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Todo nerd é literalista?

O que você diria de pessoas que, após ouvir a parábola da Raposa e das Uvas Verdes, viessem com o seguinte comentário:
Mãe do Sheldon: “O livro de Esopo contém lições importantíssimas para a humanidade. E cada palavra do livro de Esopo é verdadeira! A teoria da evolução das raposas é apenas uma teoria, é conhecimento científico mesclado com naturalismo filosófico. É possível mostrar científicamente que no passado não só as raposas falavam como comiam uvas. O Esopismo científico deveria ser ensinado junto com o Evolucionismo das raposas.”
Bom, acho que você perceberia que essa pessoa não entendeu nadinha do propósito do livro de Esopo. E também, ao se apegar a uma interpretação literal, deixa de entender a profunda mensagem da estória.
Sheldon: “É um absurdo quem acredita nessa história! Raposas não falam. Raposas não comem uvas. Isso vai contra tudo o que a ciência da Biologia nos revelou até hoje. Além disso, os historiadores mostraram que Esopo não existiu, e que os relatos atribuidos à ele na verdade foram redigidos séculos depois. Quem conta esse tipo de história apenas espalha superstições (raposas falantes, ora esta!) e põe em risco toda a nossa cultura e educação científica!”
É claro que não estou falando do livro de Esopo, mas sim de outro livro de estórias que não é um livro de história. O literalismo fundamentalista é burro. O literalismo ateísta lembra sintomas da síndrome de Asperger Sheldoniana. Mas se você não quer ser Sheldon nem sua mãe, aguarde o próximo post.
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2 Comments

  • O “literalismo” ateísta é apenas uma resposta ao literalismo fundamentalista. Um reductio ad absurdum.

    1) Literalista bíblico: “A evolução é um absurdo, pois a Bíblia diz que IHVH criou todas as formas de vida”.
    1a) Premissa oculta: o que está na Bíblia é, literalmente, correto. (Dogma da infalibilidade bíblica.)
    2) Fato: a Bíblia diz que morcego é ave.
    3) Conclusão: Morcego é de fato ave.
    Teste de hipótese:
    4) Hipótese: Se morcego é ave, ele teria penas e não amamentaria os filhotes.
    5) Fato: Morcegos não tem penas e as fêmeas amamentam os filhotes.
    6) Conclusão: Morcego não é ave.
    7) Fato: Choque entre “3” e “6”.
    8) Princípio da não-contradição (redução ao absurdo em efeito): Não é verdade que “é verdade que morcego é ave *E* não é verdade que morcego seja ave”.
    9) Conclusão: “3” não se sustenta.
    10) Conclusão: “1a” está incorreto.
    11) Conclusão: “1” está incorreto.

    Ou seja, o “literarismo” ateísta é a mesma coisa de premissas como:
    “Admitamos que raiz de dois seja racional”; “Suponha três par”; “X é um primo par maior do que 2″…

    Um “literalismo” ateísta sheldoniano seria do tipo:
    1′) “A Bíblia contém um monte de absurdos, então IHVH não existe”.
    1a’) Premissa oculta: *tudo* o que está na Bíblia é falso.

    []s,

    Roberto Takata

  • Takata, acho que o literalismo ateista seria mais como:

    1. Todas as fabulas de Esopo são falsas e portanto anticientificas ou inuteis;
    2. Hamlet nunca existiu e além disso, é um livro machista e não politicamente correto, um livro ultrapassado que não tem mais nada a dizer sobre o ser humano. Alem do mais, Sheakspeare provavelmente não existiu…

    O literalismo bíblico seria:
    1. Todas as fábulas de Esopo se referem a fatos históricos,
    2. Hamlet existiu sim, e o livro é sua biografia.

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