cirurgia, principalmente por “neurose e distúrbios de personalidade”, além de “abuso de álcool e substâncias”. Das mulheres com implantes que cometeram suicídio, metade havia passado por instituições psiquiátricas antes da cirurgia.

Transtorno dismórfico

Outro problema comum entre pessoas que passaram por cirurgias plásticas é o transtorno dismórfico corporal (TDC), em que os pacientes são obcecados por falhas pouco perceptíveis ou inexistentes de sua aparência física. Cerca de três quartos das pessoas com TDC buscam intervenções como cirurgias plásticas e procedimentos dermatológicos. Acredita-se que entre 6 e 15 por cento dos pacientes de cirurgias plásticas nos Estados Unidos sofram da doença. Segundo os cientistas, os pacientes com TDC tem um risco muito maior de se auto-mutilarem, e por isso mais riscos de se matarem. Outra teoria, mas que é considerada muito remota, é que vazamentos nos implantes poderiam alterar a química do cérebro, despertando tendências suicidas em algumas mulheres.

Um bom exemplo onde correlação não implica causação. Na sua opinião, qual a hipótese mais provável? Ou você teria alguma outra hipótese para explicar isso? Como sua hipótese poderia ser testada?

Why Evelyn Fox Keller is wrong

Meu irmão me disse que muita gente em filosofia faz sua carreira achando um nicho de polêmica de tal modo que possa publicar bastante fazendo apenas o trabalho de crítico. Mas fica a pergunta: quando se dá respostas adequadas ao crítico e mesmo assim ele não as leva em conta ou finge que as não entende, não seria isso um sinal de que o mesmo precisa daquele nicho de polêmica para sobreviver? Se sua vida intelectual depende dessa polêmica, como poderá o crítico aceitar uma derrota?
É mais provável que ele, pouco a pouco, comece a se desviar do assunto, e buscar um outro nicho polêmico para colocar seus escritos. Enquanto isso, temos que aguentar o crítico repetindo suas críticas ad-nausean… A única coisa que posso dizer de Evelyn Fox é que parece ser bem intencionada e ter um sorriso bonito. Mas boas intenções não bastam quando o objetivo é ser intelectualmente honesto.

A clash of two cultures
Evelyn Fox Keller

Nature 445, 603 (8 February 2007) doi:10.1038/445603a; Published online 7 February 2007

Abstract
Physicists come from a tradition of looking for all-encompassing laws, but is this the best approach to use when probing complex biological systems?

Biologists often pay little attention to debates in the philosophy of science. But one question that has concerned philosophers is rapidly coming to have direct relevance to researchers in the life sciences: are there laws of biology? That is, does biology have laws of its own that are universally applicable? Or are the physical sciences the exclusive domain of such laws? (…)

Physicists’ and biologists’ different attitudes towards the general and the particular have coexisted for at least a century in the time-honoured fashion of species dividing their turf. But today, with the eager recruitment of physicists, mathematicians, computer scientists and engineers to the life sciences, and the plethora of institutes, departments and centres that have recently sprung up under the name of ‘systems biology’, such tensions have come to the fore.

For example, a rash of studies has reported the generality of ‘scale-free networks’ in biological systems. In such networks, the distribution of nodal connections follows a power law (that is, the frequency of nodes with connectivity k falls off as k-, where is a constant); furthermore, the network architecture is assumed to be generated by ‘growth and preferential attachment’ (as new connections form, they attach to a node with a probability proportional to the existing number of connections). The scale-free model has been claimed to apply to complex systems of all sorts, including metabolic and protein-interaction networks. Indeed, some authors have suggested that scale-free networks are a ‘universal architecture’ and ‘one of the very few universal mathematical laws of life’.

But such claims are problematic on two counts: first, power laws, although common, are not as ubiquitous as was thought; second, and far more importantly, the presence of such distributions tells us nothing about the mechanisms that give rise to them. ‘Growth and preferential attachment’ is only one of many ways of generating such distributions, and seems to be characterized by a performance so poor as to make it a very unlikely product of evolution.

How appropriate is it to look for all-encompassing laws to describe the properties of biological systems? By its very nature, life is both contingent and particular, each organism the product of eons of tinkering, of building on what had accumulated over the course of a particular evolutionary trajectory. Of course, the laws of physics and chemistry are crucial. But, beyond such laws, biological generalizations (with the possible exception of natural selection) may need to be provisional because of evolution, and because of the historical contingencies on which both the emergence of life and its elaboration depended.

Perhaps it is time to face the issues head on, and ask just when it is useful to simplify, to generalize, to search for unifying principles, and when it is not. There is also a question of appropriate analytical tools. Biologists clearly recognize their need for new tools; ought physical scientists entering systems biology consider that they too might need different methods of analysis — tools better suited to the importance of specificity in biological processes? Finally, to what extent will physicists’ focus on biology demand a shift in epistemological goals, even the abandonment of their traditional holy grail of universal ‘laws’? These are hard questions, but they may be crucial to the forging of productive research strategies in systems biology. Even though we cannot expect to find any laws governing the search for generalities in biology, some rough, pragmatic guidelines could be very useful indeed.

Minhas respostas telegráficas (depois desenvolvo isso):

1) As duas culturas não são a Física e a Biologia, mas sim os experimentais e os teóricos. Os Físicos teóricos conversam muito bem com os Biólogos teóricos. Os físicos experimentais são quase tão exasperantes quanto os biólogos experimentais.

2) Os modelos de Física Estatística nunca pretenderam dar informação sobre a dinâmica real dos sistemas estudados, ou sobre sua natureza microscópica. Uma simulação de Monte Carlo necessariamente usa uma dinâmica falsa. O objetivo é estudar classes de universalidade. Não devemos pedir aos modelos aquilo que eles não foram feitos para fazer. Infelizmente Evelyn Fox parou de fazer física antes do advento do Grupo de Renormalização.

3) O conhecimento provido pelos toy models na física estatística é Popperiano: são os modelos refutados aqueles mais informativos, por mostrarem que certo conjunto de ingredientes de modelos biológicos apenas verbais, tidos como suficientes para o entendimento de uma questão biológica, na verdade não funcionam quando se tenta modelar o sistema. Assunções tácitas aparecem. Os modelos matemáticos forçam os biólogos a explicitá-las.

4) Fitar distribuições com caudas em leis de potência não é tão fácil assim. Especialmente porque, na região onde se têm mais estatística, a distribuição não tem forma de lei de potência. Então, na verdade, os modelos simples tipo Barabasi-Albert não funcionam tão bem, e a busca da razão de porque não funcionam é que faz avançar o conhecimento.

5) Os físicos estudam hoje dinâmicas fortemente dependentes de acasos congelados e acidentes históricos. São as dinâmicas vítreas, fora do equilíbrio, não ergódicas. Modelar a evolução Darwiniana e o surgimento de espécies acidentais e únicas toma meia página de Fortran. Fenômenos únicos, acidentais e históricos são, sim, um tópico de pesquisa da Física Contemporânea. Basta examinar a Cosmologia moderna: o Universo acessível é único, acidental e histórico.

6) A epistemologia da Física mudou muito desde que Evelyn Fox era física na década de 60. A revolução da Modelagem Computacional, quer na Física, quer na Biologia, veio para ficar.

7) Primeira lei das leis científicas: não se deve confundir, como faz Evelyn Fox, leis dinâmicas com leis estatísticas. A lei dos grandes números, a distribuição Gaussiana e as leis de potência não estão na mesma classe da Eletrodinâmica Quântica ou da Relatividade Geral. E, sim, existem regularidades e leis estatísticas na Biologia, especialmente na Biologia de Sistemas. E uma regularidade estatística não precisa ser invariante no tempo para que seja interessante e mereça uma explicação. Explicação que nunca virá se estudarmos apenas espécies isoladamente.

8) Se você não entende um modelo simples, então não entenderá um modelo mais complexo. Para reconhecer um rosto, mais vale uma caricatura do que uma fotografia tirada no microscópio. Modelos biológicos verbais continuam sendo modelos, e sempre contêm menos informação que os modelos matemáticos correspondentes.

9) A melhor maneira de ver se os físicos terão sucesso no ataque de problemas biológicos é deixá-los trabalhar em paz. Afinal, Pasteur era físico, Fechner era físico, Stevens era físico, Delbruck era físico, Crick era físico. Os biólogos que não gostam de fazer teoria e simulações computacionais podem deixar isso para os físicos, que estão precisando muito de empregos. Fazer teoria e modelo computacional não vai gastar (muito) dinheiro público, na verdade é baratíssimo: basta papel, um PC e idéias novas.

10) Criticar é fácil. O duro é criar.

A ler: Physics and the emergence of molecular biology: A history of cognitive and political synergy EF Keller – Journal of the History of Biology, 1990 – Springer

Modelos são menos felizes e satisfeitas, diz pesquisa

Ok, ok, deixa eu esclarecer porque fico colocando notícias aparentemente banais aqui. Primeiro, estou juntando uma série de pesquisas estatísticas curiosas que possam despertar o interesse das minhas turmas de Estatística deste ano. Acredito que a notícia abaixo, por juntar Psicologia e Estatística, cai como uma luva para a minha turma de Estatística Aplicada I para Psicologia.

Segundo, temas do cotidiano (e fotos de mulheres bonitas) atraem leitores para este blog. Como o objetivo do mesmo é divulgar ciência para um público geral (e não ficar falando para sissudos professores da USP), vale como estratégia inovadora de divulgação, na linha “Anything Goes” de Feyrabend (claro que sem exageros). Pois eu acredito sinceramente que se a Playboy publicasse artigos de divulgação científica (ela já publica FC!), as vocações científicas seriam multiplicadas por dez. Não fui eu quem disse isso, mas Monteiro Lobato (se referindo ao bem que o livro Theresa Philosofa fez pela alfabetização do Brasil).

Da BBC Brasil: Modelos são menos felizes e satisfeitas do que pessoas que exercem outras profissões, de acordo com dois estudos realizados pela City University, em Londres.
As pesquisas revelaram ainda que modelos têm auto-estima mais baixa e se sentem mais sozinhas e isoladas.
A divulgação dos estudos, nesta segunda-feira, coincide com o início da Semana de Moda de Londres.
O primeiro estudo analisou dois grupos de pessoas entre 18 e 35 anos de idade, 56 modelos (entre mulheres e homens) e 53 não-modelos.
As modelos foram submetidas a um questionário baseado na teoria da auto-determinação, segundo a qual só é possível alcançar felicidade e bem-estar mental quando se satisfazem três necessidades tidas como pré-requisitos: a de se conectar com outras pessoas, de se sentir livre para tomar decisões e a de se sentir competente e eficaz nas atividades diárias.
As modelos apresentaram níveis significativamente mais baixos de satisfação, o que foi interpretado pelos pesquisadores como um sinal preocupante.
O coordenador da pesquisa, Björn Meyer, disse: “Os resultados não significa que as modelos são mentalmente perturbadas, mas eles são preocupantes e apontam para um problema sério”.
“Às vezes nós estereotipamos modelos como produtos, úteis apenas para mostrar roupas, mas elas também são seres humanos, com as mesmas necessidades e preocupações que o resto das pessoas. A indústria precisa garantir que as condições de trabalho não minem a satisfação e o bem-estar psicológico das modelos”, disse Meyer.
“Alguns trabalhos trazem um senso de competência e desafio, sua natureza complexa dá a sensação de que é necessário talento para fazer o serviço bem”, disse .
“Se seu trabalho te valoriza apenas pela sua aparência e habilidade de andar para cima e para baixo, as oportunidades de experimentar esse senso de competência podem ficar limitadas.”
Isolamento
Duas modelos formadas em psicologia pela City University também participaram da condução do estudo.
Segundo Kristin Enström, o isolamento e a falta de controle são problemas comuns em sua experiência como modelo.
“Eu sempre estive ciente da falta de satisfação em ser modelo. Além disso, é comum sentir solidão durante as viagens de trabalho, quando não há tempo de formar laços com ninguém”, disse Enström.
“Em termos de autonomia, modelos não pensam muito no que precisa ser feito já que elas estão sempre recebendo ordens sobre o que fazer e para onde ir.”
O segundo estudo realizado pelos pesquisadores britânicos analisou apenas mulheres – 35 modelos e 40 não-modelos.
Novamente, as modelos apresentaram níveis mais baixos de bem-estar e felicidade, além de terem menor auto-estima.
Apesar de reportarem que as modelos têm baixa auto-estima, as pesquisas não estudaram especificamente o risco de distúrbios alimentares no mundo da moda e o impacto do aumento de celebridades ‘tamanho zero’ (equivalente ao 32 no Brasil).